História Feels Like Home - Capítulo 13


Escrita por: ~

Postado
Categorias The 100
Tags Barriga De Aluguel, Clarke Griffin, Clexa, Clexon, Lexa Woods, The100
Exibições 512
Palavras 7.639
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fluffy, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Bissexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


HO-HO-HO é Natal lol

Capítulo 13 - Capítulo 13


Quanto mais o natal se aproximava, mais Lexa decidia que toda essa coisa de Natal em família na casa de Anya era uma ideia completamente horrível. Trazer Clarke com ela, era ainda pior. Todo esse assunto estava deixando seus nervos à flor da pele.

Mas Anya tinha ligado para ela semana passada e disse que Lexa deveria sim, trazer ‘’Aquela garota. A barriga de Aluguel’’, como sua acompanhante para a festa e Lexa prontamente havia concordado. Provavelmente era mais uma oportunidade para suas irmãs interferirem em sua vida, bom, mais do que elas já fazem. Mas Clarke também havia concordado em ir muito rapidamente. Talvez Clarke fosse concordar em ir para qualquer lugar com Lexa. E Lexa provavelmente iria seguir Clarke por ai como um cachorrinho feliz e balançando o rabo. Ela realmente quase desejou que Clarke tivesse recusado o convite para a festa de natal. Isso teria sido muito mais fácil. Assim Clarke não iria ter que sofrer com comentários sarcásticos e olhares de julgamento que sua família daria a loira, na hora do jantar tedioso, onde ninguém realmente queria estar na companhia um do outro. Eles só eram reunidos por um vínculo familiar, mais nada, só vieram medir quanto dinheiro e quando sucesso na carreira cada um tinha adquirido.

Com toda certeza, Lexa amava sua família, pelo menos na maioria das vezes, mas ela estava absolutamente certa de que eles estavam indo para despedaça-la como uma matilha de cães selvagens, quando acham um bom pedaço de carne.

Clarke não parecia perturbada com a festa de natal. Ela mencionou uma vez na semana passada, quando tinha perguntando qual o código de vestuário ela deveria vestir. A resposta havia sido, formal, é claro. Tudo na família Woods era rígido, formal e adequado.

Pelo menos na véspera de natal, o dia foi descontraído. Normalmente Lexa iria assistir TV e talvez tentar terminar algum trabalho, mas este ano foi diferente. Tudo tinha mudado por Clarke, é claro. A loira resolveu por si só começar a arrumar o apartamento de Lexa com o máximo de alegria natalina que ela poderia encontrar. Luzes de natal foram postas nas paredes e móveis, iluminando todo o apartamento com cores vermelhas e verdes vivas. Ela tinha encontrado uma árvore e decorações de natal, tudo de plástico em uma laja de segunda mão. E ela decorou tudo com todas as bugigangas e enfeites bregas que ela tinha achado. Lexa tinha voltado para casa só a noite naquele dia e ela quase morreu de choque quando viu tudo isso. Clarke tinha ficado bastante satisfeita, não só com a decoração, mas também com o olhar horrorizado de uma Lexa em um completo estado de choque assim que pós seus pés dentro do apartamento.

A véspera de natal foi tranquila. Elas se sentaram e assistiram a alguns filmes durante a maior parte da noite, inconscientemente cada vez se arrastando um pouco mais perto para a outra no sofá, até chegarem a basicamente ficar encostadas uma na outra. Este foi o tipo de interação que nenhuma delas mencionaram ou pareceu reconhecer. Mesmo que Lexa estivesse imobilizada e sorrindo amplamente com uma presença quente pressionada contra ela. O seu autocontrole foi surpreendente, por mais que ela quisesse muito colocar um braço em torno da loira e puxar ela para mais perto. Lexa não fez.

No entanto, à medida que a noite avançava, a preocupação de Lexa sobre a festa de natal voltava com força total. Enquanto os créditos de The Grinch começavam a rolar, ela se virou para Clarke, bastante inquieta. – Então, sabe a festa de natal?

- Sim, eu sei – Clarke disse de forma divertida. – O que tem isso?

- É... uhm – Ela abriu a boca e fechou, tentando encontrar as palavras certas a dizer e controlando seus nervos. – Eu sinto que devia te avisar antes sobre -

- Sobre sua família? – Clarke interrompeu. – Você sabe que eu já ouvi muito sobre eles, e eles soam como personagens de um filme de terror. Vampiros ou algo assim. Mas eu tenho certeza que eles não são tão ruins assim. – Ela disse facilmente. – Eu conheci Lincoln e ele era ótimo, não tem o que se preocupar, certo?

- Lincoln é diferente - disse Lexa, bastante séria. - Lincoln é uma ovelha negra.

Clarke franziu a testa de forma pensativa. - Eu pensei que você era a ovelha negra.

- Não – Lexa pensou por um momento. – Eu sou a ovelha branca com algumas manchas pretas. Ou talvez uma colorida como o arco-íris.

Clarke riu e seus olhos estavam brilhando. – Você tá estragando todo o simbolismo disso. – Ela se sentou um pouco, se virando para enfrentar Lexa no sofá. – Olha, eu sei que você está preocupada e se essa preocupação for comigo, você realmente tem que parar. Eu não estou preocupada. Mesmo depois de tudo que eu ouvi sobre sua família. São só pessoas, Lexa. Eu posso lidar com pessoas, eu faço isso todos os dias no trabalho.

- Não são os mesmos tipos de pessoas, Clarke. – Lexa argumentou. – Essas são... pessoas ricas.

- Pessoas ricas também são pessoas. – Clarke lembrou a ela, sorrindo.

- Isso é discutível – Lexa disse mais se sacudiu. – Olha, eu só estou tentando dizer que eles vão dizer coisas para você e você ai dizer coisas de voltar para eles... –

- É geralmente assim que uma conversa funciona. – Clarke interrompeu.

- E eu não quero que você se sinta desconfortável, muitas vezes o que eles dizem... – Lexa estava lutando para encontrar as palavras. – Tem sempre um motivo, a maioria dessas pessoas são bem intencionadas, quer dizer, são um pouco e também metade das pessoas, mas quase sempre, o que eles estiverem falando, vai fazer você sentir como se eles estivesse sempre te julgando e tentando encontrar defeitos e isso é sempre...-

Clarke pôs a mão na perna de Lexa e a morena praticamente esqueceu tudo o que ela iria dizer. – Lexa – Ela disse lentamente. – Eu vou ficar bem.

Lexa soltou um ruído em forma de resmungo e Clarke riu. Ela se levantou ainda rindo e foi até a cozinha. Lexa se levantou e seguiu a loira. – Não é que eu não ache que você possa lidar com isso, é apenas...- Ela bufou em frustação. – Eu não quero que eles façam você se sentir desconfortável, porque eles têm um talento especial para isso e eu...- Ela parou de falar, olhando para Clarke. – O que você tá fazendo?

Clarke congelou no mesmo lugar que estava, abrindo o congelador e pegando uma bandeja de gelo. Ela tinha um cubo de gelo em seus dedos e estava a meio caminho de sua boca. Suas sobrancelhas estavam franzidas em aborrecimento. – O que? Não posso comer um gelo sem que isso seja estranho?

Lexa observou enquanto Clarke colocava o cubo de gelo em sua boca e mastigar ele. – De todos os desejos bizarros...-

- Eu não posso evitar – Clarke deu de ombros, colocando a bandeja de gelo de volta no congelador. – Acredite em mim, o gelo não está normalmente no meu menu. Eu daria tudo para desejar comer um bolo de chocolate ou biscoitos, mas ainda assim, eu acordo no meio da noite só para vim comer gelo. – Ela se inclinou contra o banco e cruzou os braços. – Mas voltando ao seu pequeno ataque de pânico intitulado de ‘’Festa de Natal’’, eu sei que você vai passar a noite toda preocupada, então eu vou avisar já agora. Eu vou ficar bem.

- Mas...-

- Shiu. Eu. Vou. Ficar. Bem. – Clarke sorriu. – Eu lido com pessoas rudes o tempo todo no trabalho. Sua família vai ser bem fácil. – Ela começou a caminhar em direção ao corredor. – Eu vou me trocar. Estou cansada e parece que eu tenho que estar com minhas energias recarregadas para a festa de amanhã.

- Clarke – Lexa disse e talvez, só talvez, ela estivesse pensando em dizer algo mais sobre a festa de natal, ou sobre sua família. Mas ela se conteve. Em vez disso, ela pegou um copo do armário e abriu o congelador para derramar alguns cubos de gelo nele. Ela caminhou até onde Clarke estava em pé e lhe entregou o copo. – Aqui. – Ela disse. – Assim você não tem que se levantar no meio da noite.

Clarke sorriu e se inclinou, antes mesmo que Lexa pudesse se preparar, a loira lhe deu um beijo na bochecha. – Feliz Natal, Lex. – Ela disse antes de pegar o copo e desaparecer pelo corredor.

Lexa levou um tempo para se recompor vergonhosamente. Então, idai se ela sentia pele formiga bem no local que Clarke tinha colocado seus lábios, mesmo que tivesse sido apenas por um momento. Ela era uma adulta e não era afetada por essas coisas infantis. Lexa deu um suspiro e se jogou no sofá.

Ela sabia que isso era uma mentira, e todos os segundos que ela estava gastando nessa véspera de natal, tentando se convencer de que Clarke iria se sair muito bem nessa festa de Natal, também era uma mentira. Mas não era a maior mentira que ela tinha dito a si mesma hoje.

 

                                                                                                  * * * * *

 

O dia de Natal chegou com um frio acentuado no ar. Tinha sido um inverno quente até agora, mas aparentemente a mudança correu por toda cidade. O frio estava lá fora e o ar estava fresco, as respirações das pessoas eram jatos de vapor, mas no interior do apartamento estava tudo quentinho. Lexa acordou de forma lenta, sem perceber ainda que já era natal. Honestamente, ela não estava animada para esse dia, aliás, desde muito jovem ela já não ligava para o natal.

Ela tinha feito compras de Natal para a sua família há um tempo já. Livros e alguns certificados, nada muito pessoal ou emotivo. Presentes, de acordo com muitos membros de sua família, era apenas uma oportunidade de dar algo útil e construtivo para alguém que você gosta. Lexa ainda se lembrava, com uma vaga amargura, de um ano em que ela ganhou um livro de matemática e um livro velho que documentava casos legais de uma pequena cidade colonial. Ela também se lembrou que tinham dado a Indra um tabuleiro de ábaco. Porém, Anya ganhou o prêmio de quem levou o pior presente, ela recebeu um par de luvas bizarro de um primo distante. Apesar dos presentes, foram alguns dos natais mais felizes que ela teve. Ela e Anya tinham se escondido no armário durante toda a festa de natal e desafiavam uma a outra à quem conseguisse roubar mais comida da cozinha sem serem pegas.

Os seus natais recentes tinham sido muito menos alegres. Seus pais não estavam vivos. E por outro lado, elas estavam crescidas agora, por mais que fosse tentador, elas não seriam capazes de se esconder em um armário durante todo o tempo da festa. Ela até tinha dúvidas se Anya iria querer fazer uma coisa dessas, ela parecia estranhamente aproveitar dessas reuniões de família.

Esse natal seria diferente é claro, porque Clarke iria estar lá. Uma ovelha entre os lobos.

Lexa se espreguiçou na cama. Havia um barulho estranho vindo de algum lugar do apartamento, ela se sentou na cama, franzido a testa. Ela vestiu um moletom por cima do seu pijama e fez seu caminho pelo corredor até a sala de estar, piscando contra a luz da manhã que vinha através da porta de vidro que tinha na sala. Clarke sorriu para ela da cozinha, onde ela estava derramando, o que parecia ser pedaços de chocolate na panqueca em uma panela. – Feliz Natal! – Ela sorriu.

- Feliz Natal – Lexa riu. – O que tem ai?

- Panquecas! – Clarke disse cantarolando. – Antes de morrer, meu pai costumava a me fazer essas panquecas na manhã de cada Natal.

- O cheiro é bom. – Lexa se inclinou contra o banco para observar a loira tirar uma panqueca e começar a fazer outra.

- Quer seu presente agora ou depois do café da manhã? – Clarke perguntou de firma inocente.

Lexa piscou algumas vezes. – Você... ?

- Sim, comprei um presente para você. – Clarke zombou. – É Natal, Lexa!

Lexa deu de ombros com um sorriso no rosto. – Agora, eu acho. Eu fiquei intrigada.

- Impaciente! – Clarke brincou, mas colocou a espátula em cima do balcão, limpou as mãos na parte da frente da blusa que usava como um pijama e acenou para o fogão. – Eu vou buscar, não deixe queimar.

Lexa se levantou e foi ficar ao lado do fogão, enquanto Clarke sumia pelo corredor, assobiando alegremente. Lexa estava sorrindo, enquanto observava ela ir. Ela também havia comprado um presente de Natal para Clarke, e ao contrário dos outros presentes que ela tinha comprado, esse foi bem significativo e emocional. Ela gostava de pensar que já conhecia Clarke bem o suficiente para comprar um bom presente. Foi uma bela mudança trocar esse tipo de presente com alguém e se divertir com isso, mostrar sua afeição e não dar e receber por obrigação familiar.

Quando Clarke apareceu novamente, ela tinha as mãos nas costas e Lexa riu. – Você está me deixando em suspense aqui.

A loira se aproximou e revelou um pacote mal embrulhado, que tinha o tamanho de uma caixa de sapatos. Lexa franziu a testa enquanto pegava o embrulho, ela puxou cuidadosamente o embrulho até já poder segurar os objetos em suas mãos. O primeiro foi um pacote de velas perfumadas. Foi do tipo barato, mas vale muito mais por ter vindo de Clarke. Ela sorriu e estava prestes a agradecer a Clarke, mas a outra coisa que estava em suas mãos tinha chamado a atenção dela. Parecia ser um pequeno livro de capa dura embrulhado, Lexa colocou as velas de volta da caixa para poder abri-lo.

O livro estava cheio de esboços e desenhos, cada folha, não tinha nenhum espaço limpo. Alguns foram desenhados com carvão vegetal, alguns tinham cor e outros foram feitos com aquarela. Lexa ficou em silêncio enquanto folheava as folhas. Ela conhecia algumas das imagens, ela tinha a visão distinta da rua fora de seu apartamento, o nascer do sol feito da sacada de seu apartamento (Lexa tinha se perguntando em que momento Clarke acordou para poder desenhar ele), e tinha um desenho do parque, onde elas se encontraram pela segunda vez após a entrevista. Outros desenhos eram de sua própria sala de estar e alguns lugares que Lexa nunca tinha visto antes, paisagens, pessoas, animais e lugares que vieram da mente de Clarke. Lexa já tinha visto as pinturas de Clarke e elas eram incríveis, mas seus desenhos eram algo completamente diferente. Descritivos e evocativo, com linhas mínimas e fortes marcas de carvão. Eles capturaram exatamente o que precisava ser capturado, na quantidade ideal de traços. Tinha um desenho de um pássaro que foi esboçado de forma que parecia estar em constate movimento.

Ela viu alguns fragmentos de rostos e quando ela viu os seus próprios olhos, olhando para ela a partir do papel, Lexa teve o sentimento que seu coração poderia estourar para fora de seu peito.

Quando ela olhou para cima, Clarke tinha o olhar quase envergonhado no rosto. – Eu sei que não é nada de especial – Disse ela de forma apressada. – Mas eu enchi meu caderno de desenhos enquanto já estava morando aqui, então...- Ela deu de ombros sem jeito. – Eu não sei por que, mas... uhm... Eu achei que seria legal que você tivesse ele.

- Eu amo isso, Clarke. –Lexa disse, percebendo que realmente não tinha quaisquer outras palavras que pudesse comunicar com precisão o quão perfeito esse presente era para ela. – Isso é Incrível. – Ela balançou a cabeça. – Muito obrigada. Eu realmente amei tudo isso.

Clarke olhou para o lado sorrindo, com um brilho avermelhado se espalhando por todo o seu rosto. – Ok, ok... é apenas alguns desenhos. – Disse ela de forma envergonhada.

- Falando nisso – Lexa disse lentamente. – Isso torna o meu presente para você bastante apropriado.

Clarke franziu a testa para ela. - Você não tem que me dar nada.

Lexa apenas lançou um tipo de olhar fulminante para a loira e foi caminhando até o armário da sala de estar, abrindo um dos compartimentos do armário, ela tirou algumas caixas embrulhadas em um simples papel pardo. A primeira caixa era alta e grande e a segunda um pouco menor. Quando Lexa olhou para a loira, Clarke tinha um olhar horrorizado.

- O que você fez!?? – Ela perguntou horrorizada.

- Basta abrir. – Disse Lexa.

- Eu juro por Deus, se você tiver gastado uma quantia ridícula de dinheiro comigo eu vou jogar isso... no balcão, em forma de devolução. – Clarke se aproximou e se sentou de pernas cruzadas no chão, puxando a caixa maior em sua direção. Ela parecia tão jovem, seus olhos brilhavam de emoção e isso deixou Lexa com vontade de rir. Clarke rasgou o papel com cuidado e respeito até começar a ver uma armação de madeira. Um Cavalete. Seus olhos estavam brilhando e ela correu os dedos sobre a madeira, apreciando de uma forma que só artistas realmente podiam. – A última vez que eu tive um desses eu ainda estava na faculdade. – Ela disse com um pequeno sorriso.

Na outra caixa, havia um conjunto de tintas. Não um conjunto qualquer, o homem da loja tinha assegurado a Lexa que essas eram as melhores do mercado, tinham qualidade profissional. Elas vieram em uma caixa de madeira, juntamente com um conjunto de pincéis que eram ordenados por tamanho e formato e com uma inserção de veludo. Clarke parecia presa em um feitiço enquanto olhava para eles, ela corria seus dedos sobre os tubos de tintas e até pegou um dos pincéis para examina-los. Lexa estava ajoelhada do lado dela no chão e observava tudo com cuidado. Quando Clarke se virou para ela, a loira não estava sorrindo ou rindo. Seus olhos estavam queimando com aquele brilho inominável, algo que deixou o coração de Lexa batendo um pouco mais rápido.

- Obrigada – Clarke disse com calma. Ela sustentou o seu olhar com o de Lexa. – Eu... só, realmente, muito obrigada.

Lexa sorriu. – Você não tem o que agradecer, Clarke.

Clarke avançou e puxou Lexa para um abraço apertado, seus braços serpenteavam ao redor de Lexa e seu queixo ficava apoiado em seu ombro. – Sabe... – Clarke disse com calma. – Eu tenho muito mesmo a te agradecer.

Lexa abraçou ela de volta, enterrando o nariz no cabelo de Clarke e inalando o cheiro que tinha lá. Ela resistiu ao impulso de fechar os olhos e suspirar. – Eu me sinto da mesma forma.

- Não é a mesma coisa – Clarke disse de forma séria. – Cada coisa boa que aconteceu comigo nesses últimos meses, tem sido por sua causa.

Lexa franziu a testa. – Não – Ela disse, se afastando um pouco e segurando os ombros de Clarke. – Eu me recuso a deixar você pensar assim.

Clarke olhou para ela com uma careta. – Mas é verdade. A galeria, tudo... tudo é por sua causa.

- Clarke – Lexa disse com clareza. – Eu tiver o prazer de te conhecer melhor nesses últimos seis meses e posso dizer com toda completa e absoluta honestidade, que mesmo se você nunca tivesse me conhecido, você ainda iria estar prestes a abrir uma galeria e fazer parte de uma exposição. E você estaria feliz, você iria fazer tudo que pudesse fazer para chegar até aonde você quer ir. – Lexa exalou o ar lentamente. – Porque você é a pessoa mais resistente e impulsiva que eu conheço, Clarke. E eu me recuso a deixar você ligar as coisas boas que acontecem na sua vida a mim ou a qualquer outra pessoa. Você merece tudo de bom que está e que vai acontecer com você, porque você lutou por isso.

Clarke estava olhando para ela com aqueles grandes olhos azuis e estava muito perto. Sua respiração fazia cócegas na pele do rosto de Lexa e aquela voz traiçoeira na mente da morena, lembrou a ela do quão fácil seria se inclinar e fechar aquela pequena distância, deixando os seus lábios se encontrarem. Ela estava se perdendo nas extensões dos olhos azuis da loira e apesar desse tipo de coisa sempre parecer clichê e cafona, ela realmente adorava passar algum tempo estudando como os olhos azuis brilhantes de Clarke eram perfeitos. Ela engoliu a seco, estava nítida a sensação de que ambas estavam se inclinando para frente e tudo estava se movendo em câmera lenta.

PEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE !! !

Lexa olhou para cima assim que os alarmes de incêndio começaram a tocar. O som ecoou em todo o apartamento. Quando ela olhou para trás, para a cozinha, havia uma nuvem fina de fumaça flutuando em cima do fogão. Clarke riu.

- Eu acho que queimamos as panquecas. – Ela riu mais.

 

                                                                                                             * * * * *

 

Elas pararam em frente ao prédio do apartamento de Anya exatamente as 18:10. Anya tinha dito a Lexa que as pessoas devem começar a chegar às seis e que o jantar seria pontualmente servido às sete. Muitos dos membros da família chegavam muito tarde para o jantar, que foi o motivo dessa nova regra.

- Sua irmã vive aqui?! – Clarke disse de forma incrédula. Ela olhava para o antigo edifício de cima a baixo de forma impressionada. – É lindo.

Lexa olhou para os últimos andares de forma nervosa. – É bom. – Ela admitiu. Lexa olhou para Clarke que estava sentada no banco de passageiro do seu carro. Ela estava usando o mesmo vestido que ela usou na primeira vez que Lexa levou ela ao Grounder. Lexa estava completamente encantada com isso, mas para o desespero de Clarke, o vestido não se encaixava. Aparentemente seu estômago se recusou a deixar o vestido se acomodar em seu corpo e ela teve que fazer alguns ajustes nele. Lexa tomou uma profunda respiração e olhou para a loira ao seu lado. – Ainda não é tarde demais para correr.

Clarke levantou uma sobrancelha e franziu a testa. – Você pode fazer o que quiser. Eu estou com fome. Eu fiquei ansiosa para o jantar de Natal o dia todo. – Ela abriu a porta do carro e bom, foi isso ai.

Elas pegaram o elevador em silêncio e Lexa estava cada vez mais se sentindo tonta. Anya estaria lá, todos os outros membros da família Woods estaria lá. Indra também estaria lá. Pelo menos ela teria Lincoln se precisasse de algum tipo de ajuda.

Ela bateu na porta de Anya com o coração na garganta. Ela sentiu Clarke chegar mais perto e apertar a mão dela, mas isso não foi o suficiente para aliviar o poço de medo em seu estômago. Foram apenas alguns segundos até Anya abrir a porta. Ela parecia encantada quando viu quem era.

- Lex!! – Ela disse sorrindo. – É bom ter ver de novo. – Ela andou um pouco mais para frente para poder puxar Lexa para um abraço e Lexa não pode deixar de sorrir um pouco. Mesmo que Anya tivesse se tornando como o resto da família Woods ao passar do tempo, elas ainda eram irmãs.

Então, logo em seguida, Anya estava olhando para Clarke e sorrindo educadamente e Lexa sentiu todos os seus nervos voltarem. – Anya, esta é Clarke Griffin. – Ela disse. – Clarke, esta é minha irmã Anya.

Clarke deu um passo mais próximo para cumprimentar e beijar o rosto de Anya. – É um prazer finalmente te conhecer, Anya.

- Da mesma forma. – Anya disse educadamente e calorosamente. Seja qual for o teste que Anya tinha vindo a colocar Clarke, a loira parecia ter passado, porque o sorriso de Anya era genuíno quando ela convidou a loira para entrar. – A maioria já chegou. – Ela disse principalmente para Lexa. – Você deveria ir falar com o Tio Tito, ele estava perguntando sobre você. E nossa avó também. Oh, e tente manter um olho em Lincoln, ele está bebendo muito vinho.

Lexa engoliu a seco, balançando a cabeça. O Hall de entrada era amplo e estava cheio, cerca de 25 rostos familiares, membros da família Woods jovens e idosos, vestidos com roupas formais demais para uma reunião de família. Eles estavam divididos em pequenos grupos de conversa e os olhos de Lexa correram por cada pequeno grupo. Aparentemente, Indra ainda não tinha chegado. Ou talvez ela estava na cozinha. Porém, Lexa não podia se preocupar com isso agora porque Clarke estava de pé ao lado dela e alguns membros de sua família já tinham começado a notar as duas.

- Já está nervosa? – Lexa sussurrou

Clarke pensou por um momento. – Boa tentativa. – Ela disse com cuidado. – Não estou nervosa. – Ela pareceu detectar algo pela sala. – Aperitivos, isso sim. – Ela começou a avançar para a mesa e Lexa olhava de forma incrédula para a loira, enquanto ela passava sozinha por um mar de rostos desconhecidos que observavam ela com curiosidade, enquanto ela passava, cabelos loiro em um mar de cabelos castanhos.

Lexa começou a seguir ela, definitivamente preocupada com a ideia de deixar Clarke sozinha, mas ela foi logo abordada assim que pôs os pés na sala. Tio Tito, um homem careca e alto que parecia ter um mal humor profundo. Ela foi pega por um pequeno grupo que incluía sua avó e algumas tias que estavam procurando por Lincoln. Ele arqueou uma sobrancelha para o grupo em saudação e tomou um profundo gole do seu copo de vinho tinto. – Alexandria. – Sua avó resmungou. – Eu estou feliz por você estar aqui, você não tem visitado muito a gente. O que é isso que eu ouvi de Anya, sobre você ter um bebê?

Lexa respirou fundo. – Sim, eu vou ter um filho. Através de uma barriga de aluguel.

Todos seus parentes no grupo olharam com interesse. Porém a careta do seu Tio Tito se aprofundou. – Uma barriga de aluguel? É isso que aquela mulher que você trouxe, é?

Ela tomou uma grande respiração. – O nome dela é Clarke.

Tio Tito estava prestes a dizer algo mais, enquanto estreitava seus olhos mas a avó de Lexa interrompeu ele repentinamente. – Eu acho isso maravilhoso, Alexandria. Sua mãe estaria soltando fogos se ela estivesse aqui agora.

Lexa ficou surpresa e não sabia o que dizer sobre isso. – Eu agradeço.

- Se você me perguntasse – Sua avó começou. – Essa família tem mesmo precisado de um pouco de sangue novo, tem sido muito tempo desde que Anya teve seus meninos e este aqui... – Ela virou a cabeça na direção de Lincoln. – Não está dando sinais de que vai se aquietar e começar a formar uma família ainda.

Lincoln tomou outro gole profundo do seu vinho, para se prevenir de falar algo. Lexa sorriu para ele e eles conseguiram se afastar da conversa enquanto Tito e sua avó entraram em uma discussão sobre o mérito da barriga de aluguel.

- Onde está Clarke? – Lincoln sussurrou enquanto inclinada a cabeça contra um canto na parede, parecendo misericordiosamente discreto.

- Eu não faço ideia. – Lexa bufou enquanto olhava ao redor. – Ela mergulhou no alto mar cheio de tubarões assim que chegamos aqui.

- Corajosa. – Lincoln murmurou sombriamente.

Lexa olhou para seu copo de vinho quase vazio. – Como eles estão tratando você? – Ela perguntou timidamente.

Lincoln revirou os olhos. – Três tias, dois tios e um primo que eu juro por Deus que nunca tinha conhecido, já me perguntaram se eu tinha uma namorada. – Ele fez uma careta. – Eu não tão ideia do porquê da minha vida amorosa ser um assunto tão bom para eles, isso está me deixando louco.

Lexa arrancou o copo de vinho de suas mãos. – Uma vez por ano, Lincoln. Uma vez por ano. A gente só tem que sofrer com isso uma vez por ano.

- Nem todos estão sofrendo – Lincoln disse com a sobrancelha levantada, acenando com a cabeça para algo do outro lado da sala.

Lexa se virou e balançou a cabeça em descrença enquanto via alguns de seus tios e tias que estavam tendo, o que parecia ser uma conversa agradável com Clarke. Apesar de olhar vagamente aborrecida, Clarke não parecia estar tendo um momento ruim. O que, considerando todas as outras coisas, superou as expectativas de Lexa exponencialmente. – Ela é inacreditável. – Lexa disse balançando a cabeça;

- Basta manter ela longe do Tio Tito e você vai manter essa casa segura. – Ele disse com uma pequena risada.

Lexa olhou para ele. – Você já viu Indra?

Lincoln pensou por um momento. – Ainda não. Mas ela provavelmente não deve estar muito longe.

Se empurrando para longe da parede, Lexa sorriu para Lincoln. – Eu deveria socorrer Clarke. Fique longe do vinho.

- Eu não prometo nada.

Havia uma centelha de gratidão nos olhos de Clarke assim que Lexa apareceu na conversa. Sua tia e tio saíram não muito tempo depois disso e o alívio de Clarke era palpável. Ela estava bebendo um copo de água com uma quantidade obscena de gelo. Lexa estava ao lado dela e arrancou alguns gelos de sua própria bebida, colocando no copo de Clarke logo em seguida.

- Obrigada – Clarke sussurrou. – Como você está lidando com isso?

- Surpreendentemente bem – Lexa admitiu. – Não é tão terrível como eu pensei que iria ser. – Ela se virou para Clarke. – E como você está lindando com isso?

- Tá tudo bem – Clarke deu de ombros. – Pelas coisas que você tinha dito da sua família, eu esperava que eles fossem como sociopatas ricos e agressivos, honestamente, eu estou um pouco decepcionada. – Ela acrescentou em brincadeira.

- Ainda é cedo. – Lexa brincou. – Ainda pode acontecer uma briga ou algo do tipo. Você ia gostar, hein?

Clarke enfiou a língua para fora e Lexa estava prestes a rir, mas algo do outro lado da sala havia chamado a atenção dela. Indra tinha acabado de entrar e havia uma mulher atrás dela. Lexa ficou na ponta dos pés para poder ver o rosto da acompanhante de Indra, porque a pessoa não se parecia com a filha de sua irmã. A mulher, seja ela quem for, foi tampada por outros membros de sua família enquanto ela e Indra faziam seu caminho para o quarto. Anya e Lexa passaram alguns segundos conversando com o olhar e Lexa já estava começando a sentir um poço de pavor se formar em seu estômago.

Clarke sentiu a sua inquietação. – Ei, você tá bem? – Ela perguntou de forma delicada.

- Hum – Lexa disse distraidamente. Indra e sua amiga estavam fazendo seu caminho até onde ela e Clarke estavam, fazendo seu caminho através das pessoas que estavam na sala até chegar mais perto, assim que os olhos de Lexa caíram sobre o rosto da outra mulher, e a faísca de reconhecimento bateu nela, o seu sangue congelou. Memórias de muito tempo atrás agora estavam refrescando sua mente e ela se sentiu como se estivesse paralisada, com os olhos arregalados.

- Lexa – Indra disse de forma radiante, enquanto chegava mais perto. – Eu estou tão feliz que você já está aqui. Se lembra da surpresa que eu falei pelo telefone? – Ela apontou para sua amiga, como se isso fosse uma grande revelação e uma enorme surpresa agradável. Quando na verdade, isso fez Lexa se sentir nitidamente doente.

- Olá Lexa. – Costia disse, empurrando o cabelo escuro de seus olhos para poder olhar para Lexa com cuidado. – É bom ver você novamente.

- O que é isso? – Lexa perguntou olhando diretamente para Indra, seus olhos estavam frios e sua voz era baixa com uma pequena rachadura.

Indra piscou. – Eu pensei que isso seria uma surpresa agradável. Eu estava trabalhando com Costia na minha última grande fusão e eu pensei que seria bom, sabe, vocês duas recuperarem o atraso. Por isso eu convidei ela para o jantar de Natal.

Lexa olhou para Indra, engolindo a seco. – Você não acha que tudo isso seria um pouco impróprio? – Sua voz era perigosamente gelada agora. Ela sentiu Clarke se remexer nervosamente ao seu lado.

Os olhos de Indra se estreitaram. – Jesus, Alexandria. Nem tudo é um ataque à você. Eu pensei que seria uma surpresa agradável. Eu estava tentando fazer algo de bom para você.

Costia olhou para as duas com inquietação. – Eu não sabia que isso seria um problema, Indra. Eu não queria causar qualquer desconforto.

- Não é um problema. – Indra rosnou, ainda olhando para Lexa. – Minha irmã está apenas sendo infantil. – Lexa rosnou e Indra revirou os olhos. – Honestamente, Lexa. Eu pensei que ver Costia novamente seria uma boa distração, eu sei o quanto vocês duas se gostavam. E além disso, você tem sido fora dos trilhos ultimamente. Eu só queria ajudar você a se esquecer dessa bobagem de bebê.

Houve alguns segundos de silêncio e Lexa era vagamente consciente de que estrava tremendo. – O quê? – Ela sussurrou. Alguns membros de sua família, que estava nas proximidades, começaram a olhar para os ruídos que ambas estavam fazendo. E Indra olhou em volta com desgosto.

- Você está fazendo uma cena, Alexandria. – Indra estalou. – E está sendo imatura. Quer dizer, honestamente. Você não pode achar que essa coisa de bebê é uma boa ideia. A gente tentou dizer que sua vida não precisava desse tipo de confusão e você não nos deu ouvidos.

Lexa avançou alguns passos e sacudiu os braços, quando Clarke tentou segurar ela e trazer de volta para trás. – Você não devia estar distribuindo conselhos de maternidade. Onde está Luna, Indra? Sua filha nem sequer se dar ao trabalho de pegar um voo para vim te ver no Natal.

Indra dá um tapa em Lexa antes mesmo da morena poder registrar o que estava acontecendo. Agora sim, definitivamente todos os membros da família sabiam que algo estava acontecendo. Eles riam e sussurravam entre si, enquanto as duas meias irmãs se enfrentavam. A parte da bochecha de Lexa que havia levado o tapa estava queimando, seus olhos estavam arregalados de choque.

Lexa sentiu algo ou alguém empurrado ela para o lado. – Hora de ir. – Clarke disse com calma. Lexa deixou a loira continuar empurrando ela através da pequena multidão de parentes queridos.

Enquanto elas caminhavam entre a multidão, Lexa ainda estava fervendo e Anya estendeu a mão para apertar seu braço. Sinto muito, sua irmã sussurrou, com olhos suaves. Porém ela não teve a chance de responder, em poucos segundos ela já estava fora do apartamento.

Lexa estava com a cabeça abaixada, apertando os olhos e rangendo os dentes contra a inundação de emoções que estavam fervendo em sua mente. Ela se deixou ser guiada até o elevador e depois até ao carro que estava à sua espera.

- Lexa – A voz de Clarke soava distante. Ela apertou seus olhos novamente e sacudiu a cabeça, tentando se livrar dos zumbidos em seu ouvido. – Lexa. – A voz de Clarke era mais insistente agora. Olhando diretamente para seus pés, Lexa sentiu um tanto de medo e raiva, com angústia e constrangimento sendo borbulhados em sua mente. Ela sentiu a necessidade repentina de cair de joelhos e gritar. Clarke ainda era uma presença quente ao sendo lado enquanto elas caminharam até mais perto do carro.  – Eu vou dirigir – Clarke disse de forma simples.

Lexa olhava para frente – Você sabe?

- Claro que eu sei. – Clarke disse, pegando a bolsa de Lexa para poder pegar a chave do carro. – Eu não faço isso a um tempo, mas é uma viagem de dez minutos. Eu posso lidar com isso.

Lexa foi empurrada gentilmente para o banco de passageiro do carro e uma vez que ela já estava sentada, ela se inclinou para frente, colocando seus cotovelos em seus joelhos e escondendo o seu rosto entre as mãos. Clarke se sentou no banco do motorista e ligou o carro em silêncio. Ela saiu do meio-fio um pouco trêmula e dirigiu de forma lenta, se mostrando hesitante enquanto estava em frente ao volante.

Nenhuma delas falaram nada até chegar em casa.

Quando Clarke parou na garagem do prédio, Lexa já tinha conseguido reaver um pouco de sua calma. Ela era boa nisso. Ela fazia isso em todos esses jantares de família, sempre que algo tinha perturbado ela ou machucado ela. Era fácil fingir que estava tudo bem.

Era fácil ignorar os olhares que ela estava recebendo de Clarke, enquanto elas estraram no elevador, foi fácil manter seus olhos em seu próprio reflexo no espelho do elevador, fácil fingir que a pessoa na qual ela estava olhando, não se parecia com ela mesma.

Elas caminharam pelo corredor mantendo o silêncio tenso, Clarke colocou sua chave na porta e quando ela se abriu, Lexa caminhou de forma rápida para dentro, fazendo seu caminho para o corredor. A única maneira da noite acabar bem, neste ponto, era pegar uma garrafa de uísque que servia para decorar o seu armário, e começar a beber. Clarke segurou o braço dela e impediu a morena de desaparecer em direção ao seu quarto. Clarke manteve ela ancorada onde estava.

- Me deixe ir. – Lexa disse de forma brusca. – Eu quero minha cama.

- Não.

- Clarke, eu estou cansada. – Ela disse, abaixando seu tom de voz.

- Não – Clarke disse de forma aguda. – Não até você me dizer o que aconteceu.

- Você viu o que aconteceu. – Lexa rosnou, apertando a ponta do nariz e fazendo uma careta. Ela já podia sentir a dor de cabeça chegando. – Minha irmã trouxe minha ex-namorada pata o jantar de Natal em família, porque ela achava que isso iria tirar da minha cabeça esse assunto absurdo de bebê. – Ela se irritou. – Ela acha que eu estou fazendo um enorme erro e que eu vou ser uma mãe terrível. E é por isso que ela tenta me parar, ela trouxe alguém que sabia que ia me fazer sentir como uma merda e me fazer querer questionar cada decisão que eu já fiz. – Lexa rosnou, suas mãos se fecharam. – Ela acha que eu vou se uma mãe horrível e está determinada a me fazer ver isso. – Ela passou a mão por seus cabelos, despenteando eles. Lexa havia penteado com cuidado, para fazer seus cachos ficarem na posição horizontal durante o jantar, mas ela sabia que tudo iria ficar selvagem novamente. – Minha irmã acha que eu sou uma máquina sem amor e que eu não posso lidar com a adição de uma criança na minha vida.

Clarke olhou para ela. – Quem se importa com o que ela pensa – Ela disse insistentemente e Lexa bufou com impaciência. – Lexa, do que você tem tanto medo?

- De que ela esteja certa – Lexa estalou, sua voz se elevou a um grito, queimando com a súbita raiva ela se virou para Clarke. – Eu estou com medo de que ela esteja certa sobre mim, ok?!

O silêncio caiu e ele ainda foi mais alto do que os gritos de Lexa. Seus olhos tinham se desviado de Clarke, ela olhava para algum ponto atrás de da loira. Elas ficaram assim, iluminadas apenas pela luz da cozinha pelo que pareceu ser anos. Lexa tinha a forte sensação de estar sendo engolida pelo olhar de Clarke, mas esse olhar era diferente, Clarke estava procura do olhar dela, havia uma nota de magoa por traz da dureza daquelas palavras. Lexa sentiu toda a raiva e ódio romper a barragem dentro dela e inundar tudo. Ela podia sentir se esvaziar. Ela viu a confusão e mágoa de forma clara no rosto de Clarke e se sentiu como se estivesse na ponta de um terraço.

Ela engoliu a seco. Abrindo a boca para pedir desculpas por ter gritado mas Clarke interrompeu ela com a voz afiada. – Você não pode acreditar nisso.

Lexa fechou sua boca, parecendo assustada. Ela balançou a cabeça e franziu a testa e foi se afastando, dando alguns passos para trás para não ser olhada pelos olhos de Clarke, mas isso não estava ajudando em nada. – Você não entende.

- Então me explique.

Lexa virou a cabeça para poder olhar a loira. – Elas acham que eu estou destruindo toda a minha vida por um capricho, porque eu sinto falta da minha ex-namorada e eu estou sozinha. E esse bebê vai fazer eu me senti menos solitária, como ter um filhote de cachorro ou algo assim. Elas acham que eu estou apenas cortando os itens da minha lista de coisas a fazer. Conseguir um emprego, comprar um apartamento, ganhar dinheiro, ter um bebê. Elas pensam que eu vou me arrepender depois de perceber que isso foi um grande erro. – Ela apertou a mandíbula – E se elas estiverem certas? E se eu estiver só com medo e depois me arrepender? E se eu realmente não quero ter um bebê. Eu só não queira ter um porque eu já tenho um.

Ela estava olhando para Clarke enquanto divaga como uma pessoa louca e assim que se calou, ela sentiu sua pele queimar de vergonha. Mas Clarke ainda não tinha dito nada, apenas continuou olhando de forma indecifrável para Lexa. – Porque você quer ter esse bebê, Lexa? – Ela perguntou com a voz baixa.

Lexa fechou os olhos. – Porque eu sou solitária.

- Você vai amar ele?

Seus olhos se abriram e ela franziu a testa. – Claro!

- Então nada mais importa. – Clarke deu de ombros. – Ninguém tem nenhum direito de dizer que você não deve ter um bebê. Não cabe a elas fazerem esse tipo de decisão por você.

Lexa bufou, franzindo a testa. – Mas... –

- Não – Clarke cortou. – Essa é a verdade. Não há mais nenhuma opinião que deva importar para você, além da sua. Mas...- Ela deu um passo para frente, seus olhos estavam em um escuro ardente. – Se você ainda quiser a minha opinião, eu acho que você vai ser a porra da mãe mais fantástica desse mundo.

Lexa zombou, olhando para longe.

- Eu realmente quero dizer isso – Clarke disse de forma brusca, dando mais alguns passos para perto. – Você é a pessoa mais amável, carinhosa e gentil que eu conheço. E qualquer criança vai ter muita sorte de te ter como mãe. Isso é um fato. Eu tenho sorte de ter você na minha vida e assim esse bebê vai ter. – Ela estava ainda mais perto agora e Lexa sentiu a parede tocar suas costas enquanto ela dava passos para trás. – Então, eu me recuso completamente a deixar você se convencer que isso é um erro, porque quando você ver esse bebê, eu sei que você vai se esquecer de tudo de ruim que te disseram, porque se isso realmente tiver sido um erro, então é o melhor erro que uma de nós já fez.

Lexa estava apoiada contra a parede agora e suas mãos se fecharam quando ela começou a sentir a respiração de Clarke entre o seu rosto. Clarke estava em todos os lugares nesse momento, o turbilhão de emoções que tinham em Lexa, estavam se colidindo com o vinho que ela tomou na festa. De repente ela se lembrou do que Clarke havia dito no começo dessa semana, sobre a menina que ela namorou na faculdade. A garota. Ela engoliu a seco, sentindo um zumbido em seu ouvido que, felizmente, não era o alarme de incêndio. Não, ela disse a si mesma. Não faça isso.

Mas Clarke jogou seus olhos até os lábios de Lexa e isso foi o suficiente.

Lexa se inclinou para frente, rompendo as últimas polegadas de distância que tinham entre elas e pressionou seus lábios contra os de Clarke, uma pequena explosão aconteceu com seus sentimentos, euforia, alegria, horror e choque, tudo atingiu como fogos de artifício em sua mente. Mas sem dúvidas nenhuma, o sentimento que estava vencendo essa guerra, era a alegria, porque assim que ela inclinou a cabeça pra mais perto, ela sentiu os lábios de Clarke e eles eram quentes, doces e faziam uma dança de tirar o fôlego em sua língua, foi tudo, sabor e cheiro, ela estava sentindo Clarke. Tudo estava perfeito porque ela estava beijando Clarke e por algum milagre, a loira estava beijando ela de volta. Seus próprios lábios estavam entreabertos e o beijo foi se aprofundando, ambos se moveram uma contra a outra, como se estivessem sido feitas para fazer isso o tempo todo. Ela sentiu a mão de Clarke tocando o seu queixo para poder inclinar ela melhor no beijo, de modo que a língua de Clarke poderia explorar absolutamente tudo que ela podia. Lexa enterrou uma de suas mãos no cabelo de Clarke e a outra ela usou para escovar seus dedos pela nunca da loira e puxar ela pra mais perto. Ela sentiu a pele da loira arrepiar com seu toque na nunca, e os fogos de artificio em sua mente estavam explodindo, ela não conseguia formar um pensamento racional, estava tudo dando um curto-circuito.

Elas se separaram apenas por alguns segundos para poder retomar uma respiração rápida e em seguida, Clarke estava lá de novo, dessa vez ainda mais perto, perto o suficiente para ambos os corpos se encaixarem, enquanto Lexa era pressionada na parede, Carke girou seu corpo para poder pressionar a perna delicadamente entre o meio das pernas de Lexa. E a respiração da morena vacilou entre um pequeno gemido. Clarke silenciou ela rapidamente com outro beijo. Uma das mãos de Clarke que estavam circulando a cintura e o rosto de Lexa, desapareceram por um momento e a morena sentia a mão de Clarke deslizando por sua barriga, indo para o osso de seu quadril e chegando até sua coxa. Deslizando um pouco mais a mão, Clarke moveu ela por baixo do tecido do vestido de Lexa, e logo seus dedos estavam subindo pela coxa nua da morena.

- Clarke – Lexa soltou a palavra como um gemido entre os dentes e foi como se o feitiço tivesse se quebrado, algo acendeu entre elas, porque de repente Clarke começou a recuar, dando passos lentos para trás. Seus olhos estavam arregalados e fixados no chão.

Lexa queria dizer alguma coisa, mas as palavras sumiram de sua boca. Clarke girou os calcanhares e fugiu, desaparecendo pelo corredor sem dizer uma palavra. Lexa observou ela ir, com a aceleração do seu pulso e coração ainda batendo rápido demais, ela se perguntou se o que tinha acabado de acontecer foi apenas um sonho.

Mas pelo jeito que seu corpo estava completamente ligado, isso não era um sonho.

 

 


Notas Finais


Ps1= É, eu não sei reproduzir um som de um alarme de incêndio, me julguem euhruheuhr
Ps2= Desculpem os erros :B


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...