História Your Monster - Capítulo 7


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fairy Tail
Personagens Lucy Heartfilia, Natsu Dragneel
Tags Nalu
Exibições 257
Palavras 2.645
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Hentai, Romance e Novela, Seinen, Shoujo (Romântico), Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Yo, minna-san.
Sim, eu excluir essa fic. Preocupada e com bloqueio de conteúdo, já que tive que adaptar certas partes do enredo, mas voltei. rsrsrsrsrsr
Boa Leitura ^^

Capítulo 7 - Bem Feitor


No dia seguinte, eu segui minha rotina matinal mais sossegada. Ontem a noite, assim que cheguei em casa me preparei mentalmente para as cobranças do meu pai, que, não estava lá para me “receber”. Entrei desconfiada, mantendo a porta aberta e segui pelo hall atenta a  qualquer barulho que indicasse sua presença, mas a casa estava vazia.

Nada na sala, exceto pelas embalagens vazias de comidas e uma garrafa vazia de vodka espalhadas no chão e cruzando o vestíbulo, na cozinha também nem sinal dele. Aliviada, olhei no imã de calendário na geladeira e a tensão se esvaiu de mim ao ver que era quarta-feira. Dia de pôquer. Tão cedo ele não volta.

Descansando a mochila numa das cadeiras da cozinha, abri o armário dando uma olhada e encontrei um pacote de macarrão. Na geladeira ainda havia algumas verduras, então fiz uma sopa. Enquanto cozinhava fui até o quarto e tomei um banho. Depois resolvi dar um jeito no lixo que meu pai deixou e arrumei a sala. Dando uma limpeza nela e arejá-la. Como provavelmente minha mãe vai voltar nessa semana, queria deixar a casa mais confortável.

Claro, teria que cuidar do problema da receita. Durante o jantar e antes de dormir pensei muito e.. achei que o melhor lugar seria na cafeteria da escola. É próximo do prédio da administração e durante o almoço, por mais que eu seja alvo de ataques das fãs dele, não conversaria com Natsu sem estar rodeada de pessoas. Com isso em mente, o esperei na passarela entre os prédios, tentando me acalmar ao brincar com meus dedos. Mania quando preciso fazer algo realmente estressante, ou quando me preocupo com alguma coisa séria.

Porem... Ele não apareceu. Meu coração guinou angustiado quando o procurei no prédio do segundo ano, perto da quadra de atletismo e campo de futebol, nas arquibancadas atrás dos dois ginásios porem, nada dele. O horário de almoço foi quase em vão até que me lembrei de um detalhe. Eu não sei nada dele, nem do que costuma fazer no colégio além de surrar as pessoas quando lhe dá vontade e seus amigos. Espere, Natsu é do time de basquete. Então ele tem atividades de clube. Mas com isso vem o detalhe mais importante, eu.. teria que dar um jeito de não ficar sozinha com ele. O que era bem mais difícil.

Decidida, depois que acabaram as aulas procurei nos ginásios em qual o time usava e o achei. Entrei timidamente, já que estava meio cheio de garotas nas passarelas laterais e olhei entre os jogadores que faziam o aquecimento. A decepção só aumentou quando não vi Natsu em lugar algum. Saí dali, preocupada. Eu teria que dar entrada no requerimento ainda essa semana para depositarem o dinheiro. Tomara que ele não falte amanhã.

- Quem diria.

Parei de andar, girando para o lado ao encontrar justamente quem eu procurava. Natsu sorria discreto com a roupa de treino do colégio (um short negro e camiseta amarela) com a bolsa de treino pendurada no ombro. Engoli em seco, segurando todos os impulsos de sair correndo quando ele se aproximou. Isso me lembrava quando fui em sua casa, e.. de maneira alguma quero isso ainda mais com detalhes.

- O que veio fazer aqui, Lucinha?

Parando diante de mim, Natsu curvou os lábios me fitando com um ar enigmático, mas desdenhoso. Por uns instantes não consegui dizer nada, o barulho dentro do ginásio parecia tão distante, e aqui estava vazio. Ninguém além de nós dois e tudo o que eu ouvi era o sangue pulsando forte nos meus ouvidos. A razão não era que parecia estarmos sozinhos, mas sim que quanto mais ele me fitava, seus olhos ficam mais escuros e sérios. Meu estômago gelava enquanto sentia um tremor na espinha.

- Não vai dizer nada?

Pisquei, desviando o olhar. Agora sim pude respirar melhor.

- E.. eu vim te pedir desculpas. Você disse ontem que se fizesse isso, me devolveria aquele papel.

- Ah, claro. Vem.

Antes que reagisse, ele agarrou meu braço já me arrastando para longe do ginásio.

- M..mas e o treino? Eu posso...

- Acho que não, nerd. Você parece um tanto pálida e além disso é uma conversa privada. – baixando o olhar pra mim estava sério – não queremos que outros saibam, certo?

Engoli em seco. Eu poderia me soltar e correr pra longe? Não. Apesar de parecer inofensivo para quem enxerga de fora, o aperto no meu braço era forte o suficiente para doer. Natsu caminhava ainda de um jeito tão natural que nem seria possível desconfiar. Procurei agüentar o que viesse, até que me surpreendi quando ele nos levou até a área externa da cafeteria. Puxando uma cadeira, se sentou colocando sua bolsa no chão e ao me olhar esperando, fiz o mesmo desconfiada.

Ao ver ele quase riu, mas ficou quieto quando a garçonete em uniforme creme e café nos atendeu. Melhor dizendo, o atendeu. Ela ficou de costas pra mim e assisti embasbacada o flerte dos dois. Não é exagero, a garota terminou de anotar o pedido com um beijo de língua.. quer dizer, eles deram. Olhei em volta, mas ninguém reparou e espiei ficando com o estômago gelado agora revirado.

Natsu olhou para mim depois que a moça saiu rebolando cheia de si.

- Tem batom na sua boca.

Foi a primeira coisa que disse e me arrependi quando ele sorriu estreitando o olhar. Ele parecia irritado. Não, estava irritado com meu comentário indiscreto. Dava pra notar na maneira que me encarou suspirando fundo ao limpar o borrado com o polegar.

- O.. o que foi?

Pegando o celular, que piscava o display por causa de uma chamada, Natsu deixou no silencioso ao deixar na mesa.

- Sua expressão de asco, nerd. É tão obvia, que sua cara antes branca esverdeou.

Levantou os olhos para mim, e esqueci como se respira ao ver um tremor o percorrer, mínimo, mas nítido. A tensão apenas quebrou quando pousaram dois copos de suco e uma tigela de frutas sortidas e cortadas no centro da mesa.

- Deseja mais alguma coisa?

Pisquei desviando o olhar para a moça, mas Natsu continuou me encarando. Isso a incomodou.

- Já pode ir.

Assisti a garota caminhar não tão confiante ao balcão e o encarei sem entender nada. Natsu simplesmente pegou um pedaço de morango e comeu.

- Por que...?

- Hum?

Me olhou sério e engoli em seco desistindo, era melhor não saber desse comportamento esquisito.

- Por que pediu isso?

- Eu tenho treino, como sabe. Frutas é uma fonte rica de vitaminas, nerd. Que alias, você precisa. Coma.

Franzi as sobrancelhas, mais confusa.

- O que?

- Coma, agora.

Me fitando autoritário, peguei uma uva e mordi. Ele suspirou me observando quieto enquanto comia, causando aquela sensação gelada na pele que eu tinha. Toda vez que fez isso, sentia falta de ar e tentei disfarçar isso o máximo possível.

- Então, eu...

- Você gosta mesmo de usar esse tipo de roupa?

Pisquei sem entender.

- P..perdão?

Terminando de comer, Natsu se debruçou na mesa dando uma olhada mais analítica em mim e recuei na cadeira, tremula. Sorrindo sarcástico, me encarou. Parecia que tinha descoberto algo e me sentia mais incomodada ao vê-lo parar de sorrir, mantendo o ar arrogante.

- Não. Com certeza não.

Meneei a cabeça.

- O que isso tem de importante? Sabe que eu não tenho como comprar roupas do meu tamanho.

Suspirei defensiva e infelizmente, ele percebeu. Natsu estreitou o olhar.

- Não é só por isso, é?

- Como assim?

Me encolhi mais na cadeira. Como chegamos a uma conversa? Ainda mais assim? Eu só vim me desculpar como exigiu para que me devolvesse a receita de medicamentos da minha mãe. Entretanto, Natsu queria adiar isso. Tombando o rosto, mechas caíram em seus olhos e estremeci por dentro.

- Deixe-me ver... Talvez seja porque você tinha nove anos quando seu pai chegou mais bêbado que o normal em casa. Naquela noite, ele não te espancou como de costume.

Arregalei os olhos, incrédula.

- Você...

- Heartfilia deve ter pensado: “É tão inocente, parece uma boneca”

- Para.

Como ele pode ter..? Não. Não havia ninguém lá naquele dia.

- Fico imaginando até onde ele chegou quando sua mãe o flagrou.

- Para, por favor!

Segurando um sorriso, ele se reclinou na cadeira vendo com um prazer perverso o quanto empalideci. Sentia as bochechas geladas tanto quanto meu corpo sob aquele olhar frio, sem um pingo de remorso. Lembrava de coisas que não queria.

- Como pode...?

Meneei a cabeça desnorteada, lagrimando sem conseguir terminar a pergunta. Natsu não parecia se perturbar, contudo, estava calmo como se estivéssemos conversando de um assunto normal e não de um trauma na minha vida.

- Digamos que é um segredo meu.

Pegando mais uma fruta ele jogou na boca, mastigando sem poder disfarçar o sorriso, que por alguma razão insondável tentava reprimir. Apenas me causou um mal-estar ao me retrair mais na cadeira em tentativa de sumir.

- Está se divertindo.

Seus olhos se estreitaram minimamente com meu tom magoado.

- Não Lucinha, estou dizendo que dinheiro não é o único motivo de se vestir assim.

Mirando para minhas roupas, Natsu tomou um gole de suco me observando sobre o copo analítico. Apenas me deixou abismada.

- O quanto você sabe sobre da minha vida?

- Ficaria surpresa. Agora, vamos ao que interessa. 

Pousando o copo na mesa, ele se endireitou na cadeira, corrigindo fluido sua postura desleixada num instante. Isso me surpreendeu. Apesar de ser um canalha sua etiqueta era polida demais quando queria. Tanto que nem percebi sua sobrancelha levantada.

- Algo errado?

Quase comentei, mas me calei a tempo. Era melhor não responder e me encarando num ar desdenhoso, Natsu não disse nada também. Obvio que ele entendeu. Só estamos tendo essa conversa “amigável” porque precisava da receita da minha mãe, apenas isso.

- Claro, você está com pressa, Lucinha.

Pegando pela alça, ele puxou sua bolsa de treino do chão e a abriu, o tempo todo sem desviar os olhos dos meus, pegando de dentro um papel amarelado e dobrado.

- Então...?

- Des..desculpe.

Arfei aflita sem desgrudar os olhos do papel até ele colocar na mesa, mantendo as pontas dos dedos sobre a folha amarela. Chamando minha atenção pelo detalhe justamente por não ter me entregado em mãos. Levantei os olhos para ele, encontrado os seus me vigiando satisfeito. Isso martelou meu coração. Empurrando a receita na mesa para mim, tombou o rosto curvando os lábios.

- Aqui está.

O seu tom abafado me arrepiou, enregelando minha espinha.

- Obrigada.

Peguei tremula, rápido antes que mudasse de ideia e levantei da cadeira engolindo em seco. Natsu quase riu do meu jeito agitado sem deixar de me encarar.

- Educada como sempre.

Empalideci com seu comentário e agarrei minha mochila pendurada no encosto da cadeira dando meia volta, caminhando pra longe dali. Sentindo o tempo todo ao sair da cafeteria minhas costas ardendo. Apressei o passo, fingindo não desmoronar a qualquer minuto ao cruzar o campus até o prédio da administração. Natsu estava com um comportamento estranho. Mais do que o normal. Sacudi a cabeça. Pare com isso, Lucy. Quantas vezes já não o vi de bom humor entre seus picos de raiva homicida? Mais do que queria nesses últimos dias. Não é nada demais.

Nada demais.

~*~*~*~

Assim que consegui dá entrada nos documentos no departamento pessoal, resolvi fazer uma visita a minha mãe. Amanhã não teria tempo, com os preparativos do seu quarto e algumas da casa. Aproveitaria que meu pai deu mais uma de suas saídas e arrumaria a bagunça sossegada. Tomaria que demore mais que alguns dias. Por segurança, o secretário que me atendeu ele foi legal ao me deixar ficar com a receita, e anexou uma cópia junto com o requerimento.

Deve ter sido o diretor, ele sabe que é difícil comprar esses tipos de medicamentos. De todo modo, me sentia mais aliviada. Ao cruzar as portas duplas da emergência me dirigi até ao balcão de recepção. Sherry parecia mais agitada que o normal e sorri ficando em frente ao seu computador.

- Está trabalhando demais, sabia?

A moça de cabelos rosados ergueu o olhar da papelada que folheava, surpresa ao me ver. Os olhos azuis arregalavam agitados.

- Lucy, graças a Deus.

- O que foi?

O semblante urgente dela, me deixou preocupada. Levantando da cadeira, Sherry foi até o canto mais quieto do balcão arredondado e a segui.

- Eu não sei o que aconteceu. O Dr. Alvarez nem ao menos foi avisado e o Chefe da cardiologia apenas disse que são ordens da administração, então...

- Espera, do que está falando?

Respirando fundo, Sherry me fitou transparecendo mais nervosismo.

- Sua mãe foi transferida.

Pisquei aturdida, não acreditando e sentindo um pavor me corroer.

- O que? M..mas eu não autorizei nada.

- Eu sei! Aquele seu pai com certeza que não faria uma coisa dessas e além disso, todo o histórico médico dela foi levado antes do meu turno. Eu... eu realmente sinto muito. Queria poder te dizer antes para qual a mandaram, mas...

- Não, tudo bem. Já fez muito por nós nesses meses.

Desviei o olhar, agarrando a gola do suéter. Meu coração disparava seco enquanto minha mente entrava em um turbilhão. Com a ajuda da Sherry conseguimos manter uma vaga para minha mãe aqui, mesmo com a lotação, era o melhor e mais viável. E agora? Não, não posso ficar desesperada. Com certeza devem tê-la mandado para o do centro da cidade. Sim, deve ter sido. Suspirando fundo, me controlei um pouco ao fita-la. Sherry  parecia se sentir tão culpada, quando não era verdade.

- Sabe para qual hospital publico a mandaram?

Franzindo as sobrancelhas ela meneou a cabeça, me confundindo.

- Não foi para um desses que transferiram sua mãe.

- Como assim?

Molhando os lábios, ela me mostrou um papel e peguei mecanicamente.

- A alocaram no Instituto Cardíaco Fernandes.

A encarei incrédula, mas Sherry anuiu apontando numa lacuna do documento. Ao ler o que estava preenchido pela letra do diretor do hospital lentamente me convenci. Era o centro mais procurado e caro da costa leste. A filial aqui na cidade foi minha primeira opção, mas sem seguro e dinheiro suficiente...

- Co..como isso é possível?

- Eu não sei. Tentei entrar em contato com você, mas o número na sua ficha está errado.  Toda vez que ligo dá na caixa postal. Falando nisso, Lucy, quando arranjou um celular?

Um estalo me acordou e a encarei espantada. Sherry franziu as sobrancelhas mais confusa, porem, me lembrava de hoje. Na cafeteria mais de uma vez, o celular dele tocou e sequer atendeu.

- Lucy?

Sacudi a cabeça, voltando a mim e procurei ficar calma.  

- Não é nada. E..esse número... você pode me dar? Deve ser da pessoa que ajudou minha mãe.

Um bolo se formou na minha garganta ao dizer isso. Mas Sherry nem percebeu, expirou tão aliviada que fiz um esforço pra sorrir. Fingir que estava tudo bem.

- Nossa, que  bom. É de um parente seu? Quer dizer, claro que é. Quem mais poderia ser?

Dando os ombros ela voltou até sua mesa e procurou minha ficha no meio de sua bagunça até achar e anotou o número num papel.

- Aqui. Pode ligar naquela sala. É mais sossegado.

Assenti pegando o papelzinho adesivo e entrei na sala que me mostrou. Era de reuniões já que havia uma mesa. No canto perto da janela tinha uma escrivaninha e ao lado do teclado do computador o telefone. Tentando engolir o bolo na minha garganta, me aproximei dele e disquei o número. Logo chamou, mas tinha o pressentimento que não daria na caixa postal dessa vez.

Depois de quatro toques atenderam.

- Oi, Lucinha.

Fechei os olhos, sentindo meu coração afundar.



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