História Et incolumem - Capítulo 1


Escrita por: ~ e ~yoongrito

Postado
Categorias Sistar
Personagens Bora, Dasom, Hyoryn, Soyou
Tags Concursoiyw, Iywbosom, Iywsistar
Exibições 29
Palavras 1.456
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yuri
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Primeiro yuri que a gente posta na nossa vida, nos perdoem se ficar muito ruim
:)

história sobre como o amor nasce em qualquer situação, mesmo que seja totalmente impossível florescer

Capítulo 1 - Capitulo Único


Coreia do sul, Incheon
1951

Depois de algum tempo de viagem, Dasom havia chegado ao seu destino. O prédio com a estrutura precária, muito similar ao da sua casa, parecia abandonado. Tentou ao máximo não chamar a atenção das poucas pessoas que estavam na rua, andando em direção à lateral do lugar, onde sabia que alguém lhe esperava.

    Quando a chuva começou, ela já caminhava dentro do prédio, passando por uma série de corredores com pouca iluminação e cheios de portas com a pintura descascada, exatamente como da outra vez que estivera ali.

Ela tremia de frio e medo. Não pelo barulho dos trovões no lado de fora, nem pelos homens altos que a acompanhavam. Era medo de não conseguir a clemência da mulher que acabou com todo seu sono durante aquele mês.

Ao chegar perto da última porta do corredor, tirou o gorro encharcado da cabeça, passando a mão pelos fios molhados de cabelo, e apertando mais o fino casaco que usava contra si.

Quando a mulher autorizou sua entrada, ela estava exatamente como se lembrava. Os cabelos negros muito bem arrumados em contraste com os lábios, tão vermelhos quanto um morango, as roupa pretas e modernas e, claro, seu semblante fechado, como se pudesse matá-la a qualquer momento.

De fato, ela poderia.

– Trouxe minha encomenda? – foi direta, perguntando sobre o acordo que haviam feito.

– As caixas de remédio não eram baratas. Troquei tudo o que eu tinha, mas só consegui cinco – respondeu, sem olhá-la diretamente nos olhos.

– O combinado eram quinze caixas para três lugares, só posso levar uma pessoa da sua família – decretou, sequer demonstrando remorso. – E aí, quem vai ser?

– Por favor, nós não temos mais para onde ir, vendemos o apartamento – argumentou. Sua mãe, grávida de sete meses, não tinha condições de ficar no meio de uma guerra que parecia não ter fim; muito menos seu avô, que até uma perna já havia perdido enquanto escapava de uma explosão. – Deixe pelo menos minha mãe e meu avô irem, faço o que você quiser.

Ela pareceu ponderar por um instante, ao ver o tom de desespero com o qual a menina de apenas dezesseis anos falava.

– Lembro que da última vez você falou que sabia cuidar de pessoas doentes. – Dasom acenou positivamente com a cabeça. – Tudo bem, eu deixo sua família ir para os Estados Unidos, garanto também uma moradia para eles lá. Mas há uma condição.

– Qual?

– Você fica. Em troca das passagens, cuidará da minha irmã doente por um ano e, depois disso, posso considerar te dar uma passagem para ir com eles.

Sem pensar por muito tempo, Dasom aceitou.

 

–X–

 

Despedir-se não foi fácil, menos ainda os primeiros dias longe da família.Estava sozinha com desconhecidos, afinal, ainda que a situação não fosse de todo ruim.

A mulher, que descobriu se chamar Bora, morava em uma casa bonita e segura, no meio da floresta, há quilômetros da cidade, junto com sua mãe e a irmã, ambas de saúde extremamente fragilizada.

A mãe tinha depressão, passava os dias dentro do quarto fazendo absolutamente nada, e a irmãzinha sentia muitas dores, se alimentava pouco e, na maior parte do tempo, estava sedada com morfina e outras drogas.

Sem muito o que fazer, ela arrumava a casa e cuidava do jardim, mesmo com a calmaria que há muito tempo não via, seus dias eram vazios e ela se sentia sozinha sem alguém para conversar.

Bora pouco ficava na casa. Passava semanas sem dar notícias, mas, quando voltava, sempre trazia alimentos, roupas e mais medicação. Também não dava mais medo em Dasom, que via o quanto a mulher mais velha sofria com o medo de perder o que restara de sua família.

Não demorou muito para que as duas ficassem cada vez mais próximas, criando um laço de preocupação e amizade cada vez mais forte uma com a outra.

Duas meninas solitárias, um mundo cruel e, talvez, muito talvez, um fio de esperança.

 

–X–

 

Incheon era sinônimo de sangue naquele ano. Os soviéticos e estadunidenses pareciam não se importar com as vidas colocadas no meio daquela briga. Para o inferno com guerra não-declarada, pensava Dasom. Guerra é guerra, separar um país em dois e botá-los para lutar como galos não era ideologia, era egocentrismo sádico. Se estivesse sozinha, lágrimas escorreriam dos seus olhos toda a vez que mirasse a janela.

Mas não estava. Bora passava quase o tempo todo em casa. Por sua irmã, ela presumiu. Não havia remédios ou qualquer outra coisa que remediasse, só restara aquele tempo curto e doloroso, e era isso. Quando não estava com a garotinha, a deixava dormindo para fazer companhia a Dasom.

Elas geralmente jogavam baralho, ou algo trivial do tipo. Conversavam sobre dias melhores, uma competição tola para melhorar o humor, uma bengala partida para a tristeza que era o membro decepado na guerra. E elas contavam tudo uma à outra, como se fossem as únicas chances de não morrerem com seus segredos, de modo que não havia ninguém no mundo que as conhecesse melhor.

Por isso Bora não hesitou em contar:

– Essa noite eu sonhei algo tão bom.

– Ah é?

– É. Foi bem longe daqui. Tinha muita música e pessoas vestidas meio estranhas. Mas, acima de tudo, era paz. Só paz, amor. Tinha vida, sabe?

Dasom assentiu. Era raro ver Bora sendo tão aberta e sentimental, precioso. Às vezes, Dasom achava que só vivia por ver Bora viva.

– Me pergunto se viveremos até um dia assim.

– Talvez sim, talvez não. – Bora fitou Dasom com seus profundos olhos castanhos, a voz diminuindo até não passar de um murmúrio. – Acho que o que importa é criarmos nossa própria paz enquanto ela ainda não há.

E Dasom percebeu que não precisava criar paz alguma, ela já estava lá.

– E nosso próprio amor também.

Naquela noite, não existiram gritos e tiros, apenas dois lábios se tocando enquanto almas e línguas se entrelaçavam. E não era nefasto, não era profano, não era guerra. Era apenas Bora segurando Dasom, e sendo segurada de volta enquanto aquele beijo durasse.

E que bom seria se durasse para sempre.
–x–

Coreia do sul, 1952

Sentada na mesa da cozinha, usando um suéter largo e velho, Bora olhava fixamente para a sua xícara. Estava preocupada com a única pessoa que lhe restara.

– Os conflitos estão cada vez piores, você sabe – disse com a voz baixinha. Dasom, que estava sentada ao seu lado, teve que se inclinar para ouvir. – Eles vão nos pegar em breve, voos clandestinos estão sendo cada vez mais atacados, mas temos que arriscar.

– O que quer dizer com isso? – perguntou.

– Vou te mandar para junto de sua família, nos Estados Unidos. Agora que minha mãe e minha irmã se foram, eu não tenho mais motivos para te prender aqui.

– Você nunca me prendeu, nós fizemos um acordo. Eu continuo aqui porque quero. –  Suspirou. – Não vou te deixar aqui sozinha, lembra que você mesma me pediu?

– Agora é diferente. Eu quero você longe do perigo, enquanto eu resolvo tudo por aqui. No próximo mês, eu encontro você.

Num súbito medo e desespero, Dasom segurou o rosto de Bora e a beijou. As bocas coladas de forma suave e terna, seus olhos ardendo com lágrima que insistiam em sair.

Ambas sabiam, mesmo inconscientemente, que aquilo era um adeus.

–X–

Festival de Woodstock

1969

Bora sonhou com uma fazenda nos Estados Unidos, descobriu Dasom. Jimmy Hendrix e sorrisos, amor, entorpecentes e música. Sonho de Bora, não de Dasom.

Não, não dela. As lágrimas em seu rosto não pertenciam à paz depois de anos, pertenciam à morte em seu coração.

Era tão tão injusto Bora ter morrido a caminho do país que agora chamava de lar.

Tão injusto ela não ter sobrevivido para ver tudo aquilo. Tão injusto elas não terem sobrevivido juntas.

Nunca houve tanta paz e, mesmo assim, Dasom começaria outra guerra só para ter Bora mais uma vez. Só mais uma partida de cartas, uma noite sob a luz das estrelas. Só mais um beijo, só…

(E não importava se era impossível, se elas estavam feridas demais, perdidas, se aquilo fosse dependência. Não, não importava.)

Só elas juntas outra vez.
 

 

Não se atreva a olhar pela janela
Querido, tudo está em chamas
A guerra do lado de fora da nossa porta continua devastando
Agarre-se a essa canção de ninar
Mesmo quando a música tiver acabado, acabado

Apenas feche seus olhos
O sol está se pondo
Você ficará bem
Ninguém pode machucá-lo agora
Ao chegar a luz da manhã
Nós ficaremos sãos e salvos

 


Notas Finais


Esperamos que tenham gostado
Beijos e até uma próxima fanfic :*


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...