História Fênix: O Renascer das Chamas - Capítulo 6


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Palavras 2.170
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Aventura
Avisos: Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 6 - CAPÍTULO 6


Achei que a morte seria mais interessante do que um simples silêncio solene. Estava com medo de abrir os olhos e não saber como seria o outro lado.

Muito hesitante abro meus olhos, e fico surpreso ao ver o que estava acontecendo. A flecha que deveria ter me acertado pairava no ar sob os meus olhos. As chamas crepitavam em volta de mim, quando de repente outra onda de calafrios percorrem o meu corpo.

A flecha que estava a minha frente é destruída em vários pedaço pequenos, e as chamas que estavam ao meu redor são apagadas misteriosamente. Não sabia se havia realmente feito tudo isso, mas um cansaço enorme percorre meu corpo e me faz desabar no chão.

Estava prestes a cair de encontro com a areia, quando Joabe aparece para servir de apoio.

- Você está bem? - perguntou ele.

- Vou ficar - respondo me recompondo.

Vamos indo em direção à casa. Quando entro a primeira coisa que faço é pegar uma cadeira para se sentar. Tudo que queria era tomar um banho para poder dormir, mas uma dúvida não me deixava sair daquele lugar.

- O que foi aquilo? - pergunto a Joabe.

- Telecinese - responde ele sem ao menos pensar - um feiticeiro treinado pode usar isso sem problemas, mas como você nunca teve um treinamento de magia, toda a sua mana sai de você fora de controle.

- Por isso que a flecha explodiu e o fogo se apagou?

- Exatamente - começa ele - sua mana atua juntamente com a natureza.

Não sabia exatamente como ele sabia de tudo isso mas estava muito cansado para perguntar.

- Eu vou subir - quando digo isso me ponho de pé e começo a andar vacilante em direção a escada - me sinto cansado.

- Ok - responde ele - quando sua mana voltar você se sentirá melhor.

Subo e tomo um banho, para poder dormir.

...

  Acordo em minha antiga casa, mas dessa vez ela estava inteira. Olho para frente e vejo minha irmã Sarah jogando comigo uma partida de damas. Só aí que me dou conta que tenho novamente 5 anos.

Eu me lembrava exatamente daquela partida de damas, eu nunca havia conseguido ganhar dela em um jogo de damas, mas dessa vez só precisava de movimentar uma peça e o jogo estaria acabado para ela.

Quando eu levanto a peça que encerraria a partida, sou interrompido por um estrondo em nossa porta. As batidas na porta eram fortes que faziam o chão a nossa volta tremer. De repente a porta é arrombada revelando um org com uma espada enorme presa ao coldre localizado em sua cintura e uma perna metálica que rangia quando ele pisava.

Seus olhos negros passam a encarar eu e minha irmã.

- Corra Léo - diz Sarah - sai agora daqui.

Ela sai correndo em direção ao org, que agarrou ela pela garganta. Ele ergue sua espada prateada pronto para matá la. Eu estava congelado, não sabia o que fazer tudo o que queria naquele momento era sair correndo e me esconder.

Mas eu sabia que não podia deixar ela sozinha, não dessa vez. Saio correndo na direção deles e pego uma estaca de ferro que estava próximo a lareira. Quando estou pronto para atingir o org em cheio, a cena se dissolve em fumaça.

Isso era fato, não tinha como eu mudar o passado. A cena volta e a fumaça some por completo, revelando uma outra nova cena.

Estava sentado na mesa da minha antiga cozinha e olhava para um retrato da minha irmã, quando meus pais passam por mim me seguraram pelo braço e começam a me arrastar à força em direção a floresta.

Eles me jogam no meio do nada e eu bato contra uma árvore e caio de joelhos no chão.

- Não sai daí - disse meu pai.

Era a única coisa que eu me lembrava deles. Os dois saem andando andando voltando pela trilha. E eu fico ali parado junto a árvore por um longo tempo, até perder as esperanças e sair em busca de um caminho que me levasse de volta para casa.

Saio correndo por aí em busca de um caminho ou trilha que me levasse de volta para casa. Quando piso em um buraco que estava coberto por folhas e galhos secos. O buraco era bastante fundo, eu tentava escalar mas não conseguia de jeito nenhum, já havia desistido de tudo naquele momento, então me recolho em um canto do buraco e me coloco em posição fetal me encolhendo ao máximo possível.

Quando o chão desaparece sob os meus pés, eu me via novamente com 16 anos e estava em uma queda livre em um buraco que parecia não ter fim. Me concentro em dois pequenos pontos de luz que estavam bem no fim do extensivo buraco.

Quando estou de frente para os olhos da criatura que habitava o meu corpo, sou parado por uma força gravitacional que me impediu de bater de cara contra o chão, me ponho de pé e com toda a ousadia que tinha encaro a criatura e digo:

- Você disse que controlava toda a minha mana, mas hoje pelo jeito eu pude usar ela.

Um som estrondosa se espalha pelo quarto, isso deveria ser a risada dela.

- Você acha que teria capacidade de controlar algo como aquilo, - começou ela - eu liberei a mana para você usar por um instante. Mas você aproveitou a abertura para liberar mais.

- Você nem tenta esconder que me odeia, por quê me salvaria da morte?

A criatura cerra os olhos para mim e diz:

- Garoto eu não quero que você morra, mas também, não gostaria de te manter vivo.

- Mas isso não faz o menor sentido.

A criatura bufa e continua dizendo:

- Eu não sei o que aconteceria comigo se você morresse, então até lá prefiro te manter vivo. - ela bufa novamente - A história de sua vida e interessante, um covarde rejeitado pelos pais.

Fiquei bastante irado naquele momento, mas não valia a pena se estressar com alguém que dependia de mim para viver. Me viro para o lado e me concentro para poder sair dali. Estava novamente a aquela cena.

Estava encolhido no buraco, quando uma voz familiar gritou.

- Veja o que eu encontrei - já levanto a cabeça e um Joabe 11 anos mais jovem que conversava comigo - Qual o seu nome?

- Leonardo - respondo com uma voz tímida.

- Então Léo acorde - diz ele.

...

- Léo acorde - gritou uma voz.

Estava deitado em minha cama já passava de meia noite disso eu tinha certeza. Quando minha visão volta ao foco percebi que era Joabe que estava em minha frente.

A atmosfera em volta de mim estava quente. Ele joga em minha direção a mochila que eu havia preparado para a viagem.

- O que está acontecendo? - pergunto completamente desnorteado.

- A casa está em chamas - diz ele eufórico.

Só então me dou conta de que meu rosto estava coberto de suor e havia fumaça em diversas partes da casa.

- Vamos logo - gritou ele uma última vez.

Pego a mochila e a ponho sobre as costas, quando me levanto da cama pego o pedaço do bastão que sempre deixava ali ao lado. Começamos a ir em direção ao porão para poder descer e escapar pelos fundos. Quando ele abre a porta, me lembro que havia esquecido algo. Saio de perto dele e vou para o depósito.

- Aonde você vai? - grita Joabe.

- Tenho que pegar algo - respondo.

A entrada do depósito estava em chamas, espero que o que está dentro dela não esteja sido danificado. Me afasto um pouco da entrada para pegar impulso e salto por ela.

Fico procurando desesperadamente pela faca de caça, torcendo para que não tivesse acontecido nada com ela. Remexo em tudo naquele depósito para tentar encontrar o objeto. Por fim à encontro presa junto ao coldre da calça jogada no chão junta com a lenha que queimava. Pego ela rapidamente e saio em disparada pela porta.

As chamas corriam as vigas que sustentavam a casa, quando estava prestes a sair uma delas se parte e cai em minha direção. Salto em direção à saída, e por um triz não sou atingido. Brasas e fumaça contaminavam o ar da casa, fazendo com que fosse quase impossível de respirar.

Joabe me esperava no porão segurando dois arcos e duas aljavas, me adianto para pegar um de cada. Joabe por um momento me examina, e fita os olhos na faca pela qual eu havia me arriscado para salvar, esperava um olhar de reprovação mas o que vejo é um olhar surpreso.

- Você voltou por isso? - Pergunta ele com alegria na voz.

- Sim, é importante para mim - digo - mesmo quando eu for um feiticeiro isso me ajudará a lembrar de você.

Ele me puxa e me abraça, não havia visto se ele estava chorando, mas abraçá lo foi como voltar a infância e estar no calor dos braços de um pai, era muito reconfortante. Por um tempo não queria saber do que estava acontecendo.

O momento foi interrompido por outra viga de sustentação que caiu, fazendo um alvoroço.

- Obrigado - diz ele por fim.

Saímos por uma porta que dava aos fundos da casa. Eu estava muito bem armado, pois sabia o que nos esperava do lado de fora. Paramos de correr poucos metros a frente, minha respiração estava ofegante e pelo rosto de Joabe a dele também.

- Com o que estamos lidando? - pergunta ele.

- Orgs - respondo com toda a certeza.

Joabe fica chocado com a notícia de que orgs haviam incendiado nossa casa, mas deve ter ficado mais chocado com o fato de eu saber disso.

- Como?.. eles? ..- ele não sabia o que perguntar primeiro.

- Calma vou te explicar - começo a contar para ele o que havia acontecido nesta   manhã quando fui caçar.

Ele fica chocado com a notícia.

- Léo você deveria ter me dito isso - diz ele em um tom severo - mas agora isso não importa, o importante é que sabemos com o que estamos envolvidos

- Certo.

Fico me achando um lixo por não ter avisado a ele sobre os orgs. Mas não era hora para isso tínhamos que arranjar uma maneira rápida de sairmos dali.

- Melhor irmos para a ponte é a maneira mais rápida de sairmos da floresta   - diz Joabe.

- Mas não vai ser perigoso demais? - Pergunto.

- Não vai dar tempo de contornamos o abismo, - continua ele - eles iriam nos pegar antes.

Ele se adianta e começa a ir em direção da ponte. O caminho foi silencioso não trocamos muitas palavras um com o outro.

- Ouviu isso - disse Joabe parando bruscamente.

Os arbustos e as árvores farfalhavam com o vento, mas não eram todos, somente os que estavam próximos a nós como se o vento estivesse nos perseguindo.

- Eles sabem onde estamos - digo engolindo em seco.

- Fique aí e se esconda - diz Joabe - Eu vou ver o que é.

Ele começa a seguir na direção de um dos arbustos para ver se havia algo ali, mas ele vira de volta como se não houvesse nada ali.

Mas neste momento meu corpo inteiro estremeceu, eu havia congelado com o medo. Um org se levanta por trás dele. A partir da aí tudo acontece em uma fração de segundos.

O org desembainha sua espada e antes mesmo que Joabe pudesse se virar, ele o atravessa sua espada, enfincando ela em sua barriga. O org retira a espada e sai correndo floresta  adentro.

Joabe desaba no chão, eu saio correndo em sua direção para ver se eu podia fazer algo.

- Joabe, Joabe por favor não vá - as lágrimas começam a escorrer pelo meu rosto sem nem mesmo que eu pudesse evitar - Eu preciso de você pai.

Eu nunca havia dito isso para ele antes, mas as palavras saíram da minha boca como se fossem algo normal, como se eu sempre falasse isso para ele. Mas em seu leito de morte ele também se surpreender com minhas palavras.

- Filho - começa ele - não se preocupe comigo eu vou para um lugar melhor - ele começa a tossir e seu sangue escorre por sua boca - nunca me esqueça, eu sempre estarei com você.

- Eu nunca vou te esquecer - a respiração dele estava mais forçada ele não tinha muito tempo.

- Quando você chegar na escola diga que você era neto de Dyonza Marthins, e só mais uma coisa, eu era…

Sua respiração derrapante para, o sangue de sua barriga começa a escorrer. Minhas mãos e o meu rosto estavam sujos  com o sangue de Joabe. As lágrimas em meu rosto eram incessáveis.

Mas já era tarde demais e eu sabia. Ele havia morrido.



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