História Everything Has Changed. - Capítulo 11


Escrita por: ~

Postado
Categorias The Beatles
Personagens George Harrison, John Lennon, Paul McCartney, Personagens Originais, Ringo Starr
Tags John Lennon, Mclennon, Paul Mccartney, Romance, The Beatles
Visualizações 190
Palavras 5.056
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Famí­lia, Ficção, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Slash, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


OLÁAAAA, pessoas lindas! tudo bem? então, não sei se repararam, mas esse capítulo demorou mais que os últimos para sair, porque agora estamos entrando no clímax da história. isso me deixa animada, mesmo requerindo muito mais do meu esforço.
ok, eu não quero ser *aquela pessoa* mas não pude deixar de reparar a queda nos comentários do último capítulo e eu gostaria de saber, foi algum erro meu ou a galera não chegou a ler ainda? falem comigo! 💙

Capítulo 11 - Past.


Paul sentiu o ar quente sair de suas narinas e voltar para seu rosto, o acordando lentamente, como uma brisa de verão. O ar que saiu de si bateu no peito nu de John, que estava tão próximo que o mais novo podia sentir a pele roçar contra sua testa, que estava coberta pelos fiapos da franja. Ele levantou minimamente seu rosto, podendo ver o perfeito contorno do queixo e do nariz de John, tentando sincronizar sua respiração com a respiração mais calma do mais velho, que adormecia tranquilo. 

A mente dele rondava a voz de Cynthia, ao fundo, rindo e conversando com ele sobre John, meses antes de sumir e deixar o marido e o filho sozinhos. Ela dizia que ele, definitivamente, não era o garoto mais bonito da cidade porém, o que tinha mais atitude. Naquele momento, em seus braços, e vendo a feição mais calma que um ser humano poderia ter, Paul achou que John era o homem mais bonito que seus olhos haviam visto, mesmo com os arroxeados do rosto lentamente tomando um tom normal e as cicatrizes cada vez mais fechadas.

A proximidade e o braço do outro envolvido em sua cintura causavam um sentimento de estranheza e ao mesmo tempo, familiaridade. Pete não gostava de dormir com Paul, o que era bastante compreensível pois na época, não eram assumidos, porém, quando adolescente, ele dormia abraçado com o pequeno Mike para garantir que nenhum monstro entrasse no quarto do menino de oito anos. Ele sentiu sua respiração ficar rápida ao lembrar do irmão, o que causou um suspiro falho e fez com que ele aproximasse seu rosto ainda mais do peito de John, o pressionando e inalando o cheiro que o mais velho exalava. 

O movimento brusco acordou o outro, que formou um sorriso largo em seus lábios finos, sabendo que em seus braços estava a única pessoa que ele gostaria que estivesse ali. — Bom dia para você também. — provocou, dando uma risada.

John pressionou seus lábios contra o topo da cabeça de Paul e deixou ali, um beijo. Enquanto o mais novo o abraçava mais fortemente, fazendo com que o contato de seus corpos nus aumentasse. Naquele momento, quis se levantar e perguntar para George se ele conseguia ver o homem mais novo ali, porque John estava incerto sobre a realidade de Paul. Ele poderia facilmente ser extraído de seus sonhos, uma fantasia de um garoto criativo e reprimido sobre sua bissexualidade. O Lennon de dez anos antes estaria orgulhoso dele. 

— Que horas são? — Paul afastou sua cabeça, ato que John respondeu apertando ainda mais seu braço ao redor dele, enquanto sua palma repousava em suas costas. 

John semicerrou os olhos para poder ver o relógio de mesa que estava no criado-mudo de lado oposto ao dele, com dificuldade de enxergar os números grandes e vermelhos que piscavam, sinalizando que havia tocado porém, perdido. 

— Dez e alguma coisa. — Aquele "alguma coisa" poderia significar qualquer número, já que John não conseguia vê-los de maneira alguma. — E Julian ainda não veio me acordar. Estranho pois ele tem aula hoje, hoje é segunda, não? — dizia para si mesmo, notando que havia perdido completamente a noção de horários e tempos. George fazia falta esses dias, afinal de contas, ele sempre acordava cedo para levar Julian para a escola. 

John se levantou e vestiu-se rapidamente com uma calça que ele havia comprado meses antes quando disse para si mesmo que iria correr pelo bairro, porém, não andou nem dois quarteirões. Virou-se para trás a tempo de ver Paul cobrir seu corpo novamente e voltar a dormir. Caminhou até a porta do quarto de Julian e viu seu filho adormecido ainda, se aproximou da cama do garoto e levou a mão até a testa do garoto, retirando seus cabelos loiros dali para poder checar sua temperatura, que não estava além do normal. Provavelmente o filho estava entrando na fase onde ele sentiria sono a maior parte do tempo e odiaria John, assim como ele era antes com Mimi. 

Naquele momento, observando o filho adormecido, assim como Paul havia feito minutos atrás, ele pôde ver o garoto grande que ele havia se tornado, e não a criança que ele constantemente se perguntava onde havia ido parar. Ele havia perdido pontos importantes da criação de Julian e se sentia culpado por isso.

A criança abriu os olhos e sorriu para o pai, levantando o seu cobertor até a altura de queixo para lhe manter aquecido. 

— Bom dia, campeão. — sussurrou o pai, com um sorriso temo entre seus lábios. Sorriso esse que havia aparecido vezes demais desde que ele havia percebido que poderia perder o filho. — Vou fazer um suco para você, hm? Não precisa descer, está muito frio. — fez uma careta, causando uma risada fraca no garoto que concordou com a cabeça. 

John desceu as escadas e Julian sentiu que não conseguia mais ficar deitado. O garotinho levantou-se e em passos lentos, arrastava o cobertor pesado em suas costas, foi até o quarto do pai, encontrando ali um Paul devidamente vestido. Ele vestia a camiseta que na noite passada pertencia à John e agora, estava com seu cheiro impregnado. 

Ele estava deitado entre os lençóis brancos quando viu a junção de seus pensamentos, que estavam divididos entre Cynthia e John, em sua frente. 

— Jules! — sorriu para o garotinho que ao perceber o professor ali, correu até a cama e deitou-se ao seu lado. O cobertor colorido do garoto era o suficiente para tirar qualquer pensamento trágico de sua mente. 

— Bom dia, Paullie. — imitou o apelido que o pai geralmente usara e estendeu sua mão para o mais velho, que a segurou e logo, começaram um jogo dos polegares onde nenhum vencia, apenas moviam os dedões em uma dança enquanto o mais velho mantinha seu olhar em Julian. — Você vai ficar no lugar da minha mãe agora?

— Não! — Paul disse imediatamente. A ideia de alguém substituindo sua mãe parecia-lhe interessante quando Mary morreu e ele tinha quatorze anos, mas isso jamais aconteceu e jamais acontecerá. — Sua mãe sempre será sua mãe. E ela sempre te amará com todo o coração.  

— Por que ela não está aqui? — levantou seu olhar para finalmente encarar o professor, que apenas lhe deu um sorriso. Ele não entendeu o motivo do sorriso mas era contagiante, e ele o retribuiu.

— Porque ela precisava, não porque não quis estar com você. — disse, assim como dizia para Michael que tinha oito anos quando a mãe faleceu. Julian o lembrava o irmão. Provavelmente eram os cabelos loiros ou a inocência que ele rezava para que não fosse tirada do garoto como foi com Mike. Paul levou a mão de Julian até a boca e lhe deu um beijo. — Acredite, ela quer. Você é muito amado, Jules. Por Cynthia, por John e por mim. Até por George, mas finge que acredita quando ele diz que não tem sentimentos. — os dois riram da última parte.

Na porta, silenciosamente, John observava a cena. Julian podia não ser mais parte física dele, não depender mais dele para levá-lo ao banheiro ou para espantar os pesadelos que assombram a mente criativa de um garoto de cinco anos. Mas definitivamente, era parte de si. A melhor parte. E ver Paul ali, amando seu filho como se fosse seu próprio, ele percebeu que Paul, diferentemente de Cynthia ou de qualquer outra pessoa em sua vida, iria conseguir o amar por inteiro. 

 

 

George estava comendo uma tigela de cereal, aquele que ele odiava que era colorido e tinha sabor de frutas, com leite quando a morena saiu do quarto de Richard, com seu vestido que na noite anterior poderia ser extremamente sedutor, mas agora parecia destoar demais do rosto da garota que estava com os cabelos desarrumados e com a maquiagem borrada. 

— Bom dia. — ele disse, retirando um pedaço que havia prendido em um dente do fundo enquanto olhava para a morena e Ringo, que estava vestido apenas com uma calça jeans. 

— Oi. — respondeu a garota, usando um tom sedutor. — Mo. — ela estendeu a mão até o mais novo que a apertou. 

— George. — sorriu ao ver a expressão ofendida de Richard ao ver a garota que minutos antes estava em seu colo dando em cima do amigo. — Eu te ofereceria um café da manhã, mas só tem essa porcaria aqui. — olhou com desprezo para a tigela que ainda obtinha um resto de leite antes de levá-la até o rosto e tomar o líquido em um gole.

— Não tem problema. Eu já vou. — virou-se para o mais velho e lhe deu um selinho nos lábios. — Me liga mais tarde, Ritchie. — sorriu abertamente enquanto levava sua mão até a bunda dele e cravava suas unhas na pele do mesmo. Ela se virou e saiu do apartamento.

— Garota adorável. — Harrison concluiu após Starkey fechar a porta. O mais velho não conseguiu detectar a ironia na voz do outro. 

— Eu sei. Ela tem uma tatuagem de golfinho bem na- — Ele começou a dizer até ser interrompido pelo áudio de uma mulher gemendo vindo do celular de George.

— John me mandou. — Ele disse sem graça, logo tratando de levar a tigela azul até a pia e a lavando em seguida. — E cara, compra um sofá melhor. Esse acabou com a minha coluna.

Ringo levou seu olhar para o sofá vermelho que possuía um cobertor desdobrado acima do mesmo que ele sabia que se chegasse perto demais, iria estar empestado com o cheiro do perfume do mais novo. 

— Por que tu veio pra cá mesmo? — disse. À essa medida, os dois não se importavam se estavam sendo diretos ou grossos demais um com o outro. A sua amizade havia crescido consideravelmente desde a festa de Julian e agora, eles não eram apenas conhecidos e sim, melhores amigos. Do tipo de amigos que fogem juntos de seguranças de dois metros de altura. 

— Porque eu descobri isso. — secou as mãos com um pano de prato que havia custado a achar e caminhou até o sofá, retirando o cobertor, fazendo com que o cheiro do perfume voasse pelo cômodo e revelasse o notebook de Ringo, que ele havia usado na noite anterior enquanto o dono estava ocupado demais sendo um ser-humano normal. — Eu estava em casa e conectei essa coisinha — ele se referia ao pen-drive. — em meu notebook, que meio que explodiu mas antes eu pude ver o nome do dono, e é Linetti. Eu procurei o nome em estabelecimentos locais e achei, você vai gostar do que é.

— O que? — O mais velho se aproximou e se sentou ao lado do outro, vendo o aplicativo do Google Maps aberto e com algumas rotas de caminho destacadas em verde e azul.

— O bar. — ele sorriu, satisfeito. — Onde Brian trabalha.

 

 

O dia era nublado e Julian estava sentado ao lado de Paul, apoiando sua pequena cabeça no ombro do professor enquanto assistia um episódio de Hora de Aventura onde a única saída para os personagens era a música, tema que interessava McCartney, que mantinha seus olhos grudados na tela. John estava sentado não muito longe, no chão, digitando alguns trechos para seu novo trabalho, porém, nada parecia sair bom suficiente para ganhar uma boa quantidade de dinheiro. 

Geralmente, os escritores de pornô sentiam-se mais criativos após uma noite de sexo, porém, não John. Ele se sentia mais criativo quando estava sexualmente frustrado. 

Ele levantou o olhar para encarar o outro, pensando consigo mesmo que fazia tempos que não sentia sua alma tão em paz quanto naquele dia. Paul retribuiu o olhar e lhe mostrou a língua, causando uma risadinha de Lennon, que voltou sua atenção à tela em branco. 

A cabeça de Julian pareceu pesar mais no ombro de McCartney, que virou seu rosto para poder ver o rosto angelical adormecido. Talvez fossem o jeito que as narinas se abriam ou que os cílios só apareciam quando os olhos estavam fechados, mas ele o lembrou John. Ele pegou o menino em seus braços, se levantou e subiu as escadas com o mesmo, que não protestou, apenas sorriu satisfeito por estar sendo carregado. Colocou Julian na cama e o cobriu, tendo certeza de que ele estava bem-coberto e que as baixa temperatura não iria atingi-lo. 

Ele caminhou de volta até a sala e se sentou ao lado de John, que sorriu para ele. Os dois murmuraram um simpático "Oi" entre sorrisos, que resultou em risadas tímidas, porém confortáveis. 

— O que está fazendo? — Paul franziu o cenho enquanto virava seu rosto em direção da tela preta que havia apenas algumas anotações em formato de tópicos. 

— Tentando escrever algo. — John murmurou, encostando suas costas no sofá enquanto esticava as pernas e sentia o pêlo do tapete acariciar a palma de suas mãos. 

— Bem, é seguro dizer que os seus pornôs são os melhores que eu já vi. — Paul disse sentindo suas bochechas adquirirem um tom rosa claro. — Não que eu já tenha visto muitos na vida. — E era fato, Paul não havia tido tempo em sua adolescência para assistir pornô ou para bater punheta pensando na Posh Spice, porém, ele havia feito coisas piores que provavelmente pertenceriam à um filme pornô dos anos 80. 

John poderia corar se não sentisse que seu trabalho fosse tão repugnante. Ele riu juntamente de Paul, concordando com a cabeça, sem muitos comentários adicionais sobre sua carreira como escritor de filmes pornográficos.

— O meu preferido foi aquele da babá e do jardineiro. — Paul se esforçava para manter-se sério, afinal, não seria ele o escroto á rir do trabalho de John. — A parte que ele começa a bater nela usando a espátula de cozinh-

Ele foi interrompido por uma gargalhada vinda de John e logo, tratou de acompanhar. Os dois agora riam da pobre babá que apanhou enquanto era fodida pelo jardineiro que não usava nada além de um avental verde escuro. 

Era muito bom rir junto de Paul, John sentiu isso. Ele sentiu como se pudesse rir de qualquer coisa com ele, à qualquer hora. Seu peito inchou enquanto ele tentava normalizar a respiração e nesse sopro de ar, ele soltou.

— Ah, eu estou tão apaixonado por você.

 

Naquele momento, Paul foi transportado para a primeira vez que disse que estava apaixonado por alguém, dez anos antes, dois anos depois de sua mãe ter falecido. Ele e Mike corriam de seu pai, não era a primeira vez que eles faziam algum tipo de pegadinha com Jim, mas era a primeira vez que eram quase flagrados.

Os dois gargalhavam enquanto o pai, cheio de glitter e com os cabelos encharcados andava na rua dando passos raivosos em direção até onde ele podia ver seus filhos indo. 

Paul e o irmão entraram no diner que estava sempre aberto e que tinha a garçonete preferida dos dois. Ele se perguntava como o Joe, o dono do diner, conseguia se manter sendo que toda vez que ele ia para o lugar após a aula, via os mesmos poucos fregueses. Ele e Mike inclusos. 

— Oi! — Jane abriu um largo sorriso ao vê-los. A namorada de Paul era, provavelmente, a garota mais bonita que ele já havia visto. Seus cabelos naturalmente ruivos e o sorriso simpático o ganharam de primeira, a sua ótima personalidade veio para completar o pacote. — Qual a pressa? 

— Você não nos viu aqui. — disse, enquanto corria com Michael para os fundos, lugar muito conhecido por ele como lugar onde ele era livre para beijar Jane. 

Não demorou muito para que Jim McCartney aparecesse pela porta e andasse diretamente à ruiva, que podia sentir seu corpo totalmente tenso e até mesmo trêmulo. Paul não conseguia ouvir muito além da voz grossa do pai em contraste com a voz pequena e tímida de Asher. Ele colocou o indicador à frente dos lábios enquanto olhava para o mais novo, indicando para que ficasse em silêncio. 

Ouviu o sino da porta soar, sinalizando que o homem já havia ido embora. Paul e Mike saíram da posição e caminharam até Jane, que além de uma ótima namorada para Paul, era uma amiga, para ele e Michael. Uma figura feminina boa e presente na vida do pequeno era o que ele precisava. 

— O que vocês fizeram? — ela disse entre risos, enquanto via o pequeno sair pelo balcão e sentar em uma das mesas vazias. — Milkshake de chocolate? — Ela perguntou para confirmar o pedido que ele sempre fazia.

Quando ela virou seu rosto para frente, via que o mesmo estava sendo segurado pelas mãos firmes de McCartney, que ostentava um sorriso malandro e jovial no rosto.

— Estávamos brincando, só isso. — provocou, causando risadas na namorada, que parecia estonteante no uniforme rosa-claro que usava. Ela semicerrou os olhos, como sua mãe fazia quando sabia que ele estava mentindo. Jane foi o primeiro amor de Paul, sua primeira namorada e a mulher com quem ele iria se casar, mas não conseguiu. Ele não sabia se iria conseguir viver o resto da vida sem provar um homem. — Eu amo você, sabia disso? — admitiu, olhando os olhos azuis da namorada, que abriu um sorriso ainda maior do que o que já era natural em seu rosto. 

 

A segunda vez que Paul deixou um "eu te amo" escapar fora após uma noite de amor com Pete Best. Ele tirou o seu membro de dentro da entrada do parceiro e lhe depositou um beijo no topo da coluna. 

— Pete. — Ele chamou ao ver o outro se levantando com certa dificuldade enquanto procurava as suas peças de roupas em cada canto do pequeno quarto no apartamento de Paul. 

— Diga. — respondeu friamente enquanto colocava suas calças, lembrando-se de quão brutalmente ela havia sido arrancada de seu corpo. 

— Eu amo você. — sussurrou, sabendo que ele iria escutar por causa do silêncio predominante do quarto. 

Pete não respondeu, apenas se sentou na cama e começou a calçar seus sapatos. Ele soltou um suspiro calmo enquanto McCartney sentia o incomodo de não ser recíproco tomar conta de suas entranhas. 

— Eu não acho que nós devíamos continuar com isso. — disse sério após terminar de amarrar os cadarços. Paul sentiu seu mundo se quebrar em dois. — Eu tenho família, você sabe. Eu não quero arriscar isso, não por você.

Paul apenas assentiu. Sentindo um nó cada vez mais embolado crescer em sua garganta, assistindo Pete ir embora, ele pôde ouvir a mesma voz pequena e tímida de sete anos antes, só que dessa vez, não havia nenhum contraste.

— Ouch. O que deu no teu namoradinho? — disse Jane, abrindo a porta do quarto de Paul. 

O noivado deles havia sido um fracasso, porém, decidiram continuar amigos e dividir apartamento, já que moravam juntos antes. Paul não conseguiu disfarçar os olhos avermelhados e o nariz fungando. Jane sabia o que era isso, ela sentiu isso no ano anterior, quando ela e Paul terminaram. Ela deu passos até a cama do amigo e envolveu seus braços ao redor do mais velho. E como um filho que chora nos braços de uma mãe, ele chorou a noite inteira no ombro de Jane.

 

— Não! Eu... hm, não estou. — John disse, tirando Paul de seus dois últimos devaneios, que duraram segundos mas em sua mente pareciam anos. 

— Ahn. Certo. — Paul disse, concordando com a cabeça enquanto franzia levemente o cenho. 

— Não que você não seja.... hm, apaixonante, é só que... — John sentiu seu coração bater cada vez mais rápido ao reparar que suas palavras estavam desconexas.

— John, tudo bem. — disse, com a voz calma. Lennon não gostava de quando Paul usava esse tom com ele, parecia quando ele e Mimi brigavam e ela dizia que "estava tudo bem", mesmo não estando. — Eu só, hm, vou para casa.

— Você quer uma carona? Digo, pode chover! — ele ainda parecia agitado demais.

Paul voltou para a noite que ele disse que amava Pete, e como o seu coração se partiu quando ele não pôde dizer o mesmo. Mas esse não era o caso, ele sentia no fundo de sua alma que o sentimento que John havia declarado (e retirado) poderia ser recíproco. Mas não tão cedo. 

— Ok! — respondeu, simplesmente.

 

 

O caminho de George e Ringo fora longo até o bar que durante o dia, funcionava como restaurante japonês. Eles adentraram o local e tentaram falar com uma atendente japonesa que não conseguia compreender nenhuma palavra de inglês. 

— Linetti. Pen-drive. Conversar. — Ringo dizia enquanto a mulher simplesmente tombava a cabeça para o lado, em questionamento. 

— Tudo bem, Yoko. Eu falo com eles. — Brian Epstein disse, tocando no ombro da japonesa, fazendo com que a mesma soltasse alguns palavrões em sua língua-nativa. — O que eu posso fazer por vocês garotos?

— Precisamos falar com o dono do bar. Sobre isso. — George disse e retirou o pen-drive do bolso. Eppy concordou com a cabeça e mordeu seu lábio inferior. 

— Vou ver se ele está disponível. — disse num tom sério, que jamais fora usada com nenhum dos outros antes. 

Os dois aguardaram o retorno de Brian entre encaradas da japonesa, que parecia mais assustadora à cada vez que Harrison olhava para ela, e mordidas em cada um de seus biscoitos-da-sorte. O de Ringo havia vindo em branco, infelizmente. 

Brian voltou e caminhou até os garotos, com uma expressão de poucos amigos.

— Ele está no andar de cima, terceiro quarto. — disse simplesmente. — E ele quer essa porra de pen-drive de volta. 

Os dois não responderam Brian, que parecia muito diferente do sorridente bartender que haviam visto duas noites atrás. Os dois davam passos tensos pelas escadas até que George parou de andar.

— O que? Vai me beijar de novo? — Ringo provocou, ostentando um sorriso brincalhão em seu rosto.

— Cala a boca. — George retirou seu celular do bolso e ativou o gravador de áudio. — Assim não perdemos nada. — Guardou-o novamente no bolso.

Os dois caminharam pelo salão que, durante a noite, costuma ser um local onde os garotos vão atrás de prostitutas e as comem ali mesmo, nos quartos que eram divididos apenas por uma cortina fina. 

Suas mentes criavam teorias de como e quem seria Linetti desde que cada um descobrira o nome. Para George, ele seria um homem raquítico, possuía dreads no cabelo, mas seria branco. Um bigode, provavelmente. E roupa esportiva, mesmo sem praticar nenhum esporte. Para Ringo, ele era um homem grande e alto, com o cabelo afro e pele negra. 

Quando a cortina se abriu e revelou o homem, os dois sentiram vontade de rir. Ele era, aparentemente, limpo. Seu corpo era gordo e fofo, assim como suas bochechas. Seu cabelo era perfeitamente alinhado para a direita, que combinava perfeitamente com o tom castanho claro. Ele usava uma camisa polo cor de salmão. 

— Andrew e Jack Powell? — ele disse. George arregalou os olhos em surpresa lembrando-se à quem pertenciam esses nomes. Ringo iria responder mas o mais novo levou sua mão até as costas dele e a apertou, fazendo com que calasse a boca. — Eu achei que teria que ir até a porra do galpão para achar vocês. 

— O que? — George franziu o cenho, não se lembrando de galpão nenhum que pertencia aos Powell. 

— "O que?" — Ele fez uma voz fina para imitar o tom de George. — Vocês têm algo que me pertence, e eu quero agora.

— Como você descobriu nosso galpão? — Ringo decidiu que, de repente, iria colocar todo seu talento como ator para jogo.

— É fácil descobrir o único galpão ocupado no centro da cidade que não tem caminhão nenhum porque as porras dos clientes vão atrás. — disse, revirando os olhos. — E vocês são burros demais para tentar disfarçar.

— Você não está se comportando bem, Linetti. — Starr, como era chamando em cena, pegou um dos amendoins dentro de uma vasilha de cristal e o colocou na boca. — Se é tão fácil assim, por que não vai lá pegar novamente? — deu um sorriso. — Vamos, irmão, isso não vale o nosso tempo. 

Os dois se dirigiram até o salão, deixando a cortina aberta. Linetti tremia de raiva e gritou, chamando a atenção dos dois.

— Vocês sabem que se isso cair em mãos erradas, vocês estão fodidos também. — disse entre dentes. 

— Não poderia me importar menos! — respondeu, enquanto descia as escadas até o andar de baixo.

 

 

O caminho até a casa de Paul fora curto e silencioso. As mãos do mais novo posicionaram-se tensamente em seu colo durante todo o trajeto. Por um momento, ele se perguntava se ele havia estragado todo o sentimento de familiaridade e conforto que John conseguia o passar sem nenhum esforço. Ele se odiou por pensar isso.

John puxou o freio de mão, causando um susto do mais novo, que virou seu rosto para finalmente, após quase dez minutos encarando a janela, poder olhar o homem ao seu lado. 

A iluminação fraca do céu de um dia sem sol fazia com a visão do mais velho estivesse cada vez pior, pelo menos, ele conseguia ver Paul. O corpo tenso de Paul fazia-o pensar que ele era nada além de ridículo. Passou a língua entre os lábios de maneira hesitante antes de falar:

— Olha, sobre o que aconteceu antes, eu... — Não sabia o que falar, se fosse honesto. Não é como se fosse uma mentira, afinal, o mais novo fora apaixonante desde o momento que seus olhares se conheceram. Mas os poucos relacionamentos que ele pôde ter o ensinaram que ele, por mais que se esforce para evitar, afastava as pessoas. De maneira consciente ou subconsciente, como se parte de seu cérebro o sabotasse toda vez que ele estava perto de alguma ideia de felicidade. 

— Eu sei! — o mais novo disse porque o outro estava com a boca aberta, parecendo que iria deixar algo sair por entre seus lábios, há muitos segundos e o silêncio apenas deixava-o mais nervoso. — Está tudo bem, John. 

— Você já disse isso. — respondeu, mantendo o que parecia um sorriso sacana em seu rosto. A expressão do outro pareceu suavizar-se e ele deixou escapar o ar pelos lábios dando uma risadinha. 

— Então está dito. — levou suas mãos até as bochechas de John, segurando o rosto magro entre suas mãos, podendo sentir na ponta dos dedos uma tentativa má sucedida de retirar todos os pêlos de uma costeleta que residia ali não muito tempo atrás.

Ele se inclinou e deu um beijo doce nos lábios do John. Sem aprofundar, o toque suave dos lábios era apenas o que eles precisavam e gostariam no momento. Quando os olhos de John se abriram, Paul já estava abrindo a porta do carro e saindo mesmo, desaparecendo pela luz cada vez mais baixa do sol. 

Ele manteve um sorriso no rosto durante o percurso do carro do John até a porta de sua casa, mas ele jamais deixaria o mais velho ver o sorriso que teimava em não sair de rosto. Ele abriu a porta, vendo apenas uma das luzes da casa acesa, a luz da sala. Odiava como a casa sempre era estupidamente escura, mas entendia o motivo: para um homem bonito como Jim McCartney, devia ser doloroso ver-se definhar cada vez mais por conta de uma maldita doença. 

— Pai, cheguei. — anunciou, retirando o casaco que envolvia seus braços ao sentir o calor da casa, que nunca possuía uma janela aberta, acertar seu corpo. 

— Quem era aquele? — ouviu a voz distante do pai vir da cozinha, mas decidiu por não seguir esse caminho, preferiu procurar na correspondência que estava no chão, algo que fosse para si. Achou uma conta em seu nome e abriu a mesma, fingindo que o conteúdo na folha fosse mais importante que o parente. 

— Aquele....? — mantinha seu olhar preso no papel, mas conseguia ver o corpo de Jim, envolvido por um roupão de veludo azul-marinho, se aproximando. 

— A bichinha do seu namorado. — disse, sua voz transbordava desgosto. Paul finalmente levantou o olhar para poder encarar o pai, ele mantinha as sobrancelhas levemente curvadas para dentro enquanto sua boca estava fechada. — Por que não chama ele aqui para dentro e me deixar bater nele? Não é isso que vocês, viados, gostam?

— Oh! — Paul disse, cruzando seus braços enquanto mantinha a conta em suas mãos e um sorriso sarcástico nos lábios. — Não, não. Eu e o bichinha do meu namorado não curtimos esse tipo de coisa, só na cama, talvez. Mas acho que esse assunto não condiz à você. 

Jim não gostava de quando Paul era irônico, ou quando o desafiava. Ele, na verdade, não gostava de Paul. Desde o nascimento do garoto, ele sentiu a atenção de sua esposa ser cada vez mais desviada de si para o recém-nascido, criando um amargor na boca do pai toda vez que via o filho.

— Eu tenho vergonha de você. — disse, cada vez mais próximo do filho. Para a desgraça do pai, Paul não era mais um adolescente de quatorze anos que havia perdido a mãe pouco tempo antes. Ele era um homem, e era maior que Jim. — Sua mãe teria vergonha, Michael teria vergonha.

A mão do McCartney filho amassou o pedaço de papel em sua mãe, deixando sua raiva cada vez mais aparente. A menção no nome de Mike fez com Paul sentisse seu estômago revirar. 

— Não ouse falar nele. — deu um passo para frente e o pai poderia jurar que lhe acertaria um soco. As narinas abriam enquanto os dentes rangiam, era necessário muito para fazer um ser como Paul sentir tamanha raiva. — Você não tem o direito de falar do Mike.

— Claro que eu tenho. Ele, sim, era meu filho. — O pai levantou o queixo, deixando seu rosto à altura do de Paul. — Você foi só uma perda de tempo, desde o primeiro dia. 

— O Mike não era nada seu! — Paul gritou, sentindo a saliva sair deliberadamente de sua boca, mas ele não poderia se importar menos. — Você apenas é o assassino dele!

— Michael se matou. Entenda isso! Provavelmente se matou por causa da vergonha que sentia por ter um irmão viado. — disse Jim, sentindo prazer em ver o filho perder cada vez mais o controle.

— Ele se matou porque você abusou dele. — Paul podia sentir a parte interna de seu olho tremer. — E agora a única família que você tem sou eu. — Ele deu alguns passos para trás e foi um cheque-mate. — A porra do seu filho viado. — deu um sorriso vitorioso ao ver a expressão surpresa do pai. — Ou tinha. Porque eu tô disposto a deixar você morrer sozinho.

Paul virou-se de costas, indo até seu quarto para arrumar as malas. Aquela fora a última vez que Jim e Paul McCartney trocaram olhares antes da morte do mais velho, que morreu sozinho, afogando-se no próprio desgosto, semanas depois.

 


Notas Finais


pobre paulzito putasso, pobre johnzito de coração partido. pobre georgito, caindo no gemidao do zap.


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