História Eu Nunca Fui Absoluto - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias Kuroko no Basuke
Personagens Akashi Seijuro, Aomine Daiki, Kagami Taiga, Kise Ryouta, Kuroko Tetsuya, Midorima Shintarou, Murasakibara Atsushi
Tags Kuroko No Basuke
Exibições 50
Palavras 1.740
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Esporte, Romance e Novela, Sobrenatural, Terror e Horror, Violência
Avisos: Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Cap. 3 :)

Capítulo 3 - Um vulto no jardim


Fanfic / Fanfiction Eu Nunca Fui Absoluto - Capítulo 3 - Um vulto no jardim

 

 A partir daquele dia, as coisas começaram a mudar bastante em minha vida.

     Lembro-me de ficar sentado exatamente no lugar em que estava caído por horas, apenas ouvindo os sons da briga entre meus pais lá no andar de cima, sem poder fazer nada para impedi-los. Laura e as outras empregadas me encaravam e sussurravam coisas que eu não podia ouvir, o que me deixava um pouco brabo. Mas eu não podia culpá-las por isso; apenas entendia que elas se assustavam com as atitudes de meu pai e também tinham medo dele. Embora me sentisse muito sozinho às vezes, agradecia todos os dias por tê-las em casa, junto com minha mãe. Se não fosse pela minha mãe... Eu já estaria bem longe desse lugar amaldiçoado.

     Naquele dia, depois de longas horas de discussão, a porta do quarto de meu pai se abriu violentamente. Isso lá pelas três da manhã. E minha mãe desceu as escadas com pressa, chorando, e veio em minha direção. Nunca me esqueci do que ela disse, suas palavras invadem meus pensamentos até hoje.

Akashin, se algo acontecer comigo, fuja de casa, imediatamente!”

     E depois daquela noite, os dias se passaram, frios e silenciosos. Meu pai não conversava mais conosco. Minha mãe já não era a mesma pessoa alegre de sempre, mas ela continuava me dando atenção e instruções. As professoras de piano, violino, e etc. não tinham mais interesse em nossa vida, apenas davam as aulas e saíam sem dizer nada. E quando meu pai resolvia falar comigo, era sempre para repetir a mesma coisa irritante: “Você é o Seijuro que vence em tudo, o Seijuro perfeito, o Seijuro que não precisa de ninguém para agir, e enquanto continuar assim, não terei motivos para desistir do meu Seijuro.” Mas eu nunca o respondia, só ficava cabisbaixo, esperando que ele fosse embora.

    Naqueles dias, que duraram, aproximadamente, dois meses, minha única diversão era fugir para o jardim e ficar jogando basquete sozinho, na quadra improvisada lá de casa. Eu só podia sair daquele lugar para ir à escola ou às reuniões chatas de família do meu pai. E era praticamente impossível fugir, já que haviam guardas e empregados por todo lugar e minha mãe permanecia firme, sem sequer pensar em sair de lá. Eu nunca entendi o porquê.

    E também, nunca vou entender. Porque, mais ou menos um ano depois, numa tarde fria de janeiro, minha mãe faleceu repentinamente. Mais ou menos uma hora antes disso, ela veio até mim no jardim e disse:

Akashin, me desculpe... Eu não posso aguentar mais. Por favor, não desista, e se lembre do que eu disse: não hesite em fugir. Quando tudo parecer perdido, vá até meu quarto, na segunda gaveta da cômoda... eu deixei algo para você lá... E por favor, nunca se esqueça da nossa promessa!”

    E me deu uma chave dourada, como se fosse um amuleto. No momento, eu não entendi o que ela quis dizer. Mas depois, quando a encontraram sem vida e com os pulsos cortados na cadeira de balanço da varanda, todas aquelas palavras fizeram sentido para mim.

    Mas o pior não foi sua morte, mas sim, o sorriso demoníaco no rosto de meu pai durante a cerimônia de enterro. Mesmo na morte dela, ele insistia em nos manter presos. Fez o enterro no jardim, chamou dezenas de pessoas que eu nunca vira em minha vida e, como se não bastasse, a enterrou embaixo da minha quadra de basquete.

    Três noites depois daquilo, me chamou, durante um jantar, e disse que minha matrícula na Teiko já estava feita, e em fevereiro eu deveria ir para a escola. Mesmo quando eu tinha um motivo para não ser o “Seijuro perfeito”, meu pai continuava insistindo na ideia. E eu estava começando a aceitar aquele título ridículo. Depois que minha mãe morreu, muitas coisas mudaram: meu estilo de vida, meu pai, meus afazeres, minha própria personalidade.

     E, finalmente, três dias antes de eu ir à escola, ele demitiu todas as empregadas, menos o jardineiro, o médico e Laura. Claro que os três não conseguiriam cuidar daquela mansão enorme sozinhos, então fui até meu pai e questionei sua decisão.

     — É dinheiro mal gasto. Pagar o salário de toda aquela gentinha é uma perda tola. Nós não precisamos de mais de quatro empregados. Laura é competente, consegue realizar a limpeza sozinha. O jardineiro, qual o nome dele mesmo? Ah, não importa, mas ele também consegue. E o médico, é mais que suficiente para cuidar de mim — foi o que ele me respondeu. Cerrei os punhos, aquilo me irritou profundamente.

     — E quem é a quarta empregada? — perguntei, tentando manter a calma. Ele sorriu e pôs as mãos em meus ombros.

     — Seijuro Akashi.

Devo ter ficado da cor de meus cabelos, de tanto ódio que sentia.

     — Oras, calma! — disse ele. Depois riu alto. — Foi só uma brincadeira. Mas é claro que, a partir de agora, você vai fazer apenas o que eu disser, e nada mais, certo? — ele bagunçou meu cabelo e abriu um sorriso irônico. — Meu Seijuro perfeito. A partir de amanhã, você tem total liberdade.

Demorei um pouco para absorver a informação.

     — C-como assim?

     — Você pode fazer o que quiser, incluindo sair de casa...

     — Sério?!

     —... mas tem uma condição.

Revirei os olhos. Sempre tinha uma condição.

     — Se Seijuro não for perfeito, Seijuro não é livre. Entendeu? — ele zombou. Apenas o encarei. — Isso significa que, você só terá essa liberdade se for o melhor da turma, ganhar em tudo o que for fazer, e estar sempre acima da perfeição. Isso é o mínimo que posso exigir de você.

     — Tudo bem. — resolvi não criar caso. Ele sorriu, satisfeito.

     — Ótimo. Você pode começar por ali, olha. — Ele apontou para a mesa de centro da sala.

     — Como assim? — perguntei.

     — Tá cheio de pó, não tá vendo?

     Praguejei, mas não o questionei nem desafiei. Finalmente poderia começar a viver, e era questão de tempo até eu fugir de lá sem deixar rastro nenhum.

*

     — Bem vindo — disse o instrutor quando entrei no clube de basquete. Três dias depois de tudo aquilo, lá estava eu, estudando como se fosse alguém completamente normal. Agora estavam nos testando para montar o terceiro, segundo e primeiro time de Teiko. Resolvi participar do treino, já que estavam nos testando.

    Adentrei a quadra e entrei no jogo. Todos pareciam jogar muito a sério. Fiquei animado. Mas, quando comecei a jogar, percebi que era muito fácil. Passava pelos adversários sem dificuldade nenhuma, até fiz alguns tropeçarem e caírem sozinhos. Era muito diferente do que eu imaginei que seria, já que sempre joguei sozinho ou com minha mãe. Mas não tive dificuldade nenhuma. Pela primeira vez, me senti superior em algo.

    — Muito bem — o treinador interrompeu os jogos pouco tempo depois de nos avaliar. — Agora vou anunciar os integrantes dos times.

    Todos tinham uma expressão séria no rosto, exceto um garoto que tinha olhos e cabelos azuis num tom escuro e pele morena, e outro de cabelos roxos muito mais alto que eu, que parecia estar com sono.

     Depois de anunciar os dois times, ele parou de falar por um momento. Vi muitos garotos indo embora, frustrados, e achei que também tinha sido reprovado. Mas como? Foi tão fácil! Porém, o treinador surpreendeu a todos e começou a anunciar o primeiro time, coisa que nunca tinha acontecido no histórico da Teiko até aquele dia.

     — Aomine Daiki, Murasakibara Atsushi, Midorima Shintarou e Akashi Seijuro.

     Todos nos olharam como se fôssemos anormais. Não pude deixar de abrir um sorriso; era a primeira vez que me sentia, de fato, superior.

     — Ei — disse o mesmo garoto de cabelo roxo daquela hora. — Ele é baixinho demais, não acham?

     — Isso não define talento, idiota. — disse outro de óculos e cabelos verdes. Eu sorri. Pela primeira vez, me sentia uma pessoa de verdade. — Seijuro Akashi. Você tem um nome bem famoso por aqui.

     — Ah, ele é o riquinho — disse o garoto de pele morena. — E então, quantos presentes ganhou de natal, Sei-chan?

Ele sorriu e jogou um braço por cima de meus ombros como se fôssemos muito amigos. Fiquei um pouco irritado, mas não fiz nada a respeito.

     — Não sabia que meu nome era famoso — admiti. Eles riram com desdém. — Mas agradeço pelas “boas” recepções.

     — Sim, agora seremos companheiros de time, não é mesmo? — disse Aomine. Percebi que todos estavam nomeados, com um crachá no peito. Esqueci de pegar o meu, mas pelo jeito, não precisava.

     — Ei! Menos conversa e mais trabalho! — gritou o treinador para nós. Fiquei animado pela primeira vez em dias, e comecei a jogar com eles. A facilidade que senti antes sumira: todos eram excepcionais, o que me deixava ainda mais interessado.

*

     Àquele dia, quando as aulas acabaram, resolvi não ser rebelde e fui direto para casa, caminhando lentamente. Não tinha pressa nenhuma para chegar, só queria que a noite passasse logo para que eu pudesse voltar a jogar com eles no dia seguinte. O céu já estava começando a escurecer, e eu atrasava os passos propositalmente. Durante o caminho, parei diversas vezes para ver vitrines, ler placas. Até fui a uma livraria e comprei um livro. Mas, infelizmente, era inevitável: aos poucos, comecei a ver a mansão de meu pai lá no horizonte, a uns trinta passos de mim.

    Bem, não tinha como mudar de caminho. E também, já estava bem tarde, considerando que nunca saí de casa sozinho pra nada. Logo, alcancei os portões e comecei a rodeá-los, observando o jardim e a frente de casa. Não lembrar de minha mãe ao ver aquilo era impossível, mas essa fase eu já tinha superado. A única coisa que me perturbava eram suas últimas palavras dirigidas a mim. Eu não podia fugir, por enquanto, e não me lembrava de nossa promessa. E tinha perdido a chave do quarto dela, então ainda não tinha aberto a segunda gaveta para descobrir o que ela deixara para mim.

    Abri os portões com calma e entrei sem fazer ruídos. Passeei por entre as árvores sem pressa, sentindo o aroma das rosas brancas do jardim e observando tudo. Foi quando vi um movimento estranho lá longe, entre os arbustos, que se movia lentamente e sem fazer muitos ruídos. Estranhei um pouco, mas me escondi e observei. Devia ser o jardineiro.

    — Senhor Akashi — alguém me puxou pelo ombro. Me virei para olhá-lo e engoli em seco. Era o jardineiro. — O senhor deixou sua mochila ali...

    E o movimento estranho continuava, lá perto da quadra. Mas só eu estava vendo.

   

 

 

 

 

 

 

 

   

 

 

 

 

                        



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