História Eu estrelo você - Capítulo 28


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Tags Amigo, Amizade, Amor, Drama, Estrela, Gay, Paixão, Romance, Yaoi
Exibições 192
Palavras 6.322
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shonen-Ai, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Qualquer errinho ou algo estranho, por favor me avisem c:

Capítulo 28 - Estrela Sirius


Vinícius POV

O fim.

O fim se aproxima.

O caralho do fuckin final se aproxima.

Está acabando, tudo.

Toda essa história.

Toda a história em que eu e Gabriel vivemos juntos.

Está chegando,

Ao fim.

Nada mais justo do que eu encerrar essa história, porque fui eu quem comecei contando ela pra começo de conversa.

Ou talvez não? Foi o Gabriel quem começou?

Ah, acho que começamos juntos, afinal é a nossa história. Talvez seja certo deixá-lo participar um pouco da narração no fim, também.

Acontece que tudo nessa vida tem um fim e nada dura para sempre. Será que existe algo que dure para sempre? As estrelas, talvez? Não. Tenho certeza que o Gabriel viria me explicando sobre a vida das estrelas se eu fizesse esse tipo de pergunta burra na frente dele.

Não, as estrelas também não duram para sempre.

Nem Altair, nem Vega, nem Aldebaran, nem Procyon, nem Betelgeuse e nem Sirius A.

Nenhuma delas.

Domingo, às 15:20 da tarde.

— Vinícius, acorda sua mula. — Falou uma voz que eu reconheci imediatamente.

— Eu não to dormindo, eu to meio acordado já. — Falei.

— Meio acordado o cacete, ou tu tá dormindo ou tá acordado. — Disse Thalia, minha prima, que havia entrado no meu quarto só pra me acordar.

— Aff, me deixa porra. Pra que cê tá me acordando? — Perguntei, enquanto virava para o lado da parede na cama.

— Já vai dar quatro da tarde e eu ainda não terminei de limpar a casa, anda, sai daí, tenho que limpar o quarto. — Respondeu ela.

— Gorda! — Exclamei.

— Gorda é tua bunda de tanajura, viado. — Disse ela, enquanto subia na cama por cima de mim de joelhos, e abria a janela.

— SAI! — Falei, empurrando ela pra fora da cama. — Porra Thalia!

— Ou, deixa eu te falar, tua mãe veio aqui hoje de manhã toda bravona falando de você. Tu não ouviu as indiretas que ela mandou pra você? — Perguntou Thalia.

— Não cara, eu tava dormindo, eu não acordo tão fácil assim. — Respondi. — Mas por que ela tava brava? O que que eu fiz?

— É por causa daquilo lá, você sabe nér, do vídeo. — Disse ela.

— Ah, porcaria, acho que vai demorar uns trezentos anos pra se esquecerem disso. — Falei.

— Nunca ninguém vai esquecer não, sua mula. Aliás, tu sabe que aquele vibrador é... Da Maria, não sabe? — Perguntou Thalia.

— É claro que eu sei caralho, eu catei dela tem um tempão já. — Respondi.

— QUE NOJO VINÍCIUS, TU CHUPOU UM TROÇO QUE A MARIA JÁ ENFIOU NA

— CALA A BOCA THALIA, DESGRAÇA. — Falei, tacando um travesseiro na cara dela.

— HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA. — Ela riu.

— Claro que não foi assim né, você quer que eu te conte a história? Eu conto. — Falei.

— Conta. — Disse ela.

— Uma vez eu fui xeretar nas roupas da Maria por motivo nenhum, sabe? Só curiosidade mesmo, acho que foi há uns três anos atrás, daí, eu achei aquilo bem no fundo da gaveta. — Contei, enquanto me sentava na cama.

— Você já sabia o que era na época? — Perguntou ela.

— Claro que sabia. — Respondi.

— Tá, e aí?

— Aí eu catei e lavei bem lavado, porque eu não sabia se aquilo já tinha sido usado ou não e nem onde a Maria tinha conseguido, mas, eu ainda pensei que ela nunca tinha usado porque a Maria é uma velha de igreja e tal. — Falei. — E ela é casada. — Completei.

— Inocente você né, sabe de nada não. — Disse Thalia. — Sabia que a Maria pula a cerca?

— ...Mais ou menos, eu e o Gabriel desconfiamos disso quando ele ainda tava aqui. — Falei. — Por que? Você sabe algo sobre isso?

— Sei.

— Tá, mas eu prefiro não saber, eca, que nojo.

— Então, talvez aquele véio tenha dado pra Maria, pra ela se divertir um pouco.

— Coitado do meu vô, aff.

— E tu catou aquele vibrador sem ela saber, né? — Perguntou a Thalia, me devolvendo o travesseiro que eu tinha jogado nela.

— Sim, porque quando eu catei pra ver como era, eu não tive mais oportunidade e nem vontade de devolver, aí eu escondi no meio das minhas coisas e peguei pra mim. — Respondi.

— Grande bosta Vinícius, HAHAHAHAHAHAHAHA, que nojo, que nojo. — Disse ela. — Talvez seja por isso que a Maria esteja puta com você agora também, imagina só a reação dela ao descobrir que o neto tinha pego o vibrador que ela tinha ganho por todo esse tempo, e ainda fez um vídeo com ele.

— ...! Caraca, eu nem tinha pensado nisso, verdade. E o pior é que ela não vai conseguir conversar abertamente sobre isso comigo, seria algo muito delicado pra ela.

— Mas ela deveria conversar, porque eu ouvi ela brigando com você aquele dia, ela jogou tudo na sua cara do vídeo e tal, mesmo sendo algo delicado pra você também. — Disse Thalia. — Se eu fosse você, ia lá e falava sobre o vibrador só pra ver como ela ficaria.

— Não quero, porque mesmo que eu fale do vibrador, o errado ainda será eu, afinal eu catei dela sem permissão e fiquei pra mim. — Contei.

— ...É mesmo né, vixi.

Thalia hoje está com o cabelo amarrado em rabo de cavalo, pra trás. O cabelo dela é muito ondulado e ela geralmente lava e enche de creme.

Ela continua gorda como sempre, acho que nunca vai ficar migra.

— Tá, vou levantar agora, hoje eu não vou ficar em casa não. — Falei. — Vou tomar banho pra sair com o Gabriel.

— É? Aonde vocês vão?

— Vamos patinar no gelo. — Respondi.

— No gelo??? Onde é que tem isso???

— No shopping do Tatuapé, pelo que ele falou.

— E vocês vão de que? De ônibus?

— Não, a gente vai de trem, rapidinho chega lá.

— Da hora. — Afirmou ela. — Ainda bem né, se não você teria que ficar sozinho aqui em casa porque hoje todo mundo vai pro culto.

— Seria bom também, eu curto ficar sozinho em casa. Posso colocar minhas músicas bem altas e ficar treinando as coreografias. — Falei.

— Tu ainda ouve K-pop?

— Sim, to curtindo muito a Jimin e a Hyuna.

— Quem?

— Aff tu não conhece. — Afirmei, saindo da cama e indo até o meu guarda-roupas.

Procurei uma cueca decente pra colocar quando saísse do banheiro, e então, fechei a porta do mesmo.

— Grosso, eu acho da hora K-pop.

— Tu é funkeira Thalia, cala a boca.

— HAHAHAHAHAHAHA, só porque eu curto os funk não quer dizer que eu não possa curtir K-pop também, e é quase a mesma coisa.

— Quase a mesma coisa o meu pau. Escuta aqui, tu não tira comigo logo de manhã não viu, que eu quebro tua cara.

— Não é de manhã, palhaço. Tamo no meio da tarde.

— Foda-se. — Saí do quarto e deixei a Thalia lá. Fui direto pro banheiro tomar meu banho porque eu tinha marcado com o Gabriel às 16:30 na catraca da estação.

Tirei as roupas e deixei elas jogadas em cima da pia, porque no banheiro daqui não tem os ganchos para pendurar as roupas.

Liguei o chuveiro na temperatura morna e entrei debaixo d'água.

Man, ainda bem que eu tenho dinheiro guardado porque se eu fosse pedir hoje pra Maria ou pra minha mãe, tenho certeza que elas não dariam. A gente nem tá se falando mais, direito.

Não sei se vou gastar tudo hoje ou se ainda vai sobrar um pouco, mas não importa, o que importa é que eu vou gastar esse dinheiro saindo com o Gabriel.

Ele foi minha salvação no meio disso tudo, é muita sorte minha ter alguém como ele. O ruim é que eu nunca gostei dele como mais que um amigo até hoje e que eu nunca me atraí por ele.

Queria poder magicamente me apaixonar por ele e viver feliz para sempre. Pelo menos eu acho, que se tivesse amado o Gabriel lá no começo, a gente teria tido um colegial muito mais cheio de amor e carinho.

ACHO QUE EU NEM SERIA MAIS VIRGEM!

Mas... Né, fazer o que. As coisas não foram assim.

Nem mesmo agora, ainda não gosto dele. Ainda bem que meus olhos foram abertos, porque eu só estava me forçando a gostar do Gabriel por causa das coisas que aconteceram. Isso seria ruim, porque eu não estaria gostando dele de verdade e em algum ponto eu faria alguma merda, de novo.

 Terminei o banho e desliguei o chuveiro.

— THALIA! CATA MINHA TOALHA AÊ? — Gritei do banheiro.

— O QUE?! — Gritou a Thalia, do meu quarto.

— MINHA TOALHA!

— TÁ! — Exclamou ela.

Ouvi os passos da Thalia andando pela casa, até chegar na porta do banheiro.

— Toma. — Afirmou ela, enfiando a mão pelo vão da porta-sanfona com a toalha em mãos.

— Valeu linda.

— Pensei que eu fosse gorda.

— Tu é gorda mas é linda.

— Mula.

Me sequei com a toalha e coloquei minha cueca, indo pro quarto em seguida.

A Thalia já tinha acabado de limpar o meu quarto, mas, assim que entrei, percebi que tinha alguém lá dentro, sentado na minha cama.

— ?!!!! O que você tá fazendo aí?!! — Perguntei, surpreso.

— Você se atrasou, então eu vim te chamar. — Respondeu Gabriel.

Fechei a porta do quarto e me encostei na mesma; estava com a toalha do banho em cima do ombro direito.

— Mas ainda são 15:42, a gente ia se encontrar lá as 16:30. — Falei.

— Não Vini, era pra gente se encontrar lá às 15:30. — Falou ele.

— QUEEEE??! SÉRIO?? DESCULPA! EU CONFUNDI, DE VERDADE! — Exclamei.

— ... — Ele ficou em silêncio, enquanto me fitava com aquele olhos negros.

— O que?

— Constrangedor, Vini. — Afirmou ele.

— Const... Ah! Qualé! Eu acabei de sair do banho, queria que eu estivesse como?! — Perguntei.

— Verdade, né, sinto muito.

— A propósito, tu tá bonito hoje. — Elogiei-o.

Gabriel tinha cortado o cabelo, pelo jeito, ou pelo menos parte dele. As laterais e a parte traseira da cabeça estavam sem os cachos que ele tinha antes, e a parte de cima, provavelmente estava curta também: ele estava usando um boné virado pra trás, então não dava pra ver direito. Também tinha umas mechas de cabelo que escapavam por cima da testa, através do buraco do boné.

Sem contar que a roupa que ele usava era bem bonita; uma calça daquelas de emo, do restart, sei lá, de cor vermelha e bem apertada; uma camiseta de anime (essa parte não é tão bonita assim, meio zoado); e um tênis all star preto.

— Quer dizer que eu não sou bonito nos outros dias? — Perguntou.

— POW, pow, mancada fazer isso. — Respondi.

— Hahahaha, estou brincando, idiota. Obrigado. — Disse ele. — A propósito, você também está muito bonito hoje.

— Eu? Mas eu nem coloquei rou...

— Sua cueca. É uma linda cueca.

— ...What??

— É uma cueca muito bonita, do Astro boy. — Disse ele.

— Você já me viu com essa cueca antes, ô anta.

— Eu sei, eu também já te vi sem cueca.

— Quando?!

— Hihi.

— Hihi uma ova! Não me lembro de ter aparecido pelado pra você alguma vez.

— Pois é, né. — Falou ele, enquanto fazia um banquete com o olhar em minha direção.

— Por acaso você é um stalker?!

Gabriel então se levantou e andou até mim, ficando bem na minha frente. Quando ele fez isso, não consegui agir de nenhuma outra forma. Não tenho mais coragem nenhuma de afastá-lo como fazia antes e nem mesmo de afastar a mim mesmo.

Naquele momento, percebi que mesmo que eu não gostasse do Gabriel amorosamente, minha visão sobre ele havia mudado totalmente. Por causa de tudo, e, apesar de tudo, ele agora é uma pessoa que eu quero que esteja junto comigo.

— O-o que...? — Perguntei.

— Vini, estende sua mão. — Pediu ele. — Assim. — Disse Gabriel, estendendo sua mão esquerda com o palmo da mesma aberto, à minha frente.

— Tá. — Afirmei, abrindo o palmo da minha mão direita de forma que ficasse bem a frente da mão dele.

Depois que eu fiz o que pediu, Gabriel tocou o palmo da sua mão junto com a minha e continuou me olhando.

— ... — Fiquei em silêncio, enquanto percebi que ele deu mais um passo à frente, ficando praticamente colado comigo.

— Estou tocando sua mão. — Disse ele.

— Eu tô vendo.

— Você não vai me empurrar?

— Não.

— Então você vai... Me xingar?

— Não.

— Isso quer dizer que você me estrela?

— Não.

— É, eu sei. — Afirmou ele. — Mas sabia, Vini? Eu estrelo você.

— Sim, sabia.

— Isso significa que ficar assim com você é a coisa mais satisfatória e aconchegante que pode acontecer na minha vida. — Disse. — Se você não me afastar, ficaremos assim pelo resto da vida porque eu nunca vou conseguir soltar minha mão da sua.

Naquela hora, sempre que Gabriel falava, eu podia sentir seu hálito de uva e sua respiração bem à frente de mim. Acho que ele tinha comprado balas no caminho para cá e por isso ficou com hálito de uva.

— Entendi. — Afirmei.

— Você não vai me afastar?

— Não quero te fazer chorar, de novo.

— Não vou chorar...

— ...

— ...

— ...Posso te perguntar uma coisa? — Perguntei.

— Pode. — Respondeu ele, entrelaçando os dedos da sua mão com os meus e me empurrando contra a porta, fazendo com que a parte traseira do palmo da minha mão encostasse na superfície de madeira atrás de mim.

— Se um dia eu começar a te estrelar, como eu saberei disso? — Perguntei. — Quando ter certeza que eu tenho um sentimento por você?

— Quando você estiver fazendo alguma coisa e de repente começar a pensar: "como seria se o Gabriel estivesse aqui?", "será que ele gostaria de fazer isso comigo?", "Acho que ele diria tal coisa se estivesse  aqui"; Quando você comprar alguma coisa e se lembrar que talvez eu gostaria de ter uma dessas, também; Quando você ver um casal andando na rua e pensar que gostaria que eu estivesse com você naquele momento, junto, do mesmo jeito; Quando você estiver desenhando e acabar desenhando algo relacionado à mim, ou à nós, ou ao amor; Quando você estiver conversando com alguém e deliberadamente falar de mim, como as coisas que eu faço ou gosto; Quando você estiver num momento cinzento e se lembrar que existe uma pessoa que consegue colorir o seu mundo; Quando você estiver prestes à dormir e pensar que gostaria de estar deitado comigo, abraçado, enrolado, trocando carícias e amores; Quando você pensar no amor e eu aparecer imediatamente em sua cabeça; Quando você se pegar pensando em ter um futuro comigo, passar muitos dias comigo, planejar muitas coisas para se fazer comigo e sempre me querer ao seu lado. — Disse ele. — Acho que seria nesse momento em que a certeza viria, Vini. Sem mencionar os sonhos que você teria comigo e que seu coração bateria forte quando estivesse junto de mim.

— Hm...

— Eu consigo sentir... — Murmurou ele.

— O-o que? — Perguntei.

— Você está de cueca, Vini.

— Ahh, e você está perto de mais.

— Te incomoda? — Perguntou ele.

— Não. — Respondi. — Não mais. Você nunca mais vai me incomodar de novo.

Soltei minha mão da de Gabriel e o abracei fortemente, por minha pura vontade.

— Vi...

— Brigado por sempre ficar comigo.

Gabriel não respondeu nada, mas, senti que ele havia sorrido.

Meu pau está muito duro. Mesmo nessa situação toda, eu tô muito excitado simplesmente por ele estar perto assim.

Aliás, eu acho que também consigo sentir o pau do Gabriel mesmo com ele estando de calça. Não, eu tenho certeza que consigo.

O pau dele está tocando o meu, mesmo que por trás de peças de roupas.

É a primeira vez que algo assim acontece entre eu e ele.

— Hoje... Hoje minha família vai pra igreja... — Comentei.

— Eu sei.

— Se você quiser ficar aqui comigo, bom... Não terá problema, certo? Só a Thalia que te viu.

— Vini...

— O-o que?

— Não confunda amor com ereção sexual.

— Mas você não quer ficar comigo?

— Quero. 

— Ah... Tudo bem, eu já entendi, eu já sei das coisas, foi mal. — Falei.

— Uhum. Vamos patinar, Vini. Tenho certeza que hoje será um dia memorável.

— Tá bom, Bibi.

Depois disso, Gabriel me soltou e eu coloquei minha roupa para que pudéssemos sair em seguida.

Domingo, 16:47, dentro do trem.

— Que dia é hoje Gabriel? — Perguntei à ele, que estava em pé ao meu lado. Nós dois estávamos encostados em uma das portas do trem porque todos os assentos estavam ocupados.

— Hoje é dia 04 de Abril de 2019. — Respondeu.

— Não precisava dizer o ano, besta.

— Aliás, o dia da mentira foi a pouco tempo atrás mas mesmo assim, não me lembro de ninguém brincando ou trollando. — Disse ele.

— Verdade, acho que o povo tá mais crescido pra essas coisas, sei lá, e também a situação já estava bem tensa pra gente. — Falei.

— Estação Guaianazes, desembarque pelo lado direito do trem. — Falou a voz programada do trem, dizendo que já estávamos chegando na próxima estação.

— Mas pra que você queria saber o dia? — Perguntou Gabriel.

— Semana que vem é o aniversário da minha mãe. — Respondi.

— Nossa, tá perto, e vocês ainda estão brigados. — Comentou ele. — O que você vai fazer, Vini?

— Sei lá, acho que vou tentar comprar algo pra ela com o dinheiro que sobrar de hoje e tentar dar um feliz aniversário. — Falei.

— Boa ideia, será que ela não vai ser grossa?

— Não sei.

E aí, o trem parou e as portas se abriram. Algumas pessoas saíram e outras entraram.

— Hoje quando eu fui na sua casa, fiquei com medo de ser atendido por ela ou pela Maria, seria uma situação estranha. Aliás, aonde elas tinham ido? — Perguntou o Gabriel.

"Pi pi pi pi pi". O barulho que anuncia a fechada das portas do trem ecoaram pelo local, e logo, as mesmas se fecharam para que ele desse partida.

— Minha mãe provavelmente estava na casa dela, e a Maria eu não faço ideia. Como eu dormi o dia todo, não sei onde ela foi. — Falei.

— Você foi dormir que horas ontem? — Perguntou ele.

— Ontem não, hoje, fui dormir às 05:30 da manhã. — Respondi.

— Entendi, então você continua conversando taradisse com os caras? — Perguntou ele, num tom sarcástico.

— Quer ser esmurrado??

— HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA. — Ele riu. — Eu sei, você estava jogando liga das legendas, né?

— Tava jogando o meu lolzin.

— Então, liga das legendas.

— Não dê esse nome idiota pro meu jogo.

— Seu viado. Jogadores de lol são viados.

— São mesmo. — Afirmei. — Ser viado é um bônus querida, não sei por que ainda tem gente que perde tempo sendo hétero.

— Menos com essa zoera, Vini. — Afirmou ele.

O trem entrou em um túnel e a paisagem das casas se passando pelo lado de fora foram trocadas por um local escuro e com poucas luzes.

— ALIÁS, por que tu não joga Lolzin comigo?

— Estação José Bonifácio, desembarque pelo lado esquerdo do trem. — Falou a voz programada do vagão do trem.

— Nem, não gosto de MOBA. — Respondeu ele. — Você sabe que eu só gosto de RPG, tipo o Kaio.

— Não falo muito com o Kaio. — Falei.

Minutos depois, chegamos no nosso destino. Fomos conversando durante todo o trajeto dentro do trem, até o Tatuapé.

Domingo, 17:19.

— Estação Tatuapé, acesso à linha 12 safira da CPTM e à linha 3 vermelha do Metrô. Desembarque pelo lado direito do trem. — Falou a voz programada, anunciando que estávamos chegando.

A paisagem ao lado de fora era a de vários prédios, e também havia uma grande avenida ao lado da linha do metrô, à esquerda.

— O que acha de voltarmos pela linha 12? — Perguntou ele. — Queria voltar pra casa sentado.

— Pra que? Ela dá a maior volta por aqueles buracos lá de Itaqua. Não lembra que as professoras que dão aula lá falam que lá é horrível? Não quero ser assaltado por uma trupe de funkeiros dentro do trem. — Respondi.

— Credo Vini, isso é meio preconceituoso.

— Falo mesmo. E também, ir pra minha casa por Calmon fica longe.

— Ah, verdade, tudo bem então.

 Quando o trem parou na plataforma, descemos dele e pegamos a escada rolante.

— Eu gosto de trens. — Comentou ele.

— Eu sei.

— Esse que pegamos é bem bonito, é da série 8500, acho que entrou em circulação há uns três anos.

— Pow Bibi, como tu é nerd, não espere que eu entenda essas coisas não hein. — Falei.

— Hihihihihi, eu posso ser nerd, mas não sou CDF não. Não sou de estudar.

— Nem eu, estudar é chato.

— Estudar é legal, mas não tenho motivação de estudar algo por vontade própria, há não ser que seja algo que me chame muito a atenção. — Disse o Gabriel, saindo comigo da escada rolante após subirmos até lá em cima.

— Caraca, tem muita gente ali fora.

— Bom né, essa estação tem três linhas de trem e também interliga dois shoppings e duas avenidas, um de cada lado. — Disse ele. — O povo usa aqui de passarela, basicamente.

— Em qual shopping fica a pista de patinação? — Perguntei, enquanto passava pela catraca.

— No Metrô Tatuapé; o do lado direito. — Respondeu ele, passando pela catraca logo atrás de mim.

— Já pensou encontramos a Márcia, o Daniel e o Kaio lá dentro?

— Nope, o Daniel falou como se eles fossem sair ontem mesmo, não hoje. Além disso, eles poderiam ter ido em qualquer outro shopping: No de Suzano, no de Mogi, no de Itaquera, no de Guarulhos, etc.

— O de Guarulhos é enorme.

— Você já foi lá, Vini?

— Já e você?

— Também.

Fomos andando em meio àquela passarela que dava acesso aos shoppings. Naquele momento, estávamos a cima da avenida que eu mencionei anteriormente. Havia muitas pessoas andando pra lá e pra cá, muitas mesmo, toda hora corríamos o risco de trombar com alguém, no entanto, de repente, as pessoas começaram à andar mais pelos cantos da passarela; do lado esquerdo, elas iam em direção ao shopping; do lado direito, elas voltavam.

Eu e o Gabriel estávamos bem no meio e antes que pudéssemos nos tocar, estávamos afastados de todo mundo, andando num local mais vazio.

Já conseguíamos ver a entrada do shopping e conseguiríamos chegar rapidinho e sem trombar com ninguém, graças à mudança do povo ao andar.

No entanto, uma pessoa saiu de dentro do shopping e veio andando pelo meio do caminho, vindo em nossa direção. Como as pessoas estavam andando mais pelas laterais, nós passaríamos lado a lado com essa pessoa, ou talvez não, porque ela parecia vir realmente em nossa direção, como se fosse proposital.

— Acha que ela vai falar com a gente? — Perguntou Gabriel, que também já havia percebido.

— Acho que não, deve ser coincidência. — Respondi. — É conhecida sua?

— Não.

— Olá, como vão? — Perguntou a mulher, enquanto chegava até nós e parava na nossa frente.

— Oi. Vamos bem. — Respondeu o Gabriel, de forma fria. Como ele já havia dito oi por mim também, resolvi não falar nada.

— Eu só preciso de uma informação, vocês poderiam me ajudar? Não tenho costume de andar de metrô, então eu me perco com facilidade. — Falou ela.

— Ah sim, claro, o que precisa saber? — Perguntou Gabriel.

— Como faço para chegar na estação... Hm... — Murmurou a mulher, enquanto olhava o local no seu celular. — Jardim São Paulo?

— Ah, isso é na zona norte, é um pouco longe mas não é difícil. — Disse Gabriel. — Você precisa...

Enquanto  ele explicava para ela, parei pra reparar no estilo que ela possuía. Ela é uma mulher muito bonita, tão bonita que até me sinto atraído fisicamente. Isso é meio esquisito, faz muito tempo que eu não me atraio por alguma garota antes, sem contar que essa aqui parece ser um pouco mais velha: deve ter uns 20 anos.

Ela possui longos cabelos verdes, que vão até as costas. É um verde escuro, acho que ela pintou, além disso, ela é asiática e tem olhos igualmente verdes. O rosto dela é bem redondo por causa da etnia talvez, mas, seu corpo é bem definido. Ela possui seios fartos e uma boa postura mesmo calçando saltos altos.

Ela é bem alta, acho que sem os saltos, ela fica do meu tamanho.

— Ah, então é assim, entendi, obrigada. — Disse ela. — Tive o azar de não sair de carro desta vez.

— De nada. — Falou Gabriel.

— A propósito... Vocês são, amigos? — Indagou a mulher.

— Somos, por que? — Respondeu Gabriel.

— ...Por nada, que bom, continuem assim. — Falou ela, tocando em nossos ombros enquanto passava pelo meio da gente. — Adeus.

— ...

— ...

— Err, vamos? — Perguntei.

— Vamos Vini. — Respondeu ele.

 

Adentramos o shopping e demos de cara com uma casa do pão de queijo e uma Renner. Também havia uma escada rolante, em frente à Renner.

— A gente vai direto pra pista de patinação? — Perguntei.

— Vamos e depois podemos aproveitar pra comer em algum fastfood. — Respondeu ele, enquanto andava ao meu lado mas tomava conta do rumo que tomávamos. — Você normalmente come aonde Vini?

— No Burger king ou no Subway e você?

— No Habibs.

— O que tu come no Habibs?

— Esfihas, pastéis e batata frita.

— Tá bom, então a gente pede nossas coisas nos dois e depois nos encontramos pra procurar uma mesa pra sentarmos, que tal?

— Pode ser! — Exclamou ele.

A propósito, o Gabriel é bastante inteligente, não é?

Ele conseguiu explicar bem pra moça do cabelo verde sobre como chegar no lugar. Eu mesmo nem sei aonde fica aquele lugar.

Que legal.

É engraçado que ele fica meio tímido na hora de conversar com algum estranho, ou melhor, ele fica cuidadoso.

Será que ele tem medo de ser surpreendido? Ou atacado?

HAHAHAHAHA, que engraçado, não que esteja errado, mas é engraçado.

Ele toma muito cuidado na frente de estranhos, acho que ele levava bem a sério as coisas que a mãe dele o ensinava.

A mãe dele...

Quando eu o conheci, ele já não tinha mais ela, então, eu nunca a vi pessoalmente antes.

Pelas fotos, os dois eram absurdamente diferentes em aparência física, na minha opinião.

Já ele, acha que é bem parecido com a própria mãe, tanto em aparência quanto personalidade.

Da personalidade eu não sei dizer, mas da aparência, definitivamente não.

Tadinho, ele deve sentir muita falta da mãe dele e do amor dela.

Sei que o Gabriel é um garoto carente, aliás, carente demais. Eu deveria fazer carinho nele de vez em quando, acho que ele ficaria feliz. Me lembro que ele fazia muito carinho em mim quando estávamos "namorando".

— Por que está rindo, Vini? — Perguntou ele.

— Nada não, seu bobo. — Respondi.

— Certo, veja, a gente já chegou. — Afirmou ele.

— Já mesmo...? — Perguntei, enquanto ia até uma proteção de vidro e me escorava na mesma, conseguindo olhar a pista de gelo lá em baixo. Há tipo um buraco nessa parte do shopping, dá pra ver todos os pisos e suas lojas. No natal, colocam uma árvore de natal gigante e decorada no meio da pista de gelo e ela chega até o topo do shopping passando por todos os andares, através desse buraco.

— Bom, a gente tem que descer um piso. Não estamos no T porque a passarela da estação é elevada.

— Vamo de elevador?? Tem um ali, olha.

— Esse elevador é difícil de controlar, Vini. — Disse ele.

— Vamo vai, por favor, nunca te pedi nada, deixa vai, deixa. — Insisti.

— PRA QUE VOCÊ ESTÁ INSISTINDO PRA ALGO TÃO IDIOTA COMO ANDAR NUM ELEVADOR?! — Perguntou ele.

— E POR QUE TU FICOU BRAVO?

— Não estou bravo, vamos. — Respondeu ele.

— Tá sim.

— Não.

— Sim.

— Não estou.

— Tá sim.

— Para.

— Não.

— Aff.

— Você tem medo?

— Claro que não Vini, é que esse elevador é realmente chato de se mexer e também é vergonhoso. — Respondeu.

— Vergonhoso? — Perguntei, enquanto apertava um botão pra chamar o elevador. Já estávamos na frente do mesmo.

— É porque os botões dele são estranhos, ao invés de estar marcado: "T, 1, 2, 3" nos andares, fica marcado umas letras estranhas, tipo S, G1, M, sei lá. — Falou ele.

— E daí?

— Você sabe o que significam essas letras, por acaso?

— Não sei. — Falei.

Quando a porta do elevador se abriu, três pessoas saíram, deixando-o vazio, no entanto, duas mulheres entraram conosco e ficamos os quatro ali dentro.

A porta se fechou e Gabriel pareceu perdido ao encarar os botões que mandavam no destino do elevador, no entanto, ele  rapidamente apertou um deles.

A parte de trás do elevador era feita de vidro, tornando possível que víssemos a pista de gelo e todo o local.

O elevador subiu.

— Ele tá subindo, você apertou errado. — Falei.

— AAAAAAAAAAA! Pare! Não fale isso! Que vergonha! — Exclamou ele.

— Vergonha só porque não sabe ler os botões?

— Eu deveria ter pesquisado com antecedência antes de vir...! — Disse.

O elevador subiu tanto que até passou do segundo andar, indo ao estacionamento superior. As mulheres que estavam lá dentro deram risada e saíram, pelo jeito era lá mesmo que elas queriam ir.

— Que vergonha! Que vergonha! Que constrangedor! Elas até riram! Odeio esse elevador! Droga de letras malditas! Que raiva! — Disse Gabriel, inconformado, enquanto ficava no canto do elevador e abaixava a cabeça.

— Ei Bibi... Qual eu aperto? — Perguntei, enquanto encarava os botões. Eu tava achando aquilo bem engraçado e fiz de propósito pra irritar o Gabriel, quase não conseguia mais segurar a risada.

— SE VIRA! ESCOLHE QUALQUER UM! SINTA A MESMA VERGONHA QUE EU! — Exclamou ele.

— NÃO! ME AJUDA, EU NÃO SEI! — Falei, enquanto ia até ele e o pegava pelo braço. — Vem, escolhe.

— PARA! PRA QUE? EU JÁ DISSE QUE NÃO SEI, EU VOU ERRAR DE NOVO!

— Deixa, é só a gente ir apertando um por um até chegarmos onde a gente quer. — Falei.

— Então aperta você!

— Vamos apertar juntos, olha. — Falei, enquanto segurava a mão dele e a levava até a lista dos botões.

— ...Tá.

— Mas escolhe você.

— Tá bom Vini. — Afirmou ele, enquanto apertava um dos botões junto comigo.

A porta se fechou e o elevador desceu, parando no andar seguinte.

— Erramos de novo, estamos no piso mais alto, um a mais do que estávamos e dois a mais de onde queremos ir. — Falei.

Quatro pessoas entraram e nós continuamos lá dentro.

— Que vergonha... Que vergonha... Eles estão entrando e vendo que a gente não desceu aqui... — Murmurou Gabriel.

— HAHAHAHAHAAHAHAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAAHAHAHHAHAHAHHAHAHHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAHAHAHAHAHA. — Ri alto, comecei a rir pakas.

Quanto mais eu ria, mais o Gabriel olhava pra mim com vergonha. Ele também fazia umas expressões estranhas como se tivesse avisando que estava com vergonha de eu estar rindo daquele jeito na frente dos outros, mas, a cara que ele fazia e a vermelhidão no rosto dele me faziam rir mais ainda. Uma coisa levava a outra.

8 minutos depois.

Domingo, 17:41.

A porta do elevador se abriu no andar da patinação e finalmente saímos de lá.

— HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHA, SOCORRO, EU TÔ É NO CHÃO, NUNCA RI TANTO NA MINHA VIDA. — Falei, ainda rindo.

— ... — Ele ficou quieto. Ri mais ainda do silêncio dele.

— HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHHHAHHHHHAHAAHAHAHAHA, MINHA BARRIGA MANO, TÔ FICANDO SEM AR.

Gabriel começou a andar na minha frente, mais rápido, mas eu segurei o braço dele por trás e fui até ele.

— C-CALMA HAHAHAHA, ESPERA, NÃO FICA BRAVO, JÁ TO PARANDO. — Falei, passando à frente dele. Gabriel virou o rosto pro lado assim que me viu chegando, ele não estava com vontade de olhar pra mim. Ele ficou puto.

Peguei ele pelo queixo e virei o rosto dele em minha direção.

— QUEEE? TU TÁ CHORANDO, SÉRIO?

— Não tô chorando, me solta. — Respondeu ele, dando um tapa na minha mão.

— Mas e esses olhos cheios de lágrimas aí?

— ...

— Owwwwnnnnnttt, que fofinho, ele ficou com vergonha, tadinhooow, ôôôôôô dóóóóó! — Falei, abraçando-o pela frente.

— Não, me solta. — Disse ele, me empurrando e se afastando.

— TADINHOOOOO, VEM CÁ, DEIXA EU TE DAR UM ABRAÇO, AAAWWNT, QUE UKE. — Falei.

Gabriel virou para mim e me olhou com uma cara de ódio mortal. Pensei que eu fosse morrer, de verdade, eu seria morto pelo Gabriel, que morte terrível, mas, tudo que ele fez foi vir até mim e me abraçar de novo.

— Owwwnnt, calma Bibi, fica assim não oow, já passou, shhh shhh. — Falei, enquanto o abraçava também, mas cometi um erro. Ele rapidamente abocanhou meu ombro e deu uma puta mordida.

—AAAAAAHHHHHHHHHH! PARA! SOLTA! PORRA! — Gritei.

— ............ — Ele continuou mordendo. Tentei afastar ele com a força, mas demorei um pouco pra conseguir. O povo que passava perto ficou tudo olhando.

— AAAAAAAAAAIIII, caralho manoooo. — Abaixei a manga da camiseta e vi a marca horrível que a mordida dele tinha deixado. — Aaaaaaaaaa, tsss... Filho da puta.

— Essa foi a minha vingança. Bem feito, Vini. — Afirmou ele, ainda vermelho e envergonhado.

— ......Mas foi engraçado, há-hahahahahaHHAHAHAHAHAHA. — Voltei a rir dele, mas parei rapidamente desta vez. — Beleza, vamo logo patinar, não fica bravo tá bom?

— Não.

— Por que?

— Porque agora eu não quero mais. — Afirmou ele.

— Para de birra Gabriel, só por causa disso? OLHA SÓ A MORDIDA QUE TU ME DEU. — Falei, mostrando a marca pra ele. — TÁ DOENDO, SABIA? ENTÃO VAMO LOGO PATINAR, A FILA TÁ ALI.

— ... — Ele ficou quieto.

— VEM. — Falei, num tom de ordem.

E aí ele veio, todo bravinho, mas veio.

Ficamos uns 15 minutos na fila, até que foi acabando o tempo de um povo que já tava patinando e pudemos entrar.

Pagamos meia hora de patinação e então fomos juntos. Os instrutores nos ensinaram à colocar os patins e nos orientaram à pista de gelo. Durante esse tempo, consegui fazer o Gabriel perder a raiva conversando sobre coisas aleatórias.

— Êta, calma, tu vai cair. — Falei, dando passos bem leves.

— Vini, para de ficar pisando, você tem que patiinaar. — Falou ele, indo na frente como se fosse um patinador profissional.

— Não me deixa aqui! Eu vô cair. — Mal falei e tomei um tropeção, sozinho.

Como diabos ele consegue patinar desse jeito? Ele já fez isso antes?! Mas ele tinha dito que não vindo pra cá, aff.

Eu não sei patinar nem com patins, pensei que aqui seria mais fácil.

— Calma Vini, segura minhas mãos. — Falou ele, se agachando e estendendo as mãos.

Segurei as mãos dele e com seu auxílio, me levantei.

— Isso... Agora não me solta. Ao invés de pisar, tenta vir deslizando, pé por pé, igual eu estou fazendo. — Ensinou ele, segurando minhas mãos.

— Tu ta indo de costas! Cuidado cara. — Falei.

— Se eu cair, levanto, não se preocupa.

— ... Desse jeito? To fazendo certo?

— Sim, vamos continuar indo. — Disse ele.

— Como você consegue fazer isso?

— Não sei.

— Acho que eu já consigo ir sozinho, agora. — Falei.

Assim que eu falei isso, Gabriel soltou uma das minhas mãos e levantou a outra, usando-a para girar à si mesmo igual num passe de dança.

— Hihihi, isso é legal. — Afirmou.

— Bora dançar no gelo. — Falei, pegando ele pela cintura com a mão livre assim que ele terminou o giro. Entrelacei os dedos com os dele, utilizando a outra mão.

— A gente vai cair, você não consegue. — Disse ele.

— Se a gente cair, levantamos.

— Isso tá muito gay, tá todo mundo olhando pra gente, você não se sente mais incomodado? — Perguntou.

— Não.

— Qual a sua intenção?! A fusão é um recurso para gems fracas se fortalecerem. — Falou Gabriel.

— Você é idiota, sabia?

— Não sou não.

— Aham, sei.

— Vamos mais rápido, Vini, quero brincar. — Falou ele.

— SE EU CAIR VAI SER CULPA. — Falei.

— Você levanta, hihi. — Gabriel então, começou à patinar na frente enquanto me puxava pela mão. Segurei bem firme e tentei acompanhar o ritmo, até que chegou a hora em que eu consegui patinar ao lado dele, mas, não durou muito eu escorregar e tombar o Gabriel junto.  Nós dois caímos de bunda e fomos deslizando até o canto da pista.

— Ai, foi mal. — Falei, enquanto tentava me levantar sozinho mas falhava e caía. — CU!

— Pera, eu levanto primeiro. — Disse ele, se levantando. — Pronto, agora vem.

Peguei nas mãos do Gabriel e ele me levantou novamente.

— Sabe, isso é tudo que eu posso te oferecer, Vini. — Falou.

— Hã?

— Momentos divertidos como esse, minha atenção sempre que você precisar e não precisar, conhecimento sobre trens, um amigo fofinho que se parece com um coelho, um pai que não para em casa e... Todo o estrelar do universo. Isso é tudo que eu posso te dar no momento. — Disse ele, parado de frente pra mim enquanto segurava minhas mãos.

— ... — Fiquei em silêncio.

— Bom, se for pra ser preciso, também posso te oferecer mordidas dolorosas e grampeadas no nariz.

— Isso eu não quero.

— Hihi. Acho que não. — Afirmou ele.

— Eu não posso te corresponder ainda, com tanta certeza.

— Eu sei, não se sinta pressionado, é que... Muitas vezes quando estou com você, me dá vontade de falar o quanto você me é importante. — Disse ele. — Com isso, apenas falei os meus pontos por pura vontade, para facilitar a sua escolha no futuro.

— Você acha que algum dia eu poderei te amar do mesmo jeito que você me ama?

— Não faço ideia, Vini, mas mesmo que isso não aconteça, eu continuarei te amando.

— Você é... Brilhante demais.

— Sou?

— Sim, parece uma estrela.

— Pareço com o sol, então? — Perguntou Gabriel.

— Não, se parece com Sirius A. — Respondi.

— Sirius? Fico surpreso que conheça. — Disse ele.

— Há muita coisa que você não sabe que eu sei, viado.

— Haha, besta.

E então, aquele foi um dia memorável para nós dois, assim como a vez que fomos no playcenter há alguns anos.

Eu e Gabriel nos aproximamos muito cada vez mais a partir desse dia.

Muito mesmo.

Passei a ficar feliz simplesmente por estar com ele.

Comecei a sentir sua falta sempre que ficava longe.

As coisas foram mudando em várias proporções, mesmo que apenas alguns dias tenham se passado.

Pedro e Guilherme se encheram dos rolos, mas, se aproximaram muito. Isabel me contou que eles transaram quando saíram juntos depois da aula.

Márcia e Kaio brigaram e pararam de se falar, mas, ninguém sabe o motivo. Pelo que o Dani havia dito, ele iria no shopping com a Márcia e o Kaio naquele mesmo sábado. Eu e Gabriel pensamos que alguma treta ocorreu naquele sábado, entre os três.

Gabriel percebeu que a Márcia havia se afastado do Kaio e tentou conversar com ela, mas, não foi bem recebido. Márcia ainda está puta com ele e odeia o fato de estarmos juntos, sério, acho isso muita birra da parte dela, que bosta viu.

Dani começou a dar as caras no intervalo mas ele não parecia do tipo que conversava com as pessoas.

Voltei a falar com minha avó, nos reconciliamos, no entanto, minha mãe continuava mantendo distância de mim.

Já quanto a mim e o Gabriel...

1 semana depois.

Continua no capítulo 29.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...