História Farce - Capítulo 3


Escrita por: ~

Visualizações 670
Palavras 4.175
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi, tudo mundo! Como vocês estão?
Primeiro, eu quero agradecer por cada comentário fofo e inspirador que eu recebi nos capítulos anteriores. Eu estou bem feliz porque passamos dos 50favs, então muito obrigada.
Segundo, esse capítulo ficou um pouco maior que o de costume, mas peço encarecidamente que vocês leiam até o fim. Esse, sem dúvidas, foi o capítulo que eu mais gostei de escrever até agora. Então, espero que vocês gostem tanto quanto eu.
Ps. Caso não entendam, a cena em itálico é um flashback.
Ps2. Como o capítulo ficou longo, eu não revisei com tanto cuidado, sendo assim, desculpem os erros.

Capítulo 3 - Bohême


Fanfic / Fanfiction Farce - Capítulo 3 - Bohême

Boêmia

— Pelo amor de Deus! Diga o que aconteceu, antes que eu fique ainda mais preocupada.

— Não é nada grave. — ri, na tentativa de tranquilizá-la. — Eu só estou me sentindo sozinho, não gostaria de dar uma volta? Aliás, como você é guia turístico, eu quero a sua companhia para conhecer Paris.

Posso ouvir uma risada ruidosa vinda do outro lado da linha.

— Sr. Bieber, eu agradeço a preferência, mas já encerrei os serviços esta noite. No entanto, estarei na cidade pela manhã, darei aula de francês para um grupo de brasileiras. Quer se juntar a nós?

— Não, obrigado. Prefiro evitar o constrangimento, mas o que você fará depois? — encarei o porta retrato vazio ao lado da cama. — Poderíamos nos encontrar após o almoço, ouvi dizer que tem uma sorveteria muito gostosa em Notre-Dame.

— Berthillon é realmente bem típica. Eu só não posso chegar muito tarde a Van-d’Oise, porque a cidade está perigosa. — concordei com a garganta. — Ah, Justin, poderíamos aproveitar a ida à Notre-Dame para subir na catedral. A vista de lá é linda... Desculpe, fiquei empolgada. — ela tossiu, como se estivesse se recompondo. — Amanhã nós decidiremos o cronograma, combinado?

— Combinado.

Assisti a tela escurecer assim que o silencio tomou conta da linha. Balancei a cabeça, abobalhado, e encarei todos os móveis do quarto. É, de volta a estaca zero.

Ouvi uma sequencia de batidas na porta e abri. Catherine me cumprimentou, entrando sem hesitar. Apresentou-me todos os aparelhos, cofres e confidenciou segredos de cada vizinho. Mas, a melhor diversão da noite foi o momento em que ensinara a ligar o cooktop elétrico. Naquele instante, tive a certeza de que não cozinharia em Paris.

Para a minha surpresa, a companhia de Catherine foi exatamente o que eu precisava àquela altura. Compartilhamos um champanhe, conversas sobre a família e, até mesmo, experiências de viagens anteriores. A dona de meu apartamento conheceu minha mãe durante sua passagem por Quebec — de todas as pessoas da cidade, ela conheceu a pior.

Assim que a proprietária se retirou, encarei a vista para a praça mais uma vez. Impressionante como, mesmo sob a escuridão da noite, as ruas continuavam movimentadas. Um burburinho atrás da estátua me chamou atenção. Diversos homens com vestes compridas e negras cercaram duas moças que caminhavam rumo à pizzaria.

Às pressas, abri brevemente as janelas para alertá-las.

— Batedores de carteira! — berrei através da fresta. — Corram!

Descendo rapidamente os degraus, eu gritava para todos os moradores. Alguém precisava ajudar as meninas, nem que esse alguém fosse o pequeno canadense de apenas 1,75m contra os gigantes do Leste. Quando abri a portaria do prédio antigo, trombei com o vizinho.

— Ei, gringo, aonde vai? Ainda mais sem sapatos neste frio. Volte aqui!

— Batedores de carteira. — balbuciei sem parar completamente. — Eles cercaram umas garotas aqui em frente, precisamos ajudá-las. — antes que o francês pudesse me responder, meus pés dispararam sobre o chão gélido em direção ao alvoroço de instantes atrás.

No momento em que pude alcançá-lo, as meninas adentraram o restaurante. Como se aquele assalto fosse algo rotineiro e insignificante. Meus olhos percorreram toda extensão da Fontaine des Innocents em busca dos ladrões... E nada.

Pude sentir uma mão larga tocar as minhas costas, virei-me escaldado até encontrar os olhos castanhos de Pierre, o que me tranquilizou. Suspirei aliviado, mas ainda aflito.

— Eu disse que Paris não era uma cidade segura — voltei meu olhar para as moças sentadas na pizzaria —, o que há de mais comum por aqui é pickpocket.  Não corra atrás de bandidos outra vez, nós não os conhecemos. Se forem terroristas, você estará encrencado.

— A polícia local não é capaz de impedi-los?

— A medida de prevenção mais preconizada é não andar sozinho à noite, não falar com estranhos ou comprar com ambulantes e, principalmente, evitar sair durante movimentos suspeitos. — ergueu uma das sobrancelhas grossas e sorriu com o canto dos lábios. — Justamente o contrário de tudo o que você fez agora. Vamos entrar antes que sejamos os próximos.

Olhando para todos os lados, atravessamos de volta a praça sombria. Enquanto subíamos os degraus de madeira antiga, conversávamos sobre alguns assaltos poucos divulgados na região. Exaustos, chegamos ao nosso andar e paramos em frente as nossas portas.

— Boa noite, vizinho.

— Boa noite, Josh. — gargalhou, logo me vigiando com o canto dos olhos. — Estou brincando, Justin. Seja bem-vindo a Paris! — desta vez, seu tom foi convidativo.

  Apesar da aventura súbita de tentar inutilmente salvar desconhecidas, aquela adrenalina me aqueceu. Atrevia-me a afirmar que um apreço pelo vizinho começou a surgir. Amizade é uma palavra muito forte. Porém, a frieza de mais cedo não estava mais presente nos trejeitos e diálogos. Isso me bastava.

Rocei arduamente os pés contra o carpete a fim de aquecê-los, logo despindo o casacão junto as exageradas camadas de roupa. Sem retirar as peças térmicas, afundei meu corpo sob o edredom, em seguida, mirando as estrelas através do vidro próximo a cama.

Despedi-me da primeira noite em Paris com um sorriso satisfeito no rosto. Quando os flashbacks de todo meu dia cessaram a mente, eu estava adormecido.

A manhã estava quente. O termômetro avançou os primeiros números positivos e, embora ainda estivesse  frio, pude sentir um leve calor. Sem precisar de muitas camadas de vestes, trajei apenas as roupas térmicas sob o casaco. Não, espera. Chloé me viu vestido assim no dia anterior, provavelmente pensaria que eu não tomei banho — na verdade, nem me lembrava de tê-lo tomado.

Abandonei a preguiça, revirando minhas malas atrás do outro sobretudo. Vesti o casaco cinza e encarei meu reflexo no pequeno espelho do banheiro. Penteei rapidamente a franja, coloquei-a de mau jeito para cima, à espera de sua queda natural sobre meu rosto. Antes de sair, verifiquei a carteira e o meu mapa. 

Era dia de compras. Aproveitei a proximidade entre o meu apartamento e a Rue de Rivoli para conhecer as tão famosas lojas europeias.

A cobiçada butique de cosméticos havia o mesmo cheiro que a francesa do metrô, o que me convidou a entrar. Grandiosa e lotada, a Sephora não se distinguia da loja canadense a não ser pelo aroma. Eu precisava conhecer melhor aquele cheiro. Jamais vi um perfume tão gostoso. Ao mesmo tempo em que era cítrico, possuía um toque adocicado enlouquecedor. Prontamente, aproximei-me de uma das inúmeras vendedoras ao lado dos perfumes.

 — Com licença, qual é fragrância que está na loja? — os olhos verdes penetrantes da francesa iluminaram quando me ouviu e os lábios se retorceram num sorriso.

— Roses de Chloé. — a pronuncia sexy me roubou um sorriso. Balancei a cabeça descrente do que ouvira enquanto as mãos delicadas da vendedora espirravam certa quantidade num papel.

Só poderia ser.

— Aqui está uma amostra. — entregou-me o estreito cartão. — O senhor quer ajuda para escolher uma fragrância masculina?

— Não, obrigado pela gentileza, mas só entrei para descobrir o nome do perfume.

Desci a avenida entrando em todas as lojas de departamento em busca da sessão masculina, porém a grande maioria não possuía. Comprei um par de cuecas novos, afinal, eu esperava mostrá-las a alguém, mais casacos e meias grossas, para não precisar sobrepor as que eu havia trazido.

Avistei os avisos para o Museu do Louvre em todos os postes. Olhei mais uma vez para o relógio, decidindo seguir os estímulos de meu corpo e, finalmente, almoçar. Com dificuldade em carregar as sacolas pesadas, as quais eu revezava nas mãos, deparei-me com o rosto que eu não via há anos.

Em toda sua fineza, a loira alta e magra carregava uma de suas bolsas de grifes. Mal podia enxergar as sobrancelhas grossas e escuras sobre os olhos azuis revestidos pelas lentes amarronzadas dos óculos escuros. Os sapatos elegantes poderiam ter sido trocados, mas o casaco de pele combinado com o batom vermelho não mudaria nunca.

Bastaram três segundos reparando em cada detalhe clichê de Margot Bieber para as memórias doloridas invadirem a minha mente.

— O que é isso? — a voz rasgava ao abandoná-la a garganta. — Você matou a minha filha!

— M-mãe, eu posso explicar. — minha voz entrecortava, por mais que eu tentasse dizer alguma coisa, nada me vinha a cabeça.

Tentei me aproximar, mas a mão erguida em frente ao seu rosto me mostrava o nítido desgosto da minha presença.

— Saia de perto de mim! — as palavras me serviram como um tapa na cara. As lágrimas não hesitaram em nascer nos meus olhos, os quais assistiam a loira se afastar. — Eu tenho nojo de você.

— Você não quer me escutar? Então, saiba que, a partir de agora, você não é mais a minha mãe.

Cerrei meus olhos dispersando os momentos que passaram diante de mim como um filme, o qual jamais gostaria de assistir novamente. Antes que ela pudesse me reconhecer, caminhei para a direita, assim, adentrando o enorme museu.

Passeei pelas butiques sob a pirâmide de vidro, almocei no McDonald’s e espiei como pude uma das exposições. Poderia parecer patético, mas sempre imaginei que o Louvre fosse só a pirâmide e que os prédios antigos perfeitamente arquitetados atrás fossem monumentos quaisquer. A curiosidade de rodar cada centímetro daquele museu me percorria, no entanto, às sextas, eu entraria sem pagar.

Senti o bolso de meu casaco tremer, saquei o celular e encarei o número com discagem direta à distância desconhecida na tela. Era ela, Chloé.

 — Alo? — atendi animado.

— Justin? Sou eu, a Chloé, tudo bem? — sua voz era doce. — Estou saindo da Rivoli em minutos, vamos nos encontrar em Notre-Dame?

— Rivoli? Eu estou almoçando no Louvre. Se quiser me encontrar, podemos ir juntos.

Ouvi o ranger de sua garganta em concordância.

— Ok, me espere em frente a pirâmide central. Há uma estação de metrô bem perto.

Como solicitado, subi as escadas para o monumento de vidro gigantesco. Atravessei a fila imensa, logo me sentando sobre a borda do lago raso. Vigiei os turistas ao redor, ora tirando fotos como se segurassem as pirâmides, ora rindo escandalosamente de algo que não escutei.

Antes que eu pudesse me dar conta, os olhos azuis de Chloé encontraram os meus. A alta mulher se curvara para chamar a minha atenção e, definitivamente, conseguiu.

Com um sorriso no rosto, cumprimentei-a. Seguimos nosso caminho a passos curtos, sem nos preocuparmos com o tempo. Assim que chegamos a estação Louvre-Rivoli, que não só é próxima do museu, como é em frente ao museu, policiais cercavam a entrada.

A professora de francês não hesitou em se aproximar. Os dois conversaram algo que nem ousei a decifrar, mas em um tom nada convidativo. Bufando, a guia se virou para mim. Sem dizer uma palavra, ela andou pesadamente para longe dali, com uma das mãos sobre a bolsa.

— O que ele disse? — indaguei confuso enquanto seguia seus passos.

— O senhor se incomoda de irmos à sorveteria andando?

— De forma alguma, — arfei por conta de aumentar a velocidade — mas pode me dizer o que o policial falou?

Notando que estava rápido, ela desacelerou o andar. Lado a lado, Chloé sorriu ao mesmo tempo em que olhava o chão.

— Havia um movimento suspeito numa linha adjacente. — ergui uma das sobrancelhas, sem conter minha dúvida. — Com movimento suspeito, digo uma suposta bomba na estação vizinha.

Apavorado, apenas concordei.  Cruzamos a ponte que costumava ter cadeados nas grades, agora cobertos de tapumes. O inacreditável era que, a cada passo, eu me apaixonava mais pela cidade. Todas as construções caricatas, o estilo barroco sempre presente, o asfalto perfeito... Paris, por si só, era impecável.

Em alguns minutos, os quais eu mal pude contá-los, chegamos a sorveteria. Arrisquei num sabor típico parisiense, o macaron glacê, enquanto Chloé optou pelo bom e velho chocolate com menta. A seguir, caminhamos para a ilha de Notre-Dame.

Como boa guia turístico que era, a francesa me apresentou todos os prédios importantes e, assim que avistamos a catedral, contou todos os mitos e história do bairro. Enfrentamos a fila quilométrica e, após quatrocentos degraus, subimos ao terraço.

Entre as carrancas, podíamos avistar toda a cidade linear. Os telhados um tanto claros por conta do gelo, os cidadãos – que vistos dali mais pareciam formigas — passeando nos arredores e a vegetação seca colorindo brevemente a vista.

— Nunca vi um lugar tão bonito em toda a minha vida!

— Sou suspeita, mas, para mim, nenhuma cidade é tão bonita quanto Paris. — as órbitas azuis me espiam no canto dos olhos, junto a um sorriso torto. — Venha, vamos olhar o outro lado. — assim que a mão, despida de luvas, tocou a minha, senti meu estomago embrulhar.

— O que é aquela construção lá em cima? — apontei antes de chegar ao outro lado da sacada.

Numa pirueta, ela se virou para mim vestindo as luvas nas mãos.

— É a Sacré Cœur, outra igreja linda. Quando quiser conhecer Monmartre, levarei você até lá. Além da Basílica, o bairro tem diversos bares, cabarés e sexshops... Coisas boêmias.

— Podemos ir agora?

— Agora? Mas, você está cheio de sacolas e tão logo escurecerá. — sem deixá-la recusar, insisti para postergar sua companhia.

— Não se preocupe, eu pago o táxi de volta para Val-d’Oise.

À contragosto, a francesa concordou. Embarcamos na estação mais próxima para o bairro de boemias. As ruelas de paralelepípedo me encantaram. Comemos um crepe, que, segundo Chloé, era o mais gostoso de toda a cidade. Depois de muita insistência, visitamos o Museu do Erotismo.

Em uma das imensas lojas de produtos eróticos, conhecemos “as novidades” do mercado e fantasias das mais inusitadas. Quando a noite tomou conta dos céus, passamos em frente aos prostíbulos com mulheres nas vitrines e, decidimos tomar uns drinks enquanto aguardávamos o show no Moulin Rouge.

Os goles aqueciam todo meu interior, o líquido fervia todo o trajeto da garganta ao estômago, da melhor maneira possível para acalmar o frio que começou a se fazer presente. Um pouco tontos, assistimos ao show das belas mulheres no palco.

Diferentemente de todos os bordeis os quais conhecia, aquele era um espetáculo de danças sensuais e elegantes. Os passos sincronizados de todas as moças eram contagiantes. Aqueles pares de olhos penetrantes cativavam qualquer um ali. Minhas mãos as aplaudiam involuntariamente.

Eu não era mais capaz de conter o sorriso embasbacado de meu rosto. Uma morena com os olhos azuis me chamou mais atenção, em especial, deveria ter a beleza estudada. Embora as bailarinas usassem (pouca) roupa, elas ficavam ainda mais provocantes assim.

Quando o show encerrou e todas as mulheres se retiram do palco, todos foram embora. Porém, Chloé e eu ainda brindávamos lá dentro, bebericando as mais diversas doses que o cabaré oferecia. Senti uns dedos caminharem sobre meus ombros encasacados e inclinei eu rosto para desvendá-los.

— Notei que os dois não tiraram os olhos de mim durante o espetáculo. — o sotaque francês em meu ouvido era arrepiante e os olhos azuis estavam cada vez mais próximos de nós.

— Você é realmente muito bonita, mas acho que ocorreu um mal entendido. — desconversei prontamente, receoso com o que minha acompanhante pensaria. — Olhamos sem segundas intenções, nós só estávamos aproveitando o show... — Chloé sobrepôs o dedo indicador em meus lábios a fim de me interromper.

— Sh! — repreendeu. — Ele está brincando, olhamos com muita intenção. Nunca vi uma mulher tão bonita em toda a minha vida. A vontade era de subir no palco e te beijar ali mesmo.

Arregalei meus olhos, pasmo com o que acabara de escutar.

— Vo-você é bissexual?

— Isso é um problema? — os lábios retorcidos num sorriso malicioso se dissolveram ao puxar o lábio inferior da bailaria com os dentes. — Espero que não se importante de ter uma professora com tendência ao mundo gay.

— Não, claro que não. Pro-problema nenhum, muito pelo contrário. — sem ser capaz de conter a excitação, gaguejei mais uma vez.

Girei em torno de mim mesmo, roçando meus lábios no pescoço da dançarina que ainda havia glitter, enquanto Chloé rumava sua boca rosada. As unhas da desconhecida se misturavam em meus cabelos no instante em que os poros se eriçavam com os contatos simultâneos.

— Ei, vocês dois! — uma voz masculina nos interrompeu. — Não podem paquerar as garotas de programa no meu estabelecimento.

— Eu paguei para entrar! — completamente alterada, a professora de francês respondeu no mesmo tom de grito.

— Deem já o fora daqui antes que eu chame a polícia.

Destemida, a loira cruzou os braços e, cambaleando, encarou o homem barrigudo.

— Chame a polícia então! — tropeçou no próprio pé, em seguida, erguendo o queixo. — Quero quem é que vai me tirar daqui.

— Petulância na minha casa de show não. — bruscamente, o proprietário quebra uma garrafa de vinho no balcão e fez menção a atirá-la. — Fleur, saia daí antes que eu te acerte por engano.

— Chloé, corra! — puxei rapidamente a loira pela mão e disparamos entre as mesas e cadeiras do local, seguidos pelo dono enfurecido.

Os seguranças tentaram nos cercar, mas fugimos antes que o homem pudesse nos alcançar. Às pressas, corríamos, esbarrando nas pessoas nas ruas, e ainda podíamos ouvir a voz rasgada do francês que chacoalhava a garrafa quebrada.

— Turistas filhos da puta!

Encostei Chloé para uma viela, encostando-a contra a parede descascada. A cabeça da guia tombava aos poucos para o lado, provavelmente por conta das bebidas. Ela encarou meu rosto, assim abrindo um largo sorriso, seguido por uma gargalhada ruidosa e contínua.

Movido pela sua agitação, comecei a rir juntamente a ela. Suas mãos repousavam sobre os joelhos, as costas curvavam brevemente e as risadas não cessavam. Com os corações disparados, talvez oriundo da aventura de minutos atrás ou, quem sabe, por estarmos à sós.

Deixei que meus olhos aprofundassem na imensidão azul de Chloé, que envolveu os braços ao redor de meu pescoço sem hesitar. Como se encarasse cuidadosamente cada detalhe de meu comum castanho, aquela não era uma simples troca de olhares. Eu senti como se, naquele instante, ela quisesse enxergar através de mim.

Dando-me brecha para aproximar nossos rostos, a loira fechou os olhos lentamente. Chegando aos poucos para frente, pude sentir a respiração ansiosa da professora aquecer meu rosto, enquanto se misturava com a minha num frenesi indescritível. Aconcheguei minhas mãos, que tremiam, na cintura desenhada.

Em questão de segundos, aquele momento estaria eternizado para nós dois.

Eliminando completamente a mínima distância entre nós, toquei meus lábios nos dela lentamente. Assim que um espaço pequeno dera passagem para a minha língua, o corpo da loira perdeu as forças por completo, desfalecendo em meus braços subitamente.

Por mais que a francesa fosse magra, seu corpo amolecido pesava, ainda mais quando somado as minhas sacolas. Com certa dificuldade, passei um dos braços pelas pernas magras da loira e, sem tardar, aninhei Chloé em meu colo. Mesmo há anos na academia, de forma alguma me vi preparado para carregá-la durante muito tempo. 

Ansioso para sair dali, eu corri para fora da viela a chacoalhando em meus braços. A fileira de carros na rua me irritou profundamente. Será que conseguir um táxi em Monmartre era impossível aquele horário?

— S-Sr. Bieber? — os olhos azuis se arregalaram brevemente, logo fechando por conta do excesso de luz. — Ai! Hm! — recostou o rosto contra o meu peitoral e eu sorri sem jeito.

— Acalme-se, Chloé. Apenas tente ficar acordada, caso o contrário, terei que levá-la ao hospital mais próximo.

Empurrei seus ombros enquanto remexia inquietamente as mãos para chamar o primeiro carro livre que passasse.

— Táxi... Táxi... - estendi uma das pernas às pressas. — Táxi!

O carro preto em frente a mim e, para minha surpresa, o motorista saltou do veículo para abrir a porta. Sentei-me no banco de couro, logo pegando a loira em meus braços. Ela se ajeitou, dobrando as pernas para caber no pouco espaço que lhe restara, e apoiou o rosto sobre as minhas pernas.

— Rue des Innocents, si... Si... — como é que se fala "por favor" em francês mesmo? 

— S'il vous plaît. — Chloé completou arduamente, no momento em que retirava uma mecha de cabelo que caia sobre as bochechas.

Em poucos minutos, o taxímetro havia avançado os cinquenta euros e não estávamos nem perto de chegar. Assim que o carro estacionou, saímos com a francesa já de pé, mesmo que um tanto cambaleante. Enquanto a loira se escorava no carro, paguei a quantia ao motorista e encaramos os quatro lances de degraus – os quais, àquela atura, pareciam-me infinitos.

Um.

A professora de francês arrancou os saltos dos pés e engatinhou de dois em dois degraus até o topo, no entanto, bastou uma joelhada em falso para que escorregasse quase a metade do que havia subido. Encaixei minhas mãos em seu traseiro, empurrando-a para cima.

Dois.

A de olhos azuis, desta vez, optou por envolver o braço direito ao redor de meu pescoço e eu a puxava para cima pela cintura. Porém, as curvas da escada de caracol estreitaram o caminho colando os nossos corpos. Nossos narizes se cruzaram e pude sentir o cheiro de álcool abandonando os lábios — e o mais estranho disso tudo era que aquele odor era indescritivelmente excitante.

— Isso não está dando certo.

Três.

Mais uma vez, peguei-a em meu colo e o braço da mulher que ficou pendurado segurava os sapatos. Penúltimo lance, precisávamos aguentar firme. E quase aguentamos. Se não fosse por um pé do scarpin que caíra escada abaixo.

— Foda-se, ele apertava o meu pé.

Quatro.

— Pule e se segure firme. — curvei um pouco as costas. Em questão de segundos, o peso de Chloé se fez presente. Os braços se cruzaram entre si e as pernas apertavam fortemente a minha cintura. — Agora vai.

Encarei os últimos degraus e os enfrentei. Meus passos foram vorazes, antes que eu pudesse me dar conta, eu estava cara a cara com a porta de meu apartamento. Peguei as chaves no bolso, destrancando a fechadura e entramos. Assim que a guia desceu de minhas costas, golfou sobre o carpete.

Sem perder tempo, aproximei-me da loira. Desabotoei os cascos e removi cada camada de roupa. Não capaz de repreender, ela erguia os braços para que eu retirasse suas vestes. Mas, assim que se deu conta de que eu a despia, ela cruzou os braços sobre o sutiã e ergueu o queixo em minha direção.

— Você não pode me ver pelada. Está doido?

— Não se preocupe, não tem nada diferente do que eu já tenha visto. — pude ouvi-la bufar enquanto eu retirava as camadas debaixo. — Jamais desrespeitaria uma mulher bêbada. — elevei meus olhos de encontro a sua imensidão azulada. — Eu estou aqui para te ajudar.

Chloé assentiu, apoiando os braços em meus ombros, carreguei com certa dificuldade até o chuveiro e não hesitei a ligar a água fria. Confesso que os gritos agonizantes da francesa por conta do choque térmico doíam mais em mim, porém não poderia desistir.

Tão logo, enrolei o corpo seminu em uma das nunca usadas toalhas do quarto e a sequei cuidadosamente. A professora se sentou na cama, brincando com o algodão da toalha, para aguardar uma roupa limpa. Peguei um moletom antigo, mas, sem dúvidas, o meu favorito pelo conforto e a entreguei.

Retirei uma das latas de coca-cola do frigobar e servi meio copo para ela. Ajoelhei do outro lado da cama, assisti atentamente as mãos trêmulas segurarem o copo de vidro e esbocei um sorriso. Mesmo vomitada e completamente descabelada, Chloé ainda estava impecavelmente linda.

— Por que está me olhando assim? — um sorriso tímido surgiu em seu rosto, sem retirar o copo da boca. — Eu estou horrorosa, pare de me olhar.

— Você é linda.

— Eu estou vomitada, com um moletom de faculdade rasgado e com o cabelo molhado. — colocou o copo na cômoda ao lado da cama. — Eu estou muito feia... e muito tonta.

— Se eu disser que você fica linda com meu casaco velho, você acreditará? — ela balançou a cabeça em negação. — Então você está muito feia. — levantei-me risonho, segui para o lado em que ela estava e cobri suas pernas com o edredom. — Durma um pouco.

Lavei o copo sujo de refrigerante, sequei e guardei no armário de cima. Virei-me para conferir se Chloé estava dormindo. Tirei os trajes pesados, joguei-os sobre as sacolas de compra e logo me deitei ao seu lado,  com uma boa distância entre nossos corpos.

— Justin, você não tentará transar comigo?

— Não. — sussurrei com o rosto enfiado em meio ao travesseiro fofo.

— Você é diferente dos outros.

Satisfeito com o que escutara, apenas sorri.

Em poucas horas, o sol invadia o apartamento — eu preciso me lembrar de fechar a cortina. Levantei-me para fazer um café da manhã. Aproveitei o restante do couvert que Catherine havia preparado dias atrás, reaquecendo os pães no forno, e fiz duas capsulas de café para que, quando a francesa acordasse, tudo estivesse fresco.

Os flashbacks da noite anterior passavam pela minha cabeça e, antes que eu me desse conta, estava gargalhando sozinho na cozinha. O passeio durou um pouco mais que o planejado, com isso, concluí que custaria o dobro. Eu dedilhei as notas em minha carteira, mas o ruído sobre os lençóis me dispersou.

— Onde e-eu... Justin? — seus olhos arregalaram prontamente. — Bom dia... Eu não sabia que estava aqui... É... — a guia encarou a si mesma e riu de leve. — Desculpe pelo mal jeito, eu não costumo dormir com es... — eu a interrompi.

— Bom dia, Chloé. Acordou em boa hora. — encarei a carteira mais uma vez. — Quanto custou a noite de ontem?

— Como é que é?


Notas Finais


O que acharam do capítulo? Por favor, me contem tudo. Saber o que se passa na cabecinha de vocês é muito importante para mim.
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Quero indicar umas Fanfics, mas acredito que todo mundo aqui já leia.
1) Red, da Rachel. https://socialspirit.com.br/fanfics/historia/fanfiction-one-direction-red-5060872
2) Trouble, da Anna. https://socialspirit.com.br/fanfics/historia/fanfiction-5-seconds-of-summer-trouble-4751126
3) Fifty Shades Of Red, da Erika. https://socialspirit.com.br/fanfics/historia/fanfiction-justin-bieber-fifty-shades-of-red-4914824
4) Treasonable, da Anne. https://socialspirit.com.br/fanfics/historia/fanfiction-justin-bieber-treasonable-4926281

Aqui está meu Trailer atualizado, vejam e amem comigo.
Acho que por hoje é só...
Um beijoooo, espero vê-los semana que vem.
Lali


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