História Eu Vou Te Esperar - Capítulo 8


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Boruto Uzumaki, Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hanabi Hyuuga, Himawari Uzumaki, Hinata Hyuuga, Hyuuga Hiashi, Ino Yamanaka, Kakashi Hatake, Kushina Uzumaki, Menma Uzumaki, Minato "Yondaime" Namikaze, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Personagens Originais, Sai, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara, TenTen Mitsashi
Tags Drama, Naruhina, Naruhina4ever, Primeiroamor, Promessa
Visualizações 738
Palavras 6.368
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Heterossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa noite, gente.

Sentiram saudades????
Voltei.

Eu sei que prometi dia 07, né? Massss eu sou meio desesperada, sabe kkkkkk.

Brincadeiras à parte, estou aqui com o penúltimo capítulo de Eu Vou Te Esperar.
Quero muito agradecer a vocês por terem me esperado pacientemente, e por terem compreendido meu estado de saúde.
A síndrome do pânico é uma doença psicossomática e muito dolorosa. Primeiro porque a mente às vezes nos prega peças e, eu, fiquei meio paranoica com as coisas.
A partir de agora eu decidi que vou postar minhas fics sem pressa. Eu sei que muitos querem logo os capítulos, mas com a saúde não se brinca, ok?

Segundo: Quero falar sobre plágio.
Isso está acabando comigo. Eu me estressei muito justamente por causa disso. Gente, vamos ter mais cuidado e consideração com as pessoas. Plágio é chato e é crime, sabe? Quando eu penso numa história, o faço com todo carinho. Eu estudo o assunto, me mato estudando português, passo noites escrevendo os capítulos e não é legal copiar a história dos outros.
Eu estive conversando com um amiga e ela me confidenciou ter visto cenas de uma das suas histórias em outra fic e ficou muito chateada. Claro, e com razão. Quem não ficaria?

Portanto, a partir de agora, se eu vir um plágio de uma das minhas histórias, não terei consideração alguma. Já que não pensaram em como eu me sentiria antes de terem feito, certo? É o justo.

Bom... o capítulo de hoje está muito intenso e cheio de sentimentos. Agradeço de coração a minha querida amiga Keina-chan que avaliou o capítulo pra mim. As minhas amigas Nathyuga, SBFernanda e LilyMPHyuuga que me ajudaram muito com o português. Graças a elas, hoje eu estou me esforçando ao máximo e estudando todas as dicas e em todos os sites indicados.
Obrigada, meninas.
Também agradeço a KitsuneGhoul, minha linda, obrigada por ter ajudado sempre...

Ahhh... estou emocionada e sem palavras pra dizer tudo o que preciso. Espero de coração que esse capítulo seja bem recebido por todos, viu.

Sem mais delongas, Capítulo 8, P.S. Eu Ainda Amo Você.
Beijos e ótima leitura.

Capítulo 8 - P.S. Eu Ainda Amo Você


Fanfic / Fanfiction Eu Vou Te Esperar - Capítulo 8 - P.S. Eu Ainda Amo Você

Eu Vou Te Esperar



Capítulo 8 — P.S. Eu Ainda Amo Você



Deixar Tóquio, definitivamente, não foi a coisa mais difícil da minha vida. Porém, voltar para Konoha depois de anos distante, me deixou ansioso e cheio de dúvidas.

Ansioso pelo fato de que eu estava voltando para casa, para perto da minha família e, consequentemente, para perto de Hinata.

Mas eu confesso, nunca consegui esquecê-la e este era o motivo que me deixava ainda mais angustiado. Pois somado a isso, a ansiedade de estar voltando, aumentava ainda mais as minhas dúvidas e o meu medo. Como eu iria olhar para ela depois de tanto tempo? Como eu poderia falar com ela depois de tudo?

Só em pensar nisso meu coração já palpitava doloroso.

Eu a amava, sempre a amei e sempre a amaria. E por mais que os anos se passassem, nada mudaria os meus sentimentos.

Menma dormiu o caminho quase todo. Fomos de carro e o coloquei cuidadosamente na cadeirinha, vigiando-o o tempo inteiro.

Quando ao longe avistei a entrada da cidade, meu coração quase saía do peito. Ele não batia, ele voava como as asas de um colibri.

"Acalme-se, Naruto" falei comigo mesmo em pensamento.

Não havia motivos para tanto receio. Eu estava de volta, havia conquistado o meu grande sonho, seria o novo delegado da cidade. Entretanto, ali estava todo o meu passado e era disso que eu tinha medo: dar de cara com tudo de uma hora para outra, sem nenhum aviso prévio, sem nada que me preparasse para aquele momento.

E quer saber? A vida é cheia de surpresas.


Quando estacionei o carro em frente a casa dos meus pais, fechei os olhos e suspirei profundamente. Bem... a casa ao lado era a casa da família Hyuuga e, naquele momento, meu coração disparou de uma tal forma que nunca imaginei ser possível.

Olhei pelo retrovisor e meu filho dormia tranquilamente. Destravei o cinto de segurança, puxei o ar forçando meus pulmões a trabalharem e disse a mim mesmo convicto: — Vai dar tudo certo.

Abri a porta do carro e saí decidido. Logo, meus pais apareceram na porta vindo ao meu encontro. Dei a volta no carro para pegar meu filho que nem sequer havia acordado. Ali estava meu tesouro mais valioso, que só acordou ao ouvir a voz da avó que tanto adorava.

— Ai que coisa mais linda da vovó! — exclamou admirada.

Menma abriu os olhinhos preguiçosamente, mas ao vê-la em sua frente, despertou imediatamente.

— Baa-chan! — disse alegremente.

Ele se jogou no colo dela e minha mãe se derreteu.

— Que saudades que a vovó estava de você, anata — disse o abraçando apertado.

Meu pai caminhou até mim e também me abraçou.

— Seja bem-vindo de volta, meu filho.

Eu podia ver o quanto os dois estavam felizes com a nossa chegada, pois se dependesse da minha mãe já teríamos retornado há  3 anos.

Sem me dar conta, me peguei olhando para casa de Hinata. Bem... mais especificamente para a janela no segundo andar onde eu sabia ser o seu quarto.

— Ela se mudou — disse meu pai chamando a minha atenção.

— Hum? — inquiri arqueando as sobrancelhas.

Meus pais sabiam que eu nunca havia conseguido esquecê-la. Tanto que, quando a Konan faleceu, um tempo depois minha mãe implorou para que eu contasse a verdade à Hinata.  

Não o fiz. Hinata merecia ser feliz e eu faltei com a minha promessa. Eu era o único culpado, merecia todo aquele sofrimento.

— Fico muito feliz por ela, Tou-chan. Hinata merece ser feliz — forcei-me a respondê-lo.

Entramos em casa, todavia, meu coração sangrava doloroso ao saber que ela possivelmente já morava com outro. Ah sim... meu pai me contou que Hinata tinha sua própria casa e se preparava para o casamento que em breve aconteceria.

No fundo, no fundo, eu, tolo como sempre fui, obriguei-me a acreditar que ela teria me esperado. Hum... eu merecia, eu cavei minha própria sepultura onde meu coração jazia enterrado junto com os meus sentimentos.


Ficamos na casa dos meus pais por volta de quatro dias, pois não demorou para eu conseguir comprar uma casa. Era bem próximo de onde meus pais moravam, o que muito me tranquilizava.

Minha mãe se comprometeu em cuidar do Menma. Eu queria muito ter trazido a vovó Chiyo comigo, contudo, ela preferiu ficar junto da família em Tóquio. Também, a senhora Chiyo já estava com seus 70 anos de idade e mesmo que o Menma a amasse e a respeitasse, ele era uma criança bem agitada e a senhora Chiyo já estava cansada.

Na semana seguinte, eu assumia oficialmente a delegacia de Konoha. Estava nervoso. Por mais que eu já atuasse como delegado antes, estar ali me deixava muito ansioso.

Quando adentrei as portas da delegacia naquela manhã, fui recebido com bastante entusiasmo por todos. Alguns conhecidos, outros rostos novos e uns mais antigos. Dentre eles, lá estava um grande amigo da família: Kakashi Hatake.

Ele foi um dos primeiros a vir me cumprimentar o que me deixou bem mais aliviado, pois descobri que ele era o meu segundo. Caso eu estivesse ausente, Kakashi seria o delegado substituto. O que me fez pensar no motivo pelo qual ele não havia assumido o posto assim que Hiashi Hyuuga aposentou-se.

Afastei aquele pensamento de mim e me coloquei a trabalhar. Tinha muita coisa para fazer, muito do que me inteirar, policiais a conhecer e pilhas de papéis para serem analisados. Serviços burocráticos de uma delegacia.

Uma coisa que me deixou bastante feliz foi poder ver de perto o quanto o pai de Hinata era organizado e zeloso. Estava tudo em perfeita ordem, muito bem arquivado e documentado, e tudo informatizado. O que me poupou um trabalho imenso naqueles primeiros dias.


Era o meu quarto dia de trabalho, estava tudo tranquilo, o serviço fluía agilmente e, dentro do possível, eu estava feliz e em paz comigo mesmo. Tudo devidamente em seu lugar, todavia, lá estava eu sendo mais uma vez estapeado pelo destino.

Estava sentado em minha confortável cadeira, analisando um mandato de busca e apreensão, quando tudo aconteceu.

Se tinha algo que eu nunca havia me esquecido, esse algo era o cheiro de Hinata. Ela cheirava a flores com um toque mais marcante de lavanda.

Minha sala era reservada, porém, eu mantinha a porta aberta. De repente, uma brisa suave adentrou o ambiente me atingindo em cheio. Não tive chance alguma de defesa, quando dei por mim, Hinata estava ao lado de fora do vidro da minha sala, abraçada ao Kakashi. E foi justamente naquele momento que eu fui descobrir quem era o tal noivo dela.

A princípio veio o choque. Hinata estava ali, a alguns passos de mim e eu não podia fazer nada. Depois veio a dor. Eu a havia perdido, nunca mais a teria em meus braços. E por fim, veio a consumação da realidade. Nossos olhos se encontraram e se fixaram um ao outro por alguns segundos. Sabe o que eu vi? Mágoa, ressentimento. Era assim que Hinata me olhava naquele momento. E quer saber? Eu não a culpava. A culpa era única e exclusivamente minha. Eu havia falhado, eu fui o inconsequente, eu fui o idiota que se deixou levar por uns copos de bebida. Eu, apenas eu era o culpado. Hinata e Menma eram as vítimas.

Não consegui manter meu olhar por muito tempo, pois a vergonha e o remorso não me permitiam olhar naqueles olhos perolados. Só vi quando, num beijo carinhoso, Hinata se despediu do Kakashi indo embora. Ali, naquele momento, minha dor era maior do que eu poderia suportar, mas eu me forcei a ser forte, a não chorar. Não ali diante de todos.

Eu tinha acabado de ver a mulher que amava com todas as minhas forças, beijando outro homem diante dos meus olhos. E o pior de tudo era que eu estava de mãos e pés atados, literalmente.


Os dias se passaram e eu tentava me acostumar a minha nova realidade. Ao que parecia eu seria um pai solteiro para o resto da vida. Definitivamente eu nunca amaria ninguém além de Hinata. Estava fora de cogitação aquela possibilidade.

Mulheres não faltavam, isso é fato. Contudo, nenhuma delas me interessava.

Na delegacia elas faziam plantão, no sentido literal da palavra. Mas era como se nenhuma delas existisse. Eu não as olhava, não da forma que elas queriam.

Já era de tarde quando recebi uma visita inesperada.

— Tou-chan! — exclamou animado correndo ao meu encontro.

Meu filho, meu tudo, tinha vindo me ver e eu fiquei muito feliz por tê-lo ali naquele momento.

Peguei-o no colo e o beijei. Abracei-o apertado e o aconcheguei mais a mim.

— A vovó me trouxe, eu pedi pra ela. — Seu sorriso era enorme.

Ver o Menma era ver a mim novamente, porém de cabelo preto.

— Hummm... eu fico muito feliz que você tenha vindo — falei amoroso.

Minha mãe nos interrompeu e veio se despedir.

— Menma, a vovó já vai. Cadê meu beijo? — perguntou fingindo braveza.

Menma agarrou o pescoço da Kaa-chan e deu um beijo em seu rosto daqueles bem babados. Ela nem se importou.

— Aishiteru, anata — disse emocionada.

Em seguida, ela se endireitou e me olhou carinhosa.

— Qualquer coisa me ligue, está bem? — disse com ternura.

Assenti e ela se despediu acenando com um tchau para nós.

Bem... já iam dar cinco da tarde e depois de um dia cansativo de trabalho, já estava quase na hora de encerrar o meu turno. Em Tóquio eu trabalhava 12 horas por dia, entretanto, em Konoha, eu estava começando a criar uma rotina. Logo, logo iria me acostumar.

Naquele instante, lembrei-me de uma cafeteria que havia próxima a delegacia, que a Hotaru havia me indicado.

— O lugar é muito bom, chefe. Poderíamos ir lá algum dia desses, claro, isso se você quiser — falou numa tentativa falha de ser sexy.

Hotaru poderia até ser muito linda, mas meu coração estava oficialmente trancado e não se abriria para ninguém para o resto da minha vida. Eu só amei uma única pessoa e continuaria a amando ainda que ela se casasse com outro.

Decidido, levantei-me de minha cadeira com meu filho no colo, peguei meus pertences, me despedi de todos e rumei para o local desejado. Kakashi ficaria no plantão naquela noite. Ao sair não o vi em lugar algum, mas imaginei que ele tivesse saído para um lanche da tarde, provavelmente.

Meu percurso de carro foi bem curto, uns três minutos. Já que a cafeteria ficava bem próxima mesmo.

Parei o carro ao lado oposto da rua e li o nome indicado na placa.

Juuken Cafe — disse a mim mesmo.

Menma brincava sozinho com um pequeno carrinho em mãos.

— Que tal fazermos um lanche, Menma? — perguntei ganhando sua atenção.

Ele soltou o carrinho e sorriu animado. Fiz o mesmo ritual de sempre: destravei meu cinto, abri minha porta, dei a volta no carro e me preparei para pegá-lo. Menma veio alegremente para mim.

Atravessei a rua com ele no colo e, ao chegar de frente à porta da cafeteria, empurrei-a tranquilamente. Isso até aquele momento.

O cheiro, aquele delicioso cheiro de lavanda e flores, pegou-me desprevenido. E quando levantei os olhos, lá estava ela me encarando tão intensamente quanto eu a olhava. Era nítido o nosso desespero e só não percebia quem não conhecia a nossa história. Hinata estava tão mexida quanto eu estava. Meu coração acelerado, bombeava desesperado em meu peito. Por quê? Aquela foi a primeira vez que eu vi o quanto eu a desejava e era recíproco.

Nunca cinco segundos demoraram tanto a se passar como naquele momento. Tornei ao domínio de mim mesmo e sentei-me na primeira mesa vaga que meus olhos viram.

Coloquei Menma sentado numa das cadeiras e uma moça veio nos atender. Só que, o que aconteceu a seguir, era algo que eu nunca imaginei que aconteceria. Não havia me preparado para aquilo, até porque Menma já havia visto fotos da Konan. Todavia, ele não a enxergava como mãe, não a aceitava de forma alguma. Mas ao que tudo parecia ele andou mexendo em minha carteira.

E lá estava eu tentando inutilmente acalmá-lo, quando na verdade eu também precisava que alguém me acalmasse.

Seus olhinhos, assim que bateram em Hinata, brilharam em surpresa.

— Tou-chan é ela — dizia eufórico.

A atende olhava sem entender coisa alguma. Menma olhava para Hinata e ficava ainda mais eufórico.

— Menma, acalme-se. Depois papai conversa com você — falei o segurando.

Mas ele estava agitado, tentava levantar-se para ir até ela.

— É ela, Tou-chan. É igualzinha na foto.

Pronto, ali eu tive certeza. Menma tinha mesmo mexido em minha carteira.

— Menma, por favor, fique calmo, está bem? — pedi tentando soar tranquilo, mas por dentro estava num turbilhão de sentimentos.

Fiz nosso pedido e vi quando tudo aconteceu.

Hinata sorria e acenava para o meu filho toda carinhosa.

“Deus, eu não aguento” pensei com o coração apertado.

Não, não me interpretem errado. Eu seria o homem mais feliz do mundo se além de minha esposa, Hinata fosse a mãe do meu filho. Mas ali, logo ao lado, estava o homem com quem ela dividiria o futuro: Kakashi Hatake. Que aliás, me encarava como uma ave de rapina.

E foi num segundo de descuido, enquanto Kakashi me vigiava, que Menma se levantou e quando fui ver já estava do outro lado do balcão, de frente à Hinata.

Levantei-me apressado e fui atrás dele.

— Menma, não pode entrar aí. Venha — chamei-o imediatamente.

Mas ele conversava com Hinata tranquilamente.

Olhei para ela me desculpando pelo acontecido.

Kakashi se levantou e foi até o Menma para pegá-lo, mas a surpresa maior foi Hinata tê-lo impedido.

Os dois conversavam e Hinata até se abaixou a sua altura para abraçá-lo.

— Viu, Tou-chan? Eu disse que ia encontrar a minha mãe e o senhor me enganou. Disse que minha mãe foi morar no céu, que ela era um anjo — falou Menma entusiasmado.

Minha boca se abriu naquele momento. Eu nunca escondi dele que a Konan era sua mãe. Mas naquele dia eu acreditei que toda aquela rejeição, mesmo que involuntária, surtiu efeito na vida dele. Despertei dos meus pensamentos com a voz de Hinata.

— Meu amor, porque você não vai com o papai e eu prometo que depois nós conversamos, está bem? — disse me olhando séria.

Menma se despediu dela garantindo que voltaria. Já eu, com o coração dilacerado, me desculpei mais uma vez.

— Por favor, Hinata, me desculpe. Ele nunca fez isso.

— Não se preocupe, ele é inocente. O que fez foi agir por impulso — respondeu friamente.

E lá estava ela com todo aquele ressentimento por mim me tratando como eu merecia.

Peguei meu filho no colo, que feliz acenava alegremente para Hinata. Passei no caixa, paguei minha conta, peguei nosso lanche e fui embora.

Assim que o coloquei no carro e saímos dali, peguei um óculos escuro no porta-luvas e o coloquei. Foi naquele momento que me permiti libertar ao menos um pouco daquele sentimento.

Não era um choro, era apenas uma tristeza por saber que fui idiota durante a vida inteira. Perdi a mulher que mais amava na vida e que agora me olhava com mágoa.


A cada dia que se passava eu podia notar Kakashi me observando.

Das mulheres da delegacia, Hotaru foi a única que continuou insistindo em seus flertes. Contudo, para mim eram inexistentes. Eu nem ligava.

Sempre que algo daquele tipo acontecia, eu podia ver ao longe Kakashi me observando. Não sabia o motivo, mas aquilo estava me incomodando.

Minha mãe, depois de uma longa conversa comigo, após o incidente na cafeteria, decidiu que levaria o Menma para ver Hinata sempre que ele quisesse.

Não adiantou de nada eu tentar negá-lo, ela me repreendia severa.

— Escute aqui, seus problemas com Hinata são apenas seus. Não envolva meu neto nisso. Se ele quiser vê-la e ela também, eu o levarei e ponto final — falou taxativa.

Meu pai não dizia nada, muito menos a Ino. O que me deixava sozinho naquela situação toda.

Por várias vezes eu tentei explicar as coisas para o Menma, mas desistia no momento seguinte. Ele era apenas uma criança de 4 anos e ali eu percebi que minha mãe estava certa.

Aquele era um fardo só meu e não precisava que eu o dividisse com meu filho.

Cada vez que ele e Hinata se encontravam, Menma me contava como foi o seu dia.

— A Kaa-chan me deixou trabalhar com ela hoje — contou enquanto tomávamos banho.

— É! E o que mais aconteceu? — perguntei o ensaboando.

— Eu ajudei a fazer um bolo — respondeu admirado pelo seu feito.

Eu sorri para ele enquanto o enxaguava. Menma era muito especial mesmo.

Todos os dias ele contava uma novidade diferente e no fundo, eu ficava feliz por vê-lo feliz.

Já haviam se passado dois meses que estávamos em Konoha e mesmo com a distância entre Hinata e eu, tentava seguir em frente.

Era difícil vê-la com Kakashi, era doloroso. Mas eu me obrigava a continuar, jamais faria nada que a magoasse de novo.

Entretanto, o destino às vezes decide remexer no passado, trazendo à tona todos os sentimentos outrora escondidos.

Foi numa tarde de sábado que tudo aconteceu.

Eu estava no trabalho, ainda faltavam umas duas horas e meia para terminar o meu turno, quando recebi a ligação da minha mãe.

— Naruto — ela chorava.

Fiquei apreensivo.

— O que foi, Kaa-chan? O que houve? — perguntei já preocupado.

— Vem para casa, meu filho — disse com a voz embargada.

Meu coração parecia estar sendo espremido.

— Kaa-chan, a senhora está me preocupando.

Ela deu um suspiro dolorido e se pronunciou.

— O Menma sumiu. Vem para casa.

Não precisei ouvir mais nada para desligar e sair correndo.

Kakashi foi o primeiro a perguntar o que estava acontecendo.

— Meu filho sumiu, eu preciso ir atrás dele — falei nervoso.

— Calma, não precisa se desesperar. Vou mandar duas viaturas até a casa dos seus pais para ajudarem nas buscas — disse complacente.

Assenti agradecido e saí apressado.

Naquele momento, mais nada me importava. A única coisa que eu queria era encontrar meu filho.




(Kakashi Hatake)


Durante aqueles dois meses eu observei bem o Naruto, formando assim uma opinião e decidindo por fim o que faria.

Que ele ainda nutria sentimentos por Hinata era nítido.

Todas às vezes que ela vinha me ver, eu podia ver ele nos observando de longe.

Ainda não havia conversado com o Minato como pretendia. Sempre que pensava em fazê-lo, recuava por medo do que poderia acontecer.

Eu sei, era loucura minha pensar desse jeito. Entretanto, eu não queria perder Hinata. Não podia.

Perder Shizune já foi muito difícil, imaginei como seria se o mesmo acontecesse com Hinata.

Eu não queria correr aquele risco.


Em todo esse tempo eu vi meu relacionamento se esfriando a cada dia. Por mais que Hinata me dissesse que me amava, eu via a troca de olhares entre ela e Naruto. Ela não fazia por mal, eu entendia. Naruto foi o primeiro amor da sua vida, no entanto, eu me sentia um intruso no meio deles.

E depois de dois meses de reflexão e angústia, chegou o momento que eu tanto temia. Foi numa tarde de sábado que tudo aconteceu e quando Naruto me disse que seu filho havia sumido, intuitivamente eu já sabia onde ele estava.

“Perdi.” Foi tudo o que pensei naquele momento.

Não tinha mais como protelar aquela situação, eu precisava conversar com o Minato.


Depois que o Naruto saiu, chamei alguns agentes e como havia prometido, enviei-os até a casa dos Uzumaki para ajudarem na busca. Eu sabia que não precisaria, pois logo Hinata mesma ligaria avisando que o menino estava com ela. Mas se era para perder que fosse então com dignidade.

Caminhei até a mesa do escrivão e deixei a delegacia sob sua responsabilidade.

— Juugo, preciso dar uma saída e volto em 1h e meia. Fique no comando e qualquer coisa me avise — informei seriamente.

Juugo apenas assentiu e eu dei o primeiro passo para a maior derrota da minha vida.

Peguei meu celular, a chave do meu carro e assim que entrei nele, fiz a ligação mais difícil da minha vida.

Um toque, dois toques, três toques e ele atendeu.

— Kakashi, as viaturas acabaram de chegar. Muito obrigado — agradeceu aliviado.

Suspirei profundamente antes de dizer qualquer coisa.

— Isso é muito bom, Minato. Logo, logo acharemos o menino — disse tranquilo e continuei. — Bem... eu te liguei por outro motivo. Preciso muito conversar contigo. Pode me encontrar em 10min no Hokage's? — perguntei olhando no relógio.

Eram 17h26min.

— Você tem muito urgência nessa conversa? O momento não é bom, Kakashi, meu neto... — Não deixei ele terminar.

— Seu neto está bem, não se preocupe — falei seguro.

— Como assim? Você sabe de alguma coisa, Kakashi?

Era nítida a sua preocupação, mas eu sabia, a criança estava sim em segurança.

— Saber eu não sei, mas tenho um forte palpite — respondi decidido.

E entre questionamentos, Minato aceitou se encontrar comigo, logo após eu garantir-lhe que em breve receberia notícias do menino.


Saí da delegacia pensativo e dirigi tranquilamente até o Hokage's. Não demorou 5min e Minato chegava ao local. Notei que ele estava preocupado, porém, como eu suspeitava, assim que adentrou o recinto ele recebeu a ligação tão esperada.

Minato suspirou aliviado e veio até onde eu estava.

— Naruto já encontrou o Menma. Arigatou, Kakashi — agradeceu sincero.

— Bem... eu não fiz nada. Mas eu já imaginava onde o menino estava e é justamente por esse motivo que te chamei aqui para conversarmos — declarei seriamente.

Minato me olhou sério e eu sabia que ele havia entendido muito bem do que se tratava.

— Kakashi, esse assunto não me pertence. Não era comigo que você deveria estar conversando — falou decidido.

— Ah sim... eu entendo a sua posição. Só que o retorno do Naruto para Konoha, despertou sentimentos outrora esquecidos. Minato, eu não posso continuar num relacionamento sabendo que, possivelmente, minha noiva ama outro, você me entende? — disse resoluto e prossegui. — Se eu te chamei aqui para conversarmos é porque eu te respeito, e a decisão que eu tomar depois da nossa conversa pode mudar ou a minha vida ou a vida do seu filho — conclui determinado.

Minato pareceu pensar por uns instantes, me olhou fixamente e então, fez a pergunta que eu tanto temi ouvir.

— Sobre o que especificamente você quer saber?

Embora eu estivesse temeroso, pois eu sabia que o que Minato me contasse mudaria o curso da minha vida, declarei a ele tudo o que vinha me inquietando desde a volta do filho. E confesso, com toda sinceridade, que aquilo que ouvi naquele início de noite, mudou toda minha forma de ver o Naruto.

Ao saber a verdadeira história por trás da noite de farra em Tóquio, não tive somente pena do filho do meu amigo. Tive pena também de Hinata que, apaixonada, ficou no escuro por todos esses anos, acreditando que Naruto era um sem-vergonha. E ali eu entendi tudo o que havia acontecido.

Naruto foi muito mais homem do que eu. Pois quando Shizune me pediu uma família, como um jovem tolo, eu disse que não estava preparado, não assumindo o meu medo de ter um filho. E na verdade, eu já passava dos 30 anos, enquanto Naruto era apenas um jovem começando a vida.

Mas o choque maior veio ao saber da morte da Konan, de como ocorreu tudo. Naruto criou o filho sozinho, abriu mão da sua juventude. Enquanto eu, com 33 anos de idade me sentia muito novo para ser pai.

Hum... quanto eu era imaturo.

Contudo, quando eu pensei ter terminado, Minato me fez a pergunta mais difícil:

— Agora que você sabe de toda a verdade, sabe que Naruto nunca traiu Hinata intencionalmente, e também sabe que ele ainda a ama, o que você vai fazer, Kakashi? Porque para me chamar até aqui apenas para saber sobre o passado do Naruto, não faz muito sentido — concluiu indubitável.

Realmente não fazia e Minato estava certo.

Eu precisava ser homem, precisava assumir a minha derrota e era isso que eu faria naquele momento.

Olhei para ele e decidido levantei-me da cadeira.

— Agora que eu sei de toda verdade, posso dizer com todas as letras o nome do meu rival — falei tomando coragem.

Minato se levantou e me olhou intrigado.

— Omedetou, Minato. Você sim criou um homem, mas não foi para ele que eu perdi essa batalha — orgulhoso garanti.

Minato sorriu e balançou a cabeça abismado.

Caminhamos até a saída, e já do lado de fora entrei em meu carro indo resolver minha vida.

Minato chegou próximo a janela e num tom brincalhão se pronunciou antes que eu fosse.

— Kakashi, perder para uma criança tem suas vantagens.

Olhei-o sério e mantive o meu orgulho.

— Sim... mas agora vem a parte mais difícil — respondi decidido.

— E qual seria essa parte? — perguntou curioso.

— Hinata ainda está muito magoada e se Naruto quiser reconquistá-la, terá que penar muito para isso.

Sorri condescendente, mas por dentro estava arrasado.

Talvez, aquela fosse a parte mais difícil para o Naruto, mas para mim seria ainda pior abrir mão de quem eu mais amava para que ela fosse feliz ao lado do grande amor da sua vida.




(Naruto Uzumaki)


Saí da delegacia desesperado. Meu filho era a minha vida e se algo acontecesse com ele, eu morreria.

Quando cheguei na casa dos meus pais, minha mãe estava chorando copiosamente.

Ino e Sai haviam saído pela vizinha procurando pelo Menma e não o haviam encontrado.

Assim que me viu, minha mãe me abraçou aos prantos.

— Gomenasai, meu filho, a culpa é minha — disse com dificuldade.

Ino me contou como tudo aconteceu, mas eu estava tão aflito que mal escutava alguma coisa.

— Já procuraram lá em casa? — perguntei esperançoso.

— Sim... foi o primeiro lugar que o Tou-chan pensou — respondeu Ino limpando as lágrimas.

— Nós vamos achá-lo, ele não deve ter ido longe — falou o Sai que já saía para mais uma busca.

Sentei no sofá e desabei.

Eu convivia diariamente com tanta culpa, tanto remorso, que se eu perdesse o Menma, minha vida perderia o sentido.

De repente, meu celular tocou e eu atendi sem ao menos ver quem era.

— Moshi, moshi — falei sem vontade.

Mas a surpresa foi muito maior do que eu esperava.

Naruto, é a Hinata. Liguei para avisar que o Menma está comigo. Ele chegou aqui em casa sozinho e eu fiquei preocupada.

Meu coração disparou no exato momento em que eu ouvi a voz dela falando meu nome.

— Me passa seu endereço que estou indo aí buscá-lo — disse ansioso.

Me levantei do sofá sendo seguido por minha minha e minha irmã.

Quando desliguei o celular minha mãe suspirou aliviada.

— Onde ele está? — perguntou afoita.

— Na casa de Hinata. Vou lá buscá-lo —

— respondi correndo até meu carro.

Naqueles dois meses morando novamente em Konoha, até aquele momento eu não fazia ideia de onde Hinata estava morando. Entretanto, meu filho era bastante inteligente e gravou perfeitamente o caminho da casa dos meus pais até a casa dela, que ficava há três quarteirões de onde nós morávamos.

Quando parei em frente a casa de Hinata meu coração parecia querer sair pela minha boca. Eu estava tão ansioso, tão nervoso, que minhas mãos suavam tamanha a minha ansiedade.

Saí do carro e caminhei até a porta da singela casa com um lindo canteiro de flores pelo caminho.

Antes de subir os dois degraus da entrada, Hinata abriu a porta me recebendo.

E foi nossos olhos se encontrarem para um onda de sentimentos e lembranças me atingirem. Se tem uma coisa que eu aprendi na vida, foi nunca culpar aos outros pelos meus erros. E vê-la naquele momento me fez perceber mais uma vez que todas as minhas idiotices custaram um alto preço.

— Entre, ele está na cozinha — convidou-me seriamente.

Descalcei meus pés e segui junto a ela até o local indicado.

Menma estava tranquilo, comendo um pedaço de bolo e tomando um suco.

Suas perninhas balançavam agitadas demonstrando o quão feliz ele estava naquele momento. Meu coração apertou-se em meu peito ao compreender a cena a minha frente.

— Naruto, precisamos conversar — falou chamando a minha atenção para si.

Olhei para ela e vi o quanto Hinata estava séria naquele momento. Mas para mim, o peso de toda a culpa trouxe lembranças ainda mais dolorosas.

No dia em que liberei Hinata da nossa promessa, eu sabia que me arrependeria amargamente. E quer saber a verdade? Como eu me arrependi, muito.

Hinata me levou até a sala e sentou-se, convidando-me a fazer o mesmo.

Assim que estávamos sentados ela me encarou dando início a conversa.

Puxou uma foto do bolso e meus olhos se arregalaram ao ver qual era a foto.

— Primeiro... me explica isso. O que uma foto minha fazia com o Menma? — perguntou séria.

Coloquei a mão no bolso apertando a carteira para suavizar minha ansiedade.

Suspirei profundamente aliviando a tensão que eu sentia antes de respondê-la.

— Essa foto é minha. Menma pegou sem que eu visse. — Tentei soar o mais tranquilo possível.

Os olhos de Hinata pareciam ver a minha alma, tamanha a intensidade com que me perscrutavam. A única reação que tive foi tentar fugir deles. Todavia, Hinata não me permitiu fazê-lo.

— Naruto, olhe para mim. — Sua voz não passava de um sussurro.

Olhei-a com angústia. Hinata veria o que não devia.

— O que aconteceu com a mãe do Menma? — perguntou delicadamente.

E sem conseguir desviar meus olhos daquelas pérolas, contei-lhe uma pequena parte da verdade sobre a Konan.

— Konan faleceu quando Menma ainda era pequeno, ele nunca conheceu a mãe — respondi sem me aprofundar no assunto.

Mas somente aquilo não iria ser justificativa de nada e eu sabia.

— Você sabe que isso não justifica ele ter uma foto minha, não é verdade? Muito menos ele acreditar que eu seja a mãe dele — falou decidida.

Engoli em seco e apertei os joelhos nervoso.

— Olha, Hinata... me desculpe, mas esse é um assunto difícil... — Fui impedido de concluir o que dizia.

— Naruto, onegai... não me negue isso — pediu ressentida.

Eu nunca quis envolver Hinata num assunto que era de minha responsabilidade. Tudo o que eu estava vivendo era minha culpa, não dela. Eu queria que Hinata fosse feliz, contudo, o destino teimava em nos aproximar e expor a minha vergonha diante da única pessoa que eu fugia na minha vida.

Antes que eu pudesse responder alguma coisa, Menma veio correndo e pulou no meu colo.

Ah... a inocência da criança! A fase mais linda de todas.

Menma estava totalmente alheio a tensão que pairava no ar naquele momento. Tanto que me abraçou alegremente e, cheio de entusiasmo, declarou o que fazia na casa de Hinata.

— Tou-chan, viu como a casa da mamãe é bonita? Eu nunca mais vou embora — falou admirado.

Eu quase morri ao ouvir aquilo.

— Mas e o papai? Você vai me deixar sozinho? — perguntei tentando dissuadi-lo.

E com o mais puro dos sentimentos, sua resposta tocou bem no fundo da minha alma, acertando em cheio a minha ferida.

— Pois eu não vou mais embora e se o senhor quiser que venha morar com a gente, não é, Kaa-chan? — respondeu animado olhando para Hinata.

Tive que segurar o choro. Era como se o destino estivesse me jogando na cara cada um dos meus erros.

— Menma, papai não pode vir morar com a Hinata. Ela já tem alguém na vida dela, entende? — Tentei explicar de forma simples.

Ele olhou para Hinata e como se a vida fosse tão simples, Menma nos indicou a solução do problema.

— É só a Kaa-chan falar com ele e pronto. Ela já tem a gente.

Contando assim ninguém acredita, mas para ele era tão fácil resolver tudo.

Passei a mão nos cabelos dele e, sorrindo fraco, expliquei-lhe da melhor forma possível.

— Menma, a mamãe gosta muito do Kakashi, sabe. E ele também gosta muito dela. Não está certo o papai chegar aqui e tomar o lugar dele, está? — perguntei o olhando com carinho.

Ele olhou de mim para Hinata e tudo o que eu não fui capaz de fazer, meu filho, na inocência de criança, fez decididamente.

Ele desceu do meu colo e foi até Hinata, colocando as mãozinhas dos dois lados do rosto dela.

— Kaa-chan, o Tou-chan te ama muito e eu também. Fala com o Kakashi que a senhora já tem a gente e que a gente te ama muito.

Sabe o que aconteceu? Levei um soco do destino.

Todos esses anos eu amei Hinata inquestionavelmente. Eu carregava em meu peito a culpa de tê-la enganado, o remorso de ter sido um inconsequente e o desespero de tê-la perdido.

Eu busquei com as minhas próprias mãos todo o meu sofrimento. Todavia, lá estava o meu filho tentando reatar um laço que havia se partido há anos.

Ouvimos um barulho e a porta da frente se abriu. Kakashi adentrava a casa tranquilo e nos olhou inexpressivo.

Hinata levantou e foi até ele recebê-lo. Ela não precisou dizer nada.

— Eu sabia que ele estava aqui, eu sempre soube — disse sério olhando para o Menma.

Menma intimidou-se com o olhar do Kakashi e correu para o meu colo.

— Kakashi, eu liguei para o Naruto vir buscá-lo.

Hinata sorriu para o Menma que se escondeu em meu colo.

— É... eu sei — respondeu sério.

Levantei-me com Menma no colo decidido a ir embora.

— Hinata, obrigado por ter avisado. Prometo que não irá se repetir.

E antes que eu pudesse dizer qualquer outra coIsa, Kakashi se adiantou em fazê-lo.

— Não prometa coisas que não poderá cumprir, Naruto. Querendo ou não a criança já se apegou a Hinata e ela a ele. Será inevitável que ele retorne para ela — asseverou conclusivo.

Menma me apertou com força e eu sabia que ele estava com medo.

Segurei mais firmemente e anunciei nossa saída.

Hinata foi até a cozinha e trouxe a mochila do Menma.

“Ele realmente veio para ficar” pensei boquiaberto.

— Aqui, pode trazê-lo sempre que quiser — falou me entregando.

Assenti em concordância e rumei para a porta.

Antes que eu me despedisse, Hinata devolveu a foto que Menma havia trazido.

— Toma, é sua.

Fiquei sem reação. Mesmo depois de saber que a foto era minha ela decidiu me entregá-la.

Com Menma no colo e a mochila nos ombros, peguei a foto com a mão livre e segui porta a fora.

Hinata nos acompanhou em silêncio e quando estávamos descendo os degraus, Menma se despediu chorando.

— Ja ne, Kaa-chan. Eu juro que volto — prometeu com a voz chorosa.

Não me contive e chorei também.

Não era ele quem deveria estar fazendo promessas, não era ele quem deveria estar chorando. Era eu. Nem ele nem Hinata tinham culpa dos meus erros. Eles não precisavam estar sofrendo com as minhas idiotices, entretanto, lá estava meu filho prometendo algo que eu havia prometido há mais de 6 anos e por causa do meu descontrole com bebidas, e da minha imaturidade, nunca fui capaz de cumprir a minha promessa.

Saí dali arrasado, destruído. Nem me importei que meu filho visse as minhas lágrimas. E quando cheguei a casa dos meus pais, minha mãe, preocupada, veio correndo até mim.

— Ino, leve o Menma para a cozinha e dê alguma coisa para ele comer, sim? — disse me olhando complacente.

Sentei no sofá e desabei. Minha mãe sentou-se ao meu lado e meu pai a minha frente. Ela deitou-me em seu colo e, como se eu tivesse 5 anos de idade e não 29, chorei tudo o que estava sufocado em meu peito todos aqueles anos.

Chorei porque fui um fraco. Chorei porque eu mesmo causei meu sofrimento. Chorei porque me arrependi amargamente de todos os meus erros.

Eu sabia que era fraco para bebidas, mas eu pensei naquele dia: “é só uma festa, não tem nada demais nisso”.

Mas foi tudo ao contrário do que eu imaginava.

Fui drogado, fiquei descontrolado, transei com uma antiga ficante e mudei todo o meu destino.

Menma nunca foi a consequência dos meus erros. Perder Hinata, a mulher que eu amava, esse sim foi o meu preço. E agora, anos mais tarde, o que me restava de tudo aquilo eram apenas arrependimentos e mágoas.

Minha mãe acariciava os meus cabelos mostrando consolo onde não havia.

— Chora, ponha para fora todo esse remorso — disse ternamente.

Aí que eu chorei mesmo. Apertei a foto de Hinata, que trazia em mãos, contra o peito e solucei.

— Eu a perdi para sempre — falei aos prantos.

E quando não tinha mais lágrimas para chorar, minha mãe, com toda ternura se pronunciou.

— Naruto, você é Deus? — perguntou seriamente.

Não disse nada, apenas me encolhi mais ainda.

— Vamos, responda. Por acaso você conhece o futuro? — insistiu segura.

— Não — respondi com dificuldade.

— Então não diga o que não sabe — falou taxativa.

— Kaa-chan, a Hinata me odeia.

— Que nada! Não fale de coisas que você não sabe — falou determinada. — Você é muito impaciente, não sabe esperar que as coisas se ajeitem — concluiu seriamente.

Nada se ajeitaria, eu havia estragado tudo no momento em que fui naquela maldita despedida.

— Agora levanta daí e vá lavar esse rosto. Engole esse choro, seu filho deve estar assustado te vendo chorar desse jeito.

Levantei do seu colo limpando minhas lágrimas.

— Vou lavar meu rosto e depois vou para casa — disse indo ao banheiro.

Mas foi quando fechei a porta e olhei para foto que tive a maior surpresa do mundo.

Desde que Konan e eu nos casamos, guardei aquela foto na carteira para me lembrar de tudo o que eu havia perdido. E atrás da foto eu havia escrito uma frase que trazia como uma marca na minha alma.


“P.S. Eu Ainda Amo Você.”


E para minha surpresa, alguém havia me respondido.


“P.S. Eu também.”


Mas foram as inicias ali escritas que fizeram meu coração bater em desespero.


H.H.


Naquele dia eu reconheci e sofri por todos os meus erros. Mas de alguma forma, lá estava o destino me mostrando que nada estava perdido.


Hinata ainda me amava, porém, o que me deixava ansioso e desesperado era saber que mesmo me amando ela ainda continuava com outro. Mas o que eu menos esperava era que esse outro fosse mais altruísta que eu merecia.


Notas Finais


Gente, muito obrigada pelo carinho.
Estou muito feliz em ter voltado. Vou terminar Eu Vou Te Esperar primeiro e depois concluirei Uma Namorada Para o Papai, ok?

Um grande abraço a todos.

Com carinho
Dani


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