História "Eu sempre vou estar aqui para você" - Capítulo 1


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Categorias Originais
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Palavras 2.108
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Shoujo (Romântico)

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Sempre


Fanfic / Fanfiction "Eu sempre vou estar aqui para você" - Capítulo 1 - Sempre

“A vida é um livro aberto, cheia de surpresas, romance, decepções, horrores e grandezas”, dizia alguém que conheci há muito tempo.

     Fora essa uma amizade longa e duradoura, repleta de surpresas, romance, decepções, horrores e grandezas. Costumávamos caminhar todos os dias juntos pelas praças e jardins da região, apenas nós, desde a infância. Eu o tinha, e ele tinha a mim. Éramos melhores amigos, quase irmãos, talvez algo mais. Sentia segurança em seu olhar profundo e gostava de perder muitas horas ao seu lado, apenas jogando conversa fora e observando as outras pessoas tomadas de preocupações. Este meu amigo era meu refúgio, um porto seguro, o qual eu podia contar sempre que precisava, e até quando não precisava.

    Crescemos juntos, mudamos juntos. Eu o vi se tornar um belo rapaz e muito promissor. Mesmo quando eu estava na miséria e ele nas alturas, ele se rebaixava lá de cima apenas para me ajudar a alcançar o topo também. Mesmo quando o dia dele estava perfeito, ele insistia em adentrar meu mundo de tristezas apenas para tentar me consolar e permanecer ao meu lado. E quando tudo parecia perdido, lá estava ele dizendo que não existe essa história de “desistir”. E, mais uma vez, lá estava eu me reerguendo com a ajuda de suas mãos firmes.

     Eu sempre fora só, desconsolada, apenas com um único amigo que me fazia ter vontade de continuar vivendo. E, para mim, não existia nada que eu almejasse mais do que tê-lo ali, sempre ao meu lado, me consolando e segurando minha mão quando todos, até eu, tinham perdido a fé em mim.

     Mas, numa tarde de verão, tudo pareceu mudar. Lembro-me até hoje daquele dia quente, quando eu estava repousando sob a luz do sol e refletindo sobre todos os dias que já tinha vivido. Ao invés da ilustre presença de meu amigo perto de mim, me consolando, tive uma companhia extravagante e nova. Novos amigos, todos aparentemente dispostos a me aceitar como eu era e a me oferecer algo ainda mais grandioso do que uma única amizade. Não hesitei em aceitá-los, pois em toda minha vida, tudo que sempre quis foi ter mais que um único amigo. E, a partir daquela tarde quente de verão, minha vida começou a mudar.

     Os encontros diários com meu amigo diminuíram para apenas um por semana. Ele, de repente, começou a se tornar alguém estranho ao meu ver. Já não reconhecia aquela pessoa ilustre e bem-humorada ao olhar em seu rosto, somente um alguém que para mim já fora brilhante. Já fora. Não era mais.

     Minhas novas amizades estavam dando certo. Com a influência e ajuda deles, mudei meus gostos, opiniões, e até meu estilo de vida. Aquela garota ultrapassada e mal vestida tornou-se popular e linda num piscar de olhos, o que agradava ainda mais aos outros e me ajudava a ser perfeita na visão popular. Não demorou muito para que mais e mais amigos começassem a surgir, um atrás do outro.

     Os dias passavam num piscar de olhos. Às noites, eu adormecia sem maiores dificuldades e tinha belos sonhos. Minha vida horrível e desmotivada ficou incrível de repente, e todos os antigos interesses que eu tinha se resumiram a marcar encontros com inúmeras pessoas e gastar dinheiro com leviandades. Mas, mesmo que não estivesse fazendo nada produtivo, estava divertido e interessante. Eu vivia cada dia intensamente, ao lado das minhas novas companhias, sorrindo e chorando ao lado deles, vendo o sol nascer e se pôr todas as tardes.

     Quando me flagrei, percebi que estava começando a evitar algumas pessoas, coisa que nunca havia feito em toda minha vida. Mas não me importava. Não gostar de outros é normal a qualquer ser humano. Em certa ocasião, fui com três amigos até uma festa bem afastada. Não me senti bem lá, mas também não protestei em momento nenhum. Encontramos uma velha conhecida, uma garota baixa que achava que podia ser como nós, usando, até mesmo, roupas de mesma marca que as nossas. Tratei a situação como se ela estivesse zombando de mim. Nós rasgamos suas roupas e a humilhamos, fazendo-a fugir da festa sem mais delongas. E, quando me flagrei novamente, estava rindo, sendo que conhecia a dor de ser ignorada e humilhada.

      Na hora, me senti superior. Mas, quando saí de lá, comecei a pensar a respeito e a relembrar de tudo que já vivi antes: todas as humilhações, fracassos, derrotas. A dor de ser uma pessoa diferente num mundo onde todos querem apenas ser melhores uns que os outros. E, pela primeira vez em meses, senti que precisava de ajuda para mudar novamente, pois estava começando a perder minhas virtudes e a ter uma visão errada sobre o mundo.

     Não pensei em nenhum de meus amigos para me oferecer essa ajuda. Quem veio à mente naquele momento foi meu velho amigo, o qual eu nem lembrava os traços do rosto de tanto tempo que não o via. Ele me respondeu no momento em que o contatei, e lembro-me de vê-lo correr em minha direção para me ajudar naquele momento difícil. Mesmo depois de praticamente esquecê-lo, lá estava ele, estendendo novamente suas mãos caridosas a mim.

     A partir daquele dia, comecei a perceber que meus novos amigos tomavam atitudes erradas e romantizavam situações de humilhação e escárnio. Eu engoli em seco, nunca percebera a verdadeira face por trás daquela amizade. Mas, mesmo tendo esse conhecimento, meu coração já estava tomado pela maldade do mundo, e os conselhos de meu velho amigo desapareceram de minha mente num piscar de olhos. Mesmo sabendo que estava errada, não queria ceder e abandonar as centenas de amigos que eu havia feito. Trocá-los por apenas uma mísera pessoa parecia algo impensável ao meu ver. Preferi continuar lá, me aproveitando de quem não merecia e tirando vantagem nas costas de terceiros.

     Numa bela manhã, caminhando pelas estradas lá perto de casa, lembrei-me de um nome que me parecia familiar. Demorei algum tempo para associá-lo a alguém, e, quando consegui, quase caí de costas no asfalto. Aquele nome era o nome de meu velho amigo. Já fazia mais de um ano.

     Corri para casa e o chamei, mas ele não respondia. Comecei a chorar, achando que ele também havia me abandonado. Mas, quando eu menos esperava, alguém bateu na porta de casa, uma batida suave e baixa. Desci correndo, e, ao abrir a porta, encontrei-o lá, de pé, me olhando com um olhar vazio e carregado.

— Ouvi você me chamar... — disse. Mas havia algo errado. A expressão em seu rosto era pesada, ele estava excessivamente pálido, gelado e com roupas de frio, mesmo estando calor. Mas achei que era normal, e foquei apenas em meu próprio problema. E, por mais uma vez, ele me ouviu e me ajudou. Mas foi diferente, àquele dia. Seus conselhos eram regrados, e pareciam distantes. Ele realmente não estava bem, e quando percebi isso, não hesitei em ser estúpida e mandei-o embora. Tudo que ele fez foi derramar uma única lágrima, e saiu de minha presença sem dizer mais nada.

     Na noite seguinte, enquanto passeava com meus amigos no shopping, recebi um telefonema, de um número que me era bem familiar. Era meu antigo amigo, o qual eu trocara por novas companhias. Revirei os olhos e tirei sarro. Todos riram dele. Mas atendi a ligação.

— Você poderia me ajudar? — disse, sua voz estava rouca e parecia cansada. Pensei e repensei. Ele nunca me pedira ajuda antes, mas já me ajudara incontáveis vezes, e sempre estava lá para mim. Meus amigos riram alto, olharam para mim e disseram: “deixa disso”. Eu ri também, coloquei o telefone no ouvido e disse, exatamente com essas palavras:

— Sinto muito, não posso.

     E desliguei o celular sem esperar nenhuma resposta.

     E continuei naquela rotina incansavelmente por dias, semanas, meses. Até que, certa tarde, descobri que um membro de minha família adoeceu. Não tardei a ir visitá-la, mas já era tarde demais.

    Lembro-me da frustração e dor que senti naquele momento. Com apenas uma notícia, todo o mundo perfeito que construíra desmoronou sobre minha própria cabeça. Chorei por horas a fio, almejando que alguém viesse a meu socorro. Mas ninguém veio. Procurei consolo em meus amigos, mas eles não me disseram nada de espetacular, e até se recusaram a ajudar. Naquele momento, percebi que, para eles, eu era mero instrumento de diversão. Se eu me abalasse por qualquer coisa, eles me abandonariam e me esqueceriam, como se eu fosse alguém que jamais existiu em suas vidas.

    Mesmo muito frustrada e chorando, peguei o celular. O primeiro contato que vi foi um de meus novos amigos, me dizendo para mudar. Percebi que, se não fosse por eles, eu ainda seria a mesma pessoa honesta e caridosa, que ajudaria qualquer um que solicitasse conforto. Aos olhos da crítica, uma pessoa assim é inferior, pois todos temos que aguentar nossas próprias dificuldades sozinhos. Mas isso não passa de uma mentira... Não existe dor que é causada sem a influência de alguém, e também não existe de dor que possa ser aliviada sem o carinho de alguém.

     Praguejei em silêncio, amaldiçoando a pessoa que havia me tornado. Procurei entre meus contatos o de meu velho amigo, ao qual reneguei ajuda. Mas agora, precisava dele como nunca. Eu o liguei diversas vezes, mandei centenas de mensagens. Mas ele não respondeu. Aflita, peguei meu casaco e corri na direção de sua casa.

     Bati à porta com força. Quem me atendeu foi uma senhora pálida e cansada, desgastada pela idade. Perguntei a ela sobre meu amigo, mas ela apenas abaixou a cabeça e engoliu em seco.

— Ele adoeceu... — ela disse. — Já fazia muito tempo que se aguentava vivo, mas estava sendo lentamente consumido por sua doença. Nós... não pudemos fazer nada.

     Gelei. Senti um arrepio percorrer minha espinha de cima a baixo, e fiquei completamente sem palavras. Minha vida inteira dependera dele, que criou uma máscara de felicidade para esconder sua dor de mim e fingir que estava bem, para não me deixar aflita. E no único momento em que ele precisou da minha ajuda, eu o abandonei, e o perdi para sempre.

     Comecei a chorar instantaneamente.

— Mas... Antes de ir... — ela tirou um envelope de um dos bolsos de seu casaco gasto. — Ele deixou isso para você...

    Tremendo, peguei o envelope de suas mãos e abri. Sua carta estava escrita com uma letra um pouco estranha, sinal de que ele realmente não estava bem.

“Quando pedi por sua ajuda, era porque sabia que já não aguentava mais e precisava te ver uma última vez.

 

Por anos você tem sido minha única força, a única coisa que me fez ter vontade de permanecer vivo. Eu aguentei o tratamento médico, aguentei a discriminação, e fingi estar bem mesmo quando estava prestes a desabar de vez. E fiz tudo por você, porque amava aquela garota simples, retraída e diferente. Só queria que você continuasse ali, ao meu lado... Mesmo que fosse pra me ferir, ou me magoar, eu estaria feliz enquanto tivesse você. Mas ser ignorado pela única pessoa que eu amava foi um golpe muito forte, eu até piorei. Agora mesmo, estou na sala do hospital, vendo pessoas ainda mais doentes que eu se despedirem de suas famílias... e acho que é o que eu estou fazendo também.

 

Querida, não deixe o mundo mudar quem você é. Você é linda de nascença, você é perfeita. Não existe nada nesse mundo mais belo do que você, pelo menos ao meu ver. Eu te amo, e, mesmo que você tenha me esquecido e tenha outros amigos agora, ainda é tudo de mais importante pra mim. Eu nunca tive sonhos; o único deles eu realizava todos os dias, que era poder acordar vivo pra ver você mais uma vez. Mas agora... parece que não posso mais.

 

Mas é inevitável. Talvez você nunca leia essa carta, talvez você nunca mais se lembre que eu já existi, mas, mesmo assim, quero que saiba que cada dia, cada minuto da minha vida curta foi dedicado à você, a única alegria que encontrei em meio a tanta dor. Espero que você possa ser muito feliz, que tenha amizades boas, que viva uma vida longa e repleta de sonhos e felicidades... Mas por favor, tente, nem que seja só mais uma vez, se lembrar de mim. Este é o único propósito da minha vida: ser lembrado por você, e só isso já faz tudo valer a pena.

 

E lembre-se que, na alegria ou na dor, em meio a felicidade ou a tristeza, na doença ou na saúde, nas derrotas ou nas vitórias, no bem ou no mal, na vida ou na morte... Eu sempre vou estar aqui para você.”

    

 

 

 

                        


Notas Finais


Lembrem-se que, mesmo se vocês estiverem na escuridão mais profunda de toda a sua vida, sempre haverá alguém, em algum lugar, desejando sua felicidade e querendo estar com você. ♥


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