História Explosão de Sons - Capítulo 4


Escrita por: ~ e ~Butantan

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, D.O, Kai, Lay, Sehun
Tags 30 Cookies, Baekyeol, Chanbaek, Cookiesparasnakes, Side De Explosão De Cores, Slight!sebaek, Slight!sekai
Visualizações 57
Palavras 7.514
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Fluffy, Musical (Songfic), Romance e Novela, Slash, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Hey, estrelasss! Como estão hoje?

Se vocês queriam me bater ou toda sorte de tortura pelo drama e todo o sofrimento de todos eles nos últimos capítulos, saibam que agora é real: o arco íris vem depois da tempestade e, não poderia ser diferente, as coisas estão se encaixando para os nossos queridinhos. Não há mal que dure para sempre e toda esse perdura um dia acaba, né?

Esse capítulo marca a reta final de Explosão de Sons! O último já é o próximo e então finalmente teremos o desfecho para todos eles <3 Eu espero que vocês gostem desse capítulo também.

Playlist para o capítulo de hoje:
Happier - Ed Sheeran (Baekhyun’s theme)
Like we used to - A rocket to the moon
Flares - The Script (Sehun’s theme)
I’ll be ok - McFLY

As músicas temas não necessariamente tem a ver com o capítulo, mas são as músicas que inspiram os personagens, então é bom ouvi-las também. Nas notas finais eu vou deixar o link da playlist que eu fiz para EdS e que vou atualizando conforme atualizar a fanfic também (ou seja, até semana que vem huauhehuaue). Lááá em Explosão de Cores eu também deixei outra playlist, caso vocês queiram conferir!

Boa leitura e nos vemos lá embaixo~~

Capítulo 4 - 04. para cada promessa, um novo recomeço


EXPLOSÃO DE SONS

Capítulo 4 - Para cada promessa, um novo recomeço.

 

O aluno novo se chamava Kim Jongin.

 

Baekhyun não demorou a descobri-lo quando o viu em sua sala, na carteira em frente a de Sehun, no dia seguinte. Assim como no dia anterior, Jongin estava conversando com Sehun e tentando fazer com que a conversa fluísse, o que o mais novo não estava facilitando, mas a perseverança do novo aluno era admirável. Baekhyun pensou se aquele garoto não era realmente o que Sehun precisava para voltar ao que estava sendo antes.

 

Conforme os dias passavam, Baekhyun percebia a sutil aproximação do novo aluno. Jongin não fazia contato direto com Sehun, talvez por sua recepção não ter sido exatamente boa como Baekhyun pensou ter sido, mas estava com certeza fazendo progressos em relação ao garoto. Perguntava-se o que alguém como Jongin queria com Sehun e por que insistia tanto em conseguir alcançá-lo, quando outras pessoas de sua sala se dispuseram a ajudá-lo com a nova escola.

 

Secretamente agradecia por Jongin não ter desistido com as recusas de Sehun em relação às suas aproximações e não ter aceitado a ajuda oferecida por seus outros colegas. Sabia que não tinha a menor chance de aproximar-se tão cedo de Sehun novamente, então agradecia que alguém estivesse em seu lugar, cuidando do mais novo até que pudesse agir novamente. Sehun poderia tê-lo amado, mas as feridas que provocou eram grandes demais para que ele as ignorasse com um pedido de desculpas. Se fosse tão simples, Baekhyun o teria feito no momento em que se arrependeu.

 

Por dias, estudou o comportamento do novo aluno sem que pudesse ser pego ou que desconfiassem de que estava olhando-os. O que menos queria era atrair atenção indesejada de seus colegas e reacender a fogueira a respeito de seu relacionamento com Sehun; aquilo definitivamente não o ajudaria em nada e, quanto menos atenção atraísse, melhor seria para os seus planos de reaproximar-se com ajuda de Kim Jongin, mesmo que o novo aluno não desconfiasse de nada.

 

As primeiras duas semanas não tiveram grandes resultados, mas Baekhyun conseguiu ver os breves avanços nos dias seguintes. Daria tudo para saber o que estava acontecendo entre os dois, as conversas que teriam tido, o que Sehun estava falando e como estava se sentindo atualmente, mas algo dentro de si o dizia que Kim Jongin não diria uma palavra para si. Se Sehun lhe tivesse contado o motivo de ter se afastado de todos, Jongin com certeza o odiaria e não olharia em sua cara.

 

Honestamente, Baekhyun sequer o culpava.

 

Kyungsoo achava que estava sendo obsessivo demais e que deveria deixar Sehun seguir o curso de sua vida da melhor forma que encontrasse. “As pessoas encontram formas diferentes de superar as coisas”, ele disse, “e você precisa encontrar a sua, Baekhyun”. Mas Baekhyun não conseguia encontrar um motivo para seguir em frente e deixar Sehun para trás, pronto para lidar com seus próprios fantasmas.

 

Isso não fazia parte de quem era e de quem buscava ser todos os dias. Queria poder ajudar as pessoas ao seu redor, fosse com seus problemas pessoais ou com algum abatimento que caísse sobre elas. Era por isso que amava músicas, por isso que fazia playlists para todos os amigos ao redor e por isso que era tão animado e energético. Não estava sendo um bom exemplo de animação nos últimos meses, mas estava fazendo o seu melhor.

 

Contudo, em nenhum momento ambicionou seguir em frente e abandonar Sehun. Já o havia feito uma vez, agora sua consciência não o deixaria em paz novamente.

 

Chanyeol, como era esperado, manteve-se ao seu lado, embora também não apoiasse a forma como estava agindo. Imaginava que a conversa que tiveram semanas antes no jardim atrás do colégio teria surtido efeito, que Baekhyun perceberia que Jongin faria o trabalho que deveria ser feito, que cuidaria de Sehun como o Byun almejava fazer, mas não podia. Contudo, Baekhyun não parecia inclinado a seguir esses passos e continuava a observá-los, como quem espera sua vez de agir.

 

Baekhyun sabia que seus amigos não faziam por mal e buscavam ajudá-lo quando diziam que deveria deixar que as coisas acontecessem seguindo seu próprio rumo, mas Baekhyun sentia que precisava fazer parte do todo o processo para que pudesse, por fim, sentir-se bem consigo mesmo novamente. Mesmo que não pudesse estar ao lado de Jongin ao ajudá-lo a lidar com Sehun, observaria à distância e aprenderia com seus erros passados.

 

Os avanços de Jongin eram breves, mas concisos e objetivos. Conseguia ver como a perseverança do novo aluno fazia pequenos furos no muro que Sehun construiu ao seu redor, fazendo com que, aos poucos, tijolo por tijolo, suas defesas caíssem e pudesse ser alcançado novamente. Baekhyun sentia-se feliz por Sehun não estar completamente sozinho como nos últimos meses.

 

Ninguém, principalmente Sehun, merecia ficar sozinho.

 

Baekhyun percebeu o momento em que Jongin passou a fazer parte constante dos dias de Sehun; era difícil ver os dois separados já que passaram a conversar, mesmo que brevemente, durante as aulas também e Jongin passou a ser seu parceiro durante os trabalhos pedidos. Baekhyun mantinha seus olhos atentos aos seus movimentos, surpreso por não sentir-se mais tão incomodado como imaginou que se sentiria com as aproximações de Jongin.

 

Finalmente havia percebido o que Chanyeol estava dizendo a respeito do novo aluno. Se Jongin veio para consertar Sehun, Baekhyun ficaria apenas feliz em observá-lo, mesmo que de longe.

 

Uma das mudanças que Jongin conseguiu fazer em Sehun foi perfeitamente visível quando, depois de uma semana distante e com Baekhyun preocupado sobre o que poderia ter acontecido, Oh Sehun reapareceu na escola com os cabelos pintados com todas as cores do arco-íris.

 

Baekhyun se recordava de todas as vezes em que o garoto comentou sobre seu desejo de colorir os cabelos. Como nunca soube escolher uma única cor e Baekhyun não era um bom ajudante em decisões, Sehun decidiu que faria um arco-íris em seus cabelos quando se sentisse pronto para tal mudança. Baekhyun sempre buscou pelo momento em que o veria com os cabelos coloridos porque Sehun sempre teve um caleidoscópio em formato de alma.

 

E agora, alguns metros distante de si e parecendo mais tímido do que nunca com os olhares que seu cabelo atraiu, ali estava Sehun, exatamente como desejava meses atrás.

 

Baekhyun sorriu para a imagem que tinha à sua frente. Sehun estava sorrindo seu sorriso favorito, o mesmo sorriso tímido de uma criança, e evitava todos os olhares, focando em sua conversa com o novo aluno, que parecia maravilhado com a imagem que tinha. Talvez esse fosse o efeito de Sehun nas pessoas; era difícil alcançá-lo, muitas pessoas desistiram no meio do caminho, mas quando conseguiam alcançá-lo, Sehun se mostrava encantador.

 

Talvez o encanto de Sehun sobre Baekhyun nunca passasse em sua totalidade, mas Baekhyun sabia que não era mais da mesma forma que se sentia no início. Não via-se mais apaixonado pelo garoto, mas seu carinho pelas memórias mantinha-se intacto, assim como o desejo por aquele sorriso nunca mais sair de seus lábios.

 

“Vai lá falar com ele”, Chanyeol deu de ombros, reconhecendo para onde Baekhyun olhava. Não era difícil adivinhar. “É a sua chance.”

 

“E se ele não quiser falar comigo?”

 

“O não você já tem”, Kyungsoo disse. “Não vou mais dizer para seguir seu caminho e deixar Sehun seguir o dele. Se falar com esse garoto de novo é o que você precisa, então você vai, agora.”

 

Baekhyun engoliu em seco, mas acatou ao que os amigos disseram. Não estava tão distante de Sehun, mas o suficiente para que o garoto não o notasse ao seu redor. Os alunos começavam, aos poucos, a se dispersar para suas salas de aula, mas o primeiro sinal ainda não havia soado. Baekhyun tinha a chance perfeita; se algo desse errado, poderia correr para os jardins e ignorar as aulas do dia para não encarar Sehun.

 

Se as coisas dessem certo, poderia dar um passo em direção à sua redenção.

 

Sehun já estava caminhando para a sala, acompanhado do novo aluno, quando Baekhyun parou à sua frente, encarando-o como se pudesse passar todas as palavras não ditas através daqueles olhares. Sete meses após o término de seu relacionamento, Baekhyun imaginou que já estaria pronto para encarar Sehun novamente, mas, ao pôr seus olhos no garoto e vê-lo dar um passo para trás, sua confiança desapareceu.

 

Estaria fazendo a coisa certa interferindo? Não deveria deixar Jongin fazer seu trabalho em paz? Já não tinha causado mal suficiente?

 

“Você mudou o cabelo”, Baekhyun comentou, dizendo as primeiras palavras que vinham à sua mente.

 

“Mudei.” Sehun concordou. O garoto ainda parecia um pouco desconfortável, mas ao menos não negou sua conversa. “Estava na hora de deixar o passado onde ele deve estar.”

 

Baekhyun sentiu sua confiança minar-se ainda mais, o sorriso que estava ostentando desmanchando-se aos poucos. “Eu entendo... Lembro-me que você sempre quis ter o cabelo em arco-íris.” Recordou. “Devo dizer que combina bastante com você.”

 

“Jongin me ajudou a reunir a coragem que faltava”, Sehun respondeu, apontando para o novo aluno. O garoto estava um pouco distante e silencioso e foi neste momento em que Baekhyun se deu conta de sua presença novamente. Estava tão preocupado em como Sehun reagiria que não se recordou que não estavam sozinhos.

 

“O aluno novo? Já estão amigos, pelo que vejo”, disse, encarando-o. Havia muita intensidade no olhar trocado, mas Jongin não abaixou o olhar em nenhum momento. Baekhyun não tinha nada contra o rapaz, não mais, e gostou de ver como ele não parecia se intimidar se fosse por Sehun. O que estava perdendo entre aqueles dois? “Sabe, Sehun... Eu queria dizer que sinto muito. Você sabe, por tudo.”

 

O ar tornou-se mais pesado e era quase difícil de respirar com a preocupação e a culpa em suas costas, Baekhyun percebeu. Sehun também pareceu ainda mais distante e evasivo com o assunto ressurgido, mas, diferente do que Baekhyun esperava, o garoto não fugiu deixando-o sem respostas, como sabia que ainda merecia. Sete meses se passaram e aquele era o primeiro pedido de desculpas que se dignou a fazer.

 

Sehun respirou fundo. “Como eu disse, é hora de deixar o passado onde ele está.”

 

Baekhyun percebeu naquele momento que Sehun estava dando seus pequenos passos em direção a sua própria redenção e sentiu-se bem por perceber as mudanças sutis que Jongin causou em sua personalidade. Não sentia-se mal por Sehun querer deixá-lo no passado, só não queria ser uma memória ruim para sempre e por isso estava se esforçando para alcançá-lo novamente, ainda respeitando seu espaço. Sehun tê-lo respondido, mesmo que ainda estivesse um pouco evasivo, já era um bom sinal.

 

Baekhyun afastou-se aos poucos, deixando que os garotos seguissem seu caminho original, e voltou para perto de seus amigos que não deixaram de acompanhar a conversa, mesmo de longe. Pela expressão no rosto de Baekhyun, podiam perceber que não havia sido um grande desastre e sentiam-se felizes por isso. O Byun estava extremamente fixado na situação que deixou para trás e precisava perceber que Sehun estava seguindo em frente para que também o fizesse.

 

O sinal tocou, mas nenhum dos três levantou do banco onde estavam sentados. Baekhyun ainda estava em silêncio, a cabeça apoiada no ombro de Chanyeol enquanto os dois amigos se encaravam buscando entender o que deviam fazer naquele momento. Baekhyun estava bem? Baekhyun precisava de algum tipo de consolo? Havia um sorriso mínimo em seus lábios, mas não era do costume do rapaz manter-se calado por muito tempo.

 

“Ele está voltando ao que era antes de… De eu acontecer”, Baekhyun disse, erguendo o olhar para os amigos. “Eu consigo sentir.”

 

Kyungsoo suspirou. “Daqui a pouco faz um ano, Baek. Naturalmente o Sehun iria superá-lo em algum momento.”

 

“Aquele garoto realmente está fazendo bem para ele”, Baekhyun continuou, como se não tivesse ouvido o que seu amigo tinha dito. “Você estava certo, Chan.”

 

“Geralmente eu estou”, Chanyeol sorriu de canto.

 

Baekhyun riu, batendo em seu braço de brincadeira. Parecia genuinamente feliz por seu primeiro contato com Sehun não ter sido um completo desastre, apesar de desconfortável. Mesmo Kyungsoo já havia desistido de tirar aquela felicidade de Baekhyun; há tanto tempo que estavam tentando fazê-lo perceber que a vida de ambos não deveria parar por um único acontecimento e finalmente Baekhyun estava percebendo por si só.

 

Kim Jongin só podia ser um anjo para estar ajudando por tabela, mesmo que sem intenção e sem saber, Baekhyun, tendo chegado há tão pouco tempo na escola.

 

“O que você vai fazer agora, Baek?”, Chanyeol perguntou.

 

“Vou continuar tentando!”, Baekhyun respondeu com um sorriso no rosto. “Se Sehun mostrar que realmente pode me desculpar e não só dizer que me desculpa para eu me sentir bem, então podemos seguir nossos caminhos. Eu imaginei que ele não iria sequer me responder hoje, mas veja só os nossos avanços!”

 

A esperança voltou aos olhos de Baekhyun como há alguns meses tinha desaparecido e Chanyeol suspirou, com um sorriso tímido. Cutucou Kyungsoo que estava prestes a passar-lhe mais algum sermão, meneando a cabeça em negativa, indicando para que deixasse Baekhyun devanear por mais algum tempo sozinho. Sabiam o quanto o amigo era teimoso; se tinha decidido que faria Sehun perdoá-lo, nada que dissessem iria pará-lo.

 

“Vamos montar uma nova playlist para este momento!”, Baekhyun disse.

 

O velho Baekhyun estava, aos poucos, voltando também.

 

. . .

 

Se há algo que se precisa saber a respeito do trio de amigos é que o sábado era uma data sagrada para os três.

 

Salvo raras exceções, como quando algum deles milagrosamente tinha um encontro ou algo que poderia impossibilitá-los de sair de casa, estavam todos os sábados reunidos na casa de algum dos três, prontos para uma maratona de filmes antigos dos quais já sabiam todas as falas decoradas, regados aos mais diversos tipos de doces que poderiam comprar no mercado próximo à casa de Baekhyun.

 

Geralmente, os sábados dos filmes eram feitos na residência dos Byun pela comodidade; Kyungsoo detestava bagunças e sabia que reunir os dois amigos era pedir para que tudo estivesse pelos ares e a mãe de Chanyeol ainda estava brava com eles pelas manchas de coca-cola em seu tapete favorito. A senhora Byun, por outro lado, tratava aos dois melhores amigos de seu filho como se fossem seus filhos também e estava sempre sorridente a cada visita.

 

Aos poucos a casa de Baekhyun foi nomeada o point perfeito.

 

Neste sábado, as coisas não seriam diferentes. Baekhyun sabia que seus amigos chegariam pouco depois do almoço, então acordou cedo suficiente para ir ao mercado e comprar tudo que poderiam comer naquele dia - era seu dia de fazer as compras, Chanyeol deixou bem claro - e correu para arrumar seu quarto. Fazia certo tempo desde que reunira os amigos por ali, estando tão para baixo nos últimos tempos que sequer considerava-se uma boa companhia fora do ambiente escolar.

 

Estava animado pelo retorno dos sábados de filmes; Kyungsoo sempre os fazia calar a boca e prestar atenção no filme que estava passando, mas às vezes conseguiam fazer com que o rapaz se distraísse também e conversasse, de forma que os filmes se tornavam apenas um som ambiente. Sentia falta de apostar com Chanyeol quem comia mais balas de gelatina em menos tempo e até mesmo de Kyungsoo reclamando sobre o porquê de ser amigos dos dois.

 

Quando ouviu a campainha tocar, Baekhyun nem se preocupou em descer as escadas para recepcionar os amigos. Já consideravam aquela como se fosse sua própria casa e sua mãe estava sempre feliz em recebê-los em seu lugar; podia ocupar-se em terminar de arrumar seu quarto para que Chanyeol chegasse e, em poucos minutos, destruísse toda a organização que tinha feito.

 

Baekhyun sorriu para si mesmo. Até das bagunças de seu melhor amigo sentia falta.

 

Sentia o quanto estava sendo negligente com os amigos durante o período em que esteve melancólico demais para perceber as coisas ao seu redor. Estava tentando consertar todas as situações de sua vida, deixando de focar-se inteiramente em Sehun para recordar-se de que também tinha seus amigos, que estiveram ao seu lado durante os últimos meses e Baekhyun sequer os perguntou se estavam bem dessa forma.

 

Queria recomeçar uma nova era em seus dias, uma nova playlist em sua vida, e queria começá-la com o pé direito, com a melhor das músicas.

 

Quando sua porta foi aberta e apenas Chanyeol passou por ela, Baekhyun percebeu que talvez seu plano de se redimir com ambos os amigos tivesse que esperar um pouco. Sorriu para o garoto, acenando em reconhecimento, enquanto Chanyeol devolvia seu sorriso e jogava-se em sua cama, desarrumando a colcha que tanto tempo passou arrumando para que sua mãe não reclamasse da má impressão que dava para as visitas - mal sabia a senhora Byun que as próprias visitas é quem desarrumavam tudo.

 

“Onde está Kyungsoo?”

 

“Você continua sem olhar seu celular, né?”, Chanyeol rolou os olhos.

 

Baekhyun se recordou que havia esquecido de seu celular pela manhã inteira enquanto comprava as coisas para comerem e arrumava seu quarto. Sequer tinha ideia de onde o aparelho estava; tinha se acostumado a perdê-lo no quarto a um nível que o desespero não batia mais. Quando menos esperasse acabaria o encontrando, de qualquer forma. Sabia que precisava ter mais cuidado, mas era inevitável que sua desatenção fizesse com que uma ou outra coisa sumisse de vez em quando.

 

Virou de ponta cabeça na cama, olhando embaixo da mesma para verificar se o celular não tinha rolado para lá. Não surpreendeu-se ao encontrá-lo ali, a luz de notificação acesa indicando que estava realmente perdendo alguns detalhes importantes das conversas entre os melhores amigos. Kyungsoo e Chanyeol só escolhiam os momentos em que Baekhyun estava sem celular para conversar.

 

A mensagem de Kyungsoo avisava que não poderia estar ali porque estava sendo intimado a casa de Zhang Yixing para, segundo o próprio Yixing, uma missão muito importante. Baekhyun não entendeu muito bem o que deu em Kyungsoo para aceitar a ordem do chinês dessa forma - o inferno congelaria antes que alguém conseguisse domar a personalidade de Kyungsoo -, mas não tinha o que fazer além de aceitar que seria apenas ele e Chanyeol naquela tarde, como há muito tempo não era.

 

“Zhang Yixing, é sério?”, Baekhyun perguntou.

 

Chanyeol riu. “Você não anda sabendo de muita coisa, né?”

 

“Vocês estão me isolando!”, Baekhyun reclamou. “Eu não sei de mais nada nesta amizade.”

 

“A gente te isolou, é claro”, o platinado rolou os olhos, levantando-se para encarar Baekhyun. “Faz um tempo que o Yixing anda no pé do Kyungsoo, achei que até você notaria isso. Parece que agora ele cansou de só ficar a espreita e começou a agir.”

 

“Quer dizer que nosso Kyungsoo está em um encontro?”

 

“As crianças crescem muito rápido, Baek”, Chanyeol confirmou, fingindo secar uma lágrima em seu olho esquerdo. “Parece que foi ontem que adotamos aquele mal humorado.”

 

“E agora ele está em um encontro!”, Baekhyun repetiu, surpreso. “Vamos ser pais orgulhosos, Chan.”

 

Os dois riram da própria piada, mas Baekhyun estava feliz por Kyungsoo estar tendo a chance de ser feliz também. O mais novo era sempre tão preocupado com o que Baekhyun e Chanyeol fariam, para que não destruíssem o próprio coração, que quase nunca havia chance para que pensasse em si mesmo e no que estava sentindo. Se Zhang Yixing poderia amolecer o rígido Kyungsoo, Baekhyun mais do que nunca estaria feliz em entregar o amigo nas mãos do chinês.

 

“Parece que hoje somos apenas nós dois”, Chanyeol comentou, encostando-se de forma mais confortável nos travesseiros de Baekhyun.

 

“Então você pode escolher o filme que veremos!”, Baekhyun deu de ombros. “No final a gente vai ignorar o filme de qualquer forma.”

 

Chanyeol pareceu analisar suas opções, mas acabou por escolher o mais clássico entre as opções e aquele que sabiam as falas decoradas. Baekhyun não discordou quando o maior escolheu Titanic; apesar de ser um filme antigo, era o guilty pleasure do trio (até Kyungsoo deixava umas lágrimas caírem com o final do filme) e era confortável já que sabiam que, em qualquer momento que olhassem para a tela, estariam familirizados com a cena e entenderiam o filme mesmo que passassem metade do tempo conversando.

 

Depois de reunir as guloseimas que havia comprado e espalhado pela cama, Baekhyun deitou-se ao lado de Chanyeol em sua cama. Geralmente estendiam os colchões no chão para que os três ficassem confortáveis, mas era bom o suficiente estar daquela forma com Chanyeol, onde os doces eram a única coisa que os separavam. Deu play no filme e ficaram em silêncio, aguardando-o iniciar.

 

Se havia algo que Baekhyun amava em sua amizade com Chanyeol era que em nenhum momento precisavam estar conversando sem parar para que ficassem confortáveis. Enquanto assistiam o início do filme escolhido e comiam as balas de gelatina compradas anteriormente, sentiam-se tão confortáveis como se não houvesse um período de estranhamento nos últimos meses. Baekhyun agradecia sinceramente ao fato de que Chanyeol sempre teve um coração de ouro, sempre pronto para perdoar quando fosse necessário.

 

Sentia-se mal por ter negligenciado seu melhor amigo, mas Chanyeol mostrava, do seu jeito, de que estaria do seu lado independente de qualquer forma e aquilo fazia Baekhyun se sentir muito mais seguro.

 

“Onde você esteve ontem de manhã, antes das aulas?”, Chanyeol perguntou após muito tempo em silêncio, observando o navio começar a afundar. Esta era sempre a hora mais triste, onde buscava conversar para se distrair.

 

Baekhyun não havia contado aos amigos, mas tinha ido conversar com Jongin. Após a primeira conversa em meses com Sehun, estava tentando se mostrar cada vez mais próximo, tentando se aproximar sem deixar Sehun desconfortável. Na maioria das vezes acabava se animando e não percebendo o momento em que passava dos limites e tinha que ir embora, mas podia dizer que estava tendo progressos significativos.

 

Sehun já não encarava o nada ao invés de olhá-lo quando o respondia, ao menos.

 

Precisava conversar com Jongin para explicar a situação, visto que o novo aluno - nem tão novo mais, já que estavam estudando juntos há semanas e nunca tivera coragem de conversar com Jongin - parecia encará-lo com desconfiança todas as vezes em que se aproximava. Precisava mostrar que tinha boas intenções e não queria causar nenhum mal a Sehun; sentia que agora Jongin ocupava seu lugar como protetor de Sehun e não o culparia por querer mantê-lo distante.

 

Se Jongin conhecia sua história por Sehun, tinha pleno direito de querer fazê-lo.

 

“Eu fui conversar com o Jongin”, explicou. “Precisava explicar o meu lado da história ou nunca me sentiria confortável com a presença dele todas as vezes em que fosse falar com Sehun.”

 

“E deu certo?”

 

“Ele é surpreendentemente compreensivo, sua paciência deve vir de outro mundo”, Baekhyun respondeu. “Ele também acha que falta pouco para vermos o Sehun como ele era antes novamente, então estou feliz também.”

 

“Parece que Kim Jongin é a pessoa que faltava para que tudo entrasse nos eixos”, Chanyeol comentou.

 

“Parece que sim.” Baekhyun disse, apoiando-se no ombro de Chanyeol. “Essa é a parte mais triste do filme.”

 

Chanyeol olhou para baixo, vendo a forma como Baekhyun encostava-se em seu ombro e procurava abrigo para os momentos em que estava triste. Chanyeol concordava que era muito triste ver os velhinhos deitados na cama e a mulher contando histórias para seus filhos, à espera de eminente morte, mas, dessa vez, sua atenção estava totalmente voltada ao garoto ao seu lado e não a cena à sua frente.

 

Chanyeol não diria porque sabia que faria com que Baekhyun se sentisse mal, mas sentia falta dos dias em que tinha Baekhyun dessa forma. Era sempre em seu abraço que o ruivo procurava abrigo quando estava triste, por mais que os melhores conselhos viessem de Kyungsoo; era ao seu lado que Baekhyun fazia as piores piadas e as melhores playlists formadas foram com músicas que tinha mostrado ao garoto. Estava tão acostumado em ter Baekhyun ao seu lado para tudo que não era de se surpreender que tenha se apaixonado por ele.

 

Ter Baekhyun ao seu lado, com os olhos focados na cena que se desenrolava à sua frente, as lágrimas brotando nos cantos de seus olhos, fazia com que Chanyeol percebesse que seus sentimentos pelo menor eram realmente tão fortes quanto imaginava. Faria qualquer coisa por aquele garoto, mesmo que isso significasse suprimir suas emoções em momentos como aquele, em que só queria poder dizer o quanto estava apaixonado e como Baekhyun ficava bonito mesmo quando estava triste.

 

You jump, I jump, right?”, Chanyeol citou, em um sussurro.

 

Um pequeno sorriso brotou nos lábios de Baekhyun, seus olhos fechando-se de leve e fazendo com que uma lágrima escorresse. “Right.

 

Passou o braço pelos ombros de Baekhyun, trazendo-o para um abraço mais confortável, e voltaram a assistir o filme. Apanhou um pouco mais das suas balas favoritas - Baekhyun nunca se esquecia de comprá-las - e resolveu focar-se no que estavam assistindo, já que estava no finalzinho. Não precisava apressar nada; seus sentimentos estavam guardados há tanto tempo que Chanyeol temia o momento em que acabaria soltando alguma coisa sem querer, mas, por enquanto, estava feliz.

 

Does he watch your favorite movies? Does he hold you when you cry?”, Chanyeol cantarolou baixinho, aproveitando que Baekhyun estava chorando de novo com a morte de Jack. “Does he do all these things like I used to?

 

Chanyeol sabia de seu lugar no coração de Baekhyun. Não tinha nenhuma pressa; se fosse para acontecer de Baekhyun retribuir seus sentimentos, isso aconteceria mais cedo ou mais tarde. Ele nunca precisou lutar por um lugar no coração do mais velho, de qualquer forma.

 

. . .

 

Houve um momento onde Baekhyun percebeu que as coisas mudaram definitivamente.

 

Nos primeiros dias, Baekhyun estranhou a falta de Jongin ao lado de Sehun. Estava tão acostumado a ver o moreno ao lado de seu ex-namorado desde sua chegada, há três meses, que era estranho não vê-lo. Um ou dois dias distantes era uma coisa, mas já fazia uma semana que ninguém tinha sinal de Kim Jongin e Baekhyun não cabia em si de curiosidade. Para onde o garoto foi, em pleno período de aula?

 

Sehun, por outro lado, não parecia sequer preocupado com o sumiço de seu amigo. Pelo contrário, seus dias seguiram exatamente como se Jongin nunca tivesse estado ali; Baekhyun se perguntou se o ex-namorado apenas aprendeu a ser um bom ator ou se o novo aluno realmente não significava nada para si como transparecia. Qualquer um estaria preocupado com o sumiço de Kim Jongin, mas Sehun estava perfeitamente calmo enquanto lia suas HQs.

 

Talvez Sehun soubesse de algo que os demais colegas não sabiam. Baekhyun chegou a cogitar essa possibilidade, mas isso não excluía o fato de que o sumiço de Jongin era muito estranho para que Sehun não demonstrasse nada.

 

Baekhyun se perguntou até que ponto realmente conhecia seu ex-namorado. Sehun também agiria da mesma forma se tivesse sumido enquanto namoravam ou foram todas as coisas que aconteceram que mudaram sua personalidade a tal nível? Baekhyun esperava, sinceramente, que não tivesse causado nenhuma mudança brusca no garoto. Sehun estava voltando a mostrar-se o garoto por quem tinha se apaixonado ao lado de Jongin, não queria vê-lo regredir mais uma vez.

 

Apesar dos sutis avanços que estava tendo com o garoto, Baekhyun não se sentia pronto para abordá-lo e perguntar o que estava acontecendo. Não sentia-se apto para ajudá-lo, tampouco sabia se sua ajuda era bem-vinda. As poucas vezes em que estava falando com Sehun era sempre sobre algum assunto em comum ou sobre as HQs que sabia que o mais novo amava e tinha sido apresentado a este mundo por ele.

 

O que poderia fazer para ajudar? E se Sehun sequer precisasse de sua ajuda? Talvez Baekhyun estivesse apenas muito paranoico e sem ter noção da amizade estabelecida entre os dois garotos. Jongin poderia precisar de um tempo para si mesmo que Sehun compreendeu perfeitamente e apenas Baekhyun estava se preocupando em excesso por sequer conhecer o laço formado entre Sehun e Jongin.

 

Entretanto, quando Sehun começou a mostrar-se distraído e abatido nos próximos dias, quando estava completando duas semanas do sumiço de Kim Jongin, Baekhyun percebeu que alguma coisa estava errada.

 

Sehun não era nenhum exemplo de participação em aula e poderia facilmente passar despercebido entre seus colegas, mas seu recente desânimo preocupou até mesmo as pessoas que o tinham deixado para trás após o término com Baekhyun. Estava quase sempre dormindo nas aulas, os dois fones presos em seus ouvidos, distraído demais para que percebesse os olhares destinados a eles.

 

Toda a preocupação que Baekhyun estava vencendo nos últimos meses voltou como se nunca tivesse deixado de existir. Quando Jongin estava com Sehun, Baekhyun sabia que o mais novo estaria sendo bem cuidado e que o novo aluno estava fazendo-o bem, então sua preocupação estava deixando-o de forma gradativa, voltando a focar-se em outras coisas que não envolviam Oh Sehun. Porém, com o recente desaparecimento de Jongin e a apatia de Sehun voltando, Baekhyun não podia tirar seus olhos do garoto.

 

Os cabelos coloridos de Sehun pareciam destoar de seu atual espírito de vida, a franja cobrindo os olhos que não mais refletiam algo. Sehun parecia estar seguindo a inércia em sua vida, seus olhos cada vez mais cansados e as olheiras abaixo dos mesmos demonstrando a privação de sono. Baekhyun sentia-se terrível por vê-lo dessa forma porque, da última vez que isso aconteceu, fora após o término de ambos.

 

“Acho que você deveria ir falar com ele”, Kyungsoo apontou quando o sinal tocou para o intervalo e Sehun não se moveu em sua carteira.

 

“Por que eu?”, Baekhyun perguntou, assustado com a forma como Kyungsoo era incrivelmente astuto.

 

“Porque nenhum de nós conheceu Sehun como você, apesar dos tempos em que ele estava conosco”, Kyungsoo explicou. “Porque você está mais preocupado do que qualquer um. Porque ninguém é mais apto do que você para conseguir tirar algo de Sehun. Há vários motivos.”

 

“Ninguém o machucou tanto quanto eu também, Kyungsoo”, Baekhyun sussurrou.

 

“Mas ninguém o quis tão bem quanto você quis, Baek.” Kyungsoo retorquiu. “Você cometeu erros gigantes com ele, foi um grande babaca, mas é a sua chance para consertar. Não é o que você queria?”

 

Baekhyun sabia que o amigo estava certo. Precisava consertar seus erros em relação a Sehun, mas seu medo de acabar piorando a situação o deixava paralisado. Todas as vezes em que conversou com Sehun, Jongin estava do lado, mantendo-o em terreno seguro; caso ficasse sozinho com o mais novo, quais eram as chances de acabar perdendo a linha de raciocínio e machucar ainda mais Sehun?

 

Contudo, Kyungsoo não o deixaria ir para trás. O olhar fixo que recebeu enquanto o amigo puxava Chanyeol para fora da sala era um ultimato para que fosse até Sehun e não pôde deixar de comparar ao dia em que o próprio Kyungsoo o trancou junto com Sehun para que pudesse confessar seus sentimentos ao mais novo. Parecia tanto tempo depois de tudo que aconteceu…

 

Sehun não o percebeu quando Baekhyun sentou-se ao seu lado. Seu rosto continuou enterrado em seus braços, a música melancólica que subia de seus fones era Lost boy e Baekhyun reconheceria em qualquer lugar porque estava na playlist que tinha feito para Sehun. As palavras sumiam de sua mente e sua boca estava seca demais para dissesse qualquer coisa; sentia-se apavorado com a simples ideia de que Sehun poderia rechaçá-lo.

 

“Sehun?”, Baekhyun o chamou timidamente.

 

O garoto ergueu o olhar, mas não esboçou nenhuma emoção. Apenas continuou encarando-o em silêncio, como quem espera por alguma coisa ou para que fosse deixado em paz de uma vez. Baekhyun devolveu o olhar sem tanta segurança, buscando as melhores palavras em sua mente. Deveria abordar Jongin de uma vez? Deveria pedir desculpas de novo? Estaria irritando Sehun com suas tentativas infundadas de aproximação?

 

Um dos fones caiu de seu ouvido, demonstrando que Baekhyun tinha sua atenção, apesar da música continuar soando do outro lado. Sabia que deveria dizer alguma coisa, qualquer coisa; nove meses se passaram desde o dia em que terminaram e o mais velho ainda sentia-se nervoso em falar qualquer coisa com o ex-namorado. Perguntava-se se algum dia aquela sensação de incômodo desapareceria.

 

“Você parece um pouco… Apático esses dias.” Baekhyun disse. “Eu queria saber se… Sei lá, se você está bem.”

 

“Em quase um ano é a primeira vez que você me faz essa pergunta”, Sehun disse, jogando a verdade em sua cara sem a mínima preocupação. “Isso ainda é culpa?”

 

“Eu estou realmente preocupado com você, Sehun”, Baekhyun insistiu. “Você deve saber que eu estive esse tempo todo observando você e eu vi todos os progressos que você estava fazendo. Eu achei que Jongin estava ajudando-o, mas…”

 

“Mas, como pode ver, Jongin não está aqui, certo?”, Sehun retorquiu, com um sorriso duro. “Jongin me deixou como todo mundo fez. Ele só demorou um pouquinho mais fazendo eu me apegar a ele e pronto, adeus!”

 

Definitivamente Baekhyun não estava preparado para a conversa que teria com Sehun, mas sabia que precisava enfrentar a situação. Sehun estava machucado novamente e sua tendência era atacar de volta para se proteger; aguentaria toda e qualquer provocação vindo do mais novo porque sabia que qualquer indireta jogada para o relacionamento de ambos era inevitável.

 

“Talvez ele tenha tido os motivos dele, Sehun.” Baekhyun tentou. “Talvez ele só não possa falar, mas ainda entrará em contato com você.”

 

“Assim como você teve os seus motivos?”, Sehun perguntou de volta. “Eu não quero saber dos motivos de ninguém, Baekhyun. Eu só quero que me deixem em paz se no final das contas vão ir embora.”

 

“Talvez ele tenha motivos mais válidos que os meus”, Baekhyun encolheu os ombros. “Nada do que eu fiz justifica o que causei em você, Sehun, e eu estou há meses me culpando por isso. Eu nunca quis te machucar, de verdade, e eu aposto que Jongin também não.”

 

“Eu não sou um maldito bibelô!”, Sehun exclamou, assustando-o. “Não vou quebrar se vocês confiarem os problemas a mim também, sabe? Jongin não disse nada antes de sumir e eu não tenho sequer ideia de onde ele pode estar.”

 

“Me desculpe por isso. Eu só… Eu queria proteger nós dois, mas não calculei todos os meus erros.” Baekhyun disse em um sussurro tímido. “Mas eu posso ajudá-lo agora. Não se feche de novo, por favor. Não é o que Jongin iria querer também, eu tenho certeza.”

 

“E você passou a conhecê-lo tão bem quando?”

 

“Eu não o conheço, na verdade.” O ruivo respondeu. “Nós tivemos uma breve conversa mês passado e ele falava de você com uma adoração que eu nunca vi antes, sabe. Não era sequer como… Bom, como eu falava de você. Jongin realmente te quer bem, eu podia notar nas palavras dele e por isso confiei que você estava em boas mãos.”

 

“Todas as vezes em que eu também confio as coisas sempre acabam piores pra mim”, Sehun respondeu, o mesmo sorriso duro se mantendo em seus lábios. Não era nem de longe o sorriso que Baekhyun amava ver naqueles lábios.

 

Baekhyun se manteve em silêncio porque já não sabia mais o que poderia falar para fazer com que Sehun saísse da defensiva como estava. O garoto manteve a feição congelada, os olhos sem vida focados em seu rosto como quem espera se ainda há mais alguma coisa ou se Baekhyun finalmente o deixaria em paz, como buscava que fizesse. Tudo que Sehun queria era dormir pelo resto da manhã para recuperar o sono perdido nas últimas noites, mas Baekhyun era teimoso demais, devia se recordar.

 

Estava cansado dos últimos dias. Imaginou que seria normal Jongin sumir por alguns dias, ele mesmo tinha sumido após a primeira briga que Jongin presenciou com seu pai, mas já se passaram quase duas semanas e sequer um aviso fora dado. Sehun sentia-se mais uma vez abandonado por aquele que disse tantas vezes que nunca o abandonaria como os outros haviam feito. Se não iria abandoná-lo, onde diabos estava que não podia sequer dizer seu paradeiro?

 

Bom, Baekhyun também tinha dito que não o abandonaria, certo?

 

Reconhecia o esforço feito pelo mais velho em manter-se próximo e até agradecia, silenciosamente, o fato de ter se importado em vir falar consigo ao vê-lo abatido. Porém, apesar de estar lentamente aceitando a presença de Baekhyun novamente, o ruivo o pegou em um momento onde todas suas inseguranças a respeito de abandono estavam afloradas e ele era a última pessoa que buscava ver.

 

Tudo começou com Baekhyun, afinal.

 

De repente, o rosto de Baekhyun se iluminou novamente e Sehun se perguntou qual seria a ideia mirabolante que se passava por aquela mente tão ativa. O ruivo estava intimidado com suas respostas - Baekhyun nunca lidou bem com rejeição, Sehun se lembrava -, mas agora seu rosto parecia tão iluminado que se perguntava o que ele estava prestes a fazer.

 

“Tudo faz sentido agora”, disse. “Você está apaixonado, não está?”

 

O mundo parou por alguns momentos enquanto Sehun assimilava o que seu ex-namorado tinha acabado de falar. Tudo bem que estava triste e abatido pelos cantos da escola, mas o que em seu aspecto daria a entender que estava apaixonado por Jongin? O garoto o fazia muito bem, reacendeu a confiança dentro de si e o ensinou como libertar-se de seus próprios medos, respeitando seu espaço e seu tempo, mas isso é apenas o que bons amigos fazem, afinal. Não tinha a menor chance.


Tentou se recordar de como se sentia quando estava apaixonado por Baekhyun e surpreendeu-se quando percebeu que não conseguia se lembrar. Talvez as boas memórias tenham sido bloqueadas, mas a única coisa que conseguia pensar quando tentava se recordar de tais sentimentos era da noite em que dançou nas estrelas ao lado de Jongin e de como o sorriso dele era tão bonito.

 

Meneou a cabeça lentamente, tentando esquecer tais pensamentos. Baekhyun estava louco, não era possível. Mesmo que fosse, Jongin fora embora, não é?

 

“Você não precisa fugir dos seus sentimentos de novo, Sehun”, Baekhyun disse. “Falando como a voz da experiência entre nós dois, quando fugimos de algo não estamos exatamente fazendo o correto. Se Jongin o faz tão bem ao ponto em que você se apaixonou por ele, deveria abraçar seu sentimento e torná-lo melhor cada dia mais.”

 

“De que adiantaria, se ele não está aqui?”, perguntou em um suspiro.

 

“Algo me diz que isso é passageiro, sabe?”, Baekhyun deu de ombros. “Aposto que Jongin estará de volta quando menos esperarmos e, então, você poderá dizer o que sente a ele.”

 

“Por que está fazendo isso, Baekhyun?”, Sehun quis saber. “Por que está sendo legal agora, depois de tanto tempo?”

 

“Porque você pode não acreditar, mas eu o quero muito bem, Sehun.” Baekhyun respondeu. “Eu estive todos esses meses me culpando por vê-lo tão abatido, ainda mais fechado do que quando nos conhecemos, e eu queria muito fazer algo para ajudá-lo, mas eu tinha medo de acabar piorando. Então Jongin apareceu e ele mudou tanta coisa em você, transformou-o em alguém ainda melhor do que eu poderia fazer, e por isso eu sou muito grato a ele por ter estado ao seu lado e por isso sei que ele voltará.”

 

Sehun deu um breve sorriso, dos mesmos que Baekhyun gostava de ver e que o assemelhava a uma criança. O clima amenizou-se de repente, como se o ar pesado que pairava sobre ambos tivesse sumido misteriosamente e os pequenos sorrisos se reconhecessem, mesmo dentre toda a estranheza. Não seriam amigos de uma hora para a outra, Sehun não teria todas suas cicatrizes maquiadas e Baekhyun não agiria como se nada tivesse acontecido. Porém, aquele definitivamente era um começo.

 

“Eu o desculpo por… Você sabe, tudo.” Sehun disse, depois de um tempo. “Nós dois crescemos com isso e eu fico feliz que tenha se preocupado em vir falar comigo agora. Eu acho que nunca estive me sentindo tão sozinho e ver que alguém que não seja o Jongin ainda se preocupa comigo é muito importante, mesmo.”

 

“Eu nunca poderia deixá-lo para trás, Sehun”, Baekhyun deu um sorriso triste. “Para todos os efeitos, apesar de tudo, você ainda é meu lost boy e eu não poderia deixá-lo mais perdido do que quando o encontrei.”

 

Sehun riu com a menção ao nome da playlist de ambos, surpreendendo-se com o fato de que recordar o passado daquela forma não doía mais como antes. Talvez estivesse superando Baekhyun de verdade, talvez estivesse pronto para aventurar-se novamente e seu coração pronto para entregar-se a outra pessoa. Diferente do que seria esperado, sentia-se feliz por conseguir pensar em Baekhyun diferente dos últimos meses porque o garoto fora uma parte importante de sua adolescência.

 

Ele fora seu primeiro amor, sua primeira desilusão, o primeiro coração partido, mas ele estava ali, sorrindo para si, estendendo a mão em ajuda.

 

“É hora de deixarmos o passado onde ele deve ficar”, Sehun disse, deixando subentendido todas as desculpas pedidas por Baekhyun, o arrependimento nos olhos castanhos e os sentimentos mistos. “Obrigado, Baekhyun.”

 

Baekhyun sorriu novamente, seu sorriso quadrado pelo qual era reconhecido de longe. “Obrigado você, Sehun. E você sabe que eu vou estar sempre por perto. Então, quem sabe, até o Jongin voltar, você pode confiar em mim, ok?”

 

Sehun meneou a cabeça em afirmativa, mesmo que tivesse certo receio em aceitar a proposta. Saber que havia alguém disposto a ajudá-lo já era algo pelo qual se sentia reconfortado, mesmo que fosse continuar isolado em seu canto, lidando com seus problemas da melhor forma que havia encontrado.

 

O sinal tocou mais uma vez, trazendo os alunos de volta para a sala, e Baekhyun voltou a seu lugar de origem do outro lado da sala. Kyungsoo e Chanyeol não demoraram a chegar, o Park trazendo seu costumeiro cupcake favorito como fazia todas as vezes em que Baekhyun não podia sair para o intervalo. Sorriu para os amigos, sentindo o peso em suas costas aliviando-se com aquele gesto. Sua vida finalmente estava entrando nos eixos, mesmo que quase um ano depois de tudo sair dos trilhos.

 

Kyungsoo sentou-se em seu lugar de costume ao lado de Baekhyun e Chanyeol ocupou o lugar à sua frente, ávidos pelo conteúdo da conversa com Sehun. Baekhyun sorriu para os amigos, mordiscando seu cupcake e adorando as facetas de curiosidade voltadas para si. Não contaria sobre o que tinham conversado, era íntimo demais e preferia guardar para si; algumas coisas seus amigos não precisavam saber.

 

“E então?”

 

“Então que Sehun e eu estamos, finalmente, em paz um com o outro”, Baekhyun sorriu. “É tudo que vocês precisam saber, seus curiosos.”

 

“A gente te aguenta choramingando por meses e agora nós somos curiosos em só querer saber o final dessa odisseia”, Kyungsoo bufou.

 

“Você é muito insensível, Kyungsoo”, Baekhyun riu. “Mas deu tudo certo. Eu achei que Sehun iria me jogar dali, mas estamos surpreendentemente bem um com outro agora.”

 

“Descobriu sobre Jongin?”, Chanyeol perguntou.

 

Baekhyun suspirou. “Na verdade, não. Nem Sehun sabe dele e é por isso que ele tá abatido”, disse. “Mas eu tenho certeza que veremos Jongin de novo.”

 

“Eu espero que sim, antes que Sehun pareça ainda mais apático”, Kyungsoo comentou. “Aquele garoto já passou por coisas demais para merecer ainda mais tristeza.”

 

“Sehun vai receber a felicidade pelo qual almeja, eu tenho certeza”, Baekhyun comentou. “Não estava destinado a ser ao meu lado, mas o que importa é que ele ficará bem e feliz.”

 

Seus amigos concordaram em silêncio e Baekhyun se pôs a pensar em todos os meses que se passaram até aquele momento. Era surreal ter conversado com Sehun e as coisas terem dado certo, ter sido perdoado por seu ex-namorado e ter a chance de recomeçar as coisas, mesmo que de forma lenta porque não teria sua confiança plenamente de imediato. Durante todos aqueles meses, seu único objetivo era ver Sehun bem e agora que isso estava praticamente encaminhado, o que ele faria?

 

“E agora, gente?”, Baekhyun perguntou, atraindo atenção de ambos novamente. “Eu sei que Jongin vai voltar e então o Sehun vai ficar bem, não tem ninguém mais apropriado para fazê-lo feliz do que o Jongin. Mas e o que eu faço agora?”

 

“Você já pode parar de se cobrar, pelo menos”, Kyungsoo disse. “Sehun está bem, não é?”

 

“Eu passei tanto tempo pensando em como faria para fazê-lo me perdoar e ficar bem depois de tudo que eu não parei para pensar em como eu ficaria depois. Eu não sei o que devo fazer agora.”

 

Chanyeol e Kyungsoo trocaram um olhar. Sabiam que aquela hora chegaria em algum momento, havia demorado muito até para que acontecesse. Baekhyun estava sempre empenhado em ajudar as pessoas ao redor, transformar seus dias em algo melhor, que quase sempre esquecia de si mesmo no processo. E por isso Chanyeol e Kyungsoo estavam ali para recordá-lo de que também era importante.

 

“Agora, Baek”, Chanyeol comentou, apoiando-se em sua mesa e dando-lhe um sorriso, “você só precisa seguir em frente também. Sempre tem uma nova música para substituir aquela que amamos.”


Notas Finais


ChanBaek is rising, amigos. E eu to 100% ansiosa HUAHUHUUAHUEA E esse SooXing aí? Algo me diz que essa não é a última Explosão que vemos por aqui~~

A citação de ChanBaek super fofinhos é de Titanic, do diálogo entre Jack e Rose. Quem é que nunca gravou as falas de seus filmes favoritos, não é mesmo?

Espero que vocês tenham gostado desse capítulo! Qualquer coisa, estou aí embaixo nos comentários ou no twitter que é o @iambyuntiful, venham falar comigo lá também! <3 Recadinhos fofos pra me fazer sorrir são bem vindos aqui: https://iambyuntiful.sarahah.com/

A playlist com as músicas da fanfic e/ou que recordam os personagens: https://open.spotify.com/user/12175363727/playlist/30tR4bvVDymtj0tzPOoAA6 Sintam-se à vontade para me sugerir músicas que vocês acham que combinam também! Adoro conhecer coisas novas hauehaueha

Até o próximo capítulo e beijinhosss~! <3


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