História Farce - Capítulo 9


Escrita por: ~

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Palavras 2.337
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


LEIAM AS NOTAS FINAIS!!

Olha quem está aqui com mais um capítulo!!
Oi, lindos!! Eu estou morta de saudades de vocês.
Esse capítulo foi bem intenso para escrever, pode ter alguma cena que choque vocês, mas tudo é indispensável para o desenvolvimento e amadurecimento do Justin na estória.
O capítulo que sequencia este foi o que eu mais gostei de escrever, espero que vocês amem tanto quanto eu.
Ps. Estou postando esse capítulo pelo celular, então qualquer erro de digitação ou por corretor deve ser perdoado KKK
Ps2. Não se preocupem com os hots da Fanfic, eles serão explícitos e desenvolvidos como merecem. No entanto, como esse não era o foco do capítulo, preferi não detalha-lo.

LEIAM AS NOTAS FINAIS!!

Capítulo 9 - Ombres


Fanfic / Fanfiction Farce - Capítulo 9 - Ombres

Sombras

Preto. Vazio. Frio. Nenhuma imagem passava diante dos meus olhos. Só existia a mim no corredor. Não sei dizer ao certo onde eu estava, mal podia enxergar algo. A única coisa nítida era o meu reflexo numa poça rasa sobre o chão negro. Eu sabia que aquela sensação de melancolia não era normal. Eu estava perdido, completamente imerso na escuridão que habitava o meu peito. Da maneira mais simples e árdua de me expressar, eu estava sozinho.

Em meio às sombras ao meu redor, um som se fez presente. Batidas graves e continuas chocavam contra as paredes que me rodeavam naquele maldito corredor , o qual eu desconhecia. Senti todos os poros de meu corpo se arrepiarem quando, em forma de sussurro, pude ouvir meu nome escapar de uma das portas enfileiradas lado a lado. O barulho elevava o volume junto à voz familiar que insistia em ecoar pela negritude. O que estava acontecendo? Sem perder tempo, corri em direção à primeira entrada. Girei a maçaneta e a porta permaneceu intacta. O som não vinha dali, nem da seguinte, muito menos das em frente. As batidas se originavam no alto, como se estivessem em outra dimensão. E, de fato, estavam. 

Lenta e cuidadosamente, crispei meus olhos ao abri-los. Meu rosto estava apoiado sobre a louça branca do vaso sanitário, este que se encontrava com a tábua erguida e um cheiro peculiar escapando da água suja de um líquido com cor de âmbar — provavelmente do uísque o qual eu havia tomado. 

Eu dormi no banheiro. Justin... Justin, a que ponto você chegou? Ousei a pensar comigo mesmo. Ergui meu rosto gélido pelo contato de horas contra a porcelana e cocei os olhos. O som de batidas continuas tornaram a aparecer.

— Justin? — uma nova sequência de murros contra a porta fora ouvida. — Justin, eu sei você está aí. Abra a porta, eu estou preocupado. — dito isso, um barulho de chute invadiu o cômodo. — Justin!

— Oi! — gritei de volta, ainda sentado no piso frio. — Acalme-se, eu estava dormindo.

Levantei-me devagar, não tardando a me encarar no espelho. Se naquele momento eu tivesse que descrever o meu estado físico em uma palavra, eu diria que estava acabado. Ou morto. Ambas definiam exatamente como eu me via. Enchi as mãos em forma de concha, deixando a água preenche-la, em seguida lavei brevemente o rosto exausto e fitei mais uma vez o reflexo à minha frente. Com a camisa branca suja próxima a gola e com manchinhas pequenas de respingos, dirigi-me à porta. Destranquei as travas um a uma até, por fim, abri-la.

— Pierre. — cumprimentei brevemente, assentindo com a cabeça.

— Justin, graças a Deus! — antes que eu pudesse protestar, os braços magros envolviam meu corpo num abraço. — Há dois dias você não aparece. Nenhum dos vizinhos tinha notícias sobre você. 

Eu me mantive estático enquanto o francês recuava os braços de forma tímida. Pigarreou no momento em que ajeitou o topete baixo, logo me olhando nos olhos.

— Desculpe, mano. — tentou amenizar a situação sem obter muito sucesso. — É-é... Sua cara está péssima. O que houve?

— Eu não quero falar sobre isso.

— Tudo bem. — não hesitou em sorrir. — Falaremos sobre o que e onde almoçaremos hoje. — Pierre apoiou o cotovelo na madeira da porta e encarou a casa à dentro. — Analisando por aqui, você não aguentaria mais trinta segundos neste chiqueiro.

Gargalhei de forma branda, dando com os ombros como quem não ligasse. 

— Realmente, e nem quero cozinhar. Acabei com todo e qualquer suprimento daqui, as últimas garrafas de vinho eu tomei... — ele me interrompe.

— E, pelo mal hálito, posso concluir  que acabou com as garrafas de uísque também. — balancei a cabeça em concordância. — De acordo com o que interpreto do seu humor, vejo que você não está em condição de ir a muito longe. Mas, se você me permitir, eu gostaria de te levar ao Hippopotamus para dividir comigo uma carne... — neguei brevemente. — Eu não aguento comer tudo sozinho. Vamos, são só dois quarteirões... Justin, eu pago.

Dando-me por vencido, aceitei o convite. Sem nem mesmo ajeitar o cabelo ou escovar os dentes, peguei um sobretudo que estava pendurado perto da porta e saí. 

Na rua lotada, as rajadas de vento beijavam o meu rosto. Franzi os olhos lacrimejantes e persisti na ruela. Pierre afundava cada vez mais as mãos nos bolsos do casaco grosso. Numa espécie de correria, os nativos andavam às pressas. Ninguém carregava o celular nas mãos para fotografar a região bela, a única maneira de eternizar aquela paisagem era grava-la na mente. Minutos depois, avistei o letreiro vermelho. 

Um maîte com traços de leste europeu abriu a porta, prontamente nos reverenciando. Dentro do estabelecimento, o clima estava agradável. No entanto, eu não poderia tirar a veste com aquela camisa suja em meu corpo. O rapaz do sotaque forte nos levou a uma mesa no canto do restaurante, onde havia um vidro extenso que nos permitia enxergar a rua a esvaziar. Sentamo-nos rapidamente e bisbilhotamos o cardápio.

— Então? Já tem algo em mente? — observei as imagens suculentas do menu e fechei o livreto em seguida. — Eu só vim te acompanhar, não quero comer nada. A ressaca aqui está foda. Tomarei só um copo d'agua.

— Tudo bem. Pedirei um bife de chorizo. — concluiu.

— Boa tarde, sejam bem-vindos ao Hippopotamus. — colocou uma garrafa com água sobre a mesa e duas taças ao lado. — Como posso ajudá-los?

D'outro lado da rua, pude observar uma senhora sentada no banco de madeira enquanto abraçava um homem que aparentava ser seu filho. Aquela situação me lembrou da minha família no Canadá, agora incompleta. Porém, o que fez o pequeno ser que habita o meu coração aperta-lo foi pensar na minha inércia e impotência no momento em que eles mais precisaram de mim.

Coloquei a mão no bolso em busca do celular, puxei o aparelho com pouquíssima bateria e deslizei o dedo sobre a tela coberta de mensagens com chamadas não atendidas. As letras se embaçaram assim que as lágrimas tomaram meus olhos.

— Chloé? — perguntou o vizinho, acordando-me do devaneio.

— O quê?

— A Chloé te ligou? 

— Nós não estamos mais juntos.

Engoliu em seco.

— Perdão. — neguei com a cabeça. Em seguida, servi a água na taça e peguei-a entre meus dedos. — Então você está assim por causa dela?

— Não... Não só. Tudo está uma merda. Irônico que ao mesmo tempo que eu tenho tudo na vida, eu não tenho nada. — desabafei. — Eu tenho dinheiro, viagens, nunca me faltou mulher..., todavia, eu não tenho ninguém. Eu perdi a minha avó, a Chloé,..., afastei o meu próprio pai de mim. Tudo o que eu toco, eu estrago. É melhor ter cuidado comigo, você é o próximo a me perder.

— Ei, Justin... Ei, qual foi? Pare com isso. Você não está sozinho. — senti sua mão alcançar a minha que estava solta sobre a mesa. — Não se esqueça que eu sou gay. O Pierre aqui já apanhou muito na escola. Você sabe quantas vezes eu já pensei em me matar? Inúmeras, minha adolescência foi um caos. E, meu amigo, se eu sobrevivi a ela, você também aguentará a sua fase bosta. — ele sorriu, consequentemente me arrancando um sorriso torto.

Merci. — sussurrei sem conter a emoção.

As palavras do vizinho pairavam na minha mente. A verdade é que sempre há alguém pior que nós. Todos os momentos ruins são passageiros, por isso os chamamos de "fases". O francês estava certo, eu não estava sozinho. Ele estava comigo. O meu pai, mesmo que distante, estava comigo. Eu quem deveria dizer ao meu herói que eu estava ali. Nós precisávamos um do outro. Minha família não estava incompleta, ela só havia ganhado um anjo para guia-la na direção certa. Pisquei pesadamente. O prato de Pierre já havia acabado. Agradecemos aos funcionários e, sem protelar, seguimos de volta para o nosso apartamento. 

— Por que você e a doidinha terminaram? — indagou assim que digitei a senha para abrir a portaria.

— É complicado... Eu não sei ao certo.

Ele ergueu uma das sobrancelhas, desacreditando nitidamente.

— Eu não contei a ela um negócio sobre mim e ela encarou o ato como mentira. Por causa disso, nós discutimos feio. Ela disse umas coisas horríveis, eu também.... E fim.

Subimos as escadas enquanto eu contava sem muitos detalhes e de forma resumida. O amigo tentou me consolar como pôde, mas não me dera a razão — afinal, eu sabia que não merecia. No último degrau, ele sacou as chaves do bolso e engatou na porta de frente para a minha. Nossos olhares se encontraram junto aos sorrisos confidentes, voltamos a encarar a entrada de casa.

— Pierre... — ele se virou para mim. — Obrigado pela companhia hoje. Se não fosse por você, eu passaria mais um dia deitado no banheiro esperando a morte vir. — rimos brevemente enquanto se aproximava.

— Gringo, eu sou seu amigo. Você pode contar comigo para tudo. — o sorriso com dentes amarelos ergueu as bochechas finas. — Tudo mesmo.

Merci beaucoup

Viramo-nos mais uma vez, quando num gesto brusco senti meu corpo girar de volta para a casa da frente. Meu coração disparou movido pelo susto de encarar os olhos acinzentados tão próximos dos meus castanhos. O nariz longo do francês quase encostava no meu. Meus lábios tremiam com a mínima distância entre os dele.

— Justin, agradeça-me de verdade. — senti meu corpo chocar contra a porta de madeira quando nossas bocas se encontraram de forma voraz.

Segurei o rosto sobre a barba rala do vizinho, a qual arranhava o meu rosto de um jeito doce. Separando nossos lábios brevemente, rompi o beijo.

— Pi-Pierre, eu sou trans. — disparei sem conter as palavras, com nossos rostos ainda próximos.

A boca migrou rápido para a minha orelha, onde mordiscou o lóbulo da mesma e sussurrou:

— Relaxa, bobo. Eu sou passivo... — sugando minha bochecha, ele retornou até a minha boca e puxou meu lábio inferior com os dentes. — e eu vou adorar conhecer sua coleção de dildos. 

Ouvido isso, torci a maçaneta da porta, puxando-o para dentro comigo. Pierre invadiu as mãos sob a minha camisa e nossos lábios voltaram a se encontrar. Delicada e vagarosamente, sua língua explorou todos os cantos de minha boca e, no momento em que sua mão desafivelou meu cinto, seu braço fechou a porta, fazendo barulho ao bater.

Paris, 22 de Fevereiro de 2015.

Encarei o teto decorado com estrelas que brilhavam no escuro. Pela janela entreaberta, um vento frio invadia o quarto. O chão estava cheio de roupas minhas, a cozinha estava revirada e imunda. Se eu considerava a minha casa bagunçada, eu não imaginava que existia algo tão pior na porta da frente.

Virei-me para o outro lado da cama, observei Pierre dormindo e mirei o meu corpo cansado. O que eu estava fazendo com a minha vida? Quando eu pensava que estava fazendo a coisa certa, mais certeza eu tinha de que eu estava longe acertar alguma das minhas atitudes. O celular descarregado estava sobre a cabeceira ao lado da cama. Na última vez em que eu me recordava tê-lo olhado, haviam diversas chamadas não atendidas de meu pai. Agarrei o aparelho próximo ao meu peito e, naquele instante, permiti-me chorar.

As lágrimas grossas percorram meu rosto pálido, minhas mãos tremiam enquanto os soluços abandonavam meus lábios. Eu tentava fazer o mínimo ruído possível, mas, antes que eu pudesse evitar de acordá-lo, a mão áspera tocou meu ombro.

— Justin, você está chorando? — perguntou com a voz abafada no travesseiro fofo.
— Eu cometi um erro. Aliás, venho cometendo erro atrás de erro desde que deixei o Canadá. — resmunguei, sem virar para olhar seus olhos. — Desculpe se eu dei a entender que me interessei por você em algum momento, porém isso que aconteceu ontem entre a gente não pode mais acontecer.

— Eu quem devo pedir desculpas, eu beijei você e insisti numa coisa que estava óbvia que não era certa.

Levantei meu corpo ainda despido, sentando-me na beirada da cama. Coloquei os pés no chão, fitando-os a seguir. Por mais estranho que isso possa soar, era exatamente o que eu precisava fazer.

— Pierre, não se culpe. Eu quis. — confortei, ainda sem coragem de olhá-lo no olho. — Eu nunca tinha ficado assim com um homem antes, foi legal, diferente de tudo, mas...

— ... Mas você é hetero.

Virei o rosto de maneira bruta, conseguindo enxergar o magrelo deitado de bruços.
— É... Eu sou hetero. — até mesmo eu senti um estranhar ao pronunciar certa frase. Eu sempre tive certeza de que eu gostava de mulheres, contudo me entreguei a um momento íntimo com um homem. — E-Eu acho que eu estava tão vulnerável que tentei afogar o meu vazio na sua companhia. Desculpe-me.
— Gringo, eu sou seu amigo. E eu adoro transar. — gargalhou, arrancando-me uma risada contida. — Não estou me sentindo usado, pode me usar sempre que quiser. Você é bom no que faz. — balancei a cabeça ao escuta-lo, na tentativa de apagar essa fala das memórias recentes. — Brincadeira.

Fiquei de pé por completo, caminhando sobre o carpete enquanto catava cada peça de roupa. As garrafas de vodca caídas pelo chão comprovavam que aquela atitude tinha sido apenas mais uma aventura que um dia eu contaria para os meus netos. Vesti a calça, a camisa suja e guardei o dildo na maleta preta, a qual larguei escancarada sobre a mesa de jantar.

Fechei a maleta, suspirando forte. Roubei um croissant da cesta de pão acima do mármore negro da cozinha e encarei o francês ainda esparramado sobre a cama. Cumprimentei-o com o olhar. Em seguida, não tardei em me dirigir até a porta. Destranquei a fechadura simples — bem diferente de meu apartamento com diversas — e abri.

— Justin. — chamou-me antes que eu me retirasse. — Nunca se sinta menos homem por algum motivo. Apesar de ter nascido no corpo de uma mulher, você é um dos melhores homens que já conheci. A Chloé um dia enxergará isso, assim como eu, o seu pai e a sua avó sempre fizemos.

— Obrigado pelas palavras, amigo.

Com os olhos preenchidos em lágrimas, acenei contendo um sorriso nos lábios e saí. Desta vez, sentindo-me como eu não me sentia desde a morte da vovó, senti-me feliz.


Notas Finais


Momento fofa da Lali:
Eu quero agradecer a todos que leem a minha estória, a cada comentário e a cada entrega de vocês. Eu senti que depois da grande revelação da sexualidade do Justin, alguns leitores se decepcionaram e/ou surpreenderam negativamente, porém, não se deixem levar por isso. O Justin ainda maravilhará muito vocês. Eu acredito muito em Farce e no encanto deste enredo tão polêmico e desvalorizado. Entreguem-se a Farce tanto quanto eu. Afinal, esta é uma estória baseada no AMOR.
Mais uma vez, obrigada por tudo!! Quase 200 favoritos em uma fanfic tão original é muito maravilhoso. Eu nem sei ao certo como agradecer vocês. "Obrigada" não é mais suficiente.

E, em segundo lugar, eu PRECISO pedir desculpas pela demora na atualização. Tentarei ao máximo atualizar com frequência, esta é a estória a qual estou priorizando para postar. Então, logo logo teremos mais capítulos — e como eu disse, o próximo já está escrito.
Sou eternamente grata pelo carinho de todos vocês!!!
Um beijoooo,
Lali ♥


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