História Every Day - Capítulo 25


Escrita por: ~

Postado
Categorias Girls' Generation
Personagens Taeyeon, Tiffany
Tags Taeny
Exibições 133
Palavras 2.505
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Fantasia, Ficção, Romance e Novela, Yuri
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


oi mores desculpa a demora pra postar um novo capitulo

Capítulo 25 - Dia.6018


No dia seguinte, sou uma garota chamada Sunny e estou a apenas 45 minutos de distância de Tiffany. Ela me envia um e-mail dizendo que poderá sair da escola na hora do almoço.

No entanto, vou ter um dia difícil, porque hoje tenho aula em casa.

A mãe e o pai de Sunny são pais do-tipo-que-ficam-em-casa, e Sunny e as duas irmãs passam todos os dias com eles. O cômodo que na maioria das casas seria denominado sala de jogos é chamado de “sala das aulas” pela família de Sunny. Os pais até arranjaram três carteiras para elas, aparentemente sobras de alguma escola rural da virada do século passado.

Não dá para dormir tarde aqui. Todos nós acordamos às 7h, e existe um protocolo sobre quem toma banho quando. Consigo usar o computador escondido por alguns minutos para ler a mensagem de Tiffany e enviar a minha, dizendo que teremos que ver o que vai acontecer durante o dia. Então, às 8h, nos sentamos pontualmente às carteiras, e enquanto nosso pai trabalha no outro extremo da casa, a mãe nos dá aula.

Ao acessar, descubro que Sunny nunca esteve numa sala de aula além desta, por causa de uma briga que os pais tiveram com a professora da pré-escola da irmã mais velha sobre os métodos de ensino dela. Não consigo imaginar quais métodos do jardim de infância seriam chocantes o bastante para afastar uma família inteira da escola para sempre, mas não tenho como acessar informações sobre esse acontecimento, pois Sunny não tem ideia do que houve.

Ela só lida com as consequências.

Eu já tive aulas em casa antes com pais que eram interessados e interessantes, que queriam ter certeza de que os filhos teriam espaço para explorar e crescer. Não é o caso aqui. A mãe de Sunny é feita de um material severo, inflexível, e também é a oradora mais lenta que já ouvi.

— Garotas... vamos falar... sobre... os acontecimentos... que levaram... à... Guerra... Civil.

Todos as irmãs aceitam isso, resignadas. Elas sempre olham para a frente o tempo inteiro, numa imitação perfeita do ato de prestar atenção.

— O presidente... do... Sul... era... um homem... chamado... Jefferson... Davis.

Eu me recuso a ficar refém dessa maneira — não quando, em breve, Tiffany estará esperando por mim. Por isso, depois de uma hora, decido seguir a estratégia de Yixing.

 

Começo a fazer perguntas.

Qual era o nome da esposa de Jefferson Davis?

Quais eram os estados da União?

Quantas pessoas realmente morreram em Gettysburg?

Lincoln escreveu o discurso de Gettysburg sozinho?

E mais umas três dúzias delas.

Minhas irmãs olham para mim como se eu tivesse cheirado cocaína, e minha mãe fica confusa a cada pergunta, porque tem que procurar cada uma das respostas.

— Jefferson Davis... casou-se... duas vezes. A primeira esposa... Sarah... era filha do... presidente... Zachary Taylor. Mas Sarah... morreu... de malária... três meses depois... do... casamento. Ele voltou a se casar...

Isso continua por mais uma hora. Então pergunto a ela se posso ir à biblioteca para pegar alguns livros sobre o assunto.

Ela diz que sim e se oferece para me levar até lá.

 

• • •

 

O dia letivo está na metade, por isso sou a única na biblioteca. No entanto, a bibliotecária me conhece e sabe de onde estou vindo. Ela é simpática comigo, mas ríspida com minha mãe, o que me leva a crer que a professora do jardim de infância não é a única pessoa na cidade que minha mãe considera incompetente em seu trabalho.

Encontro um computador e envio um e-mail para Tiffany dizendo onde estou. Então pego uma cópia de Feed da prateleira e tento me lembrar onde parei, alguns corpos atrás.

Sento à mesa de leitura perto da janela, e minha atenção é atraída toda hora para o trânsito, mesmo sabendo que ainda vai levar umas duas horas até Tiffany aparecer.

Durante uma hora, ponho de lado minha vida emprestada e assumo a do livro que estou lendo. Tiffany me encontra assim, no espaço de leitura altruísta que minha mente me empresta. No início, nem percebo que ela está ali.

— Hã-hã — diz ela. — Imaginei que você fosse a única garota no prédio, portanto tinha que ser você.

É fácil demais. Não consigo resistir.

— Como é que é? — digo, abrupto.

— É você, não é?

Faço Sunny parecer tão confusa quanto possível.

— Eu te conheço?

Agora ela começa a ficar em dúvida.

— Ah, desculpe. É só que, hum, eu ia me encontrar com uma garota.

— Como ela é?

— Eu não, hum, conheço. É, tipo, uma coisa da internet.

Resmungo.

— Você não devia estar na escola?

Você não devia estar na escola?

— Não posso. Tem uma garota realmente incrível com quem eu ia me encontrar.

Ela me lança um olhar severo.

— Imbecil.

— Desculpe. É só que...

— Sua idiota... imbecil.

Ela está com raiva de verdade. Eu fiz uma besteira de verdade.

Levanto da mesa de leitura.

—Tiffany, me desculpe.

— Você não pode fazer isso. Não é justo. — Ela está de fato se afastando de mim.

— Nunca mais vou fazer. Prometo.

— Não acredito que você acabou de fazer isso. Olhe nos meus olhos e diga mais uma vez.

Diga que promete.

Olho nos olhos dela.

— Eu prometo.

É o suficiente, mas não de verdade.

— Acredito em você — diz ela. — Mas ainda é uma imbecil até que prove o contrário.

Esperamos até a bibliotecária estar distraída, então saímos de fininho pela porta. Fico preocupada sobre se há alguma lei sobre denunciar garotas que têm aula em casa e que saem sem consentimento. Sei que a mãe de Sunny volta daqui a duas horas, sendo assim, não temos muito tempo.

Vamos até um restaurante chinês na cidade. Se eles acham que devíamos estar na escola, não tocam no assunto. Tiffany me conta sobre a manhã monótona dela: Seunghyun e Bom brigaram de novo, mas fizeram as pazes no segundo tempo; e conto para ela como foi estar no corpo de Sohyun.

— Conheço tantas garotas assim — diz Tiffany quando termino. — As perigosas são aquelas que são realmente boas nisso.

— Suspeito que ela seja muito boa.

— Bem, fico feliz por não ter tido que conhecê-la.

Mas aí você não pôde me ver, penso, e guardo para mim.

Encostamos os joelhos debaixo da mesa. Minhas mãos encontram as dela, e nos damos as mãos. Conversamos como se nada disso estivesse acontecendo, como se não sentíssemos a vida pulsar através de todos os pontos onde estamos nos tocando.

— Desculpe por ter chamado você de imbecil — diz ela. — É só que... já é difícil do jeito que é. E eu tinha tanta certeza de estar certa.

— Eu fui uma imbecil. Fico achando que tudo isso parece normal.

— Minhyuk faz isso às vezes. Finge que não contei para ele uma coisa que acabei de contar.

Ou inventa uma história e ri quando caio nela. Odeio isso...

— Desculpe...

— Não, está tudo bem. Quero dizer, ele não é o primeiro. Acho que tem alguma coisa em mim que as pessoas adoram enganar. E provavelmente eu faria isso, enganar as pessoas, se a ideia já tivesse me ocorrido.

Tiro todos os hashis do suporte, colocando-os em cima da mesa.

— O que você está fazendo? — pergunta ela.

Uso os hashis para desenhar o maior coração que consigo. Então pego pacotinhos de adoçantes e começo a preenchê-lo. Pego alguns emprestados de outras duas mesas quando os da nossa acabam.

Quando termino, aponto para o coração na mesa.

— Isso — digo — é apenas a nonagésima milionésima parte de como me sinto em relação a você.

Ela ri.

— Vou tentar não levar para o lado pessoal — diz.

— Levar o que para o lado pessoal? — pergunto. — Você deveria levar para o lado muito pessoal.

— O fato de você ter usado adoçante artificial?

Pego um pacotinho e jogo nela.

— Nem tudo é um símbolo! — grito.

Ela ergue um dos hashis e empunha como se fosse uma espada. Pego outro, e duelamos.

Estamos nisso quando a comida chega. Me distraio, e ela me dá um belo golpe no peito.

— Morri! — proclamo.

— Quem pediu frango mu shu? — pergunta o garçom.

O garçom continua a nos servir enquanto rimos e falamos sem parar durante o almoço. É um verdadeiro profissional, o tipo de garçom que enche o copo de água quando ele está pela metade sem que você perceba a presença dele.

Ele nos entrega os biscoitos da sorte ao final da refeição. Tiffany quebra o dela na metade com cuidado, dá uma olhada no pedacinho de papel e franze a testa.

— Isso não é uma sorte — diz, mostrando-o para mim.

VOCÊ TEM UM BELO SORRISO.

— Não. Você terá um belo sorriso... Isso seria uma sorte — digo a ela.

— Vou mandar trocar.

Ergo uma das sobrancelhas... ou pelo menos tento. Tenho certeza de que parece que estou tendo um derrame.

— Você costuma devolver biscoitos da sorte com frequência?

— Não. É a primeira vez. Quero dizer, este é um restaurante chinês...

— É negligência.

— Exato.

Tiffany chama o garçom, explica a situação, e ele responde que sim com a cabeça.

Quando volta para nossa mesa, traz meia dúzia de biscoitos da sorte para ela.

— Só preciso de um — diz para ele. — Espere um segundo.

O garçom e eu prestamos muita atenção enquanto Tiffany quebra o segundo biscoito da sorte. Desta vez, dá um belo sorriso.

Mostra para nós duas.

A AVENTURA ESTÁ LOGO ALI.

— Muito bem, senhor — digo ao garçom.

Tiffany me cutuca para que eu abra o meu. Abro e descubro que é exatamente a mesma sorte dela.

Não mando trocar.

Voltamos para a biblioteca e ainda temos cerca de meia hora livre. A bibliotecária nos vê entrando, mas não diz nem uma palavra.

— Então — pergunta Tiffany —, o que eu deveria ler a seguir?

Mostro Feed para ela. Falo sobre A menina que roubava livros . Arrasto-a até encontrar Destroy all cars e First day on Earth. Explico para ela que os livros têm sido minha companhia durante todos esses anos, as constantes do dia a dia, as histórias às quais sempre posso retornar, mesmo quando a minha está sempre mudando.

— E quanto a você? — pergunto. — O que você acha que eu deveria ler a seguir?

Ela segura minha mão e me conduz para a seção infantil. Olha ao redor por um segundo, então caminha até uma prateleira de exposição. Vejo um certo livro verde ali e entro em pânico.

— Não! Esse, não! — digo.

Mas ela não está estendendo a mão para o livro verde. Está pegando Harold and the Purple Crayon.

— O que você poderia ter contra Harold and the Purple Crayon? — pergunta ela.

— Desculpe, pensei que você estivesse indo na direção de A árvore generosa.

Tiffany olha para mim como se eu fosse um pato louco.

— Eu ODEIO A árvore generosa.

Fico muito aliviada.

— Graças a Deus. Se esse fosse o seu livro favorito, seria o fim de nós duas.

— Tome, leve meus braços! Leve minhas pernas!

— Leve minha cabeça! Leve meus ombros!

— Por que isso é amor!

— Aquele garoto é, tipo, o imbecil do século — digo, aliviada pelo fato de Tiffany saber do que estou falando.

— O maior imbecil na história da literatura — arrisca Tiffany. Então coloca Harold no lugar e se aproxima de mim.

— Amar significa nunca precisar perder seus membros — digo, me aproximando para beijá-la.

— Exato — murmura ela, os lábios logo sobre os meus.

É um beijo inocente. Não vamos nos agarrar nos pufes da sala de leitura infantil. Mas isso não impede o efeito de ducha fria quando a mãe de Sunny grita o nome dela, chocada e aborrecida.

— O que você pensa que está fazendo? — pergunta ela. Imagino que esteja falando comigo, mas quando se aproxima de nós, vai para cima de Tiffany. — Não sei quem são seus pais, mas eu não criei minha filha para ficar se agarrando com vadias lésbicas.

— Mãe! — grito. — Deixa ela em paz!

— Entre no carro, Sunny. Neste minuto.

Sei que só estou piorando as coisas para Sunny, mas não me importo. Não vou deixar Tiffany sozinha com ela.

— Fique calma — digo à mãe de Sunny, e minha voz desafina um pouco. Então me viro para Tiffany e digo que falo com ela mais tarde.

— Você certamente não vai fazer isso! — proclama a mãe de Sunny. Sinto certa satisfação pelo fato de que vou estar sob a supervisão dela apenas pelas próximas oito horas, se tanto.

Tiffany me dá um beijo de despedida e cochicha que vai dar um jeito de fugir no fim de semana. A mãe de Sunny segura a orelha dela e a arrasta para fora.

Dou uma risada, e isso só piora as coisas.

É como Cinderela. Dancei com o príncipe e agora estou de volta à casa, limpando privadas. Esse é meu castigo: limpar todas as privadas, todas as banheiras, todos os cestos de lixo. Isso já seria bastante ruim, mas a cada dois ou três minutos a mãe de Sunny aparece e me dá um sermão sobre os “pecados da carne”. Espero que Sunny não internalize a tática de intimidação dela. Quero discutir com ela, dizer que os “pecados da carne” são apenas um mecanismo de controle, porque se você demonizar o prazer de uma pessoa será capaz de controlar a vida dela. Não sei dizer quantas vezes esta arma foi empunhada contra mim, numa variedade de formas. Mas não vejo pecado em um beijo. Só vejo pecado na condenação.

Não digo nada disso para a mãe de Sunny. Se ela fosse minha mãe em tempo integral, eu diria. Se fosse eu a aguentar as consequências, eu diria. Mas não posso fazer isso a Sunny. Já baguncei a vida dela. Espero que para melhor, mas pode ser que tenha sido para pior.

Enviar um e-mail para Tiffany está fora de questão. Isso vai ter que esperar até amanhã.

Depois que todas as tarefas estão concluídas e o pai de Sunny fez suas ponderações com um discurso próprio, aparentemente ditado pela esposa, vou cedo para a cama, me aproveitando do silêncio de um quarto todo meu. Se o tempo que passei como Tiffany serve de evidência, sou capaz de construir as lembranças que deixarei comSunny. Então quando deito na cama dela, crio uma verdade alternativa. Ela vai se lembrar de ter ido até a biblioteca, e de conhecer uma garota. Ela será uma estranha na cidade, cuja mãe deixou na biblioteca enquanto visitava uma velha amiga. Ela perguntou o que ela estava lendo, e começaram a conversar. Foram até o restaurante chinês juntas e se divertiram. Ela realmente gostou dela, e ela, dela. Voltaram para a biblioteca, tiveram a mesma conversa sobre A árvore generosa e se aproximaram para dar um beijo. Foi aí que a mãe dela chegou. Foi isso que a mãe dela estragou. Uma coisa inesperada, mas também maravilhosa.

A garota desapareceu. Nunca disseram os nomes uma para a outra. Ela não tem ideia de onde ela mora. Estava tudo lá num instante, e então o instante se desfez.

Estou deixando-a com saudade. O que pode ser uma coisa cruel a se fazer, mas espero que ela use esse sentimento para sair desta casa muito, muito pequena.



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