História Eu, você e os bilhetes de amor - Capítulo 6


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Lay, Suho
Tags Amorzinho, Aquele Clichê De Sempre, Eu Você, Fluffy, Layho, Sulay
Exibições 1.489
Palavras 3.825
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Fluffy, Romance e Novela, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


ATENÇÃO: PENÚLTIMO CAPÍTULO ❤️
Aaaaa mais uma "Eu, Você" está chegando ao fim. E eu já estou morrendo de saudades :')
Sei que as minhas fanfics são bem curtinhas e que até daria para prolongá-las um pouco mais, mas eu não gosto de ficar enrolando, hehe. Não desistam de mim.
Espero que gostem do capítulo tanto quanto eu gostei de escrevê-lo.
Quem leu "Eu, você e o boneco vodu" vai sentir fortíssimas referências...
Espero que gostem, e boa leitura! :)

Capítulo 6 - Ai de mim se não fosse eu!


Fanfic / Fanfiction Eu, você e os bilhetes de amor - Capítulo 6 - Ai de mim se não fosse eu!

Eu só podia estar lelé da cuca. Faltando pouquíssimo tempo para a tal da festa de Yixing – lê-se três dias, quatro horas e quinze minutos –, eu ainda estava completamente perdido e desamparado, apenas com aquela anotação horrível que o sujeito me entregara quando nos conhecemos. Baekhyun não parecia estar com problemas para descolar os doces e encomendar os salgados. Afinal, o nanico era praticamente um PhD quando se tratava de comida.

O meu grande problema, no entanto, eram as bebidas. Eu não podia simplesmente seguir os conselhos do camarada chinês e comprar uma centena de caixinhas de suco de uva. Também não podia seguir a lista que ele me entregara, ou os convidados da festa jamais aguentariam mais do que uma hora bebendo água gaseificada e refrigerante de laranja. Eu precisava de alguém que me ajudasse. De alguém que fosse um bom entendedor de bebidas alcoólicas.

Por isso, e também para não estragar o bendito falso aniversário do garoto, acabei me infiltrando em lugares inimagináveis. Como um agente secreto, coloquei uma peruca e um suéter clássico de nerds dos anos 60, todo quadriculado e em um vermelho meio morto. Era um suéter ainda pior do que aqueles que eu costumava usar. Pode parecer estranho ver um nerd disfarçado de nerd, mas é aí onde mora o segredo da coisa toda. Eu não podia ser óbvio demais. Assim, de uma hora para a outra, eu estava no clube de xadrez, arrancando de alguns moleques algumas informações privilegiadas.

— Parece que Do Kyungsoo, o filhote de Satanás do terceiro ano, foi visto comprando balas de cereja na loja de conveniência aqui perto da escola — comentou Yoon SanHa, um garoto do primeiro ano que usava aparelho e vinha todos os dias com um boné diferente.

Bom, talvez não fossem informações tão privilegiadas assim.

— É verdade — cochichou Tzuyu, como se aquele fosse o maior segredo do mundo, derrubando todas as peças dispostas sobre o tabuleiro ao se apoiar na mesa. — Ouvi dizer que ele foi contratado pelo Jongin para ressuscitar seu falecido cachorro. Deve estar comprando os ingredientes para o ritual, por isso as balas de cereja.

Nós três nos apoiamos na mesa, sussurrando e olhando para todos os lados como se fizéssemos parte de uma operação secreta.

— Kim Jongin? — perguntei, mais faceiro que ganso em taipa de açude. — O garoto que participa das aulas de dança?

— É, o melhor amigo daquele festeiro do Sehun.

Festeiro? Opa, xeque-mate.

Porque, no duro, se tinha alguém capaz de me ajudar naquele assunto, essa pessoa provavelmente era aquele garoto comprido chamado Oh Sehun.

Saí de lá serelepe pra dedéu, cantarolando uma canção qualquer aos quatro ventos. Mal podia acreditar que não precisaria usar o meu segundo disfarce – um vestido vermelho brilhante e uma peruca feminina – para me esgueirar até o clube das aspirantes a estilistas de moda. Eu já tinha toda a informação de que precisava, então só me restava encontrar o sujeito e colocar meu plano para funcionar. Assim, arranquei a peruca esquisita e o suéter à caminho do segundo andar, onde ficava a sala de dança.

Ao final de um corredor estreito, havia um garoto baixinho quase grudado à parede, encoberto pelas sombras como se fizesse parte delas. A aura do lugar de repente me parecia sinistra, e eu não sabia bem por quê. Talvez fosse o modo como ele mexia distraidamente em sua mochila, equilibrada em apenas um dos ombros, ou até mesmo o aspecto sombrio dos seus olhos grandes se destacando na penumbra. O fato era que, sem dúvida, aquele rapazinho não parecia estar ali pela sua afeição aos movimentos de dança e ao ziriguidum. E eu não digo isso só por causa do boneco vodu todo remendado pendurado em sua mochila, claro que não. A capirotagem de Do Kyungsoo ia muito além disso.

Tentei me aproximar fazendo o sinal da cruz mentalmente, já que eu precisava passar por ele para chegar até a sala de dança. O guri não parecia reparar em mim, e estava mais ocupado admirando alguma coisa – ou alguém – enquanto ficava na ponta dos pés para enxergar através da pequena abertura no alto da porta.

— Você está espionando alguém? — perguntei bem baixinho, com medo de assustá-lo e ser atacado com magia negra ali mesmo.

O garoto se virou, assustado, se abraçando ao seu bonequinho esquisito quase por instinto. Ele parecia confuso e ansioso, como se quisesse arredar o pé dali e fugir para bem longe. Se eu não estivesse em seu caminho, ele com certeza já estaria pra lá de Bagdá.

— Eu não — replicou Kyungsoo, mergulhando ainda mais na escuridão ao final do corredor. — Eu não estava...

— Tudo bem se você estiver espiando, sabe — voltei a dizer, tentando acalmá-lo. — Quem você veio assistir?

Ajeitei meus óculos no rosto, tentando aliviar o susto de quando o vi coçar a nuca, num gesto rápido e atrapalhado.

— Eu vim ver...

— Você gosta de alguém que está lá dentro? — insisti, vendo sua dificuldade para terminar as próprias falas. Talvez eu não devesse estar sendo tão precipitado ao perguntar todas aquelas coisas justamente para o garoto satânico do terceiro ano, mas a curiosidade era mais forte. Em parte, porque eu sabia que ele estava a fim de alguém. Todos os sinais da lista de sintomas estavam ali, bem na minha frente, por mais que sua aura negra tentasse encobrir.

— Se eu gosto dele? — o miúdo deixou escapar.

Sorri, quase vitorioso.

— É o Jongin?

E, então, Kyungsoo puxou o capuz de seu moletom sobre sua cabeça, escondendo seu rosto. Num gesto muito rápido, ele ajeitou a mochila nas costas e saiu correndo, logo desaparecendo na esquina da escadaria.

Fiquei ali, ainda embasbacado com aquele contato tão inusitado com o tinhoso, até que alguém abriu a porta da sala de dança. Quando alguns alunos começaram a sair, eu entrei. Estava resignado a conseguir o que queria de Oh Sehun, mesmo que aquilo me custasse livrá-lo de algumas notas vermelhas no boletim.

Meu plano estava apenas começando... Faria aquilo pela festa de aniversário e pelo garoto das covinhas mais charmosas do mundo.

Faria aquilo por Zhang Yixing.

 

 

Oh Sehun estava largado no chão da sala de ensaio, parecendo mais morto do que vivo. A única diferença é que mortos não costumam cantarolar em voz alta músicas irritantes enquanto tento, a muito custo, terminar de pedir um favor. Enquanto ele apoiava as costas na parede de um jeito curvado e esquisito, como uma lacraia preguiçosa, eu tentava terminar meu pedido de pelo amor de Deus, me ajuda com uma listinha de bebidas aí, bicho.

Como diria Zhang Yixing, o lazarento parecia “o cadáver de um defunto morto que já faleceu”. Assim mesmo, com um montão desse troço de pleonasmo e tudo mais.

— Então, basicamente... — ele murmurou, preguiçoso, fazendo gestos com as mãos que não faziam o menor sentido. — Você quer que eu ajude você a fazer uma lista de bebidas para a festa desse sábado?

— Agora sinto que estamos chegando a algum lugar — falei, suspirando alto.

Sehun deu de ombros e sorriu, cínico.

— Tudo posso naquele que me beneficia.

Era mais do que óbvio que o sujeitinho não aceitaria fazer aquilo a troco de nada, principalmente sendo aquele chato de galocha interesseiro que era. Mas, àquela altura do campeonato, eu não podia ir na onda dele tão fácil assim.

Aigoo, seu herege! — reclamei. — Você não pode simplesmente fazer isso sem pedir nada em troca?

Ele cruzou as pernas, desinteressado.

— Trabalho escravo nunca me comoveu, pra ser sincero — respondeu, fingindo desânimo, e fez mais um gesto de desdém aleatório. — Além disso, não estou disposto. Sobre a heresia a gente conversa depois. Nunca é tarde para se benzer.

Era um bocado malandro, aquele fedelho. Não me surpreenderia se, alguns anos mais tarde, eu o encontrasse numa reunião de ex-alunos (essas coisas realmente existem?) e descobrisse que sua profissão era ser um pistoleiro de plantão. No sentido figurado, claro.

Percebi que pessoas como ele precisavam de um incentivo, então respirei fundo e fechei os olhos, quase tendo uma visão da minha carteira criando pernas e saindo correndo.

— E se eu pagar seu lanche por uma semana, isso comoveria você?

— Agora sim estamos chegando a algum lugar — devolveu, rindo e puxando a lista de compras da minha mão.

Filho duma égua.

Bom, pelo menos um problema estava resolvido.

 

 

Existem dois tipos de garotos: os que são Zhang Yixing, e os que não são Zhang Yixing. Para ser sincero comigo mesmo, acho que sempre vou preferir a primeira opção.

E era justamente essa primeira opção, usando a tão conhecida blusa regata do time de basquete e com a pontinha dos cabelos escuros grudados na testa, que passou por mim no corredor do colégio, sorrindo por aí como se quisesse esfregar aquela maldita covinha na fuça de todos os camaradas da nossa escola. Achei um absurdo ver o garoto distribuindo toda aquela beleza sem cobrar um tostão pela obra de arte em exposição. Uma ofensa, e das grandes.

Num movimento rápido, o sujeito esbanjador de testosterona, abusado que só ele, passou a bola de basquete que segurava para Chanyeol, e então mudou a trajetória para vir em minha direção. Mal consegui prestar atenção no bilhete perfeitamente dobrado que ele tirava do bolso, já que estava ocupado demais me encolhendo contra o meu próprio armário. A blusa que eu usava tinha um daqueles bolsos esquisitos – e completamente desnecessários, vamos combinar – que ficava sobre o peito, do lado esquerdo. Quase perto de coração.

— Ei, isso é pra você — ele confessou baixinho, enfiando o papelzinho naquele bolso que, pela primeira vez, ganhava alguma utilidade. Yixing meio que parou no tempo, pressionando a mão sobre o meu coração. — Não leia até chegar em casa, tá bom?

Até chegar em casa, minha bunda.

O que cargas d’água havia ali que eu não podia ler naquela hora?

— Tá bom — foi o que respondi. Minha vontade, no entanto, era de alcançar a folha dobrada naquele bolso miniatura e sair correndo dali. Às vezes, a curiosidade é mais forte que a vontade de interagir com o crush, bicho.

Quando sua mão deixou de se apoiar sobre meu peito, seus dedos desceram acariciando de leve a pele do meu braço, causando um arrepio bom o suficiente para me fazer fechar os olhos, mesmo que por apenas um segundo. Uma parte de mim gritava para se afastar, com medo que estivéssemos dando mole demais no corredor. Eu sentia que as pessoas podiam ver através de nós, e eu não gostava disso. Não gostava de dividir aquela troca de olhares tão preciosa com os outros.

Yixing soltou o ar pela boca, ansioso. E algo me dizia que não era apenas eu a sentir uma vontade quase insuportável de beijá-lo ali mesmo.

— Nós vamos estudar álgebra mais tarde — ele relembrou, por fim, e tocou minha mão com a ponta dos dedos por um breve instante, para só então recolher a sua e enfiá-la no bolso de sua calça jeans. — Não se esqueça.

Sorri de um jeito divertido, apontando para o papel no bolso da minha blusa.

— Vou poder ler isso aqui até lá?

— Nem se atreva — ele ameaçou, franzindo a testa e movimentando os lábios de um jeito engraçadinho.

— E se eu ler?

Todas aquelas falsas provocações e o tom divertido com o qual rebatíamos as perguntas um do outro me deixava incrivelmente feliz. A vontade de beijá-lo parecia ter diminuído, mas ela foi substituída quase de imediato pela vontade de ter seus braços me acolhendo em um abraço.

— Se você ler, presidente... Eu juro...

Quando ele sorriu, divertido, sua voz morreu. E sua ameaça também. Tudo que restou foi uma covinha solitária que surgiu na bochecha direita. Apanhei meus livros e soltei uma risada gostosa, daquelas onde meus olhos praticamente sumiam, só para vê-lo suspirar daquele jeito bonito de novo.

— Você é péssimo com ameaças, Zhang Yixing.

 

 

Se Yixing era péssimo com ameaças, eu era terrível com promessas. Mesmo tendo dito que não daria sequer uma espiada no bendito papel, meus dedos já praticamente tremiam de curiosidade. E estava tão perto... Bastava erguer um pouquinho a mão e alcançar o bilhete. Bastavam alguns segundos apenas para me livrar daquela ansiedade. Mas, como a aula de geografia me parecia mais interessante do que o normal, consegui me esquecer desse detalhe por boa parte da manhã.

Comecei a relembrá-lo mais tarde. No meu caminho até o portão da escola. No meu trajeto até a cafeteria da esquina. No meu movimento de sentar em uma das mesas. Tudo parecia conspirar para que eu decidisse pegar o troço de uma vez por todas e mandar para o beleléu a promessa que eu fiz ao garoto.

Enquanto esperava em uma mesa afastada do balcão, já tendo as lentes dos óculos embaçadas pelo vapor que subia do café, joguei meus cadernos sobre a mesa e preparei alguns exercícios fáceis para que Yixing pudesse resolver quando chegasse. Planejamos de nos encontrar ali após a aula, o que parecia bastante viável. O lugar era silencioso e acolhedor, um ambiente perfeito para estudar.

E, também, perfeito para ler bilhetes.

Pega esse papel aí, Junmyeon.

Balancei a cabeça, tentando afastar o diabinho no meu ombro direito querendo me corromper. No entanto, não podia dar mancada com o sujeitinho chinês, então resolvi me distrair com outra coisa.

Lê logo esse bilhete, bicho burro. Ninguém tá olhando.

Expulsei o maldito demônio com um peteleco imaginário. Foi quando, sem querer, percebi uma movimentação estranha na cafeteria. Embora Minseok estivesse ocupado exercendo sua função de barista no balcão, LuHan – que se sentava sozinho numa mesa próxima à minha – parecia quase fascinado enquanto o admirava à distância. Ele apoiava o queixo em uma das mãos, sonhador, e não parecia prestar atenção em mais nada.

Algum tempo mais tarde, quando o baixinho de olhos felinos enfim teve uma pausa de seu trabalho, eu o vi caminhar timidamente até a mesa e se sentar. No duro, eu não planejava ficar encarando aqueles dois daquele jeito, mas eles ficavam bonitinhos à beça juntos, e era quase impossível não observá-los.

Talvez ninguém percebesse, mas eu via tudo com clareza, desde os olhares contidos até as risadas baixinhas que compartilhavam. Mesmo que fossem discretos, era bastante óbvio que eles estavam de mãos dadas por baixo da mesa. LuHan e Minseok estavam no mundinho deles, e não havia nada mais precioso do que isso.

— Eles parecem bem juntos, certo?

Virei a cabeça tão rápido, tentando encontrar a origem daquela voz, que meus óculos entortaram no rosto. Agora, eu enxergava Yixing todo enevoado através das minhas lentes ainda um pouco embaçadas.

— É, eles parecem — concordei. O garoto arrancou de mim os óculos, tentando limpá-los com a manga da blusa de frio que usava, mas acabou deixando-os ainda mais embaçados. — Eles parecem estar num chamego bom à beça.

Yixing franziu a testa, confuso.

— O que é um chamego?

E lá vamos nós de novo.

Ser o dicionário ambulante do camarada chinês não era tão ruim, exceto quando eu não sabia explicar as gírias que usava sem ficar todo constrangido e com o rosto avermelhado.

— Chamego é... — Estiquei meu braço, alcançando sua mão com a minha. Quase morri para completar o gesto de entrelaçar os meus dedos com os dele, mas pensei que dizer aquilo em voz alta seria ainda mais vergonhoso. — Chamego é... isso, sabe?

Bebi um gole do meu café, tentando espantar o nervosismo.

— Ah, entendi — ele disse, por fim, apertando minha mão com um pouquinho mais de força. — Então nós estamos em um chamego também.

Fiz um esforço descomunal para não botar para fora todo o café na minha boca, e, a muito custo, consegui engoli-lo sem pagar um micão na cafeteria. Era o meu dia de sorte.

— Presidente? — ele chamou, preocupado, e começou a me puxar pela mão. — Você tá bem? Quer ir para outro lugar?

Ainda com os óculos embaçados, deixei que Yixing se encarregasse de arrumar os meus materiais e levar a minha mochila. Ele não mais segurava minha mão quando pagamos a xícara de café que eu sequer terminei, então comecei a caminhar ao seu lado como uma criança, segurando firme a barra da sua blusa de lã quentinha. O garoto percebeu o jeito que eu me agarrava à sua roupa como se não quisesse me perder, e pareceu ter achado o troço bem bonitinho, porque ficou sorrindo como um idiota no nosso trajeto de volta à escola.

Praticamente corremos para atravessar a rua. Dessa vez, porém, ele segurou a minha mão, enquanto as outras pessoas que caminhavam apressadas ao nosso lado tomavam a forma de borrões. Ter a minha visão turva me incomodava. Fiquei o caminho todo pensando se deveria desunir nossos dedos e limpar as lentes, mas resolvi que valia a pena sofrer por mais alguns minutos só para que aquele contato morno durasse mais.

Quando chegamos ao pátio que ficava atrás do colégio, Yixing jogou nossas mochilas na grama e se sentou, as pernas cruzadas como as de um índio. Caí de joelhos quando ele me puxou pela mão, e enfim decidi tirar meus óculos e limpá-los adequadamente.

— Quer mesmo estudar aqui? — perguntei.

— Ué — ele deu de ombros —, por que não?

Abri os livros nas páginas marcadas, encontrando facilmente os exercícios que eu preparara. Estávamos às vésperas da prova de álgebra. Era o famoso “vai ou racha”.

— Tá bom, então — concordei, entregando-lhe um lápis e uma borracha. Yixing acabou deitando sobre a grama, apoiando a bochecha em uma das mãos enquanto a outra se ocupava em escrever as fórmulas que aprendeu. — Não se esqueça do sinal, ou você pode errar a questão todinha.

Fiquei ali observando o sujeito por um longo tempo, apenas corrigindo os pequenos deslizes que ele cometia nos exercícios mais difíceis, admirando o quanto ele podia parecer sexy, de um jeito incrivelmente não intencional, mordendo a pontinha do lápis ou franzindo a testa de um jeito confuso. Ficamos nisso por quase trinta minutos, até que, após ele terminar a última questão, Yixing empurrou o caderno para o lado e me pediu para verificar a resposta. Agora deitado de costas sobre a grama, e com o capim a me pinicar a pele através da blusa, ergui o corpo o suficiente para apanhar o objeto e espiar o que ele havia feito.

O gozado mesmo é que não havia nenhuma fórmula no espaço em branco abaixo daquela questão. Nem números, ou qualquer coisa relacionada à álgebra. Só algumas palavras.

 

“Podemos parar agora?

Seu admirador secreto está cansado. E ansioso para que você leia o papel que ele te deu hoje”

 

Não consegui evitar esboçar um sorriso, vendo-o admitir sua identidade pela primeira vez. Voltei a apoiar as costas sobre o gramado, mandando para as cucuias aquela bendita aula de matemática. Puxei imediatamente o papel dobrado do bolso da camiseta, quase o rasgando na pressa de ler o que estava escrito. Yixing aproveitou para se arrastar sobre a grama baixa, ficando tão próximo de mim que nossas cabeças se encostavam levemente.

O camarada, sem dúvidas, era um tremendo paquerador em potencial. Quando eu achava que o rapaz não conseguiria me surpreender ainda mais, lá estava aquele bilhete – que mais parecia um cupom – todo desenhado à caneta, colorido a lápis de cor e com muitos corações. Num cantinho, quase imperceptível, havia um mini Junmyeon fazendo biquinho. As letras garrafais e meio tortas diziam: “Vale um beijo grátis! – Promoção válida enquanto durarem os estoques”.

Fiquei brutalmente dividido entre morrer de vergonha ou gargalhar alto à beça, mas acabei fazendo as duas coisas. Primeiro, senti minhas bochechas arderem quando a sombra de Yixing pairou sobre mim, cobrindo minha visão do céu com poucas nuvens.

— É uma... promoção muito boa — ele disse, rindo de si mesmo, e apoiou a testa na minha. — Precisamos aproveitar.

Assim que comecei a gargalhar, ele roçou a pontinha do nariz no meu, num carinho muito tímido e suave. Minha risada morreu quando Yixing me beijou, segurando meu rosto com uma das mãos. Quando fechei meus olhos e voltei a sentir o gosto do garoto que eu gostava, mais uma vez, meu corpo parecia prestes a flutuar. Mesmo que estivéssemos no chão e com seu peso sobre mim, eu me sentia leve.

Ele apoiou o antebraço no gramado, ao lado da minha cabeça, só para poder se equilibrar e acomodar seu corpo sobre o meu. A mão que acariciava meu rosto escorregou para a nuca, enquanto a minha permanecia agarrada à sua blusa. O beijo se tornava algo natural para nós, mesmo que meu coração parecesse prestes a explodir. Quando beijá-lo se tornou bom além da conta, meus dedos pressionaram suas costas, num pedido mudo por mais contato. Foi quando o garoto capturou meu lábio inferior com os dentes, soltando-o lentamente, como se quisesse aproveitar até o último toque.

— Acho que beijar você é o meu novo hobby — ele sussurrou, beijando a minha testa.

Pisquei, aturdido. Ele só podia estar de brincadeira...

Salafrário duma figa.

— H-hobby? — perguntei, franzindo o cenho.

— É, um hobby — aquiesceu, sua mão livre indo parar em minha cintura, brincando com a barra da camiseta. — Um hobby é algo que você gosta de fazer, certo?

Concordei, balançando a cabeça como um pirralho que, no Natal, abre justamente o presente que sempre quis ganhar, e fica sem palavras para demonstrar o quanto aquilo o faz feliz.

— Então... — falei, não tendo ideia de onde aquela coragem repentina tinha surgido. — Você gosta de me beijar?

Yixing, então, se apoiou com ambos os braços no gramado, quebrando a distância entre nossos lábios sem pensar duas vezes. Um, dois, três selinhos. E vieram mais depois. Ele me beijava apenas o suficiente para que pudéssemos sentir a maciez da boca um do outro, e logo se distanciava o bastante para buscar meus olhos com os seus.

— Eu gosto muito de beijar você — ele respondeu, e me deu mais um beijinho. — Porque eu gosto de você, Junmyeon. Você é... Você é a minha pessoa favorita no mundo todo. — Seus dedos afastaram os cabelos da minha testa, e ele sorriu meio sem graça quando percebeu o que disse. — Quer dizer, com exceção da minha mãe e da minha avó, é claro.

Ouvi-lo dizer o meu nome, pela primeira vez, escapando de seus lábios em um tom tão carinhoso, era algo precioso demais para ser descrito em palavras. Eu apenas ri baixinho de sua frase final, puxando-o pelo pescoço para abraçá-lo de um jeito meio atrapalhado, já que Yixing ainda estava muito ocupado tentando se equilibrar.

— Caramba, Yixing — disse baixinho, minha voz sendo abafada pelo contato dos meus lábios em seu pescoço. — Eu também gosto de você, sua anta.

Mesmo escondidos atrás da escola, eu não me importava de estar aconchegado em seus braços. Não me importava de sentir a grama me fazendo cócegas, ou dos livros de álgebra abandonados ao nosso redor. Não me importava se fôssemos vistos. Se alguém aparecesse para flagrar aquele momento, veria dois garotos se abraçando. E se beijando. E até mesmo sussurrando bobagens um para o outro.

Porque, acredite ou não, é isso que dois garotos que se amam fazem.


Notas Finais


AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAWWW ❤️
Muito, muito, muito obrigada por todo esse carinho e amor que vocês estão me dando.
Nem sei explicar como qualquer coisinha que vocês escrevem já me deixa toda boba :')
Então, só tenho a agradecer por todo esse retorno. Eu amo vocês ❤️
Nos vemos no próximo - e muito provavelmente último - capítulo dessa coisa toda doce e nhonhonho.
Beijinhos e abraços

twitter: https://twitter.com/yougot7jams ❤️


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