História Feels Like Home - Capítulo 11


Escrita por: ~

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Categorias The 100
Tags Barriga De Aluguel, Clarke Griffin, Clexa, Clexon, Lexa Woods, The100
Exibições 534
Palavras 5.144
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fluffy, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Bissexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Lexa aprende um pouco mais sobre Clórk.

E mais uma vez, obrigada a BuenaDevassa pela capa da Fic, agora vocês não precisam ficar mais olhando para aquela coisa horrível que eu chamava de colagem pra capa heuhuehr.

Capítulo 11 - Capítulo 11


Lexa caiu na estrada sem nem pensar duas vezes. Foi difícil acelerar, o tráfego impedia qualquer um de aumentar a velocidade nas partes mais movimentadas da cidade, mas de alguma forma, ela conseguiu ultrapassar todos os carros que estavam próximos, desviando, entrando, pegando um atalho, saindo do tráfego.

- Quanto ele pegou? – Lexa perguntou, enquanto virava em uma rua lateral para evitar mais engarrafamento.

- Tudo na conta – Clarke disse, segurando a alça da porta enquanto a morena desviada de outros carros.

Lexa olhou rapidamente para o lado. - Quanto?

Clarke se mexeu no seu acento, parecendo muito desconfortável. – Toda a primeira parte do seu pagamento.

Bateu em Lexa que Clarke não tinha nenhum dinheiro além do que Lexa tinha pagado a ela, isso deixou a mente dela em um turbilhão de pensamentos e coisas para refletir. Mas isso teria que ficar para mais tarde, toda a sua atenção estava em ter que evitar colisões em outros carros e pegando atalhos para o aeroporto.

O tráfego só piorava à medida que elas se aproximavam do aeroporto, onde empresários e turistas estavam tentando chegar até os portões. Em torno no edifício, o parque de estacionamento estava lotado e Lexa não perdeu tempo tentando achar uma vaga. Ela pegou a estrada que levava até o ponto dos taxistas do aeroporto, ela viu Clarke começar a acenar com a cabeça, com o canto do olho.

- Bom, me deixa aqui e eu vou entrar para procurar ele, enquanto você tenta estacionar o carro.

Lexa olhou bruscamente para ela. – Você quer entrar lá e procurar ele, sozinha? Não vai rolar, Clarke. Eu vou entrar com você.

Clarke fez uma careta para ela. – E onde você planeja estacionar o carro?

Lexa respondeu parando o carro em um espaço que tinha acabado de ficar livre. Bem na área dos taxistas, ela ouviu gritos e buzinas de todos os taxistas parados no local e os que estavam chegando. Um dos motoristas até mesmo deixou o carro e começou a andar até elas. – Vamos. – Lexa disse bruscamente. – Antes que esse exército de taxistas devore nós duas vivas.

Clarke quase sorriu enquanto elas desciam do carro e começaram a correr em direção a entrada do aeroporto. Já na parte de dentro, o hall de entrada estava cheio de pessoas arrastando suas enormes malas de rodinha, em todo o lugar, esperando ser verificados por uma fila de funcionários do aeroporto sentados em suas cabines. Lexa franziu a testa, olhando para toda a multidão. – Isso pode ser um pouco complicado.

- Eu tenho certeza que pode. – Clarke disse, ironicamente. Ela passou a mão por seus cabelos, seus olhos estavam mostrando todo o estresse da situação. Ela andou até o painel que mostrava todos os voos que estavam chegando e saindo. Lexa andava fielmente ao lado de Clarke, olhando os voos domésticos. – Tem um voo que vai sair para Ohio em quarenta minutos.

- Ele deve estar nesse – Clarke disse. – E é em quarenta minutos. Ele ainda deve estar esperando em algum lugar para embarcar. – Ela franziu a testa. – Talvez a gente possa falar com alguém na recepção ou alguém encarregado de .. Eu não sei, alguma coisa. Deve haver alguém com quem possamos falar. – A sobrancelha de Lexa se levantou, como se ela tivesse lembrado de algo. Clarke olhou para ela. – O que?

Lexa pegou seu celular e foi procurando alguém nos seus contatos.

- O que você tá fazendo?                                                          

Lexa colocou o dedo indicador na frente, sinalizando para Clarke esperar. Ela se sentiu aliviada por lembrar que a seis meses atrás, ela, pessoalmente, tinha ajudado o Sr. Henry Yorbitz, por crime de colarinho branco e também foi um grande golpe de sorte que a esposa do Sr. Yorbitz, trabalhava nesse aeroporto.

O telefone foi atendido. - Olá?

- Senhora. Yorbitz, eu não tenho certeza se você se lembrar de mim, mas -

- Senhorita Woods, certo? A advogado do Henry, é claro! Está tudo bem? Algo aconteceu com meu marido?

Lexa apertou os dentes. – Não, está tudo bem com o senhor Yorbits. Você está no trabalho? Eu meio que tenho um pedido incomum para te fazer.

- Sim, eu estou no aeroporto. Pode falar, qual é o seu pedido?

- Tem um homem, que poderia estar prestes a entrar em um voo para Ohio, e se esse for o caso, ele não pode, de jeito nenhum entrar naquele avião. Você seria capaz de verificar a lista de passageiros para Ohio? – Lexa explicou rapidamente, esperando que senhora Yorbitz não fosse o tipo de pessoa que fazia muitas perguntas. E, para sua sorte, ela não era.

- Eu não sei se tenho o poder de fazer isso .. – Senhora Yorbitz disse lentamente, mas fez uma pausa. – Mas você sabe, eu vou tentar, eu só tenho que fazer algumas perguntas para as pessoas certas. Qual o nome do homem que você procura?

- Finn Collins.

- Tudo bem, eu vou ver o que posso fazer. Vou ligar de volta em um minuto.

- Entendido, obrigada. – Lexa desligou o celular e se voltou para Clarke, que estava olhando para ela com expectativa. – Eu conheço uma pessoa que pode descobrir se Finn está por aqui e em qual voo ele vai estar. Enquanto isso, - Lexa acenou para a placa de voos domésticos. – Precisamos chegar ao terminal.

Clarke imediatamente começou a correr e Lexa fez o mesmo, tentando manter o ritmo da loira. Ela sabia que não tinha como fazer Clarke ter calma ou lembrar que ela estava gravida, nada iria para a loira enquanto ela corria pelos corredores do terminal.

Elas tiveram que diminuir o passo, quando chegaram na parte da segurança antes de poder ir até a sala de embarque, Clarke estava tremendo, quando ela foi parada por um dos seguranças. Ela foi escolhida para uma verificação de ante bombas aleatória, possivelmente porque ela parecia muito agitada e isso alertou os agentes de segurança, que já deviam estar observando ela com desconfiança assim que ela pós os pés naquela área.

Assim que a verificação acabou, Clarke só conseguia olhar para as pessoas que estavam nas filas dos terminais de embarque, ela tinha os olhos arregalados e Lexa colocou a mão nas costas dela para poder guiar a loira com cuidado diante da multidão de pessoas. Elas abriram caminho entre as pessoas, Clarke olhava as horas em seu celular o tempo todo, seu pânico parecia ampliar a cada segundo que se passava.

Ela estava tão ocupada e focada no aeroporto que Lexa quase não sentiu a vibração do seu celular, vindo do seu bolso. Ela pegou, atendeu e colocou em sua orelha. – Senhora Yorbitz?

- Não há nenhum Finn Collins na lista de passageiros para Ohio, Woods. – A mulher na outra linha disse, com extremo cuidado.

Lexa estremeceu. Talvez ele não tenha pegado um avião. Mas isso traz ela de volta à estaca zero. Como ela iria encontra-lo se ele já tiver deixado a cidade? Ela estava prestes a agradecer a ajuda da mulher ao celular, mas a voz da senhora Yorbitz no outro lado da linha, a deteve.

- Mas – Ela continuou. – A pesquisa mostrou um Finn Collins, que tem um voo para a Flórida.

Lexa congelou. – Quando vai sair?

- O embarque vai ser daqui a vinte minutos. Terminal 14. – Disse Yorbitz. Ela acrescentou logo em seguida, a dúvida carregada em sua voz. – Eu preciso lhe dizer, Woods, eu não acho que posso impedir esse voo de decolar, eu não tenho poder para isso.

- Isso já ajuda – Lexa disse. – Obrigada. – Ela desligou o celular e olhou para Clarke. – Terminal 14. Vamos.

E então elas estavam correndo de novo, se esbarando em pessoas, cortando passagem entre filas, tentando chegar o mais rápido possível no terminal. As pessoas mandavam olhares de raiva, todas as vezes que elas se batiam e Lexa sussurrava pedidos de desculpas a alguns. Clarke ignorou a todos, cotoveladas e empurrões abriam seu caminho entre a multidão. Porém, ela claramente se cansou rápido, afinal ela estava gravida, mas isso não a impediu de parar de correr.

Finalmente a sala com as palavras estampadas TERMINAL 14, apareceu. Lexa soltou um suspiro de alívio quando viu que havia uma multidão de pessoas apenas começando o processo de embarque. Elas podem ter chegado bem a tempo. Lexa estava com a testa franzida, enquanto tentava procurar um rosto particular entre as pessoas. Os atendentes do aeroporto estavam deixando as pessoas passarem através do portão de embarque e a pressão que ela sentia se intensificou, a cada momento, a cada pessoa que passava por aqueles portões, cada passo era uma chance de perder Finn de vez.

- Vamos nos dividir. – Clarke latiu em seu ouvindo e Lexa se virou para protestar, mas Clarke já estava no meio das pessoas.

Lexa não teve nenhuma outra opção, ela foi até outra multidão, passando um por um e procurando o rosto do homem que ela mal se lembrava. Ela sabia que ele tinha cabelos escuros e longos, mas o quão alto ele era? Como ele realmente se parecia. Ela começou a se apressar, puxando as pessoas pelo ombro para poder olhar em seus rostos.

Ela foi poupada de continuar a sua buscar quando ela olhou para o outro lado e viu as costas de uma cabeça loira familiar, fazendo o caminho mais curto para um homem, também conhecido, de pé em frente a linha de embarque. De repente, Lexa se sentiu enjoada só com o pensamento de Clarke entrando em uma briga no meio do aeroporto com esse cara. Ela empurrou as pessoas em seu caminho e foi em direção a Clarke.

Ela viu Clarke dar um empurrão violento no peito de Finn, que cambaleou para trás, saindo de frente da linha de embarque, o choque estava estampado em seu rosto. Lexa começou a correr quando Finn deu mais alguns passos assustados para trás, encurralado pela forma furiosa de uma Clarke que estava fervendo de raiva.

Ela só chegou a tempo de ouvir o final de uma série de palavrões furiosos que Clarke estava rosnando.

- Mas .. uhm, você ... !! – Finn estava gaguejando, com os olhos arregalados, olhando para Clarke, em toda sua glória, grávida. – Clarke!?

- Me devolve a porra do meu dinheiro, Finn – Clarke rosnou, seus olhos queimando uma intensa marca de ódio, uma coisa que Lexa nunca tinha visto nela antes. Clarke em um dia normal, era uma pessoa com paixão ardente de bom humor, mas essa Clarke foi incendiando tudo a cada passo que dava. – Eu sei que você está com ele.

A boca de Finn ficou branca. – Eu não faço ideia do que você estava falando. – Finn cuspiu, seus olhos eram cheios de desprezo.

Clarke deixou um grunhido escapar de sua boca e começou a avançar, mas Lexa a pegou com uma mão segurando seu braço. Clarke virou e olhou para ela. Lexa balançou a cabeça um pouco e se virou para dar um olhar frio para Finn. – Finn, eu tenho certeza que não preciso te lembrar que eu sou uma advogada.

Finn a examinou com os olhos apertados.

Lexa ergueu as sobrancelhas para ele. – Eu te aconselho a pensar sobre isso, antes de fazer uma coisa na qual você vai se arrepender. Vale a pena lembrar que, uma vez que estamos nessa situação, eu conheço todos os números de certas pessoas que podem fazer da sua vida, um inferno.

Finn empalideceu um pouco. Ele olhou entre elas e finalmente parou seu olhar em Clarke. – Eu tenho tanto direito a esse dinheiro, quanto você.

- Em que universo? – Clarke explodiu em descrença.

- Eu sou o único que manteve você na ativa com essa besteira de barriga de aluguel. – Finn rosnou. – Você se lembra quantas vezes você quis desistir e correr como uma patinha assustada? Eu sou a única razão para você ter esse dinheiro.

- Vai se foder – Clarke rosnou, lutando conta a mão de restrição que Lexa ainda mantinha em seu braço.

- Eu não posso ver você desperdiçar esse dinheiro com essa besteira, você sabe que essa porra de exposição não vai te levar a lugar nenhum. – Finn disse de forma venenosa, a testa de Lexa franziu em confusão momentânea. Exposição?

Clarke olhou para baixo. – É o meu dinheiro e eu gasto ele com a basteira que eu quiser. – Clarke disse, essa foi a frase mais calma que saiu dela durante os últimos quinze minutos. Lexa olhou para ela, seus olhos estavam nublados com algo a mais do que apenas raiva.

Ela olhou para Finn novamente, o homem começou a dar passos para trás, olhando entre elas com cautela. Lexa já tinha estado tempo suficiente com criminosos para saber quando eles estavam prestes a começar a correr, tentando fugir. Atrás dela, ela podia ouvir os comissários de bordo anunciar a saída do voo para Flórida e com o canto do olho, viu que eles estavam de olho em toda situação que estava acontecendo ali.

- Finn – Disse ela rapidamente. – Pense bem sobre isso. Não tem nenhuma forma de você conseguir sair disso correndo, você sabe. Me dê o dinheiro.

Finn olhava para ela como um animal encurralado.

- Os funcionários vão estar chamando a segurança em um minuto, se é que eles já não chamaram. – Lexa disse friamente, quase em forma de um sussurro. – Nós podemos dizer que não há nenhum problema aqui, certo?

Finn olhou para os funcionários por um momento e depois deixou escapar um longo suspiro, fechando seus olhos. Ele colocou a mão em um casaco que usava e puxou um pacote com um tamanho considerável de seu bolso. Ele deu alguns passos à frente e entregou o pacote para Clarke. – Aqui. Vá em frente e foda mais ainda sua vida. – Ele cuspiu, enquanto Clarke tomava o pacote de sua mão. – Você vai se arrepender e voltar para a merda, e o melhor, eu não estou nem ai.

Lexa se virou para os funcionários e franziu a testa quando viu um deles no telefone, ele estava olhando fixamente para Finn. Ela virou novamente para ele, que olhava para seus próprios pés agora e zombou. – Vou te dar um conselho -  Disse ela. – Eu diria que você tem menos de 5 minutos para correr antes da segurança aparecer. E se eles aparecerem, eu não vou hesitar em falar o que está acontecendo aqui. – Ela começou a puxa Clarke, com cuidado, para trás, à medida que ela conseguia ver os seguranças vindo em direção a eles. – Melhor correr.

Lexa deu as costas para ele e caminhou, assim que Clarke fez o mesmo, elas voltaram para a entrada do terminal. Sem olhar para trás. Mas se ela tivesse virado, ela teria visto Finn correr para dentro de uma multidão, e se esconder, como o rato que ele é.

 

* * * * *

Lexa não conseguiu encontrar seu carro, ela supôs que ele tinha sido rebocado e ela nem poderia ficar irritada com isso. Afinal, ela foi a única que deixou ele em uma zona de táxi. Ela pensou que seria grata se encontrasse seu carro sem amasso ou arranhões, ou seja, sem a vingança dos motoristas irritados. Havia uma rede que operava e manobrava carros, no estacionamento no aeroporto, ela ofereceu uma quantidade considerável de dinheiro para um dos manobristas tentar recuperar o seu carro, na área deposito do aeroporto. Ele rapidamente concordou e ela se sentou no passeio, perto da estrada ao lado de Clarke em silêncio.

A loira estava olhando diretamente para a estrada, seus olhos estavam vidrados de uma forma que mostrava que ela estava longe, em uma forma profunda em seus próprios pensamentos e ela provavelmente não conseguiria ver nada que tivesse acontecendo em sua frente. Lexa apertou gentilmente seus ombros. – Você está bem?

Clarke deixou escapar um suspiro. – Sim.

Alguns minutos de silêncios se passaram, os mesmos que Lexa se manteve ainda olhando para ela, tentando avaliar o que a loira estava sentindo. Hesitando, Lexa engoliu a seco antes de falar. – Sabe, se ele tivesse conseguido fugir com o dinheiro, se você tivesse perdido ele, eu teria reembolsado o que você perdeu.

Clarke olhou fixamente para ela. – Eu não iria deixar você fazer isso – Ela disse.

Lexa não pode deixar de sorrir um pouco. – Eu sei que você não deixaria. – Clarke olhou para longe novamente. Suspirando, ela balançou a cabeça e chegou um pouco mais perto de Lexa, assim que suas pernas estavam pressionadas juntas. Ela inclinou a cabeça contra o ombro de Lexa e fechou os olhos. Lexa sentiu borboletas em seu estômago e o calor tomava conta de seu ombro. E ela inclinou a cabeça e descansou sua têmpora contra a cabeça de Clarke. – Posso te perguntar uma coisa?

- Claro – Disse Clarke.

- Sobre o que Finn falou, a exposição. O que significa isso? – Lexa perguntou, ouvindo novamente em sua mente as palavras que Finn tinha cuspido em Clarke.

Clarke ficou em silêncio. Quando se passaram mais alguns minutos e não houve uma resposta, Lexa se contentou com o fato que ela não iria receber uma. Era como se as habituais paredes entre elas, tivessem subido novamente, Lexa tinha feito a pergunta errada e Clarke se fechou, do mesmo jeito que ela sempre fazia.

Porem em seguida, Clarke disse em voz baixa. – Eu quero .. eu quero te contar sobre tudo.

Lexa sentiu um súbito calor em seu estômago. – Eu iria gostar disso.

- Quando chegarmos em casa.

- Feito. – Lexa disse com firmeza. Ela estava prestes a dizer algo mais, mas a vibração do seu celular em seu bolso fez ela parar. Ela teve que fazer uma manobra com a mão para conseguir pegar seu celular, Clarke sentindo toda dificuldade dela, moveu a cabeça do seu ombro. Lexa franziu a testa quando viu o nome de Indra, em sua tela de chamadas recebida. Ela apertou o botão verde na tela e colocou contra sua orelha.

- Indra?

- Onde você está? – A voz brusca que vinha na outra extremidade da linha, exigiu. – Eu vim ao seu apartamento e não tinha ninguém.

- Eu não sabia que você estava na cidade – Lexa disse de forma suave.

- Bom, é claro que eu estou – Indra disse, impaciente. – Eu vou estar aqui até depois do natal, eu pensei que Anya tinha te avisado.

- Eu não tive tempo de falar com Anya – Lexa resmungou, irritada por essa chamada ter custado uma cabeça loira e quente contra seu ombro. – Qual é o motivo disso?

-Você vai estar vindo para o natal, não é? – Disse Indra. – Claro que você vai, eu tenho certeza que Anya vai te convidar em breve, falta pouco tempo para ele. Eu apenas queria te dizer uma boa notícia, mas acho que agora vou ter que esperar.

- Boa notícia? – Lexa disse com cautela.

- Agora você vai ter que esperar. – Indra disse e Lexa detectou a marca especial de excitação e brincadeira que Indra tinha em sua voz. A mesma marca que sempre deixava Lexa nervosa. – Mas sabe, eu tenho uma surpresa de natal para você.

Zeus, Lexa pensou já com medo. – Eu espero que isso não me traga nenhum problema. – Lexa disse, desconfiada.

- Nenhum problema. – Indra disse, cordialmente. – Mas eu acho que é apenas, algo que você tem precisado, ultimamente. – Houve um barulho do outro lado, como se Indra tivesse acabado de voltar para a rua. – Eu tenho que ir agora, Lexa. Te vejo no natal.

-Tchau. - Lexa disse, miseravelmente e desligou o celular.

Clarke estava olhando para ela com curiosidade. – Era sua irmã? Está tudo bem?

Lexa fez beicinho, cruzando os braços sobre o estômago. – Bom, ela estava me informando sobre os planos de natal em família. Então, não, não está tudo bem.  

Clarke deixou escapar uma pequena risada de seus lábios. – Sua família não pode ser tão ruim assim.

Lexa olhou para ela com um pequeno sorriso em seu rosto. – Eu gostaria de conversa com você, sobre eles.

Clarke sorriu calorosamente. - Eu gostaria disso também.

* * * * *

 

Quando elas, finalmente, tinham conseguido voltar para o bloco do apartamento, o sol já estava começando a mergulhar para baixo do horizonte e Lexa poderia ver o claro cansaço no rosto de Clarke. Ela colocou a mão nas costas de Clarke, enquanto elas caminhavam do corredor até a porta. O contato, a pressão, o calor. Era disso que Lexa precisava. Mas do que qualquer outra coisa.

 

Assim que elas entraram, Clarke despejou sua bolsa no balcão da cozinha e desapareceu no corredor, falando ‘’Fique aqui’’ antes de ir. Lexa suspirou e se apoiou no balcão, esperando a loira voltar.

 

No momento que Clarke apareceu na sala de estar de novo, ela estava segurando a sua grande caixa de papelão, a mesma que ela tinha quando chegou no apartamento. Lexa franziu a testa com confusão. Ela pensou que a caixa já tinha tido um fim, afinal Clarke já tinha pendurado suas roupas no guarda-roupa, em seu quarto de hospedes. Ela viu Clarke colocar a caixa no sofá e começou a tirar o que tinha dentro.

 

A sobrancelha de Lexa subiu quando ela viu a loira desempacotar uma pintura após outra, cada uma salpicada de cores vivas. Clarke colocou as imagens ao lado da mesa de café e do sofá, de modo que Lexa podia vê-las claramente.

 

Lexa olhou. Eram pinturas bonitas, ela definitivamente poderia ver porque Clarke queria trazer elas naquela caixa. Ela vagamente lembrou de ter visto uma caixa no antigo apartamento da loira, rotulada como ‘’Pinturas’’. Ela se perguntou de onde essas telas vieram, se era herança de família, elas certamente poderiam custar uma boa quantia de dinheiro. Lexa nunca tinha sido muito crítica em relação a arte, analisar a arte era a coisa de Anya. Mas ainda assim, ela podia apreciar uma boa obra de arte, e as obras que Clarke estava desempacotando lentamente e apoiando em seus moveis, eram muito boas. Em particular, ela fez uma nota mental para perguntar a Clarke quem era o artista, porque ela gostaria muito de ter algo parecido com essas pinturas em seu escritório. Eram obras que consistiam formas azuis escuras e fluidos que eram quase ilusórios, de maneira que pareciam se mover para a tela. Eles eram extremamente sugestivas e de alguma forma, tinham um ar de desespero e esperança, pintadas sobre elas. Mesmo que as formas fossem confusas, era possível tirar formas concretas delas, como uma nuvem, Lexa também podia ver um horizonte da cidade e uma pequena casa entre eles.

 

- Essas pinturas são lindas. – Lexa cantarolou.

 

- Elas são minhas – Clarke disse, soando como alguém que acaba de confessar um segredo, de forma rápida e direta, como se quisesse acabar logo com isso. Ela olhou para as pinturas, evitando intencionalmente o olhar de Lexa. – Eu pintei elas, assim que me mudei para viver nessa cidade.

 

Lexa olhou para a loira, congelando no seu lugar. – Você que fez isso?

 

Clarke brincava com o canto da mesa de café, olhando decididamente para longe de Lexa. – Sim. Essa é a razão pela qual eu larguei a medicina, eu queria estudar arte. Eu queria ser uma artista.

 

Lexa ainda estava olhando para ela, tentando evitar que seu queixo caia de surpresa. De todas as coisas que Lexa não sabia sobre Clarke e as que ela estavam lentamente aprendendo, ela sente que esta é a que fez mais sentido. Por que, Clarke era uma artista e uma das boas. Todos aqueles momentos em que os olhos da loira tinham ficado nublados e de repente ela mudava o seu olhar, o motivo fazia sentido agora, tudo sobre Clarke parecia se encaixar na mente de Lexa ‘’Essa é Clarke Griffin e ela é uma artista’’ Parecia a coisa mais natural do mundo. Lexa se repreendeu internamente, ela só tinha visto algumas pinturas, por que a ideia de Clarke como uma artista se encaixava tão perfeitamente bem em sua mente?

 

‘’Porque você sabia que ela era mais do que ela sempre dizia.’’ Lexa pensou. ‘’Você sabia que ela era mais do que uma pessoa que fritava hambúrguer e que precisava desesperadamente de dinheiro.’’

 

Clarke se encostou no braço do sofá e suspirou. – Bom, esse era o plano da faculdade. Octavia iria ser uma advogada e eu estaria virando uma artista. Eu vim pra cá, assim que me formei e comecei a pintar, mas .. – Ela sorriu melancólica. – Ninguém realmente se importava com as minhas pinturas. E honestamente, até eu parei de me preocupar com elas por um tempo, eu pensei que era apenas mais um sonho estúpido.

 

Lexa engoliu a seco, ela queria dizer algo como, isso não é um sonho idiota e como isso era importante e real. Mas ela estava incapaz de fazer mais do que olhar para o perfil do rosto de Clarke, que estava iluminado com a luz do entardecer, que agora diminuía na sua janela.

- O dinheiro é para uma exposição que meu amigo está montando. Ela está construindo uma galeria em um armazém antigo, ele me perguntou se eu queria me juntar a ele e um par de outros artistas e investir no local. E ai todos nós exibimos nossas peças quando o local ficar pronto. Mas isso ia me custar um braço e uma perna, eu achava que não iria ser capaz de conseguir isso – Ela deu de ombros e olhou para seus pés. – Eu não tinha o dinheiro e o tipo de dinheiro que ele estava falando, eu nunca seria capaz de conseguir, mesmo se eu trabalhasse por meses sem gastar nada. Então ... – Ela passou um dedo ao longo da mesa de café – Eu falei com uma agência de barrigas de aluguel, porque essa era a única maneira que eu achei de conseguir o dinheiro para a exposição e galeria. É por isso que eu me tornei uma barriga de aluguel. – Cruzando os braços sobre o peito, ela balançou a cabeça. – E eu não sei se essa exposição vai fazer alguma diferença, talvez ela seja um desperdício de dinheiro, ninguém irá ver nossas coisas e eu vou ter que aceitar que eu sou uma merda de artista. – Ela finalmente olhou para Lexa e havia algo queimando atrás de seus olhos, uma coisa como convicção, com um pouco de atitude defensiva. – Mas eu ainda tenho que tentar.

Lexa segurou seu olhar, tentando encontrar palavras. Houve várias vezes em sua familiaridade com Clarke, que Lexa tinha sido paralisada em momentos de revelações ou só momentos, que envolviam a loira. Paralisada por algo que ela disse, ou algo que ela fez, ou talvez pela sua beleza ou por algo bonito que ela fazia. Este foi um desses momentos e Lexa nunca tinha sentido o mais forte tipo de vontade de quebrar aqueles poucos passos de distancias e beijar Clarke.

O silêncio de Lexa parecia deixar Clarke inquieta. Ela caminhou em direção a Lexa, parecendo preocupada. – Ei, eu .. bom, só porque eu comecei a fazer isso por dinheiro, não significa que eu não me preocupo com o bebê, certo? Eu vou fazer tudo que eu posso para garantir que este bebê seja saudável e feliz.

Elas estavam apenas a um passo de distância agora, o suficiente para Lexa apenas se inclinar para frente e pressionar seus lábios contra os de Clarke. Ela podia sentir o calor da loira tão perto dela e imaginou o calor sendo pressionado contra ela.  Até onde você sabe, ela é hetera. Uma voz em sua mente alertou. Não faça ela se sentir desconfortável, ou pior, não faça ela te odiar, só porque você não pode controlar suas emoções. Lexa engoliu em seco, seus olhos ainda estavam sobre os grandes olhos azuis que estavam tão perto dela. – Eu .. eu conheço um crítico. Quero dizer, um crítico de arte. Ele é um velho amigo da minha família. Ele está sempre à procura de novos artista e exposições. Esse seu projeto da galeria no armazém, soa como algo que ele iria gostar de escrever sobre. – Ela viu algo parecido com descrença vindo em toda a características do rosto de Clarke. – Eu poderia mencionar a ele, sobre essa exposição.

A boca de Clarke se dividiu em um sorriso, do tipo que cobria todo o rosto e fazia os olhos dela brilharem também. Antes que Lexa pudesse saber o que deveria fazer com ela mesma, Clarke já tinha avançando nela para puxa-la em um abraço. Os braços de Lexa cercaram lentamente a cintura da loira e ela suspirou. – Obrigada, Lex. – Clarke disse de forma suave.

- Você não é uma artista de merda, Clarke – Lexa respondeu, com a voz um pouco rouca. – Essas pinturas são surpreendentes. Você é incrível.

Clarke se afastou, mas ainda continuava perto e as mãos de Lexa se mudaram para o seu antebraço. De repente, tudo estava perto, muito perto. Lexa podia sentir o cheiro doce que sempre parecia seguir Clarke em todos os lugares, e que ficou mais intenso quando elas estavam tão perto, parecia irradiar de seus cabelos. Seu coração já estava na garganta, de repente ela se sentia nervosa e animada.

Lexa poderia ter imaginado isso, mas ela jurou que os olhos de Clarke tinham se lançado até os lábios dela e Lexa se perguntou se alguém poderia culpa-la por isso agora, se ela se inclinasse para frente e fechasse a distância. Pelo menos, então ela iria saber. Clarke iria recuar e dizer a Lexa que era não era lésbica, assim com esse conhecimento, Lexa iria tentar seguir em frente com sua vida. Mas, Lexa ouviu a batida do seu coração, que dizia. ‘’Ela vai te beijar de volta’’ E quando essa ideia se fixou em sua mente, o seu coração começou a bater um pouco mais rápido.

Mas, logo em seguida, Clarke foi se inclinando para trás, ela se virou e encarou os seus quadros novamente, ela foi se afastando assim como o cheiro e calor que irradiavam dela. Lexa se sentiu à deriva por um momento, como se ela tivesse em queda livre sem qualquer tipo de âncora para se agarrar, enquanto ela observava Clarke começar a pegar as pinturas e coloca-las de volta na caixa. – Eu acho que vou descansar, tem sido um longo dia. Mas, obrigada mais uma vez. – Clarke disse, sua voz era baixa e grave, mostrando o qual cansada ela era. Ela pegou a caixa e olhou para Lexa, seus olhos correram para longe antes que Lexa pudesse realmente manter um contato visual. – Quero dizer, obrigada Lexa, não só por hoje, mais por tudo.

- Claro - disse Lexa, e ela se amaldiçoou quando suas palavras soaram apenas um pouco mais que um sussurro.

Clarke começou a ir em direção do corredor, mas antes de desaparecer completamente de vista, ela se virou para Lexa e ofereceu um pequeno sorriso, seus olhos estavam brilhando na escuridão do corredor. – Boa noite, Lex.

Lexa prendeu a respiração, enquanto Clarke entrava no seu quarto e fechou a porta silenciosamente atrás dela. – Boa noite, Clarke

Ela sentou-se no sofá e enterrou a cabeça nas mãos.

 


Notas Finais


Ainda bem que eu prefiro Uber -q

Desculpem os erros, besos.


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