História Far away - Capítulo 6


Escrita por: ~

Postado
Categorias Os Heróis do Olimpo, Percy Jackson & os Olimpianos
Personagens Apollo, Hades, Jason Grace, Nico di Angelo, Piper McLean, Will Solace
Tags Nico Di Angelo, Solangelo, Wico, Will Solace
Exibições 162
Palavras 3.650
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Bishounen, Colegial, Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Lemon, Mistério, Romance e Novela, Shonen-Ai, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Boa tarde meus queridos! Olha quem voltou <3

Como vocês estão sendo lindos e comentando nos capítulos decidi atualizar de novo a fanfic hahaha.
Sério, muuuito obrigada pelo apoio e carinho. Eu leio cada comentário com uma alegria imensa, é muito bom *-*

Já peço perdão por esse capítulo, pois ele está destruidor. PORÉÉM, vocês agora vão entender mais a treta dos dois :x

Se puderem ouvir o capítulo escutando a música "lullaby" do Nickelback vão ver que é algo arrepiante. Vou deixar o link dela nas notas finais.

Sem mais delongas, boa leitura :3

Capítulo 6 - As três palavrinhas que acabaram com o encanto


Fanfic / Fanfiction Far away - Capítulo 6 - As três palavrinhas que acabaram com o encanto

Will on

Flashback on

Minha mãe sempre foi dotada de muitos talentos: carisma, bom humor, atriz, apresentadora e cantora. Mas, o talento dela que sempre tirou meu fôlego era o de tocar piano.

Desde pequeno, quando ela ficava em casa de repouso, a ouvia tocando belas melodias no nosso piano de cauda. Havia me dito que tinha aprendido a tocar quando pequena com o seu pai que era pianista de uma pequena orquestra.

Sempre que não conseguia dormir ou tinha pesadelos ela me levava para a sala de música e tocava melodias suaves que despertavam uma calmaria no meu coração me fazendo dormir.

Naquele momento, estava sentado no chão da sala de instrumentos admirando minha mãe tocando.

- Will, vem aqui. – diz ela me olhando e parando de tocar.

Aproximo-me de lá e ela me pega no colo me colocando sentado do seu lado.

- Vou te ensinar uma música. Eu a tocava para você quando pequeno. – ela pega minhas pequenas mãos e posiciona nas teclas do piano. – Vamos com calma, ok?

Minha animação era tanta que calma é algo que não tinha no momento.

Primeiro ela toca sozinha a música e acompanhado ao som do piano vinha a sua voz suave. Eu me lembrava vagamente daquela música, eu dormia ouvindo-a quando tinha pesadelos.

- Vou te ensinar a parte facilitada. Aqui oh. – ela sorri para mim e começa a me ensinar.

Eu só pensava em duas coisas naquele momento: em como a voz da minha mãe parecia de um anjo rezando e em como queria mostrar essa música ao Nico.

Flashback off.

Depois da confusão com a festa eu dormi igual uma pedra durante a noite toda. Ainda não entendia o que havia acontecido horas depois de ter bebido além da conta e feito aquilo com o Nico. Por um momento eu me lembrei da época que tinha percebido que eu o amava. Quando esse sentimento foi esquecido?

Assim como ele havia falado eu acordo no dia seguinte com uma ressaca chata, não estava forte igual eu imaginei que poderia estar. Provavelmente o remédio e o chá que ele fez para mim aliviou as coisas. Aliás, tinha que agradecê-lo pela noite anterior. Fui um idiota e incômodo.

Quando obrigo meus olhos a se abrirem totalmente agradeço pelas cortinas estarem fechadas não incomodando meus olhos. Dou uma averiguada no meu quarto e tudo está do mesmo jeito que tinha deixado antes de ir dormir.

Levanto aos poucos meu corpo da cama, mas quando sinto umas pontadas na minha cabeça logo levo minha mão para ela. Acho que precisaria de mais algum remédio.

Olho para o relógio e vejo que ainda daria para tomar o café da manhã. Saio da cama e pego algumas roupas para me trocar. Vou ao banheiro e tomo um banho quente para não incomodar meu corpo e piorar a dor de cabeça. Assim que termino, me visto e desço as escadas com calma.

Ao descer percebo que não havia ninguém lá embaixo. Ou estavam dormindo ou já estavam no refeitório. Não espero para ter respostas e pego um óculos de Sol no meu quarto logo depois caminhando até o refeitório.

Ao entrar lá vejo o silêncio dominar o local  parece que todos combinaram de manter o mínimo de som para evitar mais dores de cabeça.

Vou até a bancada e pego meu café da manhã. Olho ao redor do refeitório e vejo meus colegas de dormitório no final dele. Sem pensar muito caminho até lá.

- Parece que o novato está tendo uma ressaca das grandes. – como o Leo podia ficar tão animado logo de manhã?

- Sou o único? – digo sentando do lado do latino e tirando meus óculos.

- Esse aqui. – ele aponta para o Percy. – vomitou tudo de manhã, o Jason e o Frank como são chatões estão sem ressaca. Eu como o mestre me preveni e tomei alguns remédios. E então, a festa foi boa?

- Se eu me lembrasse direito dela. – começo a comer com calma as panquecas.

- Bom, parece que a Joyce vai lembrar bem dela. – no começo olho para ele não entendendo nada, mas depois me lembro da menina que quase engoli na festa.

- Droga. Lembre-me de não me deixar beber na próxima vez. – digo com uma cara de arrependimento. – Ela não vai ficar no meu pé, né?

- Ah relaxa, ela pegou mais três naquela festa. – tentava adivinhar se isso era bom ou ruim.

Ao prestar mais atenção vejo que o Nico não estava lá.

- O Nico ainda está dormindo? – digo tentando usar isso como disfarce para a minha preocupação.

- Ele já acordou e tomou café. Disse que iria andar por aí. – diz Jason distraído balançando a xícara de café.

Apenas dou nos ombros e continuo comendo. Ele deveria estar na sala de cinema ou talvez na biblioteca? Não que eu me importasse, apenas queria agradecer ele pelo que tinha feito. Não gostava de ficar em dívida com alguém.

Termino meu café da manhã e vou direto para a pequena sala de cinema e logo em seguida para a biblioteca, mas em nenhum desses lugares ele se encontrava.

Como o Sol estava me incomodando eu volto para o dormitório e me tranco no meu quarto. Pego algum livro para ler e passar o tempo, porém logo o sono começa a surgir e me entrego a ele.

Em meio a leves cochilos e dormidas finalmente a noite chega. Sou acordado por um barulho vindo do andar de baixo. A dor de cabeça já estava bem melhor e meu corpo não doía tanto. Não deveria ter dormido o dia todo, passaria a noite em claro e não estaria totalmente disposto para a aula de amanhã.

Levanto da cama e desço as escadas para ver o que havia causado o barulho. Assim que consigo vislumbrar o andar de baixo vejo na cozinha o Nico, vestindo uma calça moletom preta e uma pulsa cinza, tentando preparar alguma coisa para comer.

- Vai quebrar a casa toda assim. – digo bocejando e terminando de descer as escadas.

Ele apenas me olha e depois volta a sua atenção para a bagunça que tinha feito. Ao me aproximar vejo que preparava miojo e que acidentalmente tinha deixado um pouco de água fervente cair na pia.

- Se machucou? – digo preocupado.

- Só me queimei de leve, não vou precisar de uma transfusão de sangue ou transplante. – ele e o seu humor provocativo.

- Deixa eu ver. – não espero ele dar permissão e pego a sua mão. Pelo que via apenas tinha queimado bem leve o seu dedo. Com a minha outra mão ligo a torneira e coloco o seu dedo lá embaixo. – Isso vai aliviar a dor, depois pego uma pomada para você.

- Não precisa dessa preocupação toda, é apenas um dedo. – ele me diz despreocupado.

- Qualquer machucado é preocupante. – tiro o seu dedo debaixo da água e desligo a torneira.

O silêncio perturbador se forma no ambiente. Vamos Solace, agradecer nunca foi uma missão impossível para você.

Respiro fundo e organizo os meus pensamentos.

- Obrigado pela noite anterior. Se não fosse você estaria morrendo de dor de cabeça e passando mal. Obrigado. – crio coragem e o encaro.

Aqueles olhos nunca perdiam a sua essência.

- Não precisa agradecer, já disse que seria chato ouvir seus resmungos de dor a noite toda. – ele livra a sua mão da minha e volta a sua atenção para o miojo.

Sabia que ele não aceitaria ou confessaria tranquilamente o que havia feito.

- Mesmo assim, obrigado. – sorrio por causa da teimosia.

Sabendo que a conversa não passaria disso volto para as escadas.

- Vou deixar a pomada no seu quarto. – digo antes de subir as escadas.

Por um breve momento imagino ter ouvido a voz dele agradecendo por aquilo.

Impossível.

Depois de ter deixado a pomada no quarto dele volto ao meu e arrumo minhas coisas para o próximo dia. Após isso, sou entregue mais uma vez aos sonhos.

Começo a ouvir um barulho infernal se formando no meu quarto impedindo que meu sono continuasse. Quando abro os olhos percebo que era meu despertador indicando que mais um dia começaria.

Levanto da cama, tomo um banho e pego minhas coisas com o horário das aulas.

Assim que chego ao refeitório, pego meu café da manhã e sento de novo com os meus colegas de dormitório. Mais uma vez não vejo o Nico lá, penso em perguntar, mas daria muito na cara.

Por que isso te perturba Will? Você já agradeceu a ele. Esqueça isso.

Fico a refeição toda puxando papo com os meninos na mesa. Leo como sempre estava animado com tudo e comentava sobre uma garota que tinha conhecido na festa. Percy ficou quieto no começo, mas logo se soltou e percebi que era uma pessoa confiável e amigável. Frank é quieto demais, mas sempre que achava uma abertura para conversar sobre o que tinha interesse não parava mais de falar. Luke é amigável, mas tinha um ar traiçoeiro que aprontava muito. Eu já conhecia Jason da época do colégio, então não tem muito que acrescentar dele.

Depois de muita conversa o sinal toca e todos se direcionam até seu campus.

A aula foi calma e agradável. Os professores possuem uma didática incrível e dinâmica, não é atoa que a escola tinha essa fama. Fiquei vidrado em todas as aulas e tentava ao máximo acompanhar a forma de cada de dar aula. No meio disso acabei conhecendo dois alunos: Kayla e Austin. São pessoas legais de se conversar e me mostraram o que eu ainda não tinha visto do campus.

Mas, o que mais me impressionou foi a sala de música que a escola possuía. Lá de dentro podia-se ver vários instrumentos bem colocados e arrumados. Tinha um pequeno palco onde conseguia ver um lindo piano branco tomando conta dele. Tão lindo...

Eles me disseram que você podia pedir para a inspetora a chave da sala caso quisesse tocar algo, apenas depois das aulas é claro. E se forem pegar algum instrumento tinha que ser com ela também.

O que me interessava era apenas o piano.

Quando dá o intervalo eu apenas pego um suco e me sento em um dos bancos que tinham espalhados pela faculdade. Abro um dos livros de anatomia no meu colo e começo a dar uma leve lida, mas minha mente estava só presa no piano. Eu certamente iria tocar ele hoje.

Desisto de ler e coloco meus fones de ouvido apreciando a voz do John Mayer. Meu pai me viciou nas músicas dele.

Percorro meus olhos pelo pátio até que minha atenção vai até duas pessoas: Nico e a pessoa que na festa de sábado ele havia beijado. Eles conversavam normalmente e de vez em quando riam de algo.

Será que eram namorados...? Não, não pareciam isso. Mas, apenas amigos também não eram. Pelo menos não depois do beijo.

Conversávamos assim antigamente. Inseparáveis. Essa é a palavra que definia bem o que éramos. Engraçado como isso muda apenas em alguns meses.

Suspiro e fecho meus olhos apreciando o som do violão na música até o sinal bater.

(...)

- Ei vai com calma guerreiro. – diz Leo rindo da minha cara.

Estou agora no refeitório. As aulas tinham acabado por hoje e eu almoçava rapidamente. A ideia de poder ir logo para a sala de instrumentos ainda perturbava a minha mente

- Desculpa, eu tenho que ir agora. – engulo rápido a comida e pego as minhas coisas saindo depressa do refeitório.

Pego o meu celular e coloco na música que provavelmente tocaria no piano. No caminho medito nas notas e as toco no ar. Faz muito tempo desde a última vez que mexi no instrumento. Na verdade, fiz isso poucas vezes. O piano sempre me lembrava a minha mãe.

- A chave da sala de música, por favor. – digo com um sorriso para a inspetora e ela apenas me dá a chave sem questionar.

Entro na sala de instrumentos e vou direto ao piano. Assim que abro a sua tampa sinto uma nostalgia me dominar. Passo meus dedos nas teclas, esbanjo um sorriso e fecho os olhos para sentir a emoção. Toco a primeira nota. Dó central.

- Isso é muito bom. – a felicidade que sentia era inexplicável.

Logo sento no banco do piano, estralo os meus dedos e medito de novo na melodia daquela música. Lembrava das notas? Sim. Da letra da música? Perfeitamente.

- Me escute mãe. – sussurro para mim mesmo.

Respiro fundo e começo a tocar.

Well I know the feeling

Of finding yourself stuck out on the ledge

And there aint no healing

From cutting yourself with a jagged edge

I'm telling you that

It's never that bad

Take it from someone who's been where you're at

Laid out on the floor

And you're not sure

You can take this anymore

Bem, eu conheço a sensação

De se encontrar preso a beira do abismo

E não há cura

De se cortar com uma navalha afiada

Eu estou lhe dizendo que

Nunca é assim tão ruim

Aceite isso de alguém que já esteve onde você está

Caído no chão

E você não tem certeza

Se você pode aguentar mais

Sim, é exatamente assim a primeira música que minha mãe me ensinou.

Está ouvindo daí mãe? Eu aprendi a versão original para que você ouvisse quando saísse do hospital, mas... Isso não foi possível.

Você me desculpa por ter te dado aquela doença? Não era a minha intenção tudo aquilo. Era apenas um bebê inocente que não sabia que a vida sempre pedia algo em troca da felicidade.

Ainda lembro perfeitamente do seu sorriso e da sua voz suave enquanto cantava essa música para mim. Foi difícil no começo me ensinar né? Sempre fui agitado demais e ansioso. Obrigado por ter tido paciência comigo mãe, mesmo a senhora estando naquele estado.

So just give it one more try

With a lullaby

And turn this up on the radio

If you can hear me now

I'm reaching out

To let you know that you're not alone

And if you can't tell

I'm scared as hell

'Cause I can't get you on the telephone

So just close your eyes

Oh, honey here comes a lullaby

Your very own lullaby

Então, só tente mais uma vez

Com uma canção de ninar

E aumente isso no rádio

Se você pode me ouvir agora

Eu estou te alcançando

Para que saiba que você não está sozinha

E se você não pode falar

Eu estou muito assustado

Porque eu não estou conseguindo te falar pelo telefone

Então, basta fechar os olhos

Querida, aqui vai uma canção de ninar

Sua própria canção de ninar

Sabe de uma coisa mãe? Eu ainda não sei como lidar com a dor de te perder. Por todo esse tempo eu me mostrei forte em relação a isso. Você sempre me disse que ficava com uma cara horrível quando chorava. Mas, eu estou começando a não me importar com isso.

Desde que você foi embora que minha vida tem se tornado uma bagunça. Não tenho mais com quem conversar, rir e desabafar do jeito que fazia com você. O pai vive trabalhando e eu sei o motivo disso: para ocupar a mente. Minha tia só sabe falar de negócios e de como eu deveria honrar o seu nome.

Eu me lembro como você me deixava à vontade em todos os lugares. Não se importava com o essas coisas de etiqueta, eu era apenas uma criança. Sempre me mostrou que a sua fama nunca me afetaria.

Please let me take you

Out of the darkness and into the light

'Cause I have faith in you

That you're going to make it through another night

Stop thinking about

The easy way out

There's no need to go and blow the candle out

Because you're not done

You're far too young

And the best is yet to come

Por favor, deixe-me tirá-la

Dessa escuridão e levá-la para a luz

Porque eu tenho fé em você

Que você irá passar por outra noite

Pare de pensar sobre isso

É o caminho mais fácil

Não há necessidade de apagar a vela

Porque você não está pronta

Você é muito jovem

E o melhor ainda está por vir

Não aguento ficar mais sem você. Sinto falta do seu abraço, seu carinho de manhã e os seus conselhos sábios. Eu sei que deveria falar com o meu pai sobre isso, mas tenho medo do que isso pode acarretar. Ele não consegue ouvir seu nome sem se sentir triste.

Não tenho ninguém mais com que possa falar. Essa música está chegando aí? Pode ouvi-lá?

Well everybody's hit the bottom

Everybody's been forgotten

When everybody's tired of being alone

And everybody's been abandoned

I left a little empty handed

So if you're out there barely hanging on

Bem, todo mundo já alcançou o fundo do poço

Todo mundo já foi esquecido

Quando todo mundo está cansado de estar sozinho

E todo mundo já foi abandonado

Eu fiquei de mãos vazias

Então, se você mal está suportando

“E o Nico?” Você iria me perguntar se estivesse aqui. Eu não sei o que houve com a gente. De repente ele parou de atender as minhas ligações e me evitava. Será que eu me precipitei naquela noite? Podia ter bebido um pouco, mas lembro de cada detalhe, cada toque, beijo e sussurro. Eu o amava tanto... Por que você fez isso comigo Nico?

Eu sei que errei ao ir para a Inglaterra sem falar contigo. Mas que escolha eu teria depois de saber que você havia dormido com o Octavian? Você era o único que mantinha os meus pés nos chão. E como um passe de mágica você foi embora.

Não... Não foi apenas isso que me fez ir embora. Aquela casa lembrava a minha mãe, te lembrava. Acima de tudo... Foi ela que me mandou pra fora.

“Vamos Will! Não faça isso com a sua mãe, ela não te criou para você virar... Isso! Diz para a tia que isso é mentira, não por mim e sim pela sua mãe que construiu tudo isso para você!”.

Ainda me lembrava perfeitamente daquela conversa. Eu estava com medo, assustado e pensava que a minha tia era a única que poderia me ajudar. Estava totalmente enganado.

“Me diz William! O que você acha deles? Não seja uma vergonha para a sua mãe e o que ela construiu para você”.

Eu tremia. Não podia falar aquelas palavras, mas... Minha mãe sempre foi o meu ponto fraco. É isso que você queria para mim mesmo? Se for... Eu...

“Homossexuais são nojentos”. A minha voz ecoa na minha lembrança.

Just give it one more try

With a Lullaby

And turn this up on the radio

If you can hear me now

I'm reaching out

To let you know that you're not alone

And if you can't tell

I'm scared as hell

Cause I can't get you on the telephone

So just close your eyes

Oh, honey here comes a lullaby

Your very own lullaby

Então, só tente mais uma vez

Com uma canção de ninar

E aumente isso no rádio

Se você pode me ouvir agora

Eu estou te alcançando

Para que saiba que você não está sozinha

E se você não pode falar

Eu estou muito assustado

Porque eu não estou conseguindo te falar pelo telefone

Então, basta fechar os olhos

Querida, aqui vai uma canção de ninar

Sua própria canção de ninar

Imediatamente paro de tocar e aperto com força as últimas teclas.

Por que eu disse aquilo? Não me sentia assim, não sou nojento... Então, por quê? Eu queria que você me ajudasse tia, que dissesse que não tinha mal algum em me sentir diferente, em amar de uma forma que as pessoas não entendiam. Por que você não disse que estava tudo bem? Ao contrário disso... Me fez falar aquelas palavras e ainda engolir o lema: legado é tudo Will. Não suje o nome da família.

Mãe... Ser homossexual manchava o nome da família? Por que eu não podia amar como as outras pessoas? É tão horrível assim? Eu não vejo nada de diferente nisso, é amor. Assim como você sentia pelo meu pai, por mim, eu sentia também... Por ele.

Por que é tão errado isso?

Ia começar a me derramar em lágrimas quando ouço passos vindo atrás de mim. Assusto-me na hora e vou de encontro ao som.

- Parece que os boatos são reais. Will Solace é realmente um prodígio. – vejo Jason entrar na sala com um sorriso amigável.

-Minha mãe me ensinou a tocar. – digo calmamente para não começar a chorar. – Como você...?

- Você esqueceu de colocar a placa: não perturbe. – ele ri baixo. – E também fiquei curioso depois de ver o Nico encarando fixamente para a sala.

O Nico me viu tocar...?

- Ele disse que você deveria parar de tocar com tanta tristeza. Disse que quando ouviu essa música pela primeira ele não sentiu que era pra ser desse jeito. – Jason chega mais perto do piano e encosta nele.

É diferente agora.

Nico. A única pessoa na qual eu contava meus segredos mais obscuros, que sorria sem razão, que queria ver a todo instante e abraçar. Ele não precisava dizer nada para me fazer se sentir bem, os seus olhos e sorriso faziam isso pelas palavras.

Como foi que perdi tudo isso de um dia para o outro?

Você não queria aquilo naquela noite Nico? Então... Por que não parou?

Eu só tenho você. Esses cinco anos foram insuportáveis, porque acha que eu voltei quando tive a oportunidade? Por que acha que eu pedi a Bianca para me matricular aqui?

Eu quero entender o que houve naquela época. Entender porque você ficou daquele jeito e como o que eu sentia por você passou a doer tanto.

Eu quero entender tudo.

- Jason, posso te pedir uma coisa? – digo firme olhando para ele.


Notas Finais


Link da música: https://www.letras.mus.br/nickelback/1987496/traducao.html

É minha gente... Que capítulo tenso e triste... Foi de apertar o coração o Will conversando com a mãe dele né? Eu estou destruída. Falando nisso, queria dedicar esse capítulo a uma pessoa muito importante para mim: meu tio. Espero que você esteja orgulhoso de quem eu me tornei <3.

Enfim, vocês se lembram do Nico falando de três palavras que ele ouviu? Que isso foi um dos motivos de tudo? HMMMM, será que ele ouviu essa conversa? Ou o Will falou para ele? :x
Estão conseguindo entender melhor a treta?

Bom, não esqueçam de comentar e nos vemos no próximo capítulo. Beijinhos, beijinhos. Garota do blog huehue <3


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