História Pintando O Sete - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Ino Yamanaka, Iruka Umino, Kakashi Hatake, Naruto Uzumaki, Personagens Originais, Sasori, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara
Tags Família, Naruto Yaoi, Romance, Vida Escolar
Visualizações 150
Palavras 4.775
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 3 - Bara - Parte 3


Pintando O Sete

Revisado por Blanxe

Capítulo 03 - Bara - Parte 3

— Irasshaima-....

A voz da atendente, que havia se dirigido rapidamente até a porta e se curvado ao ouvir o sino que anunciava a entrada de um novo cliente, se perdeu assim que ela ergueu os olhos e os pousou sobre a figura alta, bem vestida, com cabelos em um corte moderno — a franja comprida caindo em ambos os lados do rosto — e de incomuns olhos verdes, recobertos por um elegante óculos de aros fino.

O sorriso do rapaz, um breve repuxar de canto de boca, fez a jovem novata corar e ficar sem reação. Ela abraçou com mais força a bandeja que trazia junto ao peito e começou a gaguejar sem saber bem o que precisava fazer.

— É- é- é....

— Irasshaimase, Yoru-san— ouviu a voz da senpai dela salva-lhe o dia. — Deseja uma mesa?

— Yo, Mizuki — ele a cumprimentou de maneira informal. — Dispenso a mesa. Vim falar com o Naruto-otou-san, ele tá por aí?

— Na dispensa, recontando o estoque, ele abasteceu hoje pela manhã.

— Certo. Eu sei o caminho — ele afirmou, piscando um dos olhos para as duas jovens e adentrando o local em seguida, caminhando em direção ao balcão de atendimento.

Ao passar pela portinhola anexa ao balcão, ele cumprimentou a jovem no caixa que também se curvou e ficou com o rosto levemente corado. 

Assim que o rapaz desapareceu, a jovem novata suspirou aliviada.

— Gomen, Mizuki-senpai — pediu, com o rosto ainda avermelhado.

— Relaxa, Kaoru-chan. Essa sua reação é mais normal do que pensa. Não é sempre que entram clientes tão bonitos aqui. E o Yoru-san é uma boa exceção e você terá que se acostumar, pois como ele é da família, de vez em quando aparece por aqui — Mizuki a orientou.

— Sim, vou tentar me acostumar. Mas confesso que as minhas pernas ficaram bambas; fiquei chateada por ter travado.

— Já disse, é normal.

— Ele chamou o Uzumaki-san de “otou-san”? Achei que o Uzumaki-san só tinha o casal de gêmeos.  

— O Yoru-san é apenas enteado dele.

— Ah, entendi. Então ele é filho de outro relacionamento da esposa do Uzumaki-san?

Mizuki, que era gerente do restaurante e o braço direito de Naruto, chegou entreabrir os lábios para explicar para a nova atendente que o dono do restaurante não tinha uma “esposa” e sim um “esposo”, mas achou que seria antiprofissional da sua parte estender aquela conversa para falar da vida pessoal do patrão. Apenas assentiu para a novata que sorriu com um ar sonhador.

— Ele é tão bonito! Parece um artista.

— Pode até ser — a outra concordou já em tom de alerta. — Se não me engano, o Yoru-san trabalhou por um tempo como modelo. Mas nem fique animada, Kaoru-chan. Eu estou com o Naruto-san desde que ele abriu o restaurante e conheço bem o Yoru-san. Ele com aquele sorriso sedutor tem facilidade em conquistar corações, mas tem ainda mais facilidade em quebrá-los. Tenha cuidado.

A garota ficou com o rosto mais vermelho e sacudiu a cabeça.

— Ieee, senpai! Só fiz um comentário! Não estava pensando sobre isso.

— Sei. Vamos voltar ao trabalho. Ainda tem pratos pra gente recolher. Hoje foi realmente cheio.

— Hai!

...

Depois de passar pela cozinha e cumprimentar os cozinheiros e auxiliares, Yoru seguiu até o fundo do estabelecimento onde ficava a dispensa, deu leve batidas na porta que estava entreaberta e, como não ouviu resposta, adentrou o local sorrateiramente.

De onde estava, conseguiu ouvir o arrastar de caixas e uma voz contando baixinho. Sorriu e seguiu em frente tentando fazer o mínimo de barulho possível, até encontrar as costas do padrasto que estava de avental e coçava a cabeça com a mão com a qual segurava uma caneta.

— Vinte e duas, vinte e três, vinte...

O sorriso matreiro no rosto de Yoru aumentou ao notar que o padrasto estava tão distraído que sequer notou sua presença e ao observar o pescoço dele exposto pensou em uma arte, passou a língua maliciosamente pelos lábios, para umedecê-los, e se aproximou o suficiente para depositar um beijo úmido na parte exposta do pescoço.

— AHHHHHHHHHHHHHH!

O grito de susto de Naruto foi ouvido até mesmo na recepção.

— O que foi isso? — perguntou a novata com os olhos arregalados na direção da sua senpai.

Mas Mizuki só balançou a cabeça negativamente e continuou recolhendo os pratos das mesas.

— Com certeza, alguma arte do Yoru-san — ela suspirou. — Não se preocupe, é normal também. Pode levar esses daí pra cozinha — ela disse para garota que já estava com a bandeja cheia. — Vou começar a recolher as toalhas pra gente limpar as mesas.

— Certo, Mizuki-senpai.    

Na dispensa, Naruto que havia se desvencilhado do abraço repentino do enteado, encostou-se ofegante na prateleira de enlatados, fazendo algumas latas caírem e rolarem no chão.

— Konnichiwa, otou-san.

— Yoru-chan... Quantas vezes eu já te falei pra não fazer gracinhas quando esto-...

Mas Naruto perdeu o fio de pensamento assim que o rapaz o encurralou, encostando seu corpo ao dele e pressionando-o ainda mais contra a prateleira, fazendo mais algumas latas despencarem para o chão.

— O que... Veja a bagunça que está....

Yoru segurou o queixo de Naruto enquanto seus olhos se fixavam nos lábios dele.

— Foi você quem me chamou, otou-san. E confesso que... fiquei muito feliz com seu chamado. Ou posso ir além e confessar que na verdade fiquei muito excitado? — ele perguntou umedecendo os lábios novamente e aproximando-os dos do padrasto.

Naruto sentiu o rosto esquentar e o coração disparar, principalmente devido à pressão que recebia de Yoru em seu ventre e, antes que aquela brincadeira ficasse verdadeiramente perigosa, ele espalmou as duas mãos abertas no peito do rapaz e o empurrou.

— Pare de brincar comigo, Yoru-chan. Eu o chamei aqui pra me fazer um favor.

— É o que estou fazendo... — ele sussurrou, segurando os dois pulsos do padrasto, conseguindo usar de força para tirá-los do seu tórax.

— Não esse tipo de favor!  — Naruto esbravejou e arregalou os olhos ao notar que Yoru conseguiu segurar seus pulsos e forçá-los a voltar para trás, encostando-os na prateleira ao lado do seu rosto.

— Isso tá ficando melhor do que eu imaginava. Você realmente se esquece que não sou mais um garotinho, né, Naruto?

Os olhos de Naruto se arregalaram mais uma vez com aquela fala e o fato do enteado chamá-lo pelo primeiro nome. Não era só a fala, mas o rosto, os cabelos, quanto mais o tempo passava, mais Naruto notava que Yoru se tornava uma cópia exata de Sasuke e era justamente aquela confusão que o fazia fraquejar e o seu coração disparar. Fechou os dois punhos e encarou Yoru de forma dura.

— Não estou brincando, Yoru-chan. Se você encostar sua boca na minha, mesmo que de brincadeira, eu nunca mais falo com você.

Yoru ponderou por alguns segundos, enquanto encarava o azul-céu do olhar firme do seu padrasto. Sabia que Naruto era genioso suficiente para concretizar aquela ameaça, apesar de ter certeza que a greve de silêncio não duraria muito, já que ele não é do tipo que guarda remorsos por muito tempo. Mas preferiu não arriscar por receio de que ele contasse ao seu pai e assim teria problemas verdadeiros para voltar a revê-lo. Desta forma, suspirou vencido, e soltou os pulsos dele. 

— Tão chato.... É comum ter um amante hoje em dia, sabia?

— Eu não gosto dessas suas brincadeiras.

— Não gosta por que elas te deixam excitado?

O barulho do tapa irrompeu o ambiente e Yoru apenas virou o rosto e ajeitou novamente os óculos que haviam sido entortados. Sentiu a face onde recebera o golpe queimar e a adrenalina tomar conta de todos seus músculos. Entretanto, respirou fundo mais uma vez e buscou um controle interno para evitar fazer uma bobeira. Já havia ficado mais alto que o padrasto, também era mais forte, devido à academia, e poderia subjugá-lo da forma que bem entendesse. Mas, acima de tudo, Naruto ainda era seu padrasto, pai dos seus irmãos e marido do seu pai biológico, tinha que continuar controlando seus impulsos pelo próprio bem da harmonia familiar. Por isso, limitou-se apenas a responder ao tapa com um sorriso e um olhar estreitado, depois disso se abaixou e passou a recolher as latinhas que haviam caído no chão.

— Eu o ajudo com essa bagunça — se propôs e logo mudou de assunto. — Cadê meus irmãos?

Naruto suspirou aliviado ao perceber que o enteado havia voltado ao normal. Passou apanhar das mãos dele as latinhas que ele lhe estendia ajeitando-as de volta na prateleira.

— Na escola — respondeu ainda em tom carrancudo. — E é exatamente por causa da Bara que te chamei aqui.

— Ah? Não me diga que a baixinha aprontou de novo?

— Ainda vai aprontar. Ela está com uma ideia maluca.

— Outra? — ele perguntou debochado, levantando e ajudando Naruto a recolocar as últimas latas que restavam. — O que foi dessa vez? — perguntou ao concluir e se voltar para ele.

— Tatuagem.

— Mas ela não queria ingressar na academia militar esses dias atrás? — Yoru o questionou, sem se mostrar muito surpreso.

— Pois é. Adolescentes são realmente um mistério de outro mundo pra mim, apesar de já ter sido um. Eu não consigo entender o que se passa na cabeça deles.

— E onde eu entro nessa história? Não acha mesmo que eu vou conseguir convencê-la do contrário, né?

— Não é isso. Eu só quero que você a acompanhe, para ter certeza de que ela não irá tatuar alguma bobeira.

— Meu pai autorizou a Bara fazer a tattoo? — Yoru perguntou, incrédulo. ­— Na minha época de adolescente ele era muito mais durão.

— Eu que acabei convencendo-o a deixar, porque conhecendo a Bara como conheço, ela iria fazer de algum jeito e ainda correria o risco de fazer na clandestinidade e ter alguma complicação.   

— Concordo.

— Ela deve estar chegando pra pegar a autorização comigo, posso contar você?

— Naruto..., digo, otou-san... — ele se retificou rapidamente ao ver o olhar do padrasto se endurecer na direção dele novamente, então abriu um sorriso. — O que não me pede com esses olhos azuis encantadores que eu não faça com um sorriso no rosto, hã?

Naruto passou por ele.

— Vamos sair daqui. Você virou mesmo do tipo cafajeste e conquistador barato, né, Yoru-chan?

— Você me magoa falando assim, otou-san. Você sabe que é o único e verdadeiro amor da minha vida.

— Cale a boca. Eu sou o único amor da vida do seu pai.

— Não seja tão cruel comigo...  

— Já disse pra ficar calado!

— Hai, hai...

...

Assim que Yoru entrou conversando com o padrasto de volta no salão, onde agora todas as cadeiras estavam erguidas sobre as mesas, viu a irmã entrar no estabelecimento, vestida com uniforme escolar e de mochila nas costas.

— Yo, Bara-kun!

— Yoru-nii-channnnn! — ela correu até ele e pulou abraçando-o pelo pescoço.

 — Opa! Tudo bem, baixinha?

— Vi seu carro lá fora e entrei o mais rápido que pude. Tá tudo bem sim — ela afirmou, desvencilhando do pescoço dele. — Mas quero que me conte, em detalhes, como foi sua viagem para o Egito! Conseguiu ver as pirâmides? Deu para visitar a Europa? Você conseguiu rever o Sasori-chan?

— Opa, opa. Calma aí, metralhadora, uma pergunta por vez.

Giovana, que estava detida um pouco atrás da amiga, pigarreou para que ela lembrasse que também estava ali.

— Olá, Morita-san —Yoru cumprimentou a colega de Bara, chamando-a pelo sobrenome.

— Konnichiwa, Uchiha-san.

— Cadê o Hikari? — ele perguntou direcionando-se a garota, mas foi a irmã quem respondeu.

— Ficou na escola. Tinha treino hoje — ela o informou. — Está sabendo da novidade, onii-chan? 

Yoru negou com a cabeça.

— Vou fazer uma tatuagem! — ela exclamou eufórica.

Yoru arregalou os olhos, fingindo surpresa.

— Oh! Sério mesmo? Na minha época de adolescência nossos pais eram muito mais rigorosos, principalmente o ex-senhor-Uchiha. Com certeza você tem superpoderes.

Ela assentiu com um grande sorriso.

— Deve ser o Bara-power! — falou e aproveitando a deixa, foi na direção do pai que já havia ido até o balcão e segurava um envelope amarelo nas mãos.

— Está aí a autorização, paizinho? — ela perguntou com os olhos brilhando e já estendendo a mão para recebê-lo.

Mas Naruto o ergueu tirando do alcance dela.

— Tem certeza de que não vai se arrepender disso mais tarde, Bara?

Bara afirmou com um balançar de cabeça.

— Absoluta — disse, pulando e alcançado o envelope nas mãos do pai, correndo de volta na direção do irmão e apanhando a mão dele. — Nii-chan, está ocupado? Quer ir comigo? A Gi-chan não pode porque tem aula de balé.

— Bem... — Yoru coçou a cabeça, fingindo estar analisando a proposta e alguns segundos depois, abriu um sorriso para a irmã. — Vai ser um prazer. Não tinha nada de interessante pra fazer agora.

Bara deu um pulo em comemoração.

— Tem certeza de que não vou atrapalhar? 

Ela negou rapidamente.

— De forma nenhuma. Faço questão que venha.

— Certo! O que estamos esperando então?

— Posso te pedir mais um favorzinho? — ela juntou as mãos em forma de prece. — Você pode deixar a Gi-chan na aula dela?

— Com certeza.

Bara comemorou mais uma vez e já foi se despedindo de todos, enquanto apanhava a mão de Giovana e a puxava para fora antes que seu pai mudasse de ideia.

— Tchau, Mizuki-san, Kaoru-chan, Keiko-chan! 

Em coro as funcionárias de Naruto se despediam com um “Tchau, Bara-chan” e por último, já da porta de entrada e saída do restaurante, Bara se despediu do pai.

— Até mais tarde, otou-chan.

Giovana só teve tempo de se despedir com acenos antes das duas desaparecerem. Naruto suspirou e voltou sua atenção para o enteado.

— Assim que souber que tipo de tatuagem ela vai fazer e em qual parte do corpo, me ligue.

O rapaz fez um gesto de meia continência para o padrasto, batendo apenas a mão direita na testa, depois disso colocou a mesma mão no bolso da calça e se despediu de todos, acrescentando um piscar de olho para a menina em treinamento, achando divertido vê-la tentar disfarçar a cantada olhando de um lado para o outro enquanto seu rosto todo se pigmentava de um intenso tom vermelho.

...

Bara acenava para Giovana da janela do passageiro e a colega lhe retribuía o aceno do lado de fora, de frente a academia de Balé. Assim que o carro do irmão voltou a se movimentar Bara afundou-se no banco.

— É impressão minha ou tem algo de errado com sua amiga? — Yoru perguntou, curioso. — Ela não parecia tão animada como das outras vezes que a vi. 

— É, eu sei. — Bara suspirou fundo. — A Gi-chan está tentando se mostrar forte pra não me deixar triste, mas eu sei que no fundo ela está abalada pelo Hi-chan ter terminado com ela.

— Ah? O Hikari-kun terminou com a Giovana? Por quê?

— Por minha culpa.

— Como assim, Bara-kun? Não me diga que você conseguiu roubar a namorada do seu irmão?

Os olhos de Bara se arregalaram e seu rosto corou intensamente, até mesmo as orelhas, ao ouvir aquela insinuação inesperada do irmão.

— Onii-chan!! De onde você tirou essa ideia maluca? E- e-e-e-eu... Di-di-digo, a-a-a-a-a Gi-gi-.... n-n-nós...  — Bara parou por um instante ao notar que havia ficado confusa. — Por que estou gaguejando que nem o Hiro-chan? — ela se perguntou, colocando a mão no peito, sentindo que o coração também havia acelerado.

A mão do irmão repousou no topo da sua cabeça e Bara voltou sua atenção para ele, notando que ele lhe sorria gentilmente.

— Gomen? Não quis assustá-la. Só imaginei que tendo a família que tem, já tinha pensado sobre isso — Yoru falou, voltando a recolocar a mão no volante.

— Na verdade... eu nunca havia pensado sobre na- na- namo-... — Bara se irritou e bagunçou os cabelos com as ambas as mãos ao notar que havia começado a gaguejar de novo. Então, procurando se concentrar e ser firme, inspirou profundamente e espirou, recomeçando o comentário. — Eu ainda não tinha pensado sobre essa possibilidade de namorar garotas — expôs, voltando a ficar com as bochechas vermelhas.

Yoru sorriu.

— Não deboche de mim, nii-chan!

— Eu não estou. Só achei que você ficou muito kawaii envergonhada. Ficou tão sem graça que não soube bem o que fazer e suas bochechas ficaram vermelhas, exatamente como sua versão mais velha.

— Tá falando do meu otou-san?

— O próprio.

— É engraçado como você tem muito da personalidade do Naruto-otou-san, enquanto o Hikari-kun, mesmo sendo seu gêmeo, e não tendo nada da genética do meu pai, a cada dia que se passa, se parece mais com o ex-senhor-Uchiha.

— Não compare o Sasuke-otou-san com o Hi-chan, nii-san! Vai me deixar decepcionada.

Yoru sorriu mais uma vez e mudou de assunto ao avistar o estúdio de tatuagem.

— Então, é aquele lugar ali?

— Sim, ali mesmo.

— Então, vamos estacionar.

....

O treinador do time de basquete da escola encerrou o treino com um apito e dispensou o grupo de jogadores.

— Por hoje é só! Vamos recolher tudo e depois vestuário!  

— Ei, Hikari-kun. — Um dos colegas de Hikari se aproximou correndo e repousou a mão sobre o ombro dele. — Vamos nos reunir com a galera na lanchonete?

— Não dá. — Ele puxou o ombro de volta se livrando do toque do colega. — Tenho umas coisas pra fazer.

— Que coisas? Ouvimos falar que sua irmãzinha se disfarçou de você e até roubou sua namorada. Então compromisso com a namorada não é mais.

Hikari sentiu o sangue ferver e, no instante seguinte, havia se voltado para o colega e o apanhado pelo colarinho.

— Que merda é essa que você tá falando, hein, Kaneda?!  

O apito do professor soou estridente e rapidamente ele atravessou a quadra correndo, se aproximando do foco da briga e dos alunos que se aglomeravam para vê-la.

— O que está acontecendo aqui? — o professor perguntou, abrindo espaço para passar entre os alunos. Ao notar o garoto loiro grudado na camisa de outro moreno, pediu a ele: — Solte-o, Uzumaki.

Muito a contragosto, Hikari soltou da roupa do colega.

— Se falar merda de novo, vou quebrar todos os dentes da sua boca, Kaneda — ameaçou e saiu pisando duro.

Houve um murmúrio geral entre os presentes e o professor gritou para o aluno que se afastava.

— Espere que vou falar com você na saída, Uzumaki!

O outro aluno já ria vitorioso quando o professor também o advertiu.

— Se não quiser levar suspensão do time, é melhor não ficar de gracinhas, Hinohara.

— Mas foi ele quem me ameaçou, sensei! O senhor viu!

— Com certeza ele não fez em vão. Agora saiam! Todos vocês!

...

Hiroki havia acabado de entregar o relatório da reunião com o conselho na sala dos professores e seguia para saída da escola quando ouviu o que parecia uma discussão que vinha de um dos corredores que levava a ala de prática de esportes do colégio. Tomado pela curiosidade, aproximou-se devagar de um pilar, se escondendo atrás do mesmo e expondo apenas metade do rosto para o corredor. Conseguiu ver o professor de Educação Física e técnico do time de basquete da escola, bronqueando com um aluno que estava encostado na parede, a mochila pendurada apenas por uma alça no ombro.

O coração de Hiroki disparou ao reconhecer Hikari. Mas temendo ser visto, se recolheu e ficou apenas encostado ao pilar tentando ouvir o que se passava.

— Você sabe que estamos às vésperas de um grande campeonato e que um princípio de discussões agora irá desunir o time e causar desequilíbrio.

— Hai, hai.

— “Hai, hai!” uma ova, Uzumaki! Você é um dos meus melhores jogadores e eu estava até cogitando a ideia de você ser o próximo capitão do time, já que o Satoru se forma esse ano! Mas se continuar com essas atitudes geniosas, terei de ir atrás de outras opções.

Hiroki até tentou, mas a voz do professor começou a ficar longínqua e ele não conseguiu mais compreender o que eles falavam, o tamborilar do seu coração parecia tão alto que teve a impressão de que eles o ouviriam e acabou ficando paralisado de tão nervoso.

Mas foi capaz de ouvir quando o professor se despediu com “Vou esperar mesmo que melhore!” e depois disso passou por ele rapidamente, sem notar que estava ali. Retesou-se por inteiro ao pensar que Hikari também passaria por ali e começou a suar frio só de imaginar que ele o perceberia. Porém, diferente do que imaginava, esperou, mas ele não apareceu. Ficou preocupado, pensando que ele estaria depressivo ainda no corredor e criando coragem, tornou a espiar o corredor expondo só metade do rosto, mas o corredor mais adiante estava vazio. Contudo, sentiu um calor em suas pernas e ao olhar para baixo deparou-se com o topo de uma cabeça muito loira.

— Está me procurando?

— AHHHHHHHHHHHHHH! — Hiroki gritou de susto.

— Nossa, você grita como uma garota, Quatro-olhos — Hikari levantou-se e retirou os dedos que enfiara no ouvido.

Hiroki se encostou à pilastra, como se quisesse ultrapassá-la. Seu peito ia para frente e para trás, devido a respiração desregulada. Mas, diferente do que imaginara, Hikari não parecia chateado pela bronca do professor, ele estava com sua expressão comum de indiferença; até passou uma das mãos pela franja, retirando-a do olho.

— Está parecendo um fantasma — o adolescente loiro comentou, se aproximando do rosto do amigo da irmã e retirando dele os óculos ao apanhá-lo pela armação entre as duas lentes.

— N-n- não, Hi- Hi- Hi-kari-kun... E- eu- eu não enxergo...

— E agora? — Hikari perguntou, encostando sua testa na do amigo de Bara. — Consegue me enxergar?

Hiroki não foi capaz de responder porque seu cérebro parou de funcionar naquele instante. Sua mente apenas captava o que seus olhos viam, cada nuance diferenciada dos tons de azul que compunham a íris dos olhos de Hikari; o hálito quente dele que tocava sua boca e as batidas disparadas de seu coração. Não entendia o que se passava pela cabeça do irmão de Bara. Desde que se conheceram por meio dela, Hikari o tratava com desprezo na frente dos outros, o discriminava, tirava sarro, mas sempre que ele tinha uma oportunidade, normalmente quando estavam sozinhos, ele mexia consigo daquele jeito diferente. Divertindo-se em provocá-lo.

— N- n- não b- b- brinque c- comigo, Hi- Hi...

O garoto não completou seu raciocínio porque Hikari segurou seu queixo.

— Um dia vou curá-lo dessa sua gagueira irritante.

— C- C- Como?

— Talvez... Assim.... — Hikari inclinou-se e seus lábios rumaram em direção aos do garoto.

Kinizuna teve certeza, como se fosse um sonho, estava prestes a receber seu primeiro beijo dos lábios de Hikari. Fechou os olhos e aguardou.

Mas não aconteceu, porque o som do celular de Hikari irrompeu o ambiente e ecoou pelo corredor vazio, fazendo-o recuar uns passos para trás e retirá-lo do suporte de tela da mochila.

— Hai? — ele atendeu.

— Aonde você está, Hi-chan? Precisamos da sua ajuda para os preparativos do jantar de aniversário de casamento dos nossos pais. O Yoru-nii-chan vai jantar com a gente hoje!

— Urusai! Você é muito barulhenta, Bara. Eu estou na escola ainda.

— Ainda?!

— Fala pra ele ficar lá na frente, passo lá pra pegá-lo.  

— O Yoru-nii...

— Hai, hai! Eu já ouvi. — Ele desligou na cara da irmã e voltou a se aproximar de Kinizuna, somente para recolocar os óculos. — Pronto. Cara de nerd-imbecíl novamente.

— A- ari- arigatô — ele disse, ajustando os óculos no rosto.

— Não vai embora?

— E- eu- eu ainda pre- preciso, en- entregar os re- re-...

— Ah! Esquece. Não me interessa o que você vai fazer. Estou indo. Ja ne.

Assim que Hikari ultrapassou a porta de saída, ele deslizou as costas na pilastra até alcançar o chão e se sentar, relaxando finalmente.

— A verdade é que eu já entreguei os relatórios do conselho, mas não poderia falar pra ele que não posso sair do lugar porque as minhas pernas não me obedecem... Hikari-kun... por que você faz isso comigo?

...

Hikari ajudava Naruto a terminar o jantar enquanto Bara via pelo tablet de Yoru as fotos da viagem que ele fizera ao Egito no recesso da faculdade.

— Por que eu tenho que ajudar com o jantar enquanto a Bara fica fazendo sala pro meu irmão? — o garoto reclamou para o pai pela terceira vez.

— Eu já expliquei que sua irmã fez uma tatuagem e não poderá fazer esforços por uma semana para evitar que inflame.

— Ela comete um ato de rebeldia e ainda recebe tratamento de rainha? Isso é tão injusto!

— Chega de reclamar no meu ouvido, Hi-chan!

— Não me chame assim você também, otou-san.

— Então, pare de repetir a mesma reclamação de cinco em cinco minutos!

De onde estava sentada no sofá, Bara espiou a cozinha por cima do ombro e deu uma risadinha ao ouvir as reclamações do mais novo. “Isso é mais do que bem feito por você ter feito minha amiga sofrer, Hi-chan!”.

Yoru sorriu para a expressão travessa que a irmã fazia e no momento seguinte a viu ficar de pé, pois o barulho da garagem eletrônica se abrindo e se fechando denunciava que o outro chefe da família estava chegando.

— Vem, Yoru-nii-chan! — ela o chamou para que ambos o recepcionassem.

E assim que Sasuke abriu a porta ouviu o coro dos dois filhos que estavam curvados perante a entrada.

— Okaerinassai, outo-san.

Pego de surpresa, Sasuke demorou alguns segundos observando-os antes de responder.

— Tadaima — disse e retirou os sapatos, deixando-os na soleira da porta, adentrando a casa somente de meia. — Você aqui? — dirigiu-se ao filho mais velho.

— Convite da minha querida imoto-chan — ele respondeu, sorrindo para o pai com os olhos e os lábios estreitados.

Sasuke não gostava daquele sorriso, o qual certamente Yoru aprendera com o jeito debochado do marido da mãe dele — Sai —, mas não disse nada, não queria soar mal-humorado em um dia de comemoração.

— Está quase tudo pronto — Naruto anunciou, aparecendo na passagem da sala de jantar, usando avental e uma bandana na cabeça, a pele brilhando devido ao suor provocado pelo vapor das panelas e as bochechas coradas. — Okaeri. — disse, abrindo seu grande sorriso para Sasuke, fazendo com que o marido ficasse levemente constrangido e murmurasse um “Tadaima” quase inaudível.   

Yoru e Bara sorriram ainda mais.

— Vou subir e tomar um banho rápido, já desço.

— Hai! — Bara respondeu para o mais velho que já subia as escadas, enquanto via o pai loiro retornar para a cozinha.

— O tempo passa, mas eles ainda parecem um casal de jovens recém-apaixonados, não é mesmo, Bara-kun?

— Sim! — ela respondeu com orgulho. — E é graças a esse amor que me sinto a filha mais amada da face da Terra...

E na mesa, depois do jantar, Bara prosseguiu com o discurso.

— E é em homenagem a esse amor, que faz aniversário hoje, que decidi fazer essa tatuagem.

Bara se levantou, ficou de costas, puxou a gola da camisa, que já era alargada, e expôs a tatuagem que estava levemente avermelhada.

Tanto Naruto quanto de Sasuke entreabriram os lábios surpresos ao finalmente visualizarem a tatuagem da filha e qual era sua finalidade.

O desenho havia sido feito um pouco abaixo da nuca e consistia em um símbolo e dentro deles os Kanjis “NARU” que iniciava o nome de “Naruto” e “SASU” que iniciavam o nome de Sasuke.

— Mas por que o número oito invertido? — Naruto perguntou, demonstrando alívio ao notar que a tatuagem da filha era mesmo algo discreto como ela alegara.   

— Não é o número oito — Sasuke interpôs. — É o símbolo do infinito.

— Isso — Bara assentiu, voltando-se para eles com um sorriso grande no rosto. — Significa basicamente: “Naruto e Sasuke eternamente”. Feliz aniversário de casamento, papais. 

Continua...


Notas Finais


Yoru-kun finalmente apareceu. Alto, elegante, forte, uma cópia perfeita do pai, se não fosse o adendo dos lindos olhos verdes, e inda gosta de provocar o padrasto, né? ;) Algumas coisas não mudam com o passar do tempo.

Naruto sendo Naruto ao confundir o símbolo do universo com o número oito. xD

Para quem ficou em dúvida de como é a tatoo, fiz uma montagem um tanto tosca, ela está aí embaixo, mas que dá para terem ideia do que eu quis mostrara. Espero que tenham curtido o capítulo. Comentem! ;)

Até o próximo! o/


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