História Fangirl-ily - Capítulo 17


Escrita por: ~

Postado
Categorias Harry Potter
Personagens Lílian Evans, Tiago Potter
Tags Black, Dorcas, Evans, Fanfics, Fanfiction, Geek, James Potter, Jily, Lily Evans, Lupin, Marauders, Marlene, Mckinnon, Meadowes, Moony, Padfoot, Potter, Prongs, Remus, Remus Lupin, Sirius, Sirius Black, Tumblr, Twitter, Youtube, Youtuber, Youtubers
Visualizações 174
Palavras 4.326
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 17 - Epílogo


 

[QUATRO ANOS DEPOIS - 27 DE DEZEMBRO, 2020]

Lily caminhava apressada por entre as ruas cobertas de neve de Hogsmeade. Era o último domingo de dezembro e estava particularmente frio, portanto não havia muitas pessoas na rua, apesar de ser cedo da tarde.

Ela parou em uma cafeteria a duas quadras de casa – não exatamente casa, mas sim casa do James (embora ela passasse a maior parte de seus dias e noites lá) – sorrindo para o atendente que, ao reconhecê-la, imediatamente começou a preparar o seu café sem se preocupar em perguntar o que ela queria, afinal ele já sabia, tantas eram as vezes que Lily passava ali. Divertindo-se com isso, ela sentou-se junto ao balcão, feliz por estar em um lugar quente pela primeira vez em horas.

Euphemia, sua sogra, havia pedido que Lily a acompanhasse até o shopping junto dela e de Fleamont e, apesar de não estar muito contente diante da perspectiva de sair naquele frio, ela os acompanhara. Lily sempre se divertia quando saía junto com eles e naquele dia não havia sido diferente.

Depois de irem até o shopping e, logo em seguida, começarem a caminhar pelas ruas da cidade, eles perderam a hora enquanto conversavam e observavam as vitrines das lojas que ainda estavam decoradas para o Natal, apesar de já terem transcorrido dois dias desde o feriado. Por fim, depois de Euphemia ter se surpreendido com o tempo que havia passado, a sogra se despedira dela e a deixara a duas quadras da casa de James – a pedido de Lily que queria passar na cafeteria para pegar cafés para os dois – antes de ir buscar Fleamont – que havia parado em uma loja de bebidas a algumas quadras – e então começar sua viagem de volta para Godric’s Hollow.

Pegando o celular, Lily discou o número conhecido sem prestar atenção e esperou enquanto chamava. Ele não atendeu. Franzindo o cenho para aquilo, Lily estava prestes a tentar novamente quando uma notificação apareceu. “James Potter on @Hangout YouTube”.

— Mas o que...? — Ela começou a indagar, clicando sobre a notificação enquanto esperava que o 4G carregasse.

O que James estava fazendo? Por que ele estava fazendo um Hangout? Domingo era o dia de Hangout no canal do The Marauders e não no canal do Prongs! Isso para não falar que ele havia dito que iria esperar por ela!

Sentindo-se totalmente indignada pela falta de consideração de seu querido namorado, Lily bufou enquanto tamborilava os dedos em cima do tampo do balcão, esperando que a porcaria da internet decidisse funcionar para que ela pudesse entender que diabos ele estava pretendendo com aquilo.

Ergueu a cabeça rapidamente, pensando que o atendente estava trazendo seu café, só para se frustrar ao perceber que ainda não era sua vez.

— Por Vader, tudo parece estar lento hoje. — Ela murmurou consigo mesma, tanto por causa da internet quanto pelo café.

Suspirou aliviada quando o celular finalmente carregou, mas em segundos sua expressão modificou-se para a de completa incredulidade: Sirius, Remus, Peter e James estavam todos sentados na sala da casa de James – que agora era somente dele, pois, Remus e Sirius haviam se mudado para o loft acima da Movie-Maker enquanto que Peter tinha praticamente se mudado para o apartamento que Lily dividia com Marlene (não que qualquer um daqueles dois fosse admitir isso, é claro) – sorrindo para a câmera enquanto o maldito anunciava um “Hangout especial no canal do Prongs”.

— Especial para quem? — Lily bufou, enciumada. — Você disse que iria me esperar. — Reclamou para a tela, sem se importar em estar parecendo uma louca por falar sozinha.

Se sentia ultrajada. Tinha feito até mesmo uma lista com tópicos e assuntos para aquele Hangout, afinal era o último do ano e, portanto, deveria mesmo ser especial— e ela deveria participar. Isso para não falar que todos eles haviam concordado! Aquele bando de...

Como vocês sabem, por causa da Lily, acabei virando um leitor assíduo de fanfics.

As palavras de James interromperam a linha de raciocínio de Lily, fazendo-a franzir o cenho, confusa.

— O que você está fazendo? — Ela voltou a indagar para a tela do celular, observando-os com atenção redobrada.

— Levando isso em consideração, hoje eu e os meninos decidimos encenar as cenas de uma fanfic muito especial para todos nós — James sorriu ao dizer aquilo e então piscou para Sirius que sorriu em retribuição antes de prosseguir:

— Cada um de nós irá interpretar um personagem, exceto por Remus que irá narrar este romance muito especial.

— Sim, meus dotes artísticos não são bons para a encenação. — Remus adicionou, divertido.

— Ele conseguiu fazer com que ficássemos traumatizados ao fingir ser uma menina. — Peter estremeceu falsamente ao dizer aquilo, fazendo com que Remus rolasse os olhos.

— Definitivamente é algo que iremos evitar — James disse e então puxou algumas folhas de papel para mais perto de si, sendo imitado pelos outros três.

Lily voltou a erguer os olhos em direção ao atendente, arqueando uma sobrancelha ao perceber que ele estava servindo um senhor que havia chegado depois dela. Onde estavam os cafés que ela havia pedido? Bem, não exatamente pedido, contudo ele sabia o que ela queria, afinal ele fazia aquilo quase todos os dias!

— ... o nome da fanfic é “A Culpa é da Ruiva” e foi escrita por Darth Prongs. — Remus disse antes de limpar a garganta e preparar-se para prosseguir.

Ofegando, Lily encarou o vídeo sem conseguir acreditar. Darth Prongs? E “A Culpa é da Ruiva”? Que merda James estava pensando, por Vader? E que peruca vermelha era aquela que Sirius estava usando no cabelo? E por que, em nome da Força, Peter estava segurando uma imitação de player do YouTube em tamanho real entre os dois e usava uma tiara com orelhas de cachorro?

Sentindo a urgência tomá-la por completo, Lily ergueu-se de onde estava sentada e preparou-se para se direcionar para a saída.

— Ei! — O atendente a chamou, fazendo-a voltar-se para ele, incerta. — Seus cafés já vão estar prontos! — Disse e encarou Lily numa expressão bastante clara de “você-não-vai—ir-embora-sem-levar-os-cafés”.

— Uhum. — Lily assentiu, sentindo-se levemente irritada com aquilo, mas sabendo que não valia a pena brigar com o atendente pela demora (que não havia sido tanta), porque ela vivia indo ali tomar café. Seria apenas muito triste ter de arranjar outro lugar perto da casa do James que fosse tão bom quanto.

Voltando a sentar no banquinho, sabendo que teria de se contentar em observar toda aquela encenação que a deixava com vergonha alheia através do celular pelos próximos minutos, Lily retornou à atenção para o vídeo, percebendo que havia perdido a introdução da história.

Não, eu nem sei quem você é. — Sirius-de-peruca dizia em uma falsa voz de menina. — Quero dizer, não é como se você fosse meu youtuber favorito nem nada assim. — Prosseguiu, ainda no mesmo tom antes de Peter fingir um latido. — E esse cachorro ter o mesmo nome do seu melhor amigo é pura coincidência.

— Vocês têm de estar brincando com a minha cara! — Lily exclamou, alto demais, mas não conseguiu se importar. Estava prestes a soltar um palavreado que faria mais estragos do que uma Estrela da Morte quando o atendente finalmente trouxe os cafés.

— Pronto. — Ele sorriu para ela, parecendo totalmente alheio à situação monstruosa em que ela se encontrava. — Você já sabe o valor. — Piscou para ela, amigável. — É só passar no caixa. Tenha um bom final de ano! — E, dizendo aquilo, se afastou como se não houvesse acabado de interromper um dos momentos mais vergonhosos da existência de Lily Evans.

Apressando-se para o caixa, Lily amaldiçoou todos os Sith por não conseguir prestar atenção no Hangout que se desenvolvia na palma de sua mão. Pegando os cafés com uma única mão, Lily ajeitou-se de modo que conseguisse assistir enquanto caminhava.

— Justo quando não trouxe o meu fone! — Ela bradou consigo mesma, saindo para a rua e sendo atingida pelo frio. — Que maravilha. — Reclamou.

Bem, Ruiva, você parece estar em todos os lugares. — James dizia e parecia estar tendo grandes dificuldades para não cair às gargalhadas.

— Isso não tem nada a ver com o fato de eu ser uma super stalker sua. E de acessar todas as suas redes sociais 24 horas por dia. E de tomar café toda hora e ler fanfics interativas em que você passa sua barba em meu pescoço. — Sirius-de-peruca prosseguiu, parecendo ignorar completamente o script, após ter largado os papéis de qualquer jeito sobre o sofá, fazendo com que Lily assustasse uma senhora que passava por ela ao bradar um palavrão. — Eu só sou uma Ruiva louca viciada em Star Wars. Por Vader!

Peter – que agora estava usando uma peruca de cor acaju em forma de coque – voltou-se para James.

Quer biscoito, querido? — Indagou em um tom que pretendia soar feminino, mas que mais parecia a voz de Jar Jar Binks.

Mãe! — Sirius-de-peruca reclamou. — Você está atrapalhando.

— Oh, desculpe, Ruiva, vou deixá-los namorar à vontade.

Ei, Peter, era “se pegarem selvagemente” — Sirius, saindo totalmente do personagem, reclamou. — Nós tínhamos combinado, cara.

Certo. Hm, vou deixá-los se pegarem selvagemente... à vontade. — Peter corrigiu no que Remus, que estava em pé mais ao lado esquerdo deles, caiu na gargalhada.

James, que estava em uma situação tão crítica quanto à de Remus, dobrava-se em seu acento de tanto rir.

Vocês estão acabando com nossa peça. Vamos, caras, recomponham-se! — Sirius, que parecia revoltado com a interrupção (mesmo tendo sido ele a interromper primeiro), resmungou para os amigos.

Certo, hm, Ruiva... — James, que tivera dificuldades em conseguir recuperar o fôlego, começou a falar, mas, mais uma vez, caiu às gargalhadas. — Eu não vou conseguir dizer isso.

Ah, mas pelo amor de Deus, tome isso daqui. — Totalmente irritado, Sirius atirou a peruca em direção à James que rapidamente colocou e então puxou os papéis das mãos de James, estremecendo ao ver qual era sua próxima fala. — Tem razão, eu também não vou- — Mas não terminou de falar, porque estava chorando de tanto rir.

— Que a força carregue todos vocês! Seus retardados miseráveis. — Lily reclamou no momento em que, totalmente alheia ao mundo ao seu redor, acabou tropeçando no que quer que houvesse em seu caminho, torcendo o pé e sentindo-se completamente estúpida.

James Potter iria se ver com ela. Quem ele pensava que era? Esperando que ela saísse de casa para fazer uma coisa daquelas, por Vader! O que ele estava querendo com tudo aquilo? Matá-la de vergonha e humilhação? Bem, ele estava conseguindo.

— Ah, mas você vai me pagar, James Potter. — Ela resmungou e muito relutantemente guardou o celular no bolso, sabendo que chegaria mais rápido em casa se prestasse atenção aonde estava indo. — E vocês também Sirius, Peter e Remus! Ah, eu terei a minha vingança. Em nome de Vader que vou! — Bufou antes de atravessar a rua, sem se dar conta de que os dois garotos que estavam um pouco atrás dela a encaravam como se ela fosse uma louca.

O que, naquele momento, possessa de raiva como estava, ela era.

Lily conseguiu caminhar – mancar – por quase dez metros antes de finalmente sucumbir à sua curiosidade e voltar a pegar o celular.

Parecendo recuperados do ataque de riso, agora era Remus quem falava.

... então eles começaram a passar algum tempo juntos e, apesar da Ruiva ser um pouco louca-

— Ra! Vocês vão ver quem é a louca assim que eu chegar aí.

Prongs estava começando a gostar dela-

— Gostar é apenas muito pouco para expressar o nível de sentimentos que o Prongs nutria pela Ruiva, Remus. — Sirius o interrompeu, fazendo com que o outro bufasse, irritado.

Então narra você! — Remus reclamou irritado, contudo Sirius não pareceu se importar, pois no mesmo instante puxou os papéis das mãos de Remus e começou a ler, muito mais teatral do que o outro.

A Ruiva parou de passar o seu tempo observando pela janela, pois agora ela estava indo na casa do Prongs para que pudesse vê-lo pessoalmente. E, assim, os dias foram passando e, após serem pegos se agarrando selvagemente num bar, as fãs foram à loucura quando uma foto deste momento percorreu as redes. Os squads foram criados e todos sabiam que um OTP havia sido formado-

— Eu tenho certeza de que o Darth Prongs não escreveu isso, Sirius. — James o interrompeu, mas, embora sua intenção fosse a de repreender, ele estava por demasiado risonho para que surtisse efeito.

Shiu, James, estou sentindo o texto-

 Lily finalmente chegara na esquina de casa, ofegante por ter praticamente corrido até ali enquanto fazia malabarismos com o celular e os cafés. Era incrivelmente surpreendente que ela não houvesse se estatelado no chão até aquele momento.

Não que ela fosse arriscar, portanto, sabendo que faltava pouco, decidiu amainar o passo enquanto tentava acalmar seus nervos para que não acabasse explodindo assim que entrasse na casa. Por mais irritada que estivesse, não queria que os fãs do The Marauders descobrissem do que ela era capaz quando estava irritada.

Não, não seria nada bonito.

E ninguém precisava saber o que ela iria fazer a seguir. Bom, pelo menos não enquanto ela fazia. As notícias de quatro assassinatos logo sairiam nos jornais de todo o país, com certeza.

Lily havia decidido que iria entrar e desligar a câmera antes de explodir. Sim, ela faria isso.

Eles estavam gravando na sala e, pelo ângulo, estavam de frente para a entrada, o que significava que a câmera deveria estar bem em frente à porta, portanto ela entraria, desligaria a câmera e somente depois é que agiria feito a assassina que ela sabia ser.

—... e então eles começaram a namorar, depois de Prongs ter usado seus métodos de sedução fajutos e cantadas envolvendo a Millenium Falcon que surpreendentemente funcionaram, pois, como vocês sabem, a Ruiva amava Star Wars. — Sirius continuava a narrar a história, parecendo verdadeiramente empolgado com tudo aquilo e ela precisou admitir que ficou aliviada quando ele não mencionou que as cantadas sobre a Millenium Falcon provinham das suas fanfics.

Não que aquilo diminuísse a raiva que ela sentia. Nenhum pouco.

Sentindo um sorriso malvado se espalhar por seus lábios, Lily destrancou o portão em frente à casa de James, imaginando que Darth Sidious deveria ter se sentido do mesmo jeito que ela estava quando observou Anakin Skywalker matar Mace Windu. Só que, naquele momento, ela era Darth Sidious e Anakin. E todos os Marauders eram Jedis que ela iria muito satisfatoriamente aniquilar.

Quando ela chegou em frente à porta, parou por um momento, forçando os ouvidos a fim de escutar alguma coisa do lado de dentro. Tudo o que ela ouviu foram gargalhadas que muito provavelmente – para não falar “com cem por cento de certeza – estavam relacionadas a ela. Foi o que bastou para que, em um rompante, ela abrisse a porta e os quatro homens cessassem as risadas imediatamente.

Ela estava tão furiosa com tudo aquilo que esqueceu de sua resolução de desligar a câmera antes de começar a brigar.

— Alguém pode me explicar que merda é essa? — Ela disse, entredentes, sentindo-se tremer de irritação.

Largando os copos de café em cima do aparador próximo de onde ela estava, Lily começou a caminhar em direção ao sofá onde eles se encontravam empoleirados e totalmente parados, como se não pretendessem responde-la. Para piorar, James ainda tinha aquela maldita peruca ruiva na cabeça, o que somente aumentava ainda mais o desgosto dela.

Oh, ela estava tão furiosa.

— Eu perguntei que merda é essa?! — Ela repetiu e sentiu suas mãos tremerem.

E, é claro, eles caíram na gargalhada, parecendo achar divertido demais o fato de que ela estava enfurecida ao invés de agirem como pessoas razoáveis e sentirem medo.

— JAMES POTTER! — Ela praticamente berrou o nome dele, fazendo-o, assim como todos os outros, cair em silêncio novamente, finalmente parecendo entender o estado de espírito no qual ela se encontrava. — Estou querendo entender o que isso significa. Sabe, eu estava lá, caminhando pela cidade com os seus pais enquanto você, seu ingrato, estava aqui conspirando para me envergonhar na internet. Não consigo entender, é claro, aonde vocês pretendiam chegar com isso, além de, é claro, dos seus caixões.

— Lily- — Sirius começou a falar, mas ela o interrompeu.

— Estou falando com o Potter.

— Lily- — Foi Peter quem tentou, mas ela não lhe deu atenção. Seus olhos estavam cravados nos de seu queridíssimo namorado que parecia totalmente paralisado diante da sua perscrutação.

— Você não vai falar nada? — Ela voltou a falar e sua voz estava totalmente calma. O que contrastava terrivelmente com a vermelhidão de seu rosto, é claro.

Contrariando o bom senso, James sorriu. Não um sorriso nervoso, mas sim um daqueles resplandecentes que faziam-na perder o fôlego, mesmo depois de tanto tempo o vendo fazer aquilo. Ela não conseguia enjoar nem parar de se sentir afetada.

Lily xingou-o mentalmente por conseguir fazer com que o coração dela descompassasse mesmo quando ela estava tão furiosa. Era tão injusto!

— Bem, Lily, nós ainda não terminamos a nossa história, mas, agora que você está aqui, tudo vai ficar mais fácil... — James ergueu-se de onde estivera sentado e tirou a peruca vermelha de sua cabeça. — Você pode, por favor, vir até aqui?

— Não, obrigada, estou ótima aqui. Já fui humilhada e envergonhada o suficiente por uma vida inteira. Continuem vocês. Estão fazendo tudo lindamente. — E, bufando para eles, começou a se afastar em direção às escadas, entretanto, antes que conseguisse colocar o pé sobre o primeiro degrau, foi impedida por um par de braços que, ligeiro, se fechou em volta de sua cintura e então a virou, fazendo com que ela estivesse de frente para James Potter.

E é claro que ela corou e ficou mais vermelha que o sabre de luz de Darth Vader.

— O que- — Ela começou a dizer, mas James a interrompeu.

— Prossiga, Sirius. — James disse, contudo, sem desviar seus malditos olhos castanhos esverdeados que parecia derreter sobre os dela.

— Certo. Bem, os anos se passaram desde o início de namoro do maior OTP que você respeita, a Ruiva e o Prongs passaram por muitos altos e baixos juntos e, embora nem sempre tenha sido fácil, levando em conta o temperamento errático da Ruiva em questão e do jeito absurdamente estúpido do Prongs...

— Ei, eu tenho certeza de que não escrevi isso. — James reclamou, finalmente voltando-se para o amigo que deu de ombros.

— Achei que seria bacana acrescentar, sabe como é, para dar mais efeito.

— Não posso discordar. — Lily bufou, fazendo com que James voltasse a encará-la com os olhos estreitos.

— ... eles conseguiram passar por tudo como Mestres Jedis, entretanto... Prongs percebeu que, apesar de amar as coisas como estavam, ele queria algo a mais e, por conta disso, decidiu pedir ajuda a seus queridos-

— Maravilhosos. — Adicionou Remus.

Totalmente esplêndidos. — Adicionou Peter.

—... amigos. — Sirius sorriu, sabendo que faltava pouco para terminar.

Lily, que havia percebido a mudança drástica no enredo – que passara de absurdamente vergonhoso para inesperado – assim como percebeu que agora a câmera estava voltada na direção de onde estavam, franziu o cenho para James que murmurou “ouça” antes que ela pudesse interromper.

— Portanto, decidindo que o último domingo de dezembro seria uma data boa o suficiente, Prongs pediu aos seus pais para que tirassem a Ruiva da sua casa a fim de manterem-na ocupada enquanto ele, junto dos seus amigos espetaculares, organizava o que com certeza seria o Hangout que quebraria a internet. Contudo, eles acabaram se atrasando e, conhecendo sua Ruiva como ninguém, Prongs decidiu ligar para a cafeteria que ele sabia que ela sempre ia e pediu para que eles demorassem o máximo que pudessem ao fazer seus cafés habituais e assim, ele, junto de seus amigos totalmente incríveis

— Acho que já entendemos essa parte, Sirius. — James, que observava as reações de Lily com cautela, resmungou.

Ela havia passado de totalmente irritada para completamente estática em menos de um segundo ao ouvir o desenrolar da história que Sirius narrava. Nada se encaixava em sua mente e, apesar de ter certeza de que havia caído em uma pegadinha, Lily sentia seus batimentos cardíacos acelerados demais no que com certeza não deveria ser saudável. Estava ofegante enquanto encarava James, tentando obter respostas nos olhos risonhos dele.

O que ele estava fazendo? Sirius estava falando sério? Aquela história era verdadeira ou era apenas mais uma paródia como aquelas que eles estiveram fazendo antes de ela chegar?

Não conseguia compreender o que estava acontecendo, pois, naquele momento, estava surtando internamente: seu cérebro parecia pular em sua mente, pulsando quase dolorosamente de modo que nenhum pensamento parecia claro.

Sirius prosseguiu:

—... começaram a gravar um Hangout de brincadeira, sabendo que isso irritaria a garota, pois ele havia dito que iria esperar por ela, só que ele não esperou... não, Prongs estava fazendo algo totalmente diferente. Ele estava lendo uma história. Não uma história qualquer, é claro. Mas sim A história do Prongs e da Ruiva. E de como tudo estava prestes a mudar... — O tom de sua voz suavizou ainda mais e ela podia ouvir seu sorriso enquanto ele continuava. — Prongs puxou a ruiva para perto de si e, sem esperar por suas reações, pegou de seu bolso algo que estava guardando a semanas, apenas à espera do momento certo.

Lily prendeu a respiração ao perceber o movimento de James. Ele estava fazendo exatamente o que Sirius havia dito em sua narração.

Não podia ser, podia? Quer dizer, ele não estava...?

— E então, encarando-a firmemente — a voz de Sirius interrompeu seus pensamentos desconexos — ele disse:

— Lily. — James a chamou enquanto erguia o que quer que fosse que havia pego de seus bolsos alguns segundos antes até estar em frente aos olhos de Lily.

Ela ofegou.

— James...? — Ela sentiu a própria voz fraca demais em seus ouvidos, apenas um fantasma dos brados que haviam sido quando ela adentrou, furiosa.

Lily não mais estava furiosa então. Não. Ela estava total e completamente abismada.

— Você quer casar comigo? — A imagem toda começou a fazer sentido quando as palavras de James deslizaram pelo cérebro de Lily.

Ela compreendeu que o que James segurava em frente aos seus olhos era uma caixinha de joia que, Lily percebeu tardiamente, tinha a forma de um capacete de Darth Vader e, dentro, continha uma aliança dourada delicada.

Fechando os olhos enquanto tentava organizar os pensamentos e fazer com que tudo fizesse sentido, ela entendeu que o Hangout não havia sido uma forma de humilhá-la publicamente, tampouco acabar com sua reputação na internet.

Não.

Toda aquela farsa, toda aquela encenação... era porque James a estava pedindo em casamento.

Os quatro garotos pareciam prender a respiração enquanto esperavam a resposta dela.

— Ah, meu Vader! — Foram as primeiras palavras que escaparam dos lábios de Lily. Ela ergueu uma mão para o peito, sentindo seu coração bater quase dolorosamente contra suas costelas. — Eu não... vocês... pela Força! — Ela expirou, sentindo toda a irritação retornar, fazendo-a sentir-se completamente tola. — Como vocês ousam...?! Eu estava... eu achei... Argh! — Lily se afastou levemente de James, embora sem sair de seu abraço, sentindo-se zonza. Percebeu que os olhos dele arregalaram, mas ela não conseguiu se importar, porque naquele momento ela estava surtando. — Eu quase morri de raiva. Eu xinguei senhorinhas o caminho inteiro até aqui! Eu poderia ter morrido atropelada! — Lily ergueu os olhos para os três garotos perto do sofá, encarando-os com censura antes de voltar-se novamente para James. — Se eu morresse antes de saber o que diabos vocês estavam fazendo eu jamais iria te perdoar! Eu pensei que você estava apenas zoando com a minha cara... como você ousa, James Potter?!

Ele abriu a boca para responder, embora não parecesse saber o que iria dizer, contudo, antes que ele sequer tentasse ela o impediu, jogando-se para ele e grudando seus lábios com tanta intensidade que ambos estavam sem fôlego em poucos segundos.

O maior sorriso que Lily jamais havia visto pareceu explodir nos lábios de James enquanto ele grudava sua testa à dela.

— Então você aceita?

— Eu seria louca se não aceitasse. — Ela sorriu para ele, sabendo que aparentava tanta felicidade quanto ele mesmo.

Beijando-a rapidamente, James se afastou o suficiente para que conseguisse pegar a mão direita dela e encaixar a aliança ali.

— ERA DISSO QUE EU ESTAVA FALANDO! BOA, PRONGS! — Peter praticamente berrou, feliz demais ao ver o casal à sua frente.

— Eu sempre soube que eles eram OTP. — Sirius disse, sorridente.

— Bem, nisso eu sou obrigado a concordar com você. — Remus adicionou, fazendo com que ele bufasse.

James e Lily, que pareciam completamente alheios a qualquer coisa que não fossem eles mesmos, sorriram um para o outro.

— Então, Ruiva do Snap/Star Wars, você vai ser a futura Sra. Potter. — James comentou, contente.

— Bem, fazer o que, não é mesmo? É o que eu tenho para hoje. — Ela deu de ombros, fingindo condescendência.

James sorriu ainda mais, grudando suas testas.

— Eu te amo, James. — Ela disse, sentindo-se mais feliz do que jamais havia imaginado ser possível.

— Eu sei. — James retrucou, divertido.

— Não sei se é a hora de encenar o Han Solo, James Potter. — Lily bufou, embora seus olhos brilhassem com diversão por conta da referência.

— Tem razão. Não tem ninguém que eu queira mais ser no mundo além de mim mesmo neste momento. Afinal, eu sou a única pessoa que tem a sorte de estar noivo de você, Lily. — Beijou-a na ponta do nariz. — Eu te amo.

Sentindo o coração praticamente explodir em seu peito, Lily o puxou para um beijo demorado, sentindo aquela agitação e quentura que sempre a tomavam quando estava junto dele se espalhar por todo o seu corpo.

— Acho que é melhor encerrarmos logo esse Hangout, porque tem coisas muito interessantes que eu gostaria de estar fazendo com você lá no quarto. — Ela disse, sentindo a voz rouca.

James piscou, maroto, antes de voltar-se para a câmera e para os amigos que os observavam, expectantes. Percebendo o que ele pretendia fazer, todos eles se aproximaram e, de forma muito esfuziante – entre abraços esmagadores de Sirius, piadas bobas de Peter e sorrisos felizes de Remus – eles finalizaram o vídeo que, sem sombra de dúvidas, era o favorito de Lily dentre todos no canal do Prongs.

 

 


Notas Finais


Depois de uma eternidade, finalmente tive coragem de aparecer aqui pra postar o epílogo, né?

Gente, mil desculpas por isso, mas acabei perdendo a senha dessa conta e não consegui acessar para postar, mesmo este final estando pronto à séculos e a fanfic tendo CONTINUAÇÃO.

Eu conclui Fangirl-ily originalmente no dia 21 de janeiro de 2017, exatos 11 meses e 2 dias desde que comecei a escrevê-la.

Ufa.

Nem acredito que chegamos aqui, nas últimas notas finais. No ponto final desta história que por tanto tempo me fez sorrir.

11 meses e 2 dias. Este foi o tempo de desenvolvimento de Fangirl-ily. Esse foi o tempo que demorou entre as primeiras notas iniciais e as últimas que, no caso, são essas aqui.

Não sei exatamente por onde começar, são tantas as coisas que eu quero dizer...

Acho que vou voltar algum tempo, lá no início de fevereiro de 2016, quando, em uma conversa louca junto da ahlupin, AliceDelacour e Carol Lair, surgiu a ideia que, em 11 meses e 2 dias, seria concluída. Lembro de quando a ahlupin apareceu no grupo dizendo que queria uma história onde o James fosse Youtuber. Lembro de eu comentar que seria muito legal se a Lily fosse uma fangirl louca por ele. Lembro da AliceDelacour comentando que seria muito doido se eles virassem vizinhos. Lembro da Lair rindo dos nossos surtos e de como não conseguíamos desativar o caps lock enquanto “gritávamos” e inventávamos plots e plots twists para essa ideia que parecia genial.

E eu, que na época tinha mais fanfics do que dedos nas mãos para atualizar, recebi uma mensagem da ahupin “escreve, Miller”, ela disse. E eu reclamei “já tenho fanfics demais”. E ela continuou “então o que é mais uma história para quem já tem tantas?”. E, como vocês sabem, eu acabei postando.

Nunca vou conseguir agradecer o suficiente por isso, pois, depois de tanto incentivo, eu me vi escrevendo uma das histórias que mais marcou minha vida.

Alguns meses após isso – muitos meses depois, na verdade – quando a inspiração voltou a surgir depois de um tempo “fora”, eu pedi ajuda para a July Evans no Messenger. “Ju, tu beta um capítulo de FGLY para mim?”, lembro de perguntar. Ela respondeu pronta e animada que “sim”. Desde então, ela atura todos os meus surtos. Todas as minhas ideias. Todos os meus áudios de 5 minutos onde eu falo sobre Telefone Removido0 plots diferentes para o mesmo capítulo.

Com o tempo, percebi que eu podia confiar, além dos meus capítulos e plots que jamais iria escrever, também meus problemas, minha vida, meus segredos. E assim, entre tantos surtos pelo OTP, tantas conversas diárias sobre fics, plots, smut e todo o resto... eu percebi: Fangirl-ily me presenteou com uma das minhas melhores amigas da vida inteira.

E, por isso, sou totalmente grata.

Ah!

11 meses e 2 dias. E eu escrevo há quase sete anos! E, mesmo assim, somente nesses 11 meses eu conquistei tantas coisas, me aproximei tanto dos meus leitores, tanta coisa mudou – não apenas no mundo das fanfics, mas na minha vida como um todo também – e eu consegui chegar mais longe como ficwriter do que jamais havia chegado antes.

Tantos leitores incríveis, tantas mentions no Twitter, surtos no whatsapp, mensagens no Facebook... tantas puxadas de orelha por conta da demora, tanto amor, apoio, carinho e confiança.

Nem toda a gratidão no mundo é capaz de transmitir o quanto isso significa para mim. Chegar de um dia cansativo de trabalho e ver os comentários de vocês lá, os surtos nas redes sociais... estar tendo um dia estressante e, mesmo assim, me refugiar em palavras cheias de carinho e apoio que vocês, leitores incríveis, me mandavam.

Me deparar não com um, mas vários leitores que se reconheceram na minha história. Que se encontraram na minha história. Que se identificaram... ah, isso não tem preço.

Escrever FGLY foi uma libertação para mim, para o meu lado nerd e geek. Eu joguei todas as minhas paixões, meus vícios, minhas loucuras nessa história insana. E foi tão bom perceber que, assim como eu, tantas pessoas gostavam das mesmas coisas ou começaram a assistir/ler por causa da fanfic. Por causa de FGLY eu voltei a me apaixonar por Star Wars – algo de que sempre fui muito fã, mas que acabei me “afastando” com o passar do tempo e que voltou com toda a força ao escrever essa história – e foi simplesmente INCRÍVEL ver tanta gente se aventurando nesse universo por causa da Lily.

“Obrigada” parece apenas pouco para o meu sentimento ao concluir esta história.

Mas ainda assim, é o que mais se aproxima do que eu realmente sinto.

Portanto: obrigada. Obrigada. Obrigada!

Foram os 11 meses e 2 dias mais divertidos, incríveis, inspiradores que eu poderia querer. E eu sei que não teria sido nem metade disso caso eu não tivesse vocês, leitores/amigos, do meu lado.

Enfim, eu sei que tem mais um milhão de coisas que eu gostaria de dizer, porém eu já falei demais e isso está ficando enorme.

Eu espero que vocês compreendam o quanto significam para mim. Porque isso importa muito!

Obrigada, mais uma vez. Ou melhor: mais um bilhão de vezes. Ainda vai ser pouco...

Até a próxima história, gente (que vem mais em breve do que vocês imaginam) e que a Força esteja sempre com vocês!

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PS: FANGIRL-ILY TEM CONTINUAÇÃO E ELA JÁ ESTÁ POSTADA!

A história se passa DOIS ANOS ANTES do epílogo e chama SHIP OF YOU (TUBE) <3

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AMO VOCÊS ♥


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