História Pintando O Sete - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Ino Yamanaka, Iruka Umino, Kakashi Hatake, Naruto Uzumaki, Personagens Originais, Sasori, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara
Tags Família, Naruto Yaoi, Romance, Vida Escolar
Visualizações 118
Palavras 4.253
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 6 - Hikari - Parte 3


Pintando O Sete

Revisado por Blanxe

Capítulo 06 - Hikari - Parte 3

Os flashes das máquinas fotográficas o estavam cegando. Tanto, que sentia suas pupilas dilatarem. Ergueu a mão diante do rosto a fim de evitar ser ofuscado, mas não foi suficiente. Sentiu-se tonto, repousou a mão na testa, depois seguiu massageado o pescoço até chegar à nuca. Abaixou o rosto e as franjas loiras caíram-lhe na lateral como um véu encobrindo parcialmente a beleza do rosto bem maquiado. O calor estava aumentando e ficando insuportável. Na verdade, sentia um fogo se alastrando por sua pele. Correu a mão da nuca para o ombro e desceu a manga fofa do vestido até parte do seu peito ficar descoberto, expondo um dos mamilos. Os disparos de máquinas fotográficas e das câmeras de celulares aumentaram na mesma proporção que a balburdia à sua volta. Seus pensamentos estavam lentos, desconexos, não conseguia discernir onde estava, porque estava sentado no chão e muito menos o motivo de tanto caos.

— Urusai[1]... — resmungou baixinho, incomodado com o barulho que aumentava os ecos em sua cabeça. — Urusai, urusai, urusai... — repetiu seguidas vezes, mas sua voz saíra mais baixa que um sussurro, sentia o hálito quente, os lábios ressequidos. Passou a língua para umedecê-los e, novamente, ouviu aqueles gritinhos estridentes ecoarem dentro do seu cérebro.

— O que está... acontecendo afinal?

Um dos componentes do time de basquete da escola abriu caminho entre o aglomerado de alunos e, ao ver o motivo do tumulto, arregalou os olhos e entreabriu os lábios, chocado. Logo os outros rapazes do time surgiram atrás do primeiro e a reação foi seguindo a do primeiro.

— É o Hikari-kun?! — perguntou um deles, o rubor ganhando seu rosto.  

O loiro estava sentado no chão com as pernas dobradas na lateral do corpo, revestidas por uma meia de tela preta que ia até o meio das coxas. O vestido de Maid era estranhamente curto e estava totalmente desalinhado. Os cabelos loiros de Hikari estavam enfeitados por uma tiara de renda, e o mais estranho era a expressão que o colega de time exibia no rosto bem maquiado.

— É lógico que o é o Hikari, idiotas. Será que não sabem diferenciar um corpo feminino de um masculino? — o rapaz na frente do grupo bronqueou com os demais e aproximou-se do loiro, apanhando o queixo do colega e o erguendo, para visualizar melhor seu rosto. — Hikari, o que está... — Mas as palavras se perderam no meio do caminho assim que o rapaz se deparou com expressão luxuriosa que Hikari exibia.

As bochechas dele estavam vermelhas, os olhos desfocados lacrimejavam e a respiração que saía entre os lábios semiabertos, vermelhos e umedecidos, estava entrecortada. Não conseguiu evitar aquele comprimir no estômago. Hikari parecia excitado e, se não estivesse louco, a ponto de entrar em êxtase. “Deus. Ele está parecendo uma linda e sexy garota de filme erótico” o rapaz engoliu em seco ao pensar aquilo, apesar de ter certeza que era apenas seu colega de time.

Havia algo evidentemente errado, deduziu. Conhecia Hikari bem o suficiente para saber que ele não estava em seu estado normal, parecia dopado ou bêbado.

— Eu preciso registrar isso — um dos garotos atrás do primeiro comentou, apontando a câmera do seu celular para o loiro no chão. Porém, o que estava na frente o impediu, encobrindo o aparelho com sua mão.  

— Você está maluco, Kaneda? Guarda essa merda já.

— Mas, Hayate-taishou...

— Deixem-me passar, deixem-me passar! — A voz de Bara pedia, já irrompendo entre os alunos amontoados.

Depois de muito esforço ela surgiu no centro da roda. Bara vestia calça jeans, a blusa e o crachá de staff do comitê organizador do Festival Cultural da Escola. Giovana surgiu em seguida ao seu lado, apontando para o irmão dela no chão.

— Não te falei, Bara-chan. Viu?

— Hi-chan?! — ela gritou, encobrindo a boca com as duas mãos ao ver o irmão naquele estado. Então ela voltou-se para o grupo de alunos e abriu os braços, encobrindo o irmão e demandando: — Parem com isso! Parem agora de tirar fotos. Vocês não têm vergonha?

— Quem deveria ter vergonha é o depravado-hentai do seu irmão que está se expondo desse jeito.

— O Hi-chan jamais faria algo assim em seu estado normal. É óbvio que aconteceu alguma coisa — ela o defendeu e se voltou para o irmão e os rapazes do time, que pareciam estar ali para ajudar Hikari também. — Precisamos levá-lo para enfermaria.

Mal fechou a boca e o rapaz que estava na frente dos outros pegou o braço de Hikari e o puxou, tentando colocá-lo de pé.

— Vem, Hikari — pediu Hayate.

Ao ser puxado, Hikari procurou se esforçar para se colocar de pé, mas assim que ficou ereto, sentiu suas pernas tremerem e não conseguiu se sustentar, voltando a cair sentado no chão.

— M- minhas pernas n- não obedecem...  

Hayate observou seus colegas de time e as duas meninas o encararem, e logo deduziu o que se passava em suas mentes.

— Não, eu não vou fazer isso. Esqueçam.

— Você é o mais forte do time, capitão — observou um deles.

— Por favor, Taishou? — Bara pediu, fazendo o rapaz se sobressaltar e ficar com o rosto vermelho ao ver pela primeira vez a irmã de Hikari com uma expressão desesperada no rosto, o que, na visão dele, deixou-a mais encantadora.

O capitão coçou a cabeça, suspirou e então se decidiu. 

— Merda, eu sei que vou me arrepender disso mais tarde ­— reclamou, mas se agachou e apanhou Hikari no colo.

Assim que o levantou, sentiu o loiro envolver seu pescoço com os braços e encostar a cabeça no espaço entre seu ombro e seu pescoço. Imediatamente, seu rosto inteiro se abrasou e o coração disparou. Houve novos murmúrios de excitação de meninas que presenciavam a cena.

— Merda, merda! Eu vou passar a odiar gêmeos de agora em diante. Que merda! Precisam ser tão parecidos assim?

— O- Obri- obrigado, tai- taishou... — Hikari resmungou, gaguejante.

— Cale-se! E não respire esse hálito quente no meu pescoço. Se você me deixar sexualmente confuso, Hikari, eu juro que irá arcar com as consequências.  

Bara pulou e deu uma pancada na cabeça do capitão do time de basquete com a prancheta de ocorrências que ela trazia na mão.

— Pare você de ficar excitado com meu irmão, Taishou-kun! E leve logo o Hi-chan pra enfermaria.

— Ai, ai... Uzumakis... — resmungou entre os dentes. — Barulhentos, mandões, reclamões. Por que são tão atraentes e tão chatos ao mesmo tempo?!

— Mexa-se! — ela ordenou e o capitão achou melhor obedecer antes que levasse outra pranchetada na cabeça.

— Gi, você não — Bara impediu a amiga que havia dado a entender que os seguiriam. — Fique. Eu preciso da sua ajuda.

Giovana tentou esconder o ar de decepção que a assolou ao perceber que não poderia mais usufruir daquela visão fascinante que era ver o Hikari de crossdressing. Sabia que não teria outra chance, entretanto era a amiga para todas as horas, e estar do lado de Bara era sempre sua prioridade.  

— Você quem manda, Bara-chan.   

O restante do grupo quis se dispersar, mas Bara os impediu.

— Vocês todos, esperem um momento! Eu quero pedir um favor: apaguem as fotos e os vídeos que fizeram do meu irmão em seus celulares e câmeras. Se essas imagens vazarem e pararem na internet, não é só ele quem vai ter problemas, mas eu também. Somos gêmeos e podem achar que a pessoa em pose erótica no meio da escola sou eu — ela apontou pra si mesma. — De qualquer forma eu não estou preocupada comigo. Eu sou forte para suportar muita coisa. Mas meu irmão nem tanto. Eu não sei qual será a reação dele se essas imagens vazarem. Eu li que em alguns lugares do mundo, adolescentes que têm suas imagens expostas tomam atitudes drásticas. E eu sei bem como o Hi-chan é orgulhoso. Ele pode não suportar a pressão de ser chacoteado e fazer algo idiota. Além disso, vocês confirmaram com seus próprios olhos, o Hikari não está em seu estado normal. Aconteceu algo de errado, isso é evidente. Até investigarmos para descobrir de quem é a culpa, eu imploro, por favor... — ela juntou os braços ao longo do corpo e se curvou para frente. — Apaguem essas imagens.  

Enquanto Bara discursava Giovana enviava uma mensagem para o Kinizuna: “Kinizuna-kun, corre pra enfermaria, agora!”.

...

Assim que entrou na enfermaria e depositou Hikari sobre a maca o capitão do time se afastou do loiro, não deixando de notar a roupa dele mais desalinhada, expondo as pernas e até parte do bumbum revestido por uma cueca comum. Tentou desviar a atenção procurando pelo enfermeiro dentro da sala, mas não o encontrou.

— Droga, o que te deram pra você ter ficado desse jeito, idiota?

— N- não sei, taishou... Mas estou me sentindo quente, eu preciso tirar essa roupa... — Hikari se sentou na maca e virou as costas para o capitão, pedindo: — Abra, por favor...

O capitão arregalou os olhos e não foi capaz de evitar sua mente processar aquela cena como se estivesse dentro de um anime erótico. Não estava interessado nenhum pouco em fazer aquilo, e deu graças aos céus quando alguém entrou na sala.

— Hi- Hikari-kun, dai- daijoubu[2]?

Ao invés de ser sua salvação, a pessoa que entrou na enfermaria piorou a situação. Era outro garoto, vestido de Maid também, mas diferente de Hikari que vestia um uniforme preto com branco, com detalhes em renda, o outro garoto usava um vestido preto com detalhes em branco e lilás.

— Mas que merda tá acontecendo aqui?

O garoto não deu muita atenção para o capitão; passou por ele rapidamente, e se sentou na maca ao lado de Hikari.

— Hi- Hikari-kun?

— Kinizuna? — Hikari virou e tocou o rosto do colega que havia sentado próximo a ele e o encarava com um ar preocupado. — Eu estava mesmo querendo ver você, Kinizuna.

— M- me ver?

— Sim. Estava pensando... Que tal a gente terminar o que começamos no banheiro de casa antes do meu oyaji[3] nos interromper aquele dia, hm? — ele apanhou o punho do amigo de Bara e forçou a mão dele repousar sobre sua perna, um pouco embaixo da saia do vestido. — Vou deixar você guiar... 

Onoda Hayate tentou, mas não conseguiu evitar o sangue que escorreu por suas narinas[4].

...

Bara e Giovana chegaram à enfermaria e encontraram o capitão do time sentado no chão, encostado à porta fechada. Ele tinha algodões enfiados nas duas narinas, um rosto muito vermelho e a expressão contrariada. Assim que ele viu as duas garotas se aproximando, se ergueu e limpou as calças na parte traseira.

— Meu irmão tá legal, Taishou? — Bara perguntou, notando a diferença de altura entre ela e o capitão ao ter que arquear um pouco o pescoço para trás para olhar Hayate nos olhos.  

— Não quero mais saber, mas acredito que esteja.

— Para que a grosseria? E qual é a dos algodões no nariz?

O rapaz encarou Bara por um segundo. Ela vestia calça jeans, tênis, os cabelos curtos e a camisa de Staff; apesar de mais baixa que Hikari, ela tinha os trejeitos bem masculinos, então coçou a cabeça e suspirou fundo.

— Sério. Não sei quem é mais andrógino, se é você ou seu irmão. De qualquer forma, espero que arquem pela confusão que criaram na minha cabeça. — Ele passou pelas duas, e ainda repousou a mão sobre a cabeça de Bara, fazendo um movimento a fim de bagunçar os cabelos dela. — Minha cota de Uzumaki por hoje já deu, se não terei uma overdose, tô indo nessa. Tchau, baixinha. Tchau, Morita-san.

Giovana fez somente uma breve reverência com a cabeça enquanto Bara sentia o rosto ferver de raiva.

— Quem é baixinha, Taishou? Você que é um gigante!

A amiga de Bara sorriu e o riso incomodou a loira.

— Gi-chan, sua traíra.

— Não pense mal de mim, Bara-chan. Não estou rindo sobre você ser baixinha. Isso é um adendo que a torna mais fofa ao meu modo de ver.

— Hm. Sei — ela desconfiou, arqueando uma das sobrancelhas. — O que é então?

— Vai dizer que não percebeu?

— O que? Desembucha, Gi.  

Giovana olhou para trás, para ter certeza que o rapaz do time de basquete já havia desaparecido, e ao confirmar o corredor vazio, ela expôs.

— Acho que logo teremos um romance.

— Hã? — Bara arqueou a outra sobrancelha. — De quem?

— Viu? Eu digo que pra certas coisas você não é tão ligada quanto parece.

— Ah, Gi-chan? Chega de enigmas, vamos entrar. Estou preocupada com o Hi-chan, depois a gente conversa melhor.

— Ok.

Assim que elas entraram viram Kinizuna sentado em uma cadeira ao lado da cama de Hikari, que parecia em sono profundo.

— Hiro-chan?

— G- Giovana-san, B- Bara-chan!

— Como está meu irmão?

— P- parece q- que agora ele está bem. E- está dormindo. Eu t- tirei as roupas de Maid. E- ele disse que estava sentindo muito calor. — O adolescente apontou para a roupa dobrada em cima da mesa do enfermeiro.

— Opa, quer dizer que Uzumaki Hikari está indefeso e nu como veio ao mundo debaixo desse lençol? Hm, deixa eu achar meu Smartphone aqui na bolsa.

— Gi-chan!

A garota riu e mostrou a língua.

— Brincadeirinha, Bara-chan. Só estou brincando. Vocês levam tudo a sério demais.

— E o enfermeiro? — Bara perguntou para Hiroki.

— A- acho q- que ele já f- foi, a- afinal o festival já terminou.

— Nesse quesito tivemos sorte. Eu e a Gi-chan tentamos convencer o pessoal apagar as fotos que eles tiraram do Hi-chan. Não sei se todo mundo o fez, mas parece que se sensibilizaram com o meu pedido.

— A sorte é que estamos no finzinho do festival e a maioria dos visitantes já foram embora. Se não a coisa ficaria fora do nosso controle — Giovana justificou. — O que houve com o Hikari-kun, afinal? Você sabe nos dizer, Kinizuna?

O garoto baixou a cabeça e encarou os pés, gesto que por si só foi suficiente para as duas garotas puxarem cadeiras e sentarem em volta dele.

— Abre o bico — comandou Bara. — Você sabe.

— M- mais o- ou menos.

— Estamos ansiosas para ouvir — Giovana apoiou os cotovelos em cima das coxas e o rosto sobre as mãos.

Kinizuna suspirou fundo e então começou a explicação.

Durante toda aquela manhã ele atendeu no Café de Empregadas reverso da sua sala, e no início do turno da tarde foi dispensado. No entanto, havia recebido um recado que a presidente do conselho queria vê-lo na sala do conselho, ela havia feito uma ressalva: para ele ir fantasiado. Na hora ele entendeu que ela queria vê-lo vestido de Maid e por algum motivo ela não estava conseguindo sair da sala do conselho para ir até o Café da sua sala.

Obviamente, Kinizuna não queria andar pela escola lotada fantasiado, e por isso trocou de roupa e levou o vestido com ele. Mas ao invés de ir direto para sala do conselho, sua curiosidade em ver Hikari o fez desviar um pouco o percurso para passar de frente da sala do 2º E.

Foi chegar à sala e a fila enorme que tinha na entrada o desanimou. Estava desistindo quando ouviu gritinhos eufóricos e, no instante seguinte, viu Hikari sair pela porta da sala vestido elegantemente de mordomo. Ficou paralisado.

— Hikari-kun, aonde pensa que vai? — perguntou uma garota que saiu atrás dele.

— Eu estou cansado, Chiharo — replicou ele. — Já fiquei a manhã toda. São mais de duas horas da tarde. Eu não vou ficar a tarde inteira trabalhando não. Já fiz minha parte, tchau.

— Mas você é a grande estrela do Café! Se você for embora agora nossas vendas vão despencar.

— Isso já não é da minha conta.

— Hikari-kun, seu maldito, egoísta, volte!

A fila começou a se dispersar assim que as garotas notaram que Hikari não iria voltar, então algumas delas tentaram alcançá-lo e com seus rostos vermelhos e falas gaguejantes, tentaram pedir para que ele tirasse fotos com elas.  Hikari coçou a cabeça, sentindo seu estômago prestes a roncar. Havia apenas tomado o café da manhã, estava faminto.

Kinizuna, ao perceber que o loiro não queria ceder, resolveu interceder por ele.

— Hi- Hikari-kun, v- você está sendo chamado no Conselho Estudantil.

As meninas em torno de Hikari resmungaram e ele abriu um grande sorriso. Era a segunda vez que estava sendo salvo por Kinizuna.

— Ah, desculpe, meninas. Vai ter que ficar para uma próxima. Vamos, Kinizuna!

O loiro apanhou o punho do outro e os dois saíram correndo rumo ao prédio do Conselho Estudantil, enquanto os resmungos das meninas ficavam distantes.

Quando já estavam longe do alcance delas, eles diminuíram a corrida e passaram a caminhar normalmente. Kinizuna que não era esportista teve que parar pra tentar recuperar o fôlego.

— N- não precisávamos correr tanto.

— Mas aquelas garotas são irritantes, elas iriam nos seguir até onde conseguissem — ele observou, e então se voltou para Kinizuna, que estava curvado com as mãos apoiadas um pouco acima dos joelhos. — Mal te paguei um favor e já estou devendo outro, né, Quatro-Olhos?

— N- não está... — Kinizuna apressou-se em alegar, mas Hikari já estava a poucos centímetros do seu rosto, quando ouviram a porta de correr do outro lado se abrindo.

— Ei, aqui não é lugar para...  — Tomoko, a presidente do Conselho, parou de falar ao ver de quem se tratava, então ajeitou os óculos no rosto e se aproximou dos dois rapazes. — São vocês que estão fazendo o Café Reverso? — A jovem sequer esperou a resposta e já foi exclamando: — Que lindos! O que estão esperando pra entrar? — ela pegou no punho de um e de outro e puxou-os para dentro da sala, fechando a porta.

— Kinizuna-kun, cadê sua roupa?

— T- tá, tá aqui, T- Tomoko-san — ele ergueu a roupa que estava pendurada em um cabide e protegida por uma capa preta de lavanderia.

Ela bateu palmas, eufórica.

— Eu queria ter ido ao Café e ter sido atendida por vocês, mas não teve como. Este ano o Festival está tendo mais ocorrências estranhas do que o normal. Tivemos que fechar e recolher os produtos de um Café que estava vendendo um chá que causa uns efeitos esquisitos nas pessoas. Parece que um dos alunos trouxe da franquia que o pai administra. O problema é que nem o garoto sabia que tipo de produto era esse e que ele causava uns sintomas anormais em quem consumia.

A presidente suspirou e os dois garotos se entreolharam.

— Bem, isso não importa. Podem entrar naquela sala ali e se trocarem. E você? — ela olhou Hikari. — Está lindo de fraque, mas cadê sua roupa de Maid?

— Do que você está falando? — Hikari franziu as sobrancelhas.

— Ele é do 2º E, T- Tomoko-san.

— A sala da Giovana? Ah, sim. Agora que percebi que seu rosto não é estranho. Você é o Uzumaki Hikari, irmão da Uzumaki-san, né? Lá estão fazendo um Café de Mordomos. Que chato. Você tem um rosto tão bonito quanto da sua irmã. Acho que ficaria fofo de Maid. Ah... — Ela deu um soquinho na própria mão. — Eu tenho algo que foi confiscado de outro Café. Espera. — Tomoko abriu a porta de um dos armários de aço da sala e tirou de dentro dele uma fantasia em um cabide. — Veja isso, que lindo! O 3º F está fazendo um Café de Maid Gótica, mas essa roupa está fora do padrão porque é um tanto sexy, tivemos que recolhê-la. Mas o tamanho é G, acho que irá cair como uma luva em você Uzumaki-kun.  

Hikari riu e se voltou para Kinizuna.

— Essa garota não bate bem, né? — ele comentou, fazendo também um gesto de loucura ao girar o dedo ao lado do ouvido. Então ele andou pela sala e acomodou-se no sofá diante de uma mesa com diversos tipos de comida e bebida. — Uau! Isso é o que eu estava procurando. Vocês do Conselho têm mesmo uma vida boa, né?

Tomoko colocou as mãos na cintura, percebendo-se afrontada.

— Trabalhamos muito, isso sim — retrucou. — E essa comida são amostras do que estão vendendo no Festival. Precisamos estar a par de tudo que é distribuído.

— Estou vendo — Hikari observou, enchendo a mão com vários tipos de salgadinhos que tinha em uma bandeja. — Hmm, isso tá ótimo. Fiquem a vontade, finjam que não estou aqui.  

A presidente olhou para Kinizuna.

— O- onde m- mesmo que posso me trocar?

— Vem, eu te mostro.

De volta ao momento atual.

— D- demorei a me trocar porque eu queria que a presidente batesse fotos de mim s- somente ali, na s- sala individual que estávamos. M- mas ela insistiu que eu deveria t- tirar fotos com o Hi- Hikari-kun, e- então v- voltamos pra sala. E q- quando chegamos lá, o Hi- Hikari-kun não estava. A roupa d- dele de mordomo estava em cima do sofá e o a- armário onde estava o outro v- vestido estava aberto e havia uma x- xícara de chá tombada na m- mesa.

— Eu acho que já entendi. Ele tomou o tal chá com propriedades estranhas que recolheram do outro Café? — Giovana sugestionou.

— S- sim. Ele deve ter feito o chá sem p- perceber.

— E que chá é esse? — quis saber Bara.

— Um chá a- afrodisíaco — Kinizuna explicou, ficando com as bochechas vermelhas.

— Deus do céu! Como alguém trouxe isso para escola?

— O chá t- tem efeito i- imediato e- e dura seis horas seguidas. A Tomoko-san ligou p- para o fabricante e d- descobriu o- outro chá que anula o efeito d- desse, m- mas que dá s- sono. O Hi- Hikari-kun só vai acordar amanhã.

Bara soltou os ombros.  

— Eu vou ter que chamar meus pais. — E se levantou.

Mas bastou Kinizuna e Giovana trocarem olhares, para impedir a amiga de sair da sala, interceptando-a pela frente e falando ao mesmo tempo.

— Espere, Bara-chan.

— Que sincronismo, hein? O que foi?

Menos constrangida, foi Giovana quem explicou.

— Seu pai Naruto é gente boa, Bara-chan. E é capaz de entender tranquilamente o que houve. Mas, conhecendo o pouco que conhecemos do seu pai Sasuke, ele vai achar que o Hikari-kun aprontou toda essa confusão de propósito. E pode vir com aquela história louca de mandá-lo para o colégio militar, não é?

Bara fixou seus olhos nos castanhos claros da amiga, depois coçou o queixo, pensativa. Olhou o amigo Kinizuna, em seguida voltou para o irmão que dormia pesadamente na maca. Internamente, ela sorriu contente. Eram amigos dela, mas haviam se tornado defensores exímios do irmão.   

— Concordo com vocês, o que sugerem?

— Seu irmão Yoru. Ele mora sozinho, né?

...

Bara chegou em casa, largou os sapatos e a bolsa na soleira da porta e pisou descalça no reluzente chão de taco da entrada. Ela consultou a hora no relógio de parede. Já passava das dezoito. Não tivera problema com o irmão mais velho, que ligou para os pais informando que Hikari iria passar a noite no apartamento dele para que pudesse ajudá-lo a estudar para as matérias nas quais ele estava tendo dificuldade e as quais ele teria prova na semana seguinte.

Ela viu o facho de luz da sala iluminando o hall e deduziu que tinha alguém ali, entrou sorrateiramente e sorriu abertamente ao ver os cabelos negros do pai. 

— Tadaima[5], otou-san — disse de mansinho, levantando o braço que ele tinha repousado na perna, para acomodar-se no colo dele. O pai estava corrigindo provas.

— Okaeri, princesa — respondeu Sasuke, dando um beijo na testa da filha. — Como foi o festival? — perguntou, largando as provas na mesa para ter os braços livres para envolver a filha.

— Cansativo. E o pai Naruto?

— Enfrentando fila de supermercado para pegar uma promoção de carne.

— Ah... — ela revirou os olhos. — Vocês trabalham demais. Quase não têm tempo de dar colo para a filhinha mais linda e amada de vocês.

— O que foi? Estou sentindo que está meio carente, não é do seu feitio. Aconteceu alguma coisa?

A pergunta do pai fez Bara pensar nos amigos e no empenho deles em proteger Hikari. Não queria sentir aquilo que estava sentindo, achava um sentimento ruim, egoísta, sem sentido. Mas a verdade era que não conseguiu evitá-lo, estava começando a sentir ciúmes dos amigos com o irmão.

— Não sei. Hoje quero colo, posso, papai?

Sasuke sorriu e acariciou a cabeça da filha.  

— Não precisa perguntar, minha princesa. Nem precisa perguntar.

Continua...

[1] Urusai: Fique quieto, silêncio, cale-se.

[2] Daijoubu (japonês): Você está bem?

[3] Oyaji (japonês): uma maneira informal de chamar “pai”, normalmente traduzido para o português como “velho”;

[4] No Japão, sangramento nasal é sinônimo de excitação.

[5] Tadaima: Estou de volta, ou “cheguei”. Okaeri: “Seja bem vindo de volta”.


Notas Finais


Feliz ano novo, minna-san!! /o\

Tá, é estranho dizer isso em pleno no dia 02 de fevereiro, mas dizem que o ano só começa pro brasileiro depois do carnaval, que nesse ano, será em março, então, eu até que estou adiantada se parar pra pensar. :D

E o final de ano de vocês, como foi?

O meu foi bem conturbado, tivemos visitas inesperadas em casa e tive que forçar um recesso nas atualizações das fics. Até porque, também, essa é a época que trabalho nas fics de amigo oculto, que passando o período de restrição, poderei postar por aqui.

Mas, antes de qualquer coisa, vou voltar a pedir, por favor, deixem reviews. Eu não estou brincando quando digo que as reviews são o alimento necessário para que o autor continue escrevendo. É a pura verdade. Quando posto um capítulo e passam-se dias sem que eu receba uma review eu fico decepcionada, porque acho que a história tá um lixo tão grande que ninguém se dá ao trabalho de mandar um feedback.

Pintando O Sete está com 77 acompanhamentos e eu recebi durante dois meses que o último capítulo ficou postado somente 7 reviews. Todas de amigos.

Não receber reviews dói e dói muito, minna-sama. Não vou mentir pra mim mesma dizendo que as reviews não importam e que eu escrevo só por prazer. Se fosse só por isso, eu não publicaria. Então, se você gosta da história, se você perde um pouco do seu tempo para lê-la, deixe um feedback ao terminar de ler o capítulo, pequeno que seja, você não tem ideia do quanto esse pequeno gesto motiva um autor. Não precisa olhar as reviews postadas e se intimidar achando que não vai escrever reviews tão boas ou tão grandes, eu só quero saber o que você achou do capítulo, termine de ler e comente como se fosse fazer com uma colega: “Gostei da cena tal, odiei a cena tal, espero que no próximo capítulo aconteça isso” simples, pronto. E será através desse feedback que vou me animar para escrever o próximo capítulo, que saberei o que posso melhorar, acrescentar, tirar, aumentar, diminuir, então não deixe um autor morrer, faça uma review! É isso. Apelo feito, mais uma vez.

Agora chega de choradeira. :P

Bom domingo a todos!

Vejo vocês no próximo! o/


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