História Eterna aliança - Capítulo 13


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Fugaku Uchiha, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Izumi Uchiha, Kagami Uchiha, Karin, Kizashi Haruno, Konan, Mebuki Haruno, Mikoto Uchiha, Sakura Haruno, Sasori, Shikamaru Nara, Shion
Exibições 367
Palavras 3.774
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Hentai, Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 13 - Casamento Realizado


Fanfic / Fanfiction Eterna aliança - Capítulo 13 - Casamento Realizado

A triste ironia era que ela ainda recusava-se a casar-se com ele.
— É a única forma de proteger você e Izumi. Ela olhou-o, no rosto: de medo.
— É outra brincadeira. Uma armadilha.
— Não, juro. Juro que não sabia o que estavam planejando. Se pudesse, mandaria você de volta para a Vila, mas não posso. Consegui trazê-los para Konoha. Por enquanto, estão a salvo, porque meu pai vai ter que pedir auxílio às autoridades e isso vai atrasá-lo. Se tentar voltar à Vila, será pega. Nem posso conseguir fazê-la chegar à outro País . Todas as fronteiras  serão vigiadas. E não pense que meu pai não será capaz de fazê-lo, pois ele deve ter entrado com alguma queixa contra você. Não importa qual... apenas para impedi-la de levar Izumi para vila. Vocês serão separados e haverá alguma ordem judicial, qualquer coisa, o que for necessário para separá-los. E ele vai encontrar um jeito de mantê-los longe um do outro.
Inspirou profundamente.
— A única maneira de mantê-los a salvo é a que lhe propus. Quando estivermos casados, não poderão deter vocês. Terão medo da publicidade. Terão que aceitar. Conheço meu pai. Ele não vai arriscar-se a um confronto comigo. Não dará margem a esse tipo de escândalo.
Olhou-a ao sentar-se, apertando Izumi, que dormira com o balanço do carro, num abraço, rumando para o norte em direção à Okinawa (Honto).
— Sou a única pessoa capaz de protegê-la e manter vocês dois juntos.
Fitou-o.
— Por quê? — A pergunta soou quase inaudível.
— Por quê?
A pergunta ecoou, reverberando em seu ser.
— Por quê? — Voltou a perguntar.
— Eu lhe dei minha palavra que Izumi  não seria separado de você. É isso.
Lembrava-se da voz de Itachi, descrevendo a infância miserável planejada para Izumi.
A raiva cegava-o.
Raiva do pai, da mãe, do irmão... da maldade, falsidade, crueldade, falta de afeto.
Para eles, a coisa mais importante era o dever e a reputação, evitar escândalos, situações delicadas, constrangimento.
E para obter isso, dispunham-se a pegar uma criança de 4 anos e arrancá-la da mãe, enganando-a, para fazê-la ir até o principado, de boa-fé, e depois expulsá-la.
Os olhos observaram-na, abraçando Izumi, recostado nela, a mão em seu colo. Mãe e filho.
Geneticamente podia ser apenas a tia, mas para Izumi era tudo — o mundo inteiro. E daí que ela fizesse parte do povo e totalmente desqualificada para ser uma princesa, a mãe de um príncipe?
E daí que fosse totalmente diferente da mulher que ele escolheria para esposa? Uma mulher que conhecesse aquela brutal, cruel verdade...
Grotesco.
Era assim que definia o casamento entre eles.
Grotesco.
Envergonhava-se.
Envergonhava-se com a honestidade implacável.
Mas, não importava o que ambos pensassem de tal casamento. Nenhum deles era importante — apenas Izume.
E essa era a última alternativa para mantê-lo a salvo.
Então Itachi o tinha enganado. Despachara-o para conquistar Sakura e roubar-lhe Izume, fazendo-a supor que se casaria simplesmente para lhe dar uma falsa sensação de segurança.
Obrigado pela idéia, Itachi.
Assim derrotaria sua família.
E manteria Izumi a salvo.
Os olhos dirigiram-se ao menino ainda adormecido.
— Obrigada — disse Sakura, a voz baixa e tensa.

Parecia que estava caindo, num poço. Só podia se agarrar a Izumi. E era imperativo fazê-lo. Imperativo continuar segurando-o, sem afrouxar a mão, porque senão ele poderia ser levado e o perderia para sempre.
O medo tomou conta dela. O horror do que acontecera no palácio ao perceber-se trancada era inesquecível.
Olhou Sasuke a seu lado, na igreja.
Confie em mim, dei-lhe minha palavra, dissera.
Poderia confiar nele? Realmente a salvava ou simplesmente enganava-a novamente?
Mas como poderia enganá-la? Tomava uma atitude que mudaria sua vida para sempre. Tão drástica que tremia diante da enormidade do gesto. Desobedecera ao pai, deixara o irmão desacordado para salvá-la, para poder conduzi-la e a Izumi à liberdade, à segurança.
Agia assim por Izume. Por saber que seria uma crueldade afastá-lo de mim. E, por isso, ela também aceitou casar-se. Por Izume.
Nada mais importava.

O padre começara a falar na igreja mal iluminada, pouco mais que uma capela, num pequeno vilarejo nas montanhas. Sasuke e o guarda-costas tinham conversado no carro. Sasori era um empregado leal cujo tio-avô era padre.
Um homem idoso, frágil, murmurava palavras incompreensíveis que a uniam em santo matrimônio a Sasuke.

Pronto. Izume e Sakura estavam salvos. Agradeceu o padre. Tomaria todas as precauções para evitar que ele tivesse qualquer problema por ter realizado o casamento. Agradeceu à governanta Shion que servira de testemunha com Sasori. Sabia que precisava fazer mais uma coisa.
Voltaram todos para o carro. Sabia aonde ir, o que fazer.
— Estou com fome — resmungou Izume. Ele ficara ao lado de Sasori durante a curta e apressada cerimônia, passivamente aceitando, como fazem as crianças, sem compreender o que acontecia no mundo dos adultos.
— Vamos comer daqui a pouco, prometo — disse, desarrumando-lhe os cabelos. Ainda não estava escuro, mas tinham um longo caminho a percorrer. Não seria possível viajar de helicóptero sem que o controle aéreo tomasse conhecimento. Mas podiam atravessar o país usando estradas desconhecidas.
Sasori trocara o carro por outro mais discreto. Ele merecia um aumento e provava isso mais uma vez.
— Gosta de pizza? — perguntou, entregando um saco plástico a Izume. — Fria, mas gostosa. Da empregada de meu tio-avô para o menino.
Izume animou-se.
— Gosto, obrigado.
Sakura entregou-lhe uma fatia. Sasuke pegou o telefone. Quando Shikamaru Nara atendeu, foi direto ao assunto
— Tenho uma notícia para você...
A conversa foi demorada. Ao desligar, sentiu nova onda de alívio, e olhos ansiosos fixos nele. Voltou a cabeça.
— Era um amigo meu. Aquele que me alertou sobre a existência de Izume. É um bom amigo e confio inteiramente nele. Contei que nos casamos e que iríamos formar uma família para Izume. Ele não vai publicar nada até que eu permita. E a desculpa que usarei contra meu pai. Darei algum tempo para que aceite o fato, mas, se esbravejar, então Shikamaru pode publicar a história que acabei de contar. É a única opção que oferecerei a meu pai. Ainda não posso acreditar no que fez. Sabia que não nutria sentimentos quanto a Itachi e a mim, mas com Kagami era diferente.
... Os olhos voltaram-se para o passado enquanto falava, a voz baixa. — Kagami era o único filho que meus pais não tratavam como príncipe, mas como criança. Alguém sem função real. Que podia ser ele mesmo. Por isso — a voz fraquejou, depois prosseguiu. — Por isso achei que eles realmente queriam Izume. Por ser filho de Kagami. Achei que iriam.... — Engoliu em seco.
— Que o amariam o suficiente para fazer o que fosse importante para Izume. O suficiente para saberem que você é importante para ele.
Pareceu desconfortável.
— Tenho vergonha do que fizeram com você.
Ele tocou-lhe o braço de leve, por um breve instante.
— E estou envergonhado de mim também.
A expressão de Sakura demonstrava atordoamento.
— Desculpe, lamento realmente você ter sido obrigado a... fazer o que acabou de fazer. Tentarei... Tentarei não ser... — Engoliu em seco e depois calou-se.
O que podia dizer? Tentarei não ser uma esposa muito grotesca? A garganta apertava.
Ele ficou quieto por um instante.
— Vai dar certo, por todas as razões que lhe expliquei. Quando acreditei que nosso casamento fosse o desejo de meu pai. Todos os motivos ainda são verdadeiros.
Ela não podia responder. O que diria?
Que o motivo pelo qual recusara a oferta  continuava o mesmo?
Tarde demais.
O carro mergulhou na escuridão. A seu lado, Izume terminou a pizza. Sakura limpou-lhe a boca e recostou-o para dormir. O corpinho quente e robusto e o amor que sentia por ele reanimaram-na.
Tomei a atitude correia. A única coisa possível para mantê-lo seguro.
Os olhos encontraram os de Sasuke, sentado ao lado dele.
Uma estranha emoção o percorreu.
Ele agira como deveria. Nenhuma outra atitude fora possível.
Fiz o que precisava fazer. Ponto final.
Era minha obrigação.
Era estranho, mas não sentia nenhuma sombra de ressentimento. Apenas alívio.
Alívio por ter feito a coisa certa. Por Kagami, por Izume, por Sakura que agora protegia, sozinha no mundo. A emoção agitou-o. Muito diferente de todas as já experimentadas, desde o primeiro telefonema de Shikamaru, o que parecia ter acontecido há muito tempo. Tentou identificar aquela emoção. E finalmente descobriu.
Era a sensação de estar fazendo algo que realmente valia a pena.
Uma emoção desconhecida para ele até então.

— Onde estamos? — Sakura acordou de um sono pesado, agitado, quando o carro parou. Espreguiçou-se, o corpo doído. Izume ainda dormia profundamente.
— Esmerald Beach. Shikamaru alugou uma villa para a gente. Podemos ficar aqui quanto tempo quisermos. Ninguém vai nos perturbar.
Ela deixou-o tirar o cinto de segurança e pegou Izume ainda dormindo nos braços, enquanto Sasori a ajudava a sair do carro. Uma brisa fria soprava e tudo que conseguia vislumbrar era uma casa. Ouviu vozes  e ela e Izume foram logo levados para dentro. Havia mais pessoas, mas estava cansada demais. Seguiu a figura alta subindo as escadas, bloqueando-lhe da mente qualquer coisa exceto a crescente necessidade de deitar-se. E dormir.
Seguiu-o até um quarto grande com uma cama ainda mais larga. Uma empregada tirava a coberta e correu para ajudá-la. Em poucos minutos — felizmente colocava a cabeça no travesseiro ao lado do filho adormecido, os cílios fechando.
Queria dormir para sempre, para não ter que acordar e enfrentar o que acabara de fazer.
Casara-se com o príncipe Sasuke de Konoha.

No andar de baixo, Sasuke pegou o celular e fez a ligação que precisava fazer.
Itachi atendeu, furioso, sem compreender. Sasuke cortou-o. Chamou o irmão de uma palavra que nunca usara com ele, silenciando-o tempo suficiente para explicar a nova situação. Depois, devagar, em tom diferente, Itachi voltou a falar.
— Sasuke, não é tarde demais. Vamos mandar um
helicóptero e você e Izume podem estar aqui pela manhã. Entramos com um pedido de anulação. Vamos cuidar de Sakura...

— Enganou-se de novo. Tudo que você e seu pai podem fazer é... — Deu instruções cruas e impossíveis. — E agora, por favor, informe a meu respeitado pai que vou começar minha lua-de-mel com minha mulher e meu filho. E não há nada que vocês possam fazer. Compreendem? Nada. Estão sob meus cuidados. Meus. E se você fosse honrado, nunca voltaria a falar com nosso pai novamente.
Desligou.

Sakura sonhava. Estava no hospital com a irmã, mas Ino não estava em coma. Sentada, embalava um bebê, os cabelos loiros como um véu. Havia outra pessoa sentada na cama, um jovem . Ambos fitavam o bebê nos braços de Ino e não viram Sakura.
Então os pais dela chegaram. Passaram por Sakura, nos braços inúmeros presentes embrulhados em papel azul-bebê. Ela tentou andar, mas não conseguia. Tinha um presente para o bebê também, mas só havia espaço para colocar o presente na beirada da cama e ele escorregou para o chão. A mãe voltou o rosto, irritada.
— O que está fazendo aqui? Ino não precisa de você. Ninguém precisa de você. E ninguém quer você.
Fechou a cortina em volta da cama. Deixando Sakura do lado de fora.

Sakura acordou.
Pegara algo que não era seu, ao qual não tinha direito. Virou a cabeça. Izume dormia na ponta da cama, o pequenino corpo enrolado na coberta leve. Izume — filho da irmã. Não seu.
Angustiou-se. As mãos tocaram-lhe os cabelos macios e escuros, como o do pai.
Nada parecido com os seus.
Não é meu. Não é meu, repetia mentalmente.
E agora pegara outra coisa que não lhe pertencia e que não merecia.
Ainda assim, sabia, amargurada, que o produto do roubo viera com a própria punição. Grotesco, chamara a simples idéia de um casamento entre ela e Sasuke, duas pessoas totalmente diferentes. E ainda assim, seguira adiante. Impusera sua presença por não haver outra forma de proteger Izume, que tirara da irmã. A quem não tinha direito de amar do jeito que amava.
Izume mexeu-se e acordou. Abriu os olhos. Confiante, contente em vê-la. Sabendo que se ela estava ali, então tudo ia bem.
O sangue gelou-lhe nas veias. Por pouco, tudo poderia ser diferente.
Poderia estar a caminho da Vila, despejada. Izume prisioneiro no palácio, sem nunca voltar a me ver.
O horror do que estivera tão próximo de acontecer consumiu-a.
Mas o príncipe Sasuke os salvara.
A culpa voltou a incomodá-la. Ele os salvara, e ela retribuíra aprisionando-o.
— Mamãe? Izume sentou-se.
— Tá na hora de acordar? — perguntou animado. — Tio Sasuke está aqui? — Olhou curioso, perguntando confuso: — Onde estamos? Nós voltamos para o palácio?
Sakura meneou a cabeça negativamente.
— Não, querido. Não vamos voltar. — Tirou as cobertas. — Vamos procurar comida? Estou faminta.
Olhou à volta. O quarto era grande e arejado e a luz difusa atravessava as venezianas de madeira. A mobília simples, mas elegante, as paredes brancas, o piso de cerâmica. Sentiu renascer o ânimo.
Esmerald Beach. Já ouvira falar, vagamente, do local freqüentado pelos ricos. Nada na moda ou sofisticado; discreto, com classe. Um resort exclusivo, luxuoso, na costa norte. Não havia hotéis, apenas villas, com jardins enormes, cada uma delas separada no promontório rochoso à beira-mar.
Alguém trouxera sua mala. Não havia muita coisa nela — menos do que trouxera da vila. Izume pulou com um grito de alegria pegando o ursinho e uma sacola com suas locomotivas favoritas.
Não demoraram a se vestir e quando ficaram prontos, Sakura abriu as persianas. Um enorme terraço e debaixo do terraço...
— Mamãe, o mar! Mais azul que meus lápis de colorir. Muito mais azul que o da minha casa.
Abriu as janelas e o ar quente flutuou como um abraço. Izume correu, agarrando-se à balaustrada de pedra, olhando, encantado, as palmeiras abaixo o mar resplandecente à luz do dia.
— Será que tem praia? — perguntou, a voz excitada.
— Com certeza.
A resposta vinha da parte inferior do terraço, onde o café-da-manhã estava servido numa mesa debaixo de um enorme guarda-sol listrado de azul. Sakura só tinha olhos para Sasuke, sentado na sombra.
Sentiu uma contração no estômago. Ele estava fantástico naquele roupão azul marinho contrastava com o tom alvo da pele, o peito revelando uma superfície lisa e forte. Desviou o olhar, sem-graça Os braços também apareciam sob as mangas enroladas do roupão, o cabelo úmido rebelde. Quanto ao rosto...
Voltou a sentir forte contração no estômago. Ele era um homem atraente e até agora só o vira em roupas formais. Vê-lo desse jeito, saindo do banho, era...
Completamente diferente.
E ele também parecia diferente. A tensão que transparecera durante o tempo que passaram na casa, culminando na emoção profunda da fuga do palácio, desaparecera.
Agora ele parecia... relaxado.
Despreocupado.
Izume saíra em disparada.
— Tio Sasuke, podemos ir para a praia? — perguntou ansioso.
Sasuke sorriu. A risada iluminou-lhe o rosto, formando linhas em torno da boca, levantando-lhe os olhos, mostrando o branco dos dentes. Tornando-o cem vezes mais maravilhoso. Cem vezes mais sexy.
Meu Deus, como vou conseguir conviver com isso?
Sentia-se infeliz. Ao se aproximar, ele levantou-se.
— Bom dia. — Ainda trazia um sorriso nos olhos. Deixado por Izume, é óbvio.
Engoliu em seco e meneou parcialmente a cabeça. Não podia olhá-lo sabendo que, numa cerimônia irreal, tornara-se esposa dele.
Puxou uma cadeira e sentou-se.
— Dormiu bem? — Parecia preocupado.
Voltou a menear a cabeça. Desajeitada pegou a jarra de suco de laranja para se servir. Izume conversava com Sasuke.
Com o padrasto? Um padrasto que poderia afastá-lo dela...
A respiração ficou presa na garganta ao se conscientizar da verdade. Seguiu-se o pânico, um pânico alucinante. Era outra armadilha como a que a fizera ir a Konoha, sem outro objetivo além de tirar-lhe
Izume?
— Não olhe desse jeito. — A voz dele era baixa, mas atingiu-lhe. Os olhos levantaram-se e o encararam. — Vai ficar tudo bem. Vai ficar tudo bem. Não precisa ter medo de mais nada.
Sentiu um nó na garganta.
— Confie em mim.
Os olhos onix penetravam nos seus.
— Eu prometi — disse lenta e claramente, como se falasse com uma criança assustada — que vou cuidar de você e de Izume o tempo que for necessário. Nunca vou permitir que os separem. Prometo.
E, lentamente, Sakura sentiu o pânico e o medo irem embora. Ele manteve os olhos onix nos seus orbes verdes por mais um minuto e retorcendo os lábios, simulando resignação, voltou-se para Izume que lhe puxava a manga para atrair a atenção e saber se podiam ir logo para a praia.
— Primeiro o café-da-manhã, rapazinho. Depois vamos explorar a praia, quando pegar umas roupas para você. — Olhou Sakura que bebericava o suco de laranja. — Comprei roupas novas. Já devem estar chegando. Pode ser que mandem as minhas do palácio, talvez não, entretanto as butiques na marina podem nos fornecer o que quisermos. — Os olhos passaram de um para outro. — Vão trazer roupas para vocês dois também.
— Não, por favor, tenho certeza de poder usar o que trouxe.
A expressão ficou paralisada.
— Sei que é difícil para você, mas tudo é diferente. Devemos passar o dia hoje bem tranqüilos, para nos acostumarmos com o que aconteceu. Não dizem que depois da tempestade vem a bonança? Então, diga, o que acha da villa?
— É linda.
— Concordo. Shikamaru escolheu muito bem. É uma das villas mais afastadas de Esmerald Beach. Não que precisemos nos preocupar. A segurança é draconiana. Todo mundo que vem para cá privilegia a privacidade acima de tudo... mesmo entre si. E também — disse, tranquilizando-a — não precisa se preocupar com os empregados. Estão acostumados com os convidados que exigem absoluta discrição. Podemos relaxar. Mandei Sasori embora, tirar merecidas férias.
Sorriu, encorajador.
Um empregado apareceu, trazendo uma bandeja de café e pães frescos. Izume não precisou de encorajamento e começou a comer.
— Izume parece ter aceitado tudo como normal. Acho que vai gostar daqui. — Olhou para Sakura. — Acho que todos nós vamos gostar daqui.
Ela encontrou-lhe os olhos. Estava ficando mais fácil. Fácil não, apenas menos difícil.
— Obrigada — disse numa voz emocionada. — Obrigada por tudo que fez.
— Fizemos o que tínhamos de fazer. Não havia outra alternativa. E agora não quero mais ouvir falar nisso. Passamos por maus pedaços e merecemos férias. E acho que esse é o lugar perfeito.
Ele riu de repente e mais uma vez Sakura sentiu aquela reação estranha. Tentou ignorá-la o máximo que pôde, sem êxito. Como ia conseguir conviver com isso? Impossível — simplesmente impossível.
Acalmou-se. Sasuke teria que conviver com a situação, assim como ela. Se podia usar a experiência para lidar com a situação, então ela também o faria. Faria um esforço.
— O que... o que vai acontecer hoje? — aventurou-se.
— Hoje? Hoje vamos fazer algo leve. Izume precisa ir à praia, caso contrário vamos ter um problema sério para resolver. A praia é particular, então não vamos ser perturbados. Tem uma piscina, também, é claro, um nível abaixo de onde estamos. Quanto aos brinquedos, a villa vem com uma sala de jogos completa e tudo mais que a internet pode prover. Então como pode ver, teremos muitas opções para umas férias perfeitas.
Voltou a sorrir para ela e em seguida, deu atenção a Izume.
— Você é bom em construir castelos de areia?
— Bom mesmo — disse Izume , entusiasmado. — Em casa a gente constrói os castelos quando a água vem e depois a gente faz muros altos para parar as ondas. Mas as ondas sempre ganham.
Sasuke fez cara de desconsolo.
— Ainda bem que não temos maré aqui. O mar Mediterrâneo é pequeno demais para isso. E as ondas são pequenas também. Mas a água é quente, uma delícia. Não vai sentir frio. Podemos sair de barco se quiser.
— Hoje?
— Hoje não. Talvez amanhã. Vamos ver. A expressão de Izume ficou sombria.
— Vamos ver quer dizer não.
— Quer dizer não sei. Estamos de férias. Vamos aproveitar cada dia de uma vez, certo?
Os olhos de Sasuke de repente passaram pelos de Sakura.
— Um dia de cada vez — repetiu. — Para nós também.
Por um momento, manteve seus olhos presos, depois Izume exigiu sua atenção com outra pergunta.
Ela precisava de tempo. Tanta coisa acontecera desde que ele aparecera em seu chalé. E para ela, tudo fora terrível. A vida que conhecia lhe tinha sido arrancada. Para ela, não havia caminho de volta.
Um explosão de determinação percorreu-o.
Vou me certificar de que sua vida seja melhor. Todo medo e trauma acabaram.
Os olhos voltaram a percorrê-la, sem que Sakura notasse, enquanto se servia de mais café.
Não acredito que ela tenha que ser tão desinteressante . Não mesmo.
Disfarçadamente, observou-a. Era difícil ver-lhe o corpo, pois mesmo no calor usava um blusão largo de mangas compridas e calças compridas também largas de algodão. Ambos antigos e baratos. Vestia-se confortavelmente, sem estilo, isso era claro, mas as roupas sempre largas tornavam impossível adivinhar-lhe o corpo. Não era tão  magra, isso era certo, mas quanto acima do peso estava na verdade? De qualquer forma, roupas bem cortadas podiam esconder inúmeros defeitos...
Examinou-lhe os traços do rosto. O cabelo liso e desalinhado, mesmo quando preso como agora, escondia-lhe o rosto. Tentou imaginar o rosto sem os cabelos. Difícil julgar. As sobrancelhas grossas e a pele pálida não ajudavam. Mas não havia nada de desastroso — o nariz era reto e fino, o queixo definido, os olhos verdes encantadores, não era dentuça, mas tinha uma boca carnuda.
Ficaria melhor com maquiagem? Com certeza. As mulheres sempre ficavam mais bonitas maquiadas. Não que estivesse acostumado a ver mulheres sem maquiagem ou a gastar centenas de euros em penteados e milhares de euros em roupas e acessórios.
Mas agora ela podia gastar com ela. Dinheiro não seria mais problema.
Lembrou-se de Itachi debochando da aparência de Sakura. Enraiveceu-se. Quem era Itachi para debochar da mulher que tinha assumido o filho da irmã e dedicado a vida a criá-lo? Ser mãe solteira com pouco dinheiro certamente não era fácil. E daí que não fosse bonita? Por acaso Izume ligava?
Eu também não me importo. Vou fazer com que fique o melhor possível — porque ela merece. Precisa sentir-se segura. Vai se sentir mais confiante, bem mais confortável sobre o que acabamos de fazer se puder apagar aquela palavra terrível de seu vocabulário.
Grotesco.
Agora essa palavra devia ser esquecida. Nunca mais a deixaria repeti-la.

                          .........


Notas Finais


Hai ^^
Agora sim pessoas, o tão esperado capítulo, vocês vão ter que saber esperar.. rsrs. Preciso ter cuidado não quero faltar em nada, nossa flor irá desabrocha. .. e precisa ser mágico.
Deixem seus comentários. .. preciso de inspiração 💜💜💜


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