História Fênix: O Renascer das Chamas - Capítulo 8


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Aventura
Avisos: Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 8 - CAPÍTULO 8


Estava caído no chão quando minha consciência retorna, estava completamente imundo coberto pela poeira e detritos que haviam ali.

Me ponho de pé e parecia que tudo ao meu redor estava girando. Após todos aqueles ocorridos estava me sentindo desnorteado e sem forças. Mas não podia parar agora. Eu não tinha mais para onde voltar, para quem voltar ou algum motivo para voltar. Tudo que tinha naquele momento era um destino, a escola de magia.

Observava o estrago que eu tinha feito naquele lugar, o pouco que restou da ponte estava pendurado do outro lado do abismo por algumas cordas. Parecia já estar na metade da tarde quando a minha consciência retorna, como um pouco do que havia na mochila e sigo meu rumo entrando na floresta.

A floresta daquele lado não era muito diferente da que eu via todas as manhãs, mas essa não havia tanta ação dos homens da cidade. Enquanto caminhava ouvia alguns ruídos de animais que ali estavam, preocupado pego o arco das costas e o deixo preso ao punho para que pudesse usá lo a qualquer momento.

O crepúsculo já estava dando lugar a noite, não sabia quanto já havia andado mas estava exausto. Paro bruscamente ao ouvir gritos pela floresta, alguém ou algo gritava o que pareciam ser ordens para outros, não conseguia ouvir ao certo o que estavam dizendo, estava longe demais, se quisesse descobrir teria que me aproximar. Não pude deixar de ter medo ao imaginar que poderiam ser outros orgs que procuravam seus companheiros, queria sair andando e fingir nunca ter ouvido aquilo.

Mas algo dentro de mim queria saber o que seria aquilo, começo a me mover em direção ao som. Quanto mais me aproximava mais as vozes se destacavam.

- … não podemos aceitar mais isso - grita um.

- Acalme se - diz o outro - não deixaremos isso acontecer de novo.

Consigo me aproximar perto o bastante para ver a cena. O lugar era um acampamento, haviam três cabanas médias feitas de madeira, onde os homens deveriam dormir, e uma menor que deveria ser o depósito. Três homens se reuniam em volta de uma fogueira, enquanto algumas mulheres estavam na varanda e crianças brincavam pelo acampamento, as que pareciam ser as mais velhas ouviam atentamente o que os adultos falavam sem fazer comentários.

- Já foi a terceira vez nessa semana, fora as outras - se manifesta um deles - devemos tomar providências.

- Não se preocupem senhores - disse um outro, o que estava mais calado durante todo o tempo - isso não vai ocorrer novamente.

Não seria uma boa ideia continuar ali, saio de lá enquanto eles ainda discutiam o que seria feito. Entro floresta adentro, e dou poucos passos antes de ouvir um uivo de lobo que não estava tão longe pelo que parecia. Precisava arranjar um abrigo para passar a noite.

Ando um pouco mais pela floresta até parar em uma árvore, onde imaginava não ser incomodado pelos animais selvagens, com galhos largos o suficientes para mim poder se abrigar, subo nela pareria a ver se era segura e resistente. Pego diversas folhas e galhos para fazer uma cama improvisada, quando ia me deitar percebi que se deixasse a mochila ali podatrair animais indesejados.

Procuro por perto algumas ervas que poderiam ocultar o cheiro da comida. Escalo a árvore alguns metros mais acima e com a faca abro um pequeno buraco no tronco onde coloco todas as minhas coisas, até as armas, o arco e a aljava tive que deixar presas em galhos próximos ao buraco. Após me ajeitar torcia para que nem todas as noites fossem daquela forma.

Me deito e olho para o céu e observo as estrelas até pegar no sono. Mas de repente a cena muda.

Mergulho na vasta escuridão do infinito, começo a cair sem nem ao menos poder reagir, meus braços e pernas não se mexiam pareciam estar petrificados.

Mas toda a escuridão ao meu redor se dispersa revelando uma cena, que mais se parecia com uma memória. Meu corpo instantaneamente passa a conseguir se movimentar, mas não era eu que o controlava.

 Eu tinha me transformado no personagem que parecia protagonizar a cena, a forma se parecia mais com um animal do que com um humano. Não consegui ver a aparência do que havia me transformado mas cheguei a essa conclusão após perceber que estava voando livremente pelas terras de Órion. O reino na cena parecia um lugar mais tranquilo e com menos caos espalhado pelas suas terras.

Não havia marcas de guerra ou destruição na terra. Quando estava prestes a pousar em uma clareira vejo a silhueta de minhas enormes asas que deixam sua marca por onde passavam. Quando chego ao solo meu corpo começa a se contorcer, algo que era um pouco desagradável, até diminuir para poder se espreitar pelas árvores tortuosas da floresta.

Quando chego ao tamanho desejado, vejo uma criatura se esgueirando pelas sombras parecendo me analisar, me aproximo para ver o que era mas fui pego de surpresa.

A figura que esgueirava era um org mas ele era bem diferente de todos os orgs que eu já havia visto, mesmo sendo que em toda a minha vida só havia visto três, ele usava uma capa cheia de detalhes, uma armadura de guerra e empunhava um cajado com uma orbe negra em sua ponta. Ele direciona o cajado para mim e dele sai uma torrente de raios negros que me pegam de surpresa e me deixam inconsciente.

A cenas após essas não passavam de flashbacks, vários orgs surgiram dentre a floresta e me carregaram em uma cúpula para algum lugar distante. Não sabia mais onde estava mas a minha frente se erguia o org que me atingiu, ele parecia ter ficado maior ou eu havia encolhido. Ao nosso redor tinha uma multidão de orgs que gritavam:

- Saúdem o grande Xamã Org.

Ele ergueu os braços e a platéia reconheceu que era para que calassem, para o org se concentrar. Nuvens negras começam a surgir em um buraco que havia no teto. Raios negros como os que me acertaram de princípio, começam a surgir no ar e eu era seu alvo. A dor era alucinante não sabia se aguentaria.

Então algo negro começa a me consumir mas eu não resistia para aceitá la. Não podia enxergar mais nada mas sentia que algo dentro de mim havia mudado.

Meu corpo retorna ao normal, e novamente me encontrava bem em frente a criatura.

- Como você ousa invadir as minhas memórias!?

- Elas apareceram para mim - respondo reconhecendo que eu havia me transformado nela.

A criatura vê que estava tão confusa quanto ela e se vira para o canto.

- Por que você cedeu a escuridão? - pergunto inquieto.

- Eu tive meus motivos - responde ela de forma breve.

Queria questionar, mas, dou alguns passos a frente e de repente caio.

Sou puxado bruscamente para fora do subconsciente quando me derrubam da árvore. Estava me recuperando do impacto quando algo me segura pela gola da camisa.

- Acho que encontrei o meu ladrão!!


                                                          🔥


O sol já nascera quando eles me amarraram junto a um tronco de madeira, minhas mãos estavam atadas na parte de trás do tronco. Um deles estava em pé diante de mim.

- Onde você escondeu? - questiona ele - Me responda, seu ladrãozinho.

Estava decidido a permanecer calado até descobrir o que acontecia no local.  Acho que meu silêncio foi interpretado de forma errada por eles, ele pega um pedaço de madeira, e se aproxima a mim segurando o como um porrete.

- Você vai abrir essa boca agora! - exclama ele, pronto para me acertar.

Quando uma mão segura o pulso do homem que me agrediria.

- Isso não é necessário cavalheiros, - diz ele com serenidade na voz soltando o pulso de seu companheiro e se voltando para mim - então rapaz o que você pegou do nosso estoque? - pergunta ele com a mesma serenidade na voz.

- Nada - digo sem enrolar.

Nem consigo ver o tapa que me atinge bem na lateral da cabeça, me deixando tonto e com a cabeça zunindo.

- Se for pra mentir - começa ele - é melhor calar a boca - ele se volta para os outros homens - Deixem ele sem comida e manere na quantidade quantidade de água que irá receber, vamos ver o quanto ele aguenta - ele continua andando em direção a maior casa do acampamento.

Todos os homens do lugar se retiram, indo fazer suas tarefas matinais imaginava, estava sozinho no terreno as outras pessoas que ali moravam deviam estar dormindo naquele momento. Dei a sorte de ter sido amarrado sobre uma sombra, se iria ficar sem nenhum alimento não poderia me dar ao luxo de sofrer de insolação.

Precisa de arrumar um jeito, e rápido, de sair daquele lugar. Tentava afrouxar as cordas para poder escapar, só que elas estavam muito bem amarradas, e quanto mais fazia isso mais dolorido meus pulsos ficavam. Naquele momento me ocorreu uma ideia para sair dali, não conseguiria fazer isso sozinho mas algo poderia me ajudar.

Você está aí?- questiono, em pensamento, esperançoso de que me respondesse.

Pare de me amolar! Não tem mais nada para fazer? - responde ela.

Preciso de sua ajuda - digo.

Que se dane, arranje a solução sozinho - essas foram as últimas palavras da criatura antes de desaparecer em minha mente, de qualquer forma estava sozinho nessa.  

Se passara uma hora aproximadamente desde que o sujeito obscuro tinha falado comigo, algumas pessoas já haviam acordado e começaram a realizar suas tarefas. Haviam três mulheres, que deveriam ser esposas dos homens que me capturam, elas realizavam tarefas domésticas que variavam de fazer a comida a estender roupa no varal.

Também ali estavam crianças, que após terem tomados seus cafés, brincavam de pique no terreno, suas idades variavam de 6 a 15 anos de idade. Alguns dos mais velhos em vez de brincarem, como os menores, ajudavam suas mães e outros ficavam em um canto cochichando, e de vez em quando mandando olhares em minha direção.

Mas uma delas me chamou muito atenção. Havia uma menina, que aparentava ter 14 anos, que ficava sentada no parapeito da casa do centro me observando atentamente. Fico um pouco nervoso de que um dos homens aparece se e me visse encarando a menina, então viro minha cabeça para não encará la.

As horas foram se passando até que ouço um sino badalando e um grito que poderia ser ouvido de longa distância:

- Almoço!! - bradou a voz.

Naquele momento meu estômago começa a roncar me lembrando de que não poderia comer nada durante todo o dia. Todas as pessoas do acampamento começam a se reunir em uma tenda que ficava próximo de onde estava.

Havia por volta de 16 pessoas reunidas naquela tenda. Quando todos estavam sentados em volta da mesa, as tampas de cada penela foram retiradas deixando um delicioso aroma no ar. Ao sentir aquele odor delicioso meu estômago ronca ainda mais forte que das últimas vezes. Faço um esforço para tentar me virar de costas para não ver todos comendo sobre a mesa.

Tive que ficar ouvindo por um bom tempo o som de pessoas saboreando sua comida, mães pedindo para que seus filhos não brincassem com a comida e diversos elogios sobre o almoço. Depois de alguns minutos, algumas pessoas começaram a se levantar e voltar ao que faziam antes. Espero mais um pouco antes de me virar, mas quando volta a minha posição original sou surpreendido.

A menina que me encarava mais cedo estava bem na minha frente segurando um copo d'água, ela possuía cabelos castanhos escuros e olhos cinzas como as nuvens de tempestade.

- Quem é você? - questiona ela, sua voz era doce e calma e inspirava confiança à quem ouvia - me pediram pra te dar isso - ela estendendo o copo na minha frente, e leva o até a minha boca e o derrama.

Essa era uma das poucas porções de água que eles me dariam naquele dia, tentei aproveitar ao máximo aquilo. A garota podia até inspirar confiança em quem olhasse para ela, mas mesmo assim não poderia me atrever a confiar em algum deles.

- Meu nome é Lilyan - diz ela, continuo em silêncio esperando que ela vá embora - Você não é de falar muito! Não é mesmo?

Enquanto ela falava vejo um grupo de três garotos no canto das casas que nos observava atentamente, eles começam a cochichar mandando vários olhares para nós, claramente não conseguiam esconder que nos observavam. Após vários olhares intrigantes, os três vão para trás das casas.

- O que foi que você roubou? - diz ela, acabando com o pouco de paciência que me restava.

Estava prestes a me enfurecer, quando sou interrompido por um grito:

- Lilyan…

Ela se levantando e vai em direção ao homem que deveria ser seu pai. Olho atentamente para aquele homem e o reconheço, ele usava roupas de couro e uma calça de linho com as bainhas, da mesma, sujas de lama. Não havia prestado muita atenção nele mais cedo, estava muito zonzo por causa da pancada, mas com certeza era ele.

Ele começa a falar com ela, mesmo não podendo ouvir o que diziam sabia que ele se referia a mim, ele aponta diversas para mim e ela o questionava a cada palavra que ele dizia. No fim quem ganha a discussão foi o pai, e ela é obrigada a entrar na casa do centro, não gostava nem um pouco dele mas naquele momento tive que agradecer a ele por ter mandado a menina para casa. Enquanto a menina caminha para dentro de casa, o homem me manda um olhar ameaçador e vai embora.

Após ter me aborrecido com a conversa, tive que ficar observando crianças que brincavam no terreiro e que de vez em quando paravam para tentar me convencer de brincar com elas.

Após algumas horas brincando, as crianças ficaram cansadas e suas mães as vieram buscar para descansarem, deixam o terreiro completamente deserto. Minhas pernas já estavam bem doloridas e começaram a formigar de tanto ficar sentado, faço um esforço para poder me colocar de pé, arrastando meus braços bem devagar pelo tronco onde estava preso até me pôr completamente de pé.

Nenhum dos homens mais velhos estava por perto então acho que não teria problema ficar daquele jeito por um tempo. Os garotos que me observavam mais cedo aparecem novamente no terreiro e vem correndo em minha direção, devem ter pensado que eu havia conseguido me soltar das cordas.

- Onde você pensa que vai? - questiona um deles que deveria ser Roger.

Fico em silêncio para provocá lo, enquanto seus amigos checavam se as cordas estavam bem amarradas.

- Me responda!! - exclama ele, meu silêncio parecia estar realmente o irritando.      

Ele estende um punho em minha direção que certamente me pegaria em cheio, se ele não fosse tão lento. Consigo me desviar facilmente, mesmo estando preso, jogo meu corpo para o lado e ele bate o punho contra o tronco da árvore.

- Fique longe dela está me entendendo? - diz ele tentando soar ameaçador.

- Quem vai me obrigar - digo provocando mais ainda, eu não tinha nenhum interesse na filha do cara que me prendeu ali, mas só pelo fato de eu conversar com ela o deixava de cabelo em pé.

Mais uma vez ele desfere um soco contra mim, do qual eu me desvio abaixando, isso o distrai o bastante para que eu possa acertar sua caixa toráxica em cheio com a minha cabeça. O golpe me deixou um pouco zonzo mas o desequilibrou o bastante para que com apenas um chute em seu calcanhar esquerdo o fizesse cair.

A queda foi feia os amigos do menino foram ajudar ele. Mas sou surpreendido quando o pai do Roger aparece e vê o filho caído e eu em pé, ele não parecia muito inteligente mas aquela cena era simples de interpretar, ele vai em minha direção e aperta minha cabeça com força e bate ela contra o tronco. Minha visão fica turva e pontos pretos começam a aparecer e sinto o sangue escorrer por minha tempora, e isso foi a última coisa que eu sinto naquele momento.

        

🔥


Quando acordo já era noite e o sangue ainda escorria por diversas partes do meu corpo, sinto um pano molhado passando pela minha pele tento virar a cabeça para ver quem o passava. Tento virar a cabeça mas uma leve mão a segurava.

- Não se mexe - ouço uma doce voz conhecida - estou quase acabando. 



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