História Eu não sou Bernado - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Visualizações 5
Palavras 1.905
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Yaoi
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Suicídio
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Olá!
Eu já havia postado essa estória um tempo atrás mas decidi reescrever porque tava meio bosta. haha, mas agora tá tudo sussa, eu espero que alguém leia isso algum dia da vida.
Mas grata por ler. bjs xuxuzinhos.

Capítulo 1 - Único


“Olá... Eu fiquei olhando horas pro papel, tentando me decidir em como me despedir de você, desculpe já de início por que a essa altura você já deve saber o que eu fiz. Lembra quando estávamos no ensino médio? E você me protegia dos garotos do futebol americano? Eles me maltratavam desde bullying até agressão, me surravam até sangrar e ficar inchado, eu era a bola deles que chutavam todos os dias, que brincavam de jogar para um lado e para o outro e cuspiam em mim depois de comerem seus almoços de fast food. Eu me lembro de chorar e você secar minhas lágrimas, uma por uma, cada uma delas secada por seu polegar não deixando rastro para a tristeza fazer morada. Tudo isso é parte de mim amor... Ainda posso chama-lo assim? Bem desculpe pelas besteiras que vou dizer, mas é necessário dize-las. Minha mãe foi embora... Eu acordei num dia qualquer e ela já não estava mais lá, ela levantou voo e cruzou o mapa para longe de mim e de tudo que nos mantinha ligados, tudo o que sobrou foi só um bilhete com o vago cheiro dela. Dizia – Não espere por mim, não irei voltar, ass: Clara – Ela não colocou nem mamãe. Eu fiquei sozinho Heitor... Você parou de falar comigo do nada e aquilo infernizou ainda mais os meus dias por que além de você... eu não tinha mais ninguém. Ver você passar cheio de gente ao seu lado, e nem um olhar você me deu, passei várias noites em claro martelando isso na minha cabeça – O que eu fiz? – E não obtive resposta alguma, não imagina o quando doeu aqui nesse coração¿ Te ver passar e sem ao menos me dar um sorriso¿ Só precisava saber que tudo estava bem mas eu não tive uma explicação, o porque disso tudo eu não sei, só sei que seria menos pior, deixar algo pra se lembrar de mim, já que mandou Nath devolver tudo o que lhe dei, é porque gosto de meninos? É porque não contenho o choro e grito por ajuda com essas grossas lágrimas? Ou porque simplesmente você se cansou de mim?

Desculpe Heitor... Eu só não quero ir sem me despedir. Porque eu só estava aqui porque você estava comigo. E não passou um dia sequer antes disso que eu não pensasse em você... Porque o meu melhor amigo não fala comigo, ou porque ele nunca olha nos meus olhos. Machucou querido... fundo e feio, filetes de sangue, roxos sob a pele, carne exposta.

Deixou tantas marcas que meu Deus eu perdi a conta delas.

Se lembra do último dia de aula? Como esquecer não é? Todos iriam se formar, por incrível que pareça você passou sem minha ajuda, mas você é o grande Heitor... Consegue tudo o que quer. E conseguiu me afastar de você. Se o problema era eu, você nunca mais correrá o risco de me ver saindo da casa ao lado, ou me ver na padaria do tio Pedro, ou em qualquer outro lugar, porque nesse momento eu já devo estar a 7 palmos abaixo da terra... Não é bom?Naquela droga de formatura, você e seus amigos idiotas jogaram cola em mim, u-m g-r-a-n-d-e b-a-l-d-e d-e c-o-l-a, e em seguida penas, e ai as pessoas apontaram para mim, gritaram – Galinha – E então riram.

Não foi tão ruim vê-los rindo quanto ver você rindo. Sabe quando você pega uma folha de papel e joga no fogo? Foi o que vocês fizeram comigo... O que eu te fiz Heitor? Não me lembro de ter feito nada! Então porque me machucou tanto?

Eu estou indo... indo embora pra sempre, você vai ficar bem sem mim, você já estava bem sem mim, mas eu não era e não sou forte o suficiente pra ficar sem você então me desculpe... Porque essa foi a única solução que encontrei.

Eu amo você... Sempre amei.

 ASS: Bernado.”

Olhei o caixão do Bê e não contive as lágrimas, só agora eu percebo a merda que eu fiz, eu matei meu melhor amigo, o cara que sempre estava ali pra mim mesmo em seus piores dias.

-Desculpe Bernado...

Eu me virei e fui pra casa, chutando uma latinha de coca-cola me lembrando que era o refrigerante favorito dele.

Garotas, fama, dinheiro, popularidade, tudo disso se torna insignificante quando a pessoa pra fez tudo isso já se foi...

Só cinco... Só cinco pessoas apareceram no enterro dele. Eu, a irmã dele, o tio Pedro da padaria, uma garota estranha que nunca vi e um garoto que conhecemos na boate há uns meses.

Nem mãe, nem pai, só a gente, porque ele só tinha a gente.

Acabou pro Bernado... Acabei com ele...

Voltei pra casa abrindo a porta e me jogando no sofá, tudo ali me fazia lembra-lo, eu não era forte quanto ele pesava que era... Eu só parecia pra ele porque ele era o meu herói, a definição de força, o modelo de pessoa, o homem da minha vida.

E no fim não adiantou em nada.

-Oi filho o que aconteceu?

Minha mãe pergunta, ela não consegue ler o meu rosto porque só ele conseguia tal coisa. Ela tem os olhos cheios daquilo que chamam de esperança, mas eu só vim para tirar sua tranquilidade e matar esses olhos cheios. Esperança mãe é a primeira coisa que morre.

Desviei o olhar das plantas e comecei a chorar, como explicaria que aquele pequeno ser tão cheio de vida que roubava galinha do vizinho junto comigo cometeu suicídio¿

-Bernado...

-Ah o seu amigo? O que aconteceu?

Mãe não pergunte, ligue a tv, abra as portas e janelas, tudo, tudo é sobre ele, ele está impregnado nessa casa, nas minhas roupas, em mim!

-O Bê tá morto mãe...

E então ela colocou a mão na boca, com a surpresa na ponta da língua, ela se sentou ao meu lado me puxando para um abraço de dois segundos já que meu pai chegou logo em seguida chorando também. Ele sabia, ela sabia, eles não fazem a mínima ideia de quem é quem, de quem está vivo e de quem está morto. Confundem tudo meu amado, que acabam matando o filho dos outros.

Desde a morte do Bê, nada tem sido igual, vejo minha mãe chorando pelos cantos, meu pai fumando na varanda em total silêncio, as pessoas olhavam para a casa dele e deixavam coisas significativas que na verdade não significavam nada além de pena.

Por um momento... A cidade inteira morreu junto com ele ou fingiam morrer porque os convinha.

E quem foi o culpado disso tudo?

Eu...

 

Duas semanas depois eu encontrei aquela garota estranha do velório que nunca tínhamos visto, e que nunca deveríamos ver na vida, ela me entregou um bilhete e logo em seguida sumiu. Um bilhete amassado, com cheiro de avelã e mel era o seu cheiro amor.

Abro o papel e nele estava escrito.

 “Acorde”

Mas eu não estava dormindo...

 

Mais uma semana e eu estava tendo um colapso. Eu bebia, fumava, e ficava horas perto do túmulo do Bê.

A irmã dele apareceu, se sentou ao meu lado pensativa e abriu a boca quando lágrimas escaparam de seus olhos.

-Ele era tão incrível... porque Deus teve que leva-lo?

Mas Deus não fazia sentido nenhum ali ja que o culpado era eu.

-Eu preciso que acorde Bernado!

Ela gritou e olhou pra mim.

E porque gritou o nome do irmão morto¿ Eu não sou ele! Porque eu o matei.

Voltei pra casa bêbado, sem nenhuma vontade de ver ninguém.

-Mãe?

-Olá filho...

Andei até onde a voz vinha e entrei no quarto da minha irmã, ela havia morrido há 3 anos.

Perdi o ar quando vi meu pai pendurado em uma corda pelo pescoço.

-Mãe...

-O próximo não pode ser você Bê... Acorde agora.

-Mãe o Bernado tá morto pare de brincadeira.

-Acorde por favor...

Ela gritou me puxando pelo braço, me sacudiu de um lado para o outro, batendo no meu rosto.

-Você tem que acordar Bernado!

-Para mãe! Ele não vai voltar

Ela começou a chorar, lágrimas gordas de crocodilo derramavam como torneira aberta por seus olhos, porque ela chora tanto¿

-BERNADO! ACORDA PELO AMOR DE DEUS!

Sai de casa correndo temendo minha mãe, parecia entrar em colapso, parecia que estava louca.

A garota desconhecida abriu um guarda-chuva e me entregou outro bilhete agora mofado, sem cheiro bom, tinha cheiro e terra, de morte.

-Espera, o que está acontecendo.

Ela se virou e ah meu deus, era o Bernado.

-Acorda idiota.

-Eu não estou entendendo.

Um furacão começou perto da casa do Bernado e veio em minha direção.

Li o bilhete rapidamente e veio a constatação. “Eu sou Bernado.”

Não! Eu sou Heitor, não Bernado. O Bernado está ali, vestido de garota, me entregando bilhetes, deixando carta de morte, eu o abandonei. Eu sou Heitor o idiota da estória!

Fui sugado pelo furacão e minha visão nublou, me vi dentro de algo apertado não havia conforto, minha mente estava turva não tinha conexão com mais nada. E então tateei o lugar, era um caixão¿ Era a droga de um caixão. Listrinhas brancas no veludo, ele foi enterrado aqui!

 “o caixão do Bernado.”

-Pelo amor de Deus me tira daqui!

Fechei os olhos e quando os abri, estava em uma sala sentado, vestido de branco e uma câmera na porta.

-Tem alguém aí?

Ouvi uma voz.

-Olá Bernado, como se sente hoje?

-Parem de brincadeiras! O Bernado tá morto, eu sou Heitor, me tirem daqui.

-Você é o Bernado, o Heitor está morto.

-Parem com isso, não falem assim, o Bê tá morto por minha culpa... Parem de falar!

 

 

-Oi, com licença! Eu sou a mãe do Bernado, ele teve alguma melhora?

-Não senhora Carla, ele ainda acha que é o Heitor, acho que o seu filho não irá melhorar, o suicídio do amigo dele foi demais.

-Eu posso falar com ele?

-Claro.

 

Entrei na sala e me sentei de frente ao meu filho.

-Oi meu filho, como você tá?

-Você não foi no enterro do seu filho, como se atreve vir chamar o melhor amigo dele de filho?

Ele não melhorava, por mais que tentássemos, o meu filho estava perdido.

-Eu amava o Bernado Senhora Carla, amava mais que amigo, ele não poderia ter se suicidado.

-Desculpe eu tenho que ir.

Todas as minhas visitas sempre acabavam assim em lágrimas, não conseguia ver meu próprio filho naquele estado.

Desculpe meu filho.

 

 

Eles me tiraram da sala e me levaram para um quarto, me deitei e fui puxado pelo vórtice de luz.

 

-Hey, Heitor... Acorde por favor, tá na hora de ir pra escola.

Abri os olhos e me deparei com Bernado.

O abracei fortemente e de repente ele não estava mais lá.

Pisquei e estava num penhasco.

Olhei pra baixo e então vi Bernado,

-Você vem¿

Ele estava lá com seus braços estendidos para mim, ele estava morto mas sempre vivo em mim, então pulei sem pensar somente querendo abraça-lo e fazer toda a dor de seu coração ir embora.

 

 

A professora entrou na sala e pôs a fazer a chamada.

-Alice?

-Aqui!

-Beatris.

-Eu.

-Bernado?

Nenhuma resposta.

-Heitor?

Nenhuma resposta.

-Quem são esses dois?

-Ah são aqueles dois garotos que estudavam aqui no mês passado, fiquei sabendo que os dois foram internados em uma clinica para doentes mentais eles achavam que um era o outro.

 

 

Mas só eu e você sabíamos Bernado, quem era quem.


Notas Finais


Obrigado por ler, se possível deixe um comentário, críticas construtivas sempre são bem vindas, grata s2


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...