História Eu Nunca Fui Absoluto - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Kuroko no Basuke
Personagens Akashi Seijuro, Aomine Daiki, Kagami Taiga, Kise Ryouta, Kuroko Tetsuya, Midorima Shintarou, Murasakibara Atsushi
Tags Kuroko No Basuke
Exibições 55
Palavras 1.797
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Esporte, Romance e Novela, Sobrenatural, Terror e Horror, Violência
Avisos: Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Capítulo 2 :)

Capítulo 2 - Você Não Vai Estar Aqui Por Muito Tempo


     Vinte e quatro de Dezembro, dia do meu décimo aniversário. E lá estava eu, preso em mais uma aula chata de violino, com uma professora que, além de chata, era muito exigente.

    — Está errado — disse quando errei uma mísera nota. Como de costume, ela pegou a partitura e escreveu mais uma nota com a caneta vermelha, dizendo o que eu tinha errado outra vez. — Toque de novo, do início.

     Revirei os olhos. Lembro-me apenas de seu olhar pesado sobre mim, esperando que eu errasse novamente para poder reclamar para meu pai, que jogaria todos os erros que cometi na vida em minha cara. Fiquei brabo. Tão brabo que, na próxima tentativa, toquei a melodia inteira sem errar nenhuma nota. Quando terminei e olhei para a professora, ela estava me encarando de modo assustador, como se quisesse ver meu sangue.

    — Seijuro — meu pai abriu a porta. — O que está fazendo?

Estranhei a pergunta. Não era óbvio?

    — É você quem paga as aulas e não sabe sobre elas? — indaguei. A professora gaguejou e arrumou seus óculos.

    — Se meu filho cometesse tamanho desaforo — começou a falar. —, eu imediatamente o colocaria de castigo ou daria uma lição bem dada.

    — Tsc — meu pai riu de modo malicioso. Ele já me punia o suficiente, até pelas coisas que eu não fazia. Meus desaforos chegavam a ser engraçados diante dos olhos dele. — Meu Seijuro não precisa de punição alguma.

    A professora me lançou um olhar de ódio novamente. Eu a encarei, e depois encarei meu pai. Odiava quando ele me tratava de modo carinhoso na frente das pessoas, e depois me rebaixava quando elas não estavam por perto.

    — Bem — ela olhou o relógio em seu pulso. — Deu a hora. Até semana que vem.

     Ela passou reto por mim e cumprimentou meu pai. Disse algo para ele que não pude ouvir, e depois, deixou meu quarto, que mais parecia uma sala de aulas, com a cama isolada em um canto perto da janela, cheio de instrumentos e cadernos por todo lado. Eu devia ser perfeito em tudo, mas, infelizmente, a perfeição é algo que nenhum ser humano consegue alcançar, e isso fazia meu pai ter ódio de mim.

    — Dez anos te aguentando, hein — disse ele num tom sarcástico depois que a professora foi embora. De repente, o Akashi firme e arrogante que eu mostrava às pessoas desapareceu. Senti medo quando ele se aproximou de mim com um ar estranho e pousou as mãos em meus ombros, e tudo que eu podia fazer era engolir em seco. Ele me encarou com aquele sorriso estranho e depois revirou os olhos. — Francamente... O que eu fiz pra merecer?

    — Akashin — minha mãe apareceu na porta antes que eu pudesse fazer qualquer coisa. Senti-me aliviado, já que na presença dela, meu pai não podia fazer nada. Bem, era o que eu achava. Larguei o violino e desviei de meu pai, indo na direção dela.

    — Mãe — ela me abraçou. Mesmo de costas, podia sentir o olhar pesado de meu pai atrás de mim.

    — Querido, eu fiz uma coisa para voc...

    — Você não fez nada para ele — o velho me puxou pelo braço e me jogou na cadeira perto da parede. — Não até você me convencer de que está perfeito.

    Rangi os dentes, frustrado. Nem precisava perguntar; sabia que ele estava exigindo que eu tocasse aquela melodia irritante. E eu teria de repeti-la até ficar perfeita, caso contrário, “papai” nunca me deixaria sair do quarto.

    Ergui o violino, tremendo. Vi minha mãe me olhando da porta, e encontrei um pouco de coragem no olhar dela. Meu pai já estava preparando minha punição pro caso de eu errar, o que fazia meus dedos tremerem.

    Engoli em seco, como sempre, e comecei.

    Quando terminei, não eram apenas meus dedos que tremiam, mas meu corpo inteiro. Ergui os olhos. O olhar dele era pesado. Depois de longos momentos em silêncio, apenas me encarando, ele abriu um sorriso maldoso e começou a acariciar minha cabeça, como se eu fosse alguém importante na vida dele.

    — Muito bem — disse. — Lembre-se: você é o Seijuro perfeito, o Seijuro que nunca perde em nada e o Seijuro que sempre está à frente de todos. E enquanto for assim, ainda terei motivos para tolerá-lo sem perder a paciência.

   E com essas palavras, ele se afastou, ignorou completamente minha mãe e saiu do quarto. Joguei o violino com tanta força no chão que ele se rachou um pouco.

    — Akashin — ela se aproximou de mim rapidamente, as sobrancelhas arqueadas e um sorriso visivelmente forçado. Eu estava praguejando. — Não fique assim, hoje é seu aniversário...

Eu não a respondi, estava chateado demais para dizer qualquer coisa.

    — Bem... De qualquer forma, eu tenho algo para você, querido. Duas coisas, na verdade.

    Mesmo não estando contente, eu sorri, para não deixá-la triste. Deixei que ela pegasse minha mão e me conduzisse para fora do quarto, na direção do jardim. Era a primeira vez que eu via a luz do sol em três dias.

    Mamãe me sentou no banco.

   — Feche os olhos, Akashin.

    O sorriso dela me deu segurança. Fechei os olhos, esperando. Senti que ela pegou minha mão e colocou algo que parecia papel.

   — Pode abrir.

    Quando abri os olhos, demorei um pouco para entender o que era aquilo. Dizia algo como “transferência autorizada”...

    — Eer... O que é? — perguntei. Ela sorriu gentilmente.

    — Lembra que você tinha me pedido para mudar de escola? — ela disse. Assenti. — Então, isso significa que, a partir de fevereiro do ano que vem, você é um estudante da Teiko!

Não podia ver, mas sabia que meus olhos brilharam.

    — Mãe! — a abracei forte. — Muito obrigado!...

    — E quanto ao outro presente... — ela se levantou e pegou uma caixa que até o momento estava oculta nos arbustos. Ela deixou a caixa perto de mim.

    — Hmm... — tirei a tampa. Vi uma bola de basquete intocada lá dentro, e quase comecei a chorar de verdade. Era o primeiro presente que eu já ganhei na vida. Bem, na verdade não era o primeiro presente, mas sim o primeiro dado de coração, porque os anteriores sempre vieram acompanhados de uma obrigação, como o violino, por exemplo. Estava tão sem palavras que apenas abracei minha mãe e deixei as lágrimas rolarem por meu rosto sem dizer mais nada.

*

    — Eu estou tão feliz — eu não parava de dizer enquanto Laura, a nossa empregada, colocava o jantar na mesa. Embora meu pai estivesse lá, eu estava feliz demais para ficar chateado ou com medo dele. Minha mãe sorria.

    — Já sabe para qual clube vai querer entrar, querido? — perguntou ela enquanto me observava.

    — Claro, mamãe — respondi de imediato. — O de basquete.

    — Tsc. — “papai” me olhou com desdém. Apenas o ignorei.

    — Boa escolha, Akashin — ela sorriu novamente. — Lembre-se que eu sempre vou estar aqui para você.

     — Errado — o velho finalmente interrompeu a conversa. Claro, ele nunca podia nos ver sorrindo, pois isso o irritava. Sempre tinha que se intrometer. — Seijuro não precisa de ninguém, apenas de si mesmo.

     — N-não, amor — minha mãe disse, engolindo em seco. — Todos precisam de carinho...

     — O Seijuro que é perfeito em tudo não precisa de mais nada — ele deu um gole em sua bebida nojenta. — Só precisa de potencial para estar sempre acima da perfeição. — Ele percebeu que eu o encarava e sorriu com desdém, seu cabelo estranho tão arrumado que me dava náuseas. — Ou você acha que eu vou deixar minha fortuna para um pirralho qualquer?

    — Eu não quero sua fortuna — eu disse, enojado. — Só queria que você tentasse agir como um ser humano às vezes.

Ele ficou estressado. Bateu seu copo na mesa com tanta força que senti um arrepio percorrer a espinha.

    — Querido... — minha mãe disse.

    — Então, você não quer ser herdeiro da minha grandeza? Ótimo. Eu posso abandoná-lo a qualquer momento, e vai ser fácil achar alguém muito melhor do que você. — ele fez cara de nojo ao me olhar. — Eu sabia... Sabia desde o momento em que te vi.

Eu já estava tremendo, mas resolvi perguntar.

    — Sabia o que?

    — Sabia que você seria apenas um patife mimado igual a essa aí — ele apontou para minha mãe. — Eu devia ter adotado um filho mesmo.

    Não sabia se ficava triste ou estressado. Mas a raiva falou mais alto àquele momento.  Levantei-me, fervendo de ódio, e caminhei até ele, que ficou me encarando com um olhar superior.

           

     — Você pode fazer o que quiser comigo... — eu disse. — Mas não ouse falar da minha mãe!

Virei o copo de cerveja dele em sua cabeça.

    Eu sabia o que viria a seguir, sabia que ele me puniria de alguma forma. Mas me senti aliviado por fazer aquilo, foi como me livrar de um ódio que eu já vinha acumulando desde os cinco anos de idade, quando ele culpou minha mãe por um erro meu, o que me fez ter remorso por muito tempo.

    Laura saiu correndo da sala, pois sabia que, se permanecesse lá, sobraria pra ela também. Minha mãe arregalou os olhos e ficou observando, mas eu sabia que ela queria rir.

    — Pirralho... — sua voz nojenta tinha um tom assustador. Ele pegou o copo e o jogou em mim, e depois, me empurrou com tanta força que caí sentado no chão. Fiquei surpreso. Não era a primeira vez que me punia, mas nunca tinha sido violento antes.

    — Não se atreva! — mamãe jogou a cadeira longe e correu na minha direção. Ela parecia realmente braba quando se pôs entre mim e meu pai. Ele tentou levantar a mão para mim outra vez, mas ela não deixou. — Enquanto eu estiver aqui, não vou permitir que você toque nele!

    — Era só o que me faltava... — ele começou a ficar vermelho de raiva. — Vai protegê-lo agora?

    — Eu sempre protegi — ela segurou minha mão. — Ele é meu filho, Ren!

    — E é meu filho também! Você não consegue entender isso?!

    — É seu filho apenas de sangue, seu... — ela respirou fundo. — Você não o trata como um filho, mas sim como um... um... Objeto!

Engoli em seco. Estava tremendo de raiva, medo e frustração.

    — O modo como eu o trato é apenas uma medida extrema! — Ele chutou a mesa. — Ou você acha que vou oferecer meu “trono” a um qualquer? No mínimo, ele tem que ser perfeito!

Minha mãe rangeu os dentes de raiva.

    — Eu não me importo com a droga do seu trono! — ela berrou. — Enquanto eu estiver aqui, você não vai tocar nem um dedo em Seijuro Akashi!

Eles se encararam por algum tempo. Eu ainda estava caído no chão, paralisado. Meu pai estreitou os olhos e endireitou a postura. Depois, se retirou da mesa após encarar minha mãe de modo assustador e começou a subir as escadas sem dizer nada.

    Mas, quando estava prestes a entrar no quarto, se virou para nós e disse:

    — Você não vai estar aqui por muito tempo.

    E se trancou lá dentro, sem dizer mais nada.

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


Desculpem se, eventualmente, os cap. ficarem muito grandes ^.^


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...