História Fallen Angel - Capítulo 1


Escrita por: ~ e ~Fadaravena

Postado
Categorias Osomatsu-san
Personagens Choromatsu Matsuno, Ichimatsu Matsuno, Juushimatsu Matsuno, Kamimatsu Matsuno, Karamatsu Matsuno, Nyaa Hashimoto, Osomatsu Matsuno, Todomatsu Matsuno, Totoko Yowai
Tags Akumatsu, Oso-san, Religion Au, Tougou
Exibições 31
Palavras 2.203
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Fantasia, Ficção, Hentai, Lemon, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi, Yuri
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Heya fellas!
Estou aqui com essa autora maravilhosa <3
Essa fic vai se tratar no universo alternativo da Religion Au, onde anjos e demônios predominam.
E esperam que conheçam o Tougou.

Bem, quem fez essa capítulo foi a Nat, espero que gostem <3


*Fic também postada no Nyah*

Capítulo 1 - Implicância


Uma fina camada de poeira era levantada por passos firmes e calculados, atrás de si penas negras flutuavam, de ambos os lados crateras dispersas como as faces da lua, uma escuridão apenas iluminada por tons violetas o envolvia por completo. Os passos vagueavam deixando para trás vários picos de rochas vermelhas, tinham um destino certo, bem à sua frente se abria uma fenda, esticava-se e do outro lado nada podia se ver. Os passos caminhavam lentamente em sua direção. Uma voz gritava ao longe “não faça isso, não faça isso”, mas ele a ignorava, sempre em frente, sempre ao mesmo destino. 

Osomatsu deixava o céu, caíra nas profundezas do caos, era como chamavam aquelas redondezas, o Caos. Tinha cometido o mais grave dos pecados, seduzira um padre, perdera as asas e fora excomungado. Não pedira por isso, não tinha como evitar. Quando teve o primeiro vislumbre daquele homem, durante uma missão a que fora enviado, não pode se conter. Era um humano austero, tinha o rosto fino, cabelos ficando grisalhos, uma bata que se arrastava no chão, e quando falava expunha dentes afiados como o de uma fera, seus olhos eram pequenos e emitiam um brilho perigoso. Osomatsu viu o homem e se encantou. 

Suas asas se enegreciam à medida que se aproximava do humano, estava invisível, mas poderia tocá-lo. Aproximou-se bem devagar, chegou e sussurrou-lhe ao pé do ouvido profanidades. O homem abriu um sorriso gélido, tomou o anjo pelo braço e selou seus lábios num pacto demoníaco. O ritual aconteceu no altar da igreja, corpos se fundiam vorazmente à luz das velas sagradas, sombras dançavam nas paredes de tijolos, a carne era devorada sem pudor. Os gemidos de Osomatsu, clamando seu nome "Tougou", ecoavam pelo antro sagrado, e então, deus o mandava para as profundezas. 

O Caos fora antes um antigo campo de batalha, houveram várias guerras entre os demônios e os anjos em busca da harmonia celeste. Estes tentavam conter aqueles para que não poluíssem o mundo humano. A guerra terminou com a vitória do Céu, e o Caos mais uma vez fora esquecido em sua própria trevas. Um ato apenas, praticado por um dos anjos, fez com que o Caos voltasse. Osomatsu condenara o Céu. 

O anjo caído se aproximava uma vez mais da fenda, uma oportunidade entre tantas para reaver seu pecado. Porém, ao longe, a voz ficava mais nítida, ela vinha correndo, sobrevoando crateras maiores que o estrago de um meteoro, asas brancas batiam elegantes e uma nuvem de poeira era a prova de seu vigor. 

- Não faça isso! 

A voz o alcançava, e mantinha seus passos no mesmo ritmo, firmes, determinados. Osomatsu estava a meio centímetro de distância quando sentiu uma agonia espetar seu peito, era uma flecha de luz. 

- Está proibido por lei de ultrapassar essa faixa! 

Osomatsu virou a cabeça em direção à voz, seus cabelos negros cobriam seus olhos. Um anjo estava diante de si, tinha a expressão séria, o cenho franzido, segurava um arco e vestia-se todo de branco. 

- Quem te mandou aqui, Choromatsu? Foi aquele hipócrita do Kamimatsu? Por que se foi, nada do que disser vai me impedir. – Continuou impassível, mas sua língua cuspia fogo. 

- Não sabe no que está se metendo, isto não é um jogo. 

- Ah, é? – Deu uma gargalhada que preencheu todo o espaço. – Quero ver me pegar. 

Com grande esforço retirou a flecha que o atravessava, e então, de braços abertos se jogou pela fenda. Choromatsu estendia o braço, como se assim pudesse impedi-lo, mas já era tarde demais. Osomatsu passara uma vez mais para o mundo Humano. 


Um grupo de crianças entoava alguma canção enquanto corriam umas atrás das outras, brincavam alegres pelas ruas pouco movimentadas da vila. Ela ficava nas proximidades de um bosque e só se podia chegar lá de carruagem. Um jovem de bata observava com um sorriso singelo a essas crianças, andava com calma, sempre com os braços atrás do corpo, assim, com humildade. Era o padre responsável pela paróquia daquele lugar. 

O povo gostava muito dele, tinha muito apreço por tudo o que fizera. A vila se tornou mais feliz e próspera com a chegada deste padre. Antigamente, o povo trabalhava nas plantações da casa senhorial, agora, muitos tinham o próprio negócio. O padre investira na construção de seminários e paróquias, e não muito distante da igreja poderia se avistar um prédio barroco com vários dormitórios cujo muro se estendia por quatro quadras. 

Desde jovens, os meninos entravam na escola e aprendiam a ler e escrever, eram ensinados latim e álgebra aos mais velhos. Sempre antes das aulas, o professor orava em agradecimento à oportunidade que tinham. Muitas dessas crianças eram de famílias simples, gente do campo ou donos de albergues, antes do padre chegar, quase não tinham o que comer, viviam de trocados e do pão de semanas. O padre abriu uma fábrica de tecelagem e empregou toda essa gente, enriqueceu em pouco tempo e investiu tudo nas melhorias da vila. 

Este padre olhava com ternura para as crianças, as esperanças de um dia novo. Via-as como pequenos passarinhos que só faltavam-lhes ensinar a voar, gostava de as escutar, sentia-se em paz e nas mãos agraciadas de Deus. 

Um sol morno de fim de tarde batia nos telhados da igreja projetando no solo o sinal da cruz, o padre postou-se no ápice do retângulo maior, o que apontava para frente e distanciou sua mente das coisas mundanas. O povo estava feliz. 

Não muito longe dali passava uma freira, ela chegou mansamente até o padre e colocou a mão em seu ombro pedindo permissão para falar. 

- Aconteceu algo, minha boa Ichimatsu? 

A freira abaixou a cabeça, depois a levantou indicando o interior da igreja. O padre compreendeu, e conduzindo a freira, os dois entraram no local. 

O ambiente não era muito claro, ficando mais da metade na penumbra, várias fileiras de assentos em horizontal se estendiam dos dois lados, a frente se via um altar com o livro sagrado aberto e algumas velas acesas, janelas de vitrais coloridos podiam ser vistas contornando toda a construção até o ponto mais alto a onde se via o desenho de uma flor vermelha. A luz passava por suas pétalas formando finos feixes que chegavam até o chão, dividindo o espaço. 

O padre conduziu a freira até um canto mais escuro, para além do altar. 

- Pode falar, boa freira, vejo em seu semblante a agonia de Maria. 

Torcendo o rosto aos modos do padre, a freira resistiu à tentação da violência e conteve-se em nome de tudo o que acreditava. 

- Um arcanjo desceu dos Céus e apareceu em meu sonho, disse que as portas do inferno foram abertas e que um demônio escapou de lá e está entre nós. – Sussurrou, a voz contida. 

O padre a observou sem perder a expressão calma e disse: 

- Tudo se resolverá, não há com o que se alarmar. Um anjo apareceu em seu sonho e isso é bom sinal. 

- Mas, padre... 

Ele levantou a mão e fechou os olhos. 

- Não é uma graça divina que esta vila seja tão próspera? Hoje mesmo falei com a boa mulher do ferreiro, seu marido trabalha o dia inteiro, consertando e forjando ferramentas, montando coches e carruagens. Eles vão muito bem. Seus dois filhinhos frequentam os seminários, são bons alunos. Tudo nesta vila é belo. 

- No livro do apocalipse... – ela tentou mais uma vez. 

O padre a interrompeu novamente. 

- Isto já se passou há muitos anos, não há com o que se preocupar. Vamos ver como estão as esperanças do futuro, nossos jovens. 

E ignorando as súplicas da freira, voltou para o pátio. De lá foi fazer uma visita ao bispo. 

Deve-se ter cautela ao falar dele que, apesar de esbanjar fortuna como todos os da sua espécie, não era alguém que se fizesse conhecer, pouco se sabia de sua história e como chegou ao bispado. O povo tinha ciência de sua figura imponente e de sua importância, e só. O único que o via com mais frequência, mas somente para cuidar de negócios, era o padre Karamatsu. 

O bispo era um homem alto, em sua meia-idade, cabelos curtos e castanhos, um nariz não tão fino, não tão comprido, queixo quadrado, tinha na expressão algo de sobrenatural, algo de solitário, parecia um gato preto com os olhos sonolentos. Este bispo comandava a diocese da vila no conforto de sua sala cheia de objetos de ouro, estava nas mãos dos padres fazer o trabalho pesado por ele. 

Sua moradia era um casebre de dois andares, bem longe do centro da vila, em cima de um morro mais afastado. Entrava-se por duas portas, a de duas folhas de madeira ornada na frente, e mais à direita, depois da curva do jardim, a porta que dava para a cozinha. O padre Karamatsu bateu o sino da entrada e aguardou. 

Quem atendeu foi uma empregada, ela disse que o bispo se encontrava em seu escritório e assim que terminasse estaria pronto a atendê-lo. Karamatsu agradeceu e esperou numa sala com duas poltronas. Sentou-se numa delas e seu olhar foi pego por um quadro bem a sua frente. 

No quadro via-se um retrato do próprio dono da casa em seus trajes formais. Duas faixas folhadas a ouro desciam por sua bata, em sua cabeça um chapéu em forma de cone, um sorriso quase imperceptível estava delineado em seu rosto, suas pálpebras eram um pouco caídas dando-lhe sempre um ar de sono. 

O que mais lhe chamava a atenção, porém, eram os olhos. Tinha algo neles que não conseguia definir, talvez fossem as pinceladas, bem marcadas, mas havia um brilho fosco. Esse brilho lhe despertava sensações. Eram como duas pedras preciosas no fundo de um lago, e se esticasse a mão o suficiente poderia tocá-las, ou até mesmo tê-las para si. 

Seu nariz pontiagudo era como o báculo da ordem, fazia do bispo alguém de respeito e amor próprio. Seus cílios eram ralos e tinha resquícios de uma barba, até mesmo esses detalhes, surpreendeu-se Karamatsu, foram retratados pelo pintor. Uma encomenda cara, imaginou. 

- Está aí, me perdoe por deixá-lo esperando, sabe como são os negócios. 

Virou a cabeça em direção à voz e se levantou para saudar o bispo. 

- Vossa excelência, com o perdão da palavra, tenho assuntos de extrema importância a tratar com vossa dignidade. 

- Direto ao assunto, é por isso que o respeito, padre. Venha comigo. 

Os dois passaram para um quarto contíguo à sala que dava para um corredor, atravessaram-no e chegaram no escritório do bispo. 

A primeira observação que se fazia ao entrar era a mesa de nogueira escura e os vários objetos de colecionador, desde aves empalhadas até um globo terrestre numa mesa na lateral esquerda. Havia um tapete no centro e várias estantes de livros enfeitavam as laterais, uma lareira se posicionava em frente à mesa e próxima dela haviam duas poltronas. Os dois se sentaram nelas, um de frente para o outro. 

- Muito bem, a que devo sua presença? – Sua voz era contida, mas tinha um quê de deboche. 

- Vossa dignidade... 

- Deixemos as formalidades. – Interrompeu-o. – Vamos direto ao ponto. 

O padre engoliu em seco. 

- Deve se lembrar da batalha dos céus? O senhor também estava presente. Fui informado hoje que um dos seres escapou e está entre nós. 

O bispo juntou as duas mãos e apoiou o queixo entre elas, olhava um ponto na parede, para além de seu interlocutor, parecia distante, em um outro tempo-espaço. 

- Lembro bem... E você diz, ele escapou... 

O padre assentiu. Seguiu-se um momento de silêncio. 

- Verei o que posso fazer por você. – Voltou o olhar para o padre. – E aproveitando que está aqui, sobre as últimas arrecadações, os valores não estão de acordo com o número de habitantes, o dono da casa senhorial faltou com sua palavra de falar com seus camponeses, estamos em negativa. Se não falar com eles, não poderemos manter as fábricas. O povo precisa da palavra de Deus, sem a presença do povo não há paróquia, nem padres. Fique ciente disso. As arrecadações são o essencial, a alma de nosso trabalho, forjam o espírito e contribuem para o crescimento. 

Mais uma vez o padre balançou a cabeça, concordando. 

- Agora que terminamos peço a sua licença, ainda tenho trabalho a fazer. 

O padre curvou-se despedindo-se e saiu da casa do bispo. Apenas quando se viu de volta à igreja se deu conta de que a conversa não havia saído como pensara, algo no bispo estava fora de lugar, não parecia bem, tinha um mal pressentimento. 

Ainda assim, não podia faltar com sua palavra para com o chefe religioso, ele era um padre que seguia preceitos, e nunca faltava com o dever. Se tinha que falar com os camponeses, se tinha que pregar à porta da casa senhorial, nada podia fazer quanto a isso. Mesmo que no seu íntimo uma sombra, um ar gélido, o assustasse e o fizesse temer por todos. 

Karamatsu adentrou o lugar sagrado, olhou para o alto, para o vitral de rosas, ajoelhou-se perto do altar, uniu as mãos e rezou. 

Ao longe, porém, sem que ele soubesse, um par de olhos o perscrutava na escuridão.



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