História Estrelas do Céu de Abraão - Capítulo 8


Escrita por: ~

Exibições 70
Palavras 3.167
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Saga
Avisos: Insinuação de sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir culturas, crenças, tradições ou costumes.

Notas da Autora


Antes de tudo, eu gostaria de dizer que sei o que acontece com Acsa e Otniel... e acaba sendo um spoiler da novela, já que ainda não aconteceu, embora eu acredito que será muito diferente da Bíblia, mas aqui na fic, como já estamos no futuro, tudo o que tinha para acontecer, aconteceu, e hoje, Otniel é um homem viúvo, com um filho pequeno, o Hatate. Eu sinceramente não gostei muito da Acsa da novela, mas de qualquer modo, eu gostando dela, ou não, para essa fanfic acontecer, eu não tive outra alternativa. Teve que ser assim...

Capítulo 8 - Capítulo VIII


Otniel poderia se considerado um homem arrogante e frio, por aqueles não o conhecia, nem a sua história, mas essa não era a verdade.

Ele era um guerreiro e tinha que parecer forte por fora, não podia demonstrar fraqueza, mas parte dele havia morrido, junto com Acsa quando ela se foi inseperadamente.

Ela era tão jovem,  morreu jovem, assim como sua mãe Yarin.

Acsa, sua esposa,  era o grande amor de sua vida, desde a infância, mesmo quando ela o desprezava. Mas ela também havia se apaixonado por ele, e eles viveram muito felizes juntos.

Todas as noites depois de sua morte pareciam mais longas e frias, ao se deitar sozinho na cama que eles dividiram por dois anos. Como ele ia continuar sua vida depois de perder a mulher que amava? A dor permanecia a cada dia, e nada seria capaz de amenizá-la, de fazê-la passar.

Mas havia Hatate. Seu pequeno Hatate.

Lembrando do passado, o guerreiro sabe que havia sido egoísta com ele, afogado em seu próprio luto, ele sequer quis segurar o filho assim que nasceu. Ele só queria entender como Deus podia ter tirado Acsa dele e do filho deles, que precisaria tanto dela?

Otniel nunca se esqueceu do dia em que aconteceu:

A crescente ideia de que estava próximo do filho vir ao mundo, estava o deixando tenso, eram muitos sentimentos juntos: insegurança, medo, alegria, emoção,  paz...

No entanto, Acsa havia passado muito mal, durante toda gravidez. Darda e Chaia haviam dito que seria uma gravidez difícil, mas ele não imaginava que tanto.

E então, numa noite Acsa percebeu que a bolsa havia rompido, e estava na hora do primeiro filho deles nascer.

Ele se lembra de que ela parecia emocionada, porém nervosa, e ele, tentava passar segurança dizendo que ficaria tudo bem. Por dentro, ele estava assutado, com medo.

Os gritos de dor eram torturantes, porque ela estava sofrendo tanto assim? E porque estava demorando tanto?

Havia algo errado, ele sabia, olhar para o olhar de preocupação de Calebe, do pai, e de Iru, não estava ajudando. Estavam tão nervosos quanto ele.

E foi assim por toda madrugada.  E então, ao amanhecer, o choro do bebê finalmente pode ser ouvido,  e os suspiros aliviados.

Chaia,  a parteira que fez o parto, finalmente apareceu.

— Graças a Deus, e então como foi, Chaia? — perguntou Otniel,  levantando-se.

— Bom, o bebê está bem, é um menino lindo, nasceu saudável.

— E Acsa? Minha filha passa bem? — Noemi perguntou.

— Quanto a isso eu tenho que ser sincera também. Ela... bom foi um parto dificílimo, e ela perdeu muito sangue, e ainda esta perdendo, eu e minha mãe, estamos fazendo o possível,  tentando estancar o sangue.

Felicidade e preocupação se misturaram,  por toda familia. Quenaz também estava presente.

— Ela quer te ver, Otniel. — Foi logo dizendo.

Enquanto ia em direção ao quarto,  pode ouvir o choro de desespero de Noemi,  por algo que Chaia disse a ela e Calebe.

Sem hesitar, ele entrou no quarto. A cena era Acsa, estava coberta de sangue, como ele nunca tinha visto, a homorragia estava muito mais grave do que ele imaginava.

— Veja o nosso filho, meu amor. Como ele é lindo. Hatate, ele vai ser chamar Hatate.

Otniel olhou para o bebê, enrolado em um manta, no colo de Darda. O bebê tinha os cabelos escuros como os dela. Ainda não era possível ver os olhos,  pois ainda estavam fechados.

— Vou deixar vocês a sós.  — disse Darda,  e saiu com o bebê.

— Venha mais perto de mim. — ela pediu e gemeu de dor.

— Você precisa descansar, meu amor. — Otniel disse a ela.

— Não Otniel,  eu não tenho muito tempo. Então, preciso que me escute...

Foi só naquele segundo que Otniel se deu conta da gravidade do que estava acontecendo. Ele estava perdendo Acsa. Perdendo a esposa que tanto amava.

—  Meu amor,  você vai ficar bem.  — disse a ela,  segurando na mão dela. — Vamos criar Hatate, e ter outros filhos. Muito outros.

Acsa balançou a cabeça e havia sofrimento em seu olhar.

— Não, eu não vou aguentar, está sendo muito doloroso, não tenho mais forças... — ela se contorceu de dor. — Eu só lamento o tempo que perdemos. Por minha causa, que não percebi que você sempre foi o amor da minha vida, antes.

— Já passou, não vamos falar do passado, e sim do presente. Nós estamos bem.

— Em pouco tempo, eu serei parte do passado de todo mundo que conheci,  que amei. — ela afirmou.  — Só as lembranças ficarão.

— Eu irei descansar nos braços do Senhor, e você, seja corajoso, como tem sido e esse homem generoso de bom coração que você sempre foi, nunca perca sua essência, Otniel...

Ele, por todo momento conseguiu se mostrar forte, desabou diante dela, sem conter as lágrimas,  aquela era a despedida de sua amada.

— E não tenha medo de se apaixonar de novo, siga sua vida. Viva intensamente cada segundo e seja muito feliz.

— Eu te amo, sempre... — ela sussurrou,  antes de fechar os olhos pela última vez.

O grito que deu foi tão alto que poderia ser ouvido por todos na casa,  confirmando a notícia que ninguém esperava.

Aos vinte e sete anos, Acsa, única filha mulher de Calebe, faleceu ao dar à luz ao primeiro filho.

Tudo mudou,  desde aquele dia. Otniel passou a questionar a Deus,  porque ele tirava dele as pessoas que amava?  Sua fé não era a mesma de antes.

Havia chegado de um cavalgada, aquela tarde,  quando percebeu que a casa estava em chamas.

— Não pode ser. — disse e correu em direção à casa.

Um camponês se aproximou.

— Senhor Otniel,  a casa incendiou.  Estamos fazendo o possível para conter as chamas, mas não a muito o que fazer. — relatou.

— E o meu filho?  A senhora Martha?  Onde estão? Como eles estão.  — questionou Otniel,  deseperado.

— Hatate está bem, ele estava no jardim.  Mas senhora Martha, a encontramos desacordada dentro da casa.

Otniel balançou a cabeça,  preocupado.

— Certamente porque inalou muito fumaça. Precisamos levá-la até um curandeiro de Israel,  perto aqui.

— Vou chamar o cocheiro, senhor.

Ele assentiu.

— Faça isso.

Enquanto a carruagem partia, Otniel via sua casa em chamas, e todas as lembranças de Acsa que ele fez questão de guardar por tanto tempo, se iriam com as chamas virando cinzas.

                     
                    * * *

— A senhora tia toda razão, tia Adele. — comentou Esther, sorrindo. — E o tempo nos campos me fez tão bem que eu pretendo voltar em breve.

— Será que posso levar Seraías da próxima vez, novamente? Achei que Hatate se sente tão solitário.

— Tudo bem, pode levá-lo. Contanto que não fique muitos dias.

— Está certo tia. Bom, eu vou procurar Lila, eu realmente tenho que me desculpar com ela e com o Kalu.

— Está certo,  até mais tarde,  Shalom.

                         * * *

— Esses tecidos estão muito lindos, sua mãe e você estão de parabéns,  Nira. — falou Lila.

Esther se aproximou da barraca de tecidos de Orias.

— Shalom,  meninas.

— Shalom. — ambas responderam.

— Nira, eu tenho que te pedir desculpas, eu nem tive tempo para isso. Tive que ir às pressas para o campo.

Nira deu de ombros.

— Está tudo bem,  minha amiga. Acho que a mais castigada dessa história foi você.

— Eu também achava, mas o tempo longe da cidade me fez muito bem.

— Eu também acho.  — concordou Lila. — Você está tão diferente, Esther.  Mais bonita,  com um brilho no olhar.

— Obrigada, o campo é maravilhoso, teve ter sido isso. Morar aqui na cidade é maravilhoso, mas nem se compara aos campos. É um outro estilo de vida, mais saudável.

— Onde esta Nobá? — ela se lembrou.

— Treinando para ser um bom guerreiro, meu pai permitiu que ele deixasse o comércio, para se dedicar ao exército. Foi depois que Quenaz, foi até nossa casa e teve um conversa com ele.

Esther sorriu, havia dado certo sua ideia.

Gael se aproximou das moças, correndo.

— Esther.  — disse ele. — Ainda bem que está aqui.

— Aconteceu alguma coisa, Gael?  Você parece aflito. — notou Lila.

— Infelizmente sim,  Esther. Um incêndio. — ele fez uma pausa.  — Nos campos de Otniel.

O coração de Esther quase parou.

— Não pode ser. Aconteceu alguma coisa com a minha avó? Com Otniel,  com Hatate?

— Calma, Esther. — Nira falou, tentando acalmá-la.

— Diz logo,  Gael. — ela pediu, nervosa. — Como eles estão?

— Estão bem,  parece que não foi nada grave. No entanto, Quenaz e Adele estão indo para imediatamente e pediram que eu te avisasse,  pediram para que você cuide de Seraías.

— Não, eu tenho que ir, também. Seraías pode ir conosco. Minha avó Martha,  é tão importante para mim. Eu a amo tanto. Não posso ficar aqui, sem notícias. 

— Confie em Deus, ele jamais vai permitir que aconteça nada do que não podemos suportar. Ficaremos aqui orando, clamando ao Senhor, por todos eles. — Lila disse.

— Sim, estaremos sim. — concordou Nira.

— Seraías. — ela chamou o primo, que estava distraído em outra barraca.  — Vamos embora.

— Porque está chorando, Esther? Por quê?

Ela não consegui responder.

— Vamos, Seraías.  Temos que ir imediadamente. — Foi tudo o que disse.

                                
                       * * *

Não adiantou se apressar, Esther, Adele e Quenaz,  tiveram que esperar. Esperar por alguma notícia.  Observou Quenaz e a tia fazendo suas orações a Adonai e pela primeira vez em sua vida,  ela fechou os olhos e seu permitiu à pedir ao Deus de Israel,  por aquela vida que era tão preciosas para ela e sua familia.

— Sua avó, quer ver você. — disse Adele.

Esther levantou rapidamente, e foi até o quarto onde a avó se encontrava.

— Eu estou aqui,  minha avó. — falou baixinho aproximando da cama.

— Esther,  minha neta. Tem tantas coisas que eu preciso de dizer... antes que seja tarde demais.

— Não fale assim. A senhora ainda vai viver muito.

— Meu maior sonho é ver você se casar. Quero ter essa felicidade antes de morrer....

— Para isso a senhora tem descansar, repousar e ficará bem.

— Esther, eu espero que você seja feliz, e que encontre o amor. Porque só ele, nos dar força para seguir em frente.

Esther escutava atentamente as palavras da avó, sempre a achou muito sábia.

— Adele precisa de contar tudo. — continuou. — Sobre seus pais, porque existe coisas importantes.  Coisas que vão magoar você, mas conhecer o passado é necessário,  para você ficar livre, e viver sua vida sem dilemas, dúvidas. E para não errar com seus pais erraram.

                               *  *  *

— Ela vai ficar bem. — Esther disse a  Adele,  sobre a avó.

— Graças à Deus,  eu lhe disse que a fé,  era poderosa aliada em nossa vida. — disse Adele suavemente.

E Esther sabia que era verdade.

Quenaz se aproximou da esposa.

— Estou preocupado com Otniel.— disse ele. — Ele não está bem.

Esther olhou em direção à Otniel, que estava pensativo,  e foi até ele.

— Como está a senhora Martha? — perguntou ele, antes de qualquer outra coisa.

Esther o admirava por isso,  desde que o conheceu.  A preocupação com as pessoas,  acima de qualquer coisa.

— Ela está bem, é uma mulher muito forte. E você como está se sentindo? — perguntou.

— Culpado. — respondeu ele.  — Eu estava fazendo tudo errado, Esther. Eu nem mesmo estava cumprindo a promessa que fiz a Acsa, quando ela estava morrendo.

— Eu prometi que seguiria em frente, mas eu nunca me esqueci da expressão, dos olhos dela, tinha tanta tristeza... ela não queria ir, queria ficar comigo,  com o nosso filho. Ainda tínhamos tanta coisa para viver...

Esther pensou em dizer algo,  mas não disse, porque sabia que as palavras não eram capazes de diminuir a dor de perder alguém que amamos.

— Só agora, essa noite, eu me dei conta disso. Eu por muito tempo,  fui ligado a objetos, coisas da minha esposa, eu não mudei nada em meu quarto, tudo permaneceu igual, até o dia de hoje.  Agora, tudo se reduziu a cinzas. Mas ainda assim, Acsa está no meu coração, e basta olhar para Hatate,  ele é a maior prova de que ela existiu.  E foi amada de verdade por mim.

— Outra coisa — continuou ele, com os olhos marejados. — que eu percebi que eu também me afastei de Deus durante esses anos.

— Não percebi isso. Nossas conversas foram muito importantes para mim. Eu finalmente estou encontrando motivos para sorrir. Enquanto vinha para cá, eu fiz uma oração, pela minha avó, e eu me senti tão bem. Eu não sabia que pedi ao Deus único fazia tão bem, ao coração, e a alma. Se eu soubesse jamais teria passado tanto tempo revoltada.

Otniel sorriu.

— Que bom ouvir isso, Esther. É maravilhoso.

— É sim, Deus é maravilhoso,  agora estou começando a sentir isso. Bom,  eu vou ficar com os meus tios.

Quando ficou sozinho, ele pensou a quanto tempo ele não fazia uma oração?

Aquela noite,  ele agradeceu a Deus. Por ele ter dado um livramento a senhora Martha e ao seu precioso Hatate.

         
                         * * *

               
Esther, não conseguiu dormir.  Não parava de pensar em tudo o que aconteceu,  no susto que havia levado. .. Só de pensar que uma tragédia poderia ter acontecido.

Adele se aproximou e encontrou a sobrinha.

— Ainda acordada? — perguntou.

Esther suspirou.

— Pois é, estou completamente sem sono,  tia.

— Pior que eu também. — confirmou,  sentando-se ao lado dela. — Com muito custo,  coloquei Seraías para dormir.

— Ainda bem,  pelo menos ele dormiu.
Aproveitando que estavam sozinhas,  Esther pensou que talvez fosse o momento para questionar Adele,  sobre o passado.

— Tia Adele. — ela começou.  — A Senhora acreditava no Deus de Israel, antes dos hebreus chegarem a Canaã?

Adele sorriu.

— Bom,  eu tinha ouvido falado, eram muitas as histórias, desde criança. Mar Vermelho, Guerra contra os Amelequitas. E os quarenta anos no ermo. Diziam que era tudo lenda, mas como um povo fica quarenta anos no deserto? Como aguentou as baixas e altas temperaturas, como teve alimento para tantas pessoas, uma nação inteira? Tinham que ter um Deus poderoso, era o que pensava,  mas, não tinha certeza de nada.

— A questão é que eu percebi que estávamos perdendo. Se Jericó fosse invadida, depois fariam o mesmo com Jerusalém. E com toda terra de Canaã. 

Esther fez que sim com cabeça,  os pensamentos de Adele, que parecia loucura para os caneneus, principalmente os nobres, de fato aconteceu.

— A Senhora estava certa, tia. Jerusalém foi tomada também, tempos depois. E reino após reino. E todos se acham invencíveis e caíram.

 — Quando recebi a notícia de que Jericó, havia sido destruída, não hesitei. A única forma de nos salvar era pedir ajuda, socorro aos próprios inimigos. — contou recordando-se da fuga de Jerusalém.  Onde deixou todo o sofrimento para trás. — Marek, meu irmão, era um bom homem, principalmente quando era mais jovem. Na época de príncipe. No trono, no entanto, o mudou muito. Tudo que ele defendia mudou quando foi coroado. 

— É praticamente impossível um monarca aceitar a servidão.Gibeão era uma cidade livre, sem governante.  Por isso, escolheram pela vida. — concluiu Esther.

— Mas por quê essas perguntas, agora? — quesionou Adele.

— Nada,  acho que foi umas conversas que tive com Otniel. Sobre fé.

— Esther, que coisa maravilhosa você está me dizendo. Depois de tudo o que aconteceu. Será uma bênção em sua vida.

Esther hesitou um pouco antes de continuar:

— E também tem umas coisa que minha avó me disse mais cedo, sobre o passado dos meus pais, ela disse que eu deveria saber de tudo sobre meus pais. Que isso me ajudaria e fazer diferente e não errar com eles.

— Sinceramente, Esther esse não é o momento para falar sobre os seus pais. Outra hora, eu posso dizer...

Havia tanta coisa que ela queria,  precisa entender que insistiu:

— Tudo bem,  mas e sobre... o tio Adon. A senhora não teve mesmo nenhum filho com ele? — perguntou,  rapidamente.

— Nenhum, você sabe Esther,  nenhuma das gravidez vingaram. Com exceção à de Seraías.

Adele levantou-se para beber um pouco de água. Mesmo relutante,  Esther decidiu perguntar:

— Não houve nenhum que teria sido sacrificado em um ritual pagão?

Nesse momento a moringa de água caiu no chão, se espatifando em pedacinhos. Adele começou a recolher,  os cacos da moringa.

— Como você pode pensar em algo assim? 

— Era comum na época, tia. Até em Jericó,  eles faziam oferendas aos Deuses.

Ao falar sobre isso,  um pensamento  surgiu na mente de Esther:

— Viva ao rei Marek!  Viva a rainha Kalési!  — gritavam os súditos de Jericó.

Aquela era a primeira vez que Esther,  participava de um sacrifício daqueles.
Inicialmente,  parecia um daqueles cortejos que os reis eram saudados pela plebe, mas de repente o cenário se transformou em um grande pesadelo.

Merodaque, que sempre havia sido um mestre, um sábio estava com uma adaga na mão, pronto para executar uma jovem.

— Não. — gritou a pequena princesa.

Estava assustada e com o coração disparado. 

— Fique quieta, Esther.  Estamos no meio de um ritual aos Deuses. — Kalési repreendeu à filha.

Marek,  o pai carinhoso de sempre, tentou acalmá-la.

— Se não quiser olhar, não precisa olhar,  minha flor,  feche os olhos, e ficará tudo bem. — sussurou.

A princesa sempre obediente à Marek, estava nervosa demais para obedecê-lo naquele momento.

— Não papai,  ele vai matar a moça, não deixa. Peça para o Merodaque parar, o senhor é o rei papai,  tem autoridade para isso.  — pediu Esther.— Não deixe que ele a mate, papai, por favor.

O rei não hesitou nem mais um segundo. Levantou e agiu:

— Pare!  Pare agora,  Merodaque. — ordenou ao sumo sacerdote.

O mais surpreendente havia sido o fato de os súditos ficarem pressionando o rei para que o sacrifício continuasse.

Em seguida, as servas o levaram dali de volta para o palácio.

Havia sido o mais próximo de uma sacrifício que ela presenciou em Jericó.

— Comigo não aconteceu. — respondeu Adele,  nervosa. — E melhor que podemos fazer agora, é dormir, descansar.

Ela deu um beijo na cabeça de Esther.

— Shalom, minha princesa.

— Shalom,  tia Adele.

Ao ficar sozinha, Esther, pensou que pela primeira vez, teve a impressão de que sua tia estava mentindo para ela.



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