História Eu, Ele e o Mar - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Original
Visualizações 40
Palavras 2.023
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Festa, Mistério, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Eu estou tão feliz de finalmente postar essa fanfic, espero que gostem!

Capítulo 1 - U m


Fanfic / Fanfiction Eu, Ele e o Mar - Capítulo 1 - U m

- Filha, acorde, já estamos chegando. - Abri meus olhos preguiçosamente, resmungando. Disse a minha mãe que só queria ser acordada quando chegássemos em nossa nova casa, mas é claro que, como sempre, ela não me ouviu.

 

       Vi que seu rosto estava virado para janela, decidi ver o que tanto lhe chamava a atenção. Passávamos por uma praia! Acho que sou um dos poucos seres humanos que nunca havia visto uma pessoalmente e devo dizer que, isso me animou. Um pouco. O fim da tarde deixava o céu alaranjado o que contrastava perfeitamente com o mar azul, como se estivessem em sincronia. Decidi guardar na memória para poder desenhar esta obra-prima da natureza depois.

 

- Uau. - Deixei escapar. Minha mãe virou seus olhos para mim, entusiasmada. Tentei fingir desinteresse, esse era o lar dela, não o meu.

 

- Não seja tão rabugenta Olivia, você vai gostar. Acredite em mim, pode ser uma cidade pequena, mas tem pessoas com corações enormes. E aliás, foi onde eu cresci - Ela pareceu hesitar por um momento - e conheci seu pai.

 

       Meu pai. Senti meu coração apertar. Virei meu rosto para janela, não queria que minha mãe visse o quanto ainda dói em mim tê-lo perdido. E por mais insatisfeita que eu esteja, não quero que essa mudança seja tão dolorosa para ela quanto está sendo para mim. Limpei a lágrima que insistia em descer rapidamente, sabia que ela me encarava mas tinha esperança de que não havia visto.

 

- Livie mamãe. - Pude ouvi-la bufar, mas não tinha culpa. Eu odiava ser chamada de Olivia.

 

      Passamos o resto da viagem em silêncio, minha mãe parecia feliz ao voltar ao seu velho lar. Não conseguia parar de pensar no quanto ela combinava com este lugar, era ensolarado e feliz, como ela. E apesar de ter vivido anos em Londres, ainda possuía uma bela pele bronzeada. Diferente de mim, que herdei a palidez do meu pai.

 

      O táxi parou em frente a uma casa branca de três andares. Era bonita, como todas as outras da rua, na verdade praticamente iguais. Muito melhor do que eu esperava para uma pequena cidade. Muito bem Traverse City, já ganhou dois pontos comigo.

 

      Fiquei feliz em chegar, me sentia extremamente cansada e louca para pular em uma cama e não sair por três dias. Sorri ao pensar nisso.

 

      Ela pagou o taxista e o ajudei a tirar nossas malas do carro, eu havia trazido tudo o que podia de Londres. Ouvi minha mãe gritar e virei meu rosto para encarar uma velha senhora que descia os degraus da casa empolgada.

 

- Você chegou! Por que não nos ligou? Teríamos ido buscar vocês. - Disse após dar um demorado abraço e um beijo na bochecha da minha mãe.

 

- Não queria incomodar vocês. Ah mãe, que saudades. - Pude ver lágrimas saindo de seus olhos ao puxa-la novamente para um abraço. Apesar de ser parte da família me sentia uma intrusa, a última vez que vi minha avó foi no Natal de 2005, quando eles decidiram nos visitar em Londres, desde então apenas nos falávamos raramente por telefone. Me contentei em olhar o gramado verde, já havia tirado as malas, mas estava com vergonha demais para enfrentar a família Stewart sozinha.

 

- Olhe para você! - Levei um susto ao sentir braços pequenos e quentes me envolvendo.

 

- Opa! - Ouvi algo bater no chão, mas não me importei, apenas me deixei ser abraçada pela minha avó. Ela cheira a biscoitos.

 

- Olivia, você está idêntica a sua mãe. - Tirando o fato de que eu pareço um gasparzinho perto dela, sim. Ela segurou meu rosto com as mãos e me puxou mais para perto, como se fosse possível. Segurei uma risada.

 

- Você continua encantadora vovó. - Suspirei de alivio quando ela me soltou e se agachou para levantar a mala que havia caído.

 

- Ah os britânicos, sempre tão cordiais. - Ela olhou para minha mãe rindo. - Vamos entrar, têm pessoas loucas para vê-las lá dentro.

 

- Ótimo! - Resmunguei entredentes. Minha avó pareceu não notar, mas minha mãe sim. Ela se colocou ao meu lado e apertou o meu braço fingindo demonstrar carinho.

 

- Seja gentil. - Sussurrou.

 

     E eu tinha escolha? Mesmo se eu quisesse ser rude não seria justo com a minha família, eles não têm culpa de termos vindo para cá. Precisávamos de um recomeço, e apesar de não entender porque teríamos que sair da minha tão amada Inglaterra, eu poderia pelo menos fingir que estava feliz. Ou melhor, eu poderia tentar.

 

     Ao entramos na casa precisei colocar as mãos nas orelhas para abafar a gritaria que se seguiu. Tinha pessoas que eu nunca havia visto antes, algumas reconheci de algumas fotos, mas na realidade só conhecia meus avôs. Enquanto toda a atenção estava voltada para minha mãe, discretamente fui até o meu avô.

 

- Você está magnifica querida. - Ele me abraçou de lado.

 

- Obrigada vovô. - Ele encarava encantado a agitação que ocorria na sala de estar. Por um momento senti que poderia ser feliz aqui. Eu amava conversar com meu a avô, como meu pai ele adorava história. Mas o que realmente me encanta nele é seu talento para construir objetos, passei a minha infância inteira recebendo várias de suas criações.

 

- Por que não vai lá falar com as pessoas? - Sorri para ele tentando esconder minha infelicidade. Ele me deu um beijo na testa parecendo notar. - Você precisa esquecer tudo por um momento, se precisar subir eu te dou cobertura.

 

Ele deu uma piscadinha me fazendo rir.

 

- É uma ótima ideia, mas iria irritar a mamãe, você não vai querer ver ela virar uma fera e olhe como ela está feliz. - Sorri ao ver minha mãe sorrir de orelha a orelha.

 

- Você é uma boa menina Livie. - Agradeci mentalmente por ele me chamar assim. Não que eu odeie meu nome, só o acho formal demais.

 

      Depois que tudo se acalmou pude falar com todos os amigos da minha mãe e parentes, tinha uma prima da minha idade, mas ela não parecia muito à vontade em conversar comigo, e para ser sincera, nem eu estava. Depois de algumas horas todos já tinham ido embora. Meus avôs estavam sentados no sofá conversando com a minha mãe, decidi que era uma boa hora para subir e por tudo no lugar, ainda não tinha visto meu quarto.

 

       Subi a escada que dividia a sala de estar e de jantar e percorri cada um dos cômodos até encontrar minhas malas roxas. Me senti aliviada ao encontra-las em um quarto praticamente vazio e bege. Me joguei na enorme cama finalmente feliz por poder descansar.

 

         Quando percebi que o sono estava de brincadeira com a minha cara, decidi por algumas coisas no lugar. Abri algumas caixas e sorri ao ver minha caixinha de música. A coloquei na escrivaninha e rodei a chave, logo o quarto foi preenchido por uma doce melodia. Meu pai me deu ela de presente alguns anos atrás, disse que quando ele fosse embora desse mundo ela seria como uma parte dele, que me confortaria.

 

- Aparentemente ele estava enganado. – Cruzei os braços com a esperança de guardar a dor em meu peito. Fechei a caixinha bruscamente e respirei fundo. Senti raiva do meu pai por ter morrido, se ele continuasse vivo eu não estaria infeliz e nesta cidade, eu estaria bem em nossa casa, em nosso lar.

 

Decidi desenhar para tentar me acalmar. Peguei meu caderno e estojo e comecei a rabiscar o pôr do sol que havia visto na praia antes que pudesse esquece-lo, ele ainda estava grudado em minha mente, era tão bonito quanto ver Londres totalmente branca pela neve, só tinha mais cores. Era mais vivo e diferente de tudo o que eu havia desenhado.

 

- Aí que droga. - Disse ao perceber pingos de suor na minha testa. Larguei o lápis e olhei para a janela pensando no quanto ela estava longe de mim para ir abri-la quando percebi que ela dava para outra janela na casa vizinha. Suspirei irritada e fui até parapeito para ver se minha privacidade estava comprometida ou não quando vi um garoto loiro que aparentava ter a minha idade lendo em sua cama. - Eu não acredito nisso.

 

Vi que ele me olhou no momento em que virei para correr. Pulei os degraus irritada demais para esperar para gritar.

 

- COMO VOCÊ PÔDE FAZER ISSO COMIGO? ME TRAZER PARA CÁ NÃO ERA CASTIGO SUFICIENTE?

 

          O rosto de minha mãe que antes estava estampado com um sorriso se tornou frio e sem vida de novo. Meus avôs ficaram em silêncio.

 

- Olivia, baixe seu tom de voz. - Cruzei os braços e respirei fundo. Meu coração palpitava furiosamente no meu peito, eu estava sentindo o peso de toda a raiva e dor que eu guardei em minhas costas. Senti meu rosto queimar, eu não podia chorar. Mas também não queria gritar, não com minha mãe.

 

- Me desculpe. - Tentei controlar o tom da minha voz, senti ela vacilar. - Mas poderia me explicar porque a janela do meu quarto da DIRETAMENTE para a de um garoto que eu nem conheço?

 

- Ah, isso é culpa minha, me desculpe querida. - Meu avô levantou, senti o peso diminuir. - Esqueci que o filho mais novo dos Bennet é quase o seu colega de quarto. E o mais bonito, devo dizer.

 

Minha mãe e minha avó riram. Deixei meu corpo mais reto me sentindo irritada pela risada delas. Elas riam de mim! Da minha desgraça! Eu não ligava se o filho dos Bennet, era bonito, contanto que ele não estragasse a minha privacidade.

 

- E por que eu não posso ter outro quarto? - Encarei minha mãe que estava com o rosto vivo novamente, senti o peso diminuir novamente.

 

- Bom, eu e sua mãe achamos que você iria querer o maior. - É claro que o melhor quarto teria que vir com desvantagens. Bufei me sentindo vencida.

 

- Vou precisar de uma cortina enorme e bem grossa.

 

- Amanhã posso te ajudar com isso. Bom, Annie olhe a hora, precisamos ir. - Senti um leve choque por um momento.

 

- Vocês não vão ficar aqui? - Perguntei encarando minha mãe, ela não me disse que iriamos viver sozinhas.

 

- Nós moramos em uma casa de praia agora. Deixamos essa casa de herança para sua mãe e olhe como está sendo útil! - Dessa vez foi a minha avó que se pronunciou. Isso explicava a pele bronzeada dos dois, ela costumava ser tão branca quanto eu. - Não se preocupe, é pertinho, pode nos visitar quando quiser.

 

- Como tudo aparentemente. - Relaxei os ombros mais de nervosismo do que de alivio.

 

- Exatamente e é o que torna esse lugar mais confortável de se viver. - Seria se eu fosse sedentária e não gostasse de andar e respirar ar puro. Segurei uma risada. - Boa noite, e saibam que esse lugar se tornou muito melhor agora que estão aqui.

 

      Meu avô disse olhando para mim. Provavelmente tentava me fazer sentir bem mas eu não sei se me sentia feliz ao saber que o lugar precisou de uma antiga moradora viúva e de uma britânica que não gosta muito de pessoas para se tornar interessante.

 

- Boa noite. - Eles se despediram e foram embora. Senti a casa cair em um silêncio mortal.

 

- Se importa se eu dormir com você hoje? - Disse sentando ao lado de minha mãe que me puxou para um abraço.

 

- Claro que não. - Ela limpou meu rosto, quase não percebi que chorava. Tentei me segurar, mas o peso havia voltado, e doía muito. - Vai dar tudo certo, acredite em mim.

 

- Só não entendo porque precisávamos sair de lá. - Disse entre soluços.

 

- É complicado. - Ela sempre dizia isso quando eu perguntava, mesmo indiretamente, o motivo da mudança. Sabia que escondia algo, mas não sei se era o certo insistir. Decidi desabar de vez em seus braços, amanhã seria um longo dia e eu não queria parecer depressiva.


Notas Finais


E ai, o que acharam?

XOXO


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