História Feita de Cor e Palavras - Capítulo 20


Escrita por: ~

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Categorias A Menina Que Roubava Livros
Tags Guerra, Liesel, Livros, Romance
Exibições 27
Palavras 3.188
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Olaaar :3 Tudo bom ? Aushush Então,eu achei o capítulo meio leve,pra falar a verdade até fraquinho. Mas é aquele ditado,vamo fazê o que ? Aushsuh
Espero que gosteeem !

Capítulo 20 - Quem vai ser o próximo ?


Fanfic / Fanfiction Feita de Cor e Palavras - Capítulo 20 - Quem vai ser o próximo ?

-Vai mais pra lá,Rudy !

Foi isso que eu ouvi quando estava com o rosto afundado no estofado do sofá bizarramente estampado da Miranda. Tentando,a todo custo, parar de pensar naqueles corpos,nos rostos dos oficiais bem vestidos e nas armas que eles seguravam.

-O que você fez hoje ? Por que chegou tão tarde ?.-Perguntou Bettina ainda tentando me empurrar do sofá.

-Não é da sua conta.

A lembrança daquela tarde continuava voltando a minha mente.

Enquanto os oficiais sem aproximavam do estábulo,as batidas do meu coração estavam tão altas que eu não conseguia ouvir nem meus próprios pensamentos.

Eu sabia que se eles entrassem no celeiro,iriam nos ver. O feno pode esconder duas pessoas,mas quatro é demais.

Um dos oficiais desceu do cavalo e foi levando-o para dentro,então o segundo .-eles estavam em dois.-também desceu e disse :

-Espera,você vai devolver o cavalo ?

O outro continuou se aproximando.

-Sim.-Disse calmamente.

-Você é burro ou o quê ?.-Retrucou.-Matamos o homem,idiota !

-Ah,é !.-Ele parou de andar.-E o que vamos fazer com eles ?

Lembro de ter feito o maior esforço para não rir,o outro oficial cobriu o rosto com as mãos e murmurou algo sobre ‘’novatos e idiotas do Reich’’.

-Deixe-os aí,vamos voltar para dentro da casa,ver se tem algo de valor,voltamos pegamos os cavalos e vamos embora. Entendeu ?.-Ele falava pausadamente,esperando que o outro entendesse.

O homem assentiu,pegou a guia do cavalo mas a deixou escapar das mãos duas vezes. Irritado,o outro o empurrou para trás e pegou bruscamente a guia.

-Deixe que eu faço isso !

Foi aí que eu declarei oficialmente que estávamos perdidos.

O homem entrou com os cavalos,os prendeu e então parou no meio do estábulo. Fechei os olhos mas podia sentir seu olhar percorrendo o local.

Então,houve um disparo.

Fiz o possível para não me mexer. O som abrangente do disparo,atingindo meus tímpanos,deixando tudo como um zumbido por alguns segundos.

Mais um disparo.

Dessa vez,o som foi diferente. Como se o oficial tivesse errado a mira,ou algo assim.

Silêncio.

Um terrível e endurecedor silêncio.

O ponto positivo : pode não ter acertado ninguém.

O ponto negativo : pode ter acertado tão bem que já estejam mortos.

Quebrando o silêncio,como se pisasse em folhas secas,o oficial riu. Uma risada fria e cortante.

-Vamos ver o que tem na casa daquele velho.-Disse.

Esperei até que o som de seus passos sumissem,e corri para revirar o feno,na mesma hora que Henry.

Ele obviamente,não foi atingido,mas a nossa preocupação naquele momento era sobre o pai e filho que continuavam em silêncio.

Por fim,encontramos o menino,que aparentava ter uns nove anos ainda com a mão sobre a boca,obrigando-se a continuar em silêncio. E o homem,forçando a ficar parado,com a mão direita tampando um ferimento no braço esquerdo.

A bala o atingira de raspão.

-Droga,minha mãe vai dar um jeito nisso,senhor.-Falou Henry analisando o braço ferido do homem.

-Está tudo bem.-Disse o homem,mas para o filho do que para nós. Presumi que o alemão do garoto não fosse tão bom quanto o do pai. Acho que eram holandeses,porque se fossem poloneses não faria tanto sentido estarem aqui. Se na própria Polônia já é ruim para eles,imagine na Alemanha ?-Eles vão voltar logo ! Precisamos correr !

Eu comecei a desamarrar os cavalos,se é para fugir,que seja uma fuga espetacular.

-Tem certeza ?.-Perguntou Henry.-É arriscado.

-Não temos muito tempo.-Respondi.

E então,montamos nos cavalos e saímos o mais rápido que podíamos. E quando já estávamos lá na frente,juro ter ouvido mais barulhos de tiro.

-Sabe,Rudy…-Começou Bettina,á essa altura ela já estava deitada em cima de mim. A luz fraca batendo em seu rosto,no fundo fiquei feliz por ela me ter tirado dos meus pensamentos. Eles ainda vão me matar.-O que você acha que o papai está fazendo ?

A pergunta me atingiu em cheio. Eu até pude sentir os recém pedaços colados do meu coração se quebrando de novo,como vidro.

Demorei para responder. Estava tentando reencontrar a minha voz.

-Dormindo. Ou...remendando seu uniforme.

-Acha que ele está pensando em nós ? Ou na mamãe ?

-Com certeza.-Falei. E torci para que o que eu estava dizendo fosse verdade.-Ele está pensando no dia em que ele vai voltar.

Ela ficou em silêncio.

Eu conseguia ouvir os cochichos nervosos de Miranda no quarto ao lado,brigando com Bernahd. O que me fez lembrar de outra questão…

-Posso saber por que você não está no quarto com a mamãe ? Aqui nem me cabe direito,imagine com você...

-Não é legal acordar de madrugada com ela chorando.

Eu fiquei em silêncio.

E ela também.

Abraçada no cobertor,olhando para a sala escura.

Pensei na carta que minha mãe mandara para ele há alguns dias atrás,imaginei ele lendo a carta. Os dedos segurando firme o papel com a caligrafia delicada da minha mãe. Imaginei ele chorando e até queimando a carta.

Se eu tivesse algum desejo que poderia se tornar realidade,desejaria do fundo do meu coração que ele nunca recebesse aquela carta.

Demorei para pegar no sono naquela noite,assim como todas as outras,mas nessa em especial,doeu mais do que o normal ficar acordado. E não foi nem porque Bettina continuava em cima de mim,pegando todo o cobertor. Foi porque,ao contrário das outras noites,dessa vez eu não tinha uma lembrança fixa para ficar me torturando. Eu tinha um turbilhão de memórias me espancando,tirando meu sangue e forçando-se a ser lembrada,gritando que iria voltar para me atormentar mais vezes e que eu jamais estaria livre das minhas próprias lembranças.

Foi horrível.

Na manhã seguinte,não fiquei enrolando para não ter que levantar. Levantei rápido,e sai no horário certo. Em parte porque queria,mais do que o normal,ver Liesel. E também porque ainda me lembrava da lição que eu aprendera ontem com a Senhora Cullmann.

Naquela tarde,depois de termos abandonado os cavalos no meio do caminho,voltamos a pé para o prédio da Resistência.

Já estava escuro quando contamos a Endler e Abiel sobre a morte do senhor Kaltenbach e sobre o que passamos naquele estábulo. Eles pareceram muito tristes com a notícia da morte,até mesmo Abiel. Mas eles tentaram,sem sucesso,se recompor quando a senhora Cullamann,no canto da sala se levantou depois de ter limpado o ferimento de bala do judeu de sotaque engraçado.

-Vocês sabem que isso poderia ter sido evitado,não sabem ?.-Disse ficando no meio dos dois. Ela tinha uma postura de líder e me perguntei se não deveria ser ela quem deveria mandar na Resistência ao invés deles.-Não sabem ?.-Repetiu,dessa vez eles assentiram.

-Bom.-Continuou.-Quantas vezes vou ter que repetir ? Cada minuto conta. Se vocês não tivessem discutido,Kaltenbach estaria vivo. Isso aqui não é brincadeira.-Dessa vez ela se virou para mim e Henry.-Estamos na Resistência. Estamos lidando com vidas. Em um minuto a Gestapo pode invadir esse lugar,em um minuto o oficial poderia ter matado os meninos,mudado de ideia,ficado com os cavalos. Mas não. Kaltenbach foi morto,vocês se esconderam e aconteceu tudo isso apenas porque eles discutiram. Desperdiçaram nosso valioso tempo com uma bobagem. Você mais que ninguém deveria saber o quanto nosso tempo é importante,Endler. Vocês podem parar de se lamentar pela morte e aprenderem com isso, deixando de brincar com vidas,ou podem continuar os mesmos,com as briguinhas infantis.-Fitou seus olhos nos dois homems e com o ar sério,disse.-E então,quem vai ser o próximo ?

Eu pensei nisso por um bom tempo. Pensei na seriedade de suas palavras e como por mais assustadoras que pareçam,são verdadeiras. Admito que elas me atormentaram um pouco. Quer dizer,eu posso fazer algo errado e acabar matando alguém sem querer ? Provavelmente sim. E digamos que isso não é exatamente o que eu esperava.

Mas não vou voltar atrás.

Quando eu estava lá,escondido naquele celeiro com meus batimentos tão fortes que chegavam a ser insuportável,eu senti uma coisa.

Eu me senti vivo.

É uma sensação estranha misturada com medo e adrenalina. É algo novo que eu nunca senti antes,nem correndo em uma competição,nem roubando.

É diferente,é bom.

E além disso,nada se compara a cor dos olhos daquele homem judeu. Não estou falando da cor em si,mas da outra. Aquela tonalidade que apareceu quando ele já estava dentro do prédio da Resistência.

Os olhos do homem tem cor de gratidão.

E nada se compara a aquela cor.

Na escola porém,não vi a cor da gratidão,vi a da curiosidade crescendo e se espalhando pelos olhos castanhos de Liesel. Ela queria saber cada detalhe.

Demorou um bom tempo para eu contar tudo,praticamente todas as nossas aulas por que ela sempre parava e fazia perguntas,e essas perguntas levavam a outras e essas levavam a outras conversas que não tinham nem uma relação com a minha explicação.

Não mencionei a vala coletiva.

Não queria que ela soubesse que estávamos ao lado de uma pilha de cadáveres.

Ela descobriria é claro,ela sempre descobre,mas vou fazer o possível para adiar essa descoberta.

Quando eu finalmente terminei contar toda a história,eu achei que ela diria algo como ‘’Você vai continuar ?’’ ou ‘’Você poderia ter morrido ! Oh,Rudy como você é corajoso ! Me beije !’’ (A segunda opção seria bem melhor, é claro.) Mas ela apenas franziu a testa e disse :

-Vocês precisavam ter abandonado os cavalos ?

-O que você queria que a gente fizesse ?! Levasse os cavalos até o andar de cima para fazerem companhia para Miriam ?!

-É,talvez !.-Ela riu.

Estávamos no ginásio,uma raridade já que as atividades físicas são exclusividade da Juventude Hitlerista,e eles raramente juntam meninos e meninas em uma mesma atividade. Mas dessa vez foi diferente,ambos os líderes da Liga das Meninas Alemãs e da Juventude Hitlerista estavam lá,com seus belos uniformes bem passados e nos forçando a correr em volta da quadra.

-Ah,ele é horrível.-Comentei,olhando para Henry tentando jogar futebol.

Depois,que todos nós ficamos suados e cansados,os líderes decidiram dar um tempo para descansarmos. Mas esse tempo acabou durando mais do que o necessário porque, eles começaram a ter uma animada conversa,esquecendo da existência de seus alunos. Então,os alunos decidiram fazer algo melhor do que correr em círculos.

-Pior do que o Tommy Müller ?

Como esquecer o Tommy ? O careteiro da Rua Himmel e um fracasso no futebol ?

-Não,ninguém é pior que o Tommy.

Rimos,e só então eu percebi.

Puxa,como eu sinto falta do Tommy ! E do jogo de futebol toda tarde na rua Himmel,com Liesel no gol e com o Tommy errando todos os passes,fazendo uma careta a cada cinco segundos com os espasmos do rosto !

É,eu sinto falta disso.

-Acho que eu não nasci pra isso.-Disse Henry vindo em nossa direção depois de ser expulso do jogo.

-É,você nasceu para atrapalhar as explicações dos outros.-Disse Bryanna dando um susto em nós surgindo sabe se lá da onde.

-Aonde você estava ?.-Perguntou Liesel.

-Bem,ali !.-Disse apontando para uma das últimas arquibancadas.-Naquele canto do fundo.

-Eu achei que você já tinha esquecido essa história.-Murmurou Henry ainda sobre o comentário de Bryanna.

-Eu não esqueço de nada,Cullmann.-Respondeu ela. Então tirou do bolso um papel perfeitamente dobrado.

-O que é isso ?.-Perguntei.

Ela franziu a testa e olhou para todos nós por alguns segundos.

-Eu fui a única que fez uma lista com coisas para fazer antes de morrer ?.-Olhamos perplexos para ela que ainda parecia confusa.-Vocês não acham que a bala de um SS pode atingir a cabeça de vocês a qualquer momento ?.-Não respondemos,continuamos a encarando.-Qual é o problema de vocês ?

-Você é estranha.-Concluiu Henry.

Bryanna o ignorou.

-Eu só achei que seria interessante. Quer dizer,vocês não estão completamente paranoicos ?

-Um pouco.-Admiti.

Ela ia falar algo, mas Henry arrancou o papel de sua mão. Achei que ela iria protestar,mas apenas deu de ombros e continuou :

-Eu falei com meu pai e….

-É sério isso ?.-Henry perguntou.-Achei que iria ter coisas extraordinárias,sabe ? Mas,ter um coelho ? Você quer ter um coelho antes de morrer ?

Dessa vez,foi a vez de Liesel arrancar o papel das mãos de Henry,eu me aproximei para também ler a lista.

Ter um coelho.

Visitar a Escola de Belas-Artes. ( Áustria.)

Aprender a costurar.

E a lista aumentava,com os desejos mais sem graças do mundo, até o fim da folha.

-Você tem algo contra coelhos ?.-Perguntou Bryanna para Henry.

-Não,mas coelhos ? Tão simples. Por que não ter cobras de estimação no lugar deles ?

-Coelhos são incríveis.-Ela prosseguiu.-Você nunca sabe se eles vão se aninhar em seu colo ou te matar enquanto você dorme.

Agora,todos nós estávamos olhando para ela.

-Coelhos assassinos ?.-Perguntei.

-Coelhos assassinos usando facas ?.-Perguntou Liesel.

-Você é estranha.-Reafirmou Henry.

Ela nos ignorou,pegou o papel de Liesel e voltou a guardá-lo no bolso.

-Como eu estava tentando falar,eu conversei com meu pai sobre...sobre tudo.-Ela fez um gesto irritado. Tudo era a Resistência.

-E o que ele disse ?.-Questionou Liesel.

-Ah,eu achei que ele ia gritar e brigar comigo,mas ele apenas disse ‘’Eu sabia que mais cedo ou mais tarde você iria fazer algo ilegal. Mais ilegal que seu quadro.’’ Eu só estou contando isso porque...Não sei. Só acho que vocês deveriam saber.-Ela revirou os olhos.

Ela é solitária,pensei. A verdade é que ela não tem amigos,nós somos os primeiros amigos dela depois de muito tempo.

-Ele vai conversar com o senhor Endler nesta tarde.Achamos melhor isso ficar só entre nós,por enquanto.-Continuou.-Contaremos para a minha mãe mais tarde.

-Tem certeza ?.-Falou Henry.-Esconder dos pais é um pouco...arriscado.

-É só por um tempo. Minha avó faleceu há alguns dias é ela está um pouco...descontrolada.

-Sinto muito.-Falamos todos em uníssono.

-Ah,não sintam.-Ela disse.-Minha avó era terrível. Ela nunca gostou muito de mim,não éramos muito próximas. Na verdade,não éramos nada próximas ! É um pouco triste,admito.

-Você faz todos não gostarem de você ?.-Perguntou Henry e Liesel lançou um olhar para ele que poderia matá-lo. Mas ele não percebeu,se deu conta do que disse antes.-Desculpa,eu não quis…

- Tudo bem.-Respondeu Bryanna sentando-se no chão. Ela não parecia irritada,imaginei que já tinha ouvido isso muitas vezes.-Mas dessa vez eu não fiz nada,quer dizer,eu acho que não. Ela não gostava do meu pai,consequentemente não gostava de mim também. Sempre dizendo ‘’Kind,não segure o pincel desse jeito. Você não pode combinar essas duas cores !’’ e o pior de todos ‘’Seu pai não te ensinou a fazer chá direito ?’’ Aí,ela jogava o chá na pia e me mandava fazer outro. Que ela também jogava fora.

Eu e Henry trocamos um olhar como se disséssemos ‘’O chá dela deve ser horrível !’’

-Sua avó também pintava ?.-Perguntou Liesel sentando-se ao seu lado.

-Pintava.-Bryanna sorriu.-Os quadros dela eram lindos. Ela dizia que a arte é a salvação. E que quando pararem de admirar quadros,a humanidade estará perdida. Mas ela parou de pintar,disse que não precisava mais daquilo,que precisava relaxar um pouco. O que é ridículo,ela disse aquilo como se pintar fosse uma obrigação,e não é assim que deve se sentir.

-Vai ver ela só estava um pouco enferrujada,como você.-Eu disse.

-É,sabe,você não deveria parar com seus quadros.-Emendou Henry,ele olhava para chão,dizer aquelas palavras pareciam requerer muito esforço de sua parte.

-Eu sei.-Ela suspirou.-Mas eu não consigo,acho que tudo o que eu decido pintar está errado e que irá ofender alguém. Quando a Margot me disse que arte não tem regras,ela estava dizendo que eu não deveria me preocupar em pintar fora da linha ou pintar apenas em uma direção. Era isso. Mas eu entendi errado.

Além de solitária,ela é infeliz.

Bryanna percebeu que estávamos olhando para ela riu,tentando deixar o clima mais leve.

-Então,vou ficar por aqui. Na mesma cidade de sempre,com as mesmas pessoas. Vou fazer alguns cursos por correspondências,ganhar alguns diplomas,casar e continuar aqui. E quando eu tiver quarenta anos,e meus filhos estiverem brincando no quintal,e meu marido me traindo com alguma colega de trabalho,vou pegar uma bebida debaixo da pia,beber e pensar sobre o que eu fiz da minha vida.

Jesus,Maria e José,pensei.

-Jesus Maria e José.-Falou Liesel.

Vi Henry abrir a boca várias vezes,querendo dizer algo. Ele estava tentando dar algum consolo,algum incentivo. Mas não conseguiu,apenas olhou para baixo e disse :

-É uma boa perspectiva de vida,Bryanna.

-É uma ótima perspectiva.

Mais tarde,quando Henry nos contou que Endler lhe disse para ninguém ir para Resistência hoje,porque ele tinha coisas para tratar com Abiel .-provavelmente sobre o que a senhora Cullmann disse.-Liesel e eu decidimos fazer mais uma tentativa para vender os doces feitos por minha mãe e Audrey.

Durante o trajeto pelas várias ruas,conversamos sobre a bronca que Emmalyn deu em Liesel na noite passada,e sobre a sorte dela ter encontrado a tal Senhora Riche.

-Quando cheguei,já era tarde.-Contou.-Não encontrei ninguém na sala,então corri para o quarto achando que estava com sorte,mas ela estava me esperando lá. Sentada na cama com um pilha de novos vestidos do lado. Eu tentei me desculpar,mas ela ficou meia hora falando sobre como não queria ser uma ‘’mãe chata’’ mas que mesmo assim queria estabelecer regras para mim. Não posso chegar depois das 17:00 sem a permissão dela.

Contei a ela que minha mãe andava tão avoada que nem percebeu que eu tinha chegado tarde,ao contrário de Miranda que optou apenas por me lançar um olhar ameaçador. Ela perguntou sobre Miranda,e eu disse que continuava como sempre : Voz de rato. Falando sobre gatos e porcelana o dia todo.

Ela riu,e mesmo usando o uniforme da Juventude Hitlerista estava linda.

Tive vontade de beijá-la.

De verdade,sem levar um soco depois.

Mas é claro,eu não o fiz. Não queria forçá-la a algo.

Quer dizer,é impossível saber o que Liesel Meminger sente. E não quero pressioná-la no mal sentido. Vou continuar com as coisas leves,apenas apostas com beijo,só isso.

E também porque eu tive medo.

Sim.

Medo.

Isso é um absurdo,é óbvio. Mas o que eu posso fazer ? Eu tive medo de beijá-la,e de a reação dela ser mais negativa que o normal. Tenho medo dela não sentir o mesmo,e por ora,é melhor eu não saber o que ela sente. Só até eu colar os caquinhos do meu coração de volta,depois,ela pode parti-lo á vontade.

Depois de recebermos exatos trinta e dois não’s,decidimos ir embora.

Passamos por uma mulher sentada em uma cadeira no meio da rua,segurando uma placa ao lado de dois oficiais. A placa dizia : ‘’Eu sou uma profanadora de raça.’’ Na hora eu soube,essa é a punição dela por ter se relacionado com um polonês ou judeu.

Em volta da mulher uma pequena multidão se formava,apontando dedos e lançando insultos a ela.

Liesel e eu,andamos rápido e não olhamos mais de uma vez para a mulher,achando que assim diminuiria a vergonha que ela estava passando.

Estávamos em frente a nova Rua das Estrelas Amarelas,quando ouvimos aquele som terrivelmente alto. Não eram os caças,era aquele barulho metálico,novamente. O mesmo que ouvimos outro dia,o da caçamba das crianças.

Tolos que somos,paramos de andar.

Outro barulho,só que dessa vez maior,seguido por um grito. Agudo e o pior,era claramente um grito infantil.

Liesel olhou para mim,a curiosidade crescendo novamente em seus olhos.

-Não,Saumensch.-Comecei.

Ela continuava a me encarar.

-De jeito nenhum.

Mas é impossível deter Liesel Meminger,ela já estava correndo,em direção a  rua.

A voz da senhora Cullmann penetrou na minha mente.

E então,quem vai ser o próximo ?

-Droga !.-Comecei a correr também,a seguindo até a estranha nova Rua das Estrelas Amarelas.


Notas Finais


RÁ ! Eu disse para não esquecerem aquelas crianças !
Ah,uma leitora em especial perguntou do Hegbert. Sim,do professor Hegbert !
Confesso que não iria dar mais notícias dele,mas a moça foi tão fofinha aushush Ai minhas diabetes ! Já contei que ele está no campo de Bergen-Belsen,aquele que não tem câmara de gás,(Aliás,Anne Frank já esteve lá tbm ) o principal trabalho de Hegbert é,junto com outros membros de outras Resistência,levar os corpos até a vala coletiva. Acredite,é um trabalho pesado,carregar corpos o tempo todo,24h por dia,desde ás 4:00 da manhã. Houve uma proposta para ele trabalhar no Canadá ( não,não é o que estão pensando) O Canadá é o trabalho mais leve de todo Campo de Concentração,separar os pertences dos Judeus que chegaram,e dos já mortos.
Porém,o professor recusou.
~Nossa,que texto enorme ashaush
BJS NO CORE,MAMÍFEROS ! <3


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