História Faded - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias SHINee
Personagens Minho Choi, Taemin Lee
Tags 2min, Faded, Minho, Shineeficfest, Taemin
Exibições 21
Palavras 5.814
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Romance e Novela, Shonen-Ai, Violência
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 2 - Capitulo II


 

— Vai dar ruim, vai dar ruim, vai dar ruim, vai dar ruim, vai dar ruim… — Jonghyun resmungava baixo para si tentando disfarçar sua expressão de total pânico. Um fio suor era desenhado por todo o seu rosto. — Claro né, cinco horas da tarde. Quem invade um hospital às cinco horas de tarde? Claro… Claro… Choi Minho que não tem noção do perigo…

— Senhor? — A jovem enfermeira atrás do balcão insistiu.

— Sim?! — Seu corpo inteiro se tencionou.

— A sua identidade, senhor! Eu pedi a sua identidade. — Disse com uma simpatia forçada, uma vez que sua paciência já estava se esgotando. – E peço, por gentileza, que seja um pouco rápido. Há outros pacientes querendo atendimento, senhor.

— Claro, minha identidade… — Fingiu procurar novamente sua carteira em seu bolso, observando a fila de pessoas impacientes que se formava logo atrás de si. Girou seu olhar pelo grande salão da recepção e viu seguranças com a atenção fixada em sua direção, entendeu que precisava agir rápido. ‘Vamos precisar da credencial da enfermeira da recepção’, lembrou da voz de Minho dizendo e logo viu um crachá jogado de lado sobre a mesa próximo à moça que o atendia.

— Senhor? — A voz da garota ruiva irritada a sua frente disse cansada.

— Mas, meu Deus do céu! Como um hospital desse tamanho pede para identificar alguém antes mesmo de o tratar?!!! — Jonghyun gritou chamando toda a atenção das pessoas do local para si. Um pouco temeroso, ajeitou os óculos garrafais de seu disfarce em seu rosto e decidiu que, já que havia começado aquilo, precisava terminar. ‘Eu vou ser preso de novo’. — E se eu tivesse morrendo, hein??? Você ia pedir a minha identidade antes de me socorrer? N-n-n-não, não, não, alguém precisa rever os conceitos deste hospital.

— Eu concordo! — Disse uma voz no final da fila e Jonghyun não aguentou, teve que gargalhar pela surpresa de que alguém concordava com a idiotice que estava fazendo.

— Estão vendo? — Exclamou para todos. — Imagina, o filho de vocês chega aqui com uma gripe crítica e tem que passar por toda essa frescura de triagem? Eu digo a vocês: isso é uma conspiração do governo para reduzir a população da Coréia do Sul, já que não conseguem controlar a taxa de natalidade.

— Senhor, se você continuar assim eu vou chamar a segurança. — A atendente informou e Jonghyun fingiu não ouvir.

— Daí, então, os filhos de vocês vão morrer e culpa vai ser de quem? Do governo? Nããão! Vocês vão se sentir culpados e vão parar de fazer sexo com seus maridos e esposas, com medo de terem mais filhos e não serem capazes de cuidar deles como não cuidaram do último. — Se segurava para não rir das poucas pessoas que balançavam a cabeça sinalizando que concordavam com suas palavras. — E você, minha jovem, faz parte desse ciclo de ódio chamado sociedade!

— O que está acontecendo aqui? — Um jovem e belo médico loiro se aproximou do balcão, passava tranquilamente por perto quando, estranhando toda aquela movimentação em volta de Jonghyun, correu a procurar por respostas.

— Dr. Kibum-ya? — Disse a moça surpresa.

— Está tudo bem, enfermeira Yoon? — Kibum perguntava para a garota, mas alguma coisa fazia seus olhos permanecerem presos em Jonghyun que tentava ao máximo disfarçar seu rosto com a ajuda de um disfarce fraco que, porém, realmente estava fazendo efeito: cabelos bagunçados e óculos garrafais.

— Esse senhor está com dificuldades de encontrar alguns documentos e decidiu se expressar quanto a isso. — Disse lançando um olhar duro para o causador de tantas confusões naquele fim de tarde. — Mas o doutor não precisa se preocupar com isso, já estou acostumada com assuntos da recepção!

— Você está bem, meu jovem? — Kibum baixou sua fronte tentando encontrar um foco no rosto rebaixado de Jonghyun, mas não obteve êxito, o que lhe causou um leve franzir na testa.

— Tirando que esse lugar é um lixo, está sim! — Jonghyun respondeu quase atropelando suas palavras, se esforçando para manter seu disfarce.

— Me desculpe, mas este é um hospital particular, senhor…

— Continua sendo um lixo! — Jonghyun afastou o rosto mantendo sua expressão esnobe.

— Tudo bem, então… — O médico ria da situação estranha que Jonghyun estava proporcionando ao hospital, já imaginando que aquilo serviria como fofoca para qualquer saída em grupo. Iria tentar mais algumas palavras com aquele homem desconhecido a sua frente, mas foi distraído pelo som de seu celular tocando em seu bolso, atendendo logo em seguida. — Nee, Taemin?  

Bastou que dissesse aquele nome para que Jonghyun erguesse o rosto que tanto tentava esconder e fixasse seus olhos nos de Kibum. O médico se assustou um pouco com aquele ato já se apressando para finalizar a conversa pelo telefone o quanto antes.

— Algum problema, doutor? — A jovem atendente perguntou percebendo tal expressão no rosto do médico.

— Oh, não! Dr. Lee só precisa de minha ajuda por alguns instantes. — Tentava esquecer da presença incômoda de Jonghyun — Hm… Se vir a enfermeira Jung em algum lugar, peça para que venha falar comigo. Estou indo!

— Nee, sunsengnim! — Disse assistindo o médico deixar o local — Agora, senhor. Se você não vai me entregar os documentos, devo chamar a equipe de segurança e você fala diretamente com eles. — A garota não aguentou continuar a lidar com aquilo e se virou para autorizar que os seguranças tomassem ação. Foi preciso apenas esse movimento para que Jonghyun deslizasse sua mão sobre o balcão e, com facilidade, pegasse o crachá da garota de cima da mesa, completando sua missão.

— Que, minha querida, pra quê seguranças? — Disse mudando completamente seu modo de interceptação. – Eu já estou indo, a cura para minha doença é expressar minha opinião para os povos sedentos!

— Hãm? — A garota perguntou, boba com a atitude do rapaz.

— Onde fica o banheiro? — Perguntou, mas não aguardou respostas e correu para os fundos do hospital em direção ao primeiro banheiro que avistou, deixando algumas pessoas boquiabertas para trás. Encontrou Minho no meio do caminho e juntos entraram no banheiro fechando a porta logo atrás.

— Conseguiu? — Minho perguntou assim que verificou que estavam a sós.

— O que você estava fazendo enquanto eu estava me fodendo sozinho lá dentro?

— Pegando isto! — Minho jogou para Jonghyun um jaleco branco com a descrição do hospital escrito com letras verdes, enquanto corria para vestir o seu próprio.

— Seu namoradinho está em algum lugar por aí!

— Como sabe? — Minho paralisou, não era possível que o amigo o reconhecesse facilmente já que não se conheciam.

— Escutei um médico marcando de encontrá-lo pelo telefone. — Disse simples.

— Provavelmente Kibum, é o melhor amigo dele. — Falou pensativo. — Agora vamos, antes que os seguranças venham atrás de você!

Saíram do banheiro cautelosamente, observando se estavam seguros o suficiente para continuar seus passos. Assim que avistaram uma escada que levava para o andar superior, a subiram rapidamente chegando logo em um corredor lotado de médicos e enfermeiras andando para todos os lados.

— Ah sim, vai ser mega fácil encontrar o tal do Taemin assim!

— É fácil para mim! — Minho disse enquanto seu olhar rodava por todos os lados atrás do único rosto que poderia reconhecer. Não encontrando, prosseguiu em meio ao corredor, trombando em algumas pessoas.

— Aish, esse tal de amor… — Correu atrás do amigo.

Enquanto caminhavam, dezenas de médicos os cumprimentavam com um ‘boa noite’ simpático devido a suas vestimentas. Por um momento, se sentiram bem por terem a oportunidade de andar em meio às pessoas sem que os olhassem com um medo claro no olhar, por tempos não recebiam esse tipo de recepção, principalmente, dentro da prisão. Em outro, lembraram-se de que não estavam ali para isso.

Ao fundo do corredor, visualizaram uma placa que sinalizava os escritórios médicos e decidiram seguir por lá. Ao virar por onde era indicado, se deparam com um corredor bem mais tranquilo que o anterior, completamente vazio, onde haviam apenas algumas portas. Jonghyun foi o primeiro a seguir em frente, procurando por algo que os ajudasse.

— Minho-ssi! Estão escritos alguns nomes na porta, veja se encontra o de Taemin! — Avisou o amigo.

— Nee! — De alguma forma, uma esperança brotou no peito de Minho, fazendo-o percorrer desesperadamente de porta em porta procurando o nome de quem tanto sentia falta. — Dr.Cho… Dr. Kim… não… não…

— Dr. Lee Taemin! — Jonghyun exclamou ofegante da última porta à esquerda, ao fundo. — Minho, encontrei, é aqui! — Antes mesmo que terminasse sua frase, Minho já estava girando a maçaneta e entrando na sala bruscamente.  

Logo que adentraram, encontram um escritório mais belo que esperavam, logo à frente, no sentido contrário à porta, se depararam com uma estante grande lotada de livros grossos bem organizados. Apesar de não ver Taemin imediatamente sentando em sua mesa como esperava, Minho ficou maravilhado por estar naquele local; aquilo o fazia se sentir tão próximo de Taemin como por muito tempo não pôde estar. Saber que podia sentir a sua essência ali e quase que sentir sua presença caminhando por ali enquanto procurava por livros na estante, ou em pé pensando em problemas, ou apenas sentado em sua mesa mexendo em seu computador, fazia algo no peito de Minho bater mais rápido.

— Ele não está aqui, Minho!

— O-oh, sim! — Respondeu acordando de seus devaneios.

— O que você vai fazer agora?

— Vamos esperar! Lembra-se do que ele estava fazendo neste horário nos últimos dias em que o viu? — Perguntou para o amigo, que passara dois dias vigiando o médico a pedido de Minho.

— Sei lá! Hm… Agora são 18 horas? Provavelmente fazendo a única coisa que fazia de útil, fumar!

— Então podemos esperar um pouco! — Minho disse certo e aquilo perturbou um pouco a Jonghyun.

— Minho, é sair daqui e ir direto para o porto! Nossas passagens já estão com os caras e…

— Ele vai vir, ok? — Minho cortou o amigo, sabendo que havia sido rude, porém estava apreensivo e atônito demais para pedir desculpas no momento. Jonghyun apenas assentiu, compreendendo-o, também apreensivo, e caminhou para o outro lado da sala, se recostando em uma parede qualquer cruzando seus braços em silêncio.

Minho se sentou na cadeira em que as pessoas geralmente se sentavam enquanto Taemin as atendia, imaginando como seria poder vê-lo no outro lado da mesa, sorrindo para si ou apenas tagarelando como costumava fazer no passado.

Logo atrás da cadeira, viu um jaleco branco pendurado em um cabide e de longe pôde ler o nome escrito ali, Dr. Lee Taemin – Neurocirurgião. Foi fácil imaginá-lo dentro daquela roupa, assim como desejar tocá-la para poder sentir um pouco mais de Taemin em seus braços, e quase iniciaria seu transe de pensamentos de novo se não fosse surpreendido pelo barulho da porta abrindo atrás de si e finalmente se virar para encontrar os olhos que há tanto procurava.

— E chegou! — Jonghyun exclamou um tanto sarcástico do fundo da sala, apressado pelo encontro sobre o qual o amigo tanto encheu seus ouvidos por meses.

Porém, tudo o que podia ver era Taemin e Minho se encarando, mudos e estáticos, por longos e arrastados minutos.

Taemin sentia suas pernas falharem, sentia que o ar não existia mais, sentia a falta do chão sob seus pés, sentia… tudo e nada, apenas ao ser captado pelo olhar de Minho.

Minho se sentia doente, algo em seu peito queimava, algo em sua garganta dava um nó, algo em sua cabeça o deixava tonto, sentia… tudo e nada, apenas ao ser captado pelo olhar de Taemin.

Ambos se perderam um no outro e viajaram na imensidão de um amor quase apagado pelos duros golpes que a vida lhes proporcionou, mas que era forte o suficiente para pedir, para clamar, para gritar sua necessidade de ser reacendido e queimar novamente para ser provado e sentido mais uma vez por ambos, pois tinha um gosto único que somente eles conheciam.

— Minho, o que está fazendo? — A voz de Kibum cortou a sala, saindo de trás de Taemin. — Você não pode estar aqui, entende isso? — Apesar da preocupação em suas palavras serem sinceras o bastante, não fora suficiente para acordar Minho e Taemin daquele sonho.  

Percebendo isso, Jonghyun concluiu que os dois precisariam de um momento a sós para que pudessem conversar e finalizar aquele mar de sentimentos de uma vez, sendo de forma positiva ou negativa.

— Hey! — Jonghyun interrompeu os passos de Kibum que se aproximava de um Minho que estava com os olhos ainda presos em Taemin. — Calma aí, bonitinho!

— E você, quem… — Kibum parou — Você?  

— Que ironia do destino, não é mesmo? — Jonghyun notando que não seria tão fácil convencer o médico assim, logo se apressou em segurar a cintura de Kibum e puxá-lo para fora da sala. — Você vem comigo por um instante!

— Yah, me solta! Você não está entendendo… Me solta! — Lutava contra os braços de Jonghyun. — Eu tenho que falar com o Minho, você me dá licença? Me solta!

— Vocês têm cinco minutos! — Disse por fim, fechando a porta atrás de si em meios aos protestos de Kibum.

Taemin foi o primeiro a acordar, desviando seu olhar para um lugar qualquer tentando encontrar segurança para seu corpo trêmulo. Tentou caminhar para o mais longe de Minho que seu escritório lhe permitia, mas fora pego por suas pernas falhas. O mais velho percebeu o nervosismo do pequeno com facilidade e não pensou duas vezes antes de tentar segurá-lo em seus braços, porém, para seu espanto ou não, Taemin se desvencilhou de suas mãos ganhando uma força desconhecida para caminhar firme para o lado oposto.

— O que está fazendo aqui? — A boca de Taemin agiu mais rápido que sua mente e soltou a primeira frase que estava presa em seus lábios, por mais tosca que ela pudesse ser naquele momento.

— Sinto sua falta. — Minho respondeu simples o bastante para queimar dentro de Taemin.

— Saia! — As palavras inesperadas de Minho causaram uma dor afiada dentro do coração de Taemin, que visivelmente lutava contra tal controle que o fugitivo exercia plenamente sobre ele.

— Sinto sua falta!

— Você é um fugitivo, Minho! — Taemin forçou o óbvio contra ele.

— Eu sinto sua falta! — Repetia e repetia, até que o médico se deixou perder o equilíbrio mental.

— É isso que você tem para me dizer?! Depois de todo esse temp… — Um choro preso tentou explodir em sua garganta o fazendo sufocar — Eu não vou cair nessa mais uma vez e nem tentar conversar com você, porque para mim é inútil. Então, por favor, saia daqui antes que eu chame a polícia?!

— Você se casou? — Minho disse de repente, tornando a conversa desconexa e desestruturada demais para ambos entenderem.

— O que é isso agora, Minho? — A resposta para aquela pergunta seria dolorosa para ambos, muita coisa precisava ser resolvida ali em pouco tempo — Quer saber? Casei sim!

— Com a garota que o general escolheu? — Minho se remeteu ao passado com pesar em sua voz.

— Seohyun. Sim!

— Ela é legal? — Minho se sentia incrédulo por dentro, mas de alguma forma entendia o menor em relação a situação a que fora imposto um ano atrás.

— Ela é linda! — Taemin tentava parecer óbvio e consistente em sua opinião, porém sua voz falha não permitia isso.

— Você a ama? — Minho sabia que aquela pergunta encurralaria o menor na parede e assim obteria a prova da qual necessitava. Taemin o havia esquecido? Se sim, teria esquecido completamente? Se não, conseguiria fazer isso?

— Você me deixou, Minho. Esqueceu disso? — Taemin não respondeu à pergunta e cegamente desviou a tensão a qual era submetido — O meu pai…

— Sim, o general! — Minho completou azedo pelo ódio que foi ativado dentro de si.

— O meu pai me contou como você foi para o lado errado do exército e foi condenado para conduta injusta. — Taemin havia se construído como um homem forte em todos os âmbitos de sua vida. Porém, ali estava a única pessoa que conseguia desmontar toda aquela estrutura com facilidade e, por isso, algumas lágrimas já tentavam aparecer em seu rosto. — Minho, por Deus, no que você estava pensando? Em nós com toda a certeza não foi!

— Conduta injusta, claro! — Minho manteve seu tom sarcástico — Era óbvio que ele ia se safar…

— O meu pai tentou tudo por você!

— Certamente, tentou sim! — Disse esnobe em meio a uma risada fraca que as palavras de Taemin lhe proporcionaram.

— Por que você ironiza tanto os atos do general? — O médico perguntou, cético. — Ele colocou as mãos na lama por voc…

— O seu pai nunca gostou do nosso relacionamento, Taemin, e essa é a verdade! Talvez não fosse óbvio para você, mas era para mim; ele tentou de tudo para me afastar de você e quando não conseguiu, apelou para o lado mais covarde. Claro! Por que o filho do comandante, iria estragar seu futuro brilhante sendo um homossexual, não é? — Minho revelava a verdade sem piedade, pois fora dessa maneira que o jogaram atrás das grades.

— Do que está falando?

— Quando eu estava no exército, em todo o fim de tarde me era passada uma ordem expressa do comandante. Coisa simples: eu deveria deixar uma caixa na fronteira pela noite e ir embora. Fazia isso todo dia, todo dia, todo dia… — Minho parecia sentir uma dor quando começou a relatar aquela história que o privou por tanto tempo de sua liberdade. — Eu era um soldado leal, eu obedecia a ordens sem ao menos perguntar. Até que chegou um momento em que eu estava tão acostumado a fazer aquilo, que eu não precisava mais de ordens expressas do comandante, eu mesmo me oferecia, eu mesmo o recordava daquela tarefa quando ele parecia esquecer… De alguma forma, ele parecia estar começando a me aceitar como seu namorado, Tsc! Como eu fui idiota. Um dia, umas das caixas estava propositadamente aberta e minha curiosidade me mostrou as centenas de armas clandestinas que eu, sem saber, dei de brinde para os bandidos do Norte e amigos do seu pai, inclusive…

— N-não é verdade… O quê? — Taemin se tornava mais descrente a cada palavra. Apesar do general ter sido ruim para Minho, como este lhe contava, para o médico ele era um pai amoroso, que nunca hesitou de cuidar dele ou o decepcionou.

— Quando eu me apresentei na central em Seul, eu disse que iria contar a verdade. Mas, quando eu vi, dois soldados seguravam meus braços e minhas patentes eram tiradas de mim enquanto eu era acusado de contrabando ilegal de armas.

— Isso é ridículo! — Toda aquela pose que Taemin assegurava de si mesmo fora desmontada drasticamente por Minho e ele parecia perder o seu chão novamente, mas desta vez não era um sentimento bom que preenchia seu peito. — Você compreende o quão mentiroso e fantasioso isso parece ser?

— Infelizmente, essa é história que o general, o seu pai… escreveu para mim!

— Eu não acredito em você!

— Se lembra do que me disse… na última vez que nos vimos, Taemin? — A pergunta era retórica. — Que mesmo você não acreditando em mim e mesmo eu sendo a pior escolha que havia feito em sua vida, tudo o que você queria era acordar no outro dia e descobrir que a minha prisão era um simples pesadelo. Você queria ter o poder de abrir as cortinas do nosso quarto e, quando o sol batesse em mim, a única verdade entre nós seria que eu era o seu homem. — Minho segurou as lágrimas que queriam saltar. — Eu estou trazendo o sol e a verdade para você, o que mais quer que eu faça?

— E-e p-por que você está me contando a verdade só agora? — Minho assistia com martírio as lágrimas correrem finas no rosto de Taemin, porém estava certo de que sempre soube que seria desta forma que o menor reagiria quando ouvisse as palavras que tanto privou dele, não havia uma melhor de se reagir àquilo, não havia uma versão boa para esta cena.

— Porque eu sabia que você sofreria da forma que está sofr… — O fugitivo começou a falar, mas sua voz fora cortada quando, de relance, viu luzes piscando refletindo na janela ao lado direito de Taemin. Se aproximou da janela e avistou dezenas de policiais se posicionando do lado de fora do hospital. — Taemin, você chamou a polícia? — Perguntou como sendo a única forma evidente de terem o encontrado tão rápido assim.

— O-que? E-eu? Não! — Dizia a verdade.

— Taemin, você chamou a polícia? — Minho começou a andar de um lado para o outro pensando em um modo de sair livre dali, como aquilo podia estar acontecendo e no que prometera a Jonghyun, ao mesmo tempo.

— Não!

— Minho — A voz de Jonghyun cruzou a porta — Temos que sair daqui, agora!

— Era isso que eu estava tentando dizer para você, Minho — Kibum entrou logo atrás perplexo. — Vocês dois não deveriam estar aqui.

— S-sim! — Jonghyun gaguejou, pois a preocupação de Kibum o tocou de alguma forma causando um falhar em sua respiração — O detetive encarregado do seu caso sabia que você viria até Taemin e por isso dobrou a vigilância em volta dele, por sorte Kibum percebeu alguma movimentação estranha e logo entendeu do que se tratava.

— Você não percebeu isso, Jonghyun? — Minho indagou.

— Eles devem ter colocado escutas dentro do prédio, eu observei Taemin pelo lado de fora! — Esclareceu.

— Vocês têm que ir agora! — O médico loiro continuou. — Tem uma saída pelos fundos, eu levo vocês até lá, mas precisa ser exatamente agora!

— Ok! — Os três deixaram a sala correndo e seguiram pelo corredor, deixando um médico assustado para trás lotado de informações na cabeça. Seu pai, Minho, detetive, verdade, mentiras… amor?

Minho seguia Kibum e o amigo, mas um desejo incontrolável tomou conta de si parando bruscamente suas pernas em meio àquela corrida. E, como se seu corpo não obedecesse, voltou às pressas para o local em que havia deixado Taemin sem uma palavra ou ação de despedida sequer; não queria ser privado disso mais uma vez.

— Minho, não temos tempo! — Jonghyun tentou, mas viu o amigo virar e sumir no fundo do corredor.

Minho viu o médico parado se recuperando lentamente de tudo o que lhe acabara de ocorrer, em um choque que o deixava perdido na reflexão de como aquilo impactaria sua vida de agora em diante. Entretanto, não se importou com isso e atravessou o espaço que os separava com um único alvo: Taemin.

Quando seus lábios se encontraram, os corpos estremeceram juntos no calor que só encontravam um no outro.

O céu se tornou a terra e a terra se tornou o céu. O restante? Apenas girava em volta daquela dança em que aquelas duas bocas brincavam.

— Yah, Choi Minho! — Kibum gritou do corredor fazendo Minho saltar ofegante, lutando contra seu corpo para se desprender de Taemin

— Amanhã, no último horário da madrugada. — Sussurrou com dificuldades em sua voz. — Estarei no porto! Por favor, venha comigo… não me deixe outra vez.

— Minho, os tiras! — Foi a vez de Jonghyun insistir.

— Venha comigo! — Arrancou um último selar de Taemin e partiu relutantemente ao encontro dos demais.

Kibum os levou correndo por uma saída de incêndio, descendo por alguns minutos várias escadas até uma saída de lixos tóxicos na parte mais inferior do prédio a que conseguiriam chegar. O local estava escuro e nojento, a chuva que caia pesada ali só intensificava tal obscuridade, mas não deram a mínima importância e continuaram a correr por suas vidas.

— Mais alguns passos e vocês encontrarão uma rua. Vocês devem segui-la sem preocupações, os policiais acabaram de chegar e não devem ter alcançado este perímetro ainda. — Kibum finalizou sem ar.

— Você ficará bem?! — Jonghyun perguntou alarmado.

— Sim… Sim, eu voltarei e direi qualquer coisa para mudar o foco deles!

— Te devo essa! — Minho disse seguindo rapidamente pelo corredor até a rua assim como Kibum lhe indicara.

— Você me deve mais do que essa! — Gritou, recuperando seu humor. — Mal-agradecido…

— Obrigado! — Jonghyun, que ainda estava parado o observando com preocupação, disse sinceramente antes de partir para longe da expressão felina do médico que tanto lhe prendeu a atenção. — Espero lhe devolver o favor um dia!

Quando Jonghyun conseguiu alcançar a rua, avistou o amigo correndo desesperadamente em meio a chuva um pouco mais à frente dele, em meio à escuridão do local mal iluminado por luzes alaranjadas. Continuou a seguir pelo caminho até que viu um vulto surgir exatamente do nada e chutar violentamente o braço direito de Minho, fazendo-o cair de lado sobre um carro velho estacionado sob a chuva.

Correu para tentar impedir a figura desconhecida de continuar com o que fosse que estava fazendo com seu parceiro, porém, antes mesmo que pudesse chegar perto o suficiente, viu o homem levantar Minho em meio a gritos do chão, segurando com força seus cabelos e jogando sua cabeça contra o veículo, destruindo os vidros. O coração de Jonghyun falhou quando o corpo de Minho caiu mole no chão e, sem esperar por um descanso, o homem lhe chutar o estomago por repetidas vezes.

— Yah! Eu vou te matar. — Jonghyun ferveu por dentro e estava pronto para avançar no desconhecido.

— Jonghyun, não! — Minho gritou o fazendo parar em meio ao ato impensado. — Encontre o carro aonde o deixamos… Encontre o carro e eu já alcanço você!

— Ele está armado! — Disse verificando a cintura do homem por baixo de um sobretudo bege molhado que vestia e logo após lançando seu olhar em Minho, encontrando manchas de sangue por todos os lugares de seu corpo.

— Acha mesmo que vai sair vivo disso tudo? — A voz dizia ameaçadoramente em meio a uma risada presunçosa, parecendo extremamente assustadora para Jonghyun.

— Minho? — Clamou agoniado.

— Eu cuido disso. Agora vai! — Não queria aceitar aquilo, o amigo não estava nada bem e aquele homem não parecia ser qualquer um, alguma outra história complicada da vida de Choi Minho precisava ser terminada ali. Mas infelizmente para ambos, não chegariam muito longe dali sem um carro para auxiliar em sua fuga.

— Eu volto logo, ok? — Dito isso, Jonghyun pulou por um muro ao lado e desapareceu na escuridão.

— Há quanto tempo, Jinki?! — Minho levantava-se quase sem forças, encarando o detetive ferozmente.

— Saudades? — O homem sacou sua arma de sua cintura e começou a calibrá-la de modo hostil.

— Tive uma fuga para planejar debaixo do seu nariz, não tive tempo para saudades. — Provocou sem medo.

— Pensei que tinha tido tempo suficiente… Cinco meses na cadeia onde te joguei para ser mais exato! — Rindo pouco, Jinki girou o olhar pelo local rapidamente antes de voltá-lo para Minho. — E aí cara?! O que achou que aconteceria aqui hoje? Meter no traseiro do médico de novo?

Minho não respondeu, apenas segurou a sua expressão firme contra o detetive armado a sua frente. Esperando um momento de falta de atenção para que levasse sua mão para suas costas e pegasse sua própria arma que carregou consigo durante todo o tempo. Encontrar tal pessoa como Jinki era uma situação quase certa para ele; era um agente anos luz à frente de qualquer policial de Seul. Sabia que tudo o que havia planejado, o detetive teria desenhado três vezes em sua mente e só precisaria fazer a escolha certa para que desse de cara com Minho durante sua ‘visita’ ao hospital.

— Eu tive que cuidar dele um tempo atrás! Era como ser um babá idiota, ele vivia choramingando por você, coisa chata… — Jinki ofegou, encenando recordar de algo. — Eu queria enfiar uma bala na cabeça dele de uma vez, mas um dia ele ficou tão depressivo por sua causa que matou um paciente cometendo um erro na mesa de operação. Foi uma cena muito ridícula, tenho que confessar! — Jinki ria. — Ele foi beber naquela noite… E, Deus, que bunda maravilhosa ele tem!

— Cale-se! — Minho estava tentava se segurar, sabia que estava sendo provocado por uma mentira.

— Eu queria saber o porquê de você ser tão louco por ele. — Levou a mão para o centro de suas próprias pernas e mordiscou os lábios. — É gostoso. Por uma noite, até! Mas tão descartável…

— CALA A MERDA DA BOCA! — Minho partiu para cima de Jinki enfurecido, mas antes que desse dois passos caiu ajoelhado no chão aos gritos.

— Yeah! — Jinki gargalhou assoprando a fumaça que saia do cano de sua arma. — Eu tenho que ser um pouco rápido aqui, Minho. Sabe como que é, tenho uma imagem de bom policial para zelar por aqui.

— Desgraçado!

— Onde vai ser o próximo? Na cabeça — Se aproximou de Minho caído ao chão e posicionou a arma ali como havia indicado — Ou no coração? — Repetiu seus movimentos, porém agora descendo a arma para seu peito. Estava adorando aquilo, ninguém era capaz de descrever o prazer que o detetive Jinki sentia ao ouvir os gritos de dor de alguém e, principalmente, o êxtase que alcançava ao tirar uma vida.

— Que tal no queixo? — Para a infelicidade do policial, Minho havia sido um soldado e, portanto, estava incrivelmente acostumado com ferimentos de bala. Assim que acertou uma cabeçada no queixo de Jinki, que cambaleou até cair para trás, rapidamente se pôs de pé, preparado para uma luta corporal.

Minho pisou na mão de Jinki com força o fazendo gritar, até que a arma caísse de sua mão e tivesse a oportunidade de chutá-la para longe. O detetive não se deu por vencido, acertou uma rasteira em Minho e se levantou mirando um soco no rosto do fugitivo, este que velozmente se defendeu com um de seus punhos e com o outro desferiu vários socos no rosto do policial até que pudesse ver o sangue sair pela pele cortada.

Minho não se contentou com apenas isso e, mesmo com sua perna manca, reuniu forças para se apoiar nela e com a outra chutar o estômago do detetive contra parede.

Jinki rapidamente se pôs de pé e logo partiu a revidar.

Algumas vezes acertava, outras vezes Minho era mais rápido em se defender.

O policial chutou a perna esquerda do fugitivo focando em seu ferimento até que este não conseguisse ficar em pé sobre suas pernas e o derrubou novamente.

Aproveitou este momento e correu a pegar sua arma que estava caída no chão e apontar novamente para a cabeça de Minho, que o surpreendeu quando mostrou que também tinha algo a que recorrer e, antes que pudesse impedir, Minho já retirava uma arma de sua cintura e apontava contra ele ofegante.

Permaneceram desta maneira por longos segundos, aguardando o momento certo para agirem por si mesmos.

— Parece que alguém vai morrer esta noite! — O anseio de Jinki sobre o prazer de estar próximo de matar Minho emergiu fervendo para sua cabeça e o fazia agir feito louco, gargalhando estridente.

— Não serei eu! — Minho quase não conseguia manter seu braço levantado devido às múltiplas fraturas pelo seu corpo.

— Vamos lá!! Vamos lá!! — O detetive gritava assustadoramente. — Isso não é divertido, Choi Minho?!!!

Ao mesmo tempo, Jonghyun cruzou a rua com o carro e pisou fundo, acelerando para salvar a vida do amigo, não pensou duas vezes e jogou o carro em cima do policial, no momento exato em que este apertou o gatilho de sua arma contra a cabeça de seu amigo.

Com sua queda, a bala cortou a chuva em direção ao céu e desapareceu no ar longe de Minho.

                                                                                                           X

Taemin estava sentando no banco do motorista de sua BMW i8 branca completamente desnorteado pelo que acabara de ouvir. Sua mão, que segurava seu celular posicionando-o em sua orelha, começou a perder forças refletindo a tortura que as palavras de seu pai lhe causaram e, como resultado, seu braço desfaleceu ao seu lado, fazendo o aparelho cair abruptamente em algum lugar perdido no carro.

Não acreditava que a pessoa a quem admirou e amou por toda sua vida tinha sido capaz de fazer algo tão grotesco e injusto com Minho e com ele, seu próprio e único filho! Seu pai havia decaído em um mundo de capricho próprio tão obscuro, que tão facilmente destruiu a vida de uma pessoa, jogando-o no lixo de esperanças desfeitas. A vida que Taemin sonhou ao lado de Minho era linda, e ela foi arrancada de suas mãos sem perceber como estava sendo manipulado de uma forma tão tosca por alguém tão sujo.

O que mais o assustava, era que seu pai sentia orgulho de seus atos. Tinha prazer por ter dado ao filho uma vida cheia de mentiras, de desprazeres com uma mulher que não amava e que não era capaz de saciar seu corpo, como não era capaz de preencher o buraco em seu coração; com uma felicidade falsa e errônea que o levava ao desespero todas as noites.

Pelos céus, Taemin jurava que podia morrer naquele momento.

Até que pensou em como seu coração batia unicamente por Minho e, por este, seria capaz de tudo, mesmo que fosse obrigado a deixar para trás aquela vida mentirosa criada e controlada por um homem tirano, um criminoso.

Chorou durante toda a noite, sem se mover do lugar. Apenas chorava… Pela mudança que estava aceitando para si mesmo, por sua esposa, por seu pai, por sua carreira, mas, principalmente, por não entender porque ainda não tinha ligado seu carro e porque ainda não estava nos braços de Minho da forma tão simples que aquilo era.

Sim, era simples viver com a única pessoa que foi a verdade em seus dias, nos quais pôde dar os sorrisos mais puros e totalmente sem máculas, criar as únicas lembranças que importavam agora e que o fazia querer viver um único futuro agora.

Se tornaria um fugitivo, mas, sim, teria uma vida verdadeira que teve o prazer de experimentar por poucos momentos. Mas que, agora, havia se decidido a mergulhar de vez nela.

Pisou forte no acelerador e, determinado, rasgou a estrada em meio à noite para o local onde daria uma nova chance a tudo que lhe fora roubado. Dirigia sentindo um fio de temor em sua barriga, mas não desistiria daquilo; estava aceitando a felicidade em si fácil demais para deixá-la escapar.

Sorriu ao pensar em Minho e na vida misteriosa que enfrentaria de agora em diante, até o momento em que viu duas viaturas pretas encostarem na traseira de seu carro sem a menor intenção de esconder que estavam o seguindo. Taemin se apavorou e tentou cortar ruas distintas a fim de despistá-los; rodou quilômetros e quilômetros a mais, porém os carros não pareciam se afastar de nenhuma maneira.

Seu coração lhe dizia para acelerar e correr para o porto aonde Minho estava e depender dele para escapar dessas pessoas e ser feliz para sempre. Porém, sua mente o fez desligar o motor instantaneamente ao lhe dizer que, se prosseguisse para o local de encontro, Minho certamente seria pego de surpresa e preso mais uma vez, ou pior, morto.

Privar a liberdade de Minho mais uma vez doía em Taemin. Decidiu que era a sua vez de proteger a quem amava.

Olhou mais uma vez pelo retrovisor de seu carro e viu o detetive Jinki sair de lá totalmente ensanguentado e desajeitado em seu caminhar, segurando sua arma em suas mãos.

Uma lágrima escapou dos olhos quando os fechou fixando em sua mente a imagem de um Minho sorridente que guardou exclusivamente para si.

— É com todas as minhas forças que eu te amo, Choi Minho!


Notas Finais


Plot sugerido: Minho é um fugitivo altamente procurado pela polícia. Para ter uma vida normal, ele precisa fugir do país e trocar sua identidade. Mas para ser feliz, ele precisa que Taemin aceite ir com ele, deixando toda sua vida e seus sonhos para trás.


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