História Farce - Capítulo 19


Escrita por: ~

Visualizações 192
Palavras 2.489
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Hello, hello!
Com muita vergonha, trago aqui, depois de meses, a atualização de Farce.
Nunca imaginei que eu fosse demorar tanto a continuar uma história, mas nada o que eu escrevia estava me agradando, sendo assim, preferi não postar até que eu gostasse de fato de um capítulo.
Depois de muita cobrança e procrastinação, pedi ajuda à Jessica (@jeleninhaz) e ela me ajudou com o capítulo. Agradeçam à ela, porque nada seria possível se não fosse pela sua imensa ajuda. Desde já, agradeço aqui ♥
Outros pontos importantes:
► A fanfic está de capa nova, devo essa preciosidade à Daria (@feminem), então muito obrigada!!
► Farce tem teaser novamente!! Agora, ironicamente, tem dois. Colocarei ambos os links nas notas finais.
► Não tenho data para a próxima atualização, mas garanto que não demorarei, já que tenho boa parte dos demais capítulos já escritos.
Faltam 5 para o final! Estou empolgada para terminar esta história. Simbora, cambada!
Sem mais, boa leitura!

Capítulo 19 - Visite


Fanfic / Fanfiction Farce - Capítulo 19 - Visite

Visita

Enquanto os funcionários da brasserie arrumam tudo para inauguração, meus lábios se fazem refém dos dentes brancos de Chloé. Sentada sobre a bancada de mármore branca, as pernas finas abraçam a minha cintura. Meus dedos embrenhados nos fios loiros. Nossos lábios tornam a se encontrar esbaforidos. O pulsar desesperado de nossos corações é audível. O fervor se mistura ao sangue, borbulhando-o nas artérias.

O ar falta aos pulmões. As mãos ágeis da francesa seguram na gola de minha camisa. Levei longos minutos para passá-la, e, neste pequeno instante, já está completamente amassada. Noto o frio tocar meu peitoral, indicando que o primeiro botão foi solto. Meus dedos abandonam os cabelos, com o rumo para a coxa definida exposta pelo vestido curto. Deposito um apertão com certa força. Os lábios vermelhos libertam um suspiro de prazer entre o beijo.

— Justin? — a voz grave de um homem nos interrompe.

Desvencilho-me da mulher às pressas, porém a atitude de desespero não é o suficiente para disfarçar o que fazíamos há pouco. Meu rosto borrado de batom vermelho é outra evidência do que estava a acontecer. Chloé desce da bancada com as bochechas completamente coradas.

— Pai! — não escondo a surpresa em vê-lo. — Não estávamos fazendo nada demais...

— Porque o senhor chegou. — completa a francesa, fazendo com que minha pele ultrapasse a tonalidade de um tomate.

Sem dizer mais nada, corro em direção a ele e o abraço. Com as mensagens sem respostas, imaginei que ainda estivesse no avião. Contudo, pela chegada silenciosa, concluo que ele queria fazer uma surpresa. Triste pensar que quem foi surpreendido, um tanto que negativamente, tenha sido o próprio.

Os braços largos apertam minhas costas contra o seu corpo, afundo meu rosto na curva de seu pescoço e o cheiro familiar me toma por completo. Não demonstro muitos sintomas de saudade, mas, quando estamos juntos, consigo perceber a falta que este contato me faz. As lágrimas marcam presença em meus olhos, entretanto, não ousam escorrer.

De repente, sinto uma pressão contra nós dois e o perfume adocicado da francesa nos invade. Chloé também se une neste abraço. Juntos, permanecemos enlaçados por mais alguns segundos. Com pesar ao nos desvencilharmos, afastamos nossos corpos e saímos da cozinha em direção ao salão. Os dedos da professora de francês se fundem aos meus, trançando-os da maneira impecável como sempre admirei.

Passeamos pelo salão ainda vazio. Ansiedade me consume, sem o menor pudor. Meu avô está sentado no banco alto do balcão, experimentando o chope da casa. Impressionante como o velho não abre mão de sua tão amada cerveja mesmo no ápice da idade. Abraço-o com força, tentando inutilmente transferir toda a tensão àqueles braços.

Assim que o ponteiro grande do relógio cuco preso à parede chega ao número doze e o pequeno no onze, as mãos dos rapazes vestidos de terno dobram as alças da porta e abrem-na. Neste instante, a inauguração da brasserie é iniciada. O sonho é abrir uma casa de brie para a minha amada é concretizado. O restaurante está, oficialmente, aberto.

Todos os pares de olhos presentes vigiam ambas as portas de madeira com vidro na parte superior escancaradas. Algumas pessoas, as quais passeiam pela rua, encaram o interior da loja. Passos vão e vem. Inúmeros jovens cruzam a faixada, porém nenhum ousa entrar. Sem mais como descrever, afirmo que esta brasserie será um fiasco. Ninguém entra. O ponteiro pequeno do relógio alcança o número dois, e as únicas pessoas que ousaram adentrar o estabelecimento fomos nós que aqui estamos.

Nem sequer um curioso pisou os pés para conhecer o restaurante. Nenhuma pessoa. Ninguém. Em um explícito surto, esmurro a mão cerrada em punho sobre a mesa.

— Filho, algum problema? — demoro a reunir coragem para responder a pergunta que corta meus pensamentos frustrados.

— A porta está aberta há minutos, mas ninguém atravessou essa merda. — vomito as palavras ríspidas, em completo desprezo. — Por que ninguém é capaz de dar uma chance? O lugar está feio? Parece caro?

— Tudo está impecável, meu filho. Tenho certeza de que, após a entrada do primeiro curioso, outros aparecerão. — tenta me confortar. No entanto, não surte efeito.

— Não sei... — murmuro, descrente. — Talvez tenha errado em algum detalhe, mas o que pode ser? É a primeira vez que abro um negócio. Não entendo dessas coisas...

— Justin — percebendo que realmente me chateei com a demora, Chloé se pronuncia —, não pense em bobagens. A decoração ficou linda, assim como todo o resto. Nem mesmo os restaurantes mais famosos conseguiram clientes em um piscar de olhos. Essas coisas demoram. Você só não pode desistir. — forço um sorriso amarelo. Não quero que Chloé também fique decepcionada, afinal tudo aqui é para ela.

Luto para fixar a ideia de que não sou o culpado pelo fracasso na mente. É como se o cérebro rejeitasse o pensamento. Não quero acreditar que, atirei no escuro, mesmo sabendo que poderia passar longe do alvo. Estava tão animado com a realização da promessa que fiz à Chloé que quase não considerei a carência de clientes.

Péssimo hábito este meu de pensar apenas no presente.

— Não acha que já ocupou muito tempo com os preparativos da brasserie? — o homem se levanta e pousa as mãos sobre a minha. — Por que não a deixa por nossa conta? Podemos ajudar com os clientes... por hoje.

Meu pai me impressiona mais a cada segundo que passamos juntos. É impressionante sua habilidade em acertar o que me aflige. Parece que interpretar meus trejeitos está na lista das coisas mais simples do mundo.

— Não há clientes! — argumento, impaciente.

— Por enquanto. Sei que depositou muita expectativa no projeto e também que não foi em vão. Porém, talvez seja a hora de se dar um descanso. — ergo uma das sobrancelhas. — Depois da abertura de um negócio, os problemas sempre aparecem. Aproveite que isso ainda não aconteceu e tire uns dias de descanso.

— Poderíamos fazer uma viagem! — arregalo os olhos subitamente, devido à empolgação exagerada da namorada, virando-me para ela. — Seu pai tem razão. Vamos, Jus! — insiste. — Confie a brasserie a ele por alguns dias, Pierre o ajudará.

— Viajar? Assim? Do nada?

Minha confusão é transparente como a água. Eles só podem estar loucos. Acabei de abrir um negócio, o lucro nem está evidente e sugerem que eu gaste o dinheiro do qual não sinto o cheiro. Não há coerência nisso.

— Nunca ouviu falar que as melhores viagens são as repentinas? — mais uma vez, ela tenta.

— Não, são as planejadas. — corrijo-a.

Os orbes azuis reviram em desgosto. As mãos encaixam na cintura fina. O semblante de tédio não a abandona. Consigo perder que sou o motivo da carranca.

— Planejaremos, então.

Preparo-me para soltar outra resposta seca, contudo, a visão da entrada de um casal me contém. Observo o sorriso nos lábios desconhecidos e as feições de satisfação.

Rapidamente, um dos rapazes contratados oferece a ajuda necessária, provando sua eficiência. O movimento me tranquiliza. Ao menos, a equipe está bem preparada. Treinei-os da maneira certa. Os clientes se sentam.

Meu pai estava certo: a chegada do casal incentiva as pessoas a entrarem, nem que seja apenas para olhar. Em tempos diferentes, elas aparecem. A brasserie não está lotada conforme imaginei em meus planos, mas, devido à frustração inicial, os poucos clientes preenchem o vazio instalado no meu peito. De certa forma, é confortante.

— Anime-se! — a voz empolgada embrulha meu estômago. — Você já tem seus primeiros clientes... — a positividade é quase cativante.

— Espero que continue assim. — retruco, minimamente esperançoso.

Uma careta desgostosa se forma no rosto angelical. Conheço os trejeitos de Chloé, sei que algo a incomoda. É provável que seja eu e minha relutância, mas preciso ser realista: a inauguração está um fiasco.

— Se passarmos mais um segundo aqui dentro, darei um surto com essa sua agonia. — ela me puxa pelo braço, forçando meus pés a andarem desgovernados. — Venha, Justin!

Atravessamos o espaço não mais vazio, passando pela porta de madeira com vidro. Desvencilho-me da mão firme e encaro-a com as sobrancelhas erguidas. Chloé dá com os ombros.

— Você precisa se distrair um pouco. Que tal irmos ao Louvre? — desvio o olhar para o movimento breve no restaurante. — Seu pai cuidará de tudo.

Sem escolha aparente, dou-me por vencido. Meus pés seguem os da francesa apressada pelas ruas cheias. Pouco mais de duas retas de quarteirão são suficientes para que cheguemos ao maior museu do mundo. As pirâmides passam despercebidas, ao atravessarmos o portal envelhecido e afundar-nos em história e arte.

Caminhamos entre as milhares de obras abrigadas pelos salões. Meus olhos, curiosos, espiam os quadros pintados por desconhecidos e esculturas gigantescas com tantos detalhes que eu jamais saberia descrevê-los. As pinturas, no segundo andar, vão de belas paisagens às imagens as quais não compreendo como podem ser consideradas arte.

Para um dia de semana, os visitantes são muitos. Imagino que este lugar deva lotar todos os dias, com as pessoas mais mistas possíveis. Observo as feições dos turistas. Há os amantes da boa cultura e aqueles que apenas fingem entender o significado por trás dos objetos envelhecidos pelo tempo. Acredito que eu esteja no meio desses dois tipos. Adoro arte, contudo, sinceramente, desconheço muitas das obras. Ao contrário de Chloé, quem sorri em fascino, a cada passo, como se fosse a primeira vez em que as vê.

— Por que quis vir aqui? — pergunto, enquanto atravessamos o corredor acinzentado com inúmeras esculturas de eternizados artistas das mais diversas nacionalidades.

— Considere este passeio como uma pequena aula de história, mas em Francês. — arregalo os olhos. — Precisamos treinar. — sigo-a até uma ala repleta de quadros. Porém, ao cruzarmos umas pilastras, uma tela, em especial, tem seu espaço maior na parede branca. Protegida por uma grandiosa estrutura de vidro, está uma das mais valiosas obras do mundo. — La Joconde. — murmura a loira.

— Essa é a Mona Lisa. — corrijo-a, estranhando o erro tão primário.

— Em francês, chama-se La Joconde. — assinto, compreendendo, enfim. — É um milagre não haver turistas à sua volta agora. Milhares de pessoas visitam o museu apenas para vê-la.

— Faz sentido... il est beau! — elogio a formosa tela de da Vinci em francês, e a amada sorri em nítida satisfação.

Très bien! — parabeniza-me. — Diga "C'est mon préféré", significa que esta é a sua favorita. — sugere para que eu aprenda.

— Temos um problema. — ela arqueia uma das sobrancelhas loiras. — A minha "préféré" é você.

Chloé gargalha, surpresa com a minha investida. Devo confessar, realmente, não foi das melhores.

— Justin, isso foi horrível... — ela ri, repousando os braços ao redor de meu pescoço. — mas achei fofo.

Ela toca nossos lábios em um beijo casto e rápido, todavia seu sorriso me arranca um.

Aller à Amsterdam? — convida a francesa, selando nossas bocas mais uma vez.

Oui. — sem como protestar ao pedido meigo, concordo.

— Vamos, quero ir à parte dos sarcófagos. — ela se desvencilha de mim e puxa-me pela mão.

Assim que dobramos o corredor, meu corpo se choca com um magro e comprido. Os olhos verdes da moça invadem os meus castanhos. De repente, a sobrancelha grossa se franze, bem como o cenho. O centésimo de segundo do esbarrão é suficiente para que eu a reconheça. Margot.

— Você. — quebra o silêncio. Engulo em seco. — Eu conheço você.

— Infelizmente. — entrego-me à tensão.

— Você comprou a loja velha de meu marido. — parece remexer nas memórias recentes. — Eu sabia que já tinha visto esse rosto antes...

— Justin, quem é essa pessoa? — cochicha Chloé, em uma altura suficiente para ser ouvida pela mulher quem eu me recuso a chamar de mãe.

— Justin? — ela solta uma risada debochada. — Jessica, essa garota sabe que você é menina?

Cerro minhas mãos em punho. O sangue ferve em fúria nas minhas artérias. Acredito que, se ela não der um passo para atrás, haja uma grande possibilidade de enfiar a mão na casa dela. Respiro fundo, mantendo o controle.

— A Chloé, "essa garota", sabe tudo sobre mim... — alfineto, cuspindo a raiva entre as palavras espaçadas. — inclusive que sou um homem feliz.

— Feliz? — indaga embargada em deboche.

— Sim, como nunca fui quando você morava conosco.

Os olhos verdes desviam para o chão. Margot ajeita os cabelos e encara-me com desprezo.

— Isso não é felicidade, querida. Você se ilude com essa personalidade fictícia. Jessica, você simplesmente finge ser alguém que não é. — as unhas pintadas de um tom claro invadem seus cabelos, no mesmo instante em que os olhos expressam desgosto. — Como posso apresentar a minha filha a alguém com essa cara de homem. Por que você se esconde do mundo?

— Por que você não entende que eu não sou uma menina? Aceite, Margot. Seu filho nasceu no corpo errado. — as lágrimas em meus olhos decidem aparecer, mas não as permito que escorram. — Sei que o seu sonho de ter uma filha foi arruinado, assim como toda a sua vida medíocre, porém o mínimo que uma mãe de verdade faria era amar a criança independente do sexo.

O rubor ganha a minha bochecha direita, quando, antes que eu possa prever, a mão pequenina espalma toda sua força o meu rosto.

— Cale a boca! — dispara, recolhendo a mão. — Isso é culpa de sua avó. Aquela velha te mimou muito quando você inventou essa história de "virar menino".

Margot ultrapassa todo os limites. Aperto ainda mais as mãos cerradas, esmagando completamente a ponta de meus dedos, como se fosse seu pescoço. Se ela disser mais uma palavra, mandarei o pingo de sanidade que ainda me resta para o espaço e esmurrarei seu rosto plastificado sem piedade. Pergunto-me como posso ter vindo deste ventre, enquanto a enforco mentalmente.

Desvio meus olhos dos castanhos para o chão. O piso acinzentado estampa nossas sombras contra a luz. Finco meus dentes nos lábios para não a xingar com os adjetivos mais esdrúxulos que conheço. Percebo um nó emperrar em minha garganta. Nenhuma palavra de imediato me parece suficiente para uma resposta à altura.

— Justin não é um personagem, sra. Bieber. — cansada de assistir a cena em silêncio, Chloé se intromete. — A Jessica ainda está aí. A criança quem tanto amou está diante da senhora e, mesmo assim, você a despreza.

A empresária revira os olhos esverdeados.

— Não são os cabelos longos ou os vestidos que fazem um filho ser digno de afeto. Se hoje o Justin é distante da madame e não sente falta desta presença, a culpa é exclusivamente sua por tê-lo rejeitado no momento em que mais precisou. — a namorada insiste, e a ricaça rosna.

O olhar franzido revela o nítido desprezo ao ouvir as palavras da francesa.

— Sinto muito em dizer isto, mas a senhora não merece a honra de ser mãe.

Com os lábios entreabertos, o silencio impera. A francesa entrelaça nossos dedos outra vez e puxa-me para irmos embora, murmurando um simples "com licença". A parte egípcia do museu nos aguarda. Minha felicidade não pode ser destruída por uma mulher com quem nem convivo. Chloé está certa. Margot é digna de pena.

Este é o momento em que me pergunto se, em algum ínfimo instante de vida, ela agiu, de fato, como uma mãe.

A resposta é óbvia: não.


Notas Finais


Muito, muito obrigada por lerem até aqui! Isso significa muito para mim.
Não desistam de Farce, ou, pior, pensem que desisti dela. Eu jamais abriria mão deste enredo. ♥
Com muito carinho,
Lali

► Teaser 01 • https://www.youtube.com/watch?v=6QQr1Z6yjNI
► Teaser 02 • https://www.youtube.com/watch?v=wA4qmJ1yGxE
► Leia Farce no Wattpad • https://www.wattpad.com/315557774-farce-prologue


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