História Ether - Capítulo 13


Escrita por: ~ e ~ativoharry

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Abo, Bangtan Boys, Bts, Internato, Namjin, Omegaverse, Taeguk, Taekook, Vkook, Yoonmin
Exibições 1.066
Palavras 2.370
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Fluffy, Lemon, Misticismo, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Antes tarde do que nunca, não é mesmo?
Finalmente consegui escrever algo que me deixasse menos insegura -q
Espero que toda a espera seja compensada!
O capítulo ficou um pouco curto, mas achei melhor fazer algo assim do que encher vocês com informação. E outra, não quero terminar Ether tão cedo assim T-T
Isso mesmo, Ether está perto de seu fim.

Enfim, boa leitura!
Nos vemos nas notas finais~

Capítulo 13 - Escape


Fanfic / Fanfiction Ether - Capítulo 13 - Escape

*ೃ✿ ೃ*

 

- Kim, eu consigo sentir seu cheiro por aqui, sabe que eu irei achá-lo de qualquer jeito!! – Pela altura de sua voz, o moreno encontrava-se já na metade do corredor.

Queria poder abrir um buraco no chão e me enterrar ali mesmo; sumir de algum modo ou até mesmo voltar no tempo e impedir que toda aquela bagunça acontecesse.

Mas nem sempre as coisas vão ao nosso favor...

 

 

 

A medida que ouço seus passos tornando-se cada vez mais próximos, consigo sentir seu cheiro amadeirado atingir-me em cheio. Chegava a ser surreal o modo em como o seu perfume me afetava mesmo estando tão longe, sendo que mais de noventa por cento dos ômegas não possuíam um bom olfato.

Com a maior cautela que conseguia ter no momento, apoiei ambas as mãos sobre o chão gelado coberto por azulejos, indo para a direita, enquanto evitava emitir qualquer som. Chegando perto da porta, apoiei minhas costas contra a mesma e subi minha mão direita em direção ao trinco. Como esperado, havia uma chave acoplada a fechadura.

Girei a mesma vagarosamente até que sentisse que a porta estava devidamente trancada.

Certo que aquilo não impediria que Jeon arrombasse a porta, mas considerando que aquela não era sua casa, espero que o mesmo pense pelo menos duas vezes antes de fazer algo de errado.

Após alguns segundos, seus passos cessaram.
Jeon estava do outro lado da porta, eu conseguia sentir sua presença.

- Taehyung, abre a porta. - Senti um leve empurrão por parte da porta, quase imperceptível se não estivesse encostado contra a mesma. – Nós precisamos conversar...

Soltei um longo e alto suspiro enquanto relaxava em uma posição largada, encarando fixamente o chão.

Eu definitivamente estava em conflito interno.

Mesmo que eu quisesse ficar sozinho para resolver essa bagunça dentro de mim, por algum motivo, a presença de Jeon acabava me acalmando.
É estranho admitir isso, até porque já passamos por tantas confusões nesses poucos dias, mas eu não consigo mais me sentir tão incomodado com ele quanto antes.

Repentinamente, escuto uma movimentação vinda do lado de fora, fazendo-me colar o ouvido contra a porta de madeira.

Um pequeno baque ressoou sobre o lugar em que minha cabeça estava, fazendo-me dar um pulo para trás com o susto. Voltei a recostar a lateral direita de minha cabeça contra a madeira, e pude escutar uma respiração calma.

Provavelmente, Jungkook encontrava-se – assim como eu – com a cabeça apoiada sobre a madeira gelada da porta. Curiosamente, no exato lugar em que eu estava.

- Tae... Eu só preciso falar com você... – O alfa sussurrou contra a madeira, de um modo que apenas eu pudesse escutar.

Àquela altura eu já não sabia mais o que era certo ou errado.

Deixar meu orgulho de lado e conversar com Jeon parecia algo fora de questão até alguns minutos atrás. Mas, escutar sua voz ligeiramente preocupada pedir por aquilo fazia-me repensar sobre minhas decisões.

- Eu quero ficar sozinho. – Sussurrei de modo fraco, deixando meu desânimo transparecer.

- .... Por que?

- Só queria um tempo pra mim. Um tempo pra pensar um pouco em tudo que têm acontecido. – Comecei a desabafar, recebendo um murmúrio de incentivo por parte de Jungkook. – Em menos de três dias eu vivi tanta coisa.... Minha mente simplesmente virou uma bagunça...

- Não posso dizer que estou diferente. – Jeon bufou. – Só... queria pedir desculpas pelo que falei a uns minutos atrás. Eu acabei me deixando levar pela irritação do momento e disse coisas que não deveria.

Soltei um riso soprado enquanto fechava os olhos e puxava meus fios avermelhados para trás.

- Não tem problema, já escutei coisas piores que aquilo. Estou acostumado.

Obviamente aquilo não deixava de ser verdade, realmente já haviam me dito coisas piores. Mas, talvez na parte sobre não ter problema, eu tenha mentido um pouco.
De algum modo, aquelas palavras acabaram por me chatear mais do que deveriam.

- Mentira. – O alfa aumentou seu tom de voz, fazendo-me abrir os olhos.

- Como pode ter certeza que é mentira? – Perguntei em um tom indiferente, recebendo um silêncio desconfortável como resposta.

- Eu...

- Me deixam em paz, Jeon. – Ordenei em um tom seco. – Quando eu disse que queria ficar sozinho, estava falando sério.

- Só saio daqui quando abrir a porta e conversar comigo. Abra a porta e diga, olhando nos meus olhos, que quer que eu vá embora.

Soltei um suspiro cansado.

Eu sabia que se ficasse cara-a-cara com ele não conseguiria manter a compostura. Todas as vezes que ficamos perto um do outro ou nos agarrávamos ou brigávamos, e estou cansado disso. Jeon não pode fazer o que bem entender comigo, afinal, não sou seu brinquedo.

Se eu o contrariasse e permanecesse aqui dentro, do jeito que é teimoso, ele iria montar um acampamento do outro lado da porta. Porém, se a abrisse e o enfrentasse, as chances de que desse merda iam a proporções gigantescas.

Eu só preciso ser forte e não dar o braço a torcer.

Levantei de modo preguiçoso e desajeitado, limpando parte de minha calça e estralando as costas. Parece que haviam-se passado mais do que meros minutos em que havia ficado naquela posição um tanto quanto desconfortável.

Levei minha mão direita até a chave e girei a mesma sem pressa alguma. Após destrancar a porta, girei a maçaneta e abri a mesma, encontrando Jeon já de pé a me fitar.

O mesmo parecia ligeiramente surpreso com minha rápida decisão já que seus olhos estavam levemente arregalados e suas sobrancelhas sutilmente arqueadas. Quando o alfa entreabriu a boca na menção de começar seu falatório, o interrompi:

- Antes que você comece a defecar pela boca, irei repetir novamente: Quero ficar sozinho! Se eu quisesse companhia, não teria me enfiado dentro de um depósito. Quer desculpas? Pois irá ficar sem! Acha que eu sou que nem aquelas cadelas que você agarra e fode quando e aonde quer, utilizando-as como algo descartável? Que um mero pedido de desculpas irá me fazer mudar de ideia num passe de mágica?

Àquela altura da discussão, eu já estava completamente tomado pela adrenalina, lutando para manter a compostura e não gaguejar. Não posso demonstrar fraqueza diante daqueles que mal valem o ar que respiram.

- Como se já não bastasse falar toda aquela asneira na minha cara, você teve a cara de pau de me agarrar na frente de todas aquelas pessoas! – Gritei enquanto apertava minhas mãos, fazendo com que os nós de meus dedos adotassem uma coloração esbranquiçada.

- E por algum acaso, eu falei alguma mentira?! Está tudo estampado na sua cara! Mas é claro que você prefere ignorar e fingir que não dói, não é mesmo? – Jeon deu um riso debochado. – Chega a ser patético ver você tentando ser durão quando não tem ninguém pra se apoiar. Nem mesmo seus pais se importam com a sua existência.

E foi aí que um estalo ecoou por todo o corredor.

Aquilo havia sido a gota d’água para mim.
Em meio ao discurso de ódio de Jeon, comecei a sentir minha garganta doer a medida que minha vontade de chorar só aumentava. Suas palavras atingiram-me em cheio, ácidas e carregadas de rancor, assim como seu tom de voz. Eu poderia aguentar aquele falatório a madrugada toda, desde que o assunto principal fosse eu.

Ao escutar o mesmo falar sobre os meus pais, eu não consegui conter meus sentimentos. Deixei para trás qualquer orgulho e dignidade que ainda me restavam, assim como minha paciência, ao permitir que as grossas lágrimas – anteriormente acumuladas em meus olhos - rolassem por meu rosto, fazendo-me soluçar em meio a minha respiração entrecortada; por fim, levantei minha mão direita, levando a mesma em direção ao seu rosto.

O rosto de Jeon – agora avermelhado pelo rápido e inesperado golpe – permanecia virado para o lado. Sua boca estava sutilmente entreaberta por conta do choque, já seus olhos, extremamente arregalados.

Vagarosamente, o alfa levou sua mão até o local avermelhado, acariciando o mesmo enquanto voltava a fixar seu olhar em mim.

E então, subitamente, sua feição espantada foi dando lugar a uma expressão triste, como se o mesmo estivesse sofrendo ao assistir-me em prantos.

A atmosfera local estava extremamente pesada, tendo como trilha sonora meus soluços incessáveis e, talvez por uma ironia do destino, uma de minhas músicas preferidas.*

Levei a manga de minha jaqueta até meu rosto, limpando de modo agressivo as lágrimas que insistiam em cair.

- Você pode falar o que quiser de mim. Pode passar horas me insultando ou até mesmo me utilizando como saco de pancadas, mas não fale dos meus pais! Já que tudo que você falou até agora é verdade, porque não faz o mesmo que meus pais sempre fizeram e ignora a minha existência?! – Gritei utilizando todo o ar de meus pulmões, sem nem mesmo me importar se outras pessoas poderiam ouvir ou não.

Totalmente dominado por meu cansaço mental, empurrei-lhe para o lado enquanto corria em direção à sala onde a festa acontecia. Corri sem me importar com mais nada, esbarrando meus ombros enquanto cortava o mar de corpos que dançavam em sincronia.

Assim que atravessei a pista de dança, escutei meu nome ser gritado, fazendo-me olhar na direção do som e encontrando um Hoseok ofegante e preocupado.

- Tae! Tá tudo bem?! – O beta perguntou-me enquanto tentava aproximar-se.

- Me desculpa, Hobi, mas no momento não tenho a resposta pra sua pergunta. – Respondi dando-lhe um sorriso triste enquanto retomava minha corrida em direção a saída.

E então eu corri.

Corri o mais rápido que conseguia, deixando que minhas pernas fizessem seu trabalho sem um destino final.

Corri querendo fugir dos problemas, dores e confusões, entretanto, eles continuavam ali. Por mais que minhas pernas clamassem por um descanso, nada daquilo havia passado.

Era como se eu estivesse completamente cego e absorto dos acontecimentos ao meu redor. Seria tudo aquilo efeito do álcool que circulava por meu sangue? Pouco provável. Não havia bebido o suficiente para que tal efeito ocorresse.

Mesmo depois de vários minutos, meu choro não havia diminuído. Muito pelo contrário, sentia que meus soluços poderiam ser escutados ecoando pelas ruas vazias.

 

*ೃ✿ ೃ*

 

Em um certo ponto, senti minhas pernas fraquejarem, fazendo-me cair de joelhos e apoiar ambas as mãos para evitar um maior tombo. Continuei estagnado, daquele mesmo modo, tentando controlar minha respiração, e ao menos, diminuir a quantidade de lágrimas que rolavam livremente por meu rosto.

Uma vez que senti estar mais calmo, ergui minha cabeça para ver aonde estava, levando um pequeno susto: eu havia corrido até minha casa. Chegava a ser engraçado o fato de meu cérebro, mesmo em meio a esse turbilhão de pensamentos, ter me levado até meu lar.

Sentei-me sobre meus pés, levando minhas mãos trêmulas até meu bolso da calça – onde meu celular estava localizado. Haviam doze chamadas perdidas de Jin e quatro de Yoongi, assim como incontáveis notificações de mensagens que provavelmente questionavam-me sobre meu paradeiro. Olhei o relógio do celular, espantando-me com o horário.

Já passavam das três e quarenta da manhã, o que me leva a crer que passei algo em torno de meia hora correndo.

Voltei a analisar minha casa de modo cuidadoso, procurando por algum resquício de movimentação. Eu sabia que aparecer por lá poderia ser a pior coisa a se fazer, já que eu havia sido “expulso” e, tecnicamente, não era mais bem-vindo.

Porém, uma pequena luz acendeu-se sobre minha cabeça ao lembrar que, aos fins de semana, meu pai costumava sair todas as noites para beber com seus amigos e só voltava quando o sol começava a aparecer no horizonte.

Uma pontada de felicidade fez meu coração aquecer-se somente com a ideia de que poderia ver minha mãe. Mesmo tendo que concordar com tudo que meu pai dizia, eu sabia que a mesma zelava pelo meu bem.

E foram com esses pensamentos que encontrei forças para me levantar da calçada e limpar as últimas lágrimas que ainda caiam, direcionando-me à porta de entrada de minha antiga residência.

 

*ೃ✿ ೃ*

 

Após longos minutos encarando a madeira envelhecida da tão conhecida porta de minha casa, decido tomar alguma atitude.

Vagarosamente, ergo minha mão direita até a pequena campainha de metal, localizada ao lado do batente da entrada. Ainda hesitante, sinto a congelante brisa da madrugada refletir contra minha pele, fazendo-me estremecer mesmo estando agasalhado.

Engolindo em seco, deixo todo o ar que outrora habitava meus pulmões escapar em um suspiro que transbordava nervosismo e beirava a ansiedade. E então, meus dedos vão automaticamente contra o interruptor levemente enferrujado, soando o estridente som da campainha que reverba por toda a deserta vizinhança.

Em questão de segundos, ouço o som tão conhecido dos chinelos de minha mãe friccionando contra o carpete de madeira; subitamente, uma surpreendente tranquilidade acaba por atingir meus músculos. Já conseguia sentir sua presença próxima a porta.

- Kim Ik Tae! Quantas vezes vou precisar dizer que você não irá mais pôr os pés nessa casa enquanto estiver bêbado?! – Escuto minha mãe gritar a poucos passos da porta.

Continuo em total silêncio, apenas pedindo aos céus que a mesma abrisse aquela bendita porta para mim. Sentia-me patético e envergonhado por, em meio minhas necessidades, ter corrido até os braços de minha mãe. Suplicar por sua atenção já seria demais para uma noite só.

Um rápido e claro bufar pode ser ouvido enquanto o barulho de seus passos voltava à tona, mesclando-se com o tilintar do molho de chaves.

- Será que terei de tomar medid-...

Lá estava ela.
Com um robe de algodão azulado cobrindo seu pijama já desgastado pelo tempo. Seu rosto possuía um semblante abatido por conta das enormes olheiras inchadas, assim como seus olhos, e a pele tão desprovida de cor. Haviam-se passado míseros dias desde minha partida, porém, ela havia mudado tanto.

Seus ossos estavam bem mais aparentes do que de costume, já que assim como eu a mesma possuía um corpo magro por natureza. Pude perceber um pequeno círculo arroxeado, praticamente imperceptível, presente no canto de seus lábios ressecados e desprovidos de cor.

Sua carranca irritada, assim como sua frase, foi interrompida pela minha presença.

- ...Filho? – Sua voz, já embargada, saiu em um fraco sussurro a medida que seus grandes olhos enchiam-se de água.

 

*ೃ✿ ೃ*


Notas Finais


* You & Me - Flume Remix - Disclosure, Eliza Doolittle, Flume : https://www.youtube.com/watch?v=4bXRYQOQ1nY
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E NOVAMENTE, TIA ANA ACABA UM CAPÍTULO ESTILO AVENIDA BRASIL. Vocês devem me odiar, né?!
Enfim, tá aí né. -q

Não foi lá grande coisa, mas achei que ficou mais ou menos. UHASUAHSD
Tenho algumas surpresas pra essas semanas, fiquem de olho~

Até breve,
Beijos da Tia Ana <3


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