História Eye of hurricane - Capítulo 27


Escrita por: ~

Postado
Categorias One Direction
Personagens Harry Styles, Liam Payne, Louis Tomlinson, Niall Horan, Personagens Originais, Zayn Malik
Tags Drama, Niall Horan, One Direction, Suspense
Visualizações 18
Palavras 4.927
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 27 - Truth


Fanfic / Fanfiction Eye of hurricane - Capítulo 27 - Truth

As horas se arrastam e se arrastam por uma infinidade cansativa. Meus pensamentos voam de Danen e meu pai para Niall e todas as suas mentiras. Não me dei ao trabalho de nem mesmo olhar o que quer que ele tenha trago, apenas deixei o prato e o copo ali cobertos. Tiro apenas alguns breves cochilos durante toda a noite, mas em todas as vezes que caia em um mundo paralelo um pesadelo com Danen correndo perigo me fazia acordar desesperada. Abrir e ver onde eu estou não ajudava muito e a demora entre um cochilo e outra foi apenas aumentando. Na manhã seguinte quem aparece é o homem que Niall chamou de pai, o tal James. Ele tem cabelos castanhos e olhos escuros e não noto nenhuma semelhança óbvia entre ele e Niall.

- Gostou do seu novo quarto? Bem diferente do último, não? - o homem diz com a voz calma, colocando uma nova bandeja no chão e tirando o prato e copo nos quais nem toquei. Continuo calada e quieta, insegura demais para reagir antes de saber qual é a dele. - Não sei se reparou, mas estamos sendo legal com você Yarla. A comida é boa e tem até suco, olhe só. Niall fez questão de comprar pra você.

Engulo em seco. Pensar em qualquer coisa relacionada a Niall agora dói, mas não posso negar que ouvir isso causou certa faísca em meu peito.

- Nosso propósito não é machucar você, apesar de ser tentador, nosso negócio é com o seu pai. Coisas ruins só irão acontecer se ele não cooperar.

- O que é que vocês querem com ele? Por que apenas não nos deixam em paz? - tomo coragem para perguntar, minhas emoções ficando a flor da pele.

- Se fosse tão fácil assim Yarla... Apenas esquecer. Mas você ainda vai entender. - o homem olha para mim sério e suspira, parecendo cansado.

Busco minhas forças e toda a minha coragem para ousar tentar conseguir dele alguma informação.

- Me diga o que está acontecendo, o porquê de tudo isso. - balanço os braços e as correntes se sacodem. O homem balança a cabeça devagar.

- Não, ainda não.

- Meu pai... Ele está de volta? Ele está com Danen? Meu irmão, ele... Ele está bem? - meus olhos ficam cheios e sinto meus lábios trêmulos pela chegada do choro.

- O que posso te dizer é que sim, seu pai está de volta e seu irmão está bem. Mas ainda vai demorar até que as coisas comecem a andar porque o Mier não está colaborando. - o homem caminha até a porta e eu o sigo com olhos atentos - O que é uma pena, porque isso mantém você presa aqui.

Assim que ele sai, desabo em um choro baixinho. Sinto um misto de tristeza, saudade e alívio. Danen está bem e está sob a proteção de meu pai. Essa é a única coisa que ele disse que realmente importa para mim. Sei que ele não é uma fonte confiável, mas ao mesmo tempo não vejo o porquê de ele inventar algo como isso. E saber que Danen está bem me deixa tão aliviada que decido me agarrar a essa afirmação com todo o meu coração.

Passo a maior parte do dia sozinha, deitada no colchão encarando o céu lá fora. A intensa dor de cabeça pela falta de cafeína me nocauteia, e o fato de pensar exageradamente em tudo só piora a dor. O entardecer chega e com ele alguém abre a porta. Estou deitada imóvel com os olhos fechados, a cabeça explodindo, a garganta queimando de sede e o estômago roncando, mas me recuso permanentemente a comer ou beber qualquer coisa.

- Você não comeu nada... De novo. - reconheço a voz de Niall, mas saber que é ele não faz com que eu me mova. Pelo contrário. Faz com que eu queira apagar de vez. - Yarla...

Quando sua mão toca meu ombro dou um tranco imediato e o afasto, abrindo os olhos e me sentando o mais distante possível.

- Não ponha essas suas mãos imundas em mim! - sussurro com raiva, meus olhos começando a lacrimejar apenas de olhar para ele. - Nunca mais toque em mim Horan! Você é um... É um...

- Vá em frente! - diz ele de repente, olhando para mim com olhos azuis de determinação - Está com raiva de mim então vá em frente. Jogue a comida e os talheres em mim, me bata e me arranhe e grite todos essas coisas horríveis que está pensando sobre mim.

- Não! - meu corpo chega a tremer de raiva e luto para ficar de pé - Não finja que não merece todo o meu ódio quando você foi um grande filho da puta que arruinou a minha vida!

As palavras arranham minha garganta enquanto saem e meus músculos doem de tensão.

- Eu mereço, e sei disso...

Ele começa a falar mas eu o interrompo, totalmente desinteressada em qualquer coisa que ele tenha para dizer.

- O que você fez... O que fez comigo foi desumano. Você... Você me enganou, me usou como se eu fosse um objeto qualquer e... Me fez acreditar que eu realmente significava alguma coisa pra você. Tudo isso já é ruim o suficiente, mas envolver o Danen Niall...

- Yarla...

- Não! - berro irritada, lágrimas de raiva e decepção escorrendo para minha bochecha. Como eu pude ser tão burra? - Envolver o meu irmão foi o seu pior erro! Ele é só uma criança e não tinha que passar por isso! Ele não tinha e nem merecia ter que enfrentar esse tipo de coisa e você sabe disso Niall. Você sabe. - uso a manga da blusa para enxugar os olhos e o nariz, percebendo como meus braços parecem trêmulos agora - Eu nunca vou perdoar você por isso. Nunca.

Ofegante pelo desabafo e pelo choro continuo encarando Niall que me encara de volta. Ele está totalmente sério e sem expressão.

- Terminou? - pergunta simples e inabalável, e é aí que tenho a certeza de que nunca conheci realmente o garoto parado minha frente. Engulo meu orgulho e me recosto na parede suja, escorregando até o chão enquanto ele deixa o cômodo silenciosamente.

 

 

Nunca passei mais de poucas horas sem comer ou beber qualquer coisa em toda a minha vida. Meu corpo nunca teve que passar por esse tipo de situação e no terceiro dia sem ingerir qualquer coisa ele começa a entrar em pane. Estou tonta, suando frio e meu estômago dói fazendo-me contorcer. Minha garganta arde e sinto uma bambeira gritante, uma tontura terrível e um peso em minha cabeça que não me deixa ficar de pé. Quando o cara que agora sei ser o irmão de Niall chamado Jason aparece sou obrigada a me sentar e percebo que estou tremendo. Também acho que estou começando a alucinar porque diferentemente da última vez em que o vi, agora o cara parece estar com os cabelos azuis.

Não olho para o rosto dele e nem para o que está fazendo, apenas me enrolo mais no cobertor fino e mantenho o olhar na luz na janelinha.

- Bom dia princesinha, como passou mais essa noite? - pelo tom de voz alegre e animado, sei que ele está sentindo prazer enorme com toda essa situação. Ouço os barulhos enquanto ele mexe em algo.

- Ah, olha só... Não desfrutou do jantar? Não é bom o suficiente para um Mier?

Continuo calada.

- Meu pai e Niall me disseram sobre a sua falta de apetite, ou será apenas uma birra da princesinha mimada? - o tom de voz dele fica mais grave e de repente Jason se aproxima de mim, se ajoelhando a minha frente e segurando meu rosto com agressividade. Estou tão bamba e fraca que ele não tem a menor dificuldade em me controlar como bem entender.

- Quando eu falar com você, quero que me responda... Está ouvindo? - murmura entredentes e posso sentir toda a raiva que seu corpo exala. Amedrontada demais para dizer algo me limito a balançar a cabeça brevemente, mas apenas de fazer isso a dor em minha cabeça se espalha por todo o meu corpo - Trouxe uma porcaria de café da manhã pra você, mas não parece muito a fim de comer hein?

O garoto coloca um prato e um copo de suco no chão perto dos meus pés.

- Você até que não é de se jogar fora hein Mier? Tem um corpo bonitinho e tal, mas não é lá essas coisas. - ele puxa meu cobertor e sinto seus olhos por meu corpo, então me encolho. Ele ri. - Mas meu irmão sempre se contentou com pouco. Não sei o que foi que ele viu em você além de um corpinho razoável.

- Não fale como se ele realmente gostasse de mim. - murmuro irritada, balançando minha cabeça para me livrar de sua mão. Disposta a triplicar a dor em minha cabeça para afastá-lo de mim.

- Bem, não sei se ele gosta mesmo de você e nem me importo. - ele dá de ombros e sorri presunçoso; um sorriso bonito até, mas toda a má intenção contida nele o torna feio e repugnante. - A única coisa com que me importo é que nesse momento você se sinta péssima, e sabe como posso fazer isso?

Continuo imóvel.

- Lembra-se da sua oferta antes de vir para cá, Yarla?

Quando ele lambe os lábios e me lembro de minhas próprias palavras, sinto um arrepio de medo em minha espinha.

‘’- Deixem o meu irmão e levem a mim... Posso fazer o que vocês precisarem, façam comigo o que quiserem e não resistirei, mas, por favor... Deixem o Danen em paz. ’’

É claro que disse aquilo na hora do desespero, mas sei que por Danem eu diria tudo outra vez e passaria por qualquer tipo de coisa. É por isso que quando ele desliza as mãos por meus braços, subindo para meus ombros e meu colo, tudo o que faço é engolir em seco e desviar o olhar para um ponto distante. Ele não me beija ou coisa do tipo, e sei que colocar suas mãos em mim causa nojo nele tanto quanto a mim; porque ele já deixou claro seu ódio por mim, e me tocar desse jeito é um sufoco que ele está tentando esconder. Pressiono os olhos com força quando sinto seus dedos adentrando minha blusa de pijama e tateando minha barriga, querendo desesperadamente gritar e me afastar, mas totalmente incapaz de fazer isso. De repente a porta se abre e os acontecimentos seguintes são uma bagunça de flashes que meu cérebro está lento demais para processar. Niall deixa um copo cair e puxa Jason de cima de mim. Niall joga Jason contra a parede e disfere um soco na cara dele, mas o irmão está rindo. O pai da dupla entra na sala e se coloca entre os dois aos berros. Não consigo entender nada do que eles dizem, ouço apenas as vozes em um lugar cada vez mais distante. Niall vem em minha direção, mas tudo que vejo já está escurecendo.

Assim que abro os olhos, desejo poder fechá-los novamente e voltar para a inconsciência. E desejo poder nunca mais deixá-la. Niall está de costas e estamos no que me parece uma minúscula cozinha. Estou meio sentada meio deitada em uma cadeira acolchoada e um cobertor cobre meus ombros. Assim que me mexo me arrependo. As dores pelo corpo estão cada vez mais fortes e minha cabeça parece que irá pender para frente ou para trás.

- Você acordou. - murmura Niall ao se virar e me ver acordada.

Olho a volta e tento saber onde estamos mas a verdade é que, como era de se esperar, nunca estive nesse lugar antes.

- Não se preocupe, eles não estão aqui. - o loiro se apoia na pia e cruza os braços.

- O que te faz achar que isso me conforta? - tento demonstrar todo o meu desprezo por ele através de minha voz.

Isso parece atingi-lo momentaneamente, mas logo se recompõe e ignora meu comentário.

- Você apagou. E vai continuar apagando e se sentindo mal se não comer nada, então preparei algo pra você. - ele tira um prato do micro-ondas com dois sanduíches dentro e coloca a minha frente - Precisa comer antes que eles voltem e encontre você aqui em cima. Se isso acontecer, ambos teremos problemas.

Ele diz em um tom de aviso e por um segundo vejo aquela ponta de preocupação transparecer em seu olhar, mas sei que é coisa da minha cabeça porque depois de tudo o que houve, sei que Niall realmente não se importa comigo.

- Você quer suco de laranja ou morango?

- Eu não quero nada. - murmuro amargurada, então me inclino na mesa e me apoio sobre os braços. Meus pulsos estão doloridos e agora que olho para eles noto como estão roxos e marcados. - Por que não dá logo um tiro na minha cabeça e acaba com tudo isso Niall? Pouparia-me de toda essa dor e meu pai e meu irmão poderiam dar continuidade a suas vidas.

- Eu nunca... - se apressa em dizer, também se inclinando sobre a mesa e ficando perto demais - Nunca faria esse tipo de coisa.

- A essa altura do campeonato fazer isso seria um favor. - cuspo as palavras de mágoa bem em seu rosto, sem o menor respingo de pena - O que você fez foi pior.

Me jogo de volta na cadeira e continuo o encarando.

Niall parece perdido, abre a boca querendo dizer algo, mas acaba desistindo. Fico tentando imaginar o que pode estar se passando na cabeça dele nesse momento.

Por fim, engolindo em seco, diz:

- Coma Yarla, preciso levar você de volta.

- Eu não vou comer. - disparo de volta como uma perfeita criança emburrada, empurrando o prato para longe de mim.

- Apenas...

- Eu já disse que não vou comer! - o interrompo com um grito irritado.

- Mas que merda! - o garoto leva as mãos aos cabelos e suspira nervoso, claramente perdendo a paciência comigo. Ele puxa uma cadeira e se senta bem ao meu lado, o cheiro que passei a adorar nos últimos meses invadindo meu olfato. - Não vê que estou tentando facilitar as coisas aqui pra você?

- Então me deixe ir embora, sabe que isso é o certo a se fazer. - murmuro esperançosa mas ele já está sacudindo a cabeça.

- Há limites Yarla, e já estou dando o meu melhor para ajudar você agora. - ele diz tudo tão sério que quase acredito. Quase. - Tenho uma proposta para fazer.

Não digo nada, apenas olho mais atenta para ele, que prossegue.

- Você vai se limpar, vai comer como uma pessoa normal e eu te conto a verdade. - ele deve notar que fico incrédula porque continua - Você coopera e eu te conto toda a verdade.

 

 

Niall me entrega uma pilha com duas toalhas vermelhas, um sabonete e uma escova de dentes verde. Entro no banheiro e de cara noto que não há nenhuma janela além daquele cubículo no alto; então me conformo com a ideia de que por esse cômodo, não há mesmo como sair daqui. Tomo um banho quente demorado e esfrego minha pele com força por vários minutos, tentando me livrar de todas as camadas de sujeira e cansaço. Apesar de me sentir limpa, preciso vestir as mesmas roupas de antes que não estão nas melhores condições e isso me incomoda um pouco. Ao me olhar no espelho noto como minha aparência realmente está péssima. Olheiras contornam meus olhos, minha pele está amassada e oleosa e meus cabelos estão simplesmente horríveis. Sem qualquer tratamento ou/e lavagem apropriada os fios ficam sujos e pesados, com uma aparência de ressecado que não me agrada nem um pouco.

Abro o pequeno armário no qual o espelho está embutido em busca de pasta de dente, notando que está cheio com vidros, alguns de creme para barbear, outros de creme e gel para cabelo e alguns vidros de remédio, que certamente não deveriam estar aqui.  Escovo meus dentes três vezes para descontar os outros dias em que não pude fazer isso, e por fim, saio do banheiro.

Apesar da demora, quando abro a porta Niall ainda está sentado na mesma cadeira, os cotovelos apoiados nos joelhos e a cabeça pendendo sob as mãos.  Ele olha para mim.

- Pronta? - balanço brevemente a cabeça e essa é a deixa para ele me levar de volta para a pequena cozinha e pedir que eu me sente. Quando sinto o cheiro de café inundando o lugar confesso que quase choro de alegria.

- Preparei um café pra você, deve estar sentindo falta. - diz ele como se lesse meus pensamentos, colocando uma caneca grande sem estampa na minha frente e enchendo-a com o líquido preto que tanto amo.

- Vai mesmo me contar a verdade? - pergunto desconfiada, mas louca para beber um gole do café.

- Vou Yarla, foi um trato. - afirma ele sério e se vira para mexer no armário sobre a pia. Por fim não resisto mais, levo a caneca até os lábios e dou um pequeno gole, saboreando e prolongando ao máximo a sensação tão boa. Niall esquenta os dois sanduíches de hoje mais cedo e eu como ambos com uma facilidade assustadora. Bebo todo o café e Niall até me serve mais um pouco que aceito com prazer. É verdade que não queria colaborar nem um pouco com ele, mas diante de sua proposta e de toda a minha fome, simplesmente me deixo levar. Como também um pedaço de bolo e bebo um pouco de suco de laranja, até meu estômago gritar que não aguenta mais.

- Pronto. - digo virando o restante do suco - Minha parte foi feita, agora é a sua vez.

- Quer mais alguma coisa? - pergunta, exalando uma gentileza que não tenho certeza de que é real.

- Estou satisfeita, obrigada. - agradeço por puro costume.

- Certo... - Niall se ajeita na cadeira, apoiando os braços sobre a mesa e lambendo os lábios. Ele olha para a janela, coça o cotovelo e morde brevemente o lábio - mania que provavelmente fui eu quem despertei - como se não soubesse como começar. Cogita olhar para mim, mas logo desiste e paira os olhos na direção da mesa de mármore.

- Eu morei em Londres nos últimos anos, mas na verdade nasci na Irlanda e fui criado lá. Minha mãe e meu pai se conheceram aqui, na Finlândia, eles se casaram e ela ficou grávida. Minha mãe sempre foi muito dedicada e esforçada, então quando descobriu que ia ser mãe pela primeira vez ela resolveu fazer um curso para mães de primeira viagem e foi aí que ela conheceu sua mãe.

- Minha mãe? C-como assim? Sua mãe conheceu a minha? - interrompo-o, já ficando confusa na primeira sentença.

- Sim. - ele balança a cabeça ao olhar para mim - Ela estava grávida de você, obviamente, quando conheceu minha mãe nesse curso. Elas passaram a manter contato, se encontravam sempre e se tornaram amigas. Então meus pais decidiram se mudar para a Irlanda e eu nasci lá, mas logo que eu cheguei ao mundo meus pais não perderam tempo e minha mãe ficou grávida do Jason. Eles precisaram voltar para cá porque criar dois filhos em um país como a Irlanda não seria fácil nem barato, e aqui as condições eram favoráveis.  Elas ficaram amigas por anos, manteram a amizade viva e de pé e sempre se encontravam.

- Isso não é verdade. - balanço a cabeça - Não pode ser, eu não me lembro da sua mãe, se elas eram tão amigas eu me lembraria de alguma coisa.

Niall ri sem humor e balança a cabeça também.

- Por alguma razão inexplicável meu pai e o Dexter nunca se bicaram, então elas evitavam ir uma na casa da outra e também envolver os filhos nesse meio. Mas pense bem, você com certeza a viu alguma vez. Eu me lembro de ter visto a sua. - os olhos azuis sobem e sondam os meus, mas desvio o olhar, sem fôlego com a informação. - Enfim...

Ele respira fundo.

- Você provavelmente se lembra de alguma época em que seus pais começaram a brigar demais. - Niall olha para mim como se pedisse algum tipo de confirmação, mas permaneço estática. Eu me lembro. - Pois bem, foi a mesma época em que o meu pai começou a se envolver com coisas que não devia e o casamento dos meus pais também deram uma caída. Nossas mães então, meio que...

Niall morde o lábio e coça a nuca.

- Elas meio que se encontraram uma na outra.

O loiro volta a me olhar e franzo o cenho.

- Eu não... - balanço a cabeça confusa - O que você está tentando dizer Niall?

- Estou tentando dizer que elas se apaixonaram Yarla! Nossas mães começaram a se envolver e... Elas tiveram um caso. - ele explode nervoso e fica olhando para mim. Esperando.

Fico olhando de volta para ele, os olhos estagnados, o coração acelerado.

Então solto uma risada alta que nós dois sabemos que é falsa.

- Você só pode estar brincando. - me inclino na mesa. - Espera mesmo que eu acredite nisso? Vamos lá Niall, você pode fazer melhor.

- Eu não inventaria nada como isso, sequer teria imaginação pra tal. - ele engole em seco, totalmente sério, os músculos tensionados. - Nossas mães tiveram um caso Yarla.

Balanço a cabeça, que nesse momento roda sem parar.

- Minha mãe não era lésbica e..  Ela amava o meu pai. - minha frase sai mais como uma pergunta e me odeio por isso. Estou tão confusa que não sei o que dizer e muito menos o que pensar. Ouço Niall rir nasalar novamente.

- Não sei sobre quais eram os sentimentos da sua mãe e muito menos a sexualidade dela, e sinceramente nem os da minha própria mãe, só sei que foi isso o que aconteceu. E ainda nem chegamos à pior parte.

Me recosto na cadeira e olho para ele, esperando.

- Meu pai foi o primeiro a descobrir. Ele gritou com a minha mãe, eles discutiram feio e ele até a agrediu. - com os olhos na mesa ele raspa a unha do polegar no indicador, parecendo não só transtornado, mas seus olhos denunciam uma dor que nunca presenciei antes. E por mais difícil que seja admitir, isso me machuca, e me sinto uma idiota por isso.

- Minha mãe ficou revoltada e saiu de casa, foi para um hotel e ligou pra sua, que foi encontrá-la. Mas meu pai também fez uma ligação... Ele estava triste e decepcionado e ligou para o seu pai; então ele contou tudo que havia descoberto.

Niall se cala por quase um minuto e permaneço quieta, porque sei que ele está tentando. Ás vezes as palavras simplesmente não saem.

- Só que o seu pai não reagiu como um homem normal, ele surtou quando percebeu que estava sendo enganado e o ego falou mais alto que tudo. Pelo cartão de crédito da sua mãe, Dexter descobriu onde elas estavam, o hotel em que elas estavam escondidas e contratou dois caras para fazerem o seu trabalho sujo. Esses dois caras foram até lá e... Você sabe o que aconteceu.

Engulo o choro e tento dizer algo. Não sei no que acredito mas algo dentro de mim dói assustadoramente.

- Mas eles estão presos Niall, os assassinos... Por que eles não diriam nada? - minha voz fraca e trêmula é só mais uma prova do choro que tento segurar.

- O dinheiro querida, ele é capaz de levar as pessoas a fazerem qualquer coisa. E aqueles dois homens estarão podre de ricos quando saírem da prisão.

Limpo meu rosto com a palma das mãos, só então percebendo que já estou chorando. Tento estudar a expressão de Niall em meio a cachoeira salgada, mas minhas lágrimas voltam a escorrer. Minha mente fervilha com perguntas e pontos mal explicados e sinto a loucura se aproximando.

- Então por que seu pai nunca denunciou o meu? Por que não fizeram nada? - minha voz é um desafio petulante que Niall parece cansado demais para se importar.

- Ele queria vingança com as próprias mãos. Além disso, não tinha provas suficientes para acusar Dexter, passou os últimos anos justamente em busca disso.

- E conseguiu? Porque não sei se acredito no que você está dizendo... - minto.

- Então por que está chorando tanto? - ele devolve, os olhos azuis estudando minha alma - Eu sei que você acredita Yarla, no fundo você sente que não estou mentindo.

- Bem, eu não senti que você estava mentindo nos últimos meses e olha onde estamos. - faço um gesto com a mão, ironizando. Mas meu choro não cessa, ele aumenta. Estou em pânico.

- Nós conseguimos as provas. - continua ele, ignorando minha provocação - Temos um monte de coisas, entre elas a gravação da ligação que Dexter fez para o meu pai uma noite antes do assassinato.

- Que ligação? - o interrompo.

- A ligação em que seu pai diz que cuidará das duas, que ele diz que não há com o que se preocupar porque em breve as duas pagarão pelo que fizeram aos dois. E foi justamente a ligação que levou meu pai a suspeitar que tinha sido ele. - Niall aperta o nariz e se recosta na cadeira. Fecho meus olhos e tento respirar fundo. Penso por mais alguns minutos e me arrisco a dizer:

- Dois caras armados atiraram na minha mãe e em uma amiga quando elas passavam um tempo juntas em um hotel. Elas tinham ido para lá pra dar um tempo na vida de mãe, se divertirem um pouco. Elas reagiram ao roubo e foram baleadas. - firmo os olhos na mesa, mas minha visão está totalmente corrompida pelas lágrimas.

- Dois caras armados, contratados pelo seu pai, atiraram na sua mãe e na amante dela, a minha mãe. Elas estavam naquele hotel fugindo, depois de terem seu caso descoberto.

Niall funga, o que me leva a imaginar se está segurando as próprias lágrimas. Levo as mãos ao rosto e apoio a testa na mesa, deixando choro que tanto venho guardando saia. Lágrimas grossas e pesadas escorrem por meu rosto e molham meus lábios.

Olho para Niall e vejo dois deles, que então se unem em um só. Um zumbido alto começa em meu ouvido esquerdo e parte para o direito, cada vez mais alto. Algo explode em meu peito e se expande, queimando meus pulmões e me impedindo de respirar. Toda a força que adquiri comendo os sanduíches parece me abandonar de uma só vez e despenco na lateral da cadeira, quase socando a cabeça no chão. Em meio ao turbilhão que me atinge sou puxada para o chão e abraçada. Tenho a impressão de apagar por alguns segundos. Ainda estou chorando horrores quando Niall segura firme em meu rosto e limpa meus olhos.

- Yarla fique comigo, está me ouvindo?

Sua voz fica cada vez mais distante e minha cabeça se inclina para baixo, me mostrando que estou entre as pernas do garoto. O zumbido em meus ouvidos diminui, mas não cessa. Sinto lágrimas escorrendo em meu queixo.

Niall coloca minha cabeça contra seu peito e me abraça forte, afagando minhas costas com as mãos.

- Shhh, está tudo bem meu amor, calma. Está tudo bem.

Ela está mentindo, mas faz o zumbido parar e volto a respirar. Odeio que ele tenha me chamado de amor.

- Me solte. - murmuro, ainda sem fôlego, mas não o afasto. Não consigo, não no momento.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                        O perfume doce que vem dele quase me mata de tristeza.

- Respire fundo Yarla. - suas mãos escorrem por meus cabelos e param em minhas costas, ignorando meu pedido. Eu faço o que ele pede e com toda a confusão e bagunça dentro de mim, cedo ao instinto e relaxo em seus braços. Não penso nenhuma vez antes de dizer o que digo em seguida.

- Em algum momento durante toda essa história, você sentiu algo real por mim?

Niall fica tenso. Sei disso porque sua respiração cessa por alguns segundos e suas mãos param de se mover.

- A única coisa real nessa história, foi o que passei a sentir por você.

Me obrigo a levantar a cabeça. Olho para ele bem nos olhos e por um instante me sinto bem.

- Me apaixonei por você Yarla Mier, e não sei se foi meu maior erro ou meu maior acerto. - sussurra ele. Seu belo rosto perto demais, seus olhos azuis molhados demais, seus lábios secos demais.

- Prove. - sussurro de volta, sem desviar o olhar.

- O que? - ele franze o cenho - Provar como?

- Deixe-me ver meu irmão. Preciso saber que Danen está bem. - praticamente imploro.

- Ele está bem.

- Sua palavra não é o suficiente. - gemo.

- Precisa ser. - rebate ele - Eu sinto muito, mas não posso fazer isso.

Mordo o lábio e desvio o olhar, então me afasto e fico de pé, mesmo sem ter certeza do que aconteceu e muito menos se já estou recuperada.

- Foi o que eu pensei.



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