História Indurgente - Capítulo 2


Escrita por: ß

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Categorias Divergente
Personagens Personagens Originais
Tags Divergente, Indurgente, Mary, Paródia, Revolução
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Palavras 1.231
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Fluffy, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Slash, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - Capítulo II


O dia amanhecia com vigor entre os prédios quase totalmente destruídos da pequena cidade. Os civis já começavam a circular pelas ruas, entrando em suas atividades rotineiras conforme os carros pretos dos Perfeitos vagavam pelas ruas esburacadas e empoeiradas. Harry acordou cedo para o costume de sua pessoa, visto que a dor em seu pescoço estava insuportável pela noite que passara no sofá.

Tinha certeza de que Henry ainda estaria um pouco receoso em seu respeito devido à pequena discussão que tiveram na noite passada. Com as almofadas empoeiradas e mal lavadas, Harry optou por levantar, sentindo o corpo reclamar pelo mínimo de espaço que tivera para uma noite – estava tão acostumado a dormir com o calor do amado que estranhara acordar no meio da noite com os pés gelados.

Caminhou até a cozinha, interrompendo-se quando viu que o outro estava sentado sobre a pequena mesa de madeira secundária, muito mal decorada com uma toalha ridícula cheia de corações e um vaso de flores falsas, que precisavam ser limpas com urgência.

– Bom dia – Harry o cumprimentou, vendo o outro se virar para encará-lo, segurando em mãos uma caneca fumegante de café. Os lábios repuxaram-se em um movimento irônico. – Você não gosta de café, decidiu mudar o gosto dessa vez?

– Eu continuo não gostando de café, essas coisas sempre têm um gosto amargo – Henry respondeu ao torcer os lábios, não muito gostoso com a indireta que lhe foi dada na maior cara dura. Suas bochechas adquiririam uma cor interessante de vermelho enquanto levantava-se e afastava-se da mesa. – Eu fiz para você, como um pedido de desculpas por ontem. Eu não deveria ter te chutado para fora do quarto, e te obrigado a dormir no sofá...

– Tudo bem, meu amor – Harry passou seus braços pelo corpo magro do amado, puxando-o para perto, esmagando a caneca entre seus peitos, criando um calor gostoso no lugar. O jovem Indurgente corou mais se possível, resmungando algo que não foi compreensível aos ouvidos do outro. – Eu não deveria ter falado daquele jeito, é que eu estava com a cabeça a mil... Eu ainda fico pensando na velha Marceline.

– Ela vai ficar bem, estará segura do outro lado da barreira – garantiu o pequeno, afastando-se do abraço e lhe estendo a caneca. Harry a pegou de bom grado, tomando um gole com gosto, sentindo aquele gosto meio amargo que tanto amava. A expressão do outro endureceu por um momento, mas logo se suavizou conforme um sorriso postava-se em seus lábios. – Arrume-se, porque temos um dia cheio pela frente!

 

Com o sol batendo no rosto, Harry enxugou o suor da testa, abaixando-se para continuar a colher as plantas que encontrara no caminho. Em meio aquele mundo quase destruído, tudo devido à rebelião dos Indurgentes e a luta contra os Perfeitos, as barriquinhas de venda encontravam-se abertas naquela hora do dia.

Uma grande sombra fez-se sobre sua cabeça, o protegendo dos raios. Olhou para cima e sorriu agradecido, vendo como Henry conseguia controlar suas habilidades de Indurgente com maestria – era um soldado para o solo, conseguindo movimentar em si sombras e terra, mas nada muito comparado a Harry, que gostava de se exibir para deslumbrar-se com o vermelho que ficaria depois nas bochechas do outro.

– Você é um doce – falou com a voz falsamente emocionada – sabia que o tom de drama irritava o pequeno –, girando o dedo e fazendo com que o ar mudasse a sua direção. Com seus comandos, algumas rosas que estavam abandonadas em uma das barraquinhas vieram na direção de ambos, todas se postando a frente dos olhos de Henry enquanto Harry continuava a manipular o ar. – Pena que eu sou mais!

– Você é um chato! – Henry as pegou com as bochechas coradas.

A tranqüilidade foi interrompida pelo som do motor de uma moto antiga, que vinha na direção. O homem sobre ela parecia velho e sua barba branca voava conforme o vento retomava seu curso original. Ver a jaqueta de couro brilhando no sol trouxe um arrepio na espinha de Henry – ele sabia muito bem quem era aquele que se aproximava.

– Henry, meu garoto! – gritou com a voz emocionada enquanto parava a moto, sorrindo e mostrando a falta de alguns dentes. Encolheu-se com o cumprimento e o olhar lançado em sua direção. A mão enrugada do homem afundou-se na bolsa de couro presa em seus ombros, e retirou lá do fundo uma carta com um belo envelope. O emblema da facção União estava gravado com vela derretida. – A Comandante pediu para que eu lhe entregasse isso!

– A Comandante não pede, ela manda – Henry respondeu curto e grosso, aceitando o envelope que lhe era entregue. Harry arregalou os olhos ao ver o símbolo da facção.

– Quando se trata de você, a Comandante fica mansinha como um gatinho! – riu com humor, despedindo-se com vigor e arrancando com a moto. A poeira foi levantada pelos pneus, cercando ambos e fazendo-os tossir.

– A Comandante da União, hein – o tom de implicância de Harry já mostrava que ele queria explicações. – Eu não sabia que vocês tinham tanta intimidade.

Henry respirou fundo, apontando para um antigo café do outro lado da rua, que ainda se mantinha ativo.

 

As mesas de madeira eram limpas conforme os clientes saiam após uma boa refeição repleta de grãos e outras coisas. Uma jovem garçonete de curiosos cabelos rosados atendeu-os com um sorriso simpático, deixando as xícaras de porcelana na frente de cada um. O chá de marcela era degustado com prazer por Henry, enquanto Harry tentava se concentrar no namorado e no café, ao mesmo tempo.

– Eu vou ser direto com você, eu já escondi isso por muito tempo – com um olhar determinado, Henry levantou o rosto. – A Comandante da facção União é a minha mãe.

A xícara de café escapou da mão de Harry, caindo sobre o pires e espalhando um pouco da bebida escura pela mesa. O silêncio caiu sobre ambos, e foi o jovem Indurgente que o quebrou.

– Lembro que, em uma noite, eu decidi contar aos meus pais que era gay. Quando eu tomei coragem e os contei, o choque atravessou por eles. Meu pai foi à loucura comigo e nós acabamos brigando... Eu nunca parei para pensar se minha mãe me aceitou, mas só lembro-me do olhar surpreso no rosto dela – respirou fundo e tomou mais um gole de seu chá. – Eu fugi de casa naquela noite.

–... Porque nunca me contou isso? – Harry perguntou-lhe, os olhos brilhando com algum tipo de dúvida.

– Eu não queria que você soubesse disso, não por enquanto – murmurou com certa culpa em seu timbre de voz. – A União é o modelo para todos os civis, e quando ficam sabendo que eu possuo laços com os líderes de lá, meio que ficam me idolatrando, pensando que sou forte e corajoso como eles. Quando eu te conheci, juro que pensei em te contar! Mas...

– Ficou com medo de que eu lhe idolatrasse por possuir laços com a União? – um simples aceno foi a sua resposta. Harry respirou fundo antes de deixar um suspiro escapar por seus lábios, um pequeno sorriso postando-se ali. Ambos Indurgentes olharam-se com os olhos brilhando. – Você sabe que eu nunca faria isso.

– Eu sei.

 

No meio da madrugada fria que costumava ser, Henry virou-se no colchão para encarar o amado, que acabara de deitar depois de mais alguns minutos acordado.

– Harry? – murmurou com a voz embargada pelo sono. – Amanhã vamos até à União.



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