História Feeling Blue - Capítulo 22


Escrita por: ~

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Categorias Big Bang, G-Dragon, SeungRi
Personagens D-Lite (Daesung), G-Dragon, Personagens Originais, Seungri, SeungRi, Taeyang
Tags Gri, Nyongtory
Exibições 157
Palavras 3.855
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Lemon, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


OLHA QUEM VEIO COM CAPÍTULO NOVO!! Vou ser breve pois sei que estão ansiosas (os)! Muito obrigado por todos os comentários eu fico tão boba lendo eles e felizona em saber que gostam da fanfic. E obrigada pelos favoritos, já são 90 aaaaaaa ❤❤❤

Bom, no capítulo passado tivemos finalmente o momento que todos esperavam: a revelação. Jiyong descobriu que Seungri é Lee SeungHyun, a criança que tanto procurava.

Espero que gostem!!

Capítulo 22 - Verbo transitivo


Fanfic / Fanfiction Feeling Blue - Capítulo 22 - Verbo transitivo

JiYong rompeu-se em lágrimas.

Quanto mais lia e relia aquelas palavras  finais a camada fina sobre seus olhos se dissolvia, permitindo que visse claramente a respostas de suas suposições.  Finalmente ele sentiu o coração imergir em batidas mais leves que rompiam seus sentimentos receosos. À medida que a tempestade do lado de fora se intensificava, a de dentro de si tornava-se quase um dia primaveril. Sorriu naquelas palavras e descobertas, de uma forma sincera e surpresa. Por mais esperançoso que fosse em reencontrar aquela criança, no fundo ele imaginava que nunca mais a veria, que toda a imagem dela seria apenas as lembranças que teimava em guardar consigo, agora, nesse momento de revelação, não sabia a maneira correta de agir, não sabia ao certo o que sentia dentro de si.

Estava confuso, cheio de pergutas. 

Não deixou que o relógio completasse mais um minuto, estava na hora de se desculpar com Seungri, de abraçar a criança que tanto amou e que estava a metros de distância. Jiyong chorava, em um misto de emoção e saudade, e cada lágrima ele esboçava diferentes sorrisos, ele sentia diferentes emoções. 

Levantou-se cambaleante e com ansiedade a cada passo rápido, vestiu uma jaqueta que achou no roupeiro juntamente com um tênis, colocou o capuz e correu até a saída.

-xx- 

Seungri encarou o grande muro a sua frente. Ele o separava da verdade, a qual temia em descobrir.

Seu coração batia forte, descompassado, hesitante.

Sua respiração falhava.

Um passo para frente. Três para trás.

Encarou uma última vez a estrutura de cimento e tijolos, antes que desse meia volta, pegou impulso e pulou, caindo sobre o gramado úmido. Percorreu todo o cenário familiar, e pousou o olhar no banquinho branco e velho, seus olhos assistiam as lembranças que se formava ali.

“O céu estava azul. Não aquele azul do mar ou o azul anil.

     Um tom único, especial.

     Não havia nuvens para mesclar-se a aquela cor.

Ao fundo, muitos estudantes conversavam em seus grupinhos, mas aquele garoto estava deitado sobre o banco, afastado de todas aquelas conversas intercaladas. Vestia a mesma combinação de camisa branca e calça azul que os outros. Eu não conseguia ver sua expressão, se era doce, preocupada, feliz, ele a escondia por debaixo do boné. Seus cabelos eram castanhos, quase negros.

-Você deveria sorrir mais. Torna a vida mais fácil. – Uma voz doce quebrou o silêncio, direcionei meu olhar e encontrei um garoto um tanto quanto baixinho, cabelos castanhos e dentes tortos.

Era eu.

Pegou o boné sobre o rosto alheio e escondeu atrás de si.

-Quem é você? – Perguntou o garoto deitado, sua expressão era zangada, e seus olhos tinham dificuldade em abrir devido aos raios de sol.

-Eu sou Lee SeungHyun. – E com os dentes tortos arqueou um sorriso. E como se não bastasse, estendeu sua mão até o outro.

-Hm.

-Você não vai me dizer seu nome? – Questionou, desistindo do cumprimento.

-Se eu lhe disser você devolve meu boné e vai embora? – Sua expressão era séria.

-Talvez. – Riu.

-Kwon Ji Yong. – Revirou os olhos. - Agora devolva meu boné.

-Primeiro estenda sua mão, ok!?

-Que!????

-Apenas faça-o. - Disse o garoto.

-Yah! O que pensa que está fazendo!? - O outro pigarreou ao sentir a ponta fina da caneta tocar a pele de sua mão. Puxou-a devolta para si e encarou o desenho sobre ela: um rostinho sorridente.

-Sorria mais, Huh!? - O menor disse e devolveu o boné ao rosto do moreno. Virou-se de costas e pôs-se a caminhar.

O outro ficou a olhar aquele corpo pequeno sumir por entre a multidão de estudantes. Quando emfim desapareceu, levou sua mão até seu rosto e analisou o sorriso largo daquele rostinho.

Sorriu.

Riu.

Como há dias não fazia."

Seungri caminhou lentamente até o banco, estendeu sua mão e viu as lembranças se dissolverem a nada. Passou os dedos sobre a madeira, como se procurasse algum requicio de suas lembranças ali, mas não havia nada além de tinta descascada e folhas de árvores.Virou-se e seguiu caminho por entre o amontoado de árvores, já com as folhas grandes, verdes e úmidas pelo orvalho. A medida que se aproximava daquela flor bela e escondida, as lágrimas quentes se misturavam as gotas gélidas, estas que molhavam toda sua roupa, pele, madeixas. E então, finalmente estava frente a frente daquelas pétalas brancas mescladas de rosa, as quais eram protegidas por arbustos perenes. Ajoelhou-se e levou o rosto a sentir o aroma afetuoso daquela flor. 

Inspirou. Expirou.

Fechou os olhos e deixou que o cheiro o acalmasse.

Inspirou. Expirou. 

Abriu os olhos e suspirou pesado.

-Me desculpe. – Susurrou, levando as mãos até a base do caule e com delicadeza retirou a flor do solo irrigado, a colocou do lado do seu corpo e, já com as mãos sujas de barro, cavou como uma criança a terra a sua frente, sentia que ali cavava sua própria mente, seu próprio subconsciente e tudo o que ele havia deixado de lado para o bem de si mesmo. Seus dedos foram impedidos por uma caixinha, que por debaixo de toda a lama podia-se ver requicios de um amarelo. Ergueu a as mãos e deixou que a chuva caísse sobre elas, limpando a camada de terra. Retirou a caixinha de dentro do plástico que a protegia, passou a mão sobre a tampa e abriu-a, revelando seu conteúdo: dois pequenos e acanhados envelopes, envoltos em plástico, da mesma forma que a caixa. Dessa forma o tempo não trataria de decompor aquelas palavras tão rapidamente. 

Colocou a caixinha sobre a grama molhada, seus olhos agora encaravam os envelopes com receio. Aquilo tudo, ao ser ver, era irreal, nunca passou-lhe pela cabeça que as respostas estariam literalmente enterradas e que assim como nos filmes, descobriria de tudo em um dia chuvoso.  Apertou as mãos, cada vez mais forte, cada vez mais na tentativa de resgatar coragem.

Por que aquilo era tão difícil!? 

Em meio a tanta curiosidade seu corpo pendia para trás, de certa forma em algum canto de seu subconsciente ele sabia o que havia ali, quais palavras haviam sido usadas sobre aquele papel, quantas lágrimas haviam escapado. Segurou forte a caixa, encarando ambos os envelopes, o primeiro estava escrito ao canto o nome "Ji Yong", em letras tortas e familiares, e naquele que segurava entre seus dedos, o nome "Lee SeungHyun" com uma invejável caligrafia. Retirou ambos dos plásticos e respirou profundamente. 

-xx-

Enquanto corria por debaixo da chuva esforçava-se a tentar ensaiar as palavras que diria. Mas sua mente não lhe permitia se focar em detalhes, ela estava um turbilhão de pensamentos. 

Encarou a porta de madeira a sua frente, deslizando os dedos sobre a tinta verniz que a cobria. Seus pés batiam impacientes no chão desde que entrou e saiu do elevador, estava nervoso, ansiado, com medo. Sem palavras ensaiadas ou um roteiro a seguir, contou até cinco enquanto inspirava e soltava o ar lentamente, como se juntasse a coragem de um cavaleiro ou soldado de guerra. Depositou três batidas na porta.

Toc. 

Toc. 

Toc.

               Mas sequer ouvia passos se aproximando. Desta vez usou o interfone.

                Bip. 

                Bip.

                Bip.

E apenas o silêncio e vazio vieram a recebe-lo. Pegou o celular do bolso e procurou o número de Seungri. Andava de um lado ao outro esperando que em algumas das chamadas Seungri atendesse e não deixasse-o a ouvir a voz mecânica da secretária. Ligou então para a YG, perguntando se Seungri estaria lá, mas a resposta veio seguida de um “não, hoje ele não veio aqui”. Seu corpo deslizou até o chão, onde permaneceu sentado esperando.

“Onde ele está?” Pensou.

-xx-

Escorou o corpo fraco debaixo de uma grande arvore, tentando evitar que a chuva se encontrasse com o papel em sua mão. Lentamente abria a lateral daquele velho envelope, o papel já havia tornado-se fraco e a cola gasta. Guiado pela delicadeza, retirou o conteúdo que havia dentro, e desdobrou as várias e várias dobras que ali haviam sido feitas. As palavras começavam a aparecer, de forma acanhada.

Suas mãos tremiam.

Engoliu seco.

Respirou fundo.

Levou o olhar até aquelas palavras.

Estava pronto.

“Como você está?

Quem é você?

Eu sou Lee SeungHyun, prazer. Tenho 15 anos, estou no médio e tenho os dentes tortos mais lindos que você já viu! (O Ji que disse...). Moro com meu pai, em uma casa enorme, mas não tenho mãe. Ela faleceu quando eu era mais novo. Omma, eu sinto sua falta... Não tenho certeza se alguém lerá ou não essa carta. Se eu lembrarei dela ou se estarei tão ocupado com JiYong que esquecerei.

Quem é JiYong? Bom, ele é quem eu gosto.

Eu estava estudando na aula de gramática sobre “verbos”, e descobri que sou um “verbo transitivo”, você entendeu? Bom, um verbo transitivo é aquele que não tem muito sentido sozinho, ele NECESSITA DE UM COMPLEMENTO. E o Ji é esse complemento. Nós nos conhecemos faz muuuuuito tempo, 3 anos é muito tempo, certo? Mas não pense que estamos juntos desde sempre...

No começo ele me odiava! Era como Tom&Jerry, aquele desenho que passa na TV, eu assistia quando era menor (de idade, pois continuo baixinho)... Conforme a minha insistência se intensificava mais nossa relação se aprofundava, de conhecidos fomos para amigos e no começo da primavera desse ano ele me pediu em namoro. Eu aceitei, mas ainda estou esperando que ele me de um anel para que eu possa sair me exibindo por ai... Brincadeira! Hei, não vá achar que sou materialista, huh? Ele pode não ter me dado um anel, mas Ji tatuou um rostinho sorridente em sua mão. O mesmo que eu desenhei quando nos conhecemos na escola. Ele disse que graças a mim, ao meu sorriso, ele consegue acordar todos os dias.”

Seungri se permitiu a rir. Os sentimentos inocentes que aquelas palavras transmitiam a si o deixavam a sorrir como um bobo. A pureza e descontração estava presente em cada linha que havia lido. Juntamente com a certeza de que aquela criança era a si mesma. 

"Meus dentes tortos..."  pensou, lembrando-se de que uma das primeiras coisas que fez quando entrou na YG fora arrumar os dentes.

“Passamos por muitas coisas juntas, fugimos das aulas, ficamos até tarde na rua, e eu até dormia em sua casa (mas não acontecia nada, uma vez nós ate tentamos, mas... whoaa, isso é tão vergonhoso de se escrever. ESQUEÇA!!!!!) e até mesmo conheci seus pais. Eles são tão legais, sua mãe é como uma mãe para mim, ela me ensinou muitas coisas das quais eu não sabia, aprendi a cozinhar, a fazer origamis e cálculos, como ela trabalha com comércio ela entende disso. Ela me mostrou fotos do Ji, e pediu para que eu cuidasse dele! ~ “

Era como se aquela criança estivesse ali, contando a ele seu passado. A senhora simpática e sorridente já havia lhe ensinado s cozinhar anos atrás. E finalmente entendeu os motivos dela dizer que ele era tão familiar, não havia visto ela uma ou duas vezes durante a infância e sim inúmeras vezes, a ponto de considerá-la como uma mãe.

“Eu dei essa idéia de escrever uma carta com nossas preocupações. Mas na verdade, eu apenas queria conversar. Há coisas que, por mais que eu ame o Ji, eu não posso conta-lo..."

O peito apertouSentiu que estava na hora de descobrir coisas que sequer passou pela sua cabeça durante esses anos. Apertou ainda mias as mãos naquele pedaço de papel.

"Me desculpa Ji, eu realmente não queria esconder coisas de você, mas eu não quero preocupa-lo. Eu pedi para escrever essa carta pois meu peito dói, há tanta coisa engasgada, eu sinto que morrerei se não joga-las para fora.

Semana passada quando desmarquei nosso entontro,  eu vi minha primeira fogueira. Era enorme, uma grande chama. Ela foi feita atrás da nossa residência. Appa, jogou tudo o que você havia me dado dentro dela: os CDs que dizia lembrar a mim, as cartinhas, as fotos que tiramos, tudo, inclusive meu celular, mas eu o menti que perdi. Lembra? Eu chorei tanto, eu implorei tanto para que ele parasse, eu supliquei, mas no fim quanto mais eu chorava, mais aquilo doía. Suas mãos seguravam meu pulso com ódio, diferente das outras vezes, ele havia bebido, desde que contei que gostava de você seu vicio por bebida tornou-se intenso, rotineiro. Enfim, eu estou usando casaco na primavera por que meu choro resultou em uma pequena queimadura. Ah, ela doeu tanto. Mas eu não poderia dizer a ele que desistiria de você, não é?"

O fogo. A chama. O choro. A força. Os detalhes importantes invadiam sua visão, sua mente, as batidas do coração, deixando-o desnorteado, confuso, lento. A cena borrada de grandes chamas lhe era apresentado, alternando com o dia em que tornou-se uma criança chorona ajoelhada ao chão enquanto Jiyong apagava as pequenas chamas. Ao contrário desta vez, a primeira não havia ninguém para lhe ajudar.

Releu aquelas palavras, esperando que a escrita de "appa" houvesse sido fruto de sua imaginação, e que os rumores que sua mente formava fossem falsos. Queria manter a imagem de um pai amoroso e dedicado, não queria deixar que aquele tornasse em ruínas e que no lugar a estátua de um homem podre se erguesse. Um homem cuja mala que trazia consigo era repleta de ódio, desprezo e nojo.

Segurou a voz, os gritos, a vontade de jogar aquele papel para o lado e voltar ao seu cotidiano monótono.

"Mas a verdade, é que eu estou cansado. Eu realmente queria desistir de tudo. Eu amo você, JiYong, mas as vezes esse amor dói.

Eu me vejo olhando para o teto e imaginando um futuro ao seu lado, onde andariamos de mãos dadas. Mas a quem eu quero enganar? Eu tenho 15 anos e já sei que  o mundo não é assim. Se meu pai, a quem tanto me deu amor, não me aceita, por que o resto da sociedade aceitaria?

Por quanto tempo ainda irei aguentar?"

Uma a uma as lágrimas escorriam. Era inevitável não sentir dó de si mesmo por escrever palavras tão duras. Por já saber desde novo o sentimento de rejeição, e por ele vir de quem mais amava.

"Ele disse que logo nos mudaríamos, eu fico pensando, seria para a rua ao lado? Há uma grande casa lá para vender, ele sempre passava por lá e dizia que ela era linda. Mas talvez, seja para muito longe de você, não é? Eu sei, eu logo estarei indo embora e não o verei mais.

O quão longe eu irei?

Você iria me buscar? Eu espero que não.

Na verdade, eu acho que por mais que eu te ame, nós deveríamos acabar com tudo isso e cessar o sofrimento. Sua mãe uma vez me disse que gostaria de vê-lo casando-se com uma bela esposa. Sabe o quanto isso me doeu? Oh, foi tanto quanto um corte. Eu seguirei minhas lágrimas na frente dela... Eu não quero que seus pais olhem para você da mesma forma que appa olha para mim.

É realmente doloroso alguém que você ama te olhar com desprezo. Dói mais do que qualquer tapa.

Ontem, quando cheguei em casa ele me jogou para debaixo do chuveiro e esfregou meu corpo com força, disse que eu deveria tirar qualquer resquícios seu de mim, para que essa “doença” (ele realmente acredita que estou doente) saia de mim o quanto antes e eu pare de dizer que gosto de você.

Tem vezes, que ele chora enquanto me bate.

Mesmo assim eu não o odeio. Omma sempre dizia que eu colho o que eu sinto. Então, eu não poderia sentir desprezo se eu pretendo colher amor.

Eu realmente não sei, JiYong, eu o amo tanto e não me vejo longe de seus braços, mas isso tem que acabar de uma vez, você não acha? Meu corpo está fraco, eu já não como direito, eu já não penso direito. Quando eu finalmente ser forte, nós podemos voltar...

O problema, é que eu realmente não tenho coragem de acabar com isso.

É tudo tão confuso... EU sou apenas uma criança, por que tenho que fazer decisões tão difíceis?

Por que eu tive que me apaixonar?

Me desculpe JiYong. Realmente, me desculpe por oscilar. Me desculpe por muitas vezes enquanto escrevia, enquanto vivia, enquanto estava ao seu lado, ter pensado em terminar. Me desculpe por ser tão fraco. Me desculpe, me desculpe, me desculpe por ser apenas um Lee SeungHyun que tem medo do próprio pai. Me desculpe pror não ser capaz de proteger você de seus medos, de sua solidão. Me desculpe por hesitar. Me desculpe, eu realmente te amo.

Me desculpe.

Se um dia eu me afastar, eu fugir, eu sumir, apenas me desculpe. Não me odeie, não continue me amando.

Quando olhar para a tatuagem em sua mão, lembre-se dos bons momentos, lembre-se do meu sorrisso, lembre-se do meu amor. Mas apenas “lembre-se”, não alimente, não nutra nada por mim.  Da mesma forma que somos a paz um do outro, nós somos o ponto fraco, o estilete, o veneno.

Logo eu estarei indo embora, e espero que você desenterre essa carta e leia ela. Eu espero que você me perdoe.

Eu te amo.

Do seu pandinha, Lee SeungHyun.”

As pernas penderam e o seu corpo foi ao chão. O impacto doeu, as costas doeram ao bater no tronco da árvore, mas seu peito doía ainda mais. Por mais que sentisse que doiriam aquelas palavras, não imaginava o quanto seria a dor em uma escala.

 

Foi pego de surpresa.

Deixou cair o  papel entre seus dedos, e desabou a chorar, enquanto sua voz que gritava com a dor que invadia sua cabeça era abafada pelos trovões. Estava acanhado no chão, como uma criança, como aquela criança estava quando escrevera aquela carta.

-Appa... Por que? – Gritava, entre soluços, esperando pela resposta. Esperando entender por que seu pai havia de ser um homem tão insensível. A medida que seu choro era abafado a sua dor crescia e as suas perguntas tornavam-se maiores. 

Seungri queria levantar, fugir, correr e sumir. Igual Lee SeungHyun queria. Ele entendia aqueles sentimentos, ele desencadeou toda aquela dor que uma criança de 15 anos tentou guardar. Mas algo ainda lhe incomodava, o por que não se lembrava de tudo de forma tão clara. Do por que Jiyong ter lhe dito que havia jantado em sua casa se seu pai o odiava tanto quanto a si.

Não entendia.

E parte de si não queria entender.

Parte de si queria esquecer novamente tudo aquilo e continuar a viver como se faltasse algo.

Levou as mãos a cabeça, tapando seus ouvidos. Queria se afastar do mundo e se livrar daquela dor, da pressão daquelas palavras.

Seu corpo tremia.

Sua respiração cessava.

Suas batidas erravam.

Pouco a pouco seus olhos se fechavam pela fraqueza que seu corpo sentia. Estava a ponto de cair ali mesmo e adormecer.

As gotas gélidas que escorriam dos galhos da arvores cessaram. Podia sentir apena o calor das próprias lágrimas e o gosto salgado delas.

-Lee SeungHyun? – Ouviu alguém chama-lo pelo nome a qual sempre lhe pertenceu. O nome que levava consigo o misto de tristeza e felicidade. Quando os olhos abriram-se um pouco,  pode ver que havia alguém ali, uma imagem borrada que aos poucos tornou-se nítida e revelou um homem com roupas encharcadas, cabelo colado sobre a testa, a qual escorriam gotas cristalinas, respiração pesada, cansada. E este segurava um guarda-chuva sobre sua cabeça. E foi ali que percebeu que Jiyong, que GD, que aquele homem estaria sempre a sua procura, estaria sempre disposto a protege-lo.

   -C-como você...!? - Sussurrou.

Jiyong se abaixou, ficando na altura do loiro, sinalizou para que o mesmo não lhe perguntasse nada, e então com as pontas dos dedos se dispôs a secar as finas e incessantes lágrimas daquele rosto. Seungri recuou ao contato frio das mãos alheias, mas logo cedeu e o permitiu tocar sua pele úmida. Jiyong contornava todos os detalhes: olhos, s curvatura do nariz, o desenho dos lábios, as bochechas rosadas de frio. Reconhecendo cada parte, dizendo a si mesmo que estava certo em ver Lee SeungHyun naquele homem. 

Deixou o guarda-chuva que os protegiam cair para o lado, segurou aquele rosto inchado com ambas as mãos e levou seus lábios a tocarem os dele, naquele beijo quente, com aqueles toques frios, transmitindo a saudade. A intimidade entre suas línguas lentamente se mostrava, em contatos sucintos e doces. Separou-se do outro, beijou-lhe a testa de forma demorada e protetora, encostou a sua testa na recém beijada e ficou olhando-o.

Sem palavras.

Nenhum som além das batidas do coração, da chuva, do vento em contato com as árvores.

Beijou-lhe novamente a testa, em seguida a ponta do nariz, ambas as bochechas e por fim os lábios. 

Seungri levou sua mãos sobre as que estavam em seu rosto, entrelaçando-as. Levou seu olhar ao de Jiyong e permaneceu assim.

-Eu preciso confirmar algo. - Disse. Pegou a mão de Jiyong e a levou até sua a area de visão, encarou aquelas faixas úmidas e coladas na pele. Pouco a pouco rodeava o tecido e diminuía as camadas, e quanto mais perto chegava do fim, mais sua hesitação batia a porta. Esperava encontrar ali a resposta de sua questão, se aquele homem realmente fosse Jiyong haveria ali uma tatuagem.

Mas por que a escondia de tal forma?

Jiyong apenas olhava-o, sem dizer nada e permitindo que Seungri revelasse sua dor. 

Uma. Duas. Três voltas e finalmente expôs para seus olhos o que havia sob as faixas. Seus olhos se afundaram em espanto, sua mente tornou-se ainda mais confusa. 

-O-o que... O que ho-ouve...- Tentava dizer. Havia tatuada naquela mão o rostinho sorridente que trazia consigo a resposta que tanto queria, entretanto ela estava escondida por debaixo de uma enorme cicatriz, a qual lhe trazia arrepios de tão profunda a dor que ela transmitia. Seungri segurou a mão de Jiyong e a levou ate seus lábios, beijando toda s extensão daquela marca tão intensa. Olhou para as iris castanhas, as quais estavam marejadas. Abraçou aquele homem, como se o dissesse que estava tudo bem. -Não precisa me dizer nadar.

     Jiyong se permitiu chorar, da forma que não Fazia diante do espelho quando se deparava com aquela tatuagem.  Chorou aquela dor da maneira que sempre quis, a dor que se escondia por debaixo do desprezo que sentia de si mesmo.

     -JiYong... Você se chama Jiyong, não é!? Nós nos conhecemos desde pequenos, não é!?  - Disse - Eu sou Lee SeungHyun. 

     Aquelas palavras adentraram seus ouvidos como uma bênção, permitiu-se abraçar Seungri fortemente, para esvair aquela alegria repentina, aquela saudade, aquela confusão. Por anos esperou o momento que ouviria aquela criança chamar pelo seu nome.

     -Eu finalmente te encontrei. - Susurrou. - Eu te procurei por 10 anos. 10 longos e angustiantes anos, mas você finalmente voltou para mim, não é!? - Perguntou em meio a soluços - Isso não é um sonho, certo!? Eu, eu posso acreditar em "Nós" agora?


Notas Finais


Whoaaaa, muitos me pediram para cessar com o choro mas teve tanta lágrima nesse capítulo...

A fanfic está se aproximando do seu fim! Hehe Eu gosto tanto de escrever ela que da um aperto no peito...

Espero que tenham gostado, fiquem a vontade de comentar e favoritar! ❤ Logo tem o próximo ~

Beijinhos 😘


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