História Eu Nunca Fui Absoluto - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias Kuroko no Basuke
Personagens Akashi Seijuro, Aomine Daiki, Kagami Taiga, Kise Ryouta, Kuroko Tetsuya, Midorima Shintarou, Murasakibara Atsushi
Tags Kuroko No Basuke
Exibições 40
Palavras 1.340
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Esporte, Romance e Novela, Sobrenatural, Terror e Horror, Violência
Avisos: Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 5 - Então vai ser por mal


Fanfic / Fanfiction Eu Nunca Fui Absoluto - Capítulo 5 - Então vai ser por mal

— Akashi Seijuro! Qual é o significado disso?!

Engoli em seco. Olhei para Akemi, desesperado, já imaginando que tipo de punição ele me daria. Mas ela permanecia tranquila, abraçando o pote de comida.

     — P-pai — gaguejei. — Não é o que você está pensando...

     — E você por acaso sabe o que eu estou pensando?! — ele me empurrou com força para o lado e se aproximou de Akemi. — Quem é você?!

     — Aiko Akemi, é o meu nome.

Estranhei. Ela disse que não se lembrava do sobrenome, não disse?

     — Não perguntei seu nome, perguntei quem é você!

Akemi sorriu de modo gentil, o que deixou meu pai um pouco sem graça. Ele segurava meu ombro com tanta força que estava começando a doer.

     — Seu filho é um bom garoto, você devia reconhecer isso enquanto ainda há tempo.

     — O que quer dizer com isso, pirralha?!

     — P-pai, calma — me pus na frente dele. — Eu estava voltando da escola, e a vi aqui no jardim... — engoli em seco quando percebi o peso no olhar dele. — ela pediu comida.

     — E como ela entrou aqui? — ele estava quase a ponto de berrar.

     — Por uma fresta no portão — Akemi falou. — Estavam me perseguindo, não tive escolha. Sinto muito.

Ele tentou protestar, olhou para mim, revirou os olhos. Mas não fez nada. Apenas respirou fundo para se acalmar e encarou Akemi por um longo período de tempo. Ela permaneceu quieta, sem dizer nada, apenas olhando-o e sem largar o pote. A admirei pela coragem de permanecer tão calma diante da presença dele.

     — Você já pode ir embora agora — disse meu pai com ar superior. Mas Akemi me olhou e seus olhos brilharam de um jeito estranho.

     — Pai... — eu entendi o que ela quis dizer com aquele olhar. — Ela não tem para onde ir.

Ele ficou surpreso quando eu disse isso.

     — O problema não é seu, Seijuro. Todos têm a vida que merecem...

     — Minha mãe não merecia a vida que tinha — rebati, tirando coragem de sei lá onde. Depois apontei para Akemi. — E ninguém merece viver assim.

     — Seijuro... Você me estressou um pouco hoje, sabia? Depois nós vamos conversar...

     — Senhor Ren — disse Akemi. Até meu pai ficou espantado. — Não o culpe, ele apenas me ajudou. — Ela olhou para mim e sorriu. — Akashin tem um bom coração...

     — E como você sabe meu nome, criança? — meu pai me empurrou para o lado outra vez. — Akashin... Sua mãe te chamava assim, antes de se suicidar.

Rangi os dentes. Eu ainda não sabia o motivo de ela ter acabado com a própria vida. Claro que eu conhecia todo o sofrimento pelo qual meu pai a fazia passar, mas algo me dizia que aquela não era a única razão para ela cortar os pulsos.

     — Senhor... Por favor, eu não tenho para onde ir...

     — Você não tem família, pirralha?

     — Pai... — eu estava ficando estressado com ele.

     — Eu tinha. Não tenho mais. Eles morreram, foram assassinados. Tive que fugir de casa para não ser outra vítima... Mas ninguém quis me acolher, então fiquei na rua.

     — E como veio parar aqui? — ele ainda não estava convencido. Pela primeira vez, Akemi o olhou e desviou o olhar, engolindo em seco. Talvez ela estivesse com medo, mas disfarçava muito bem.

     — Eu já falei... estava sendo perseguida, e aqui foi o primeiro lugar em que consegui entrar e me esconder. E também... não tinha mais forças pra continuar correndo, então fiquei aqui mesmo.

Meu pai revirou os olhos e bufou.

     — O que acha disso, Seijuro?

Era a primeira vez que ele pedia minha opinião para alguma coisa. Fiquei surpreso.

     — Ah... — Akemi me olhava de forma serena, o que deixava meio envergonhado. — Dê uma chance a ela, pai. Afinal, nós nunca vivemos nas ruas pra saber como é...

     — Você acha que se recupera em um dia, garota?

Akemi sorriu.

     — Não... E mesmo que me recuperasse, voltaria para rua e ficaria mal outra vez.

     — Então não posso ajudar, sinto muito.

     — Pai — me pus em sua frente pela terceira vez, mais sério agora. — Por favor.

Ele pôs as mãos em meus ombros.

     — Seijuro, deixe-me dizer três coisas a você — ele sorriu de um modo estranho. — Em primeiro lugar, a vida é um lugar cheio de tragédias e alegrias. Akemi não é a única que sofre, você sabe bem disso. — Engoli em seco. — Em segundo lugar, eu estou muito brabo com você — ele apertou meu ombro com força. —, então não vou te ouvir. E em terceiro lugar, não temos espaço na casa para abrigar mais uma pessoa.

Fiquei revoltado. Como assim não tínhamos lugar na casa? A mansão tinha treze quartos, sendo que só cinco estavam ocupados!

     Quando estava prestes a gritar com ele, Akemi se levantou e se pôs em minha frente.

     — Posso oferecer serviços de graça, se você me deixar ficar — ela disse, bem calma. Tanto eu quanto meu pai ficamos surpresos. Ele odiava pagar salários, então a oportunidade era perfeita. O velho abriu um sorriso horrível e pôs a mão no ombro dela.

     — Contratada.

Eu joguei a mão dele longe, estressado. Tanto ele quanto Akemi me olharam surpresos.

     — Ora, ora — ele disse. — Se você se importa tanto, então pode ficar responsável por ela. — Ele pegou as chaves de casa e me deu uma com o número 8. — Dê esse quarto a ela, Seijuro, e depois, passe no meu. — sua expressão ficou séria de repente. — Precisamos conversar.

Ele olhou Akemi pela última vez e se afastou de nós. Laura, o jardineiro e o médico estavam olhando de longe, mas voltaram com pressa a seus postos quando meu pai começou a ir a sua direção. Akemi esperou ele se afastar e me puxou pelo braço.

    — Obrigada, Akashi-kun.

Eu sorri. Estava feliz; não me sentiria mais sozinho, e eu estava curioso a respeito dela.

    — Vamos entrar... — eu disse, e comecei a conduzi-la na direção da entrada principal.

**

     Conduzi Akemi pela mansão, mostrei a ela todo o lugar e depois seu quarto. Por fim, pedi a Laura que cuidasse dela, e me preparei psicologicamente para ir ver meu pai. Estava parado na porta agora, ouvindo-o tocar seu piano de cauda marrom. A única coisa que eu gostava em meu pai era seu incrível domínio sobre aquele instrumento tão complexo, que, para mim, era minha tarefa mais difícil. Respirei fundo e girei o trinco.

    — Pai... — chamei-o. Ele, ainda tocando, me olhou por cima do ombro.

    — Ah, Seijuro. Feche a porta e se aproxime.  

Hesitei por alguns momentos, mas fechei a porta e caminhei até ele.

    — Sim?

    — Akashi... Seijuro — ele parou de tocar e me olhou. — Quando sua mãe engravidou de você, eu tinha esperanças de que ia nascer um garoto saudável, forte, bonito, inteligente, e tudo que um pai pode esperar. Mas me enganei.

Respirei fundo.

    — Você é extremamente parecido com ela... — ele disse isso como se estivesse enojado. Depois olhou para mim de um jeito estranho. — Isso ficou bem óbvio hoje. Mas o problema, Seijuro, é que eu nunca a amei. Era apenas obrigação.

Fiquei sem palavras, comecei a tremer aos poucos. Não me importava com a ofensa, mas ouvi-lo falar da minha mãe daquele jeito me deixava profundamente irritado.

    — E você está começando a passar dos limites.

    — O que eu fiz? — perguntei, frustrado.

    — Tsc. Você mentiu pra mim, ficou até tarde na rua e, como se não bastasse, acolheu alguém que nunca tinha visto na vida. Eu estou mais que desapontado, Seijuro. Estou estressado.

Ele se levantou e ficou parado à minha frente.

    — Akashi — disse. Estranhei. Era a primeira vez que ele não me chamava de Seijuro. Mas ele só disse isso e permaneceu me encarando por minutos a fio.

    Mas, quando eu menos esperava, ele ergueu a mão contra mim e me deu um tapa tão forte que me desequilibrei e tive de virar o rosto.

    Quando o olhei novamente, estava sorrindo de forma diabólica, a palma da mão vermelha de tanta força que fez.

    — Eu tentei ser legal, tentei ser um bom pai... — disse enquanto eu tentava absorver todas aquelas informações, paralisado. — Mas, se você não quer ser o meu Seijuro por bem... — Ele estralou os ossos dos dedos. — Então vai ser por mal.

 

 

 

 

 

 

 

 



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