História Estrelas do Céu de Abraão - Capítulo 20


Escrita por: ~

Exibições 17
Palavras 3.365
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Saga
Avisos: Insinuação de sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir culturas, crenças, tradições ou costumes.

Notas da Autora


Olá gente, voltei com mais capítulo, boa leitura! 📖

Capítulo 20 - Capítulo XX



Esther estava com os pensamentos longe, sem entender, o que realmente havia acontecido,  porque Otniel estava a evitando, fazia três dias que ele não aparecia na casa de Quenaz, embora seus campos ficavam em outra cidade, nem era uma distância tão longe assim.

— Olha isso aqui, Esther. — Adele disse, mostrando uma peça de madeira feita pelo filho, orgulhosa.

— Uma peça muito bem feita. Compraram com algum artesão, na rua do comércio? — perguntou ela.

— Não, foi Seraías que fez. Com aqueles bambus.

— Não acredito, com essa perfeição, toda? Parabéns meu primo, se continunar assim vai ser um grande artesão, no futuro.

— Para você, mais um presente de aniversário. Sei que nada que você ganhe se compare a Estrela, e desculpa por ter demorado. Eu queria fazer algo bem bonito.

— E fez, ficou lindo. Obrigado, meu anjo. — agradeceu. — Vou colocar lá no meu quarto.

— Mesmo?

— Claro.

— Sabe, eu quero ser guerreiro, igual ao papai e aos meus irmãos. — revelou o menino, o que era o desejo de todo hebreu. —, mas eu gosto de artesanato.

— Você tem apenas sete anos, meu amor, ainda tem muito tempo para pensar.

— Seraías. — chamou uma voz de criança.

Seraias sorriu.

— É o Boaz me chamando para brincar. Posso ir mamãe?

— Pode.  — permitiu Adele . — Só não demore para voltar para casa.

O menino saiu correndo,  alegremente.

— Independente da escolha que o Seraías fizer,  ele estará sempre por aqui.  — percebeu Adele com alegria. — Criará raízes, porque é um hebreu da tribo de Judá.

— Já o Marduk me preocupa tanto. Eu temo pela vida dele. 

— Eu também me preocupo com ele.  — murmurou Esther.

— Tem mais coisas de preocupando,  não tem? Esse sumiço de Otniel? Ele estava vindo aqui com mais frequencia para te ver e de repente... Aconteceu alguma coisa? Vocês se desententeram?

— Eu já disse que não, tia. O jeito é esperar que ele apareça e esclareça tudo.

                          ***

Lila chorava em seu quarto. Havia partido o coração de Nobá, descumprindo assim uma promessa feita ainda na infância por ela,  Nobá e Gael. 

— Vamos fazer um promessa. —  foi o próprio Nobá que começou:

— Nunca vamos deixar nada que nada atrapalhe nossa amizade.

— Nunca! — disseram os três juntos, colocando as mãos uma em cima da outra.

Salmon chegou e a flagrou chorando.

— Lila,  minha irmã. — se aproximou dela. —  Você está chorando? O que aconteceu?

— O Nobá... — ela não consegui terminar a frase.

Desconfiado, Salmon questionou:

— Ele fez alguma coisa?

A pergunta de Salmon, fez com que ela se sentisse ainda pior, mais culpada. A vítima era Nobá,  ele foi magoado,  não ela.

E ela poderia ter evitado isso tudo desde o início.

— Não foi ele, fui eu que partir o coração dele.  Porque fui uma egoísta desde o início.

— Diga minha irmã. — pediu Salmon.

— O que exatamente você fez?

Lila havia pensado por horas, quais as palavras certas para dizer, no entanto, naquele momento, tudo o que ela queria era simplesmente dizer,  e foi o que fez:

— Eu não quero me casar com ele.

O silêncio durou alguns segundos, como se o irmão  mais velho,  estivesse procurando as palavras certas para dizer. Salmon suspirou profundamente,  para depois, finalmente sibilar algo:

— E por quê não?

'Porque eu amo um rapaz de uma outra tribo',  ela pensou. Mas não poderia dizer isso a ele. As consequências seriam gravíssimas.

— É que Nobá e eu, somos amigos.  Eu não o vejo como meu marido. Não daríamos certo, é isso.

— Como sabe disso? Que não vai dar certo? Diziam isso sobre mim e Raabe.  Você só vai saber se acontecer.

— Mais vocês sempre tiveram certeza de que o sentiam um pelo outro era verdadeiro,  era amor.  Eu não sinto isso, e não é justo com Nobá.  Por isso,  eu não sei se quero arriscar.

Um pensamento veio a cabeça de Salmon, mas ele desejou que fosse apenas um pensamento.  Conhecia Lila, e isso não fazia parte de sua essência.

— Não vai me dizer que... Não,  você não é assim,  minha irmã...  — falou,  cheio de incertezas.

— Não sou assim?  O que está pensando,  pode dizer Salmon. — ela pediu.

— Não é pelo fato de Nobá ser caneneu, é?

— Claro que não, eu só não...

Ele segurou a mão da irmã. E ela desejou que fosse apenas esse capricho, mas Lila via o coração das pessoas.  Jamais deixaria de se casar por esse motivo.

— Eu sabia,  porque você compreende à todos.  É a menina mais generosa que eu conheço,  tenho muito orgulho da irmã que tenho.

— Também tenho muito orgulho de você,  Salmon, mas...

— Lila, você precisa entender uma coisa, somos órfãos, eu e Raabe criamos você, com todo nosso amor.

— Mas, você precisa ter sua própria família. — prossegui Salmon. — E se não for com Nobá, será outro rapaz. Você não acha melhor se casar com um rapaz que ama você?

Logo Salmon saiu, porque Lila pediu  para que ele a deixasse sozinha.

Salmon tinha toda razão. Se não fosse Nobá, seria outro, mais cedo ou mais tarde, teria mesmo que se casar.

A única certeza que tinha era que o noivo não seria quem ela amava. Não seria Gael.

Mas o que mais a preocupava naquele momento era Nobá,  ele descobriu da pior forma possível,  flagrou um beijo entre ela e Gael. 

                       ***

Disposto a desfazer seu compromisso com Esther,  Otniel foi até a casa de seu pai.

Não havia ninguém em casa. No entanto,  ao caminhar viu um objeto suspeito,  parecia um ídolo. Pegou o objeto era uma estátua de um Deus pagão.

O que fez Otniel pensar em duas hipóteses.  Ou a peça pertencia à Marduk ou alguém fez aquilo para separá-lo de Esther,  para incriminar sua noiva.

Quenaz chegou casa e encontrou Otniel.

— Shalom, meu pai.

— Shalom. 

— Adele me contou o que está acontecendo.  O que houve entre você e Esther? Porque está a evitando? Vocês estão noivos!

— Eu tive motivos, pai. — respondeu sem olhar para o pai.

— Nada que não possa ser resolvido. O que realmente aconteceu,  Otniel?

Dessa vez, ele olhou para Quenaz e suspirou.

— Esther não fez nada. — disse. — Eu que tenho medo do que podemos fazer se nos casarmos.

Quenaz fez sinal para que continuasse.

— Esther ficará grávida e...

Quenaz entendeu.

— Agora está explicado. Nem é preciso dizer mais nada.

Quenaz se sentou ao lado de Otniel. Sabia melhor do que ninguém o que ele estava sentindo, sentiu a mesma dor que ele. Lamenatava muito que o que aconteceu com ele, tenha acontecido com o filho

Um novo casamento, também foi algo que ele temeu por muito tempo.

— Você acha que eu não temi na gravidez de Adele? — questionou, recordando-se do medo que sentiu quando ela estava grávida de Seraías. — Ainda mais no caso dela,  perdeu vários bebês...

— Esther, é tão jovem, eu não tenho o direito de tirar algo dela, que é chance de ser mãe.

— Otniel, se você não se casar com ela, outro se casará, e então ela terá um filho. Não é algo que se pode fugir. Você a ama, e pode fazê-la feliz, melhor que qualquer outro homem

Otniel suspirou olhando o fogo consumir a pedra.

— Eu encontrei uma estátua politeísta nessa sala de estar.

— Como é possível? Será que pertence à Marduk?

— Acredito que não, ele sabe que é extremamente proibido, não arriscaria sua própria vida.

— Então a quem essa peça pertence?

— Bem,  a única coisa que consigo pensar além disso, é que alguém fez isso  para incriminá-la Esther.

— Alguém que os deseja vê-los separados. — completou Quenaz, entristecido ao perceber, que a maldade permanecia em muitos corações. — Mas se você confia tanto nela filho, porque está pensando em desfazer o compromisso de se casar com ela?

— Eu não vou conseguir olhar para Esther. — voltou a dizer ao pai. — Olhar para aqueles olhos azuis lindos, e dizer que não posso me casar porque eu não quero dar um filho a ela.

— E ainda tem o filho de Adele.  Não acha que Marduk pode tentar conquistá-la a todo custo, agora?

Isso com certeza ele não iria tolerar. Se não tivesse a certeza de que Esther, quisesse se relacionar com Marduk. Otniel sabia na verdade que isso nunca aconteceria.

— Não,  eu vou proteger Esther de todo homem que eu tiver certeza que tem a melhor das intenções com ela.

— Você sabe que só vai poder protegê-la de verdade,  quando se casar com ela.  Só assim.

— Esse rapaz faz com que eu me lembre de quando conheci sua mãe. — recordou Quenaz.

— Por quê?

— Sua mãe era tão linda, tinha longos cabelos castanhos e olhos verdes,  como os seus. Havia um outro rapaz, além de mim interessado nela, Tales. E mesmo depois que ela aceitou o meu pedido de casamento, ele continuou a importunando.

— Josué conversou com ele o aconselhou. Depois ele se desculpou, e ficou tudo bem. Mas foram tempos muito complicados. 

— O senhor nunca me falou sobre isso, antes. — Otniel falou. Se lembrava de muitos relatos de seu pai,  mas não desse.

— Faz tantos anos, ainda estávamos no deserto. Nos primeiros anos de liberdade, mas Marduk fez com que eu me lembrasse.

— Tales só mudou porque ele quis. Porque reconheceu que estava errado. Infelizmente ele morreu tempos depois na revolta de Corá, pois era filho Abirão de um dos que estavam contra Moisés. — Quenaz recordou-se de quando o chão se abriu no deserto.

— Mas essa mudança,  meu filho,  tem que vir da pessoa. Nós somos responsáveis por nossas ações.  Somos livres, Deus nos deu o livre arbítrio.

— Eu quero estar errado, mas Marduk simplesmente não passa confiança. Não sabemos quase nada sobre ele. — explicou Otniel. — Sabemos que ele vive entre um povo cruel.  Os assírios são ainda piores que os caneneus.

— Não faça como eu que perdi tanto tempo ao lado de Adele. — aconselhou Quenaz.  — Pensando bem,  eu deveria ter me casado com ela, antes. Me encantei por ela,  assim que eu a conheci. Uma mulher com um passado tão triste e mesmo assim com tanta fé no nosso Deus, esperançosa de começar uma vida nova.

— Esther está à sua espera. Cheia de dúvidas, questionando a ela mesma, o que fez de errado.

Dessa vez, Otniel recordou-se da conversa que teve com Hatate, antes de sair de casa.

— Você e Esther não vão mais se casar? — perguntou, triste.

— Sinceramente,  eu acho que não. — respondeu ao filho.

— Vocês se amam. E quando duas pessoas se amam de verdade, elas tem que ficar juntas.

Depois de ouvir o pai e o filho,  Otniel sabia exatamente o que tinha que fazer.

                     ***

Além de sua fascinação pelas estrelas, Esther gostava muito do rio Jordão.  Desde criança,  quando era uma princesa.  

Nunca soube explicar. Para ela, o rio permanecia através do anos.  Resistindo ciclos, gerações e gerações passavam e suas águas eram responsáveis por todas aquelas vidas, sempre permaneceria.

E foi diante do Jordão que ela viu Otniel pela primeira vez. 

— Esther.

Ao virar-se encontrou Marduk.

O primo de Esther acreditava que estava tudo terminado entre ela e Otniel.

— Que amor é esse que ele sente por você? — perguntou a ela. — Ele já desistiu de se casar com você?

Embora não estivesse afim de falar sobre aquele assunto, muito menos com ele, ela respondeu a ele brevemente:

— Não sei ao certo o que aconteceu.

— E o que você vai fazer agora? — o guerreiro quis saber.

— Se for mesmo verdade que ele desistiu de nosso casamento,  embora eu não acredite nisso. — ressaltou.  Havia uma coisa que ela acreditava, era que o amor dela com Otniel enfrentaria tudo.  — Continuarei minha vida como sempre foi. Ajudando minha tia com os afazares, junto de meus amigos, e mantendo minha fé — disse. — Casamento nunca foi prioridade para mim.

— É muito pouco, uma vida muito modesta, muito simples para uma princesa. —   e se aproximou ainda mais dela.

— Vamos embora comigo, Esther. Eu prometo que sua vida será muito melhor ao meu lado. Na Assíria.

— Ir embora de Israel, não. Meu lugar é aqui, sempre foi. — falou Esther,  incisiva.

— Esther, eu te amo, eu te daria tantas coisas, se você me desse uma chance. Tudo seria diferente.

Esther balançou a cabeça.

— Eu não posso. Não seria justo com você. Meu coração, não escolheu você. E eu não posso mudar isso.

— Você pode aprender a me amar. Ah,  Esther é não resisto mais...

Marduk então a beijou,  mas não foi delicado, e nem desejado por ela.

Esther afastou separando-se dele o mais rápido que consegui.

— Não ouse fazer isso novamente,  nunca mais. — ela falou com raiva.

— Você não pode dizer que não sente nada por mim, sem provar dos meus beijos. E você gostou, admite.  Todas adoram mesmo. — falou convencido, com um sorriso sacana no rosto.

A resposta que Esther deu a ele dessa vez,  foi um tapa forte no rosto de Marduk.

O sorriso dele aumentou:

— Sempre surpreendente,  prima.

— Eu vou embora, é nem pense vir atrás de mim. Você ultrapassou todos os limites, Marduk. — Esther pronunciou-se, ainda indignada com a atitude do primo.

Ao perceber que havia se excedido, Marduk a segurou pelo braço.

— Espere, desculpa Esther, eu fui muito impulsivo. — começou a dizer,tentando se desculpar.

Antes que ela disse mais alguma coisa, notou que Otniel se aproximava da margem do rio, onde se encontravam.

— Shalom.  — disse ele.  — Marduk, eu queria mesmo falar com você, mas não esperava encontrá-lo junto de Esther. 

— Essa é a uma conversa entre primos, não se meta, hebreu. — disse, com raiva na voz.

— Não pareceu apenas isto.

— Isso não diz respeito à você.

— É claro que diz, afinal sou o noivo de Esther.

Ao se dar conta de que seu plano havia dado errado,  Marduk percebeu que precisava ser mais direto.

— Por isso,  eu acho que temos que resolver isso de uma vez. De uma maneira que nós conhecemos bem.  — falou, e sacou sua espada. —  Um duelo, aquele que vencer ficará com Esther,  até porque o outro estará morto.

Otniel percebeu naquele instante o quanto Marduk era um guerreiro valente e impulsivo.

— Acha mesmo que vou duelar por Esther? — perguntou a Marduk.  — Esther é uma moça tão determinada, pode muito bem fazer suas escolhas. E na verdade ela fez, à mim.  Nós nos escolhemos.

— Escolheu você  porque está equivocada.

— Não vou duelar com você.  —  Otniel disse sério.  — Guarde sua espada.  Ela só deve ser usada contra seus inimigos, numa guerra. E nós não somos inimigos.   — acrescentou.

Marduk riu, mas evidentemente de nervoso.

— Eu acho que somos. Caneneu ou assírio, esses dois povos não tem aliança com o povo hebreu.

— Marduk pare com isso. O que você pensa que está fazendo? — Esther finalmente pronunciou. A atitude de Marduk havia a deixado sem reação.—  Ninguém vai duelar por mim.  Não sou um objeto, um troféu. Eu sou uma pessoa, tenho sentimentos. Posso sim fazer minhas escolhas.

— Só por ter escolhido um hebreu.

— falou com tom de desgosto na voz. — Você provou que não é capaz de escolher por você mesma. 

— O que eu quero saber é se você outro algum ídolo da Mesopotâmia aqui para Israel? — perguntou Otniel, mudando se assunto, e tirando Esther do foco daquela conversa.

— Claro que não.  Até porque eu sei isso é praticamente suicídio por aqui.  E a verdade é que eu estou cansado desse lugar.  Vou passar um tempo no palácio do rei Filisteu. — contou ele,  como se fosse um motivo de orgulho. Na verdade,  ele se orgulhava disso.

— Só não faça nada que magoe sua mãe. — aconselhou Esther, temendo pelo sofrimento da tia. — Adele já sofreu demais e não merece que você traga mais aborrecimentos.

Ele simplesmente ignorou as palavras ditas por ela, e antes de se retirar, disse apenas mais duas palavras:

— Partirei amanhã.

Enquanto saía da beira do rio, Esther virou-se para Otniel.

— Não sei o que acontece com Marduk, às vezes, ele perde o controle. E age da uma maneira, tão estranha... — ela começou.

— Talvez esse seja o verdadeiro Marduk, e não o bom moço que ele aparenta ser. — Otniel disse, sem surpresa na voz.

— Talvez você tenha razão. — ela suspirou, olhando o horizonte. — Eu não sei.

Depois olhou novamente para Otniel.

Estava muito confusa, não sabia mais o que pensar sobre o primo.

— Eu nunca pensei que fosse passar por uma situação como essa. Ainda mais por alguém da minha família...  E ainda mais ele sendo filho de quem é. É melhor que a minha tia nem saiba disso.

— Do que depender de mim,  Adele não saberá. — garantiu Otniel. — Mas ele terá que ir embora,  Esther não dá mais. Ele tentou alguma coisa,  antes que eu chegasse?

Incapaz de mentir para ele,  Esther contou receosa.

— Sim, ele me beijou à força... — prosseguiu, vendo que ele se moveu rapidamente: — Espere Otniel,  não vai atrás dele.  Foi exatamente por isso que eu não falei com ele aqui, era capaz de você ter aceitado o duelo.

— Certamente se eu soubesse disso,  minha resposta seria sido sim. — ele admitiu.

— Deveriam pensar em Adele e Quenaz, antes de tudo.  Um casal que se ama tanto, com certeza não ficarão satisfeitos de ver seus filhos inimigos.

— Tem razão. Mas espero que depois de passar um tempo com os nobres filisteus, ele volte para a Assíria.

—Eu também. Infelizmente na Assíria é o lugar dele, e não ao lado da mãe,  aqui em Israel.

— Mas não vim falar sobre ele. Vim falar sobre nós.

— Por falar em nós, foi aqui que nos conhecemos.

— Exatamente, as margens do Jordão... Temos que conversar, Esther.

— Sim. Até porque está muito confuso para mim.

— Há outras coisas também,  mas vamos começar pelo que aconteceu mais cedo. — ele suspirou.  — Eu encontrei uma estátua de Deus pagão, na casa de meu pai,  mas eu soube desde primeiro momento, que aquilo pertencia a você.

Esther ficou perplexa.

— Fizeram uma coisa dessas? 

— Sim, mas você não precisa nem me dizer que não fez isso. Eu sinto sua fé,  Esther, acredito em sua fé.

— Mas há três dias atrás,  eu saí daqui com medo. — confessou.  — E eu não posso deixar o medo decidir o meu futuro, o nosso futuro. — Otniel segurou a mão de Esther, e a olhou nos olhos. — Até porque eu só consigo imaginar o futuro, seja qual for, com você ao meu lado. Essa é a única certeza que eu tenho.

— Eu não sei o que dizer, diante de palavras tão bonitas. — falou Esther,  emocionada.

— Não precisa dizer muita coisa. Só que deseja o mesmo que eu.

— Ser sua e que você seja meu? Claro que quero,  mas eu preciso entender do que se trata esse seu medo?

— O que quase me fez desistir de casar com você Esther,  não tem nada a ver com aquela estátua, sei que aquilo não pertencia a você.

— O que foi,  então?

— O problema sou eu. Se nos casarmos, eu estaria tirando chances,  que outro homem certamente não se negaria.

— Eu não entendo. — ela respondeu confusa. Não entendia como Otniel poderia mudar tão rapidamente de ideia.

— Eu não pretende ter mais filhos, e se eu me casar com você, certamente você irá engravidar, e eu não estou pronto.

— Otniel, você e otimo pai, Hatate te ama. Como não esta pronto? Você é pai.

— Minha mãe se foi quando eu nasci, e minha esposa também se foi quando Hatate nasceu.

Com essa explicação, ela de fato entendeu.

— Mas eu resolvi escutar o meu pai.  Com ele as coisas deram muito certo. E Seraías está aí belo e forte.

— Esther, me perdoa por ter feito você pensar que eu havia desistido de nós  dois. Foi muito imaturo da minha parte, mas meu pai, e meu filho de seis anos me fizeram ver que eu estava errado.

— Todos nós temos nossos medos,  nossos receios. O importante é que você conseguiu lidar com isso, enfrentar esse medo por nós dois. — Esther respondeu a ele.

Toda incerteza dos últimos dias,  desapareceu depois das palavras de Otniel,  tudo estava bem entre eles. 


Notas Finais


Espero que tem gostado <3 Até o próximo <3


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...