História Farce - Capítulo 11


Escrita por: ~

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Palavras 3.991
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


O capitulo ficou meio longo, mas, se conforta vocês, tem um pequeno hot kkk
Tudo nele será explicado e reutilizado mais pra frente na história.
Espero que vocês gostem.
PS: Em breve postarei o banner do capitulo, hoje é o único dia que consigo postá-lo, então postarei assim mesmo kkk

Capítulo 11 - Guérison


Fanfic / Fanfiction Farce - Capítulo 11 - Guérison

Curativo

Incertos, meus olhos pesavam ao piscar. Por conta do pouco espaço, eu só conseguia enxergar silhuetas confusas contra a luz branca em segundo plano. Tudo estava girando. Vozes desconhecidas murmuravam ao meu redor. Eu tentava decifrá-las, mas o idioma diferente se misturava a sirene ressonante resultando num dever quase impossível. Tentei me mexer, porém meus braços estavam presos, bem como as pernas e o tronco. Eu estava imobilizado.

Onde diabos eu estava? Presumindo pelos ruídos agonizantes e as luzes turvas, eu diria que estava no inferno. No entanto, pelo menos, eu estava vivo.

Sem me dar conta, meus olhos fecharam. Enquanto a escuridão voltava a reinar em mim, as vozes persistiam junto ao chacoalhar. Em meio ao burburinho, o sotaque de Pierre se destacou. A voz familiar me tranqüilizou, todavia uma parte de mim receou. Afinal, perseguir um timbre conhecido que me levara até ali. Chloé. Era como se eu estivesse num labirinto e todos os caminhos me levassem a ela.

De repente, um estrondo me obrigou a abrir os olhos. Uma mulher com jaleco branco empurrou algo perto de minha cabeça e notei o corpo imóvel se locomover. Eu estava numa maca. Abandonei a ambulância rapidamente com a ajuda de dois rapazes. Mais remelexos e tensão no momento em que adentramos o hospital. Meus olhos espiavam cada canto, tentando entender qualquer palavra dita.

— Justin, eu estou aqui. — assim que ouvi Pierre, esforcei-me ao máximo para sorrir, mas não o fiz. — Você está bem, ok? Estarei aqui contigo, não se preocupe.

O teto branco iluminado mudou para um tom suave de azul quando entramos em uma saleta. Mais rostos bizarros, desta vez mascarados, e idiomas com os sotaques estranhos. Deram-me algo para cheirar. Talvez tenha sido o médico, eu esperava que sim, na verdade. Em questão de segundos, o pouco que meus olhos enxergavam se embaçou e, subitamente, não havia mais nada. 

Marselha, 5 de Março de 2015.

Meus olhos se abriram sem dificuldade, tão logo encarando o cômodo branco, o qual eu não conhecia. Virei o rosto ligeiramente em busca de alguém no quarto e lá estava Pierre adormecido na pequena cadeira do acompanhante. Parecia-me terrivelmente desconfortável. Senti minha boca rachada se esticar num largo sorriso por não estar sozinho.

Observei meu estado naquela manhã. Nos braços, havia marcas de arranhões entre o soro e medidores cardíacos. Sobre a barriga, avistei uma faixa de gazes a firmar um curativo relativamente extenso. Aquilo não poderia ser boa coisa. E, em minhas mãos, mais lanhos. 

Chamei o francês, quem nem se quer se mexeu. Balancei os braços, mas o gesto tolo não surtiu efeito. Uma enfermeira adentrou abruptamente o quarto e, sem intenção, acordou-o. Ela afofou o travesseiro atrás da minha cabeça, verificou meu ferimento e sorriu para mim. A moça negra dos cachos perfeitos apertou a minha mão, como se aquele toque me desse força.

— Bom dia, senhor Bieber. — puxou a ponta do lençol sobre mim. — Está na hora do banho, preparado?

— Você me dará banho? Não, obrigado, mas isso seria muito constrangedor. — neguei prontamente, cobrindo-me de volta.

— Não se preocupe, eu já te banhei no próprio leito. — arregalei os olhos ao ouvi-la. — É melhor para se recuperar destas feridas profundas. Quanto melhor for a sua cicatrização, mais rápido poderá voltar para casa.

Olhei para o meu vizinho, com a dúvida nítida no olhar. Pierre balançou a cabeça em concordância, estendendo a mão para me incentivar. Assenti. Analisei a enfermeira me desvencilhar dos equipamentos cuidadosamente. Dei a mão a ela e,  devagar, desci da cama hospitalar.

Sentei-me na cadeira de banho. Com ajuda dela, chegamos ao banheiro. A moça desamarrou meu traje, retirando-o sem pressa. Em forma de reflexo, cobri minha intimidade com as mãos, e ela sorriu.

— Não se preocupe, senhor. — ergui meus olhos para a íris castanha em que a pupila quase se perdia. — Eu sou brasileira e lá aprendemos que todo e qualquer paciente deve ser tratado de maneira igual. Prezo muito pelo respeito, cuidarei do senhor com o carinho que merece. Sem preconceitos.

— Obrigado, senhorita... — li em seu jaleco — Mestre Carolina Silva. — os dentes brancos marcaram presença no mesmo momento em que descobri a região. 

A mulher da pele chocolate se ajoelhou, paulatinamente descolou as pontas do esparadrapo e o retirou. Fitei o lanhado indescritível, vermelho com as bordas brancas meio amareladas. Cerrei os olhos na tentativa de apagar a imagem grotesca de minha mente. A enfermeira se divertiu com a minha reação infantil. Para evitar o silêncio embaraçoso, arrumei um assunto qualquer. 

— Por que veio de tão longe?

— Eu faço doutorado aqui em Marselha e, como não consigo ficar longe de pessoas, faço plantão aqui no hospital. — a mão delicada ligou o chuveiro, medindo aos poucos a temperatura da água. — Você chegou durante outro plantão, fizeram um curativo de qualquer jeito e infeccionou. Eu estava dando aula aqui na residência e vim só para te limpar. Refiz o curativo e pedi para que uma aluna de confiança cuidasse de você.

— Obrigado, doutora. — cautelosamente ela molhou as minhas pernas com a água morna e subiu pouco a pouco, não tardando a me lavar por inteiro.

No momento em que ela me banhava, eu me sentia cuidado. Sensação esta que eu nem me lembrava da última vez na qual pude senti-la. Carolina fechou o chuveiro. O frescor tocava o meu corpo úmido. Delicadamente, a enfermeira me secou. Encarei o machucado aberto na lateral de minha barriga, imaginando todo perigo possível.

— Isso é grave? Terei que operar? — quebrei o silêncio que novamente se instalou.

— Seu corpo foi arremessado para longe por conta do impacto no acidente. Por sorte, só queimou o tecido da parte direita no asfalto. — minha boca entreabriu. — Você poderia ter perdido o baço facilmente. Apesar de o ferimento ser grande, a cicatriz será quase imperceptível. Como você é todo tatuado, ninguém reparará... — tranqüilizou-me.

— Doutora, permita-me perguntar... quando eu poderei ir embora?

Ela riu no instante em que pegou uma veste hospitalar limpa, vestindo-me com cuidado e paciência. Primeiro os braços, depois atrás, finalizando com um laço na altura de minha nuca. Sim, era um daqueles aventais patéticos que não tampava o traseiro.

— Caso você se alimente bem, fique de repouso e não apresente nenhum risco de infecção, eu acredito que a médica te libere logo. Uns dois dias a mais aqui no máximo.

Comemorei mentalmente a boa notícia. Senti a cadeira ser empurrada de volta para o quarto, assistindo os cômodos modificarem. Avistei Pierre e sorri. Carolina me deu a mão e, com sua ajuda, levantei-me para subir na cama. A mestra passou uma pomada no machucado a cicatrizar, em seguida, cobriu-o com gaze.  De acordo com ela, o curativo era só uma desculpa para que eu não coçasse a casquinha — e, de fato, aquilo formigava compulsivamente.

A doutoranda me ligou de volta aos aparelhos, sobrepôs  a mão em minha perna coberta pelo lençol e abriu um sorriso para mim. Seu conhecimento me acalmou, deu-me forças para desejar que eu me curasse o quanto antes. Além de me trazer confiança na equipe. Ela afofou meu travesseiro mais uma vez. Conferiu tudo ao meu redor e anotou algo no prontuário que estava preso ao pé da cama. Cobriu meu corpo fresco com o lençol, ainda com o sorriso estonteante.

— Se a senhorita não fosse mil vezes mais inteligente que eu, convidar-te-ia para um jantar.

Carolina gargalhou.

— Levarei como um elogio. — negou com a cabeça, reprovando a minha atitude ao encarar Pierre. Ela seguiu em direção à porta, e confidenciou sem olhar para trás. — Saiba que se eu não fosse casada, aceitaria. — retirou-se segundos depois.

— Justin, você não perde uma. — debochou o vizinho. — Eu só não dou na sua cara porque fiquei preocupado ontem à noite. — soltei uma risada agradecida com o que ouvi. — Inclusive, eu fiquei tão nervoso que eu procurei no seu celular o número... — “Por favor, não diga Chloé", pensei comigo mesmo — do seu pai e ele disse que viria. Nós viramos grande amigos. O seu pai é um fofo. Ligou o tempo inteiro para saber como você estava.

Para quem estava solitário no fundo do poço, pedindo socorro ao eco, eu estava muito bem acompanhado com a água beirando as canelas.

Na verdade, por mais que eu sentisse o vazio tentar me dominar, algo dentro de mim gritava dizendo que minha visão não estava boa. Apesar de não poder vê-los, eles estavam ali. De repente, as respostas de socorro não vinham de um eco. Era eu, a parte de mim que ainda possuía esperança de que uma corda seria lançada e, assim, a escalada, mesmo que fosse escorregadia, seria tranqüila.

Perdi-me nos dias iguais. Talvez eu tenha ficado no hospital dois dias como previsto, ou, quem sabe, três. Eu me mantive estável. Obedeci tudo o que a doutoranda dissera, alimentei-me, repousei e, principalmente, deixei o curativo quieto. Não sabia como estava por baixo da gaze. Fiz questão de nunca mais olhar a ferida monstruosa. No entanto, por mais que eu não conseguisse vê-la, eu sabia que estava pronto para ir embora. Meu pai não tardaria a chegar, e o conforto de seu abraço foi o que me deu mais ânimo para  melhorar. 

O médico partiu meus pensamentos com o barulho ao entrar. Ergui meu corpo no colchão duro e, assim que vi Me. Silva ao seu  lado, sorri. Ela entregou meu prontuário a ele, quem me avaliou de forma subjetiva. Com feição séria, o médico bateu a ponta da prancheta na mão. Soltou um suspiro profundo. As esferas verdes de seus olhos me penetraram quando o semblante se dissolveu num sorriso.

— Boas notícias, sr. Bieber: o senhor está liberado! — comemorei. — Cuide-se, por pouco não entrou em um quadro de sepse. — assenti, sem dar muita bola. — Parece que o seu anjo da guarda é forte. O acidente poderia ter te causado um estrago, mas não. 

— Sua equipe de enfermagem que é muito competente. 

Os olhos castanhos da estudante de doutorado marejaram enquanto o largo sorriso surgia em seu rosto.

— Meus parabéns, sr. Bieber, está de alta! — prontificou-se a me libertar dos equipamentos.

Assisti cada agulha abandonar a minha pele. A enfermeira me ajudou a levantar, cambaleei até a cadeira de rodas e me despedi da mestre. Pierre resolveu a papelada na recepção no momento em que eu observava o entrar e sair de pessoas no hospital. Meu corpo gritava por uma cama macia na qual eu pudesse descansar de forma digna, mas a única coisa que eu almejava era chegar a minha casa.  

Forcei uma feição de saúde. Mantive o meu tronco ereto para valorizar a postura, mesmo que esticasse o meu ferimento, e sorri brandamente. Em minha cabeça, eu contava os segundos para ir embora dali. 

O francês se aproximou, empurrando a minha cadeira até a fila de táxis parados em frente ao prédio moderno. A paisagem paradisíaca voltou a variar pela janela. Por mais que eu tenha sofrido um acidente na cidade, Marselha me marcou de forma muito positiva. Despedir-me de lá doía. Já era hora de retornar à realidade. E, no mundo real, toda escolha carrega consigo uma perda. Eu escolhi ser forte. A decisão compreendia em nunca mais omitir, não abrir mão das coisas as quais me faziam feliz e cumprir todas as minhas promessas. Sim, eu conseguiria.

Para isso, nós dois preferimos dormir na província. Eu aguentaria um vôo a Paris, mas, ao mesmo tempo, meu cérebro precisava de uma boa noite de sono.

Como eu estava com o curativo, exclui completamente a hipótese de aproveitar a piscina do hotel com o francês. Fiquei apenas deitado observando cada detalhe daquele teto típico com pinturas de anjos. A cama praticamente me abraçava de tão macia. Conforto. Aquilo era exatamente o que eu necessitava. Descansei meus olhos, apreciando cada segundo. Sentia-me nas nuvens.

De repente, o toque do telefone quebrou o silêncio no quarto. Procurei em qual lado da cama o aparelho estava e, enfim, consegui atendê-lo. Era uma moça da recepção. Com o sotaque forte, ela me disse que alguém me esperava no saguão. Sem entender muito bem, pedi para que a pessoa subisse. Não bastou muito para que a hipótese de reencontrar meu pai me tomasse.

Tão logo, as batidas na porta se fizeram presentes. Arduamente, ergui-me. Caminhei com calma até a entrada por conta da preguiça avassaladora. Segurei a maçaneta gélida e, sem protelar, abri.

— Doutora? — não fui capaz de esconder a surpresa ao vê-la. 

— Boa tarde, sr. Bieber.

— Como sabia que eu estava aqui? — pigarreei, corrigindo-me. — Aliás, o que faz aqui? — ela ergueu uma das sobrancelhas. — Nã-não que eu não tenha gostado disso, muito pelo contrário, mas eu só... não esperava pela visita. — conclui.

— O Pierre disse que vocês voltariam à Paris amanhã bem cedo e deixou o endereço do hotel onde ficariam para o caso de você precisar de alguma coisa a qual ele não soubesse resolver. — explicou-se.

Gesticulei com a mão para que ela entrasse. Encostei a porta e, em seguida, sentei-me na beirada da cama. A enfermeira permaneceu em pé, de frente para mim, com uma feição contida, como se ela guardasse algum segredo. O pavor começou a me percorrer.

— Tem algo que eu precise saber? O que aconteceu? — ela insistiu em não responder. — Diga-me, por favor, o que te trouxe até aqui.

As mãos delicadas rumaram o fecho de trás do vestido estampado que vestia. Escorregaram até o final de suas costas e, com o chacoalhar suave dos ombros, o traje foi ao chão em questão de segundos. Fiquei estático, completamente sem reação.  Meus lábios estavam entreabertos, bem como os olhos arregalados. Eu não esperava aquela atitude da enfermeira. Não mesmo. Mas, devo afirmar que seu corpo era deslumbrante.

Enquanto eu absorvia o que acontecera segundos antes, apenas observei cada detalhe da pele negra despida. Seus seios eram perfeitamente arredondados e avantajados, sua cintura fina realçava ainda mais a curva do quadril que finalizava o corpo dos sonhos com as pernas grossas e definidas. 

Ela caminhou devagar em minha direção, minimizando a distancia entre nossos corpos. Deixando os seios na altura de meu rosto, curvou-se brevemente e seus lábios ficaram bem próximos dos meus. Respirei fundo. Nossa, como eu queria aquilo! Não tardei em eliminar o espaço entre eles. Entreabri-os e senti a língua calorosa aquecer todo o meu corpo, o qual se arrepiou de imediato.

Uma de minhas mãos segurou fortemente os cabelos cacheados enquanto a outra repousou sobre a nádega esquerda. A proximidade de nossos corpos fazia o meu sangue formigar nas arteiras. Arfante, a doutoranda sugou meu lábio inferior e, em forma de resposta, apertei a nádega que estava na mão a ponto de puxá-la ainda mais para mim. Abandonei a boca rosada da enfermeira, mordiscando todo o trajeto até o pescoço. Afastei um pouco o cabelo da região, depositando beijos ali sem perder mais tempo. 

Com as mãos inquietas, a presença de minha roupa começou a incomodar. Ela se responsabilizou em tirar cada uma das peças no momento em que meus lábios migraram para os seios mais lindos que eu já havia visto. Desci a mão de seu cabelo por toda extensão das costas até encontrar a outra, passei ambas por baixo da única veste que habitava o corpo esbelto, a calcinha fio dental.

Deslizei as duas mãos pelo formato arredondado do traseiro, arrastando a roupa íntima até as coxas e, enquanto esta caia, eu apertava as pernas torneadas. Senti meu corpo ser empurrado para trás, deitando-me no lençol branco. Em seguida, suas curvas sobrepunham meu tronco lanhado e nossos lábios voltaram a se encontrar, desta vez, eufóricos em luxuria. Os gemidos abafados da brasileira me lembraram da responsabilidade que eu teria em dá-la prazer sem a minha cinta. 

No entanto, aquela cobrança foi ignorada assim que o primeiro ápice de Carolina foi alcançado depois de acariciá-la a intimidade. O segundo veio no momento em que meus lábios abandonaram o clitóris já inchado e eu a assisti convulsionar sobre a roupa de cama úmida. O suor por todo o corpo e o sorriso abobalhado no rosto da mestre comprovaram que o dildo não lhe fizera falta.

A intimidade contraia e relaxava compulsivamente enquanto o cansaço dominava nossos corpos. Estávamos exaustos. Demasiados satisfeitos.

— J-Justin, você nem imagina há quanto tempo eu não tenho um orgasmo. — buscando fortemente ar para os pulmões. — Dois numa noite só então.... — meu semblante de felicidade ficou nítido. — Com o meu marido eu nem se quer ganho um sexo oral. Nós geralmente fazemos aquela rapidinha automática a qual mal nos beijamos, ele goza e dorme logo depois.

— Se-seu marido? — meu sorriso dissolveu. — A senhora realmente é casada?

— Carol. — encurtou. — Sim, infelizmente sim. — ela se virou para mim, colocando ambas as mãos embaixo do rosto. — Quando eu era criança, eu acreditava que casamento era o momento mais lindo na vida de alguém, mas não. É só uma união de bens que visa aumentar a quantidade de dinheiro de cada um. O estresse predomina, a paixão se perde, até mesmo a traição, atitude que antes eu repudiava, torna-se um hábito. — ela bufou. — Na realidade, postamos fotos nas redes sociais como se nos amássemos e fossemos felizes juntos, porém nem nos beijamos mais. Nunca acredite em declarações enormes no Facebook.

— Não precisa ser assim. Ignore o padrão e pense mais em você, não é correto se curvar a dinheiro. Carol, você não precisa disso! — revoltei-me, sentando na cama.

Ela olhou para o relógio digital no criado mudo e se levantou cambaleante.

— Eu sei que eu não preciso de uma relação assim, mas estas são as que mais dão certo. Eu me acostumei à vida amorosa merda que eu tenho. É triste, eu sei. Entretanto, ela é necessária para manter o padrão de vida o qual eu me habitei a ter. — vestiu suas curvas novamente, virando de costas para que eu subisse o zíper.  

Desviei o olhar para o chão, eu não queria concordar com o que ouvia. A estudante era uma mulher inteligente e independente, ela não poderia se render a isso. Me. Silva era talentosa em tudo que fazia — em todos os sentidos —, não merecia de forma alguma suportar um casamento infeliz. Elevei meu rosto quando ela se aproximou, agarrando rapidamente o fecho prateado.

— Você é um homem incrível, sr. Bieber. Porém, não se iluda com costumes caretas. Se um dia você encontrar o amor da sua vida, faça tudo por ele e nunca, nunca mesmo, deixe-o ir. — no momento em que fechei o vestido rodado, ela tocou os lábios nos meus e sorriu. — Obrigada pela tarde maravilhosa, você superou todas as minhas expectativas. Viaje com Deus e se cuide. — o traseiro empinado rebolou, com as pernas ainda bambas, até a porta. — Se um dia você retornar a Marselha, sabe onde me encontrar. — com uma piscadela, ela saiu. — Boa noite! — ouvi antes do som da porta bater.

Atirei meu corpo sobre o colchão, encarando novamente o teto. Pasmo com tudo o que acabara de acontecer, passei a mão nos cabelos, na tentativa de assimilar alguma coisa das últimas três horas. Todavia, a única conclusão que eu encontrei foi que as mulheres na França queriam me enlouquecer.

Na manhã seguinte, nosso avião patinava sobre o asfalto ao pousar. Eu terminava sem pressa o copo d'água em minhas mãos até que parássemos por completo. Pierre pegou as mochilas no compartimento acima das poltronas, evitando que eu me mexesse bruscamente — mal sabia ele do esforço feito na tarde passada. Vesti a bolsa nas costas com cuidado, e caminhei pelos corredores do aeroporto.

Assim que pisei os pés na sala de desembarque, avistei um iPad mostrando o meu nome. "Justin Bieber" dizia o tablet prata entre o par de mãos ásperas. Eram eles. Os homens de minha vida, o meu pai e o meu avô.

Esbarrei nos corpos lentos na minha frente, pulando mala por mala, até alcançá-los. Meus braços os envolveram num forte abraço coletivo. Senti minha mochila amassar com a pressão do antebraço de vovô. Os lábios ressecados pelo fumo de meu pai tocaram minha testa. Céus! Como eu senti falta dessas presenças. 

Unindo todas as minhas forças, esmaguei cada um deles no ninho mais perfeito de nossos corpos. Repousei a minha cabeça no ombro magro de meu avô e, assim, permiti que a pequena lágrima surgindo em meus olhos caísse. "Saudade" não descreveria a sensação de falta que aquele cheiro me causava. Por mais completo que eu estivesse naquele aconchego, a ausência de minha avó no abraço coletivo se destacava.

— Eu senti tanta saudade de vocês! — balbuciei ao deixar minha cabeça reta.

— Quando seu amigo ligou, nós ficamos tão preocupados. — a mão trêmula do idoso tocou a minha barba rala, dando-me um leve tapa na altura do maxilar. — Eu nem sei o que eu faria se acontecesse alguma coisa séria com você.

— Eu estou bem, vovô. — garanti, sem muita certeza.

— É tão bom ver esse sorriso, meu filho! — meu corpo novamente foi puxado para um abraço, desta vez só com nós dois. — Justin, não sabe o quanto eu rezei para que você ficasse bem e eu pudesse te abraçar mais uma vez. — apertou-me ainda mais em seus braços. — Você é tudo para mim. Eu me orgulho tanto de ti.

As palavras doces de meu pai preencheram inteiramente os meus olhos, não tardando a transbordá-los. Do meu jeito torto, eu me orgulhava muito de chamá-lo de pai. Ele era meu melhor amigo, exemplo e herói. Poucas relações de pai e filho eram tão sinceras quanto a nossa. Sou infinitamente grato por isso. Mesmo que não diga a ele.

Minutos depois de mais enlaces e conversas breves, deixamos o aeroporto de RER para a cidade. Sentei-me ao lado de Pierre em frente aos meus avô e pai. Ambos admiraram a paisagem variante através dos vidros até finalmente chegarmos a Chatelet. Os dois tiravam fotos de todos os cantos da fonte dos inocentes. Eles comemoraram o McDonalds em frente a minha casa e, por fim, adentramos o prédio. Pierre, de maneira proativa, levou as malas do velho para cima. Agradecemos a ajuda e o francês nos deixou a sós.

— Você mora num chiqueiro? — reprovou meu avô.

— Eu não estava esperando a visita. — cocei a cabeça. — O apartamento arrumado é mais bonitinho, eu prometo. Estive num momento meio merda...

Meu pai deixou as malas no espaço entre a cama e a janela, abrindo-a rapidamente para acender seu inseparável cigarro.

— Seu amigo é muito gentil. — disse com o fumo preso nos lábios. — Ele é o seu novo namorado?

Gargalhei.

— Está louco? O Pierre é meu amigo. — deu com os ombros, sem acreditar no que escutara. — A gente ficou uma vez, mas foi muito estranho. Era como se eu beijasse um irmão. — desabafei. 

— Você estava chateado por causa do término com a francesa e foi afogar as mágoas com o amigo, mas se arrependeu. — concordei com a cabeça. — Quem nunca? — abri um sorriso. — Vocês nunca mais se falaram?

— Acho que a Chloé fará questão de nunca mais cruzar por mim nas ruas. 

— Se ela realmente fizer isso, essa garota não merece você. — intrometeu-se o avô, sentado à mesa de jantar. — Mas, se isso tudo for medo seu de se aproximar, será você quem não a merecerá mais.

A frase do idoso fez com que o momento antes do acidente passasse diante de meus olhos, trazendo consigo o pedido de Chloé naquela noite em que passou mal.

— Pai, falando nela, eu queria perguntar uma coisa. — ele assentiu. — Eu quero abrir uma brasserie.

— O que é isso?

— É tipo um bar ou restaurante. Um ambiente descontraído onde se bebe vinho ou cerveja, petisca... essas coisas de francês. — o cenho desfranziu, trazendo um semblante de clareza. —  Além disso, eu quero que o nosso seja especializado em queijo brie com damasco.

— Hm. Isso me parece trabalhoso, mas... um tanto promissor. — apagou a guimba do cigarro, deixando-a na janela. — Agora, deixe-me limpar essa ferida e refazer o curativo antes que isso inflame.

A pequena possibilidade de procurar preços de imóveis na cidade me arrancou um sorriso. Eu sentia que cumprir aquela promessa tola a traria de volta para mim.


Notas Finais


Não se preocupem com a cena erótica entre Justin e Chloé. Ao contrário dessas, ela será perfeitamente desenvolvida. Os hots citados até aqui são unicamente para apresentar elementos essenciais para um sexo com transgeneros. Fiquem tranquilos porque terá bastante detalhe sim.
Digam, por favor, o que acharam desse capitulo. O feedback de vocês é indispensável para a continuação da história. #SpoilerAlert: no próximo capitulo, a Chloé aparece.
Um beijo no coração de vocês e até logo,
Lali


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