História Pintando O Sete - Capítulo 15


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Ino Yamanaka, Iruka Umino, Kakashi Hatake, Naruto Uzumaki, Personagens Originais, Sasori, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara
Tags Família, Naruto Yaoi, Romance, Vida Escolar
Visualizações 111
Palavras 5.416
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


A todos os leitores que sempre estão presentes com os seus lindos comentários que me animam, meu muito obrigada também!

Agradecendo a Bruninha pelo lindo fanart BaraHaya que ela me mandou, esse que está de capa. Ela também desenhou o time da Kainan inteiro e logo farei as fichas e irei disponibilizar na minha página do Face. Aproveitem para curtir quem ainda não curtiu.

Agora sim, boa leitura! o/

Capítulo 15 - Capítulo 15 - Bara - Parte 5


Fanfic / Fanfiction Pintando O Sete - Capítulo 15 - Capítulo 15 - Bara - Parte 5

 

Pintando O Sete

Revisado por Blanxe

Capítulo 15 – Bara – Parte 5

 

Bara tentava conter a algazarra no dormitório feminino, que fora cedido pela faculdade de Kyoto, o local onde seria sediada a Olimpíada de Matemática; levando em consideração que a organização do evento era da própria Coordenação de Matemática da referida Universidade.

Porém, desde que chegaram, Bara estava tendo dificuldade de conter os ânimos das participantes eufóricas.

As meninas não paravam de conversar e tirar fotos, desde o início da viagem. E, naquele momento, estavam se fotografando dentro do dormitório. Se fosse esse o único problema, Bara acreditava que logo elas enjoariam, todavia, o dormitório dispunha de rede Wi-fi e, por causa desse pequeno benefício, a maioria não perdera a oportunidade de se conectar a internet e enviar suas fotos para os perfis nas redes sociais ou aplicativos de celular.

Não que ela fosse um bom exemplo, mas chegara a crer que por serem inteligentes demais, aquelas meninas se portariam de forma mais comedida.

Respirou fundo e, decidida a dar o seu melhor, juntou todo ar que conseguiu nos pulmões e gritou:

— SILÊNCIO!

Houve uma pausa e a loira sorriu, contente por ter conseguido a atenção que queria. Aproveitou para erguer a via do cronograma que tinha em mãos.

— Obrigada pela atenção, minna-san. Será que podemos...

O som contínuo de mensagens sendo recebidas e enviadas pelos aplicativos dos inúmeros celulares repercutiu pelo ambiente como um acorde descompassado. Bara voltou a ficar tensa e bastou um segundo para o primeiro pedido vir.

— Bara-chan, me dá só um minuto? Eu vou responder só mais essa mensagem.  

— Eu também, só um segundo.

— Verdade!

— Eu também! Deixa só eu terminar de enviar esse texto e...

Dedos rápidos, olhos atentos ao visor do celular que era refletido nas lentes de alguns óculos e lá se fora, novamente, a intenção da loira em colocar ordem.

Crispou os punhos junto ao cronograma em mãos. Não iria desistir tão facilmente. Mais uma vez puxou o ar para os pulmões, preparando-se para um novo grito, quando foi detida por uma estranha pontada no peito.

— Ai — reclamou, colocando a mão sobre a região dolorida. — O que foi isso?  

Giovana entrou no dormitório carregando o restante de sua bagagem e deu uma olhada geral pelo cômodo a procura da melhor amiga. Queria se alojar ao lado dela. Não demorou a encontrar Bara e, também, notar que ela parecia estranhamente séria. Aproximou-se rápido, desviando das colegas do clube de Matemática. Ao alcançá-la, colocou suas coisas sobre o futon e a encarou.

— Bara-chan? O que foi? Está passando mal?

Bara negou com um balançar de cabeça e voltou seus olhos claros para Giovana.

— Eu estou bem. Só senti uma pontada esquisita no peito. Sabe, como uma sensação de...

— Pressentimento?

O arregalar dos olhos de Bara fizera Giovana crer que nem a amiga havia pensado na possibilidade, mas que ela estava relutando em acreditar que fosse aquilo.

— Certo — Giovana abaixou junto as coisas da amiga no futon e vasculhou-as por conta, encontrando o celular e estendendo para ela. — Toma. Liga primeiro para o seu irmão Yoru. Afinal, ele quem está doente e pode ter piorado.

— Certo!

Todavia, Bara tinha quase certeza, estava tendo algum tipo de pressentimento. E aquela sensação ruim estava ligada àquele que era uma parte sua.

Depois de desligar a chamada com o irmão mais velho, que disse que estava “muito bem, obrigado”, apenas sonolento por causa dos remédios, ela decidiu discar direto para Hikari.

— Está ligando para os seus pais?

— Não. Eu falei com o meu pai Naruto não faz nem meia hora. E meu pai Sasuke ligou duas vezes depois que chegamos. Estou ligando para o Hii-chan.

— Será algo com ele, Bara-chan? — Giovana não conseguiu disfarçar a aflição em sua voz ao pensar na possibilidade.  

— Não sei, mas... Merda! — ela praguejou ao ouvir aquela voz automática interromper o som das chamadas. — A ligação caiu na caixa de mensagem.

— E o Kinizuna-kun...

— Verdade!

Bara também se recordou que o amigo havia viajado com o clube do irmão. Procurou o número do colega na agenda e, assim que o encontrou, deu início a chamada.

Todavia, novamente, a ligação só chamava.

— Droga, Gi-chan! Caiu na caixa também.

— Não se desespere, Bara-chan. A linha pode estar fora de área ainda, ou eles podem estar treinando, no banho, tem tantas possibilidades, quando virem a mensagem irão retornar.

— Mas eu não posso esperar tanto! — Bara pensou rápido e chegou a outra solução, passando a vasculhar o celular. — Tem o nome da pousada aonde eles irão se hospedar em algum lugar por aqui... Achei!

— Você vai ligar na pousada?

— Claro. Eu não vou ficar bem enquanto não falar com o Hii-chan.

Giovana concordou com um assentir de cabeça.

...

A Algazarra dos meninos do time de basquete da Nohara ainda era grande em torno do gerente interino do grupo.

Hayate havia escapado para se preparar para o banho quando ouviu um chamado na porta pedindo por licença. Foi ele quem autorizou a empregada da estalagem abrir a porta corrediça e se pronunciar, ela estava com um aparelho de telefone sem fio em mãos.

— Com licença. Tenho uma chamada para o Uzumaki-kun.

— Ele foi para área de banho — Hayate justificou.

— É a irmã dele, parece um pouco aflita.

Hayate não pensou duas vezes em pedir o telefone.

— Eu falo com ela.

— Obrigada. Com licença — a mulher pediu, a cabeça baixa, fazendo breves reverências. — Após terminar, o senhor pode levar o telefone de volta para recepção, por favor?

— Sim. Claro. Obrigado.

— Com sua licença.  

A mulher fechou a porta. Hayate suspirou antes de atender a ligação, sentindo que o seu coração batia completamente fora do ritmo.

— A- alô?

— Hii-chan?

— Não, Uzumaki-san. É o capitão do time, Hayate Kimura. O Hikari...

— O que aconteceu com o meu irmão, Taichou-san? Por favor, me diga! Ele está bem, não está?

— Ah... sim, creio eu — Hayate falou um tanto incerto, coçando atrás da nuca. — Pelo menos, chegamos bem. Ele foi para o banho. Aconteceu algo? Você parece nervosa.

— E eu estou. Mas é porque tive um pressentimento ruim e resolvi ligar.

— Aquela coisa de gêmeos?

— Acho que sim.

— Eu vou atrás dele e peço para ele te ligar.

— Por favor.

— Certo.

— Taichou-san?

— O quê?

— Hontou Arigatô[1].

— Ah... — Hayate sentiu o rosto afoguear e sentiu aquela estranha pontada no boca do estômago. — Não por isso, Uzumaki-san. Vou lá, daqui a pouco te retorno. Digo, digo, ele te retorna.

— Você mesmo pode me retornar. O Hii-chan é meio bruto em se tratando de alguns assuntos, Taichou-san. Ele não me dá muita atenção. Anota meu número, por favor.

— Ah, claro. Só um instante, deixa eu pegar meu celular.

— Sim.

Apesar da preocupação devido ao tom angustiado de Bara, Hayate se sentia eufórico. Ter tão depressa o número da garota por quem estava interessado era um passo que ele não esperava dar tão cedo.

Ficou aliviado pelo restante do grupo estar entretido e não notar seu constrangimento, ou sequer quem estava com ele na ligação. Pelo menos, achou que ninguém havia notado, até terminar de anotar o número de Bara e garantir para ela que retornaria em seguida.    

— Ele estará bem, você verá.

— Ok. Obrigada mais uma vez, Taichou. Mas, por favor, vai logo!

— Ah, certo. — Ele desligou após a ordem.  

Foi então que percebeu que estava sendo observado por alguém. Kinizuna tinha os olhos, por trás das lentes, atentos nele. De alguma forma, ele parecia saber com que estava falando.

— Era a irmã do Hikari — acabou explicando. — Ela precisa falar com ele — disse, seguindo em direção a saída. — Vou dar o recado.

— V- vou c- com você.

Hayate se surpreendeu. Kinizuna não perguntou se podia ir junto, apenas determinou que iria. Achou estranho. Ele não parecia mais tão bobinho e ingênuo como sua aparência tímida deixava transparecer; ele havia ficado realmente sério, tenso. 

— Hm.

— Taichou, aonde vai ainda vestido?! — notou Murano.  

— Já volto, pessoal. Terminem de desfazer as malas de uma vez e vão para o banho. Ainda temos que jantar e descansar. Não esqueçam que amanhã iremos acordar bem cedo.

— Hai! — gritaram em concordância, enquanto Hayate e Kinizuna deixavam depressa o quarto.

— Você ouviu a minha conversa com a Uzumaki-san, Kinizuna?

O menino balançou a cabeça negativamente.

— Não precisei ouvir. Se a B- Bara-chan e- está p- preocupada com o H- Hikari-kun é porque ela p- pressentiu algo.

Hayate assentiu.

— Você os conhece bem — ele confirmou, sorrindo. — É isso mesmo. Vamos lá ver como ele está, só para desencargo de consciência.

— H- Hai!

...

Assim que adentraram a área de convivência que precede o lago de água morna, a primeira coisa que Kinizuna e Hayate viram foi aquele filete rubro escorrendo pela lateral do rosto de Hikari, o qual parecia provir de um ferimento na testa. Ele estava encostado à parede e havia um rapaz alto e magro, mas de bom porte físico, o encurralando.

Kinizuna sentiu seus joelhos baterem tamanha fora a tremedeira que o abateu, sequer conseguiu se mover de onde estagnara.

Mas Hayate foi firme e rápido, aproximando-se e empurrando o rapaz que estava na frente de Hikari.

— O que pensa que está fazendo com ele, palhaço?

— Opa, opa, se não é o capitão Hayate Kimura-kun. Calminha, aí, amigo. É feio chegar assim, do nada, acusando as pessoas dessa forma, sabia? O Uzumaki-kun escorregou, bateu a testa e eu só vim ver como ele estava.

O capitão se prostrou na frente de Hikari e encarou friamente aquela pessoa que tinha um ar dissimulado e que não condizia em nada com a atitude nobre que ele relatara. Pelo que tudo indicava, era algum conhecido deles, apesar de não se recordar.

— Quem é você, Teme? — perguntou Hayate, semicerrando os olhos na direção daquela pessoa.

— Oh! Sério? Que maldade! Não acredito que o capitão da Nohara tem uma memória tão curta — e acrescentou um risinho debochado no final. — De qualquer forma, por que não tira sua dúvida direto com o Uzumaki-kun?   

Hayate manteve sua pose desconfiada, analisando aquela figura. Kinizuna, por sua vez, só conseguia enxergar Hikari e foi pensando em socorrê-lo que obrigou suas pernas a se moverem, para ir de encontro a ele. Deixaria que o capitão tomasse conta daquela pessoa, por mais que ele fosse precisar de ajuda, pois notou que os outros garotos que estavam dentro da fonte saíram da água ao ver a confusão se formando.

— Ei, Taichou? O que está havendo? Quem são esses idiotas?

— Será que ouvi certo? Ei, irmão, você está desconfiando da palavra do nosso capitão, é? Tá querendo briga? — Aproximou-se um rapaz de pele negra, medindo em torno de dois metros de altura, cabelos com dreadlocks[2] e com um físico bem estruturado.

— É verdade o que ele está dizendo, Hikari? — Hayate abordou o loiro, que estava em silêncio, cobrindo o ferimento na testa com uma das mãos.

Hikari sentia-se tonto, os olhos cínicos daquele idiota estavam fixos nele. Sabia que dependendo da sua resposta, desencadearia uma briga que prejudicaria a todos, por isso decidiu não piorar a situação.

A verdade é que tinha escorregado na poça de água e caído depois que aquele idiota lhe dera um empurrão. Ou seja, o capitão da Kainan era culpado, mas preferiu omitir a informação por hora.  

— Eu só escorreguei e caí.

— Não está mentindo para aliviar a barra deles, não, né, Hikari?

— Cale a boca — murmurou ele.

— Ei, ei, aliviar a barra de quem, meu amigo? Tá achando que pode com a gente, é? — o rapaz moreno estralou os dedos um no outro, encarando Hayate diretamente.

— Pare com isso, Take-chan — o capitão da Kainan pediu, estendendo o braço para impedir o colega de avançar mais. — Acho que devemos guardar nossa energia para quando estivermos em quadra, não acham?

— E vai se preparando, Toyo — ameaçou Hayate. — Esse ano a Nohara irá destroná-los.

O capitão do time adversário encarou Hayate por um segundo, tendo certeza de processar aquela informação dita por ele, até que a compreensão o fez explodir em uma alta gargalhada.

— Então, você sabe quem eu sou afinal? — ele parou de rir, enxugando as lágrimas que se formaram nos cantos dos olhos. — Tudo bem, eu entendo que ainda estão cheio de rancores pela final do ano passado. Mas, sinto dizer, Kimura-kun, o nível das escolas aumentou exponencialmente nesse ano, e, pelo que vejo, vocês continuam o mesmo timinho medíocre de antes. Se conseguirem nos enfrentar na final desse ano, será um milagre, não é mesmo, rapazes?

Os três atrás de Toyo, depois de concordarem com ele, começaram a rir alto, aumentando o clima de deboche.

Hayate crispou os punhos e cerrou os dentes, sentiu seu sangue ferver nas veias, pronto a dar um soco na cara do líder daquele bando de idiotas que se retiravam as gargalhadas. 

— Ora, seus desgraçados...

Porém, a mão de Hikari, em seu ombro, o fez parar.

— Não vale a pena, Hayate. Podemos ser expulsos se arranjarmos briga aqui. Deixe-os. Vamos provar que somos melhores em quadra.

O capitão se obrigou a concordar, soltando somente um esturro.  

A compostura de Hikari esvaiu-se quando Kentaro Toyo passou por Kinizuna que vinha andando ao encontro deles. Notou que o capitão encarou o gerente interino do time com aqueles olhos libidinosos, carregados de malícias, que mediram o corpo dele de cima embaixo, paralisando na parte traseira. Ouvira rumores que diziam que Kentaro gostava de garotos. Não era um boato maldoso ou descabido, pois ele mesmo fora assediado diversas vezes pelo capitão da Kainan durante as partidas, antes e até após.

Lembrou-se da última partida no ano passado, quando estavam perdendo feio e ele se aproximou, de repente, no meio do jogo, e sussurrou perto do seu ouvido:

“Você é tão lindo que me dá arrepios, Number Seven[3]. Quando eu arrasar completamente com esse seu timinho de merda, que tal eu te mostrar o que é ser bom de verdade? O que acha de sair comigo?”.

Sentiu aquele arrepio de repulsa, o qual se intensificou quando viu Kentaro parar Kinizuna ao agarrar no braço dele, concluindo assim suas suspeitas sobre o súbito interesse dele no amigo de Bara.

— Uau. Você eu não conhecia, belezinha. Parece que é novo no time, hã? E é tão fofo. Qual é o seu nome?

— Hã? É... Hm...  

Hayate nem viu quando Hikari passou por ele e chegou até a porta de entrada e saída do banho e se enfiou entre o capitão do Kainan e o gerente interino. O loiro puxou Kinizuna para trás, fazendo o agarre do outro se soltar do braço dele.

— Não me importo de ouvir seus assédios sujos, Kentaro Toyo. Mas se mexer com ele irá se ver seriamente comigo.

O sorriso debochado que se abriu no rosto de Toyo dizia que ele havia entendido o que Hikari não queria.

— Então é isso? É, eu não me engano nunca. Assim que coloquei os olhos em você eu desconfiei que gostava do mesmo que eu. Mas não sabia que estava saindo com alguém. Bem, seja como for, eu faço questão de vasculhar eu mesmo cada centímetro do corpo dessa belezinha e descobrir se tem ou não seu nome escrito nele. E, se não tiver, Hikari-kun, sinto-lhe dizer que ele não é propriedade sua e eu vou fazer questão de marcá-lo como meu — o capitão declarou, piscando um dos olhos para Kinizuna e se retirando em seguida.

Hayate coçou a cabeça. Aproximou-se dos dois colegas com uma expressão de que não havia entendido muito bem o que tinha acabado de se passar, mas não tinha certeza se queria mesmo compreender.  

— Que conversa foi essa no final das contas?

— Você é muito tapado, Hayate! Como que não percebeu que aquele cara estava assediando o nosso gerente?

— Não precisa ofender seu capitão que veio correndo ao seu socorro, Hikari!

— Não pedi a ajuda de ninguém.

— Minha nossa, você é tão ignorante que não sei o que é pior, se é atitude daquele nojento do Toyo ou a sua!

— Conclua você mesmo.

Uma veia latejou na fronte do capitão, que crispou os punhos, irritado, decidido a dor o troco.

— Mas, Hikari, para alguém ignorante, até que me surpreendeu ao sair correndo em auxílio do Kinizuna-kun, hã? — debochou para não perder a oportunidade de alfinetar o loiro.  

Hikari direcionou um olhar ameaçador para Hayate, que foi o suficiente para ele entender que devia permanecer calado. Então se voltou para Kinizuna com o mesmo ar carrancudo.

— Não fique sozinho, de jeito nenhum, com aquele sujeito, está me entendendo? Ele é perigoso — alertou em tom de reprimenda. — E entenda uma coisa: só estou fazendo isso pela Bara. Se algo acontecer com o melhor amigo dela enquanto ele estiver perto de mim, ela vai me assassinar por não ter feito nada — complementou com aquela justificativa, antes que Kinizuna e o próprio Hayate tirassem conclusões precipitadas.

— H- Hm... — Kinizuna concordou, abaixando a cabeça, um pouco confuso, mas logo a ergueu novamente, observando o ferimento de Hikari, que ainda sangrava.

Vasculhou os bolsos da calça e em seguida tirou de um deles um lenço, com o qual limpou o sangue que escorria pela lateral do rosto Hikari, encobrindo o ferimento em seguida.

— V- você e- está bem, Hi- Hi- Hikari-kun?

Hikari fez um bico e segurou o lenço ele mesmo em sua testa, afastando a mão de Kinizuna com um safanão. Na sequência, resmungou que estava bem, o que fez o colega de Bara sorrir aliviado.  

Hayate arregalou os olhos. Podia estar maluco ou vendo coisas, mas sentiu um clima estranho entre aqueles dois. Tanto que seu coração passou a bater mais rápido. Tinha certeza que era uma atmosfera romântica, que foi rapidamente quebrada pela entrada barulhenta do restante do time.

E logo o clima mudou por completo. Tiveram que explicar o que havia acontecido com Hikari e o encontro inesperado com a Kainan.

...

— Então, isso foi tudo? — Bara suspirou aliviada ao ouvir a conclusão da explicação do capitão pelo telefone.

O dormitório onde estava hospedada era no terceiro andar. Ela se debruçou sobre a grade da sacada, sentindo a brisa gostosa da região enquanto observava o céu forrado de estrelas. O grupo de meninas havia gasto tanta energia que caiu no sono rapidamente após o jantar. Até mesmo a amiga Giovana já se encontrava deitada.

— Sim — ouviu a voz do capitão do time do irmão confirmar. — Apesar de que ainda tenho minhas dúvidas sobre o Hikari ter caído sozinho. Ele mesmo confirmou para o Kinizuna que era para ele ficar longe desse tal cara, o capitão da Kainan, porque ele era do tipo perigoso.

Bara impressionou-se com aquela última fala.

— Espere, espere um pouco, Taichou-san. Repete essa última parte porque eu acho que eu não ouvi bem. Meu irmão pediu para o Kinizuna ficar longe de alguém perigoso? Como assim?

— Parece que o cara não tem boa fama, sabe? Ele é do tipo que curte garotos, bem, até aí não é o problema, cada um escolhe gostar do que bem entender, o problema é que ele é desses que forçam a barra, gostam de se impor, de assediar, entende? Pelo que compreendi da conversa o Hikari também foi, talvez ainda seja, assediado por ele.

— Nossa, que cara repugnante! Está me dando vontade de vomitar.

— Pois é. Existem homens desse tipo. Mas parece que seu irmão sabe se defender bem e defender quem precisa.

— Pois é. Ainda estou impressionada com essa parte. O Hii-chan não é bem do tipo que se importa com os outros a não ser com o próprio umbigo. Há anos venho tentando fazer com que ele seja menos... chato, sabe? Mas está sendo difícil.  

— Talvez você esteja julgando mal seu irmão, Uzumaki-san. O Hikari é um bom garoto. Eu sei que ele é carrancudo e fechado na maior parte do tempo, mas, no fundo, eu sinto que ele tem um lado gentil e sensível.

Bara sorriu travessa.

— Hm. Que bonitinho, Taichou-san. Cuidado para não ser mais um dos membros do fã-clube dele, viu? Já tem muitos apaixonados por ele por aí.

Ela não pôde visualizar, mas a reação que se seguiu fez Bara imaginar o capitão de um jeito muito fofo, todo constrangido e com as bochechas coradas, devido ao choque daquela insinuação repentina.

— Ah?! Você também, não, Uzumaki-san! — resmungou Hayate. — Já não bastam os deboches que tenho que aguentar do resto do time por sempre estar do lado dele.

— Calma, calma, só brincando — ela mostrou a ponta da língua. — Eu sei que você gosta do Hii-chan como um amigo, consegue até enxergar a essência boa que tem nele e que, bem lá no fundo, eu também sinto que exista. Apesar de ele tentar esconder de todas as maneiras.

— Por que será que ele é assim, né?

— Eu acho que ele tem medo.

— Medo? — Hayate riu. — Hikari Uzumaki com medo de algo? — perguntou entoando um ar de deboche e, ao mesmo tempo, incrédulo. — Desculpe-me, Uzumaki-san. Mas não consigo enxergar o Hikari com medo de algo, ele sempre foi tão frio, inatingível, sabe? Ao menos ele deixa transparecer que é forte; valentão. De que ele teria medo afinal?

— De amar e ser censurado por isso — a resposta foi rápida.

O capitão ficou sério e Bara prosseguiu após um suspiro.

— Sabe, Taichou-san. Você não conhece bem o Hii-chan, afinal. Talvez, por gostar dele, você sente que ele pode ser bom se ele se esforçar, assim como eu sinto. Mas o meu irmão não é tão valente como imagina. Ele tem muitos medos. Até algum tempo atrás ele tinha medo do escuro e dormia com a luz do abajur acesa. Ele tem medo de cemitérios, de caixões, túmulos, funerais, tudo relacionado a morte. Tem até medo de doenças, de hospital, médico, de ficar doente e morrer. Tudo isso porque perdemos uma irmã quando éramos bem pequenos. Agora, nosso irmão mais velho também está doente e ele sequer consegue ir visitá-lo. Mas acho que o maior medo do Hii-chan é de ser censurado por achar que é diferente, de que lhe apontem o dedo e o chamem de aberração. Nós temos dois pais e uma mãe que emprestou seu óvulo e seu útero para nos gerar. Apesar de termos alguém para chamar de “mãe”, ela nunca fez parte da nossa família. Ela até prefere que a gente a chame de “onee-san” do que de “okaa-san”. Nossa família de verdade são meus dois pais, meus avôs, o Yoru-nii-san, o Hii-chan e eu. Nós crescemos bem, saudáveis, acreditando que vivíamos em uma família digna e feliz. Mas quando passamos a frequentar a escola, descobrimos que a maioria dos nossos colegas tinha uma mãe e um pai, e alguns poucos tinham irmãos. E todos para quem falávamos que tínhamos dois pais, nos olhavam de um modo estranho, negavam com a cabeça e diziam não ser possível. No outro dia, voltavam falando que os pais falaram para eles que nossa família não era normal e que eles deveriam se afastar e não ouvir nada do que dizíamos. Alguns pais dessas crianças até vieram na escola reclamar com a professora e a diretora. Meus pais foram chamados. Houve uma grande discussão entre pais. Os meus sempre tiveram opiniões muito fortes e não aceitaram de forma alguma que sofrêssemos preconceito dentro da escola, um lugar, de acordo com eles, deveria ensinar a todos que existe diversidade e que essa diversidade deve ser respeitada. Alguns pais não concordaram da mesma forma e até tiraram seus filhos da escola. Desde então, o Hikari passou a esconder o fato de termos dois pais e alimentar mais esse medo: de um dia se apaixonar por alguém do mesmo sexo e ser censurado por isso.

O capitão engoliu em seco, impressionado com aquela história. Percebera que realmente conhecia muito pouco Hikari. Mas saber daquilo o fez sentir-se mais solidário, principalmente ao que referia aos medos que ele carregava e que eram, de alguma forma, nocivos. Medos que podiam fazê-lo tomar um caminho errado. Chegou até a imaginar que talvez não fosse loucura da sua cabeça o que tinha sentindo mais cedo entre Kinizuna e ele.

— Taichou-san? Tai-chou-san?

— Desculpe?

— Ficou tão quieto de repente. Não gosto de contar essas coisas por telefone, porque não dá para ler a expressão da pessoa.

Ele sorriu.

— Não se preocupe, Uzumaki-san. Estava em silêncio porque estava pensando.

— Pensando?

— Sim. Pensando em quanto o Hikari deve ter sofrido e ainda vem sofrendo com algo que não deveria. Pelo pouco que conheço dele, e agora de você também, já consigo imaginar que devem formar uma família muito bonita. Da qual ele só deveria sentir orgulho.

Bara sorriu, um sorriso que não coube em seu rosto.

— É o que tento colocar na cabeça dura dele o tempo todo! — ela declarou animada. — Temos os melhores pais do mundo! São batalhadores, fortes e de respeito. Nunca nos faltou nada. Sempre fomos amados incondicionalmente. Não tem do que ter vergonha.  

— E agora que sei dessa história, eu posso até ajudá-la com essa missão — ele sorriu, um pouco sem jeito, achando que estava sendo um pouco invasivo e que seria repreendido.

Foi quando aquela fala, ainda mais animada e cheia de esperanças, fez seu coração bater mais depressa.

— Mesmo, Taichou-san?!

Hayate começava a ter ainda mais certeza: estava completamente apaixonado por Bara. Porém, imaginou, com pesar, que se a loira soubesse das suas verdadeiras intenções, talvez o encanto se quebrasse. Ela poderia deduzir que ele estava querendo uma recompensa. Por isso, precisava acalmar seu coração e esperar as coisas acontecerem naturalmente. Deveria esperar o momento certo de se declarar, mesmo que fosse difícil se conter quando falava com ela tão naturalmente, como se já se conhecessem há anos, como se já partilhassem de uma mesma história.

— Hm. Mesmo.

— Obrigado, Taichou-san!

— Não me agradeça. Não por isso. Qualquer coisa eu volto a te ligar. Err... posso gravar seu número?

— Não só pode, como deve — ela garantiu. — Mas temos que no despedir. Já está ficando tarde e você também tem amistoso amanhã.

— Eu não queria desligar, é tão agradável conversar com você. — Acabou não conseguindo segurar aquela declaração constrangedora.

— Agora está parecendo que está se apaixonando por mim, hein, Taichou-san.

— Ei! Que observação foi essa?  

Ela riu travessa.

— Né, Taichou? Boa noite.

— Sabe, Uzumaki-san, você não é um dos garotos do meu time, só Hayate tá bom. Ou se achar muito íntimo, pode ser Kimura.

— Hm... — ela pareceu pensar sobre o assunto. — É que eu gosto de “Taichou-san”, é fofo.

— Você é bem terrível, né?

Ela riu novamente.

— Se me chamar só de “Bara”, eu vou tentar me lembrar de chamá-lo de “Haya-chan”?  

— Ah? “Haya-chan”?

— Ha, ha! É que chamo meu irmão de “Hii-chan” e meu melhor amigo de “Hiro-chan”, a minha melhor amiga de “Gi-chan” o que tem de errado?  

“Como dizer para ela que não quero ser nem ‘um irmão’, muito menos, ‘o melhor amigo’, pior ainda a ‘melhor amiga’ dela? Prefiro continuar sendo chamado de ‘Taichou-san’, então”, ele pensou.

— Tá, tá, eu entendi — Bara interrompeu o silêncio. — Melhor a gente se despedir ou daqui a pouco amanhece o dia. Bom jogo amanhã. Fique de olho no Hii-chan e no Hiro-chan por mim.

— Certo. Boa olimpíada para vocês também.

— Ok. Boa noite, Hayate-kun.

Bara desligou em seguida, ligeiramente, após pronunciar o nome do capitão do time do irmão daquela forma. Sentiu algo estranho. Era só uma forma de tratamento idiota, mas seu coração estava batendo um pouco mais forte. Sinceramente não entendia o motivo e decidiu não pensar nele.

Saiu da sacada depois de abrir a porta de correr de vidro e fechá-la com cuidado atrás de si. Entrou no dormitório na ponta dos pés e notou que todas as meninas dormiam profundamente. Então se deitou no futon ao lado da amiga Giovana, que assim que sentiu ela se acomodar, virou na direção dela e a abraçou. 

— Você demorou, Bara-chan — reclamou Giovana baixinho, despreguiçando-se.  

— A conversa acabou se estendendo — Bara justificou, voltando a cobri-las com o edredom, e correspondeu ao abraço da amiga, ficando testa com testa com ela. — Desculpe-me, Gi?

Giovana fez um bico de emburrada.

— Não me diga que já está me traindo com ele?

Bara riu, ficando com as bochechas levemente rosadas.

— Não, não. Eu não estou. Juro.  

— Está aprendendo a ser cafajeste como seu irmão, né, Bara-chan? Não jure por algo que não tem certeza de garantir.

Ela riu abertamente e coçou a nuca, sem graça.

— Não seja injusta, Gi-chan. Não estou sendo cafajeste. Estou garantindo que te amo. Afinal, você sabe que meu coração é grande e que sempre tem lugar para mais um.

— Mas sempre vai ter aquele que vai querer, e conseguir, ocupar mais espaço. E eu não sei se quero isso.

Bara apertou o nariz da amiga.

— Não seja egoísta.  

O bico aumentou nos lábios de Giovana. Tinha que ficar feliz por Bara. Mas gostava da amiga de uma forma tão desmedida, que chegava sentir dor ao pensar na possibilidade de dividi-la com algum garoto.

— Tá — Giovana concordou por fim, colocando a mão no rosto de Bara. — Mas só para garantir que não terei meu espaço invadido por nenhum impertinente, vou marcar meu território e roubar algo especial de você antes que algum desses brutamontes o faça. 

A loira arregalou seus olhos claros, confusa.

— E o que seria esse algo misterioso, Gi-...

Antes que Bara concluísse os lábios de Giovana selaram os seus. Bara sentiu o rosto afoguear, enquanto os olhos se arregalavam mais e a respiração se retinha no peito. O coração disparou como um louco e quando Giovana afastou dos seus lábios, ela voltou a abraçá-la fortemente, escondendo o rosto envergonhado no vão do seu pescoço.  

— Pronto. Pelo menos o seu primeiro beijo é meu. Desculpe-me por roubá-lo, Bara-chan.

— Gi-chan...

Bara elevou a ponta dos dedos até seus lábios, onde ainda sentia a doçura e a maciez dos lábios que tiveram sobre os seus há pouco. Sorriu e lambeu-os levemente. Um beijo era algo realmente estranho, era apenas um toque e mexia com tantos sentidos. Viu a amiga encolhida em seus braços, os longos cabelos castanhos cobrindo suas costas e o provável rubor em sua face.

Então buscou novamente o rosto dela, segurando-o com ambas as mãos, fazendo-a encará-la.

— Ei, você me pegou de surpresa, Gi-chan, não deu pra sentir direito, será que dá para repetir um pouco mais devagar?

— Bara-chan... — Giovana sorriu, sentindo que o rosto esquentava, mas assentiu. — Certo!

As duas se olharam nos olhos, sorriram, umedeceram os lábios e se beijaram. Desta vez, em um beijo mais prolongado, com olhos fechados e com um mover delicado e meticuloso de lábios. 

...

Do outro lado de Kyoto, em Nagoya, o capitão sentia seu rosto quente e o coração ainda batendo descompassado.

Não conseguia se sentir diferente após a conversa que tivera com Bara e após ouvi-la dizer seu nome. Parecia que, finalmente, havia dado um grande passo em direção a ela. Sentia-se tão excitado que tinha certeza que custaria dormir. Suspirou fundo, sorriu e mais uma vez, naquela noite, sussurrou.

— Boa noite, Bara.

Continua...

 

 

[1] Hontou Arigatô – Muito obrigada.

[2] O dreadlock é uma forma de se manter os cabelos que se tornou mundialmente famosa com o movimento rastafari, consiste em bolos cilíndricos de cabelo que aparentam "cordas" pendendo do topo da cabeça. Os dreadlocks também podem ser chamados de locks-dreads. Em português europeu o termo mais comum é rastas. (Wikipédia);

[3] Number Seven - Referência ao número sete da camisa do Hikari.


Notas Finais


Obrigada por todos que leram, se puderem, já sabem, comentem!
Beijos!
Até o próximo. o/


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