História Pintando O Sete - Capítulo 10


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Ino Yamanaka, Iruka Umino, Kakashi Hatake, Naruto Uzumaki, Personagens Originais, Sasori, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara
Tags Família, Naruto Yaoi, Romance, Vida Escolar
Visualizações 274
Palavras 5.824
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 10 - Naruto e Sasuke - Parte 1


Pintando O Sete

Revisado por Blanxe

Capítulo 10 – Naruto e Sasuke – Parte 1

Sasuke entrou no restaurante e foi recepcionado por uma atendente jovem, de feições meigas, a qual ainda não conhecia, e que se pôs à sua frente, curvando-se e entoando um simpático e, ao mesmo tempo tímido, “irashaimase”, que faria dele um freguês assíduo caso precisasse comer fora todos os dias.

Moveu os olhos da jovem para o saguão e, em um passeio rápido, encontrou quem ele queria.

— Só vim falar com o Naruto — a informou, passando por ela antes que a garota lhe oferecesse uma mesa.

A atendente apenas assentiu e esperou o cliente passar para poder ficar ereta novamente. Havia ficado nervosa com a presença imponente dele. Não apenas por isso, o homem apesar de mais velho, era do tipo atraente, quase como os galãs dos doramas[1] que assistia. Ele exalava um ar de sofisticação, além de estar perfumado e vestido elegantemente em um terno. Sentiu um aperto no estômago ao admirá-lo pelas costas. Apesar de a feição dele não lhe ser completamente estranha.

Todavia, ao recordar que ele se dirigiu ao seu chefe como “Naruto” somente, deduziu que fosse alguém íntimo dele, um amigo ou até um parente. Talvez ela já o tivesse visto ali no restaurante, mesmo tendo aquela sensação de que era a primeira vez que se viam. Além disso, devido ao traje, concluiu que pudesse ser um advogado, bancário ou até mesmo um executivo.

Balançou a cabeça procurando se livrar do ar de sonhadora ao se relembrar que tinha que terminar de forrar as mesas, não queria levar bronca da sua superior. Mas não evitou espiar aquele homem atraente de longe, o qual aproximou-se do seu patrão e se deteve diante dele. 

— Ah, claro, eu estou mesmo precisando de alguém no restaurante, um dos atendentes irá tirar férias na próxima semana — Naruto falava com o celular preso entre a orelha e o ombro, enquanto tentava vestir o avental e amarrá-lo na frente após transpassar os cordões de amarrar pelas costas. — Ah, sim. Inicialmente será uma vaga temporária, mas não significa que irei me livrar dele no próximo mês. — Abriu um sorriso, não pelo que havia dito, mas ao ver Sasuke detido diante dele. — Se ele se sair bem, poderá se tornar meu pivô e cobrir férias dos demais funcionários e daí, para ser efetivado, é só mais um passo.

Sasuke deixou a maleta sobre o balcão e tirou as mãos de Naruto que se atrapalhavam em amarrar o avental. Seu “dobe” nunca fora bom em desempenhar duas funções ao mesmo tempo, certa vez ele colocou açúcar na sopa de miso e sal no suco ao insistir em fazer o jantar ao mesmo tempo que falava ao telefone.

Naruto deixou a tarefa de amarrar o avental com o marido e tirou o celular do ombro para ficar ereto.

— Não se preocupe com isso. Ele aprende. Não existe segredo algum no atendimento.  

Depois de amarrar o avental e fazer um laço um tanto apertado no local, Sasuke sentou no banco alto de madeira rente ao balcão e ficou assistindo Naruto gesticular ao telefone, já que agora tinha os braços livres. O complicado era vê-lo esboçar aquele sorriso provocador no rosto, que sempre o fazia ficar sem ar. Sentiu vontade de fazer a boca dele parar de mexer com um beijo de cumprimento, como faziam em casa, mas estava em um lugar público e, apesar do estabelecimento ainda estar vazio, os funcionários entravam e saíam do salão o tempo todo. Ainda tinha a garota nova, conseguia sentir seu olhar fuzilante sobre ele mesmo não a vendo.

Havia aprendido a controlar seus ciúmes, mas afirmar que não o sentia era impossível. Pensar em Naruto esbanjando aquele lindo sorriso, que deveria ser só seu, durante todo o dia para qualquer um que frequentasse aquele lugar era algo que corroía suas entranhas. Se pensasse em quantas cantadas que ele levava por dia e em quantos convites para sair recebia, certamente não teria mais nenhuma noite tranquila de sono. E foi para controlar tais pensamentos, uma crise gástrica e a insônia, que evitava frequentar o restaurante.

Naruto desligou após uma sequência interminável de “hum, hum” e “sim, sim, eu entendo, não se preocupe” e o respondeu, como se tivesse lido a pergunta embutida no seu olhar.  

— Era o Shikamaru.

Um arquear de sobrancelha foi o suficiente para Naruto entender que o marido queria mais detalhes.

— Ele quer que eu arrume um trabalho para o Tandaru.

O nome próprio soou para Sasuke como sinônimo de “adolescente problemático” e o fez empertigar-se no banco e voltar-se para pasta a qual abriu.

— Certo, e quanto a regra de não contratar rapazes? — perguntou, entregando o envelope amarelo para ele.  

— Eu evito — Naruto apanhou o envelope e gesticulou com ele em mãos. — Dê uma boa olhada. Tem o Matsumotto-jii-san e o Kuruama-san, são os únicos homens aqui além de mim, mas são senhores. A grande maioria dos meus empregados são garotas. Eu até prefiro as garotas, os clientes se sentem mais a vontade com elas. Não diga que você quer que eu aplique a regra para o Tandaru, Sasuke? Ele tem quase a idade da Bara e do Hii-chan. Além disso, ele é praticamente nosso sobrinho.

“Desculpas”, foi o que Sasuke pensou. Podia ter evitado, mas não conseguiu e, sem querer, as palavras ferinas saíram da sua boca e atingiram em cheio a cara do marido.

— A idade não o impediu de ter um caso com o Sasori, você lembra?

Naruto entreabriu os lábios, surpreso com a insinuação de Sasuke. E Sasuke, por sua vez, quis se bater por ter perdido a estabilidade para seus ciúmes corrosivos mais uma vez.

— Esquece, Naruto — levantou-se rápido, após fechar a maleta. — Assine os documentos de prorrogação da apólice do seguro e eu pego com você em casa.    

— Não precisava levar isso ao banco hoje?

— Está atrasado mesmo, um dia a mais ou um a menos não fará diferença alguma. Eu disse para deixar todos os documentos sob meus cuidados, não disse?

— Você é que sempre disse que não queria se envolver nas questões do restaurante!

— Naruto, não querer me envolver no seu serviço prático aqui é totalmente diferente de mexer com a parte burocrática da coisa, com a papelada. — Sasuke apanhou a maleta, desceu do banco e deu meia volta. — Eu tenho que voltar para faculdade.  

Sasuke seguiu para saída e Naruto foi em seu encalce.

— Sabe o que me irrita em você, Sasuke? — o loiro perguntou e o marido se deteve na porta. 

Sasuke notou a mudança brusca no tom de Naruto, que agora beirava o transtornado, e viu seu olhar endurecido refletido pelo vidro espelhado da parte de cima da porta. E, mesmo que não quisesse saber o que mais de si irritava o homem que mais amava no mundo, Naruto concluiu.

— Você falar com essa certeza de que tudo que faço é desculpa para arrumar um caso.   

Poderia simplesmente ir embora e deixar Naruto com aquele remorso. Fazê-lo atender seus clientes daquele dia com a cara fechada ou com o seu lindo sorriso corrompido pela angústia. Quem sabe ele até perderia alguns clientes, teria um dia improdutivo e plainaria sobre sua cabeça a opção de fechar o negócio e dedicar-se somente ao lar e ao homem que ama.  Obviamente aqueles eram devaneios de sua mente obsessiva e nunca se concretizariam, como ocorreu da última vez em que estiveram em crise. Frustrar Naruto era o mesmo que perdê-lo.

O suspiro saiu breve da sua boca, apertou a trava da porta do restaurante e virou a placa que estava com o lado escrito “fechado” em vermelho para ficar visível para o lado de fora e sem se preocupar com a atendente que arrumava as mesas, Sasuke largou a pasta no chão, virou-se para Naruto que o encarava com o ar de incompreensão e o agarrou pela cintura, puxando-o para si até seus corpos se encostarem e o beijou na boca.

Foi levantar os olhos da mesa que arrumava para seguir para outra e a nova atendente sobressaltou, o coração também disparou e seus olhos se arregalaram ao ver seu patrão sendo agarrado por aquele homem atraente que havia entrado no restaurante há pouco. Sentiu o rosto arder de vergonha.

“Hã? Dois homens se beijando na boca?!”.

Ela sentiu as pernas tremerem, tentou forçar seus olhos a desviar da cena, mas não conseguiu, estava paralisada.

Naruto foi tomado por uma surpresa que fez seu coração acelerar e o estômago contrair. Mas ser beijado, ou melhor, “atacado” por Sasuke, era algo tão raro que lhe provocava sensações desconcertantes. Não quis afastá-lo, permitiu que ele aplacasse sua revolta com seus lábios. Era sempre o melhor remédio. Em questão de segundos sua mente apagou a raiva que sentira pelas palavras dele e seus olhos ficaram mortiços. Os lábios de Sasuke foram afastando-se dos seus de mansinho, ao contrário das mãos que ainda estavam firmes em suas costas. Quando se separaram de vez, ele sussurrou o pedido de desculpas.

— Desculpe-me por ser tão estúpido e arrogante. Esqueça as idiotices que eu disse. É claro que eu confio em você. Eu te amo, dobe.  

— Qual.... foi mesmo a idiotice que você disse?

Sasuke sorriu, admirando o rosto corado de Naruto. Retirou seus braços em torno dele, dando um passo para trás e apanhando de volta a maleta.

Para Naruto, era ainda mais raro ver seu “teme” sorrir daquele jeito tão espontâneo e ao mesmo tempo sedutor. Não foi mais capaz de estabelecer conexão com o Sasuke que o deixara irritado a um momento atrás. Só queria que o ponteiro do relógio girasse rápido e que o dia findasse logo para estar na cama com o homem que mexia tanto com seus sentimentos.

Sasuke percebeu que alguém mexia na maçaneta e a destravou. A porta se abriu e um senhor entrou perguntando:

— Não abriram ainda?

— Está aberto, senhor — foi Sasuke quem informou, arrumando a placa na porta e fazendo uma reverência com a cabeça para o senhor e depois para Naruto, então saiu.

— Você está bem, meu rapaz? Está com febre? Seu rosto está vermelho — o senhor observou.

— Ah! — Levou apenas alguns segundos para recobrar os sentidos, sorrir, elevar as mãos para nuca e a coçar. — Eu estou bem, Sano-san. Acho que é calor. Entre, por favor! Kaoru-chan, temos um cliente.

A moça, que ainda parecia um tanto transtornada, balançou a cabeça de um lado para outro.

— E- eu nem terminei as mesas ainda, Naruto-san.

— Então termine, eu vou atender... — Mas parou de falar ao sentir a mão do senhor segurar seu braço e puxá-lo para falar-lhe em segredo.

— Sei que é o patrão, Naruto-kun, mas poderia me fazer o favor de deixar a mocinha bonita me atender, hein? — o homem sugestionou, piscando um dos olhos.

Naruto fez um ar de compreensão e piscando cumplice para o cliente, concordou.

— Claro, eu estava dizendo isso agora pouco, garotas atendem de uma maneira muito mais agradável, né? Sente-se, Sano-san. A Kaoru-chan já vai atendê-lo.

— Obrigada, meu rapaz.

Naruto aproximou-se da garota e apanhou as toalhas de mesa da mão dela, fazendo-a se sobressaltar.

— Naruto-san?

— Deixa que eu continuo daqui, pode ir para o atendimento.  

— N- não posso deixá-lo fazer isso, é o meu trabalho, além disso, o senhor é o patrão e...

Naruto viu lágrimas nos olhos da atendente e segurou as toalhas somente com uma mão para apertar o ombro dela, abrir seu bonito sorriso, e confortá-la. 

— Ei, ei, fique tranquila. Não vai perder pontos comigo por causa disso. Não é porque sou o dono que não posso executar as tarefas mais simples, não acha? Apesar de que, não existem tarefas “simples”, todo trabalho tem sua relevância aqui. Ah, e.... sobre o que aconteceu agora pouco.

Rapidamente a menina negou com a cabeça, o rosto ganhando novamente o tom rubro-intenso.

— Não se preocupe, Naruto-san. Não vou comentar com ninguém o que aquele senhor fez. Jamais pensei que um homem tão apessoado como aquele iria assediá-lo daquela forma. Achei um absurdo. Será que ele não sabe que o senhor é um homem de respeito, casado e tem filhos?

Naruto piscou os olhos algumas vezes, descrente da dedução da atendente e não evitou dar uma alta risada, que a constrangeu ainda mais.

— Naruto-san?

O chefe da jovem limpou os olhos com a ponta dos dedos e tentando conter o riso, já que havia cliente esperando, tentou ser breve.

— Depois eu explico melhor, Kaoru-chan. Mas só vou tranquilizá-la em uma questão: eu não fui assediado, aquela pessoa é com quem sou casado. Talvez a Mizuki não tenha lhe dito por achar que é um assunto particular e que diz respeito a minha vida, mas todos que trabalham aqui sabem, não tem por que você não saber também — ele completou com um sorriso, observando o rosto da menina ganhar um tom ainda mais vivo de vermelho.

— Ma- ma- marido? — ela gaguejou, sentindo o rosto em brasa.

— Sim, Sasuke é o meu marido — Naruto reafirmou tranquilamente, mas ao observar o cliente que esperava, ele pediu, fazendo um gesto de cabeça na direção da mesa ocupada. — Mas é melhor você ir atender ao Sano-san agora. Não podemos deixar o cliente esperando. Eu termino aqui.

— Ah, sim, c- c- com licença, N- Naruto-san!

...

Bastou Sasuke entrar no carro para o celular tocar. Franziu as sobrancelhas ao ver de quem se tratava na ligação, mas estava fora de cogitação ignorá-la, sabia o quanto Sakura conseguia ser insuportável.

— Sim? — perguntou ao direcionar o telefone no ouvido.

— Será que você lembra que tem outro filho além dos seus gêmeos perfeitos?

Sasuke revirou os olhos. A parte pior de conversar com Sakura era sempre ouvir aquele drama desnecessário.

— Sakura, deixe o sarcasmo de lado e fale diretamente o que aconteceu.

— Precisamos conversar seriamente sobre o Yoru.

— O que o Yoru fez dessa vez?

— O que ele não fez, né, Sasuke? Eu arrumei um serviço para ele e ele simplesmente acha que pode abandonar o trabalho sem mais nem menos, só porque ele não quer mais.

— E o que você quer que eu faça?

— Converse com seu filho, ora! Eu já não aguento mais fazer isso. O Yoru ignora tudo que eu falo. Você é o pai, Sasuke. Homens são mais imponentes na conversa com seus filhos. Talvez ele te ouça melhor do que a mim. Você também poderia arrumar um emprego para ele na universidade.

— Ele sequer terminou a faculdade, Sakura.

— Não precisa de faculdade pra ser secretário de curso ou algum trabalho do tipo. Não dá pra gente ficar sustentando o Yoru o resto da vida. Ele precisa ter responsabilidades. Além disso, você tem mais culpa nisso tudo do que eu, você me fez mãe solteira aos quinze anos. Além disso, ele puxou seu lado gay e não pretende arrumar uma família nunca. Nosso filho é todo errado por sua culpa.

Sasuke apertou o celular em sua mão, tentando não explodir. 

— Sakura, — chamou o nome da mulher entre os dentes, com uma calma forçada. — Dói nos nervos quando você vem com essa conversa. Não fui o único a ter a atitude imprudente de engravidá-la, eu não a forcei a nada, ao contrário, você quem sempre forçou a barra.

— Então, a culpa agora é só minha?

— Não estou dizendo isso — Sasuke suspirou fundo. — Mas está bem. Eu entendi. Eu vou conversar com o Yoru, vou ver se consigo arrumar um emprego para ele na universidade, vamos encerrar logo o assunto. Quer mais alguma coisa?

— Sim! Gostaria que nosso filho fosse curado dessa coisa de ser gay! Mas já que você afirma que isso não é uma doença...

— Sakura... Não tire o pouco da paciência que eu ainda tenho com você.   

— Tudo bem. Eu tenho que desligar, a Yui aprontou alguma, ela está chorando. Me liga quando você tiver resolvido alguma coisa. Beijos, querido.

O som de beijo estalado fez Sasuke sentir um arrepio de repulsa. Ele desligou o celular, pensou em telefonar para o filho ali mesmo, mas conhecendo bem Yoru, ele não o atenderia. Resolveu ligar para Bara.

— Paizinho lindo? — Bara o atendeu rapidamente, o som da voz doce da filha sempre amenizava qualquer que fosse a sua revolta.

— Bara, você sabe se seu irmão tá no apartamento dele?

— Descubro e já te retorno, paizinho.

— Certo. Obrigado.

Menos de dois minutos depois a filha o retornou.

— Está sim. Acabei de falar com ele no Whatsapp.

— Obrigado, princesa.

— Disponha. Hein, paizinho?

— Hm?

— Deixe-me adivinhar, a tia Sakura te ligou para avisar que ele saiu do serviço, não foi?

— Você já está sabendo?

— Sim. A Gi-chan me falou que ele pediu demissão ontem.

— Sabe de mais alguma coisa?

— Bem...

— Fale, Bara.

— Promete pegar leve com o meu onii-san?

— Só “pego leve” com você que é uma princesa, Bara. Os marmanjos não precisam disso.

— Por favor, paizinho?

— Certo. Tentarei “pegar leve”, como você diz. Agora, diga o que sabe.

— O Yoru-nii-san entrou na academia só para conquistar um professor de balé. Então, se ele já pediu para sair, talvez seja porque ele tenha conseguido, não acha? Apesar de que não tenho certeza de nada. Só estou levantando uma hipótese.

— Uma hipótese sua é quase uma constatação. Obrigado, princesa.

— De nada, paizinho. Hoje sou eu que cuidarei do jantar, por isso não se atrase, tá? Preciso que você me ajude — ela abaixou o tom de voz, como se estivesse contando um segredo. — É que eu quero fritar empanados.

Sasuke sorriu e, após confirmar que não se atrasaria, desligou a chamada. Tinha que confessar que a filha era a única que não lhe dava tanta dor de cabeça, mas todos os homens da sua vida, tanto os dois filhos quanto o marido, ainda o deixariam de cabelos brancos antes do tempo.

Mas agora que sabia que o filho estava em casa, iria ter uma conversa séria com ele.

...

Naruto deixou a sua gerente encarregada de fechar o restaurante e, como havia prometido ao amigo Shikamaru, passou na casa dele para conversarem sobre a proposta de emprego para o afilhado. Mas foi surpreendido ao ser atendido pela filha de Shikamaru que estava bem mais alta que ele, e parecia bem mais forte também.  

— Nyoko-chan?

— Oi, tio Naruto. Entre, por favor. Otou-san, o tio Naruto está aqui.

— Está de saída? — Naruto especulou.

— Sim. Vou pro treino. Faço boxe.  

— Mesmo? Legal.

— É bom pra manter a forma e para aprender se defender. Participei até de um campeonato o ano passado.

— Isso é incrível, Nyoko-chan.

— Não, não é — negou Tandaru, aparecendo atrás da irmã, retirando os fones do ouvido. — Ter uma irmã que é mais macho do que o próprio irmão não é nada incrível, tio Naruto.

— Quem pediu sua opinião, idiota?

— Não comecem de novo, por favor. — Foi a vez de Shikamaru aparecer na sala vestido com avental. — Entre, Naruto, por favor.

— Estou indo, otou-san. — A menina apanhou a mochila e jogou no ombro, alcançou o pai e o beijou no rosto e se despediu de Naruto fazendo uma reverência.  

— Vá com cuidado, minha filha.

— Tchau, Nyoko-chan. Foi um prazer revê-la.

— Tchau, tio Naruto. Foi bom revê-lo também.

Tandaru estava pegando carona com a saída da irmã, mas o pai o impediu, segurando-o pelo ombro.

— Onde você pensa que vai, Tandaru? O Naruto veio aqui para conversarmos sobre aquele emprego.

O garoto revirou os olhos e bateu as mãos ao longo do corpo.

— Mas, velho. Eu tenho um encontro agora.

— Desmarque. Eu disse para você que teríamos uma conversa séria hoje, não disse? Agora vai, preciso da sua ajuda na cozinha, ainda tenho que terminar de passar as roupas.

— Ai, ai, que merda, viu...

— Ei, ei, pirralho. Que palavreado é esse na frente da visita?

— Tá, tá, desculpa — o garoto saiu resmungando. — Vou trocar de roupa então.  

— Viu o que tenho que aguentar, Naruto? — Shikamaru reclamou ao amigo assim quem o filho saiu. — Tá difícil. Se eu pudesse voltar atrás teria escolhido somente ter uma menina. A Nyoko não me dá trabalho algum. Venha. — Ele fez um aceno, guiando o Naruto para cozinha, onde sua banca de passar roupa estava montada.

— É, eu sei bem — Naruto concordou, puxando uma das cadeiras e se acomodando, enquanto via o amigo voltar à camisa que estava passando. — A Bara também quase não nos preocupa. Mas o Sasuke mesmo vive arrancando os cabelos por causa do Yoru e, de vez em quando, por causa do Hikari.

— O Hikari está nessa fase difícil também de não obedecer e de achar que tudo que dizemos é perseguição? Não quer ter responsabilidade e só pensa em arrumar garotas?

— Na verdade, nem tanto, Shikamaru. O Sasuke é linha dura. Decidimos também deixar que ele namorasse quando ele quis, desde que assumisse a responsabilidade da forma correta. Então, não tivemos problemas com isso. Apesar de ele ter terminado com a namorada há pouco tempo. Mas o Sasuke fica no pé, você sabe como ele é, né?

— E como eu sei. Eu lembro muito bem dele na escola.

— Então, o Hikari respeita o Sasuke, ele meio que tem medo. Mas se fosse eu sozinho, acho que passaria por problemas como você. Eu sou muito mole com eles, o Sasuke vive me reclamando isso.

— Então, talvez eu deva arrumar um marido também? — Shikamaru sugestionou brincando e os dois riram.

— Argh — resmungou Tandaru, que entrou na cozinha no momento do comentário do pai. — Que conversa é essa, velho? Depois de velho quer virar bicha. Isso é nojento.

— Ei, veja como fala! — Shikamaru deu um safanão na cabeça do filho ao repreendê-lo. — Respeite a presença do seu tio.

— Estou falando do senhor. O tio Naruto e o tio Sasuke pelo menos são elegantes, eles estão dentro da regra.

— Tá me chamando de feio, moleque?

— Acabado, velho, de acabado.

— Ei!

— Hein, tio Naruto? — o garoto ignorou o pai e se voltou para o homem loiro sentado à mesa, enquanto apanhava o avental pendurado no suporte da parede.

— O quê?

— Tem muitas gatas trabalhando com o senhor lá no restaurante? E as clientes de lá, como são?

— Ei, Tandaru. Você vai trabalhar e não arrumar problemas para o seu tio, entendeu?

— Hai, hai. Só estou fazendo umas perguntas básicas, para de neura, velho.

Naruto suspirou e acabou sorrindo sem graça, ao perceber que havia acabado de adquirir um problema. Mas não podia recusar um pedido de um amigo. 

...

Andrii sentiu um frio na barriga ao ser encarado por aquele homem que era uma cópia perfeita de Yoru, se não fosse a diferença na cor dos cabelos, nos olhos e na idade. Mas, sem dúvidas, aquele homem era bem mais apresentável que Yoru.

— Você não disse que tinha um irmão mais velho — observou.

— Está sendo gentil, sensei. Esse é o meu velho, o nome dele é Sasuke. Pai, esse é....

— Andrii Keichiro, prazer em conhecê-lo. — O próprio Andrii antecipou-se na apresentação, estendendo uma mão na direção do pai do rapaz.

Mas Sasuke apenas ignorou a mão estendida do homem e continuou fitando-o com ar reprovador.

Os traços semelhantes com os de Naruto fizeram Sasuke se irritar ainda mais com a presença dele. Além disso, o professor estava sem camisa e com a braguilha da calça aberta. Isso significava, de alguma forma, que o filho ainda tinha interesse no padrasto, tanto que estava procurando se relacionar com pessoas que tinham os mesmos traços dele. Mas o que o irritou de verdade na presença daquele homem era o fato dele usar uma aliança, ao que lhe remetia a outro fato que desaprovava do filho: ele ainda não se importar em dar em cima de pessoas casadas.

 — Será que poderia ir embora, por favor. Acho que tem alguém o aguardando em sua casa, visto a aliança reluzente em seu dedo.

O comentário direto e ferino do pai de Yoru fez Keichiro recolher a mão e virar de costas, atrás do restante de suas roupas.

— Espera, espera aí, sensei. Ainda não terminamos. Quem tem que se retirar aqui não é você. Otou-san, por favor, dá para voltar outra hora, estou ocupado.

— Não, Yoru. Atende seu pai. Mesmo se ele for embora não vai rolar mais nada hoje. Depois a gente se fala. — Keichiro juntou suas coisas rapidamente e passou por Sasuke sem olhá-lo.

Assim que o rapaz loiro atravessou a porta, Sasuke a fechou com um baque e então ele adentrou a sala, parando diante do filho e o encarando com a expressão enrijecida.

Yoru repousou as mãos na cintura, não se importando pelo fato de estar somente de cueca boxer diante do pai, e com a camisa aberta, que expunha o peitoral.

— O que é?

O barulho do tapa irrompeu o ambiente.

Yoru voltou o rosto que foi entortado pela força do tapa para encarar o pai novamente, procurando não alterar em nada sua expressão.

— Doeu.

— Está envolvido com um homem casado?

— Isso é mesmo da sua conta, Sasuke? Eu achei que eu já fosse adulto.

— Também achava isso. Mas suas atitudes continuam me deixando dúvidas. Você continua me decepcionando, Yoru.

— Ah, mesmo? Que ótimo. A decepção é recíproca, sabia? A única coisa boa que me liga ao senhor são meus irmãos e seu lindo marido, se não fossem eles, certamente o senhor Sasuke não precisaria se preocupar em nada com a presença incômoda do filho bastardo em sua vida.

— Do que está falando, Yoru? Você não é mais criança para ficar tendo essas crises infantis.  

— Sabe, Sasuke. Eu estou cansado. Cansado de você e da minha mãe ficarem se intrometendo na minha vida. Estou cansado de ser de vocês a droga do fruto indesejado da porra da única foda que tiveram. Façam o seguinte: eu não sou mais menor, então vocês não precisam continuar agindo como se precisassem tomar conta de mim. Simplesmente finjam que não houve aquela transa. Finjam que eu não nasci, que eu não existo, vai ser melhor para mim, vai ser melhor para vocês. Só me deixem quieto aqui.

Sasuke encarou o filho por um instante. Aquela fala dele era completamente sem nexo.

— Está falando como se sua mãe e eu tivéssemos te rejeitado, Yoru? Isso nunca aconteceu. Eu assumi você, eu te dei meu sobrenome, você sempre teve passagem livre à minha casa. E à de sua mãe também. Nunca te faltou nada. Não é porque Sakura e eu não demos certos juntos, não foi porque cometemos um erro na adolescência, ou porque formarmos uma nova família que o rejeitamos. Você é nosso filho e vamos nos preocupar sempre.

— Tá, velho... Escuta, vou explicar de forma mais clara, me acompanha, tá? Você invadiu a minha casa, mandou o cara com que eu iria foder embora, depois enche meus ouvidos de lição de moral, me dá um tapa. Depois de tudo isso você vai sair por aquela porta, de volta para o seu lar lindo e feliz, enquanto minha mãe está lá, com a família linda e feliz dela, e eu vou ficar aqui, sozinho e sem foda. Será que ficou claro agora?   

— Está querendo dizer que não faz parte nem da minha família e nem da família nova da sua mãe? E que está tendo atitudes imaturas porque está se sentindo sozinho?

— Bingo!

— Então arrume alguém com quem possa construir sua própria família.

— Eu estava tentando fazer isso quando me interrompeu.

— Com um cara casado?

— É. Eu decidi que vou me tornar um destruidor de famílias — ele abriu os braços. — Se não posso ter uma, então irei arruinar a dos outros — Yoru riu, caminhou até porta e a abriu. — Tchau, Sasuke. Volte pra sua família e a proteja enquanto pode. Lembre-se que o destruidor de casamentos está a solta. Você sabe que o meu maior sonho ainda é foder o delicioso do seu marido, né? Mas como ele banca o difícil, eu vou me contentando com as cópias.

Antes que fizesse uma besteira, depois de ouvir aquele último comentário do filho, Sasuke preferiu aceitar a oferta e sair rapidamente pela porta que Yoru apontava. Sabia que ele estava tentando desestabilizá-lo e ouvir da boca dele que ainda queria transar com o padrasto — depois de ver aquele rapaz com os mesmos traços dele sair quase seminu do apartamento —, o transtornou.

Esmurrou a parede ao lado do elevador e desejou que a dor em seu punho devolvesse sua razão.

Mas a raiva que estava sentindo era tanta que tudo que Sasuke mais desejou naquele momento era espancar seu filho mais velho.

...

Arrancou as roupas de Naruto com urgência, o apertou em seus braços, beijou sua pele, mordiscou cada centímetro de pele descoberta. Apertava-o com força, abraçava-o, sufocava-o. Sempre era possuído, invertiam as posições muito pouco, mas naquela noite sentia ânsia de possuí-lo. Por isso só se deu conta que havia externado seu desejo quando ouviu Naruto emitir um gemido de dor ao ser penetrado, mesmo assim não parou.

— Ei, ei, devagar, está doendo, não estou conseguindo respirar, Sasuke.

— Você é meu. É meu. Só meu, Naruto — ditava urgente, como um mantra, a medida que aumentava a velocidade das estocadas dentro do marido, até sentir o interior dele se contrair, até que seu orgasmo explodiu e o preencheu. Até quase deixá-lo sem ar com seu beijo.

— Ah! — Naruto respirou fundo ao conseguir escapar da pressão que a boca de Sasuke fazia sobre a sua. — É claro que eu sou seu, caramba... — Arfava, puxando o ar com dificuldade pelas narinas. — Mas, se continuar intenso dessa forma, não vou ser mais seu e de ninguém porque estarei morto! O que foi? Você parecia em transe. Não que eu não goste, mas você me assusta desse jeito, Sasuke. Parece que quer me desfazer em pedaços e me engolir.

— É o que eu gostaria — confessou, encarando o loiro embaixo dele. Sentia as mãos trêmulas, o corpo trêmulo, engoliu em seco, precisava se controlar.

— Hã? — Naruto arqueou uma das sobrancelhas. — Se toda vez que visitar o restaurante ficar assim é melhor não ir mais lá. Seu instinto possessivo foi acionado ao limite máximo. Você me apertou tanto, me encheu de tantos chupões, que vou ficar cheio de marcas. E é você quem vive reclamando quando eu faço isso.

— Não foi só a visita ao restaurante.   

— Então o que foi?

Sasuke saiu de cima de Naruto e deitou-se ao lado dele na cama, buscando regularizar sua respiração também.

— Yoru.

— O que tem o Yoru?

— Ele está estranho, Naruto. E o pior de tudo... — Sasuke se deteve.

— O que foi?

— Ele está tendo um caso com um cara casado. Um cara casado que tem todas as suas características.

— Sério? — Naruto se ergueu e encostou-se na cabeceira da cama. — Mas ele não pode ter feito isso pensando em mim, Sasuke.

— Ele não só fez pensando em você como ele confessou, na minha cara, que o maior sonho dele ainda é… transar com você. — Sasuke crispou os punhos e sentou-se na cama também, encostando-se ao lado de Naruto e elevando as mãos a cabeça. — Merda!

— Eu achei que você já tivesse superado isso, sabia? Eu não vou te largar para ficar com seu filho, Sasuke. Você só tem que confiar em mim. E se o Yoru tá tendo um caso com alguém casado, ele não é o único culpado, a outra parte é tão culpada quanto. Eu vou conversar com ele amanhã.

Sasuke abaixou os braços e a cabeça ao ouvir aquilo, não tinha como contra argumentar e muito menos contrariar o marido ou ficaria subentendido que não confiava nele.

— Mas se ele encostar em você, Naruto...

— Você não vai fazer nada. Yoru é seu filho. E se ele encostar em mim é porque eu deixei, certo? Eu não vou permitir que ele faça. Agora vamos dormir — Naruto escorregou para cama e esticou o braço para fora para desligar o interruptor e apagar a luminária. — Preciso chegar mais cedo amanhã para mostrar pro Tandaru o serviço dele — completou, puxando o cobertor para cima do corpo nu.

Sasuke sentiu uma nova pontada em seu estômago ao ser recordado daquele outro problema. “Oh, céus. Ainda tem isso”, lamentou, escorregando para cama também, se enfiando debaixo do cobertor e abraçando o marido pelas costas, colando seu corpo nu ao dele.

— Para de me apertar, Sasukeee!  

Continua...

Vocabulário de expressões em japonês:

Irashaimase – Bem-vindo (utilizado no comércio).

Miso – pasta de soja fermentada, geralmente usada em sopas (misoshiru)

Teme (usado pelo Naruto para o Sasuke) e Dobe (usado pelo Sasuke para o Naruto) – eram os xingamentos mais usados por Naruto e Sasuke no clássico, quando estavam bravos um com o outro. Teme é traduzido normalmente como: “seu desgraçado” ou “maldito”. “Dobe”, foi o Iruka-sensei que utilizou primeiro com o Naruto, na forma de xingamento mesmo, para dizer que ele era o pior aluno da sala quando o Naruto reclamou que não aceitava ser do mesmo time do Sasuke. O Iruka justificou que a escolha havia sido feita para “balancear”, o melhor da sala (Sasuke), com o pior (Naruto). O termo já foi traduzido como “perdedor” em alguns casos como “o pior” mesmo. O Sasuke, após ouvir isso, zombou de Naruto e passou a chamá-lo assim. O que acabou pegando como um apelido, da mesma forma que o Sasuke também usa o termo “Usuratonkachi” que é algo mais como “Bobo” ou “atrapalhado”. Mas as mentes fujoshis captaram essa forma de tratamento como carinhosa e passaram a usar como tratamento íntimo entre eles nos trabalhos do fandom. É como, por exemplo, eu, que chamo uma colega de serviço de “Feinha”, mesmo ela sendo linda. Nasceu por acaso e ficou como apelido. ;)

 

[1] Dorama ((ドラマ), Dorama) é a definição generalizada do gênero série de televisão oriental, seja ela J-Drama (drama japonês), K-Drama (drama coreano), TW-Drama (drama taiwanês), C-Drama (drama chinês) e até mesmo os Live-Action (filmes com pessoas reais quando um mangá ou anime faz sucesso). Fonte: Wikipédia.

 


Notas Finais


Capítulo postado conforme havia dito no Facebook.

Gostaria de agradecer a todos que deixam reviews e também deixam algo mais que isso, uma sugestão, uma música, uma vídeo, gente, vocês não sabem o quanto isso motiva um autor. Na resposta das reviews eu pude fazer várias anotações. Várias mesmo. Inclusive de sugestões de música que alguns disseram ser a cara do romance YoruSaso. Obrigada! Todas anotadas, algumas sugestões também poderão ser usadas nos próximos capítulos.

Espero que tenham gostado, primeiro capítulo do ciclo NaruSasu, apesar desse final não ter sido tanto NaruSasu :P

Comentem!
Bjos! Até o próximo!


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