História Fera da meia-noite - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias Supernatural
Personagens Castiel, Crowley, Dean Winchester, Lúcifer, Miguel, Sam Winchester
Tags Anjos, Demonios, Monstros, Nephilins, Supernatural
Exibições 126
Palavras 3.363
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Sobrenatural, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação, Nudez, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


• Hello, everyone! Estão todos bem pela glória de Chuck? Eu espero que sim.
• Bem, eu amei escrever esse capítulo e espero que gostem tanto quanto eu gostei.
• Não foi revisado [nenhum cap da fanfic foi, na realidade skskjk], então desconsiderem qualquer erro.
• Matthew Daddario [amor da minha vida] como Travis.
• Uma boa leitura, meus irmãos hunters!

Capítulo 4 - Act IV: Kingdom


Ato IV: Reino.

Northampton, Massachusetts.

O relógio rústico indicava oito e quarenta da noite. As luzes alaranjadas da loja de roupas eram fortes ao ponto de fazerem os olhos de Dean arderem. Em sua contagem, já se passaram trinta e sete minutos desde que chegou ao lugar. Trinta e sete minutos tendo o seu belo traseiro acoitado pelo banco acolchoado e macio do lugar. Não era algo para se reclamar, afinal, um único dia naquele covil sinistro de Therese já havia trazido motivos o suficiente para nunca mais querer voltar para lá – mesmo sabendo que alguma hora teria de voltar para o lugar medonho e cheio de aberrações.

A loja era de luxo; pode constar isso ao perceber que quase tudo ali era feito de prata – os lustres de cristais também ajudaram para fazer a dedução. O ambiente estava refrescado, uma contribuição do ar condicionado. Por mais que fosse agradavelmente bom poder observar mulheres andando para lá e para cá com vestidos luxuosos em seus provadores, queria sair logo dali. Não eram mais trinta e sete minutos que se passaram, mas sim quarenta minutos. Perguntou-se que tipo de roupa Therese estava experimentando. Evidentemente, não ousou perguntar-se o porquê de estar experimentando um vestido; ela havia sido clara na parte de não fazer sequer um questionamento sobre qualquer coisa.

Pensou que por conta da grande demora e tempo sendo jogado fora não poderia sequer soltar um mínimo sorriso, mas desvencilhou a ideia quando uma atendente morena trajada por um vestido azul extremamente colado ao corpo veio em sua direção. Finalmente algo interessante, ele pensou, o sorriso já iluminando o rosto.

— Olá, senhor — a atendente falou, as mãos envoltas na cintura. — Vi que está aqui há um tempo, está esperando sua mulher? Posso levá-lo à ala de espera, temos televisão e outras coisas que podem ajudar a passar o tempo.

Dean segurou-se para não rir diante a frase “está esperando sua mulher”, mas não deu tanta atenção para isso quando ouviu a palavra televisão. Passar o tempo. Era tudo que ele precisava naquele momento.

— Sua companhia faz parte do pacote? — perguntou Dean com um sorriso e no mesmo instante a mulher o olhou como se ele estivesse dizendo a maior bobagem do mundo. Estranhando sua atitude, perguntou a si mesmo o que havia errado. Talvez a atendente realmente pensasse que ele estivesse ali com sua mulher.

Ignorando sua atitude, a mulher gesticulou o caminho que Dean deveria seguir, e o mesmo o fez. Estava boquiaberto com a luxuosidade do local. Não estava acostumado com lugares tão finos desse modo. Jogou-se no sofá de couro branco, que estava vazio, e ligou a televisão com um controle que a atendente havia o entregado.

Havia taças de champanhe organizadas em forma triangular na mesa de centro. Preferiria uma cerveja, sem sombra de dúvidas, mas não estava em condições de reclamar – sequer água para beber ele tinha no covil de Therese. Apenas em lembrar que passara um dia sem absolutamente nada para comer, seu estômago roncou. Daria tudo para comer um hambúrguer gorduroso com a mais gelada cerveja. Talvez, quem sabe, até mesmo um bolo ou uma torta.

Teve tempo de aproveitar a mordomia por dez minutos até que Therese apareceu.

Estava em um vestido vermelho justo e um colar de pedras vermelhas – rubis, sem dúvidas – no pescoço. Tinha um sorriso distinto no rosto. Dean poderia a admirá-la se não sentisse tanta repulsa pelos atos da mulher. Ela ergueu a mão direita e prontamente revirou os olhos para a situação que Dean se encontrava.

— O que você pensa que está fazendo? — perguntou Therese.

— Aproveitando a estadia — respondeu da maneira mais sarcástica possível.

— Eu disse para esperar na entrada da frente — debateu, ajeitando o cabelo louro e sedoso que caia sobre seu rosto. Mesmo que compelido a não perguntar absolutamente nada, Dean não iria se calar e aceitar tudo como um cão. Sua curiosidade sempre falava mais alto. Meramente se levantou do sofá e interrogou a mulher:

 — Ótimo! E quando vai me contar o que viemos fazer aqui? Ou o motivo para estar comprando vestido de luxo? Eu sou humano, Therese. Sinto fome, sono, cansaço. Preciso de uma cama. Aquele seu covil tosco não é o melhor lugar para se dormir. E, acredite, já frequentei os piores hotéis que você pode imaginar.

— Se está tão insatisfeito assim, pode fazer uma lista de reclamações. Talvez eu atenda seus desejos. Talvez até encontre uma vadia para passar a noite com você. Apenas não faça muitas perguntas — ela respondeu, tentando manter a pose enquanto observava as pessoas. — Estamos indo a um restaurante, vou encontrar um velho inimigo.

— Desde que haja algo para comer — deu de ombros — E eu gostei da ideia da vadia, só pra constar.

— Isso não vai acontecer, só pra constar — disse Tessie irônica, dando as costas para o Winchester.

Encaminhavam-se para a saída quando uma voz conhecida adentrou os ouvidos de ambos. Antes mesmo de ouvir a voz, Dean já olhava para trás, curioso e um tanto estupefato por vê-la ali. Ou melhor, por vê-la viva. Em carne e osso. Esperava que estivesse morta diante aos ferimentos da última vez que a vira. Mas lá estava ela. Ashley.

— Ashley, bom ver você — sorriu Therese, da forma mais falsa possível. Não esperava ver a ruivinha de um dois dias atrás ali novamente. Na realidade, teve que forçar a mente para lembrar-se dela. Era péssimo encontrar pessoas indesejadas, ainda mais naquele momento; estava atrasada. — O que faz em Northampton, querida?

— Estive procurando por você — gargalhou Ashley, parecia tão insana e fora de si como da última vez que o Winchester a vira. Com certeza era alguma hipnose de Therese. Instantaneamente, Dean suspirou. A ideia de acabar como Ashley por se hipnotizado dezenas de vezes por Therese lhe corroeu a mente.

— Mate-a antes que eu faça — sussurrou Tessie para Dean, disfarçadamente. — Procurando por mim? Por quê?

— Porque você é minha rainha! É óbvio! — ela gritou, atraindo a atenção de todos da loja para os três. O Winchester gesticulou para as atendentes que estava tudo bem de uma forma altamente patética enquanto Therese escondia o rosto com as mãos como se estivesse envergonhada com os gritos da adolescente.

— Pare de gritar ou sua rainha irá rasgar seu pescoço com os dentes — sorriu Therese de forma graciosa.

— Oh, claro! Como quiser, Majestade — a menina sussurrou, tão baixo que quase não foi ouvida.

— Estamos indo para um restaurante encontrar uma pessoa. Venha conosco, Ash. Aposto que Dean adorara sua companhia — convidou Therese que imediatamente teve um ‘sim’ como resposta e um olhar negativo do Winchester. Ashley, no mesmo momento, agarrou o braço do loiro e sorriu para ele, que revirou os olhos em resposta.

 

Para chegar ao restaurante seriam necessários quinze minutos de viagem no carro, mas, com Therese no volante, precisaram de apenas oito. Claro que vez ou outra Ashley acertava a cabeça no vidro do carro ao ponto de trincá-lo. Dean, por outro lado, sempre que a garota vinha para cair em seu colo, empurrava-a em direção ao vidro. Uma boa quantia de sangue fora tirado da cabeça da jovem, isso se o crânio dela não tivesse sido partido ao meio, no mínimo.

A primeira coisa que Tessie deixou claro para o Winchester foi que “se você tentar saltar do carro ou qualquer tipo de gracinha, eu passo com o pneu na sua cabeça”. Uma única frase fora o suficiente para que ele tivesse certeza que não deveria tentar nada – e ela não precisou o hipnotizar a não fazer, apenas sua convicção fora suficiente. Queria ter a sua cabeça no devido lugar. Therese parecia capaz de decapitá-lo, se desejasse. Mas não arriscaria, de qualquer forma.

Após estacionar o carro, Therese deixou que saíssem, mas é claro que iria ditar as regras primeiramente.

— Nada de perguntas e sequer pense em falar sobre meus objetivos — disse ela, encarando Dean. — E quanto a você, querida Ashley, nada de gritar ou agir feito uma estranha. Não estamos em um restaurante qualquer e muito menos encontrando um inimigo qualquer. Saiba, Dean, que se algo der errado, as coisas ficaram feias para seu irmão e Castiel.

— Como quiser, minha rainha — concordou Dean, de forma sarcástica.

— Será bom que não use seu sarcasmo também — piscou Therese adentrando o restaurante com o pé direito.

O ambiente não era de longe muito diferente da loja que estavam mais cedo. Era muito luxuoso. As mesas tinham candelabros e as janelas em forma de arcos eram cobertas por persianas romanas. Ashley envolveu os braços nos braços fortes de Dean que rapidamente desvencilhou do toque da garota.

— Admira, mas não toca, meu bem.

A adolescente lhe lançou um olhar duvidoso e ao mesmo tempo curioso, perguntando:

— Tenho um mau pressentimento, sabe? — pela primeira vez Ashley pareceu normal, como se não estivesse fora de si. Como se fosse ela mesma. Dean sentiu pena dela. De como era jovem, mas ainda assim Therese não teve pena por conta de sua juventude. Talvez quando ela hipnotizasse muito uma pessoa, ela alcançasse a insanidade.

— Não vai acontecer nada com você — disse Dean, mas aquilo soou mais como uma promessa que fizera para si próprio. Não deixaria nada acontecer para aquela criança. E tentaria salvá-la se tivesse alguma chance, a menor que fosse. Afinal, o que mais um Winchester pode fazer além de salvar pessoas?

— Talvez eu chore — ironizou Therese, enquanto caminhava em direção a uma mesa com um homem vestido de blusa social. Provavelmente era aquele o inimigo que ela esperava encontrar. Dean suspirou e acompanhou Therese.

Com uma expressão de irritação no rosto, um homem fitava Tessie da maneira mais sádica possível. Parecia realmente a odiar como uma inimiga. Therese, com uma expressão de leveza e graça no rosto, encaminhou-se ao assento que ficava frente a frente com o homem e se sentou, sorridente. Dean e Ashley também se posicionaram nos assentos.

— Está atrasada — disse o homem, apoiando os braços na mesa, fitando Ash e Dean.

— Eu nunca estou atrasada, Travis — respondeu a loira, revirando os olhos com insatisfação.

Travis era um homem com barba e cabelo preto, e era um demônio. Dean percebeu isso no exato momento em que ele mostrou os olhos pretos para Therese que apenas riu pelo nariz. Até parece que meros olhos negros iriam deixá-la intimidada. Já havia visto coisas que fariam os olhos pretos de Travis sangrarem sem cessar por sequer um minuto.

— Não pensei que iria trazer reforços — o demônio encarou com desdém Ashley que brincava com um guardanapo de pano, cobrindo o rosto e descobrindo logo em seguida, repetitivas vezes. No intuito de ajuda-la a parecer menos patética, Dean tirou o guardanapo de sua mão de forma abrupta. Ela pareceu ter ficado chateada por isso

— E eu não trouxe. Eles estão aqui e no mesmo instante não estão.

Therese usava essa metáfora por mais vezes que o Winchester poderia contar. Não sabia o significado, mas pretendia perguntar quando tivesse a chance. Mesmo que ela odiasse perguntas e explicar detalhes. Era uma mulher muito decidida, na verdade. Dean não tivera muito tempo para pensar nos objetivos de Tessie. Sabia que aquilo não seria bom. Seria como um apocalipse, embora cinco vezes pior e maior. Mas, no fundo, entendia. Compreendia o que se passava dentro dela. Se tivesse uma forma de fazê-la enxergar de outro modo... Teve seus pensamentos interrompidos.

— Therese, diga-me logo o que você quer — perguntou Travis. — Não tenho muito tempo para ficar sentado em um restaurante com uma Nephilim, um Winchester e uma lunática. Sabe que as pessoas me vigiam. Sou o braço direito de Crowley. E se souberem que estou aqui, terei minha cabeça em uma bandeja, e costumo ser muito sentimentalista em relação as minhas cascas. O motivo para eu ter concordado vir até aqui, foi para dizer que nossa rivalidade acabou.

— Acabou, huh? Pensei que me odiasse por ter matado você — disse Tessie, fazendo uma careta divertida.

— Em outrora, eu pensava pequeno, mas hoje vejo que você aflorou o melhor de mim. Claro que tenho um desprezo enorme por você e sua raça, mas nada pessoal. Não mais, ao menos. Se você não tivesse me matado, ou melhor, me comido vivo, eu não seria o que sou hoje — disse o demônio, com suavidade nas palavras. Parecia livre de rancor.

— Estão ouvindo isso? — questionou Therese para Ash e Dean. — Chama-se gratidão. Você está certo, Travis, não seria absolutamente nada sem mim. No entanto, não vim até aqui para discutir nossa relação. Vim por respostas e é de extrema importância que eu obtenha as todas as respostas que desejo.

— Sei que estão no meio de uma conversa importante — interveio Dean. — Mas eu realmente vim pela comida...

Therese lançou um olhar repleto de fúria para o Winchester; ela pensou ter sido clara sobre não dizer nada. Ergueu sua mão esquerda e estalou os dedos. Quase que imediatamente, todos os presentes ali caíram no chão e outros de cara no prato de comida. Não mortos de fato, mas sim dormindo.

— Vá para cozinha, pegue o quiser — disse a loira, impaciente.

— Você os matou? — perguntou Dean.

— Claro que não, eles estão dormindo.

“Sendo assim...”, pensou o Winchester. Um sorriso enorme se apossou de seu rosto. Ficar um dia sem comer era como tortura; realmente sentia tudo dentro de si doer. Deixou a mesa e partiu em direção a cozinha.

Os cozinheiros estavam ao chão com pratos e colheres sobre seus rostos, dormindo feitos anjos. Dean poderia se sentir mal por eles, mas estava com fome demais para isso. Foi aos pratos prontos em cima da bancada – infelizmente, não encontrou nenhum hambúrguer ali, apenas comidas refinadas – um prato de macarronada fora o que mais chamou sua atenção, sendo que os outros alimentos eram tudo polvos e coisas que ele jamais havia visto em sua vida. Então, optou pelo mais acessível e, em sua concepção, mais saboroso. Com o prato em mãos, voltou à mesa.

— Pare de chorar, Ashley! — dizia Therese, sem paciência alguma para o chororô da garota. Dean não entendeu a razão pela qual a menina chorava, mas imaginou que seriam as pessoas dormindo, pois ela insistia em chorar e dizer “por que fez isso, rainha, é muito cruel, mal posso ver!”.

 Dean sentou-se a mesa e resolveu não se preocupar com o que acontecia com Ash, afinal, não conseguiria esperar mais um segundo sequer para abocanhar uma garfada de macarrão. Therese, ainda sem paciência, colocou dois dedos sobre a testa de Ashley e a fez cair no sono como todos outros já estavam.

— Essa garota me dá nos nervos — reclamou Tessie. — Como eu estava dizendo, preciso de respostas. Tenho um grande objetivo em mente e tenho certeza que você irá preferir estar ao meu lado a estar no lado perdedor, em outras palavras, no lado de Crowley, o vendedor. Ele não poderá proteger você, Travis. Não como eu posso.

Não conseguia crer por sequer um milésimo no reino de Crowley. Seu reinado viraria pó, em breve.

— Você quis dizer; Crowley, o Rei do Inferno — corrigiu Travis, batendo as mãos na mesa, irritado, fazendo o prato de Dean balançar, que sussurrou um “vai devagar, cara”, aborrecido só de pensar em ter seu prato jogado ao chão. — Está mesmo sugerindo que eu mude para o seu lado? Não parece ter bons guerreiros.

Referiu-se a Dean – que comia sua macarronada, fazendo barulhos estranhos e constrangedores – e a Ashley que estava deitada na mesa, com o rosto vermelho e molhado em lágrimas.

— Você está certo — disse Therese, fingindo tristeza. — Não tenho o melhor exército. Mas, é claro, que eu não estava nem de longe contando que você iria dizer sim — ela se levantou e sem nenhum aviso prévio se pôs atrás de Travis, rasgando sua garganta apenas com as unhas (que se tornaram grandes e afiadas). Sangue jorrou para todo o lado. No rosto apagado de Ash, em Dean e em sua macarronada também.

— Eu não acredito que você fez isso! — berrou Dean, tentando retirar o sangue de sua comida com o garfo.

— Imagine que é molho de tomate — disse Tessie com escárnio, sorrindo para o Winchester.

Ela se sentou novamente em seu lugar e com o guardanapo de pano limpou sua mão coberta por sangue enquanto ouvia Dean bufar irritado. A noite havia tido um resultado exatamente como Therese esperava. De certa forma, atraiu Travis para uma armadilha e tinha tudo que precisava agora; seu sangue. E com fartura.

— Lembra quando nos encontramos em Phoenix e eu disse que poderia me chamar de Fera da meia-noite?

— Quando você me raptou e mandou meu irmão e Cass para uma missão suicida? Lembro, claro!

— Essa não é a primeira vez que eu deixo o vale do medo — diz ela, ignorando a ironia. — Em 1764, tive uma saída expressa, estava descontrolada. Um monstro colérico sem controle de seus atos. Estive no sul da França, matei pessoas, duzentas, no mínimo. Os franceses ficaram desesperados, afinal, quem está acostumado com um monstro sob quatro patas? Apelidaram-me como A Besta de Gévaudan. Talvez você nunca tenha ouvido a história sobre a besta, mas aposto que seu irmão já ouvira algo sobre. Mas esse era um apelido formal, eu era mais conhecida como a Fera da meia-noite. O ápice da lua é a meia-noite. O meu ápice é a meia-noite. Fui enviada de volta para o vale do medo, mas nunca deixei de honrar meu título. Agora que voltei, por que não honrar não só a mim como todos os meus iguais?

— Um show de aberrações? — questionou Dean, ainda cheio de sarcasmo.

— As pessoas são incompreendidas, e você sabe disso, Dean. Você é incompreendido e é uma aberração também. Essa marca em você, acha mesmo que é algo normal? Não precisa esconder de mim essa sede incessável de sangue dentro de você. E a marca não trouxe isso, apenas a revelou. No fundo, matou pessoas mais do que salvou. Sabe disso.

Apenas com as palavras de Therese, Dean estremeceu. Fugia do assunto com Sam sempre que podia, mas com ela parecia ser impossível deixar isso em oculto. Era como se Therese aflorasse seus sentidos mais sádicos.  

— Por que está dizendo isso agora? — perguntou, engolindo a seco.

Tessie se levantou e permaneceu em silêncio, colocou-se de frente para o cadáver de Travis, uma fumaça negra deixava o corpo, mas ela a segurou e cerrou o punho até que a fumaça virasse cinzas. Sorriu satisfeita ao ver o demônio, por fim, morto. Voltou-se para o cadáver – incrivelmente atraente, aliás – e virou o pescoço ensanguentado de forma que ficasse visível sem precisar de nenhum suporte. O sangue borbulhava e jorrava pequenos jatos.

Subitamente, ela voltou seu olhar para o sangue de Travis, pronunciando lentamente as palavras:

— Venite ad me, ego quaerunt te (Venha até a mim, estou olhando por você).

Um sorriso alucinante iluminou o rosto de Therese, que estava coberto pelo líquido viscoso. A mesma deslizou suas mãos pelo vestido, ajeitando-o com muita atenção, como se sua vida dependesse daquele simples gesto. Em um impulso, Dean se levantou. Ele sabia que o que Therese fizera fora se comunicar com alguém do inferno. Não compreendeu o que ela havia dito, mas de que isso importava? Uma coisa que Dean aprendera sobre demônios:

— Porque agora é exatamente a hora que sua fidelidade ao seu irmão e seu amigo alado será testada. Ele está a caminho. Nós precisamos matá-los se quisemos limpar caminho para dupla dinâmica. Aposto que não os quer mortos, não? Deixe que a Marca o liberte, Dean. Eu deixei que minha maldição me libertasse. O que está esperando?

O chão sob seus pés tremeu. Cacos de vidros direcionados da janela perfuraram suas peles. Eles estavam próximos e aparentemente com uma desnecessária entrada triunfal. Demônios são sempre tão deploráveis, pensava Therese, enquanto Dean se esforçar em proteger o corpo, ainda preso em um sono profundo, de Ashley.

— É melhor que acorde Ashley. Pobre garota, não faz ideia da quantidade de sangue que irá jorrar hoje.

Dean não teve muito tempo para raciocinar; a porta, que também era de vidro, se partiu e uma ventania descompassada adentrou o ambiente. Em menos de um minuto, a silhueta masculina – pouco acima do peso – trajada por um terno preto, entrou no local com um sorriso vitorioso. Crowley estava ali e tinha uma dezena de demônios ao seu lado.


Notas Finais


— Bem, primeiramente: sei que disse nas notas finais do último capítulo que nesse teria o titio Crowley, mas, porém, contudo, entretanto, o capítulo ficou maior do que eu esperava e acabei optando por deixar para o próximo. E, óbvio, porque eu amo terminar com os caps e deixar esse mistério ksjkjkjslk ~pouco má~
— E então, meu povo!! O que acharam da volta da Ashley? Louquinha de pedra, tadinha. Super louco isso de quando é hipnotizado muitas vezes pela Tessie acaba ficando lunático e com certa fixação em ter a pessoa como um "Deus", né?
— E isso sobre a Therese ter sido a Besta de Gévaudan? Tive essa ideia quando estava [re]assistindo Teen Wolf. Mas, para quem não sabe, a Besta de Gévaudan realmente existiu, se procurarem no google, provavelmente vão achar.
— CURIOSIDADE: O nome "Therese" foi uma inspiração à Teresa de Maze Runner [amo-a demais sz]
— Meu maior cordial agradecimento à você que leu, favoritou ou/e comentou! Fico feliz demais com isso <3
[Dean e Therese só sei que já shippo!!!!!]


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