História Eu odeio meu ídolo - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Bts, Comedia, Jikook, Kookmin, Sope, Yoonseok
Visualizações 415
Palavras 5.180
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Romance e Novela, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Nem demorei aaaa
Boa leitura e leiam as notas finais sz

Capítulo 2 - O grande dia.


Fanfic / Fanfiction Eu odeio meu ídolo - Capítulo 2 - O grande dia.

O lado bom de ter um emprego é que eu ganho meu próprio dinheiro e posso me orgulhar em dizer que tenho um emprego, o lado ruim é que o dinheiro é pouco e esse tal emprego gasta todo o meu precioso tempo. Tempo esse que eu poderia estar gastando com animes e séries, diga-se de passagem.

— Você está ansioso? — Jimin perguntou pela milésima vez naquela tarde se referindo ao show do BBS.

Quase me fez derrubar o celular pelo cutucão que ele me deu na costela para que eu prestasse atenção, já está com a tela quebrada e esse miserável ainda quer quebrar mais. Tudo bem que eu não estava fazendo esforço para prestar atenção na nossa conversa, minha mente era dominada por anseios como: dormir, comer, BBS, assistir séries e dormir mais.

Sei que posso parecer um péssimo amigo, mas você também só pensaria na sua cama depois de um longo dia sendo escravo do dono da lojinha de conveniência do bairro.

— Ansiedade? Eu desconheço essa palavra.

Mentira.

Eu estava ansioso, sim. Ansioso demais. Ansioso pra caralho. Mas eu não diria isso em voz alta porque só pioraria a ansiedade e, naquele momento, eu estava dando um de "eu sou foda, não me abalo". A verdade era que aquele havia sido o meu último dia no emprego, e eu estava agradecendo mentalmente por finalmente estar me livrando de acordar cedo todos os dias, a sensação era semelhante a que eu senti quando peguei meu diploma na formatura do ensino médio.

Não me levem a mal, ganhar dinheiro é bom, mas seria tão mais fácil se ele nascesse em árvore. Tipo assim, eu iria plantar várias árvores e ser bem rico, e a primeira coisa que eu faria seria comprar um Fidget Spinner porque parece que todo mundo tem essa porra, menos eu. Para quê serve aquilo mesmo?

Espera, me perdi aqui, vamos tentar de novo. Onde eu parei mesmo? Ah, sobre meu ex — graças a Deus — emprego. Bem, foi bom — mentira — enquanto durou, mas pegar o envelope com meu primeiro — e último — salário e dizer que eu não iria mais voltar foi ainda melhor.

Eu estava voltando para casa depois do último dia de trabalho na lojinha de conveniência do senhor Hwang, ela só ficava há algumas quadras da minha casa então eu sempre ia e voltava andando para economizar o dinheiro do ônibus. Jimin sempre voltava comigo nas segundas e quartas porque ele tem aulas extras na escola. Hoje é quarta-feira, ou seja, há um Park-tagarela-Jimin caminhando ao meu lado e falando sem parar sobre o show do BBS. Sério, a cada 1 minuto ele perguntava se eu estava ansioso para o sábado chegar logo, e é claro que eu estava, caralho, é o show do BBS!!!

— Você acha que eu devo ir com meu moletom do BBS que tem o nome do Jungkook? Assim ele vai saber que é meu bias na hora do fansign, quem sabe até não se lembra de mim depois...

— Você é trouxa demais — eu sou sincero mesmo. — A vida não é uma fanfic, Jimin. Seu bias vai olhar para a tua cara, sorrir e acenar que nem aqueles pinguins de Madagascar e depois vai fazer o mesmo com a próxima pessoa da fila.

— Me deixa sonhar em paz.

Jimin bufou e chutou uma pedrinha da calçada, quase caindo no processo

Nós passamos o restante do caminho falando sobre o que vestir no show, o que de fato não faria diferença, mas Jimin insistia em perguntar se deveria vestir algo que agradasse o precioso ultimate bias dele.

A casa de Jimin ficava antes da minha, então eu ainda tive algum tempo para falar sozinho enquanto caminhava depois de me despedir dele e combinar o horário que nos encontraríamos na manhã seguinte, que era a viagem para Seul. Eu comecei a fazer a lista mental do que perguntar ao Hoseok na hora do fansign, mas nada bom o suficiente me vinha a cabeça. Só então me dei conta que seriam os segundos mais preciosos da minha vida e eu provavelmente iria travar que nem um retardado, que ótimo.

— Queria estar morto.

É claro que eu disse essas palavras bem sussurradas enquanto entrava em casa, porque na última vez que a minha mãe me ouviu falando isso já veio perguntando se eu estava jogando o tal jogo da baleia azul. Eu não tenho disposição nem pra levantar da cama, imagina jogar um jogo desses. Como explicar que sou apenas um adolescente que está constantemente na bad?

Arrastei-me pelo corredor até chegar ao quarto e já fui pegando as roupas limpas para tomar um bom banho barra fazer minha turnê para meu público imaginário. Durante a minha performance no banheiro eu só conseguia pensar em show do BBS, show do BBS, Jung Hoseok, show do BBS...

O pai do Jimin iria nos buscar na manhã seguinte e o show do BBS seria só dali dois dias, mas minha cabeça trabalhava a mil enquanto eu me perguntava como seria, afinal, nunca tinha ido em um show antes e nem viajado para Seul, duas coisas novas ao mesmo tempo.

Eu só saí do banho depois de cantar 4 músicas e meia, pronto para arrumar minhas malas e dormir.

Ah, e sonhar com o show do BBS também.

 

(...)

 

No outro dia eu acordei cedo. Para falar a verdade, acho que nem sequer consegui dormir pela ansiedade da viagem, tudo o que eu fazia era pensar naquela semana que passaria fora de casa. Eu nunca gostei de sair muito, até dormir na casa do Jimin era ruim às vezes porque a senhora Park sempre começava a brigar com ele quando eu estava lá, o que resultava em um Yoongi constrangido e de olhos arregalados ouvindo o bate boca dos dois.

Mas daquela vez seria diferente, meus amigos. Sete dias em uma cidade enorme, conhecendo pessoas diferentes e tendo a oportunidade de ir ao show dos meus ídolos junto com o meu melhor amigo, acho que eu nunca teria outra aventura como aquela.

Melhor você tirar um print dessa fala aí de cima também porque, amigo, se tem uma coisa que eu vou ter, essa coisa é aventura. E eu não estou falando de aventura legal e emocionante, é daquelas que a gente só se fode mesmo (e nem é foder no bom sentido, se é que você me entende).

— Você pegou sua toalha limpa na gaveta? Remédios? Escova e pasta de dente? Desodorante? — minha mãe perguntou, fazendo com que eu suspirasse e assentisse. — Pegou cuecas limpas?

— Mãe!

— Certo, então... não jogue aquele jogo da baleia azul, ok? Esses jovens de cidade grande são loucos, não aceite drogas se te oferecerem!!!

— Mãe, é só Seul!

Minha mãe sempre pira quando eu saio, para mim era apenas uma viagem de uma semana para Seul, mas para ela eu estava me mudando para uma cidade das drogas cheia de jovens suicidas que jogam o tal jogo da baleia azul, jogo esse que todo mundo já esqueceu, menos a minha mãe.

Me despedi dos meus pais e de Yura e fui andando para a casa do Jimin, ainda era bem cedo — 8h da manhã? — e eu estava arrastando duas mochilas enormes com tudo o que precisaria na semana. A casa do Jimin parecia bem mais longe enquanto eu carregava aquelas bolsas cheias de chumbo, ele já me esperava no portão quando cheguei, estava com uma mala enorme de rodinhas e uma expressão alegre demais para quem havia acordado às 7h em uma quinta-feira.

— Está ansioso?

Foi a primeira coisa que ele me perguntou quando parei em sua frente e larguei as mochilas no chão. Eu já disse que o Jimin é um ser chato pra caralho?

— Estou.

Ficamos conversando sobre assuntos aleatórios até o pai dele chegar, o senhor Park era um homem simpático e não muito alto — assim como eu e Jimin —, ele nos ajudou com as bolsas e apresentou a pequena meia irmã de Jimin, uma garotinha de 8 anos que tinha uma voz irritante e começou a encher o saco assim que entramos no carro.

— Pai, eles têm cara de retarda...

— Jiwon! — ele a repreendeu e nos lançou um sorrisinho sem graça. — Coloquem os cintos, garotos, são duas horas de viagem.

O senhor Park tentou puxar assunto com o Jimin enquanto dirigia, mas meu melhor amigo só dava respostas curtas ou ignorava às vezes. Vingativo.

Eu não queria me enfiar nas brigas familiares alheias, então peguei o fone de ouvido e coloquei alguma música do BBS para tocar enquanto olhava pelo vidro do carro e me sentia em um filme dramático porque estava chovendo. Depois de um tempo eu acabei cochilando e só acordei quando o carro foi estacionado em frente a casa da família Park 2.

Era um condomínio bonito e uma casa grande, a madrasta do Jimin nos recebeu com um sorrisinho simpático até demais e foi logo nos mostrando onde ficava o quarto que dividiríamos durante aquele tempo. Havia uma cama beliche arrumada ali e eu me joguei sobre a cama debaixo assim que entrei, vendo Jimin sorrir ao ver que eu deixaria ele ficar com a cama de cima. Eu peguei trauma de camas altas depois que cai de uma, foi trágico.

— Meninos, vocês podem descansar enquanto eu termino o almoço, a tarde ficam livres para dar um passeio por Hongdae, é aqui pertinho — a senhora Park 2 disse, fechando a porta depois de concordarmos.

Jimin não conseguiu ficar parado por muito tempo, nós almoçamos no quarto — porque ele não queria se socializar com a segunda família — e fomos ser turistas em Hongdae.

O bairro era movimentado pela tarde, nós acabamos parando em um café temático e de lá voltamos para casa depois de muito bater perna, eu estava exausto demais para aguentar ficar acordado durante muito tempo, então fiz Jimin ir pedir a senha do wifi para o pai dele e depois liguei para a minha mãe como havia prometido.

Nós dormimos cedo naquela noite, o dia seguinte seria cheio porque teríamos que ir para o local do show e passar a noite lá para ver se tínhamos a sorte de comprar ingressos na entrada, Jimin deu certeza que sempre vendiam ingressos no dia, então fiquei mais tranquilo e confiante. Daria certo, tinha que dar.

 

(...)

 

Jimin já estava acordado quando eu despertei, ou melhor, ele me acordou com música alta. A meia irmã dele barra garotinha endemoniada estava na escola e os pais dela estavam trabalhando, ou seja, nós estávamos sozinhos e, na cabeça de Jimin, podíamos badernar na casa dos outros.

Ele colocou algumas músicas aleatórias no celular e começou a tagarelar sobre como estava ansioso enquanto eu preparava café, porque a senhora Park 2 aparentemente achava que nós podíamos nos virar sozinhos, portanto, não deixou a comida pronta. Ledo engano o dela, Jimin mal sabia fritar um ovo e eu só consegui passar o café porque era na cafeteira elétrica.

Nós resolvermos comer em Hongdae e voltamos para casa a tarde, quando já passava das 16h. Fui o primeiro a tomar banho e arrumei uma mochila para passar a noite na fila do show do BBS, a senhora Park 2 chegou enquanto Jimin tomava banho e disse para comermos algo enquanto esperávamos o senhor Park chegar para nos levar até o local.

— Estou bonito? — Jimin saiu do banho já vestindo sua melhor blusa, sua melhor calça e seu melhor sapato.

Sem falar no cabelo, nunca vi tão penteado.

— Uma deusa, uma louca, uma feiticeira.

A gente perde o amigo, mas não perde a piada.

— Vá se foder, Yoongi.

— Pra quê se arrumou tanto, cara? Nós vamos passar a noite inteira lá, o show é só amanhã.

— E só por isso eu tenho que ir parecendo um mendigo que nem você? — ele rebateu e ergueu as sobrancelhas.

Eu nem estava tão ruim assim, meu cabelo parecia um ninho de passarinhos, mas isso não tinha conserto.

É o preço a pagar por querer ter o cabelo loiro, aqui vai um conselho do Yoongi para você, leitor: não invente de descolorir seu cabelo em casa usando seu melhor amigo retardado como cabeleireiro que nem eu, ou você vai ficar parecendo a Britney Spears, só que depois da fama.

Eu e Jimin descemos para comer alguma coisa e fomos direto para o carro do pai dele quando ele chegou. O senhor Park foi nos dando instruções enquanto dirigia, dentre elas: não sair muito da fila porque era perigoso, usar o banheiro público que tinha ali perto e beber bastante água para não desidratar. Chegamos ao local quando havia acabado de anoitecer, mas algumas — muitas — pessoas já estavam guardando lugar ali.

Uma moça chegou e escreveu alguns números nos nossos pulsos com uma caneta preta, segundo ela só haviam 300 ingressos disponíveis e meu número era o 122, Jimin era o 123. Os ingressos só seriam vendidos no outro dia para essas pessoas que estavam marcadas na fila, ou seja, tínhamos a noite inteira pela frente e a ansiedade era tanta que eu não estava com sono.

Ficamos apostando sobre quem sabia mais nomes de filmes para passar o tempo até que uma garota que estava na nossa frente na fila ouviu o nome do filme preferido dela e começou a jogar com a gente também, ficamos nessa competição até nos cansarmos e sairmos um pouco da fila pra ir até uma loja de conveniência que funcionava 24 horas para comprar refrigerante. A madrugada nem pareceu tão longa, o dia amanheceu rapidamente e nós fomos guiados para uma fila mais organizada para esperar os ingressos.

Aqui vai um relato sofrido de um fã: esse foi o dia mais cansativo da minha vida. Nós só conseguimos comprar o ingresso a tarde e o Jimin ficou claramente abalado quando percebeu que nós pegamos os piores lugares e não tinha fansign.

Repetindo: NÃO TINHA FANSIGN.

Aqui jaz Min Yoongi, um fã iludido.

Pelo menos nós conseguimos comprar lightsticks e tivemos que assinar nossos nomes completos e o endereço de e-mail quando compramos nossos ingressos porque, segundo o vendedor, a BigHit iria fazer algum sorteio depois. Nunca ganhei nem um bingo na vida, mas dei de ombros e preenchi antes de entrar e sorrir ao perceber que haviam cadeiras lá dentro, então eu não ficaria com dor nas pernas durante o show. Mas quem disse que o povo ficava sentado? Quando o show começou todo mundo começou a pular que nem louco, eu recebi várias cotoveladas e pisadas no pé quando o BBS entrou no palco.

Bom, vou fazer uma lista de coisas que eu pude perceber durante o famigerado show do BBS.

1. Você estar no show não significa que vai conseguir ver os garotos, meu lugar era tão ruim que eu só conseguia ver cinco formigas dançando lá no palco, que por acaso parecia ser tão longe quanto o Brasil.

2. Pelo telão eu consegui perceber que o Jin era lindo demais, caralho, como esse desgraçado consegue ser tão lindo? Queria saber.

3. Kim Namjoon é o talento em pessoa, vá ouvir os solos dele e perceba que contra fatos não há argumentos.

4. O Jungkook engana as pessoas, às vezes ele parece um bebezinho fofo que todo mundo quer guardar em um potinho, mas você já viu aquele filho da puta dançando? O Jimin quase morreu.

5. Taehyung é estranho, mas estranho de um jeito bom. Sério, ele faz umas coisas muito engraçadas e bizarras, mas foi um amor com todo mundo.

6. Jung Hoseok desgraçou a minha vida. Se meu coração ainda batia antes desse show, sinto muito em dizer, mas ele parou quando o Hoseok começou a cantar MAMA.

Quando eles saíram do palco eu não consegui acreditar no que tinha acabado de acontecer. Tudo bem, eu só tinha os visto pelo telão e as cotoveladas não foram nada agradáveis, mas eu respirei o mesmo ar que o BBS por algumas horas e é isso que importa, cara.

— Eu não acredito que BBS inventou o lacre — foi a primeira coisa que o Jimin disse quando conseguimos sair do local do show.

— Esse foi o melhor show da minha vida.

— Foi o único.

— Foda-se — nada tiraria a minha alegria de ter ido a um show do BBS. — Que horas são? Acho que podemos comer algo em Hongdae antes de voltarmos para a casa do seu pai.

— Acho que são onze, deixa eu ver — Jimin apalpou todos os bolsos e depois arregalou os olhos. — Acho que eu perdi meu celular.

Mas é um burro mesmo.

— Caralho, cara, tua mãe comprou esse celular no mês passado. Tem certeza que perdeu? Procura na mochila.

E lá fomos nós começar a saga: procurar o celular do Park Jimin para ele não apanhar.

Achamos? Não, mas perdemos uma hora inteira da nossa vida procurando por ele. No fim não tínhamos o número do pai dele para ligar, e mesmo que tivéssemos isso não iria rolar já que meu celular estava descarregado, parece que a maré de azar começou.

Conseguimos um táxi que nos levou até Hongdae e decidimos comer alguma coisa em uma lanchonete 24h, porque não conseguimos comer nada o dia todo e já estávamos atrasados mesmo, não faria mal fazer uma parada para o lanche, certo? Não, errado. Às vezes eu me esqueço que sou Min Yoongi, aquele que o universo resolveu fazer hora com a cara.

Acho que quando Deus me desenhou ele estava com muito mau humor e pensou "vou descontar nesse aqui".

Estava chovendo quando saímos da lanchonete. Apesar de ser um pouco tarde — talvez muito — alguns jovens e adolescentes idiotas ainda passeavam pelas ruas de Hongdae, mas elas esvaziaram em menos de um minuto quando a chuva forte começou do nada. Que ótimo.

— Acha que conseguimos chegar em casa com essa chuva?

— E correr o risco de molhar meu celular? Jamais, eu não tenho dinheiro pra comprar um novo — respondi e suspirei, me encostando na parede do estabelecimento. — Vamos ter que esperar aqui até a chuva dar uma trégua.

Ficamos comentando sobre o show enquanto esperávamos a chuva passar, o que não aconteceu. Eu já falei que sou a pessoa mais azarada do mundo? Pensei que essa seria uma noite memorável, de fato ficaria registrada como uma noite bem ruim.

Bom, pelo menos ter visto o BBS no show salvava um pouco da noite, certo?

Me prendi nesse pensamento e dei a ideia de tentarmos ir andando para casa quando a chuva forte virou apenas um garoa fina, não era o suficiente para ficarmos encharcados durante o caminho, dava para ir se escondendo nas beiradas das lojas e eu ainda teria meu celular funcionando depois.

Jimin e eu começamos a caminhar seguindo o caminho que levava ao condomínio do pai dele, apostamos quem desviava mais das poças de água e ficamos nessa competição durante um longo tempo. Longo mesmo, eu já estava estranhando o quanto estávamos demorando para chegar.

— Jimin, você sabe mesmo o caminho para a casa do seu pai?

— Mas é claro — ele revirou os olhos e depois parou. — Bom, pelo menos eu acho...

— Estamos perdidos.

— Não estamos, não! Olha, agora é só seguir e virar a direita — Jimin apontou e depois fez uma careta confusa. — Ou seria esquerda?

— Jimin, você nem lembra o que comeu ontem, que dirá o caminho para a casa do seu pai — suspirei e agarrei meus fios de cabelo com uma das mãos. — Estamos perdidos em Seul no meio da madrugada, sem carga no celular e com uma chuva bipolar, nós somos as pessoas mais fodidas desse mundo.

— Eu acho que têm piores...

Jimin apontou para um homem claramente bêbado que havia acabado de ser expulso a pontapés de um bar. Ele cambaleou algumas vezes e acabou caindo no chão, estava vestindo um sobretudo grande demais e, por estar longe, era impossível ver seu rosto.

— Vamos tentar achar algum telefone público para ligar pro seu pai, que tal? Acho que vi um na outra rua...

— Vamos ajudar aquele moço primeiro, ele vai morrer atropelado se ficar caído no meio do asfalto assim.

— Jimin, nós estamos em Seul, coisas assim acontecem o tempo todo e uma hora ele vai levantar. Não podemos sair ajudando todos os bêbados assim, algum pode ser perigoso, vai saber se não é um serial killer, um estuprador ou algo do tipo.

— Estamos em dois e ele é um só, está tão bêbado que nem deve se lembrar do próprio nome — Jimin suspirou e começou a caminhar em direção ao doido caído no meio da rua. — Vamos arrastar ele para a calçada pelo menos, não vou deixar alguém morrer assim.

Park Jimin é a pessoa mais teimosa e idiota que eu conheço. Suspirei alto para ele notar meu descontentamento e fui atrás dele, afinal, pode ser o cara mais idiota e coração mole do mundo, mas ainda é meu melhor e único amigo.

Na medida em que fomos nos aproximando o homem se mexeu, paramos para saber o que ele faria e o vimos tentar levantar algumas vezes, caindo em todas elas. Seria engraçado se não fosse trágico.

— Ei, senhor — Jimin chamou, voltando a caminhar e me puxando junto. — Podemos te ajud... ai meu Deus, eu estou vendo coisas ou é o Hoseok?

Talvez meu coração tenha parado durante alguns segundos, vamos fazer uma pausa aqui porque eu sou cardíaco. Deus, por que faz isso comigo?

Era mesmo Jung Hoseok ali, sentado no meio do asfalto molhado, tão bêbado que não deveria lembrar nem do próprio nome. O rosto, mesmo contendo uma careta de dor e alguns machucados, era o mesmo que eu olhava todo dia no celular por ser meu papel de parede. É lindo essa desgraçado.

— O que faremos com ele? — Jimin se virou para me encarar, eu tenho certeza que a mão dele estava tremendo tanto quanto as minhas.

Eu sei, você pode pensar que é besteira, mas já viu seu ídolo de perto por acaso? Porra, eu vejo fotos desses caras e começo a pensar neles como pessoas inalcançáveis, mas naquele momento, contrariando todos os meus pensamentos negativos, lá estava Jung Hoseok. Bom, um Jung Hoseok bêbado, mas ainda assim era ele. Em carne e osso, ao vivo e em cores, meus amigos.

— Vamos arrastar para a calçada.

Jimin me ajudou a puxá-lo para a calçada, nessa altura do campeonato a chuva havia resolvido engrossar e isso resultou em roupas molhadas e cabelos pingando. Suspirei de alívio quando finalmente conseguimos encostá-lo na porta de uma loja, embaixo de uma tapagem que parecia pequena demais para abrigar nós três.

— E agora? Não vamos aguentar carregá-lo, mas não podemos deixá-lo aqui, vai que algum fã louco reconhece... — Jimin sussurrou como se estivéssemos guardando um tesouro.

— A gente pode tentar acordá-lo, assim ele anda com as próprias pernas e pode até nos ajudar a achar a casa do seu pai.

Ingênuo, muito ingênuo da minha parte pensar assim.

Nós começamos a balançar os ombros dele enquanto chamávamos seu nome, ele até resmungou algumas coisas que não consegui entender, mas não quis abrir os olhos. Jimin disse que água ajudaria, então nós pegamos o resto da água que ainda tinha na minha garrafinha e entornamos um pouco no rosto — lindo — do Hoseok, mas digamos que um pouco da água acabou escorrendo para o nariz dele, o que resultou em um Hoseok acordando assustado e fungando.

— Mas o que caralhos...

— Você está bem? Desculpe, acho que deixei cair no seu nariz sem querer...

— Você é burro, cara? Eu poderia... morrer, sei lá — ele cortou Jimin e tentou se levantar, o que não deu tão certo porque ele ainda estava tonto. — Tsc, onde estou?

— Esperávamos que você soubesse.

— Eu conheço vocês?

Ele me olhou — ai meu Deus — quando eu o respondi que não e logo depois desviou o olhar para Jimin, a ideia era ele pensar que éramos apenas pessoas normais que não sabiam que ele era famoso, mas aquele maldito moletom do Jimin que tinha "BBS" bem grande estampado na frente nos denunciou. Hoseok arregalou os olhos como se tivesse visto o fantasma mais assustador do mundo e se afastou de nós o máximo que aquela tapagem permitia.

— Fãs, que ótimo — ele resmungou, apalpando os bolsos do sobretudo até encontrar um celular.

Ele demorou um bom tempo tentando discar um número, a tarefa parecia ser demais para ele e, quando ofereci ajuda, ele apenas ignorou e continuou brigando com o celular até conseguir discar o número certo. Já falei que odeio lidar com gente bêbada?

— Jin? Pode vir aqui? — perguntou assim que a outra pessoa atendeu. — Naquele bar em Hongdae... Não, eu não arrumei confusão... Não, ninguém me viu ou tirou fotos... Caralho, Jin, eu sei disso! Vem ou não?... Certo, te espero lá então, não demore.

Ele conseguiu se erguer após reunir muito esforço e tudo o que eu fiz naquele meio tempo foi encarar aquele rosto lindo e perguntar mentalmente se havia doído quando ele caiu do céu.

— Ei, você pode nos ajudar? — Jimin foi mais corajoso do que eu e perguntou.

— O que você quer, criança? Dinheiro? Olha, espero que não tenha tirado nenhuma foto, eu posso te processar por isso...

— Não! Nós só te vimos caído ali e fomos ajudar, eu nem tenho celular para tirar foto — Jimin se apressou em dizer e resmungou a última parte. — É que nós estamos perdidos, não somos de Seul.

— Bom, isso não é um problema meu — ele suspirou e olhou para o relógio de pulso tentando enxergar os números. — Eu tenho que ir, crianças. Não contem para ninguém sobre hoje, ok? Lembrem-se que um processo é difícil de livrar.

Ele sorriu e saiu meio cambaleante que nem um bebum pela ladeira abaixo.

Eu nunca desejei tanto que alguém caísse, sério.

— Nossa, que...

— Filho da puta — completei.

— Eu ia dizer grosso, mas isso aí também serve.

— Mano, esse cara é três anos mais velho do que eu e vem me chamar de criança — talvez essa não tenha sido a parte que mais me abalou, mas eu precisei comentar.

Vamos por partes. Jung Hoseok é gente como a gente, ou seja, humano (mesmo que ele seja tão lindo que se torne difícil acreditar que não é um deus). E como humano, ele erra, fala merda, coça a parte íntima quando ninguém está vendo, tira meleca do nariz com o dedo e arrota, e você não venha me dizer que não faz pelo menos um item dessa lista porque aquele primeiro eu coloquei só para contrariar esses certinhos mesmo.

Mas o fato é o seguinte: não importa o quão humano (?) ele seja, ser grosso com alguém que tentou ajudar é uma puta sacanagem e ele é um cuzão por se achar a última coca-cola do deserto e pensar que tem o direito de chamar dois fãs de crianças. Tudo bem que o Jimin fica adorável e parece um anjo quando sorri, mas eu sou um adulto! Ou quase isso.

Bom, a grosseria de Jung Hoseok nos rendeu mais meia hora andando até o pai do Jimin nos encontrar e começar um sermão de duas horas dizendo que era perigoso andar por Seul, mesmo eu já sendo maior de idade. Jimin estava igualmente chateado assim como eu e não quis tocar no assunto antes de dormir, mas eu só conseguia pensar em como eu estava puto e triste.

Bom, você também ficaria caso o seu ídolo fosse um cuzão com você, eu não me sentiria tão afetado se fosse um estranho, mas mano, era o Jung fodido Hoseok. Eu passava horas vendo vídeo moments desse cara no youtube, tinha uma pasta com 400 fotos dele no celular — que por acaso eu já apaguei — e costumava pensar nele o tempo todo, agora eu me sinto bem idiota.

Parece que o Jimin não é o único trouxa entre nós.

 

(...)

 

No outro dia Jimin aparentemente já estava recuperado e eu comecei a me perguntar como ele conseguia simplesmente se esquecer de tudo assim do nada, tem que ter mestrado em trouxisse. Durante o café da manhã — que estávamos tomando às 14h porque acordamos nesse horário — ele começou a falar sobre o Jungkook e parecia nem se lembrar mais do acontecido com o Hoseok. Quando perguntei, ele soltou:

— Ah, ele estava em um mau dia.

Ah, sério? Eu estava em um mau dia todos os dias e mesmo assim não era grosso com ninguém. Bom, quase ninguém.

Mas o fato é que aquilo ainda estava me incomodando e eu passei o dia tentando ignorar a intuição ruim de que alguma merda aconteceria enquanto andávamos com a madrasta e a meia irmã de Jimin, já que o pai dele não nos deixaria sair sozinhos de novo porque nos perdemos na noite anterior.

Foi um dia chato e eu só tive descanso quando cheguei e me joguei na cama, Jimin já foi logo se sentando no chão e pediu meu celular para ligar para a mãe dele.

— Liga pelo Kakao porque eu não tenho créditos.

Entreguei o celular de olhos fechados e comecei a cochilar enquanto escutava a senhora Park brigar com o filho por perder o celular semi novo. Jimin omitiu a parte que ficamos perdidos e encontramos o nosso ídolo bêbado em uma das ruas de Hongdae.

— A sua irmã te mandou mensagem perguntando onde você escondeu o secador de cabelo dela e você tem um novo e-mail.

— Ninguém me manda e-mail — bocejei e me sentei na cama. — Deve ser do Twitter.

Respondi a mensagem de Yura e abri o tal e-mail para checar.

“Olá, Min Yoongi,

A Big Hit Entertainment, junto com o programa de TV Celebrity Portal, desenvolveu um evento especial para comemorar os cinco anos de BBS! Aqueles que compareceram ao último show das promoções do novo álbum do grupo ganharam a oportunidade de concorrerem ao sorteio que levará três ARMY's sortudos para passar uma semana com o BBS, e esse evento será todo filmado pela produção do Celebrity Portal.

Você foi um dos(as) sortudos(as) que ganharam o sorteio, responda esse e-mail em menos de 24 horas com as informações pedidas abaixo e a equipe entrará em contato para passar os detalhes. Cada sorteado(a) tem direito a apenas um acompanhante, caso você queira levar mais alguém pedimos que adicione as informações sobre essa pessoa junto com o número de telefone para que possamos entrar em contato com ela também.”

Caralho.

— Parece que você viu um fantasma, o que houve? — Jimin se sentou ao meu lado na cama e balançou meus ombros. — Osh, acorda aí, cara.

— Mano, lê isso aqui.

Jimin pegou o celular da minha mão ainda confuso e começou a ler o e-mail, ficando tão surpreso quanto eu quando terminou.

— Caralho — você percebe que Jimin está realmente chocado quando ele fala um palavrão. — Você vai me levar de acompanhante, não é?

— Quem mais eu levaria? — fiz careta e peguei novamente o celular. — Cara, eu não quero ir nisso.

— Você vai.

— Pode ser uma pegadinha, sei lá.

— Quem seria desocupado o suficiente para pegar seu e-mail e mandar isso aqui? — Jimin balançou a cabeça e me encarou. — A gente vai passar uma semana com o BBS, cara. BBS!

E foi assim que eu, Min Yoongi, me fodi.


Notas Finais


EOMI no WATTPAD para quem gosta de ler por lá ou quer dar uma forcinha: https://goo.gl/6qcLrj

100 favoritos e diversos comentários no primeiro capítulo VOCÊS SÃO OS BICHÃO MESMO
Cara, eu pensei que eomi não sairia do flop e vocês me vem com isso, eu sou cardíaca!!
Vou tentar não demorar com as atualizações e os capítulos sempre serão grandinhos assim, rs
Até logo
ps. jung hoseok é o filho da puta mais lindo desse mundo, tchau


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