História Fantasmas do Passado - Capítulo 12


Escrita por: ~

Postado
Categorias MasterChef Brasil
Tags Fagosella, Farosella, Masterchef Br
Exibições 240
Palavras 2.766
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Gente, a boa notícia é: pior do que tá não fica :)

Capítulo 12 - Não Continuamos


Os segundos que se seguiram passaram devagar; quase como se aquilo não estivesse, de fato, acontecendo. A vista de Paola ficou embaçada, contribuindo para a impressão de fantasia, e ela demorou para perceber que eram lágrimas. Não de tristeza, no entanto. De raiva. Surpresa. Ela não sabia exatamente o que estava acontecendo, mas só o fato de encontrar Angie sentada no balcão, pés descalços balançando despreocupadamente, enquanto seu namorado cozinhava, já dava gerava nela uma incrível sensação de traição. Enquanto os três presentes no apartamento se encaravam, Fogaça com os olhos arregalados de choque e Angélica com um sorriso presunçoso nos lábios, Paola forçou-se a engolir o nó que havia se formado em sua garganta e a fazer suas mãos pararem de tremer. O que quer que aquilo significasse, encararia de frente. 

    - Isso definitivamente deve parecer estranho, mas não é o que você pensa, Pao… - Começou Angie, pulando para o chão; apenas para parar de pé mais perto ainda de Fogaça, que se afastou como que por reflexo. 

    - No estoy pensando nada y no quiero que me digas nada. Mi nombre és Paola

    - Tranquila, Paola… 

    - Tranquila un carajos. Que haces acá? - Uma vez que tinha entrado no modo de irritação extrema, era difícil sair do espanhol; ainda mais quando havia outro falante da língua no mesmo ambiente. Sabendo disso, Fogaça resolveu interferir, antes que perdesse toda a discussão. 

    - Estamos falando sobre o caso…

    - Ah, o caso? Que caso? O da minha filha correr risco de ser arrancada de , ou o da Angélica estar sem sapatos na sua cozinha? Ou os dois? Muy, muy profissional, eu diría!

    - Não é o que você…

    - Nós nos conhecemos de longa data, Paola. Pronto, está aí o que você queria ouvir. O que foi? - Angie arqueou as sobrancelhas para Fogaça, que a encarava com uma expressão assassina. - Ela ia juntar os pontinhos mais cedo ou mais tarde. Aliás, não sei como não se deu conta antes. Foi justamente graças a você que nos conhecemos, Paolita

    - Como… - Paola piscava os olhos com força, tentando, ao mesmo tempo, afastar as lágrimas e pensar com clareza. 

    - Julia Cocina. Te lembra alguma coisa? - Angie ergueu uma sobrancelha, sarcástica. Estava gostando da confusão que causara, e não fazia a menor questão de esconder. 

    - No, no, vocês no trabalharam juntos lá - Paola fazia que não com a cabeça, as sobrancelhas unidas. - Henrique estagiou no Julia durante o ano do seu curso em Paris. Tenho certeza - Ela assegurou, mas a verdade é que não tinha mais certeza de nada. 

    - Sim. E então, quando o Julia fechou, nós passamos três meses juntos fazendo aquele evento de visibilidade latina na rua. Lembra? 

    Paola estava pronta para negar; inclusive abriu a boca para gritar que não. Não, não se lembrava, mas a verdade era que agora se lembrava sim. O período pós Julia havia sido tão difícil para ela que beirara a depressão. Dessa forma, tinha apagado tudo o que conseguira; inclusive os meses que passara com sua equipe antiga vendendo empanadas em galpões por São Paulo, tentando se reconectar às suas raízes. Henrique participava durante os finais de semana para juntar algum dinheiro a mais, e ela havia se esquecido desse contato entre ele e Angie. 

    - Paola… - Fogaça se aproximou dela, tocando seu cotovelo, mas foi repelido com um forte aceno de braço. 

    - Vocês tiveram um caso? - Ela perguntou, olhando fixamente os olhos do namorado. Queria ir direto ao ponto. Angie começou a responder, mas Paola levantou uma das mãos, indicando que ficasse quieta. Enquanto secava o rosto com as costas da outra, pensava que era de Fogaça que precisava ouvir. 

    - Sim - Ele soltou todo o ar antes de responder, cuspindo a palavra e fechando os olhos com força logo em seguida. Deixou que os ombros caíssem, derrotado. Não tinha coragem de encarar Paola; nem a si mesmo. 

    - Um caso é pouco para descrever o que tivemos, não acha? - Angie alfinetou. Fogaça virou-se para ela, considerando seriamente matá-la. Paola ainda estava decidida a fingir que ela não estava lá, mas, ao ouvir essa frase, teve de considerar o que ela dizia.  

    - O que ela quer dizer com isso? 

    - Quer parar de fazer como se eu não existisse, Paola? - Angélica reclamou, levando as mãos à cintura e fazendo cara de brava. - Ou não quer que eu te conte sobre o nosso filho? 

    Paola finalmente virou-se para ela, a visão ficando embaçada. Teve a impressão de ouvir Fogaça gritar alguma coisa, mas não conseguiu identificar palavras nos sons que chegaram aos seus ouvidos. Tudo o que sobre foi que, quase como em câmera lenta, o homem estava em cima da loira, segurando-a pelo braço, e Paola apoiava o corpo no balcão, tentando se sustentar. Com medo da bambeada que suas pernas haviam dado, repentinamente, ela se ergueu para cima de um dos bancos do balcão da cozinha, apoiando o rosto com as mãos. 

    - Não tem filho nenhum - Ela ouviu a voz de Fogaça, ao longe; apesar de sentir as mãos dele em seus antebraços e perceber que, na verdade, ele estava a centímetros dela. A frase a fez se sentir mais calma, e seus batimentos cardíacos normalizaram um pouco. No entanto, ainda precisava saber de tudo. 

    - Então de que ela está falando? - Paola tirou as mãos do rosto e encarou Henrique, decidida a segurar qualquer outra lágrima que se atrevesse a rolar por sua bochecha. Sim, ela tinha ido para a casa do namorado resolver tudo, e, na verdade, tinha encontrado sua advogada na casa dele. Sim, tinha acabado de descobrir que os dois haviam se envolvido no passado. Mas, pensando bem, isso não era nada comparado ao que estava passando no momento, com sua filha. Ela conseguiria ser forte. Precisava. 

    - Ela tirou o nosso filho - Fogaça respondeu. Paola notou que o rosto dele mudava de tom para um vermelho escuro, enquanto ele se virava para a loira parada atrás de si. - O meu filho. 

    - Interessante uso do pronome possessivo, Fogaça - Angelica se aproximou dele, agora também visivelmente transtornada. Se alguém passasse pelo corredor do andar naquele momento, e ouvisse a gritaria, certamente pensaria em chamar a polícia. - Sabe o que também era meu? O corpo. Meu corpo. Eu faço com ele o que quiser, e se quis abortar, abortei. 

    - A decisão não era só sua! - Fogaça esbravejou, jogando as mãos ao ar. 

    - É claro que era! A gravidez era minha! - Angie andava de um lado para o outro na cozinha, e as risadas agudas que saíam de seus lábios demonstravam mais nervoso do que Paola imaginaria. 

    - Você deu a ideia dele para mim e depois arrancou. Simples assim.

    - Eu mudei de ideia. É simples assim

    - Angelica e eu tivemos um caso durante os eventos que fizemos - Fogaça respirou fundo e começou, voltando a encarar Paola. Se ela saberia a verdade, saberia de tudo, e seria por ele. - Como eu tive com outras da equipe, bem, você sabe. Algumas noites. A diferença foi que ela engravidou.  

    Fogaça atestou o que Paola já havia concluído pela discussão dos dois. No entanto, escutar da boca dele fez com que ela sentisse ter levado um soco no estômago. 

    - Ela veio me contar e exigir que casássemos. Eu disse que assumiria o bebê, mas que não queria me casar. E então ela sumiu

    - Foi quando larguei a cozinha - Angie explicou, vendo que Paola estava chocada demais para formular qualquer pergunta, ou conclusão. - Eu estava brava com Henrique; se ele não queria eu e meu filho juntos, então não queria nenhum de nós. Então fui para a casa da minha tia, que me abrigou, na condição de que eu tivesse uma carreira direita - Angélica enfatizou a última palavra, usando o escárnio que os cozinheiros usam para falar daqueles que menosprezam sua profissão. - E então, um dia, eu resolvi abortar. Já estava em uma faculdade que não queria; não precisava também de uma criança que eu não queria. 

    - Eu queria - Fogaça sussurrou, as mãos apertando com força a bancada onde Paola estava apoiada; a cabeça baixa. 

    - Bom. - Angélica suspirou, finalmente parando quieta. Parecia, como todos naquele ambiente, emocionalmente exausta. - A decisão não era sua. 

    Fogaça levantou os olhos para Paola. A argentina ainda tinha a cabeça apoiada nas mãos; os finos dedos adentrando seu couro cabeludo, o branco sumindo nos fios negros, os olhos fitando a bancada. Queria que ela se manifestasse. Queria que dissesse que estava do lado dele, que ele tinha razão. Mas sabia que, se ela falasse, não seria para defendê-lo. Paola defendia o direito da mulher, sempre defendera. 

    Paola sentiu o coração doer pelo namorado. Entendeu a angústia dele, e, se não estivesse em estado de choque, teria pulado em cima de Angie. Ele queria tanto ser pai. Sempre falava em crianças, paparicava as dos outros, mostrava vídeos de bebês na internet. Angelica não tinha o direito de dar a ele as expectativas e, depois, arrancá-las. Mas, na verdade, ela tinha, e Paola sabia. Ela tinha o direito de fazer o que quisesse com o próprio corpo. Além disso, Henrique tinha escondido dela essa história inteira. Não era só uma noite  com a colega de cozinha que ele tinha ocultado de Paola. Era toda uma história. Uma história que envolvia dor, angustia e questões não resolvidas até o presente. Como ele podia tê-la deixado de fora de tudo isso? Enquanto toda a tensão acontecia bem ali, debaixo de seu nariz, entre o namorado e a advogada que ela contratara para resolver a questão mais difícil de sua vida? Não dava para acreditar. E, por isso, ela permaneceu calada. 

    - Não foi só isso - Fogaça continuou, tanto para se explicar para Paola quanto para colocar todas as cartas na mesa com Angie, de uma vez por todas. - Você me fez procurar por você. Você me fez procurar uma mulher grávida do meu filho. Eu fiquei meses atrás de você, e, quando finalmente te achei, pensando que encontraria meu filho, um bebê que eu pegaria no colo e que teria os meus olhos, encontrei só você. Só você. 

    Ao levantar um pouco os olhos, Paola viu que Fogaça também estava chorando. Queria consolá-lo tanto quanto queria socá-lo. Ele tinha mesmo a intenção de manter tudo isso escondido dela? De fazê-la de idiota desse jeito? 

    - Eu estava lá para você - Angie respondeu. - Eu ainda estou aqui para você, Henrique. - A loira posicionou uma das mãos espalmada no peitoral do dono da casa, que ficou, por alguns segundos, sem reação. Segundos suficientes para Paola levantar violentamente do banco em que estava sentada. Ela não aguentaria nem mais um segundo daquela cena; precisava sair dali o mais rápido possível. 

    - Saia da minha casa. - Fogaça interrompeu as ações de Paola, que parou na metade do caminho para pegar sua bolsa. 

    - Foi você que me convidou, Henrique. - Ela respondeu, o olhar indo diretamente para a cozinheira, que encarava os dois.

    - Eu saio - Paola indicou, saindo do momento de transe e finalmente pescando a bolsa do chão. - Claramente, sou eu quem está sobrando aqui. 

    - Não - Fogaça segurou-a pelo braço, firme, impedindo que ela se virasse para ir embora. 

    - Você engravidou a minha cozinheira, deixou que eu a contratasse como minha advogada e convidou-a para o seu apartamento, sem me falar nada. Isso é tudo verdade, Fogaça? - Quando ele não respondeu, Paola puxou o braço de volta, tendo sucesso. O homem já não tinha mais forças para encará-la; muito menos para segurá-la. - Responda, Henrique. Você fez isso? 

    - Sim. 

 

    Paola encarou o cozinheiro por mais alguns segundos. Tempo o suficiente para ver Angélica dando um passo na direção dele, e saber que não aguentaria mais um segundo naquele apartamento. Com passos rápidos, ela abriu a porta da sala e seguiu para as escadas, não querendo perder tempo esperando o elevador. Ouviu passos atrás de si e soube que ele a seguia, mas não se importou. Andaria São Paulo inteira com ele atrás dela, se fosse preciso, mas se afastaria dali. 

    O carro estava estacionado na rua de trás, mas é claro que ela não se lembrou. Seria uma longa caminhada até em casa, mas não importava. Ela só tinha que andar e andar e andar, um passo atrás do outro, até estar o mais longe possível daquele prédio. Sua missão seguia bem há alguns minutos quando os passos atrás de si começaram a ficar mais altos. Fogaça era mais rápido do que ela; sempre fora. Era melhor encará-lo, antes que ele conseguisse segurá-la pelo braço de novo. Deixar que ele a tocasse era o que menos desejava no momento.

    - Porque você não me contou? - Ela perguntou, virando-se subitamente para o homem que a seguia, mais de perto do que ela esperava. 

    - Porque você ia querer procurar outro advogado, e ia demorar, e eu teria que ficar mais tempo longe de você - Fogaça deu um passo a frente, se aproximando mais da namorada. Como não foi repelido, prosseguiu. - Queria que tudo isso acabasse logo. Chamei a Angélica na minha casa justamente para perguntá-la porque está demorando tanto. 

    - Então… - Paola encarou os próprios pés, buscando palavras que pudessem ordenar seus pensamentos confusos. - Você foi egoísta o suficiente para mentir para , desde que tivesse as coisas do jeito que era melhor para você? 

    - Era o melhor para nós dois, Paola! Eu não menti…

    - Mentiu! - Ela gritou, afundando o dedo indicador no peito do homem, em acusação. Sua voz saiu embargada, e alguns passantes lançaram um olhar curioso para os dois. - Não me contar uma coisa assim é mentir, sim! E no pior momento de toda mi vida, quando eu mais precisava de você do meu lado! 

    - Paola… - Ele aproveitou o movimento dela e agarrou a mão que encostava em seu peito, sentindo o coração ser esmagado quando viu que ela chorava. - Você está sucumbindo às chantagens do maior canalha que já pisou na terra, e queria que eu te desse mais uma coisa com o que se preocupar? 

    - Sucumbindo? - Ela se afastou de novo, puxando as mãos de volta. Sentia tanta raiva que as lágrimas sumiram de suas bochechas, dando lugar a uma coloração vermelha escura. - Você acha que eu tenho alguma escolha nisso? 

    - Tem escolha! - Ele passou a gritar, fazendo com que os pedestres mudassem de calçada, assustados. - Tem escolha de mandar esse cara para o inferno! Tem escolha de brigar no tribunal pela sua filha, mesmo correndo o risco de perder, e se livrar dessa chantagem de merda! - Ele segurou os dois braços dela, impedindo-a de se mover. - Tem escolha de ficar comigo. 

    Dizendo isso, ele colou os lábios nos dela; os rostos contraídos de raiva e grito se fundindo no beijo mais sem sentido das vidas dos dois. Paola, por um segundo, quis baixar a guarda. No entanto, processou as palavras dele a tempo. Risco de perder? Perder Francesca? Nunca. Não correria esse risco nunca. 

    - Me solte! - Ela ordenou, se desvencilhando do homem à sua frente. - Estamos do lado da escola da Francesca. Se Solano te ve por aqui, comigo, mesmo que por foto, vai dar um escândalo. 

    Fogaça piscou duas, três, quatro vezes. Não podia crer no que ouvia. Se afastou dela, a boca semi aberta em descrença. 

    - Você está fora de si, Paola. Está ficando completamente louca.  - Ele andava para trás, se afastando dela. - Não dá pra continuar se não posso nem te tocar na rua. 

    As palavras dele a acertaram como um soco. Um soco na garganta, que a impedia de respirar. Mas, por alguma força interna desconhecida, conseguiu responder. 

    - Também não dá pra continuar se não posso confiar em você. 

    - Não continuamos, então.

    Ele respondeu, e, sem forças para encará-lo por mais um segundo sem chorar, Paola virou as costas e continuou seu caminho. Não percebeu quando começou a chover, nem quando seu sapato começou a machucar seu calcanhar, ou quando já andava há mais de meia hora e seus pés doíam. Ela apenas seguia em frente, umas das mãos apertando a tatuagem de fogo no ombro; e a única coisa que passava pela sua cabeça é que tinha perdido o amor de sua vida. 


Notas Finais


Paola tá doidinha, coitada... Então gente, essa foi a maior treta da fic, o drama principal, meio que o divisor de águas, etc. Por favor me digam o que vocês acharam! Beijo!


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