História Fica, vai dar sorte. - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, D.O, Kai, Lay, Sehun, Suho, Xiumin
Tags ?2concursoexofanfics?, Chanbaek, Dtehospital, Exokids!, Kaisoo, Oneshot
Exibições 76
Palavras 5.152
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Fluffy, Shoujo (Romântico), Slash, Universo Alternativo
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Alô, Alô!
Aqui está a fanfic para a primeira fase do Concurso Exo fanfics. Se eu tô nervouser? Magina, só um muito.
Quero agradecer a @Gabiscuit por ter feito a capa e a betagem! Eu tava entrando em desespero kkkkkkjjj Obrigado. <3

Boa leitura! 。^‿^。

Capítulo 1 - Um tipo de sorte para cada pedido


Fanfic / Fanfiction Fica, vai dar sorte. - Capítulo 1 - Um tipo de sorte para cada pedido

Era cedo da manhã quando a mãe de Jongin o acordou aos gritos para seu filho levantar. Aquele era o dia mais temido do pequeno, lutaria com todas as suas birras para não ir ao horripilante dentista. Levantou-se da cama ainda sonolento, passou quase dez minutos para acabar de escovar seus dentes, fazendo de tudo para se atrasar, demorando para comer e para tomar banho. A progenitora já sabia de todas as manhas do seu filho, assim acordou-o uma hora antes para não se atrasar! Ele saiu de casa choroso, resmungando que não queria ir, mas era necessário fazer essa consulta.


O Hospital estava do mesmo jeito de sempre. O recepcionista Yixing atrapalhado procurando suas fichas, pacientes sentados naquelas cadeiras de plástico nada confortáveis, médicos correndo para lá e para cá com seus estetoscópios no pescoço e, como não podia faltar, uma criança chorando alto para chamar atenção. No caso, a criança chorando era Jongin.

   

– Omma, eu não quero ir! – Exclamou ele com os olhos cheios de lágrimas, implorando para sua mãe levá-lo para casa.

 

– Se você continuar, seu dente vai começar a doer…

– Não!  – Gritou abrindo o berreiro, fazendo a senhora Kim morrer de vergonha.

– Comprarei um doce se você parar de chorar. – Ditou.


– Doce? – Sorriu.

– Sim, apenas pare de chorar. – Enxugou as lágrimas de seu filho. –  Vou fazer a ficha e logo vamos comprar, tá bem? Não saia daqui. – Explicou a mais velha, fazendo Jongin parar de chorar.


Só havia passado apenas três minutos e o tédio já consumia o menor. Sem o celular e sem poder brincar, ficar sentado em uma cadeira olhando para sua mãe não era nada divertido. Procurou algo para brincar, então decidiu desobedecer sua mãe ao ver uma bola no corredor. Caminhou até a mesma devagar para que ela não percebesse, mas antes de chegar lá, um menino com pouco cabelo e mais baixo que sí, pegou a bola e levou para dentro da sala.


Curioso, o pequeno caminhou na pontinha dos pés até a sala. Girou a maçaneta e meteu o rosto na brechinha da porta. Ficou confuso ao ver várias crianças sem cabelinhos brincando, enquanto o menino que havia pegado a bola estava a jogando sozinho.


– Hey, você! O que está fazendo aí fora? Quer brincar? Vem! - Um loirinho de jaleco, o chamou para entrar. Ele era engraçado e o seu rosto estava pintado com tinta, ele também usava um nariz de palhaço. Ele era um doutor ou um palhaço? Pensou duas vezes antes de entrar na sala, livrando-se de sua timidez.


– Então, qual o seu nome? – Perguntou o doutor.


– Kim Jongin. – Disse baixinho, enquanto olhava os próprios pés envergonhado.


– Como gosta de ser chamado?


– Kai…


– Porquê Kai?


– Porque parece nome de pessoa grande. – Pessoa grande era como Kai chamava os adultos.


– Então prazer, Kai! Crianças esse é o Kai, digam oi!


– Oi, Kai! - Acenaram todos para ele, fazendo o pequeno Kai ficar vermelho como um pimentão. Sussurrou baixinho um olá e acenou para eles de volta.

– Kai, meu nome é Byun Baekhyun e eu gosto de ser chamado de Baek.


– Você é um doutor ou um palhaço? – Jongin questionou.


– Eu sou um doutor-palhaço! Eu cuido das pessoas e faço-as rir! – Falou em um tom de voz engraçado, fazendo Jongin ficar ainda mais curioso. – O que te traz aqui? – Perguntou Baek.


Jongin sentiu-se feliz ao saber que Baek poderia cuidar das pessoas e fazerem elas rirem; então ele poderia arrancar seu dente sem doer? É uma boa profissão para seguir. Ao ouvir a pergunta do mais velho, apontou para a bola que estava na mão de Kyungsoo.


– Kyungsoo o trouxe? – Kyungsoo olhou confuso para o garoto, começando a prestar atenção na conversa.


– Não, eu ia pegar a bola...


–  Kyung está brincando com a bola agora… Vocês dois podem brincar lá fora no parquinho, se quiserem.


– Tudo bem, vem comigo.– Kyung se aproximou e estendeu sua mãozinha para Kai, levando-o ao parquinho.


Os dois sentaram e ficaram apenas em silêncio. Kyung o olhava atentamente esperando o outro dirigir alguma palavra em direção à ele, enquanto Kai apenas se perguntava porquê aquele menininho não tinha tanto cabelo como ele. Talvez ele tivesse pegado piolho, desconfiou.



– É… Você teve piolho? – Jongin perguntou, tentando puxar assunto.


– Eu tenho leucemia, é bem pior. – Disse Kyung sem nenhuma animação. Kai se sentiu culpado por ter perguntado aquilo.


– Me desculpe por perguntar...Mas aposto que não é tão ruim quanto ir ao dentista! – Ele disse fazendo uma cara de dor e tocando em sua bochecha. Kyung sorriu com a inocência do menor. – Qual o seu nome? – Kai indagou.


– Do Kyungsoo, mas pode me chamar de Kyung.


–  Meu nome é Jongin, mas pode me chamar por Kai.


– Hum, legal. – Kyung murmurou e Kai achou que o menor não gostava de conversar.


E logo o silêncio voltou naquela sala.


– Olá, Kyung! Do que estão brincando? – De repente, um dos guardas que era amigo de Kyungsoo apareceu, assim pegando a bola e jogando pra cima.


– Suho hyung! Estávamos indo brincar com a bola! – Suho fez um cara engraçada e logo correu até a bola que havia jogado, devolvendo como se não houvesse feito nada. Jongin e Kyung riram com o mesmo. – Este é o Kai. – Falou Kyung.


– Olá, Kai! Tudo bem? – Sorriu estendendo a mão para o comprimentar. Jongin levou sua mãozinha até a do mais velho e balançou.


– Tudo sim! Você é guarda do Kyung?


– Sim e não. Na verdade, sou dele e de todos aqui! Meu dever é proteger todos, não deixar que algo de ruim aconteça com os doutores e os pacientes. – Explicou.


– Uau, você é tão forte assim? Você bateria no fantasma do hospital? – Perguntou sorrindo. O pequeno era tão bobo! Lá no fundo, Kyung gostava de suas perguntas.


– Bater no fantasma? Eu já mandei ele ir embora pessoalmente. – Brincou.


Jongin pensou que poderia bater em todos os fantasmas, e assim, proteger todos, inclusive Kyungsoo. Parecia ser uma boa profissão.


– Você é demais! Vamos ser amigos?


– Claro, pequeno! – Bagunçou o cabelo de Jongin e se aproximou do outro que não prestava atenção na conversa. – Nós três podemos ser amigos!


– Mas o hyung é meu! – Kyung fez um bico enorme, agarrando-se nas pernas do mais velho. Jongin fez o mesmo com a outra perna, enquanto Suho ria e tentava tirá-los de lá.


– Eu sou de vocês, mas é melhor saírem daí antes que eu solte um fedorentinho.


– Eca, Hyung! – Os dois disseram em uníssono e soltaram as pernas do Suho.


– Yay, vamos brincar com a bola. Assim os fedorentinhos do Hyung não vão nos alcançar.


– É uma boa ideia! – Jongin falou, já pegando a bola. Nos primeiros minutos, Kyung hesitava a passar a bola para o garoto novo, mas após algum tempo apenas os dois jogavam enquanto riam animadamente. Suho nunca viu Kyungsoo tão ativo como naquele dia, se sentiu feliz ao ver que os dois estavam se dando bem e terem conseguido quebrar o gelo entre eles.


Os dois só foram perceber que Suho já havia ido embora quando cansaram-se de jogar.Kyung levou Kai até o bebedouro, enquanto gabava-se de fazer mais gols que ele. Jongin fingia não ouvir e apenas resmungava que fora roubo. Daí eles começaram a se entender, sentaram-se para conversar um pouco mais sobre eles. Kai explicava que era melhor jogando no Xbox, do que na vida real. Contava também histórias engraçadas que aconteciam na sua escola, fazendo Kyung rir horrores quando o outro imitava a professora de matemática.


Lembranças da escola voltaram a mente da criança.


Kyung era apenas uma criança animada assim como Kai. Levantava cedo para ir a escola e amava estudar. Era rodeado de amigos assim e era o melhor aluno no futebol. Todas as tardes ele jogava com os seus colegas e se divertiam à beça. Ele nunca havia dado trabalho para seus pais. Tirava notas boas e era um dos melhores da classe, até o pequeno começar a faltar. No começo, ele apenas não sentia disposição para ir a escola, muito menos ir brincar com os amigos, logo, dores e febres surgiram. Seus pais desconfiaram que fosse apenas uma virose, mas depois de alguns dias,hematomas aparecem em seu corpo e o mesmo começou a perder peso rapidamente; o pequeno mal levantava da cama. Seus pais por serem tão cheios no trabalho, somente perceberam que o estado era grave quando viram as roupinhas do pequeno cheias de sangue que era derramado pelo nariz. Fizeram então um hemograma completo para descobrir qual era a doença. Seus pais ficaram chocados ao receber a notícia que Kyungsoo estava com leucemia.


Um câncer dado nas células brancas do sangue, começando na medula óssea. Na maioria dos casos, a doença invade o sangue rapidamente podendo espalhar para outros órgãos. Elas prejudicam ou impedem a produção de glóbulos vermelhos, dos glóbulos brancos e das plaquetas, nas quais defende várias doenças como anemia, infecções e hemorragias. Após o diagnóstico, descobriram seu tipo de leucemia, a LLA (Leucemia Linfóide aguda). Por ainda estar na fase inicial, rapidamente começaram o tratamento, optando pela quimioterapia, tendo 80% de chances de cura. Já faziam 2 meses que o pequeno havia sido internado no hospital e já estava dando resultados satisfatórios.

E mal esperava a hora de voltar para casa e para a escola, finalmente poderia rever seus amigos. A energia que Kai trouxe para o mais velho foi a mesma energia de brincar com seus amigos da escola. Apesar de não ter gostado do outro logo de cara, ele achou o mais alto engraçado e gentil. E enquanto conversavam, o mesmo transmitia algo bom para si.


Kai também havia gostado de Kyungsoo, ele parecia bem mais legal que todos os seus amigos. Mesmo tendo ganhado no futebol, ele não parecia tão ruim assim. Sem falar que os dois riram muito e Kai adorou isso.


Isso até o seu dente doer e lembrar da sua mãe.


Kai estremeceu ao lembrar que desobedeceu sua mãe e, ainda por cima, perdeu o dentista. Após Kyung explicar sobre sua vida e o motivo de estar no hospital, sentiu-se muito ruim e queria lhe ajudar. Pensou em chamar o mesmo para seu clubinho, mas ele disse que não poderia sair do hospital. Então o prometeu ir no outro dia visitá-lo. Kyung sorriu ao saber disso, então se despediu do maior.



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JongIn ficou de castigo; passou o resto do dia sem seus joguinhos. Contou para sua mãe sobre seu mais novo amigo e como havia gostado dele. No outro dia, ela permitiu que seu filho pudesse visitar seu amiguinho, mas teria que ir ao dentista. Jongin fez de tudo para não entrar na sala, ela então falou que seria apenas para olhar. O Dr. Park havia falado que era necessário extrair o dente para poder nascer o outro.


Extrair, tremeu ao ouvir aquele nome.


Logo depois de sair, foi ao encontro do seu pequeno amigo; este que já o esperava na lanchonete. Kyung sorriu ao ver o garoto, desconfiou que ele não viria. Os bracinhos pequenos de Jongin circularam envolta do corpo, recebendo assim um abraço caloroso e meio desajeitado.


– Kyung, eu cheguei! Vamos brincar? – Perguntou animado.


–  Que tal irmos comer? Eu tenho uma comida para te mostrar!


– Mostrar? Eu quero é comer! – Riram e então seguiram para a lanchonete. Kai ajudou Kyung a sentar na banqueta do balcão por ser alto demais; ele era muito pequeno para alcançar. Apesar de ser mais velho que Jongin, não havia crescido tanto quanto ele.


Ao perceber que Kyungsoo estava ali, o balconista Min veio sorridente atendê-lo.


– Oi Kyung, como vai? Oi amigo do Kyung! - Comprimentou os dois. Kai ficou tímido e Kyung achou fofo.


– Oi, Min hyung! Este é meu… — Podia o considerar amigo? Talvez sim. — Meu amigo, ele se chama Kai!


– Que nome bonito! Prazer, eu sou o Minseok!


– Hyung… O nome dele mesmo é Jongin. – Sussurrou para o mais velho e Kai permanecia calado. – Kai é só apelido.


– Então é um apelido, Kai? – Perguntou.


– É sim, gosto quando me chamam assim.


– Eu tenho um apelido, você quer saber? – Disse Minseok para ele, aceitou concordando com a cabeça. Minseok entrou para a cozinha sem falar nada; os dois se entreolharam confusos. Kyung sorriu ao ver o que Minseok trouxera.


– Era isso que eu queria te mostrar! Comer, na verdade… Prova, prova! - Pediu Kyung, animado.


Minseok era amigo do Kyungsoo desde que ele foi fazer os primeiros exames e ele era um balconista da lanchonete do hospital, servia os melhores doces e salgados para seus clientes. Certo dia, quando viu um garotinho pequeno cobiçando a prateleira dos salgados, logo pensou em dar um para ele, mas não sabia se faria mal. Queria agradá-lo e então lhe deu. O sorriso fofo que o olhudinho deu para ele ao receber o baozi, fez com que Minseok se apaixonasse pelo pequenino logo de cara. E assim se tornou próximo do outro.


– Woah, isso é muito bom! - Jongin se pronunciou com a boca cheia do pão.


– O apelido do Min é o mesmo que esse salgado. Se chama Baozi.- Kyung explicou.


– É muito gostoso! Porque seu apelido é Baozi, Min?


– Um amigo chinês me deu esse apelido por eu ter essas bochechinhas redondas como um pão!  – Riu – Ele também me ensinou a fazer!


Se o apelido era baozi e ele também... Significava que estava comendo ele? É tão fofinho! Se ensinasse a Kyungsoo algo de cozinhar, poderia chamá-lo assim? Era um apelido fofo. Queria se tornar como Minseok e fazer mochis para o Kyungsoo! Afinal, ele era branquinho e redondinho como um mochi!


Depois de lancharem, a mãe de Jongin foi o buscar na lanchonete e também conhecer Kyungsoo. Ficou encantada com a educação do garoto. Ficou surpresa como o mesmo era forte e alegre para continuar lutando contra seu câncer. Kyungsoo também adorou conversar com a mãe de Jongin, ela se parecia com ele, era engraçada e gentil. Também, até deixou Jongin ficar a tarde toda com ele.



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Kyung não sabia se iria vê-lo no outro dia.  Mesmo por tê-lo conhecido há apenas dois dias, já sentia a falta do mesmo. Falta de brincar com ele e da animação que o outro transmitia para ele. Ele o deixava feliz cada vez que visitava-o.


Jongin fez de tudo para visitá-lo no outro dia, mas sua mãe não deixou; tinha que ir pra escola. Kyungsoo passou o dia na cama, contou todas as histórias de Jongin para o doutor Baek, que era um grande amigo.


Dr. Baekhyun era o oncologista pediátrico do hospital. Era responsável pelo planejamento e tratamento do paciente infantil. Sempre dava atenção, amor e carinho à todos. Quando tinha tempo, colocava um narizinho de palhaço e ia brincar com eles no parquinho, deixando-os felizes. Era difícil para Baekhyun, porque se apegava muito fácil as crianças e às vezes nem todas se curavam.


O avô de Jongin iria passar a noite internado no hospital para se recuperar da cirurgia que havia feito recentemente. A Srª.Kim decidiu acompanhá-lo a noite e junto de si levou Jongin. Ele pediu permissão para ir encontrar Kyung e ela permitiu. Correu pelos corredores atrás do menor, até parar em um dos quartos e notar que seu amigo estava lá. Entrou no quarto e notou que o mesmo estava mexendo em umas bolinhas.


– Hey, Soo! –Kyung sorriu ao vê-lo entrar no quarto, ele realmente deu um jeito de vir visitá-lo, mesmo sendo tarde da noite.


– Soo? – Perguntou assim afastando-se, dando espaço para o outro sentar.


– É o seu apelido! O que é isso?– Apontou para uma caixinha cheia de bolinhas.


– Gostei desse apelido, Nini! – Assim falou o apelido que tanto quis dar para o outro. – Essas são minhas miçangas… Baek me dá elas. Ele disse que servem pra fazer pedido!


– Pedidos? – Indagou curioso.


– Sim, qualquer um, e vai realizar. Os meus sempre se realizam...


– Uau! Queria ter uma dessas para pedir para nunca mais ir ao dentista!


Kyungsoo riu do mais novo e bagunçou seus cabelos. Os dois ficaram conversando por algum tempo até o sono bater. Kai quis ir no banheiro para não fazer xixi na cama, assim como sua mãe o ensinou, Kyung então acompanhou-o.


Já era muito tarde e a maioria dos quartos estavam com a luz desligada. Também não tinha ninguém nos corredores, diferente de como era durante o dia. O banheiro parecia ser mais longe e para fazer mais medo, algumas luzes estavam piscando durante o caminho. Entrelaçaram seus dedos e foram caminhando devagar até o banheiro, tremendo medo. Jongin quase mijou nas calças ao ver um vulto branco passando correndo entre os corredores. Kyungsoo saiu correndo puxando Nini para dentro do banheiro; logo se trancaram em uma das cabines, enquanto ouviam passos até o banheiro.


– Tem alguém aí? – Uma voz rouca sussurrou.


Com os olhos apertados, Nini abraçava Soo, escondendo o rosto em seu ombro. Ao ouvir a voz grossa do fantasma, Kyungsoo apertou o mais novo em seus braços com força, procurando fazer o maior silêncio possível.


– Cortei no lugar errado. Minha cara está cheia de sangue agora.


Os dois arregalaram os olhos ao ouvir as palavras que o fantasma dizia, ele havia matado mesmo uma pessoa? E a cara dele estava cheia de sangue? Será que estava sem pele?


– Eu já falei, tem que tirar primeiro o coração.


Falou por último, fazendo Nini começar a chorar. Ouviram o som da torneira sendo desligada, com certeza o fantasma havia lhes notado. Suho não havia mandando o fantasma embora, pois ele estava ali e agora!


– Hey, vocês dois! O que estão fazendo aí? – E a maçaneta girou. Os dois fecharam os olhos com medo e o fantasma começou a rir. Kyung abriu os olhos e ficou bravíssimo ao descobrir que não era nenhum fantasma, e sim, um dos amigos médicos de Minseok.


Sehun era o cardiologista do hospital. Havia acabado de fazer uma cirurgia e já teria outra com urgência. Apenas passou no banheiro mais próximo para lavar suas mãos mais rápido, não tinha nenhuma intenção de assustar os meninos. Voltaram ao quarto depois do medo passar. Jongin estava manhoso e Kyung começou a fazer cafuné nele, – assim como sua mãe fazia – até fazer o mesmo adormecer em seu colo.



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Depois daquele dia, Jongin visitava Kyungsoo pelo menos cinco vezes na semana. Os dois estavam tão ligados ao outro… Assim que Jongin chegava da escola, ia direto para o hospital. Brincava a tarde toda com o Soo, conversavam e riam, riam muito. Aprontaram muito no hospital também. Certo dia, Suho pegou eles no flagra apostando corrida de cadeira de rodas. Após se cansarem, iam até Minseok se alimentarem e descansarem até a mãe de Jongin vir lhe buscar. E até em alguns finais de semana, Jongin dormia com o Kyung no hospital. Depois de Jongin muito implorar, a mãe deixara; apenas porquê confiava muito no Dr. Baek para cuidar do seu filho.


Dias se passaram e os dois haviam se tornado melhores amigos, mas Kyung não podia mais brincar de bola, nem de corrida e, infelizmente, seu cabelo havia caído por completo. Kai continuava com seu dente doendo e com medo de ir no dentista.


– Nini, vem aqui… – Nini subiu na cama e se enfiou debaixo do cobertor. Percebeu que havia mais manchas no corpo de Soo do que antes.


– O que foi, Sosoo?


– Eu vi você chorando com dor no dente, Nini! Você tem que tirar… Pra ter um novo dentinho.


– Mas eu tenho medo. E se eu ficar sem? Além de que vai doer!  - Respondeu emburrado. Quando o assunto era dentista, Nini não gostava.


– Lembra das minhas miçangas? Você pode fazer um pedido para não doer e para crescer outro. – Sorriu pegando uma miçanga vermelha, era a preferida dele. Puxou as mãozinhas do outro e lhe entregou. - Essa é pra você.


– Você tá me dando um pedido? Não vai faltar?


– Não, vai não! Só quero ver você sem dor…


– Você tá dodói também, Soo! Vai ser um pedido a menos…


– Se você não aceitar, eu vou ficar com raiva! – Cruzou os braços formando um biquinho muito fofo, pelo menos na visão de Jongin.


De repente, uma vontade muito forte de apertar aquele biquinho surgiu no maior. Levou suas mãos ao rosto do menor para apertar o biquinho, mas ao olhar mais de perto, achou que apertar não seria legal. Ele queria tocar, tocar gentilmente, de leve, sem ele mal sentir, queria tocar como um carinho. Enquanto seus pensamentos estranhos voavam por sua mente, ele se aproximava cada vez mais de Kyungsoo e o outro por sua vez, permanecia com o biquinho zangado. De repente, em um segundinho, sentiu o choque dos lábios do outro nos seus. Não passou de um simples e rápido encostar de lábios. Nesse mínimo segundo, o coração do menor bateu mais rápido e do Nini também. Se sentiram extremamente envergonhados, não falaram nada sobre, apenas voltaram a conversar normalmente. Por um longo tempo, suas bochechas permaneceram rosadas. Os dois passaram a tarde dando sorrisinhos bobos, até Nini ir para casa com a miçanga que Soo havia lhe dado. Pensou seriamente em pedir a miçanga novamente para que Kyungsoo fizesse outro biquinho no dia seguinte.



Kai acordou de manhã com sua boca inchada e chorando. Seu dente precisava ser extraído logo para que o outro pudesse sair.  A Srª.Kim o aprontou e foi para o hospital com ele. Ao chegar lá, o Dr. Chanyeol foi rápido. Puxou o dentinho quase solto do menor com facilidade e logo depois colocou um algodão. Pediu para que ele sentasse na cama.


Nos primeiros minutos, Kai chorava alto.

Não era por dor – que realmente não sentira – , mas por medo de ficar sem dente para sempre. O doutor riu e prometeu para ele que iria sim trazer o dente dele de volta. E finalmente, o pequeno parou de chorar assim que começaram a conversar. Kai contava tudo sobre Kyungsoo. Chanyeol sabia sobre a amizade dele com Kyungsoo, afinal seu noivo falava sobre ele todos os dias. E como falava. Achava fofinho.



– Jongin, fiquei sabendo que você andou beijando… – Começou a brincar com o menor. Vermelho foi como ficou o rosto do mais novo.


– Kyungsoo lhe contou? O que ele falou?


– Então foi com o Kyung é?


– Dr. Park! Aish… – Resmungou.


– Ouvi dizer que ele gostou! Mas vocês são muito novos para isso, Nini.


– Aish, eu não sei, foi do nada, eu juro! E o senhor é muito velho, sabia? Agora que vai casar com o Baek. Dessa idade… – Jongin disse emburrado. – Se ele perguntar, diz que eu gostei.


– Ai ai… Essas crianças. – O mais velho riu, assim furando o dentinho do pequeno e pondo uma linha no meio. – E eu tenho 26 anos, estou na flor da idade...


– O que você tá fazendo com meu dente? Você não vai jogar fora? Mamãe sempre mandou jogar em cima do telhado!


– Que desperdício! Uh, toma.  – Entregou para ele a linhazinha com o dente. – Dentes de leite dão sorte, cuide dele!


– Da sorte? E vai dar sorte mesmo mesmo? Como as bolinhas do Kyung?


– Vai sim! Logo seu novo dente vai crescer também! – Bagunçou o cabelo do menino e sorriu. Jongin ficou curioso com aquilo. Colocou em sua mochila e saiu a procura do seu amigo.


Ao encontrá-lo, percebeu que o mesmo estava deitado em sua cama com vários tubinhos nos braços e o Dr. Baek estava com ele, pareciam conversar algo sério. Kai encostou seu ouvidinho na porta para ouvir, com a intenção de descobrir algo.


O mesmo iria começar com a radioterapia.


Entrou na sala logo após Baekhyun sair. Sentou-se na ponta da cama e sorriu para Kyung. Ele não parecia estar feliz, parecia mais cansado que o normal. Ele aproximou seu rosto bem perto do mesmo e abriu a boca. Ao ver que o outro finalmente extraiu o dente, Kyung sorriu para ele, mas ainda assim não era o mesmo sorriso de antes. Kai apontou para os tubinhos em seus braços na intenção de pedir para explicar.


– Nini, eu irei ter que fazer a radioterapia… E não sei se vou poder brincar com você novamente.


O coração de nini apertou ao ouvir aquilo. – Você vai ficar bem, não vai? – Perguntou baixinho.


Kyung apenas ficou em silêncio. A quimio não estava mais ajudando, as células doentes haviam começado a se espalharem pelo o corpo mais rápido. O pequeno se sentia fraco, muito fraco. Já não tinha tanta esperança em si mesmo…. Apesar de sempre ter sido forte, dessa vez, Kyung estava realmente mal. Acreditava que não iria conseguir ficar bem.


Kai se sentiu estranhamente ruim; pensou em várias coisas ruins que poderiam acontecer com o menor. Ele queria ver o sorriso de Kyung novamente, pelo menos isso, mas ele não sabia como ajudar.


Lembrou-se então do seu presente. Retirou do bolso o seu dentinho e entregou para ele. O outro olhou confuso, mas logo Kai começou a explicar.


– Dr. Park me disse que dentes de leite dão sorte. Acho que com você dá sorte, Soo. Talvez você precise. Fica, vai dar sorte.


Kyungsoo sorriu ao ouvir as palavras de Nini. Sorriu como antes e apertou o dentinho em suas mãos. Levantou meio desajeitado e abraçou Kai. Naquele abraço, o mesmo se pôs a chorar. Transmitiu todo o seu amor para seu Nini, o mesmo ocorreu com Nini, que lhe deu todo o amor.


Assim como Jongin tinha medo de ir ao dentista, Kyungsoo tinha medo de morrer.


Passaram-se alguns dias até começar com radioterapia. Kai ficou ao seu lado todas as tardes, apesar de ter que fazer todos os trabalhos de final de ano, sempre dava um jeito de passar um tempo no hospital.


Até que o dia chegou.


Kyungsoo estava nervoso, se sentia fraco demais. Até pensou em desistir, mas não queria jogar fora sua última chance. Levou consigo sua fonte de sorte e também de esperança: o dentinho. O Baekhyun também estava com dúvidas sobre, mas o acompanhou durante todo o processo. Além de Baekhyun explicar para Kai sobre quando o veio perguntar. Assim que Kai recebeu a notícia que Soo iria fazer a radioterapia.

Mal chegou da escola e pediu para que sua mãe o deixasse mais rápido possível no hospital, com a esperança de encontrar Kyung no corredor brincando de bola, feliz e animado assim como o conheceu. Ou pelo menos sem os hematomas, com o seu sorrisinho, dizendo que estava tudo bem.


Mas não foi o que aconteceu.

Ao passar pelo corredor, viu Baekhyun abraçado com Chanyeol chorando em sua sala. Seguiu nervoso até o quarto de Kyungsoo, mas o mais velho não estava lá. Kyung não estava em sua cama, não estava com Baek, não estava no parquinho, nem na cantina ou banheiro; muito menos nos corredores.

Kyung não estava no hospital.


Sem falar com ninguém, Kai voltou para casa triste, não sabia o que fazer. Talvez, nunca mais o encontraria novamente…

Queria rever seu melhor amigo, mas isso poderia ser impossível. Sua mãe decidiu que não o levaria mais lá assim que viu Jongin chorando. Chorou por alguns dias, talvez meses, talvez anos. Enquanto foi crescendo, nunca se esqueceu dos dias em que passou com seu melhor amigo; nunca mais voltou ao hospital. Não queria lembrar que um dia, a pessoa que ele mais amou quando criança, se fora.



Após entrar no ensino médio, Kai decidiu que queria viajar. Escolheu um curso para estudar e assim se mudou para Taiwan.


Tudo estava dando certo, mas sua mãe estava ficando velha e doente. Aos 22 anos decidiu voltar para casa cuidar da mesma, após se formar em odontologia. Este que sempre teve medo dos dentistas, acabou virando um. Logo conseguiu um emprego no velho hospital que tanto visitava quando criança.


As coisas já haviam mudado completamente. Já fazia onze anos desde que havia pisado naquele hospital. Após alguns dias de trabalho, encontrou o Dr. Baek junto com o Dr. Chan. Ficou feliz ao vê-los, passou algum tempo conversando com eles. Dr. Chan ria enquanto Kai contava o porquê de ter se formado em odontologia, enquanto o Dr. Baek não parava de sorrir. Os dois já haviam se casado há alguns anos, também adotaram uma menininha linda chamada So Hyun. Enquanto tomavam seu café, nem um deles tocou no assunto sobre Kyungsoo.


Voltou ao seu consultório para atender o seu último paciente do dia. Um menino em seus oito anos de idade entrou na sala. Já esperava pelo berreiro do garoto, mas o mesmo estava tranquilo e calmo.


– Pode sentar na cadeira, não precisa ter medo… – Disse pondo as luvas.


–  Eu não preciso ter medo! A So Hyun me deu uma miçanga para fazer qualquer pedido e eu pedi para não doer.


Lembrou das miçangas do Soo. Este que tanto acreditava nessas miçangas e que um dia lhe deu uma. Que um dia pediu para ela, que Soo voltasse a ficar feliz, voltasse a brincar, à ficar bem e curado.

O que Kai não sabia, era que as miçangas haviam dado certo.


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Kyung havia passado muito mal depois da radioterapia e, infelizmente, o hospital não tinha capacidade de cuidar dele durante o tratamento. Fora transferido para outro hospital, fizera radioterapia novamente e, naquela vez, dera tudo certo. A quimio e a radioterapia estavam dando resultados ótimos e em apenas 5 meses, finalmente conseguiu a cura geral do seu câncer!

Ficou extremamente feliz, voltou para a escola, voltou a brincar, voltou para sua vida de criança. Ele havia tido muita sorte, sorte de ter conseguido lutar até o fim, sorte por ter consigo aquele depósito de confiança para si.Decidiu-se formar-se em enfermagem. Começou a trabalhar junto com o Dr. Baek, aquele que sempre fora seu amigo, lhe dera total apoio para seguir a profissão. Mas durante todo esse processo, sentiu falta da pessoa que lhe deu esperança um dia, a pessoa a qual guardava em seu coração, que era um pedacinho da felicidade dele. Nini.


Quando Baek lhe contou que Nini havia voltado, não acreditou. Correu pelos corredores com a esperança de finalmente reencontrá-lo.



Após dar um algodão para seu pequeno paciente, Kai começou a conversar com o menino sentado na cama, enquanto retirava os instrumentos da bandeja para a pia.  Ouviu a porta bater, e então deu permissão para entrar.


Kyungsoo suspirou fundo e entrou. Pela a altura e sua voz, já havia percebido que  aquele menino que tanto sentiu falta durante sua vida crescera. Seus olhos marejaram em saber que ele estava ali! De costas para si, prestes a jogar um dente fora.


– Ei, o que acha que está fazendo? Dentes de leite dão sorte. Esqueceu, Nini?


Ao ouvir aquela voz, Jongin se virou para frente e não pode acreditar que seu pequeno Soo estava ali. Como? Não sabia, mas era real! Os dois tinham muito para conversar, mas as palavras faltavam. Sorriu com os olhos cheios de lágrimas, ditando para o garoto que ainda estava na cama:


– Ei garoto, as miçangas funcionam mesmo!  





“Quando uma criatura humana desperta para um grande desejo e sobre ele lança toda a força de sua alma, todo o universo conspira a seu favor.”  — Goethe.



Notas Finais


Então...
Fim! Boa sorte para todos que estão participando!!
Leiam as fics da tag c: Espero que gostem e Katiau.


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