História Faculdade Brakebills - Capítulo 2


Escrita por: ~ e ~Caramelkitty

Postado
Categorias Escola de Magia (The Magicians)
Personagens Julia Wicker, Personagens Originais, Quentin Coldwater
Visualizações 2
Palavras 2.715
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Escolar, Fantasia, Magia, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Self Inserction, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - Tens mais poder do que imaginas.


Fanfic / Fanfiction Faculdade Brakebills - Capítulo 2 - Tens mais poder do que imaginas.

Sofia estendeu-se na cama, abrindo os braços e as pernas como uma estrela do mar e encolheu-se novamente. Manteve os olhos fechados. Se tudo sobre Brakebills fosse um sonho (e seus sonhos eram bem reais), ela não queria acordar. Decidiu ficar na cama mais um tempo mas depressa notou que não era a cama dela. Os lençóis não tinham a mesma textura e o espaço não era o mesmo.

Com mais confiança abriu os olhos, compôs-se e pôs os seus óculos. Rodeou a cabeça pelo quarto e teve a certeza de onde estava. No dormitório individual para visitantes da universidade. Um sorriso lhe preencheu as maças rosadas da cara. Sabia que nada tinha um sonho, e que estava no local onde sempre sonhou estar.

“Como estará a minha família?”, pensou ela. Mas o pensamento se desvaneceu. Lembrara-se que a reitora Wicker lhe tinha assegurado antes de assinar o contrato que ia ser dado um álibi a toda a sua família que, com o pouco de ajuda mágica, os faria acreditar que ela estava num faculdade normal de renome e que os poderia visitar de fim-de-semana ou ligar-lhes sempre que batessem as saudades.

“Tenho de me preparar, hoje é o dia dos testes de sub-disciplina”. E logo o nervosismo voltou. As dúvidas sobre as suas capacidades era algo que se estendia a toda sua vida, por isso não era de espantar que a sua cabeça estivesse confusa e o seu ar triste. A etapa de sair da cama foi a mais fácil, porque a preparação que se seguiu foi lenta.

Por fim, olhou-se ao espelho. O vestido assentava-lhe bem nas curvas, o cabelo negro em rabo de cavalo ajudava a todo o outfit. Decidiu não se compor mais e sair porta fora.

- BUUU!!!

- Foda-se Bernardo! Assutaste-me! - Gritou Sofia para o seu melhor amigo, que se encontrava do outro lado da porta, vestido com uma camisa branca e os mesmos jeans cinzentos, segurando um pão com Nutella numa mão e um sumo de laranja natural na outra.

- Não é tão curtido que a nossas malas com as roupas tenham aparecido nos quartos particulares? Como é que dormiste? Bem ou mal? Sonhaste com tudo isto? Eu sonhei! Até tive medo de acordar mas depois acordei,e BUMMM!!!! Eu estava aqui na mesma. - Disparou ele, cheio de energia.

- Eih! Menos perguntas... Ainda é cedo.

- São literalmente 10 e meia da manhã! - Protestou Bernardo enquanto ambos caminhavam em direção ao pátio. - De qualquer das maneiras eu fui ao refeitório comer e decidi trazer-te isto. - Disse entregando-lhe a comida.

- Quão fantástico é nós estarmos aqui? - Continuou.

- Numas escala de zero a mal dormi por causa ansiedade, rebentei a escala. - Esclareceu a rapariga.

- Eu dormi muito bem e estou tão entusiasmado por hoje! Vamos descobrir as nossas sub-disciplinas. Eu tenho a certeza que vou arrasar com uma magia de batalha bem fodida.

- Sorte a tua porque eu acho que nem devo ter sub-disciplina.

- Claro que tens, Sofia, todos nós temos.

- A minha de certeza que é ser desastrada em tudo.

Bernardo rolou os olhos, lembrando-se de todas as vezes que Sofia se tentava subestimar, e respondeu:

- A Sra. Wicker disse que a tua sub-disciplina era Viajem.

- Ela disse que era provável ser. Não sabes se é ou não. - Emendou. - O exame mostra apenas a tua personalidade. Falta saber o teu talento, e a tua escolha. Eu li isso ontem na biblioteca.

- Tu já foste à biblioteca? Que pressa, rapariga. E mesmo assim é claro que tens talento, se não não tinhas entrado.

- O meu talento é ser virgem para o resto da vida.

- Sofia! Já falamos sobre isso, cada pessoa tem um tempo diferente para atingir essa parte do desenvolvimento humano.

- Pois, o meu tempo está é a vir muito tarde.

- Não, não está. Ainda somos muito novos para isso.

- Fala o rapaz que tem sexo três vezes ao dia.

- Isso não quer dizer que seja melhor ou pior que ninguém. Somos todos iguais, e tu também não és menos por preservares-te.

Com um pouco de raiva, Sofia proferiu:
- Apenas admite, eu não sou boa em nada. Tu tens talento para isto e para aquilo, eu não!

Ele parou-a, pegou-lhe pelos braços, virando-a para ele, e fixou o olhar intensamente nos olhos dóceis da rapariga. Já estavam no pátio, e toda a gente parara, reparando na diferença de alturas e posturas. Não podiam ser mais diferentes. O fino e alto rapaz nunca soubera como agir se não com brutidão, o completo contrário da baixa e mais redonda rapariga. No entanto, ambos se completavam, não de uma forma romântica, mas apenas como dois irmãos separados à nascença.

- Sofia, tu tens muito mais potencial do que acreditas ter! Tu és do tipo de pessoas que trabalha dia e noite até encontrar a perfeição. Algo que eu não faço. Mesmo que cheguemos lá dentro e se descubra que eu tenho talento inato, eu nunca vou chegar ao teu nível, porque tu esforçaste, tu trabalhas e tu arrasas. Entendido?

Ela baixou os olhos. Não sabia o que dizer. Sentia-se demasiado envergonhada para admitir que gostara das palavras do amigo. Sentia-se mais confiante e logo um sorriso veio.

- Pronto, okay! Agora já me podes largar...

- Desculpa, magoei-te?

- Só um pouco...

Sentaram-se em silêncio à beira da fonte. A donzela da Grécia antiga, posta no pedestal com o seu vaso, continuava numa dança imóvel que abanava as suas vestes estáticas ao vento. A água escorregava sem sossego do vaso para a larga fonte.

- Ontem à noite, ao passar nos corredores para o meu quarto, ouvi um grupo de alunos do 2º ano a falar sobre esta fonte. - Afirmou Bernardo.

- O que falavam?

- Disseram que não sabiam “como os psíquicos saltavam aqui para dentro sabendo que podiam morrer”.

- Uau, isso é fixe! - Disse entusiasticamente a mais nova.

- Por isso denominaram esta fonte de “Fonte do Suicídio”. Mas porque alguém iria saltar para aqui? Não faz sentido. Queres experimentar saltar lá para dentro?

- Ah... - Começou Sofia meio que se engasgando, sem perceber se o amigo estava a falar verdade. - Eu acho que isso é má ideia.

- Também, quão perigosa pode ser uma fonte?

- Não sabemos, ela pode ser mágica. - Relembrou Sofia.

- Sim e que magia ela vai usar contra nós?

- Se calhar a senhora do pedestal vai sair dali e dar-te com o vaso na cabeça! - Riu-se.

- Concordo se calhar é mesmo isso que vai acontecer!

E os dois riram-se por um bocado só com a ideia de ter de lutar contra uma estátua assassina. Emersos numa longa conversa sobre os feitiços mais inúteis que devem existir, do qual Sofia chegou à conclusão que o feitiço mais inútil seria o de tornar o braço num mata-moscas, os amigos não repararam que o pátio se enchera de alunos que praticavam as mais diversas confusões mágicas. Todos moviam as mãos em figuras geométricas complexas, pronunciando palavras antigas.

No meio da risota, Bernardo sentiu algo a crescer dentro do seu bolso. Um peso macio e anguloso se fazia sentir entre a pele e o tecido.
- Sofia, eu tenho uma carta no bolso! - Disse em espanto.

- Como assim? Não reparaste que estava lá?

O rapaz se apressou a tirá-la do bolso e abri-la.

- Não! Ela apareceu aqui! Do nada!

E assim leu em voz alta para os dois ouvirem:

“A reitora de Brakebills, Julia Wicker, convoca o Senhor Fonseca e a Senhora Monteiro para realizar neste momento os testes de sub-disciplina, na sala de exames principal, aos quais presenciarão os 6 chefes de disciplina.

Atenciosamente,

Julia Wicker

PS: A carta foi entregue ao Sr. Fonseca visto que a Sra. Monteiro não notaria da presença da mesma”

- Eu acho que tu nunca perderias a carta! - Falou sarcasticamente Bernardo.

- Ahahah. Piadas. - Respondeu friamente.

- Bem, acho que temos de ir para a sala principal de exames, certo?

- E onde é que é isso?

- Vê aqui no meu mapa de bolso? - Ripostou Bernardo, usando a sua ironia característica, de novo.

A rapariga apenas revirou os olhos, e os dois se direcionaram à sala onde tinham feito o exame de entrada, sabendo que as suas mentes estavam de acordo. O percurso até à porta foi muito mais veloz do que da primeira vez, os nervos eram o combustível de impulso. Seguiram em silêncio sepulcral até à porta, até encontrar a mesma mulher com um sorriso calmo e sinistro que sempre assombrava a sua cara.

- Primeiro, o menino Bernardo, pode ser?

O adolescente entrou na mesma sala onde no dia anterior tinha estado, no entanto tudo mudara, a única coisa fixa era a “mesa dos júris” onde uma cadeira estava desocupada, “pertence à reitora.”, supôs. A sala estava agora vazia e mostrava o seu real espaço, e a luz intensamente branca se imponha em toda a sua força.

Posicionou-se em frente à mesa, a uma distância de segurança, e imobilizou-se, esperando um pedido, uma ordem ou uma pergunta. Nenhum chefe de disciplina falou antes da Sra. Wicker se sentar mas enquanto ela não o fez, Bernardo teve tempo de reparar em cada figura ali presente. Um homem e uma mulher com uma atitude calma e um roupa estilo hippie sentavam-se do lado esquerdo, e do lado contrário no extremo da mesa, um rapaz novo que brincavam com as mãos, criando figuras no ar. Uma mulher de bata médica também lá estava, mas quem realmente lhe chamou à atenção foi o homem imediatamente à direita da cadeira de Julia. Um cabelo loiro platinado, uma estatura média, e um sorriso brilhante. Quase que o chamaria de um deus grego, se não fosse desajeitado e uma figura de cromo.

- Sr. Bernardo, como disse o seu exame de entrada na faculdade mostrou uma possível aptidão natural para magia de batalha. - Começou por dizer Julia.

- Sim, e o mais engraçado é que a tua sub-disciplina é uma extensão da tua personalidade, mas ambos os aspetos contam o mesmo na escolha da disciplina geral. - Interrompeu o homem loiro.

- Este é Quentin, - constatou Julia. - chefe da disciplina Física e professor em Brakebills.

Julia finalizou sorrindo, e era incrível como, depois de todos os problemas no seu passado, o seu sorriso continuava lindo e reconfortante. Fora este sorriso que tinha deixado Quentin apaixonado nos seus tempos de jovem.

- Continuando, aqui será testada a tua sub-disciplina, se falhares no primeiro teste, passaremos para a segunda sub-disciplina mais provável e por assim adiante. Normalmente para ser aceite numa disciplina é necessário o acordo entre o reitor e o chefe de disciplina, mas como a disciplina em que serás testado é a qual eu chefio, basta a minha aprovação. - Afirmou a Sra. Wicker.

O espanto inundou Bernardo.

- Então tu és reitora, e chefe de disciplina, ao mesmo tempo? - Questionou, com seus olhos e boca aberta.

- Primeiro, sempre que se referir a mim deve fazê-lo por reitora Wicker ou simplesmente reitora. - Com estas palavras, Bernardo engoliu em seco de vergonha, mas Julia apenas prosseguiu. - E segundo, sim, é exatamente isso. Mais alguma dúvida?

- Não, reitora Wicker.

- Ótimo, então o seu teste consiste em aprender este feitiço, e executá-lo à primeira.

Da sua pasta tirou uma folha onde estava desenhada uma sequência de gestos manuais que criariam uma onda telecinética a qual teria uma força equivalente ao poder do mágico que a executasse.

- Fá-lo contra a terceira janela na parede à tua esquerda. - Ordenou o homem hippie.

Bernardo olhou a janela. Os vidros quadrangulares tinham 3 a 5 centímetros de postura, numa janela com cerca de 2 metros de largura por 2 de altura. O ferro onde os vidros estavam era maciço e pesado. “Eles querem que eu falhe, nunca vou conseguir destruir aquilo.”, pensou.

- Quantas pessoas por ano passam neste teste? - Inquiriu o rapaz.

- Há sempre cerca de 2 propostas todos os anos para esta sub-disciplina, mas não existe ninguém que a possua desde os anos 80. - Respondeu Wicker.

- Mas magia de batalha é comum em todos os bruxos mais avançados, não é? - Perguntou a mente curiosa de Bernardo.

- Sim, mas é algo que demora muitos anos a desenvolver, - Respondeu Quentin. - Se conseguires efetuar este feitiço sem esforço, serás o primeiro aluno de Brakebills em décadas a possuir este dom.

- O que conta é a intenção. - Tentou Bernardo aliviar a pressão.

Todos os chefes de disciplina estavam focados nele. Ele apenas pegou no papel e tentou decorar cada gesto o mais rápido possível. Eram três etapas. Estender os braços para a frente, com a mão direita agarrar a mão esquerda (que estava por baixo em forma de murro) e libertar a tensão da esquerda. “É simples”, convenceu-se.

Instintivamente colocou-se na posição correta. Os seus braços estavam contraídos com as veias bem vincadas na pele. Ele tinha de o fazer. Então, como se apenas respirasse, uma pressão começou a criar-se na dentro de sua mão, desesperada por se soltar. E em cinco segundos, abriu a mão e foi projetado contra o chão.

- AUCH! - gritou de dor. - O que aconteceu?

A mulher de bata já o segurava pelo braço analisando-o à procura de ferimentos. Julia estava em pé ao seu redor, calma, como sempre, e Quentin ao seu lado, embora a atitude deste fosse de intenso fascínio. Os outros chefes estavam apenas sentados, certificando-se que não era necessária a sua intervenção. Bernardo coçava a cabeça com dor.

- Ele parece-me bem, Julia, no entanto se calhar é melhor checar na enfermaria.

- Não é necessário, obrigado. - Falou o rapaz, levantando-se, como se nenhuma dor tivesse. - O que aconteceu?

- Tu libertaste demasiada força telecinética. - Explicou Julia. - Aconselhamos-te a não usar este feitiço enquanto não tiveres treino.

Ele olhou à sua volta. Todas as janelas tinham sido atiradas para fora, e pequenos estilhaços estavam espalhados pelo chão. Quando Quentin reparou na cara de aflição que o mais novo fazia, estalou os dedos e todo foi restaurado. Depois sorriu-lhe.

- A boa novidade é que a tua sub-disciplina está provada. Ela é magia de batalha e pertences a Conhecimento, eu sou a tua chefe de disciplina. Qualquer problema, falas comigo. - Prosseguiu Julia – Agora deves te dirigir à biblioteca, e lá encontrarás a entrada para a tua casa. Passarás o resto do dia com os teus colegas, conhecendo-os, e mais tarde te será entregue um horário das aulas, que começam na próxima semana.

- Ótimo, acho eu.

- Pode sair e chame a sua amiga para dentro. - Disse a mulher de turbante.

Bernardo não falou mais nada, doía-lhe a cabeça e sentia-se demasiado em choque com o seu poder para pensar sequer. Não sabia se era bom ou mau, ou se alguma vez teria controlo sobre ele. E também este era apenas um dos vários feitiços que conseguiria fazer sem esforço, ele nem queria imaginar o que poderia fazer com o resto. Será que chegaria a matar alguém com esta vantagem? Como é que os seus colegas olhariam para si? Aberração ou abençoado? Ao menos tinha a certeza que quando saísse aquela porta, Sofia o esperaria sem julgamentos.

- Bernardo! - Sussurrou Quentin, agarrando no seu braço, mesmo antes de ele pegar na maçaneta da porta. - Tenta segurar a pressão menos tempo. Não criará tantos estragos.

Este piscou-lhe o olho, e voltou para o seu local. O adolescente saiu a porta, e encontrou-se com Sofia.

- Estás bem, B? Eu ouvi um estrondo e fiquei preocupada!

- Está tudo bem, eu apenas fiz umas belas danificações, por assim dizer. Estou em Conhecimento. A Julia disse para eu ir para a minha casa, e para tu entrares.

Sofia disparou-se para dentro da sala mas antes de entrar ouviu chamarem o seu nome.

- Não te esqueças que tens mais poder que imaginas. - Afirmou Bernardo muito convicto. - Apenas relaxa. Manda-me mensagem quando saíres do teste.

A rapariga acenou com a cabeça e fechou a porta.



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