História Fantasmorado - Capítulo 8


Escrita por: ~

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Categorias Seventeen
Personagens Boo Seungkwan, Hansol "Vernon" Chwe, Jeon Wonwoo, Kim Mingyu, Wen Junhui "JUN", Xu Ming Hao "THE8"
Tags Comedia, Esfirra, Horoscopo Do Dia, Jun Fantasminha Camarada, Junhao, Karma Sutra, Não Sei Tô Louca, Oi Tudo Bom Contigo Rs?, Verkwan
Exibições 1.254
Palavras 4.225
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Fantasia, Misticismo, Romance e Novela, Slash, Sobrenatural, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


BOM DIA, CAMBADA!!!

Tia Mai tá postando cedo hoje, né? É PORQUE EU TO PISTOLA DEMAIS ENTÃO TÔ POSTANDO FANFIC ANTES QUE EU QUEBRE ALGUMA COISA!!!! Mas isso não interessa ninguém então apenas leiam meus queridos <3 Amo vocês <3

FANTASMORADO CHEGOU NOS DUZENTOS FAVORITOS ~samba
na moralzinha vamo se beja, vamos se ama
até lá embaixo <3

Capítulo 8 - Fantasumido


Fanfic / Fanfiction Fantasmorado - Capítulo 8 - Fantasumido

Seu horóscopo diário:

 

Fale menos e aja mais, sem ficar pesando todos os prós e contras. Júpiter pode não ajudar neste dia, aja por si mesmo e tente se manter atento com tudo aquilo que o cerca. Precisará de atenção redobrada ou será cobrado. Hoje pense bastante no amor, pode ser correspondido e problemas surgirão.

Números da sorte: 02, 10, 16

Cor da sorte: Preto

Amuleto da sorte: Chaveiro Trevo de 4 Folhas

 

- MingHao cê’ tem certeza que ta tudo bem com você? – Seungkwan perguntou pela quinta vez naquele dia ao se deparar com o outro encarando o nada na confeitaria novamente, o rosto completamente perdido nos próprios pensamentos. – Você ficou com essa cara estranha o dia todo. Parece até meio perdido...

- Essa é a única cara que eu tenho, chefe. – respondeu sem reação, fazendo o rosto de Seungkwan se contorcer em uma carranca irritada.

- Grosso. – anunciou com os braços cruzados. – Depois não reclama que eu não tentei te ajudar e...

- Desculpa... – MingHao murmurou se sentindo culpado. – É só que... meio que aconteceram umas coisas comigo e... ah sei lá, só não to sabendo lidar muito bem, saca?

- Tem a ver com aquele tal de Soonyoung que vive aparecendo aqui ultimamente? – Seungkwan perguntou curioso. – Desde que esse garoto começou a aparecer aqui pra conversar com você, você começou a ficar desse jeito... você ta gostando dele?! – perguntou animado e MingHao negou com a cabeça, sem nem forças de fazer a típica careta sempre que alguém falava algo do tipo.

Ainda que a companhia de Hoshi fosse realmente bacana e os dois até que tivessem algumas coisas em comum. MingHao simplesmente não conseguia gostar dele, por mais que tentasse – e continuasse tentando. Tinha algo emanando do garoto que ele sentia que devia se afastar, mas no fim sempre se sentia culpado, pois Mingyu e Wonwoo gostavam dele, JiHoon fez amizade com ele na confeitaria e como MingHao podia odiá-lo sem motivo algum?!

Só que agora ele só pensava em Jun o tempo todo e o sumiço do fantasma não estava ajudando em nada na sua condição atual e ele estava se sentindo péssimo.

Tudo bem que ter beijado o fantasma foi uma das coisas mais loucas que ele já havia feito em toda a sua vida, e tudo bem que ele sempre soltava sorrisinhos animados e levava a mão a boca sempre que pensava naquilo. Fora um ato impensável, ele sabia disso, mas não conseguia se arrepender de nada.

Droga, tinha sido muito bom!

O problema era que o beijo foi a causa do sumiço do outro, MingHao tinha certeza absoluta. Desde aquele dia ele simplesmente não aparecia mais para ele.

Tinha sumido. Puft. Que nem aquele fantasma daquele filme de terror idiota que o fizera cair na gargalhada no cinema, Wen Junhui tinha sumido da face da Terra e a pior parte era que MingHao não tinha nem ideia de como iria procurá-lo por aí.

Quer dizer, como procurar o que tecnicamente não existe?

Tinha apelado para um site de pesquisas na Internet e tentou uma sessão espírita, o jogo do compasso, até uma versão mais barata e paraguaia daquele tal de tabuleiro Ouija ele havia comprado, tinha até tentado deixar o apartamento uma bagunça para ver se Jun aparecia, daquele jeito irritado dele, mas sem sucesso.

A bem da verdade, MingHao sabia que Junhui continuava indo ao apartamento porque o seu histórico no computador dizia que ele acessava o site de astrologia para seu horóscopo, e as vezes ele encontrava tigelas de macarrão em cima da mesa quando voltava muito tarde do trabalho. Até Esfirra era alimentando quando ele se esquecia do gato e, as vezes, era acordado de manhã com um chute bem forte na porta do quarto.

Então sim, Junhui estava marcando presença no apartamento quase todos os dias e a questão era que o fantasma estava o ignorando na cara dura. E a pior parte? Ele nem conseguia ficar com raiva por isso. Porque, querendo ou não, Jun ainda estava cuidando dele. E saber que o fantasma continuava por perto já o acalmava pelo menos um pouco.

- MingHao??

- Não estou gostando do Hoshi, Kwan. – respondeu finalmente.

A resposta só deixou o chefe mais curioso ainda, se debruçando sobre o balcão para encarar o funcionário com mais clareza.

- Então por que você ta assim? Todo perdido, não ta prestando atenção em nada... e as vezes você começa a sorrir e não tem santo que tire esse sorriso do teu rosto... – Seungkwan disse com um sorrisinho de canto e ar de quem sabia o que estava falando. – Você ta com ar de quem está apaixonado. – concluiu vendo os olhos de MingHao se arregalarem.

Aquilo não havia passado nem uma única vez pela sua cabeça. Não mesmo.

- Eu não... – começou, mas então se interrompeu, parando para pensar de repente.

Cá entre nós... estaria ele apaixonado por Wen Junhui? Um fantasma?!

Os dois tinham mesmo se beijado e volta e meia se elogiavam sempre que podiam, fora que nas maratonas que faziam quase sempre era um filme romântico, escolhido por Jun, e MingHao gostava de se imaginar com Jun no lugar dos protagonistas. Tinha até mesmo uma cena feita de Titanic junto de Jun no barco na cabeça, aquela sensação de estar voando e tudo o mais.

Quando havia falado isso para Jun, o rosto dele se contorceu em uma careta.

- Pelo menos me deixe ser a Rose. – o fantasma pediu com o rosto sério. – Eu já sou lindo, mesmo...

- Mas nos meus sonhos você era o Jack! – tinha se defendido rindo. E então, com um sorrisinho diabólico, acrescentou calmamente. – E, de qualquer forma, você já está morto mesmo... não vai sentir frio quando o barco começar a afundar...

- MAS EU TENHO CERTEZA QUE CABIAM OS DOIS NAQUELA LASCA DE MADEIRA! – Jun gritou exaltado. – Rose é uma vadia! Pode ser ela, não quero mais. Adianta nada ser linda e ser ordinária!

Será que se ele dissesse que seu passatempo favorito era assistir filme com um fantasma Mingyu o acharia louco? Será que...

Junhui havia se tornado, antes que ele se desse conta, sua maior fraqueza. E MingHao só conseguiu perceber isso após ficar sem oito dia sem ver o rosto mal humorado de Jun. E aquilo... cara, aquilo era a maior burrada que ele já tinha feito.

Mais do que dormir no ônibus e ir parar há 156 quilômetros de casa, em um lugar desconhecido, sem dinheiro no bolso e esquecendo o celular no ônibus; Mais do que tentar voar com asas de papelão do segundo andar da casa e mais do que ficar acordado até tarde da noite para descobrir que o Papai Noel na verdade era seu pai colocando algumas notas em sua meia.

MingHao nunca pensou que seria o tipo de pessoa que se apaixonaria alguma dia. Sempre que via Mingyu e Wonwoo juntos, ou qualquer outro casal, ele sentia um misto de felicidade e tristeza. Gostava de ver os casais na rua, partilhando segredos e dividindo o guarda chuva, mas nunca acreditou mesmo que algo daquele tipo acontecia consigo.

Claro, ele tinha suas paixões passageiras pelo coleguinha da escola, o professor de artes bonitão ou o primo do interior que ele sempre visitava nas férias. Mas era rápido, nunca durava e MingHao não acreditava mais naquele lance de ser eterno. Quem sabe alguns dias, não é?

Mas ali estava: Provavelmente estava gostando de verdade de Wen Junhui e aquilo não era possível em nenhum plano terrestre. Não para si, não para o universo, não para a ordem exata das coisas e não tinha um motivo plano de porque tinha que ser justo consigo. Mas aquela era a verdade nua crua – talvez digna de um filme romântico que sempre passava as 4 da tarde – ele estava completamente apaixonado e tinha certeza que o fantasma sentia o mesmo.

“Saudades de quando eu era um lunático nas pernas da Chun Li” pensou colocando a mão na cabeça, em choque. O que fazer agora?

- Eu beijei o Fantasmigo. – admitiu de repente em um sussurro abafado, incrédulo. Ainda que a cena tivesse realmente acontecido e se passasse em sua mente por uns quinhentos ângulos diferentes – todos com a música da Celine Dion ao fundo, porque ele era romântico – tal como cena de dorama, quando o beijo entre os mocinhos finalmente acontecia. Droga, aquilo tudo era bizarro. Jun estava morto! Era um fantasma! – O Jun. Eu... Ai. Meu. Deus.

Ele passava tanto tempo com o outro que as vezes até se esquecia a realidade da cena: Junhui era um fantasma e ele estava morto. E pra começar nem na Terra ele deveria estar mais.

Seungkwan estava com as mãos no quadris e encarando MingHao com o olhar cético.

- Tá tirando com a minha cara que tu beijou um fantasma. – disse, e quando MingHao confirmou com um aceno, parecendo perdido, Seungkwan arregalou os olhos. – Eita, caralho! Mas... como você fez isso?! Tipo, ele não é um fantasma? MingHao você tem certeza que não anda usando drogas?

- Seungkwan...

- Ok, ok... desculpa. É só que... aish! Você concorda que isso é estranho, não é? – perguntou e o outro concordou, o rosto de quem estava prestes a chorar. – Mas por que você está assim? Foi ruim?

Para Seungkwan aquilo era o óbvio. Afinal, MingHao havia beijado um fantasma e aquilo por si só já era o cúmulo do absurdo. Que tipo de pessoa beijava um fantasma? Que tipo de pessoa morava com um fantasma?! Xu MingHao, claro..

Mas, para sua surpresa, MingHao negou com a cabeça.

- Não! Foi bom até demais, mas... agora ele sumiu e não quer mais aparecer para mim! – disse choroso e Seungkwan o puxou para um abraço, o consolando da forma que podia, já que na sua cabecinha aquilo não fazia sentido nenhum.

Um humano e um fantasma? Sério, ele tinha vontade de rir.

Mas vai questionar um coração apaixonado?

- Está tudo bem, HaoHao... ele só deve estar com vergonha. – murmurou acariciando os cabelos de MingHao como uma mãe. – Lembre-se de que ele é um fantasma e não sabe muito bem demonstrar o que sente, você deve ter pego ele de surpresa. Ele vai voltar.

- Eu não sei... – o outro respondeu soluçando. – Eu realmente não sei o que fazer... Eu... Essa coisa toda... é completamente impossível, não é?

Seungkwan nunca tinha visto alguém daquele jeito. MingHao estava sentindo tanta coisa que nem ele mesmo conseguiria definir direito o que estava sentindo. E – mesmo sabendo que aquilo machucaria o outro ainda mais – decidiu ser sincero.

- É sim. – disse abraçando MingHao com força. – Mas quando é que a gente se importa com essas coisas, não é mesmo?

Ainda com o rostinho vermelho e a vontade de chorar, MingHao ergueu a cabeça e encarou Seungkwan. Seu coração doía e ele nem sabia direito o porquê. Estava gostando de Jun, ok, mas todo mundo gostava de alguém em algum momento da vida, não é? Todo mundo já sofreu o que ele estava sentindo, não é?

Ele só devia aceitar de uma vez por todas.

- Kwan... quantos cemitérios tem na cidade? – perguntou em um muxoxo.

- Só um. – Seungkwan respondeu pensativo. – Tinha um outro do outro lado da cidade, mas já fechou faz uns vinte anos. O novo fica perto daquele Shopping Center que abriu esses dias, sabe?

- Pode me levar lá? No mais novo? – MingHao perguntou de repente e Seungkwan arregalou os olhos.

- Por que?!

Ele morria de medo de cemitérios e MingHao sabia muito bem disso. Como era capaz de perguntar aquele absurdo a alguém como ele?! Óbvio que a resposta seria não!

- Eu quero ver o túmulo do Jun.

“Ah, merda”

- Tudo bem.

 

( . . . )

 

Jun provavelmente é o primeiro fantasma da história a ter sido beijado por um ser humano.

E, pra quem antes mal conseguia tocar em alguém, aquilo era um puta avanço. Os roteiristas de Hollywood provavelmente ficariam loucos se soubesse daquilo, seria uma das maiores histórias de amor de todos os tempos, certo?

É. Seria.

Seria se MingHao não fosse um humano nos seus tenros 20 anos de vida e Jun não fosse um cara morto que nem sabia como tinha virado aquela criatura invisível de puro ectoplasma. Um espectro... algo que nunca seria tocado e não deveria ser notado. Era assim que era para ser, não era?

Seria assim se MingHao não tivesse lhe notado aquele dia, quando Jun meteu o nariz onde não era chamado.

Seria se ele não fosse um fantasma com um coração de ouro e acabasse se apaixonado pelo humano que parecia bestinha demais de vez em quando.

Droga!

Seria se ele não estivesse morto!

O fantasma não tinha coragem de falar com MingHao ou aparecer para ele. Geralmente passava as noites vendo o outro dormir e implorando para que Esfirra não enchesse o saco e começasse a miar, mas até o gato parecia ter notado que tinha alguma coisa acontecendo, pois sempre que Jun aparecia e se deparava com MingHao jogado no sofá da sala, o gato apenas lhe encarava fixo e pronto para atacar, mas nunca miando ou dando a louca como normalmente faria.

Ele queria ficar visível, queria reclamar com MingHao por chegar com as botas sujas de lama e gritar com ele por deixar o apartamento bagunçado de propósito. E foi só depois de um piti que ele deu com MingHao na cozinha foi que Jun entendeu o que estava acontecendo: não era só sua timidez que o impedia de falar com MingHao, por algum motivo ele estava invisível aos olhos do Xu de novo.

E foi aí que tudo começou a dar errado.

Começou porque depois desse dia MingHao apareceu no apartamento com aquele tal de Soonyoung que sempre metia a fuça onde não era chamado e vivia inventando pretextos para tocar em MingHao – coisa que ele não podia fazer.

Como Jun odiava aquele garoto!

Foi quase repentino: ele bateu os olhos em Hoshi e já o odiou de primeiro. Esfirra – como era de se esperar – já começou se esfregando nas pernas do garoto e ronronava baixinho, pedindo por carinho. A cada dia que se passava, Jun precisava se controlar para não jogar aquele gato pela janela e arrastar o tal do Soonyoung junto!

Jun quis morrer de novo quando MingHao começou a assistir séries com aquele cara e praticamente teve um surto quando Hoshi tentou passar o braço pelas costas de MingHao, sendo impedido com um gesto delicado de MingHao, que se afastou um pouquinho.

Aquilo o deixava louco de ciúmes e uma pitada de inveja. Ciúmes porque MingHao estava assistindo filmes com aquele garoto chato e inveja pois ele podia tocar em MingHao quando quisesse e Jun, não. Soonyoung poderia abraçá-lo e bater nele quando MingHao fizesse alguma cagada, Jun só podia gritar e se contentar com aqueles toques cautelosos para que MingHao não lhe atravessasse de vez.

Como ele queria poder tocar em MingHao de vez em quando...

As vezes, quando sabia que o garoto estava no sétimo sono e Esfirra dormia no andar de baixo – Jun desconfiava que o gato pensava que ele queria matá-lo –, ele até se aproximava um pouquinho e tentava fazer um carinho na bochecha macia de MingHao. As vezes ele sentia aquele choque irritante, em outras desistia pois tinha medo de acordá-lo.

Jun vivia constantemente dividido entre o que faria se conseguisse ficar físico por alguns segundos. Não sabia se daria um soco no vizinho ou se abraçaria MingHao, mas um abraço de verdade, daqueles bem apertados e tudo.

O fantasma já tinha perdido a conta de quantas vezes havia pensado em como seria se tivesse conhecido MingHao antes de tudo aquilo acontecer. Será que eles se gostariam do mesmo jeito? – nunca passou pela cabeça de Jun que o sentimento poderia não ser recíproco – Ou seriam inimigos declarados?

E como eles tinham se beijado? Ele não saberia dizer, por um momento sentia que estava ali, mas estava ali de verdade, até ousava pensar que, se tentasse abraçar MingHao, conseguiria. Por poucos segundos havia se sentido físico literalmente. Mas então aconteceu aquele choque sacana e, quando deu por si, estava no topo da escada encarando MingHao que mantinha um sorriso incrédulo no rosto.

- ... a gente pareceu vivo. – MingHao tinha dito com um sorriso, e Jun concordou com a cabeça, porque também tinha se sentido vivo. Por pouquíssimo tempo, mas havia.

Um fantasma se sentindo vivo... parecia até uma piada. Qual a próxima? Um elefante voador?

E o que ele diria para MingHao quando ficasse visível novamente? Agradeceria? Se desculparia ou o quê?

Parecia sacanagem que ele tivesse tido o seu primeiro beijo com um fantasma. Se fosse com Jun, pelo menos, ele ficaria irado.

- Eu não sei o que fazer... Será que eu amo ele mesmo? Eu deveria ir embora e nunca mais voltar, não é? Deixar ele viver... – murmurou baixinho para Esfirra, que apenas piscou umas três vezes e voltou a se aconchegar na almofada fofinha, dando zero fodas para Jun ou seus problemas. 

A bem da verdade, Esfirra só queria saber de seu Whiskas na tigela e a caixinha de areia limpa toda semana, fora isso a única coisa que interessava por ali era aquela almofada em cima do sofá. Quanto ao resto... Bem, ele sempre odiou fantasmas, de qualquer forma.

Jun bufou.

- Gato insensível.

 

( . . . )

 

- É aqui. – Seungkwan disse baixinho, estacionando o carro em frente ao portão preto e se virando para MingHao. – Bem, chegamos... você, ahn... eu te espero aqui fora, ta?

- Tudo bem. – MingHao disse saindo do carro e fechando a porta em seguida, encarando o portão a sua rente e respirando fundo.

Ele não fazia a menor ideia de porque estava ali ou o que estava querendo encontrar, não sabia se era ali que Jun estava e, no fundo, ele não queria achar nada. Estava com medo do que sentiria assim que entrasse por aqueles portões. Tinha vivido um conto de fadas e aquele era o momento em que os pais se sentavam na frente dos filhos e explicavam que o Papai Noel na verdade nunca existiu.

MingHao nunca foi muito chegado a cemitérios, na realidade nunca tinha nem pisado em um em toda a sua vida. A mãe, como a boa super protetora que era, se recusava a ir com o filho em um lugar desse tipo, e por isso a visão que MingHao tinha de cemitérios era a mesma dos filmes de terror ou daqueles dramáticos, que sempre aparecia em dias de chuva e tudo o mais.

Com passos decididos, passou pelo portão e olhou ao redor, vendo inúmeras plaquinhas no chão e se perguntando por onde devia começar a ‘procurar’. Andando incerto pelo loca, passou por vários nomes e várias datas, por pessoas chorando e flores coloridas. Algumas pessoas acendiam velas e outras deixavam cartas.

Era um local tão silencioso que MingHao se perguntou, por alguns momentos, se existia algum fantasma por ali.

“Park Kang-Ho

Lee Bae-ni

Song Ji-yang

Quian Dal-li

Park Su-lyn

Do Hyung-won

Jeon Lee-man

Kwang Ni-san”

Eram tantos nomes!

Mordia os lábios em nervosismos conforme avançava pelo cemitério, queria poder sentir medo ou alguma desculpa para simplesmente se virar e sair correndo dali, entrando no carro e indo embora com Seungkwan sem olhar para trás. Mas quanto mais lia os nomes, mais se sentia motivado a encontrar quem procurava.

“Wen Jun-hui”

Será?

Era uma plaquinha um tanto amassada e com a data apagada devido ao tempo, MingHao havia encontrado o nome ao lado de Lee Seung-soo, era uma parte menos cuidada do cemitério e por isso ele se demorava um pouco lendo os nomes, e já ia se virando para ir embora quando a ficha caiu e ele parou, encarando a plaquinha com o olhar perdido e se perguntando o que fazer em seguida.

Rezar? Ele nunca foi o tipo de pessoa que rezava, nem sabia uma oração de cor direito e não havia se dado o trabalho de levar uma vela ou um buquê de flores – parte de si não queria encontrar nada por ali. E por isso apenas ficou encarando o nome grava no metal e resistindo a vontade de chorar.

Era ali que o seu Jun estava, afinal.

- P-parece que eu finalmente te encontrei. – murmurou baixinho.

- Com licença. – uma voz chorosa disse em um sussurro, cutucando seu ombro e, quando se virou para trás, MingHao se deparou com um garoto de cabelos longos, vestindo um moletom cinza e usando óculos escuros. – Você... você veio ver o Sr. Wen?

- Eu... me desculpa, eu... – respondeu perdido. – Não, eu acho que... eu acho que foi um engano. Você pode... pode ficar a vontade. Eu... eu acho que estava procurando por outra pessoa.

- Faz pouco tempo que ele se foi. – o garoto continuou olhando para a plaquinha de metal. – O choque... o choque foi grande demais para ele... – e então ele começou a chorar. – A culpa foi toda minha...

Sem saber como reagir, MingHao apenas saiu do caminho do outro, vendo o garoto se ajoelhas e tirar os óculos escuros, colocando em cima da plaquinha ao lado de uma rosa amarela e uma vela acesa já na metade. O garoto tirou um lencinho branco do bolso e enxugou os olhos, assoando o nariz em seguida para depois o usar o mesmo lenço para tirar a poeira da plaquinha.

Conforme limpava, o menino conversava baixinho e MingHao, sem resistir a tentação, se aproximou mais um pouquinho para ver o que ele tanto falava aos soluços.

- ... e eu sei que eu atrasei para vir. Mas as coisas estão tão complicadas! Eu fico perdido no hospital, sempre esperando que uma hora você chegue e me xingue porque eu não estou usando meu amuleto da sorte... – ele deu um risinho triste. – Eu me esqueci de usar ele hoje de novo, desculpe.

Com um suspiro, MingHao pensou no chaveiro que havia sido colocado em cima do balcão naquela manhã, cujo qual estava no bolso de sua calça até aquele momento. Involuntariamente, pegou o objeto e sentiu o toque frio do mesmo, quase como um pequeno choque em seus dedos.

- As vezes eu penso que se tivéssemos chegado mais cedo... se tivéssemos cuidado de você ao invés de focar só nele, talvez... eu não sei... talvez pudesse ter sido diferente. – o garoto sussurrou colocando as mãos na boca para reprimir o choro. – Eu não sei porque vim aqui hoje, fiquei com vontade de te ver, de te contar o que ta acontecendo com a gente, sabe? Eu sei que você ta bravo por eu ter saído de perto dele, mas... droga, eu sinto sua falta!

MingHao suspirou, a dor na voz daquele garoto era tão evidente que por um momento se sentiu culpado por estar ali, bisbilhotando. Já tinha encontrado o túmulo de seu fantasma e sabia que já poderia ir embora, voltar para o carro de Seungkwan e então tentar absorver tudo o que tinha acontecido nas últimas semanas.

Naquele momento ele não sabia de mais nada.

- Tem horas que eu olho para ele dormindo e penso em como você me xingaria por ser tão irresponsável. Pelas roupas jogadas na casa, você provavelmente teria um piti. Mas eu sinto saudades dos nossos momentos, de quando você xingava a gente e gritava comigo, e fazia a gente ficar meia hora secando uma xícara... – o menino suspirou. – você faz falta, era chato, mas realmente faz muita falta. Só que a parte boa é que você está em paz agora, não tá? Acho que finalmente vai ter o sossego que você sempre falou pra frente. Lembra que você vivia falando que queria que a gente fosse pro céu quando morresse porque você não queria gente chata com você no inferno?

MingHao sabia agora.

- Eu só não queria ter que ficar sozinho...

Jun não se lembrava, mas ele tinha uma família e essas pessoas vinham lhe visitar todos os dias, deixavam lembranças e conversavam como se ele estivesse ali. E agora ele entendia porque precisava fazer o fantasma se lembrar: ele precisava descansar, precisava ter sossego. Ele merecia isso, sua família e seus amigos acharam que era isso que ele estava tendo naquele exato momento.

E MingHao sabia que devia parar de ser tão egoísta e só pensar em si mesmo.

Ele tinha um fantasma para ajudar.

Ainda perdido nos próprios pensamentos e segurando firmemente o chaveiro, MingHao viu com o canto do olho o menino dizer mais algumas coisas que ele não entendeu devido ao choro estridentes do outro e colocar mais uma cartinha ao lado da vela e da rosa. E foi aquilo que mudou tudo.

O menino ficou mais um tempo ajoelhado e dizendo mais algumas coisas sussurradas, porém MingHao não conseguia pensar em mais nada naquele momento, outra coisa já havia lhe chamado a atenção e nada ao seu redor parecia ser tão importante.

No chão, bem ao lado da plaquinha, não era uma carta ou um bilhete que o menino tinha colocado ali. Era uma foto, e MingHao reconheceria aquele rosto sarcástico em qualquer lugar, ainda que estivesse com o cabelo diferente, um uniforme colegial e o rosto mais moreno. Ele reconheceria aquele rosto em qualquer lugar pois o estava vendo a mais de meses.

Era uma fotografia de Jun. Do seu fantasma. 


Notas Finais


.... vish maria é agora que começa as treta tudo -q

Essa sexta eu posto o especial no ponto de vista do Esfirra <3
Já estou indo responder os comentários do capítulo passado, aliás!
amo vocês, até o próximo <3


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