História Faded - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias SHINee
Personagens Minho Choi, Taemin Lee
Tags 2min, Faded, Minho, Shineeficfest, Taemin
Exibições 30
Palavras 3.949
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Romance e Novela, Shonen-Ai, Violência
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá!

Fanfic escrita para a 2º edição do SHINee Fic Fest! Foi um pouco corrido escrever, mas espero que gostem e estejam à vontade para a comentar!

Capa: Cora Lins!

Capítulo 1 - Capitulo I


Seus olhos sempre atentos, num costume frenético inevitável, fitavam as ruas escuras e chuvosas de Seul através das velhas persianas de alumínio mal organizadas, ali dispostas a fim de servir como proteção para aquele quarto antiquado em que Minho passara suas últimas três noites. A adrenalina corria por todo seu corpo moreno e jovem enquanto, quase que em transe, toda sua estrutura se recordava das sirenes gritantes em suas costas poucos dias atrás, o que lhe dava certeza de que precisava colocar seu plano há tanto arquitetado em prática antes que fosse tarde demais ao mesmo tempo que, acreditando avidamente, sabia que nenhum esforço que estava fazendo valeria a pena se, no fim de tudo, ele não estivesse a seu lado.

O rapaz sabia que não podia ficar sozinho por um instante sem que, como um rápido vislumbre, um sorriso inesquecível tomasse conta de sua mente, transportando-se para seu corpo de forma ardente. Desta vez, não fora diferente, e cada gota de chuva que escorria sobre a janela o fazia recordar de cada detalhe daquele rosto tão marcante para si, não precisou muito para que entrasse em sua viagem mental.  Até que, num repente, fora arrancado de seus devaneios quando o silêncio preservado a seu redor fora quebrado por ínfimos sons de passos astutos que se aproximavam da porta no sentido oposto da sala em que estava. Não guardou tempo para análises fúteis e, apenas entendendo que sua vida poderia estar correndo perigo mais uma vez naquele dia, automaticamente se moveu para a parede ao lado da entrada imediatamente retirando sua Taurus 638 da parte traseira de sua calça, já levando arma de carbono fosco para perto de seu rosto.

Preparou-se.

No minuto em que a porta se abriu, a arma de Minho se posicionou na cabeça de quem adentrava, habilidosamente, deixando-o estático e imobilizado por longos segundos.

— Dá para abaixar a porra da arma, aish? — O jovem de estatura mediana repreendia, audacioso, a Minho, encarando-o seriamente ao alto, sem demonstrar nenhum ínfimo fio de temor — Quantas vezes você já fez isso? Você não cansa de tentar me matar, não?

— Ligue antes de entrar. — Minho dizia um tanto aliviado, porém mantinha seu ar coercivo enquanto retornava sua pistola para o local de onde a retirara anteriormente, utilizando sua camisa branca para cobri-la em suas costas. — É o combinado, Jonghyun!

— Estamos seguros aqui, Minho. — O rapaz fortaleceu volume de sua voz e a tonificou asperamente. — Abaixa a bola?!

Ambos se entreolharam por alguns breves momentos sentindo a tensão que fora instalada sem um motivo específico e aparente que necessitasse dessa atenção em tamanha escala para tal discussão. Não havia porquês para brigas entre os dois que não fossem causados pela adrenalina frequente dos últimos dias, portanto foi preciso apenas segundos de silêncio para que voltassem a compreender isso mutuamente.

— O que conseguiu? — A voz de Minho dava espaço ao tom brando que inconscientemente fluía o pedido de desculpas não confessional a seu amigo, ocasionando uma pequena demora na reação de Jonghyun antes de sua resposta.

— Hm… muita coisa! — Jonghyun suspirou, ampliando sua compreensão, o que motivou o rápido retorno de sua personalidade sarcástica marcante. — Fiz até um fluxograma para você!

Minho assistiu o amigo, incrivelmente entusiasmado de uma hora para outra, retirar um papel branco amassado de dentro de um dos bolsos desenhados sobre o tecido preto em seu peitoral e seguiu conforme lhe era solicitado, tomando a folha em suas mãos e a desembrulhando agilmente buscando por seu conteúdo. Para sua surpresa, foi necessário que averiguasse os dois versos repetidas vezes para que acreditasse no que seus olhos viam.

— Er… Hm… Se você puder explicar a piada logo. Não estou com cabeça… — A mente do mais alto ainda batalhava contra a charada do papel em branco sem informação alguma.

— É. É isso mesmo! — Jonghyun assistiu o franzir no rosto do mais novo enquanto os olhos corriam pelos cantos pedindo por entendimento. Deu um leve respiro irritado e logo correu a esclarecer. — O cara é um pé no saco! — Dessa vez, viu a expressão do outro se enfurecer como se ele mesmo tivesse sido caluniado pelo efeito de suas palavras. — E nem vem me olhar assim! Eu vigiei o cara por quase dois dias e meio e tudo que ele fez foi se confinar e trabalhar.  

— Sempre o mesmo… — Minho sussurrou para si, rindo soprado pelo conforto de suas lembranças, esquecendo-se brevemente de dar atenção para o amigo.

— Me diz uma coisa, ele não tem uma mina gostosa em casa? Por que ele não vai lá e mete umazinha? Sei lá, para dar uma animada, afogar o ganso, dá uma desestressada assim de leves, fazer o Pikachu… Qualquer coisa que não seja trabalhar de dia e de noite! Aish, cansei só de ver o cara trabalhando. Isso é um absuuuuur…

— Sem sair por um minuto sequer? — Sem hesitar, Minho indagou, cortando as paranoias de um Jonghyun coberto pela descrença.

— Preciso repetir que ele é chato pra car…

— Jonghyun!? — Minho o forçou amigavelmente.

— Saiu uns dez minutos para fumar. — Disse mais calmo, fora das profundezas de sua irritação. — Foi o máximo que consegui, pois tive que sair de lá. O local tem uma segurança forte que só aumentava ao passo que a desconfiança sobre mim crescia.

— Hm… — Minho caminhou pela sala iniciando uma série de cálculos em sua cabeça, chegando a vários resultados, mas se exasperou quando nenhum deles alcançavam a solução que desejava. — Preciso pensar.

— Pensar? — Foi a vez de Jonghyun indagar demonstrando sua preocupação evidente. Uma vez que ambos estavam momentaneamente seguros, era momento de Minho dar um tempo para si mesmo e parar de se martirizar toda vez que algo fugia de suas estratégias. — Minho, você já conseguiu o que queria. Pare de se culpar por isso ou aquilo.

Jonghyun tentava aliviar o pesar do amigo quando sua atenção foi roubada por algo distante em uma parede ao fundo, aguçando sua curiosidade. Por sobre os ombros de Minho, manteve seus olhos incrédulos no local quando a raiva começava a lhe preencher.

— Nem tudo. — O mais novo entre os dois resmungava sem perceber a expressão atônita no rosto do colega até que, num repente, foi acordado quando Jonghyun passou por si quase que trombando seus corpos.

Finalmente notando do que se tratava, Minho logo correu a sua frente, chegando primeiro na parede cheia de colagens da qual o mais velho estava aficionado. Não esperou protestos e, no mesmo instante, começou a descolar e rasgar as dezenas de fotos, recortes de jornais e papeis dali.

— O que é isso? — Jonghyun buscou explicações.

— Não é da sua conta! — Minho respondeu, nervoso, deixando parte de um dos papeis cair acidentalmente de suas mãos até os pés de Jonghyun, que não hesitou em pegá-lo.

— “Médico realiza com sucesso a Clipagem de Aneurisma Cerebral”. — O mais velho leu pausadamente e logo correu os olhos pela foto que seguia. — Minho, este é o Taemin?

— Olha… — Minho tentou, mas Jonghyun não era burro e com certeza já havia entendido seus planos.

— Para que você precisa de um mapa do hospital? — Apontou bruscamente para outro papel rasgado que tinha sua metade ainda colada na parede, demonstrando sua irritação. — Melhor nem responder!

— Eu vou fazer isso, Jonghyun. — Minho disse despreocupado com qualquer ação de Jonghyun e já decidido firmou suas palavras.

— Você perdeu a cabeça? Nossos rostos estão por toda parte, Minho! E você quer invadir um hospital?

— Eu preciso falar com ele.

— É? E você acha que ele vai fazer o que? Olhar para você, lembrar do passado e, magicamente, dizer ‘Ah! Foda-se minha vida de sucesso. Agora eu vou viver com o meu ex-namorado, que, aliás, é um fugitivo procurado’? Faça-me o favor, Choi Minho! — Jonghyun dava voltas e esbarrava no máximo de coisas possível como forma de conter sua irritação.

— Jonghyun, não enche! — Minho já tinha uma sobrecarga sobre si uma vez, que sempre que tocava no assunto “Taemin” com o amigo, uma tempestade era adicionada ao estresse de ambos.

— E, como se não bastasse, sem me dizer que esse era o seu plano, você me pede para vigiá-lo por dois dias… — Uma ficha foi depositada na cabeça de Jonghyun e tudo se tornou óbvio, o deixando abismado. — Claro! É claro, claro. É óbvio que você queria que eu o observasse, você precisa saber se algum policial está de olho nele. Meu Deus do céu, Minho!

— E, por favor, eu preciso dessas informações, Jjong!

— Tá ok! O meu trato com você era te dizer se o Taemin estava bem. Eu te conto! — Jonghyun abriu um sorriso claramente falso e forçado. — O Taemin está bem, Minho! E agora? Nós vamos embora. — Minho assistiu o mais velho dar de ombros e, irritadiço, caminhar para a direção oposta onde se encontrava o alojamento escuro ao fundo do apartamento, em que estabeleceu o seu quarto.  

Sabia que Jonghyun não tinha nenhuma obrigação consigo e não havia motivos para forçá-lo a fazer algo tão particular, ainda mais quando o assunto era Taemin. Podiam se considerar amigos, mas se fossem descrever literalmente, eram apenas dois fugitivos de uma penitenciária de segurança máxima que se ajudaram por um tempo relativamente pequeno desde o momento da fuga até agora.  

Particularmente, Jonghyun era agradecido por, há cinco meses, Minho ter sido encarcerado na mesma cela que a sua e, após o mais novo demonstrar o quão habilidoso era em questões estratégicas, lhe proporcionar a liberdade. Um dia, de alguma maneira, iria recompensá-lo por isso, mas não seria de uma forma tão tola como aquela.

Ir atrás de Taemin era um passaporte gratuito para a cadeia, e Jonghyun não voltaria jamais para o lugar que fora lar de seus maiores pesadelos. Durante todo o seu processo de fuga, aceitou que morreria, mas não voltaria a Gwangju.

— E, Minho? — Jonghyun parou seus passos.

— O que é?

— Se, de alguma forma, minha segurança for colocada em risco por causa do seu namoradinho — Pausou suas palavras por alguns momentos, refletindo bem sobre a próxima frase. — Eu mesmo estouro a cabeça dele.

                                                                                                                         X

— Estou aqui! — O belo jovem médico possuía uma pele tão alva quanto a neve, que era apenas contrastada pelas bochechas levemente avermelhadas pela agitação que o fizera atravessar dezenas de corredores do hospital às pressas. Seus cabelos negros e extremamente lisos desciam como se fossem águas escorrendo por seu rosto, nas partes em que o corte estiloso permitia aos fios soltos. O rapaz ofegava um pouco e isso, unido ao estresse do momento, estava desenhado através de pequenas olheiras não tão profundas em seu rosto, nada que fugisse gritantemente de sua naturalidade.

Olhou firme para a meia dúzia de doutores e enfermeiras que rodeavam um homem estático e sem consciência deitado sobre uma das camas brancas dispostas naquele quarto. O desespero dos médicos e a maneira em que os lençóis claros estavam caídos e espalhados de qualquer forma entre a cama e o chão repassava o quão crítica era a situação que ali ocorria — O que aconteceu?

— M-me desculpe, Dr. Lee. E-eu segui todos os procedimentos corretos no tratamento da adrenal, não entendo porque ele está assim. — Um dos doutores, chamado TaeHoo, respondeu hesitante temendo que tivesse cometido um erro de tal gravidade a ponto de tirar a vida de um paciente. — Me desculpe!  

No momento que o Dr. Lee Taemin se aproximou da cama, todos pararam suas ações e, apreensivos, aguardaram sua análise médica.  O jovem observou por alguns instantes o homem deitado em sua frente notando que ele aparentava estar, no mínimo, em seus cinquenta anos, calculou rapidamente a série de motivos que pudessem tê-lo levado à tal estado. Viu um resquício de um líquido branco escorrer pelo canto direito da boca do paciente e logo deduziu que ele acabara de sofrer uma convulsão.

— Deixe as desculpas para depois que salvar o paciente, Dr. TaeHoo! — Taemin disse seriamente, extremamente concentrado no que podia ter ocorrido.  Retirou uma lanterna clínica do bolso direito de seu jaleco e correu a verificar as pupilas do desacordado uma por uma. Assim que visualizou os sinais vitais mostrados em um monitor em seu lado, chegou a algumas possibilidades em sua mente. — Onde está a tomografia dele? Preciso vê-la!

— Vou pegá-la! — Exclamou uma das enfermeiras, que foi rapidamente prestativa e deixou a sala.

— O paciente está com dificuldades para respirar, Doutora Kim, coloque uma máscara de ar e prepare para uma possível intubação! — Disse para uma das doutoras que o admirava avidamente a fim de se atentar para os mínimos detalhes do que era solicitado.

— Nee! — A garota não demorou para se mover e iniciar os procedimentos que lhe foram passados.  

Enquanto isso, a enfermeira que se encarregou de encontrar a tomografia cruzou a porta do quarto e entregou um envelope grande nas mãos de Taemin.

— Aqui, Doutor! —Disse com dificuldades de conciliar seu fôlego.

— Obrigado! — No momento exato em que Taemin retirou o exame de dentro do envelope e o colocou contra a luz, seus olhos se fecharam e um suspiro escapou de seus lábios enquanto compreendia quão grande fora a falta de atenção de seus internos na análise dos exames do paciente. Dezenas de palavrões dançaram em seus pensamentos quando fixou seu olhar no Dr. TaeHoo, responsável pelo diagnóstico errôneo que quase levou o paciente à uma complicação médica. — Dra. Kim, faça a intubação e peça para prepararem uma sala de operação dentro de uma hora. O paciente vai para cirurgia hoje!

— Ok, Doutor! — Respondeu prontamente.

— E tome conta deste paciente. A partir de agora ele estará sob seus cuidados!

— O-oh …. Nee! — Como uma residente do segundo ano, a garota se sentiu extremamente surpresa por ter recebido tal responsabilidade, ainda mais sendo uma ordem vinda diretamente do carrasco Dr. Lee Taemin. Infelizmente, sua excitação não durou por muito tempo e logo se tocou o que tal ordem poderia significar para o colega de trabalho que fora imprudente em sua avaliação médica. Pela sua percepção, a expressão nada amigável de Taemin apenas demonstrava que o erro havia sido grotesco e sua consequência teria a mesma proporção.

— Dr. TaeHoo?! — O jovem parecia assustado ao ser chamado por um tom de voz tão sombrio de seu superior. — Me siga!

Dito isto, ambos seguiram para fora do quarto.

Enquanto Taemin apertava seus passos de forma brusca, o jovem TaeHoo apenas o acompanhava cabisbaixo, porém certo de que suas decisões em relação ao paciente foram corretas uma vez que, apesar de sua aparência desleixada, evidenciada pelos seus cabelos castanhos claros bagunçados, tinha a certeza de que havia se tornado um médico excelente devido ao grande perfeccionismo ao qual se recorria em qualquer detalhe de sua vida.

— Nee… Sunsengnim? — Perguntou impaciente vendo Taemin parar seus passos, claramente indignado pelo assunto que traria à tona.  

— O seu paciente apresentava sintomas neurológicos. Não percebeu, doutor? — Taemin perguntou irritado, porém notou um desviar arrogante nos olhos do outro que claramente dizia que o rapaz em sua frente não concordava com a disciplina a que estava sendo submetido — Que foi? Não gostou do que eu disse?

— Eu acho que você está exagerando…

— Exagerando?

— Com todo o respeito, Dr. Lee, mas fui eu que recebi o paciente desde a hora em que ele chegou, eu descobri o adrenal — Dizia, com sua personalidade forte, olhando convicto nos olhos de Taemin. — E, por causa de um simples erro, você repassa meu paciente para outra pessoa sem ao menos me consultar?

— Desde quando eu te consulto para tomar as minhas decisões?

— Eu não gosto da maneira que você age, Dr. Lee, e achei isso injusto.

— Espero que, com toda essa sua expertise, você tenha diagnosticado um tumor adrenal sem ao menos ter olhado a tomografia dele. — Taemin cruzou os braços, revidando o olhar na mesma intensidade. — Senão, por que você não teria percebido uma estenose carotídea e tratado ele corretamente, TaeHoo-ya?

— Eu acho que…

— Ele tem um bloqueio de 90% na carótida esquerda… É tão difícil de notar algo desse tamanho ou você é apenas petulante demais para não aceitar que errou?

— M-me desculpe, não vi isso no prontuário. — Disse, aceitando e entendendo aos poucos a sua falha e se arrependendo de sua arrogância que não poderia ser resgatada.

— Você ainda é um residente do segundo ano, TaeHoo-ya, eu entendo erros, mas não os aceito com tanta paciência e julgo facilmente a arrogância das pessoas. — Taemin disse ousadamente, sem notar que quase gritara suas últimas palavras, fazendo algumas pessoas no corredor olharem espantadas para ambos — Se eu estou dizendo que houve um erro, aceite. Se é tão difícil para você diagnosticar corretamente um paciente, estude. Ou, senão, coloque-se no seu lugar!

— Nee, sunsengnim…

— E já que não gosta da maneira que ajo, não apareça mais em minhas cirurgias por um tempo. — Disse finalmente. — Você pode ir.

O garoto a sua frente pareceu recuar, um tanto arrependido e amedrontado, querendo solicitar que Taemin não fosse tão brusco a ponto de expulsá-lo de suas cirurgias. Aprender com este médico era um sonho coletivo dos internos daquele hospital, pois as dificuldades das conquistas de Taemin eram admiradas e louvadas em âmbito nacional e, se assim continuasse, não precisaria de muitos anos para que seu grupo de pesquisas, formado pelos médicos mais excelentes de Seul, fosse reconhecido internacionalmente. Porém, TaeHoo resolveu não prolongar o assunto e fixou em sua mente que conversaria com Taemin quando ambos estivessem mais calmos, assim poderia refletir sobre seu erro e aprender com ele.

— Waaaaaa… — Uma voz surgiu do lado esquerdo de Taemin e este a reconheceu imediatamente. — Você precisa ser tão ignorante assim?

— Não enche, Kibum. — A intenção de Taemin era ser brincalhão com o amigo, mas por algum motivo sua voz saiu mais áspera do que esperava. Como resultado, viu a expressão de seu amigo se tornar preocupada.

Taemin sempre se surpreendia com a sensibilidade de Kibum, apesar de seus anos de amizade serem vastos, era difícil calcular as situações em que Kibum se irritava ou perdia a paciência com ele. Em momentos em que qualquer pessoa se sentiria com raiva, o amigo era diferente e sempre notava quando Taemin precisava descarregar algum tipo de sentimento que guardava para si.

E o mais novo tinha esse tipo de personalidade. Quando algo o afligia, ele carregava o fardo sozinho até o ponto do estresse, por sorte Kibum se tornou mestre em espremer o amigo desde a época em que sofriam bullying na escola elementar e desta forma sabia de todos os seus segredos.

— O que você tem? — Aquela foi uma pergunta quase que retórica, pois o mais velho já tinha uma ideia do que poderia estar o atormentando. Estava quase estampado em seu rosto.

— Não é nada…

— Nada? Eu aceito toda essa fama de carrancudo e chato, mas isso é aqui, durante o trabalho e com seus internos. Eu sei o quão frágil Lee Taemin realmente é! — Disse calmo. — Me desculpe, meu amigo, mas vou direto ao ponto e é “Minho” que está claramente estampado em letras garrafais em sua testa.

Ao som do nome de Minho, o corpo do pequeno reagiu instantaneamente mostrando para Kibum o quão forte era o poder que aquele homem ainda exercia sobre o amigo.

— Ele não me afeta mais, Kibum. Estou bem, é sério! — Taemin tentou um sorriso falho a fim de parecer convincente ao amigo.

— Tá… — O mais velho o olhou com um olhar de raposa, desconfiado, sabendo que estava mentindo. Não haviam se passado muitos dias desde que ambos estavam se divertindo em um restaurante próximo ao hospital, jogando conversas e conversas fora, até que, num repente, o amigo desfaleceu em seus braços. Kibum estava certo de que nunca havia visto o amigo tão mal quanto naquele dia em que a notícia da fuga de dois indivíduos de uma prisão de segurança máxima havia sido revelada. — Eu sei que você fica se trancando dentro do hospital dia e noite para não correr o risco encontrá-lo.

— Não é bem assim, Kibum! — Disse sem graça.

— Não é bem assim uma ova, Lee Taemin. — Kibum o repreendeu. — Ele não pode vir para cá, você está me ouvindo! Você sabe que o Minho não pode nem sequer pensar em aparecer aqui, Taemin.

X

Minho passou o dia inteiro com uma aflição pontiaguda dentro de si, que apenas se ampliava quando misturada com a nova adrenalina que aquela decisão lhe causaria nas próximas horas. Seu coração não se aquietaria e sua mente não desistiria até ao menos ter uma chance de fazer Taemin acreditar nas suas palavras há tanto esquecidas, Minho se tornou um homem que amava desesperadamente apenas uma pessoa por toda a vida e por isso que, com o último fio de esperança que lhe restou, estava sentado dentro de um carro qualquer que encontrou estacionado na rua do albergue velho em que passara suas últimas noites, com um trajeto já traçado em sua mente.

Infelizmente, deixaria um Jonghyun irritado, e que ajudaria em muito no seu plano, para trás, isso apenas lhe despertava a certeza de que, no momento em que falasse com Taemin, seria pego pelas autoridades e estaria fadado a voltar para trás das grades.

Isso se conseguisse chegar tão longe!

O amigo Jonghyun poderia lhe ser de grande ajuda no momento da forma fiel de sempre, aumentando em 50% as chances de sucesso de sua operação. Porém não traria a discussão à tona novamente. Como havia ficado claro na noite anterior, Jonghyun não tinha obrigação alguma consigo neste assunto tão pessoal.

Olhou em seu relógio e as 16h30 que marcavam lhe diziam que era hora de parar de martelar coisas em sua cabeça e apenas agir. Conferiu se seus equipamentos estavam dispostos corretamente na parte traseira do carro, tocou em sua arma presa em sua cintura torcendo para que não fosse necessário utilizá-la, apenas se fosse extremamente necessário, e se preparou.

Para sua surpresa, escutou a porta do carro do lado oposto ao seu ser aberta e viu um Jonghyun sonolento entrar, se jogando de qualquer maneira no banco do passageiro. Estava com um boné tão escuro quanto suas roupas e apenas abaixou a cabeça, fechou os olhos e cruzou os braços, demonstrando que continuaria seu sono da tarde ali mesmo.

— Olha, Jonghyun, se você veio para me impedir de alguma forma… — Minho tentou, um pouco irritado em reflexo a última discussão.

— Eu não vim te impedir. — Jonghyun exclamou de forma mais áspera do que havia pensado. — Eu vou te ajudar!

— Me ajudar? Você não precisa fazer isso. — Estava sendo sincero.

— É, precisar eu não preciso mesmo. Mas eu não estou afim de acordar amanhã de manhã e ver a notícia de que você foi preso fazendo a maior cagada e burrice da sua vida. — Deu uma ênfase sarcástica nas últimas palavras. — Pelo menos quando chegar o dia do seu velório, que ao que tudo indica será em breve, eu não ficarei com remorso por não ter ajudado.

— Essa é sua maneira de dizer que está preocupado comigo? — Minho gargalhou da atitude do amigo.

— P-pre-preocupado? Eu? — Tentou disfarçar qualquer sinal que demonstrasse isso ao outro. — Dez mil wons que ele vai falar não e você vai ter feito tudo isso por nada.

— Quinze mil wons que ele vai falar não, mas pelo menos terei visto o rosto dele. — Minho continuou a brincadeira em meio a risos, mostrando que a piada não o havia afetado.

— Urgh!!! — Jonghyun fez uma cara de nojo e retorceu todo o corpo. — Como uma pessoa se torna patética quando está apaixonada, não?

— Um dia você vai conhecer alguém que vai fazer você calar essa sua boca!

— Ah, meu amigo! Precisa ser uma pessoa no mínimo gostosa para me deixar trouxa assim. — Insultou. — Agora vai, vai. Dirige com cuidado que eu quero dormir.

Minho fez uma rápida ligação direta no automóvel e prosseguiu pela estrada, um sentimento bom o preencheu e, por algum motivo, se sentiu feliz.


Notas Finais


Obrigada por betar pandani!


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