História FateDark Soul - Capítulo 1


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Categorias Fate/Stay Night, Fate/Stay Night: Unlimited Blade Works, Fate/Zero
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Aventura, Drama, Fate/apocrypha, Fate/zero, Romance, Shounen
Exibições 14
Palavras 2.631
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Bishoujo, Bishounen, Drama (Tragédia), Ecchi, Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Romance e Novela, Shounen, Sobrenatural, Suspense, Violência
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação, Nudez, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa noite. Tudo bem?
Peço que tenham um pouco de paciência primeiramente, por favor, os capítulos serão longos, pois terão partes explicativas e momentos de interação focados nas relações e vidas dos personagens. Alguns dos Servos, apenas, são da própria franquia, outros são originais, eu que pesquisei e os selecionei - conforme forem aparecendo, eu informarei quais são ao final de cada capítulo, junto com a apresentação do Servo.

Capítulo 1 - Atores - parte I


Há realmente algum desejo pelo qual valha a pena arriscar a vida? Em seu coração habita um anseio que só possa ser atendido por um milagre?

Mesmo que haja, seria para satisfação própria, pelo simples fato de querer que alguém fosse grato, que o mundo gerasse uma dívida grande demais para ser paga, ou porque esse é seu real desejo?

Durante todos esses anos, Íris Westerfeld vem convivendo com esses questionamentos. Seu coração, assim como de outros, alimentava um desejo que somente um milagre divino pudesse realizar. Antes de decidir-se por participar, de arriscar sua vida pelo que acreditava ser certo, seu lado racional lhe fazia insistentemente essas perguntas. O desejo não era para ela, mas sim para alguém que tinha grande importância em sua vida – seu pai.

Diferente do que se pensa sobre muito a magos, seu pai, Daniel Westerfeld, antes de mago e tutor da filha, se colocava na posição de pai e acabava por infligir algumas regras – não queria ver sua filhinha querida sofrendo, não a forçou nem incentivou com o treinamento, foi por vontade dela; rejeitava toda proposta de casamento pelo simples fato de dar continuidade a uma linhagem de grande nome mundo da magia, afinal ele também não era nenhum destaque e mesmo assim foi escolhido pela mulher que seria a mãe de Íris.

Porém, acabou por sofrer um golpe duro que causou grande desonra ao nome da família da esposa, que acarretou na separação forçada dos dois e o mergulhou numa profunda depressão. Apenas um milagre o faria voltar a ser o que era antes, devolver seu sorriso acolhedor – ter essa mancha negra apagada da história e recuperar seu amor. E Íris daria esse milagre.

Junto com outros seis magos, ela arriscaria sua vida pela obtenção do Santo Graal, também como Cálice Sagrado, o realizador de milagres capaz de romper com as barreiras do tempo e espaço – dono de poder infinito, aquele que representa a última esperança dos corações esperançosos.

Usando o poder de sete Servos trazidos de diferentes eras – um milagre por si só – pelo Graal, sete magos irão se enfrentar em uma luta de vida ou morte para alcançar esse milagre que tanto desejam.

Por enquanto, antes que sua luta começasse, queria aproveitar os momentos de tranquilidade restantes – nem mesmo sabia se sairia com vida, pois a disputa pelo Santo Graal é um caminho árduo cheio de armadilhas e surpresas. À sua frente as duas crianças – nem tão crianças assim – que servia de babá corriam uma atrás da outra, aproveitando o fim da infância. Apesar de irmãos, ambos são completamente diferentes em diversos sentidos.

A garota de cabelos prateados e olhos claros, Rose Harrington, apesar de brincar era mais soturna, tinha o mau hábito de se estreitar pelas sombras e espiar os outros. Recorrentemente, era pega pelo pai escondida em algum canto do porão observando o treino do irmão – o que o levou a passar alguns ensinamentos a ela. Reservada, não compartilhava o que pensava nem é de fazer amigos, mas sua expressão neutra escondia sentimentos turbulentos. Seus olhos pareciam dizer mais do que sua boca falavam.

O menino, Lewis Harrington, era um caso raro no mundo deles. Inicialmente, sua existência era para ser uma fonte de mana ilimitada ligada diretamente as linhas leys, o corpo frágil era apenas um meio de facilitar a canalização e para que ele tivesse instinto de sobrevivência. Mas a família Harrington não contava que esse instinto o levasse a várias tentativas de fuga e a provar-se um mago de tamanho talento. E sua inocência, seu desejo por viver e bondade acabaram por cativar o coração dos Harrington. O adotaram e o criaram como filho legítimo, e como tinha afinidade maior com a magia decidiram passar a crista mágica da família para ele, o fazendo o novo herdeiro do clã.

Íris não podia discordar.

Lewis é animado, brincalhão e adora travessuras – sua pele alva sempre estava com algum arranhão ou hematoma, as roupas de fidalgo sujas. Seus olhos vermelhos iguais rubis olham com curiosidade aguçada, sempre querendo descobrir sobre o mundo – sua maneira de funcionar, o por quê e sua origem. Dono de tamanha gentileza e doçura, tem um encanto natural – até na hora de ser honesto procura usar de que palavras que não ofendam.

- Íris – chamou Lewis, parando ao seu lado, olhando com carinho –, está tudo bem?

- Sim – mentiu. Encarou aquele garoto ainda em fase de crescimento, um pouco menor que a estatura média para um adolescente de quatorze anos. Sorrindo, continuo:

– Por que não aproveitamos que está um dia quente hoje e tomemos um sorvete? O que acha? Podem pedir o sabor que quiser.

- Sério!? – questionou o menino, olhos brilhando.

Íris passou os dedos pelos sedosos cabelos platinados do garoto. Sentiria saudades disso, desses momentos divertidos com eles.

Mexeu a cabeça em concordância.

Lewis, animado, correu até a irmã e contou sobre o sorvete. Ambos comemoraram e correram para a sorveteria mais próxima, Íris foi atrás para não perdê-los de vista.

Enquanto pagava os sorvetes, sua cabeça trabalhava no ritual de inovação do Servo. Como sacrifício para o ritual, desenhou o circulo mágico composto através da fusão de ouro e prata que compôs com o fruto de seus esforços. E o catalizador já estava guardado dentro de uma caixa forrada com veludo, seguro no antigo escritório protegido por quatro espíritos malignos e vigiados por dois familiares que reagiram a qualquer intruso. Tinha decorado as palavras que precisaria recitar – leu e releu o livro de anotações do pai, com o encanto que o levará a sua ruína, e que seria sua ascensão.

Caminharam até o St. Jame's Park, Lewis continuava animado, ansioso para chegar ao destino. Rose parecia já ter perdido completamente o interesse no passeio e voltou a manter-se quieta. Ao chegarem, sentaram-se em um banco próximo ao lago sob a sombra de uma grande árvore, observando os patos que nadavam tranquilos. 

- Íris, lê um livro para mim? – perguntou o homúnculo, encarando a babá.

Íris sorriu. Não estava com nenhum livro, mas se encontrava pronta para essa situação. Sacou o celular do bolso e abriu o aplicativo para leitura, indo direto no nome do autor favorito do garoto, William Shakespeare, o escritor original da famosa estória de amor trágico de Romeu e Julieta. Não adiantava procurar algum que ele não conhecesse, Lewis já tinha devorado todas as peças shakesperianas. Mas por mais que visse, escutasse e lesse, nunca cansava, e pedia insistentemente para repetirem.

Fazendo da maneira que ele mais gostava, leu uma das grandes peças da dramaturgo criando vozes para cada personagem e agindo como os mesmo, imitando suas ações e representando.

O sorriso no rosto dele era bonito, o mesmo sorriso de uma criança ingênua e inocente. Uma bela imagem para se ter gravada na memória quando estivesse no campo de batalha, comandando seu Servo em direção a vitória – ou morte certa. 

Por que a vida não poderia ser sempre assim, pacífica e despreocupada, mergulhada na paz?

 

***

Na Torre do Relógio, uma turma tinha aula de magia de combate aplicado, e a lição do dia era sobre auto defesa. O professor agora passava o exemplo de como seria numa situação real, com a ajuda de um dos alunos. Ele nem foi um grande desafio, o garoto era mais ataque bruto, não pensava estratégica e defensivamente, parecia até um Berserker. Bom, também seria algum caso que poderiam pegar.

Era até problemático esse tipo de aula.

Quanto mais famoso e poderoso for o clã, maiores as chances de você ser caçado e morto por outros. Por isso os descendentes de cada geração, daqueles que ainda possuem magia, são convidados para a Torre do Relógio, onde serão treinados para se virarem no mundo e poderem aprimorar seus estudos, além do aprendizado que receberam da família.

Thor bloqueou o golpe seguinte do aluno, reforçando o enrijecimento nas mãos e antebraços para suportar o impacto. O jogou contra o chão e o imobilizou, uma mão apertando de leve o pescoço.

- Morto – disse.

Saiu de cima do garoto, o ajudando a ficar de pé.

Conforme a nuvem de poeira baixava, o estrago causado pelo combate entre eles foi revelado, e os outros alunos ficaram impressionados com a destruição. Thor não li vou muito para a cara de espanto deles, existem combates que causam estragos piores do que esses, estragos causados por seres que podem varrer toda civilização.

- Onde errou? – perguntou ao aluno.

- Fui pego muito rápido – brincou o adolescente.

- Isso também – respondeu, brincando junto. – Mas na próxima, não saia atacando como um bárbaro. Observe o inimigo, estude seus movimentos e estilo de combate, então pense numa maneira de contra-atacar ou escapar com facilidade. Em casos extremos, sair com o mínimo de ferimentos possíveis.

Balançando a cabeça em concordância, seu aluno voltou para o grupo e esperou por mais instruções com os demais. Como não estaria ali para dar aula nas próximas duas semanas, agradeceu pela companhia de todos até ali e quando voltasse, intensificará os treinos. Essa foi uma notícia um tanto quanto chata para a turma, ele era um professor divertido e bacana, se preocupava com o aprendizado e dava treino particulares se requisitados. Um professor adorado por todos.

Dispensados, todos foram para os vestiários, e Thor para o reservado a ele. Logo um carro viria buscá-lo para levá-lo ao aeroporto, então embarcaria em um avião em direção Roma, e de lá seguiria para Assis, a cidade vizinha, onde aconteceria a Guerra do Santo Graal daquele ano.

Após dois eventos catastróficos na cidade de Fuyuki, Japão, a Associação de Magos e a Igreja Sagrada decidiram que estava na hora de tomar uma atitude. Porém, houveram divergências sobre para onde o Graal deveria ser levado. A Associação de Magos queria levar para Londres, onde fica uma das suas instituições, a Torre do Relógio – o pilar central da Associação e o mais novo e maior centro de pesquisas –, e a Igreja Sagrada para o Vaticano, onde poderia ter controle maior sobre o artefato e entender melhor a magnitude de seu poder. No entanto, enquanto procuravam decidir qual seria o melhor destino para um realizador de milagres, o Graal misteriosamente desapareceu de Fuyuki – sem qualquer rastro, ninguém soube para onde foi, o que gerou um grande caos para ambas instituições, pois poderia acarretar diversas catástrofes irreversíveis. E assim seguiu até que ele fora encontrado em Assis. Aparentemente, um clã que vinha crescendo estava pretendendo usar o poder do Graal para se separar da Associação e mostrar sua soberania usando dos Servos. Só que, por detalhes ainda desconhecidos, o clã aquietou e nunca mais houve notícias sobre.

Decididos para não haver mais problemas semelhantes, determinaram Assis como território neutro, o Graal poderia ficar sob observação tanto da Igreja Sagrada quanto da Associação de Magos. Foi um acordo que beneficiava os dois lados.

Mas sabiam que o Graal não ficaria quieto por muito tempo. E não demorou muito. Três anos após a quinta Guerra do Cálice Sagrado, a sexta dava início, já escolhendo àqueles que serão os Metres dos Servos que lutarão até a morte pela vitória. E como era tradição, um agente da Igreja serviria como remediador para a disputa – o juiz que irá garantir que tudo ocorra dentro dos conformes deve ser alguém neutro, alguém que não tenha inclinação favorável para algum dos lados participantes. Escolhido de dentro da segunda divisão da Igreja Sagrada, o Oitavo Sacramento, Thor Joseph será o juiz dessa disputa.

- Espero que seja divertido – suspirou.

- Mestre – chamou uma voz conhecida, pertencia à uma jovem pequena de cabelos dourados presos em uma longa trança e olhos azuis profundos. Heroína que liderou o exército francês em direção a vitória contra os ingleses durante a Guerra dos Cem Anos, uma guerra longa e sangrenta travada entre as duas facções que a família real estava dividida: os que defendiam Orléans, os Armagnacs, e os que defendiam Borgonha, os Borguinhões, aliados dos ingleses. Entrando em campo em 1429, liderando um exercito de 4000 homens e rompendo o cerco em Orléans. Em 1431, capturada pelos ingleses, condenada e queimada pela igreja como bruxa, para em 1920 ser canonizada. – Não estou muito segura sobre esta disputa em Assis, durante minhas preces senti algo errado. Acho que o Senhor está alertando sobre alguma coisa.

Joana d'Arc, o Espírito Heróico invocado nesta guerra pelo Graal na classe Ruler para dar apoio ao juiz, no momento, estava em uma igreja vazia ajoelhada diante do altar em oração a Deus. Ela preferiria conversar pessoalmente com seu Mestre, mas com ele no vestiário ocorreria o risco de vê-lo nu, logo a comunicação mental pouparia inconvenientes.

- Não sei porquê tanta importância – respondeu. – Você é o servo Ruler, não há o que temer, se alguém sair da linha você pode dar um jeito. Afinal, como você mesma disse, sua classe foi feita para se sobressair as demais... 

“Qual seria a graça se não haver um pouco de confusão?” – pensou. 

- Aliás, seus documentos já estão prontos. Sei lá, acho que será divertido. Sua estadia, provavelmente, será curta, nada mais do que justo que aproveitar um pouco o mundo moderno. E também temos o problema de você não poder desmaterializar.

Não que tenha ocorrido algo errado com a invocação ou o contrato entre ambos, era algo do próprio Espírito Heróico, Ruler não conseguia forma de espírito. Logo precisaria arrumar um jeito de levá-la para Assis sem chamar problemas.

- Obrigada, Mestre. Mas...

- Calma, calma. Não vai acontecer nada Quer dizer... Terão as lutas maravilhosas entre os Servos, as grandes figuras de lendas, mitos e da história, todos reunidos num único lugar, enfrentando-se pelo maior realizador de milagres alcançável pelos homens.

Joana pensou em rebater, mas desistiu. Ela não entendia bem seu Mestre. Thor parecia uma pessoa gentil, mas também era cruel e indiferente, parecia não dar muito valor à vida em geral – inclusive a sua própria. “O mundo mostra suas presas, impiedoso. Aqueles que não sabem como reagir ou se proteger sozinho merecem ser devorados”, é o que ele diz. Mesmo fazendo parte do Oitavo Sacramento, sua fé era uma heresia, ele nem acreditava em Deus, para começo de conversa.

Porém, apesar desse lado frio, ele procura ajudar aqueles que não conseguem se defender sozinhos, seja assumindo a função de um assassino de aluguel até um professor de autodefesa na Torre do Relógio. “Essa é minha fraqueza, não consigo ficar parado sabendo que posso fazer algo para ajudar. Tudo que posso fazer é continuar até um dia ser pego pelo predador.”

Quando foi escolhido como juiz, sentiu certa satisfação, poderia cooperar com a humanidade de outra maneira. E ao, acidentalmente, enquanto jurava sua falsa lealdade à Igreja Sagrada, invocar Joana d'Arc, algo cresceu em seu peito. “Não quero ser mais um no mundo. Alguém que vive na mesmice, preso na sua zona de conforto com medo do que o mundo tem a oferecer, com medo de cair e se machucar. Com tu ao meu lado, poderei ser mais que apenas um juiz.” Joana o tinha explicado sua função e que como Ruler não tinha direito a disputar pelo Santo Graal, mas o interesse de Thor não era nele, e sim em como poderia interferir na decisão de quem teria o direito de invocá-lo.

Joana nunca pensou que seu Mestre seria alguém tão problemático.

Pronto e arrumado, Thor foi para a entrada do edifício onde um carro já o esperava. O motorista – que parecia mais um segurança do governo – abriu a porta para que ele entrasse, e tomou seu lugar no banco da frente, guiando em silêncio.

- Joana, já estou indo para o aeroporto, me encontre lá.

- Sim, Mestre.

- Pare de me chamar de Mestre – rosnou ele –, já falei para me tratar pelo primeiro nome.

- Perdão. Estou indo para lá imediatamente, Thor.

- Melhor.


Notas Finais


Espíritos Heróicos da sexta Guerra do Santo Graal:
- Ruler: jovem que liderou o exército francês na Guerra dos Cem Anos contra os ingleses, Joana d'Arc. (Faz parte da franquia, tendo a primeira aparição em Fate/Apocrypha.)


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