História Eu sempre a terei - Capítulo 12


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Amor, Carinho, Drama, Lesbicas, Lgbt, Romance
Exibições 28
Palavras 987
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Festa, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 12 - Final.


O clima entre nós duas ficou estranho durante o resto do dia. Eu só ia pegar o ônibus às 7hs, o que fez com que ficássemos naquele clima até a noite. Tivemos conversas curtas, nada além de "qual filme vamos ver?" "vai querer tomar café?". Minha cabeça ainda pesava, eu ainda queria falar pra ela que ela não era a culpada daquilo, mas toda vez que eu olhava nos olhos dela, aqueles olhos castanhos pelos quais me apaixonei, eu suspirava e não falava nada.

 Assistimos a um filme de ação, não era meu gênero favorito, mas deixei que ela escolhesse. Ela assistiu deitada no meu colo, por mais pesado e estranho que o clima estava, a gente ainda se doava uma pra outra, sempre tinha sido assim. Depois que o filme acabou, o silêncio reinou. Quando olhei pra baixo, ela estava me encarando com os olhos cheios de lágrimas e um sorriso de canto de boca. "Não foi culpa sua, e mesmo que fosse, eu me negaria a aceitar isso, pois sei que tu nunca deixaria isso acontecer" fiquei aliviada por enfim conseguir dizer aquilo, mas ela permaneceu em silêncio e me olhando. "Olha, eu te amo serhumaninho! Essa foi a melhor semana que eu tive na minha vida, não queria que uma única noite ruim estragasse isso tudo" ela desviou o olhar e sentou do meu lado. "A semana foi realmente boa, mas não foi uma mera coisa ruim e uma noite ruim. Tens noção do quão mal eu to depois daquele cara ter tocado ter corpo? Acho que não, por que se não, não estaria falando isso" me surpreendi com o tom de voz amargo que ela usou nessa frase, eu não queria que brigássemos no último dia que eu estava ali. "Amor, desculpa, eu só quero tentar amenizar esse clima entre a gente, to tentando dialogar contigo, tenta fazer o mesmo comigo, poxa, to me esforçando, mas se você me devolver com patada, não dá" a expressão dela voltou a ser aquela de culpa, estávamos discutindo mais uma vez. "Eu só não quero simplesmente esquecer, entende? Quero fazer algo pra te ajudar, não quero que você vá embora e depois, longe de mim, sinta-se mal a ponto de fazer algo errado. Esse é meu maior medo, não sei nem quando vamos poder nos ver de novo" "ei, não vai acontecer nada de errado, eu to aqui agora e por mais que aquilo tenha me abalado, eu to bem, bem lá no fundo eu to bem. E eu sei que se eu começar a ficar mal, eu vou ter você igual das outras vezes que eu tive, você sempre esteve lá pra mim, sempre me ajudou a levantar, por que agora seria diferente?" "nesse ponto você tem razão, mas ainda queria ter a certeza de que você vai ficar bem, certeza que vamos passar por isso juntas mesmo que estando separadas" eu a olhava nos olhos enquanto ela falava aquelas coisas, mas ela estava olhando pras minhas mãos, não conseguia entender o por que dela não me olhar nos olhos. "Olha só, podemos ao menos tentar, né?" peguei na mão dela e nisso ela levantou o olhar, seus olhos estavam vermelhos e cheios de lágrimas. Eu raramente a via chorando, em nove meses de relacionamento, essa era a terceira vez que a via assim, e uma foi hoje pela manhã, a outra foi a cinco meses atrás. "Sim, a gente pode tentar, mas me promete uma coisa?" "por você eu prometo qualquer coisa, mulher" "promete que qualquer coisa que você sentir de diferente, qualquer abismo que você esteja vendo se abrir, qualquer bad que você tiver, você vai me ligar" foi automático o sorriso surgindo no meu rosto. A preocupação dela e o instinto de proteção, era o que mais me cativava nela. "Claro que eu prometo, não teria o porquê de não prometer umas coisa dessas" com a mão livre, sequei seu rosto e a beijei, ao me afastar, fiquei com o rosto colado ao dela "eu te amo, não se esquece disso" "eu também te amo".

Depois daquela conversa, arrumamos minha mala, pois eu já estava atrasada e ainda tinha que descer aquele morro enorme. "Eu não sei se consigo chegar a tempo lá embaixo" "amor, esqueceu que eu já tenho a carteira? Te levo lá rapidinho, assim tu não perde o busão, beleza?" ela me deu um beijo e saiu do quarto. Era estranho me acostumar com aquilo, fazia pouco tempo que ela tinha pegado a carteira e eu ainda não tinha andado com ela dirigindo, logo pensei "isso vai ser engraçado".

O caminho não dava nem 5m, mas os minutinhos que foram, fiquei rindo da situação. Ela ficava repetindo "tu para de rir antes que eu te deixe aqui e tu tenha que ir apé" mesmo que ela quisesse falar aquilo num tom sério, ela falava rindo e se perdendo na gargalhada. Infelizmente, o caminho foi a melhor parte daquele dia. Assim que ela parou o carro, ela me olhou com o ar de preocupação e tristeza que ela fazia em toda despedida "vê se te cuida hein! Me avisa quando chegar lá pra pegar o outro ônibus, quando descer, e quando chegar em casa" "pode deixar" "alguém vai te buscar na rodoviária? Por que já vai estar tarde e não quero você andando sozinha" "eu já moro sozinha, o que iria ser diferente eu andando sozinha pela cidade?" "não fala assim, tu sabe que é perigoso" "ta bom, eu peço pra alguém ir me buscar okay?" "okay, agora vamos antes que você perca o ônibus" ela me ajudou com a mala e antes de eu embarcar me deu um abraço e falou novamente pra que eu me cuidasse. Falei que a amava e embarquei, com o coração apertado, a vi esperando o ônibus sair. Foi a despedida mais dolorida que já tivemos, mas eu sobrevivo, eu sempre sobrevivo à dor.



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