História Eu Sou A Maré Viva - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Evanescence, Fresno, Halestorm, Motionless In White, Slipknot, The Distillers
Personagens Amy Lee, Christopher "Chris Motionless" Cerulli, Corey Taylor, Lucas Silveira, Lzzy Hale, Richard "Ricky Horror" Olson, Rose "Casper" Mazzola
Tags Evanescence, Fresno, Knot, New, Slipknot, Teen
Exibições 3
Palavras 3.081
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 2 - Dia D.


Fanfic / Fanfiction Eu Sou A Maré Viva - Capítulo 2 - Dia D.

O celular começou a vibrar insistentemente àquela manhã. Em partes, foi algo bom, pois meu despertador não tocou e por pouco eu não perdi a hora para ir trabalhar. Levantei da cama e senti uma grande pontada nas têmporas. Dor de cabeça, como sempre. Ultimamente eu vinha tendo muitas dores de cabeça e nem os óculos mais estavam me ajudando. Peguei o celular que insistia em vibrar e vi que eram mensagens de Oskar.

Oskar Fahlen: SKYYYYYYYYY! SKY, ME RESPONDE!

Sky Klahmann: Oi! Desculpe-me, acordei só agora. Aconteceu alguma coisa?

Oskar Fahlen: FINALMENTE! Eu não estou afim de digitar. VOU TE LIGAR!

Ele não havia me dado tempo de escrever nada, pois me ligou imediatamente. Por poucos instantes, meu celular travou, mas não fez mal. A foto da Oskar vibrava no meu visor enquanto eu tentava deslizar o telefone verde para atender a ligação.

-Bom-dia!

-Bom-dia...

-QUERO QUE VOCÊ VENHA PRA CÁ HOJE!

-Quê? –perguntei, embora eu tenha entendido perfeitamente o que ele tinha dito. Sou assim, ora entendo, mas custo em perguntar “quê” por força do hábito.

-Chamei uns amigos meus para vir aqui em casa e eu quero te apresentar! Eles são legais!

-Acredito em ti, felas. Mas, que horas? Pois, hoje o meu dia é corrido... Sabes que trabalho, estudo e...

-E blábláblá! Sei toda a sua rotina, dona Céu! Mas, quero que você venha mesmo assim! Não tem como você faltar ao trabalho?

-Não sei, na real. Digo, hoje eu tinha que arrumar umas gavetas e levar os medicamentos novos para a dispensa. Sabe como é, repor o que falta e tudo mais...

-Falta só hoje! Hoje é sexta! Vem tomar café comigo!

-Sabes que um ônibus até tua cidade demora, não sabes, felas? –perguntei, andando até o banheiro e me olhando no espelho. –Mesmo que eu saia daqui, chegarei aí só na hora do almoço.

-Nossa, que exagerada! São uns... Quarenta minutos!

-Tá, que seja...

-Vem, por favor! Hoje não tem aula, pois há reunião do conselho junto com o grêmio estudantil. Você não terá aulas de filosofia hoje e pode muito bem faltar ao trabalho! Quero te apresentar o Bodinho! Vem, Céu, por favor!

-Ok, venceu esta, mas sabes que não terá próxima tão cedo! –disse e pude ouvir uns gritinhos de felicidade. Ri e sacudi a cabeça. –Preciso desligar. Tomarei um banho e me arrumarei. Beijinho.

-BEIJÃO!

Desliguei o telefonema e coloquei o celular em cima da cama. Na verdade, eu joguei o aparelho e por sorte ele não se espatifou no chão. Tirei o baby-doll e tratei de me atirar abaixo do jato morno de água. São Paulo estava um frio torturante, mas não era tão capaz a ponto de nos matar. Lavei o cabelo e desliguei o registro, enquanto passava sabonete pelo corpo. Meu celular começou a tocar e imaginei que seria Oskar novamente. Aquela altura, eu não podia sair do banheiro, pois molharia todo o quarto e eu não queria limpá-lo naquele momento.

-Ah, ele espera um pouco. –falei, dando de ombros e passando a bucha ensaboada pelo meu corpo.

Comecei a cantarolar uma música. Ah, como eu amava aquela música, porém não sabia seu nome. Sabia apenas que estava no álbum Batavi, da banda Heidevolk. A música me lembrava muito Robin Hood e todo aquele século um tanto medieval. Eu sempre colocava na cabeça que procuraria o nome da música, porém do jeito que sou esquecida... Oskar havia me levado ao show de Heidevolk que havia acontecido na capital uns anos atrás. Nenhum de nós dois conhecíamos de fato a banda, mas nós não tínhamos nada de muito bom para fazer. Hoje, amo a banda, mas não me considero fã. Enquanto eu pensava na banda, meu celular ainda tocava e por alguns instantes eu não o escutei.

Tirei todo o sabão do corpo e fechei o registro, indo logo em busca da minha toalha para me secar. Amarrei a toalha no colo e antes de sair do banheiro, peguei o secador de cabelo e o liguei na tomada, deixando-o acima do lavatório. Eu gostava de deixar o meu cabelo secar naturalmente, mas com aquele frio matinal, ele só secaria depois de três séculos.

O celular parou de tocar no mesmo segundo em que eu o peguei. Com os dedos esturricados como salsichas murchas, desbloqueei o aparelho e fui em chamadas perdidas. Eram ligações do Esteban. Deixei o celular cair no chão de tão confusa que fiquei. Minha história com o Esteban é muito complicada. Nós não namoramos, estamos apenas “nos conhecendo”. Levamos um relacionamento bem sério, mas não usamos aliança de compromisso e nos referimos como “amigos”. Eu o amo, mas ele não sabe disto. Esteban mora em outra cidade, vizinha da minha e este fato triste é o que mais nos complica, pois embora nós já tenhamos nos beijado, somos praticamente “virtuais” e nos vemos poucas vezes no mês.

Peguei o celular do chão e comecei a discar o número dele, mas nem foi preciso ligar, pois a imagem dele reluziu no visor. Custei a atender. Daquela vez o celular não travou, EU que custei a atender, pois fiquei babando na beleza dele.

-Oi! –disse, um pouco excitada. Esteban sempre fazia com que eu me sentisse uma boba apaixonada.

-Oi, gatinha, você vem sempre aqui? –perguntou ele, humorado.

-Ah, só quando você vem... –disse, um pouco manhosa.

-Novas...

-Desculpe por não ter atendido. Eu estava no banho.

-Dá nada não, gata. E aí, tá fazendo o quê?

-Eu? Eu estou me aprontando. E você?

-Tô aqui na Hzão. Jogando um LOL e virado!

-Você ainda não dormiu?

-Nem... Quero dizer, dormir umas três horas e isso já é o bastante. Você não quer vir hoje aqui na minha cidade? Tô com saudades.

-Ah, eu também estou com saudades, felas, mas sabes que minha rotinha é bem D. –disse, deixando a toalha cair e sentando-me nua na cama desforrada.

-Então, vamos nos ver hoje! Aproveito e te ensino um pouco de LOL!

-Ah, felas, sabes que eu iria, mas marquei com o Oskar agora a pouco.

-Aquele esquelético de novo?! Tomar no cu, viu?!

-Não fale assim. Oskar é um amor de garoto.

-Não disse que não era. –riu ele. –Só disse que ela é esquelético, ué. É alguma mentira?

-Não, não é. Mas, não se chama um cara de esquelético, assim, no duro!

-Claro que chama. –riu ele, mais uma vez. –Ah, Sky, você sempre sai com ele! Sai comigo hoje!

-Que tal você vir para cá? –perguntei, esperançosa. –Nós podemos ir até a casa dele, meu benzinho. O que acha?

-Eu quero ficar a sós contigo, gata. Olha, se você não quer, fala logo.

-Sabes que não é isto... Você não pode marcar comigo amanhã?

-Amanhã não sei mesmo porque eu fiquei de marcar um churras com os amigos e tal. Só posso hoje!

-Ok... No mesmo lugar de sempre?

-Isso mesmo. Até daqui a algumas horas!

Desliguei a ligação e pus o celular ao meu lado. Peguei um hidratante bem cheiroso e passei por todo corpo. Hidratante nunca me cansava! Eu poderia substituir perfumes por hidratantes, pois além de deixar a minha pele macia, me perfumava profundamente. Vesti uma calça jeans azul modeladora com os joelhos rasgados e uma regata justa e branca. Fui até o banheiro e sequei o cabelo. Aquele procedimento demorava, mas eu nunca me cansava. Amava o meu cabelo e cuidava dele bem à beça. Após uns quarenta minutos, quando meu cabelo já estava completamente seco, o deixei solto. Passei um pouco de perfume e fiz uma maquiagem simples, só para ficar apresentável para Esteban. Naquele momento, eu tinha me esquecido completamente de Oskar e fui me lembrar apenas quando meu celular tocou pela terceira vez.

-ONDE VOCÊ ESTÁ?

-Em casa. –respondi. –Me atrasarei.

-Por quê?

-Esteban me ligou.

-Esse vara pau de novo?! Tomar no cu, viu?!

-Ele não é vara pau. –ri, divertida. –Ele é um amor.

-Não disse que não era. –riu ele. –Então, você vai se encontrar com ele?

-Sim. Ele me ligou agora a pouco.

-Deixe-me adivinhar... Ele está na Lan House, virado de cocaína e bêbado como um gambá. Acertei?

-Quase. Ele não está bêbado.

-E que horas você voltará?

-Antes das 16hrs. Prometo ir direto para tua casa.

-E dormirá aqui, fique você ciente!

-Novas.

-Boa sorte, Céu.

-Te vejo mais tarde.

**

Desci as escadas bem devagar. Fico lenta de manhã cedo. Tier correu em minha direção e abanou o rabo enquanto eu lhe fazia cafuné.

-Onde está a mãe, hein? –perguntei, seguindo até a cozinha. –Vô? O que faz aqui?

-Oi, boneca. –Edwin sorriu. –Sua mãe precisou sair urgente com sua avó e eu me ofereci para ficar contigo.

-Estais brincando, só pode! –disse, um pouco aborrecida.

-O que foi? Não gostou da presença de seu velho avô? –perguntou Edwin.

-Amei! –respondi. –Mas, agora eu estava prestes a sair, Vô...

-Sair com quem?

-Esteban. 

-Ah... O amor... –sorriu Edwin. –Voltará que horas?

-Eu voltarei antes das 16hrs, mas fiquei de ir direto para a casa de Oskar. –respondi num tom deprimente. –Ai, que dia D!

-Dia D? –perguntou Edwin, um pouco confuso.

-Dia D é uma expressão que uso quando o dia está meio deprimente, entende?

-Ah, sim! Mas, não se aborreça, querida. –disse ele. –Não se preocupe. Pode sair com teu namorado e pode ir direto para casa de seu amigo.

-Não ficarás bravo? –perguntei, receosa.

-Claro que não! –riu ele. –Eu já fui jovem também.

-Tomarei ao menos um café com você. –sorri, sentando-me próximo a Edwin. –E então, onde a mãe e a vó foram?

-Segredo de mulher, elas me disseram. –respondeu Edwin. –Mas, nem me aborreço mais com a sua avó. Aquela velha ali é doida que só! Certeza que foi comprar mais plantas para nossa casa!

-E como você está, vô? –tornei a perguntar. –Está bem?

-Sabe, eu amo o jeito que você fala. –riu Edwin. –Esse jeito meio português. É uma graça! Mas, sim, ando muito bem. Apenas algumas idas ao hospital, mas velho é assim mesmo.

-Velho é quem não sabe viver, vô! –disse, dando-lhe um beijo no dorso da mão. –Você está novinho!

-Eu te amo, querida. –disse Edwin.

-Também te amo, vô.

**

Esteban se levantou ao me ver. Nenhum de nós dois conseguimos nos aproximar, embora a saudade tivesse uma grande força que nos empurrasse cada vez mais para perto um do outro. Sorri e naquele momento eu já corria de encontro a ele. A primeira coisa que fiz foi abraçá-lo e após um longo minuto de um abraço extremamente apertado, eu o enchia de beijos por todo o rosto. Esteban colocou as mãos na minha nuca e me deu um longo selinho e logo me deu outros três, porém curtos.

-Ah, que saudade de ver você! –disse ele. –Que saudade eu estava do seu perfume!

-Novas. –brinquei.

-QUE SAUDADE EU ESTAVA DA SUA VOZ. –continuou Esteban, animado. –Vamos pra minha casa hoje! Dorme comigo, por favor!

-E Valeska? –perguntei, receosa. –Sabes que tua mãe não me suporta. Está ciente de que se ela pudesse, ela me tacava ácido na cara!

-Não liga pra aquela cretina, ela nem está em casa! –disse Esteban. –A casa é toda minha. Quer dizer, toda nossa.

-Sabes que odeio quando tu falas assim de tua mãe. –disse, um pouco aborrecida.

-Sabes que amo quando tu falas assim. –ri da imitação de Esteban e o abracei novamente. –Por favor, dorme comigo!

-Não sei não... Eu disse para o Oskar...

-Não importa o que você disse para aquele esquelético. –interrompeu Esteban. –O que importa é que eu quero muito você esta noite e você vive o tempo todo com ele. Uma única sexta-feira e ele já está criando essa bagunça?

-Ele não está criando nada, Esteban. –disse tentando acalmá-lo. –Eu que estou dizendo.

-Ok, que não durma, mas vamos para minha cidade. –pediu ele. –Aqui é um saco!

-Ok, mas, não tenho muito tempo. –respondi.

Esteban me deu a mão e andamos por alguns metros até a rodoviária. Pegamos um diretão para a cidade dele em poucos instantes. Ao chegar à cidade vizinha, senti um enorme incômodo. Era como se um ácido estivesse borbulhando em meu estômago.

Parei.

-O que foi? –perguntou Esteban. –Está passando mal?

-É só uma azia. –respondi. –Já, já passa.

-Já, já não. Vamos, te compro um remédio da farmácia. –disse ele. –Aproveito e compro camisinhas.

-Sabia que você ia fazer isto. –disse e ele riu.

-Não sei pra quê, né, nós nem usamos camisinha. –disse Esteban, atravessando a rua e entrando na farmácia. Saiu de lá com uma sacola plástica pequena e me entregou o medicamento de bom grado.

Caminhamos até o Parque Indaia. Era um parque comum, desses que toda cidadezinha pequena possui. Alguns equipamentos de malhação – que as crianças e adolescentes que não cresceram ainda usam como brinquedos – pelo ar livre, alguns bancos de madeira, muito gramado e um espaço acinzentado para rodas de bicicletas e skates passearem por lá. Ao chegar ao parque, dei de cara com alguns adolescentes. Do grupo, só conhecia um garoto chamado Vitor. Nem o conhecia direito, apenas por Facebook. O garoto havia me adicionado sem motivo aparente. Acho que por eu gostar de memes como ele ou simplesmente por ele querer mais amigos no perfil dele. De qualquer jeito, mesmo sem ter nunca trocado uma palavra com o tal Vitor, o achava bacana. Bom, pelo menos aparentava ser. Ele me lembrava um daqueles garotos engraçados demais, porém com um repertório de piadas deprimentes, entendem?

-OE EMOS! –cumprimentou Esteban colocando o skate no chão. Só naquele momento, ao ouvir o skate bater no chão, que eu percebi que o Esteban segurava um skate.

-EAE MEN! –gritou uma menina. Eu sabia que o nome dela era Yza, ou Yzá. Não sei como se pronuncia. A garota era gorda, daquelas tão bochechudas que os lábios são bem grossos. Não era feia, mas também não era bonita. Tinha um estilo um bocado maneiro. O cabelo era bem cumprido, estilo scene kids e era baixinha. Não tinha piercings e sua sobrancelha era desenhada. Sabe quando você tira a sobrancelha e faz uma de rena? Mas, uma bem fina e bem alta? Estilo Chris Motionless, do Motionless In White. Então, acho linda esta sobrancelha, mas não acho que combine com todo mundo. Ao meu ver, não combinou com a Yza ou Yzá. –Quem é?

-Ela é a namorada do Esteban. –disse Vitor.

-Não é namorada. –corrigiu Esteban.

-Ah, agora sim acredito! –disse Yza (ou Yzá) rindo. –O Esteban não tem capacidade de pegar uma mina tão linda quanto... Qual seu nome, boneca?

-Sky. –respondi, um pouco tímida. –Sky Klahmann.

-Teu nome é Sky mesmo? –perguntou Vitor, maravilhado. –Que nem o nome da filha do Lucas Silveira.

-Novas. –respondi.

-O que é novas? –perguntou um garoto rechonchudo e cabeludo que se aproximou.

-Novas é como um “eu sei” –expliquei.

-Prazer, meu nome é Iago, mas todo mundo me chama de Caveirão. –disse o rechonchudo e eu o cumprimentei com os cansativos, porém amigáveis, dois beijos na bochecha.

-Então, você vai ficar aqui por quanto tempo? –perguntou Vitor.

-Na real, eu nem viria para cá. –comecei a explicar, sentando-se me perto de Vitor. –Mas, sabes como Esteban é... Não sei se dormirei na casa dele, pois não quero encontrar com a Valeska. Sabes que ela me odeia...

-Você é estrangeira? –perguntou Yza (ou Yzá).

-Não. –respondi, virando-me para ela. –Eu falo um pouco diferente porque gosto, mas sou brasileira. Ei, teu nome é Yza ou Yzá?

-Yza. –respondeu ela. –Yzá parece nome de macumba.

Todos riram. Menos uma menina no canto. Percebi que ela me olhava meio estranho desde que eu havia entrado na roda dos amigos dela. Sei que não podemos nomear nada como “meu”, “dela” ainda mais quando se trata de pessoas, porque ninguém é de ninguém. Ninguém é escravo. Mas, achei por alguns instantes que aquele olhar fulminante e homicida psicopata era por puro ciúme, pois a pequena atenção que eu estava recebendo havia sido tirada dela. Pensei – juro que pensei – em me levantar e cumprimentá-la apenas com o intuito de mostrar que eu sou inofensiva e que ela não precisava me olhar com aquele carão de morto! Mas, pareceu que o Vitor havia lido meus pensamentos, pois colocou a mão no meu antebraço e me impediu de levantar com suas palavras.

-Seu nome é Maju. –disse Vitor. –Ela gosta do Esteban e não se conforma que ele goste de você.

-Ah... –foi a única coisa que consegui dizer. –Mas, eles já tiveram alguma coisa?

-Eu achava que sim. –respondeu Vitor olhando para Maju. –Uma vez eles foram numa praia, não me lembro se foi em Santos... Sei lá, eu só sei que eles foram e eu achei que eles tinham transado, mas o Esteban jura que não.

-E você acredita nele? –perguntei, um pouco incerta. Eu não sou lá de perguntar coisas intimas, mas estávamos falando sobre Esteban, o cara por quem eu sou perdidamente apaixonada.

-Acredito. –prosseguiu Vitor. –Esteban disse que não, então é não. Acho que no máximo rolou um beijo, mas que mal há? Todo mundo no rolê já pegou todo mundo.

-Pena que ela fique assim. –falei, talvez no modo automático. –É ruim adquirir inimigos quando não se faz nada.

-Novas... –disse Vitor, com o olhar perdido. –Bom, não ligue para isso. Você não está perdendo nada. Aquela piranha ali não vale nem cinco pilas!

-É verdade. –prosseguiu Yza. –Ela não serve nem pra ser borda nos mosh!

Ri, como se a piada mais engraçada do mundo estivesse sido contada naquele momento.

-Nunca gostei dela. –Vitor olhou para o skate e logo depois para mim. –Ela sempre teve esse jeitinho de piranha oferecida que quando não consegue o que quer, sai falando merda.

-Vamos deixar este assunto morrer. –disse enquanto acendia um cigarro. –Vocês fumam?

-SE NÓS FUMAMOS? –perguntou Yza, histérica. –QUERIDA, NÓS SOMOS CHAMINÉS AMBULANTES!

-Pesadíssimo! –brinquei, e doei minha carteira de cigarros para os dois novos amigos.

Pesadíssimo é uma expressão que usamos quando queremos dizer que algo é incrível demais. “Pesado” e “chave” são gírias bem legais que eu faço questão de incluir no meu léxico. Mas, não é sempre que uso estas gírias, pois tudo usado em excesso enjoa. Então, quando quero dizer que algo é incrível demais, eu falo algo como: “CARA, QUE CHAVE!”, e então, quando acho outra coisa incrível demais, eu falo: “PESAAAAADO!” ou “PESADÍSSIMO!” estou sempre alternando para não me cansar, embora eu não me canse de coisa alguma.



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