História Eternamente - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Elle Fanning, Eternamente, Gabrielli, Jude, Nicholas Hoult, Original
Exibições 19
Palavras 3.773
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Survival

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Boa leitura <3

Capítulo 1 - Hey, Jude


Fanfic / Fanfiction Eternamente - Capítulo 1 - Hey, Jude

Jude Matarazzo

Ei, Jude, não piore as coisas 

Escolha uma música triste e melhore-a

Lembre-se de deixá-la entrar em seu coração 

Então você pode começar a ficar melhor

O céu estava vestido de azul acinzentado quando eu a conheci. E bem, ela estava vestida de luto.

Seus grandes olhos derramavam pesadas lágrimas que percorriam pelo seu rosto juvenil de menininha de 7 anos de idade.

Com um trabalho como o meu eu devia prestar atenção em pessoas como ela. O fato dela poder me ver e ver o espírito de sua avó ao seu lado poderia significar que ela era uma dos Escolhidos, mas, por uma imprudência, eu deixei este fato passar. Pelo menos, até a próxima estação.

 

Eu esbarrara com aquela garota novamente umas duas vezes.

Na primeira vez eu, sentado no pico de uma montanha canadense, lendo um manual sobre Como usar um machado, tive que me interromper para assumir minhas responsabilidades.

Enquanto planava velozmente entre as nuvens comecei a refletir sobre meu trabalho. Eu tinha muito tempo para poder ficar entediado mas não o suficiente para poder tirar férias de verão. Ora, como eu poderia pensar em tirar férias? Quem substituiria a Morte enquanto ela tirava férias de verão? Tolices como essa ficavam martelando frenquentemente minha cabeça. 

Deveria parar de pensar asneiras, o grande convívio com emoções humanas estava me fazendo muito mal. Sempre fez, na verdade, mas agora está pior. Mas o que eu poderia fazer? É o meu trabalho!

Em questão de seguntos pousei em uma janela e atravessei a mesma. Havia uma mulher deitada na cama com os olhos fechados. Aconteceu a pouco tempo e por isto a alma não se desprendeu do corpo ainda. Sim, alma. Ela já não tinha nenhuma ligação que a prendesse aqui. Observei o ambiente ao meu redor, era bem aconchegante. Ajeitei meu paletó e acomodei-me na cama. 

Olhava intrigado para àquela mulher, ela não me era estranha. É bem provável que eu já tenha a visto em algum lugar, mas, ela me era muito familiar. 

Depois de muito pensar deixei essa dúvida para lá e me levantei para pegá-la no colo. Assim que a ergui em meus braços a porta foi aberta. Isso não seria um problema se a) Uma garotinha de olhos extremamente azuis não tivesse entrado no quarto, e b) Essa garotinha não estivesse olhando diretamente para mim, ou para sua mãe em meus braços.

Agora eu entendo o porquê da loura ser tão familiar. Era a mãe da garotinha que conseguiu me ver no enterro da velhinha no ano passado. E devo dizer que ela é uma garotinha bem azarada. Perdera a avó um dia e um ano depois, a mãe. Obviamente era uma Escolhida.

Mas isso não era importante agora. 

Ela ainda estava parada com uma das mãozinhas na maçaneta e os olhos fixados nos meus. Eu poderia fingir, novamente, que nada aconteceu e sair pela janela acreditando que ela também fingiria, ou melhor, acreditaria que nada aconteceu. Que era apenas coisas de sua cabecinha de imaginação fértil. Mas eu sabia que não era assim que as coisas funcionavam. Não poderia ignorar este fato.

Minha mentora, que ocupava meu lugar antes dele ser o meu lugar, me avisara sobre pessoas como essa pequena. Pessoas que podem ver coisas que a maioria não pode ver. Pessoas que são como eu costumava ser. E eu sabia o que tinha que fazer com ela.

— A mamãe vai ficar bem?

— Ela ficará, sim. Terá muito tempo para descansar. 

Mas o faria depois. Ela tinha que ficar mais um tempo com o seu luto.

Ela devia ter apenas uns oito anos e eu não deveria me surpreender com seus soluços. Aliás, acho que qualquer um faria isso no lugar dela. Quer dizer, chorar. Mas, o que me surpreendia era a estranha sensação de querer consolá-la. Todavia, como sempre levando a razão na frente, eu me virei e pulei rapidamente a janela, sem sentir o baque de meus sapatos no chão, com a alma da mãe da garotinha nos braços.

E sempre que você sentir a dor 

Ei, Jude, contenha-se 

Não carregue o mundo

Em seus ombros

5 anos se passaram e chegou a vez de seu avô. Muitas coisas mudaram nesse meio tempo, ela ficou 15 centímetros mais alta, perdera o avô e eu me tornei seu mentor.

Pessoas como ela, que têm dons como os dela, precisam de um treinamento como o que eu tive quanto ainda era humano. Mas não é como se ela fosse obrigada a assumir minha função depois de mim, ela tem o direito da escolha. 

E devo admitir, estava sendo extremamente novo conviver com Gabrielli. Mas não tenho certeza se esse "novo" é bom ou ruim. Talvez um pouco dos dois.

Após voltar de minha missão fui para à casa agora tão conhecida por mim.

Atravessei o quarto de Gabrielli e a encontrei adormecida na cama. Pelo tom avermelhado nas bochechas alvas ela devia ter dormido chorando. Novamente. Isso fez com que alguma coisa no meu peito desse uma pontada. Inúteis emoções humanas, agora tão presentes! 

Peguei a carta que ela havia deixado para mim e coloquei a que eu escrevi para ela no mesmo lugar. Debaixo do abajur.

Eu poderia sair dali e ir para Qualquer outro lugar no mundo, poderia aproveitar que ela estava dormindo e não precisar ficar respondendo suas várias perguntas. Nem ter que me controlar para não ficar admirando como seus azulados olhos brilhavam em curiosidade e como sua avermelhada boca se movia perfeitamente quando conversavamos. Eu poderia simplesmente ir embora com a desculpa de que não tinha o porquê de ficar, já que ela não estava acordada para eu poder passar-lhe uma de minhas lições. Mas ela estava ali, dormindo tão profundamente. Tão fragilmente, que fazia eu me questionar se, atualmente, me fizessem a mesma pergunta que fizeram à trezentos anos atrás eu conseguiria continuar com a mesma resposta. E me sentando na ponta da cama, após ajeitar meu paletó, diante da melancólica Gabrielli eu tive absoluta certeza que não. 

Vi minha mão se mover até seu rosto e acariciá-lo automaticamente, mas, a retirei rapidamente dali para que a diferença térmica não a acordasse.

Francamente, eu não sabia o que estava fazendo. Não pensava em nada enquanto acariava o rosto juvenil de minha aprendiz. Juvenil... Ela tem apenas treze anos. Treze! E além disso ainda é humana e eu...

Me levantei da cama dispensado aqueles pensamentos corriqueiros. O que eu estou fazendo? Preciso me livrar dessas emoções.

Saí para a noite. Decidi caminhar um pouco, já que ninguém me veria mesmo. 

Com as mãos nos bolsos fui até uma parte mais pobre da cidade, entrei no beco e me escorei esperando a cena à minha frente se desenrolar logo.

Ter o meu trabalho não consiste, necessariamente, em ter que ver cenas como essa. Mas para falar a verdade, eu não tinha nada melhor para fazer. Até tinha, mas não leria a carta de Gabrielli. Não agora.

 

Ei, Jude, não me decepcione 

Você encontrou-a, agora vá e conquiste-a 

Lembre-se de deixá-la entrar em seu coração 

Então você pode começar a ficar melhor

 

Amanheceu e o dia estava anil. Eu havia trabalhado muito à noite e agora estou esperando minha aprendiz descer para acompanhá-la até seu colégio. 

A porta não demorou a abrir revelando a melancólica Gabrielli que descia a escadaria do pequeno sobrado. 

— Por que você sempre usa esse terno?

Começamos a caminhar pelas ruas de paralelepípedos. Como qualquer outro dia, não havia ninguém nelas, ela sempre saía o mais cedo possível. Mais ou menos quando todos ainda estão dormindo.

— Eu gosto dele e não é como se eu precisasse trocá-lo.

— É engraçado. - Ela disse tentando sorrir. 

— O que você esperava? Túnica e foice? 

— Sim, túnica e foice - Viramos uma esquina e ela tirou a franja dourada dos olhos. — E que você fosse uns trinta quilos mais magro.

— Está me chamando de gordo, senhorita Monerat?

— Claro que não, só estou dizendo que imaginava que você seria... Sei lá, um esqueleto. Senhor... - Ela me olhou com aqueles olhos brilhando em curiosidade novamente. — Como era o seu nome? Digo, antes de você ser... Er-

— Jude. Eu me chamava Jude.

— Bonito.

Eu movi um dos lados da boca e nos sentamos em uma banco da vazia praça.

— Como você está, Gabrielli? - Ela suspirou antes de responder.

— Triste. Agora só tenho o meu pai e ele, bem, esta acabado.

— É compreensível. Mas você já sabe que vai ter que ser assim, e que logo chegará a vez dele. Terá que se acostumar com a ideia.

— Eu sei, mas eu não quero isso para mim! Não queria ter que passar por tudo isso. Por que eu não poderia ser como qualquer outra garota por aí? - Lágrimas começaram a rolar pelo rosto de porcelana dela, mas, por mais que me afete, eu não poderia consolá-la. Ela tem aprender a ser forte.

— Porque você sabe que não pode ser qualquer outra garota por aí.

— Eu não escolhi ser assim! Não quero perder mais ninguém! Não posso perder mais ninguém.

— Faz parte.

— Como você consegue ser tão frio?

— Eu sou a Morte, Gabrielli. Eu tenho que ser frio. 

Ficamos mais um tempo em silêncio até que ela, já mais calma, murmurar olhando para mim com aqueles tão escuros olhos.

— Você leu a minha carta?

— Ainda não tive tempo.

— Tudo bem - Ela começou a jogar pedrinhas no lago à nossa frente. — Eu li a sua. 

— E decorou tudo?

— Sim.

— Em que página do livro você está?

— 206.

— Qual é a principal regra? 

— Jamais, em qualquer circunstância, deixe o espírito ver seu corpo sendo enterrado.

— E o que estava escrito na carta?

— Nunca demore para responder uma pergunta feita por um superior. Nunca desobedeça uma regra, a não ser que seja um caso à parte e tenha permissão para tal. Tenha absoluta consciência de seus atos. Siga todos os conselhos feitos por seu mentor. Tenha consciência de que não poderá ter qualquer tipo de relação afetiva com um humano. Não se esqueça do que está escrito à cima e tenha liberdade de perguntar qualquer coisa relacionada ao seu treinamento a seu mentor.

— Muito bem. Alguma dúvida?

— Sim - Ela sempre tinha. — E se no final eu não quiser continuar com isso? O que irá acontecer comigo?

— Bem, você morrerá. E se não quiser ir para a segunda fase eu te levaria para um lugar onde você se tornaria um anjo comum ou simplesmente para onde as almas que não tem mais nada que as conecte aqui vão, como sou seu mentor eu tenho o critério de escolher. Bem, isso se você não desrespeitar nenhuma regra e se entregar ao mundo. 

— E o que você escolheria fazer comigo?

— O que você gostaria que eu fizesse?

— Que me deixasse descansar.

— Quer tanto assim ser como os outros? Não quer aceitar seus privilégios?

— Com privilégios quer dizer perder todos ao meu redor e quando morrer virar um "anjo comum"?

— Sim.

Ela revirou os olhos e eu observei esmagar os dedos da mão. 

— Eu não queria ser assim.

— Eu também não queria ser assim quando tinha sua idade. - Admiti pegando uma pedrinha.

— E quando mudou de ideia? 

— Quando me vi sozinho, quando a profecia se cumpriu e eu tive que escolher. Eu soube que não queria que acabasse daquele jeito, e conhecia minha mentora o bastante para saber que se eu não escolhece a segunda fase - Analisei a pedra escura com rajadas mais detalhadamente e a atirei na água. — ela não me tornaria um anjo.

— Então, escolheu ser assim por vaidade?

— Não, não por vaidade. Escolhi porque eu não queria que acabasse lá. Queria, de alguma forma, agradecer pela minha maldição.

— Então acha que eu deveria fazer o mesmo?

— Acho que você é muito nova para ter alguma certeza sobre esse assunto. Agora é hora de aprender ao máximo... Com o meu auxílio. - Me levantei estendendo a mão, sentido ela a pegar enquanto se levantava também. E lá estava mais uma vez, o estranho choque elétrico quando eu a tocava. Prefiro pensar que era causado pela diferença térmica. Eu me pergunto se ela também sentia.

E outra vez caminhamos pelas frias (e vazias) ruas de Veneza. É incrível o quanto é difícil encontrar alguém andando por aí nesse horário. 

 

Ei, Jude, não tenha medo 

Você foi feito para sair e conquistá-la 

No minuto que você a deixar sob sua pele 

Então você começará a ficar melhor 

 

Aos quinze anos chegou a vez do pai. No velório estavam apenas Gabrielli, o padre e o caixão. Eu levei o espírito o mais rápido possível e voltei para consolá-la, coisa que eu não deveria fazer, mas, que foi impossível resistir. 

Naquela noite eu coloquei um colchão velho na sala e me deitei com ela nele até, em meio à lágrimas e soluços escandalosos, Gabrielli adormecer. 

Quando cheguei em casa no dia seguinte, troquei o terno cheio de catarro de Gabrielli e fiz omelete com bacon. Coloquei um casaco por cima de seu pijama e saímos na ventosa manhã para o cartório mais próximo.

Andamos pelas ruas lado à lado, de mãos dadas, por alguns minutos até finalmente entrarmos no pequeno escritório.

— Bom dia! - Cumprimentou a secretária.

— Bom dia, eu tenho uma hora marcada para as 08:30 com o senhor Rouwer.

— Ah, sim. Qual é o nome do senhor?

— Matarazzo, Jude Matarazzo.

— Só um estante. 

Me sentei ao lado de Gabrielli no sofá da sala de espera. Logo fomos chamados e entramos no escritório do advogado.

— Há quanto tempo, sr Matarazzo. 

— Realmente fazem anos que não nos encontramos.

— E o senhor não envelheceu um milímetro... - Ele começou a analisar Gabrielli com um interesse oculto, mas ao direcionar o olhar novamente para o meu, seja o que for que ele encontrou, o fez engolir em seco e puxar a gravata. — Enfim, o que o traz aqui, acompanhado desta b-bela moça. 

— Preciso oficializar a passagem da guarda dela para mim.

— Oh, está a adotando?

— Sim, na verdade, o pai dela, um grande amigo meu, estava doente a algum tempo e como não havia mais ninguém e ele confiava em mim.

— Ele deixou algum documento constando essa decisão?

— Sim, claro - Tirei os papeis de dentro do paletó. — Aqui tem a permissão e a certidão de óbito.

— Ótimo! Mandarei o preço quando ficar pronto.

— E quanto tempo isso levará?

— Não passará de uma semana.

Observei a melancólica garota ao meu lado e percebi que estava encarando fixamente o chão e se tratando dela, isso não é um bom sinal.

— Perfeito. Até mais ver, sr Rouwer.

— Até mais ver, sr Matarazzo... Senhorita.

Saímos do escritório e refizemos o caminho de volta para casa. Bem, para a casa dela. 

Chegando lá, ela se sentou no sofá encarando a televisão desligada. Suspirei e me sentei ao seu lado, passei meu braço ao seu redor e ela escorou a cabeça no meu ombro.

— Agora eu vou ter que te chamar de papai?

— Não - Contorci o rosto com a imagem dela me chamando de "pai". — Sério, não precisa.

Ela começou a passar as unhas na minha perna direita distraidamente. Oh, se ela soubesse o efeito que isso causava em mim não faria isso.

— Gabrielli...

— Jude, eu... preciso te perguntar uma coisa. - Ela sempre precisava.

— Diga. 

— O quê você pensou quando leu minha carta?

Engoli em seco e comecei a encarar a tv também.

— Nada. 

— Você não pensou em nada?

— Bem, não nada. Mas, eu apenas achei que podia ser só uma coisa passageira. Sabe, os hormônios e-

— Eu não acredito!

Então ela simplesmente se levantou correndo até as escadas. Logo pude ouvir o barulho da porta batendo. O quê foi que eu disse?

 

Eu estava dentro de um avião. Gabrielli estava ao meu lado. Era o seu décimo sexto aniversário e não seria saudável ela passar dentro de sua casa, por isto estou levando-a para o Canadá. 

Estamos sentados no último banco ao lado do banheiro, onde eu entro para sair discretamente do avião. Fiz isso umas 5 vezes até o avião pousar no Aeroporto Internacional de Vancouver. 

Conduzi minha aluna até uma vegetação próxima, longe dos olhos das pessoas e a coloquei nas minhas costas, demoraria muito levá-la até o pico da minha montanha preferida a pé.

— Segure firme e feche os olhos, eu direi quando você poderá abrí-los.

— Tudo bem. 

Conferi os olhos dela e deu impulso, o peso em minhas costas era quase inexistente e a brisa naquele fim de tarde estava, especialmente, gloriosa.

Pegamos altitude e belisquei uma de suas coxas, ela soltou uma risada e, mesmo sem olhar, soube a hora exata que ela abriu os olhos, pois, seu grito abafado a denunciou. Junto com suas unhas que quase perfuraram minha pele.

— J-jude, Meu Deus... Eu... - Ela começou a rir e foi impossível não rir junto.

— Espere, você ainda não viu nada.

Acelerei a velocidade sentindo a franja de minha aprendiz fazer cócegas em minha bochecha e avistei a montanha.

Pousamos no pico e eu a coloquei sentada, observando tudo à sua volta, o Lake Louise aos nossos pés, as cordilheiras à nossa volta e o estrelado céu sobre nossas cabeças.

Com minha convivência com Gabrielli eu aprendi que os humanos apenas observam as cores no começo e no final do dia. Talvez por eles estarem tão ocupados em poder "viver ao máximo" que não se preocupavam em apreciar o quanto as flores, tão avermelhadas, que cubriam as árvores de uma certa praça em Amsterdã, ficavam com uma aparência tão elegante ao se balançarem ao ritmo do vento que sempre passava naquele local exatamente às 3:47 da tarde. 

Ou na cor do rio Langhlouv, em Arlington, às 4:16.

Ou até mesmo no brilho que a lua adquiria quando observada do pico da minha montanha canadense preferida, às 2:00 da manhã. Este mesmo brilho que estou tendo a honra de apresentar à minha bela aluna. 

Ali estavam, novamente, aqueles azulados olhos, agora, tão brilhantes. Mas dessa vez não era um brilho melancólico ou até mesmo raivoso, era um brilho inocente, curioso, um brilho tão ofuscante que me fez descartar todas as belezas naturais ao meu redor. Ela percebera minha fixação e devolveu o olhar, sorriu para mim. Acho que nunca agradeci tanto por ela poder me ver

Como um flash de luz nossas noites de estudo passaram pela minha cabeça, nossos jantares, nossas noites de choro, nosso passeio na praça, os sorvete que eu paguei para ela, e as palavras da carta que ela me escrevera e com minha avançada memória fotográfica eu conseguia me lembrar de cada palavra.

 

Querido Mentor,

Desde a primeira vez que você me contou de meu destino eu venho me deprimindo muito, por saber que perderei todos ao meu redor. Perdi a vovó, o vovô e a mamãe. Logo chegará a vez de meu pai. E não sei se estou preparada para isso. Por isto peço-lhe que não me deixe também. Eu sei que não posso sentir nada afetivo por um humano ao meu redor, até entendo este ponto, pois qualquer vida que se aproxime de mim será desvaziada, por conta de minha maldita maldição. Mas, em nenhum lugar diz que não posso sentir nenhum tipo de sentimento afetivo pelo meu querido mentor, sempre tão sóbrio e inteligente. Por isto, peço-lhe, humildemente,

desesperadamente,

verdadeiramente, que não me julgue nem se distancie por conta disto. 

Ass. Monerat, Gabrielli

 

E como se quisesse provar pra ela, naquele exato momento, que eu jamais irei me distanciar, comecei a me aproximar. Como eu já esperava ela continuou imóvel em seu lugar, mas, nada importa agora. A advertência que tenho certeza que receberei de meu chefe não importava, a confusão em seu semblante não importava, sua possível negação pelo ato a seguir não importava, o mundo não importava. Naquele momento, a única coisa que importava, era a necessidade de sentir seus lábios sob os meus.

E no pico da minha montanha canadense preferida eu acabei com uma antiga necessidade e comecei um novo vício.

— Feliz aniversário, Gabrielli.

 

Às vezes o amor não é suficiente Quando o caminho se torna dificil 

Eu não sei por quê 

Continue me fazendo rir, 

Vamos ficar loucos 

O caminho é longo e nós continuaremos 

Tente se divertir nesse meio tempo  

Venha e dê um passeio pelo lado selvagem 

Deixe-me te beijar na chuva

 

Depois do Canadá eu a levei para conhecer Arlington e Amsterdã, eu a levei nos lugares certos na hora certa para ela poder ter uma boa experiência. 

Também podemos dizer que durante esses dois últimos anos ela me fez enxergar o mundo por um perspectiva diferente. Que ela me fez sentir coisas que eu achei que jamais sentiria, ainda mais na situação que estou. E me fez amá-la com todas as forças.

Hoje seria o nosso último dia juntos, amanhã é seu décimo oitavo aniversário e sua profecia se cumprirá, porém, não vou fazer com o que minha mentora fez comigo. Nada de cara nos livros nem decorar pergaminhos gigantescos, apenas preparei um cesta de piquenique e coloquei minha aprendiz nas costas.

Nosso destino era, obviamente, o pico de uma montanha canadense próxima do Lake Louise. 

Tudo tinha gosto de última vez. Nossa última viagem nos ares. 

Nosso último piquenique. 

Nossas últimas piadas sob a luz prateada da lua. 

Nossos últimos goles de vinho. 

Nosso último capítulo do manual de Como usar um machado.

Nossa última noite juntos. 

Nosso último beijo.

Naquela noite eu me recusei a sair de perto de Gabrielli e, ela se recusava a dormir, porém, fora vencida pelo cansaço.

A velei durante todo o seu sono e a vi abrir os olhos naquela nublada manhã;

Jamais se esqueça de mim!

Ela ordenou.

Jamais ousarei te esquecer, minha melancólica Gabrielli.

Prometi. E como se estivesse apenas esperando minha confirmação, vi seus último sorriso de menininha de 7 anos e seus melancólicos e azulados olhos se voltarem para o céu, apontou para um nuvem escura e depois de exatos três minutos com o braço erguido abaixou a mão e segurou minha bochecha esquerda. Ela me contou o quanto amou conhecer nossa montanha canadense favorita, contou que sempre amou meus omeletes, que amou se sentar naquele banco daquela praça em Amsterdã para ver as vermelhas e elegantes flores, amou se jogar no rio Langhlouv, me contou que amou ser uma Escolhida, que amou ser amada por mim, e que acima de tudo, me amou profundamente. 

Eu queria, juro que queria dizer que amei amá-la também, que à amei acima de tudo e que amei nossos momentos, mas quando nossos lábios se separaram no meio daquela chuva que nem percebi quando começou a cair, ela já estava desfalecida, em meus braços.


Notas Finais


Me perdoe por qlqr erro ortográfico
Músicas:
Hey, Jude - The Beatles: https://youtu.be/_EvH6gWzcBo
Summertime Sadness - Lana Del Rey (último trecho): https://youtu.be/pS9stH02KUA


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...