História Fidelidade e Propósito - Capítulo 3


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Palavras 1.804
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia, Ficção, Magia, Romance e Novela, Shonen-Ai, Yaoi
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Boa leitura, pessoal!

Capítulo 3 - Boas-vindas . Parte 1


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NATAN

— Galera, temos dois atrasadinhos aqui! — gritou o garoto sem tirar os olhos de nós. — Vocês já perderam as boas-vindas, mas não fiquem mal. Temos uma especial para retardatários.

O filho da mãe do Enev havia armado pra mim.

O cara na porta continuou sorrindo para nós, como se tivesse encontrado novos brinquedos com que brincar. Tinha minha altura, mas era bem mais musculoso e de postura mais largada. De rosto fino e nariz arrebitado, era um garoto bonito, mas aquela expressão queria dizer também: "Ei, vou te ferrar, O.K?".

— Armou pra mim, sua coisinha! — bradei para Enev, que balbuciava nada com nada ao meu lado. Puxei a adaga da calça bem a tempo de ouvir passos apressados vindos de trás do garoto que nos olhava.

— Ora, ora... Temos um esquentadinho — sem se intimidar, o rapaz desconhecido saiu da porta e deu um passo em nossa direção com as mãos no bolso. Deu passagem para meia dúzia de outros tão grandes quanto ele, um com um porrete cheio de espículas e outro girando uma faquinha que brilhava de tão afiada. — Gosto desses.

Corri os olhos pelos sete que haviam saído do bloco, não me esquecendo de fulminar Enev, nervoso ao meu lado. Iria jogá-lo do topo daquele monte assim que tivesse a chance.

— Olha... Não quero confusão — tentaria negociar antes, afinal, estava em desvantagem. — Não tem porque brigarmos, não é? Estamos no mesmo barco.

— Fala o cara com a adaga — debochou o garoto armado de porrete. Ele era troncudo e alto. Em seu rosto nada bonito, o que mais se destacava era um nariz de batata.

— Força do hábito — dei de ombros.

— Como disse: gosto desses com energia — repetiu o garoto cínico. — Não quebram fácil — ele estalou os dedos.

Eu andava para trás conforme eles tentavam nos cercar. Enev foi para meu lado, mesmo comigo deixando claro que iria devolver o favor que ele fez me trazendo até ali. Encarei o tampinha de canto de olhos e percebi que ele estava realmente assustado, o que quase me fez questionar se ele armara mesmo para mim. Não entender as atitudes dele era a única coisa que estava me segurando para não dar o troco de imediato.

— Por que está com medo? Não precisa mais fingir — rosnei, encarando outro dos garotos, o que girava uma adaga. — Amigos, não foi o que você disse?

— Eu não estava fingindo! — se defendeu Enev.

Eles estavam nos encurralando e eu não podia fazer muito. Não sozinho. Se tentasse avançar no corpo a corpo, o grandão com o porrete me arremessaria para a lua; se bobeasse e perdesse o cara das facas de vista, viraria um ótimo alvo para ele treinar arremessos... E como se tudo isso não fosse o suficiente, ainda tinha o senhor sorriso, que com certeza era o mais forte deles, já que não usava armas. E falando no demônio, do nada ele juntou as sobrancelhas e encarou fixamente Enev.

— Eu lembro de você... Sabia que voltaria! Muito escorregadio você... Um dos poucos que conseguiram fugir da recepção até hoje.

Confuso, virei um instante para fixar meus olhos nos de Enev, mas logo corrigi minha idiotice. No segundo de desatenção, um deles havia dado um passo para mais perto.

— Estou entendendo cada vez menos, nanico — murmurei. — Você não está com eles?

— Eu? Não! — respondeu, também sem tirar os olhos deles. — Eu disse que tinha chegado mais cedo. Pois então, cheguei nesse bloco bem a tempo de vê-los fazendo o mesmo que agora, só que com um grupo maior de novatos.

— E fugiu? — soltei uma risadinha.

— Não, seu pateta. Retirada estratégica!

O Senhor sorriso-sacana dessa vez gargalhou.

— Adoro eles! — bateu no ombro de um dos colegas, que girou os olhos.

Ignorei-os, voltando-me novamente para Enev:

— E por que pelo menos não me avisou o que íamos encontrar, seu idiota!

— Eu ia! — rebateu. — Mas não queria que pensasse que eu sou um covarde!

— Não estou pensando coisa muito melhor agora ao seu respeito! — bufei.

...

— Ok, Ok. Deu, moças — disse o senhor sorriso-sacana. — Agora vamos à cerimônia.

— Ah, vá se ferrar você também! — falei sem pensar, mas ele não me deu atenção.

— Garotos... — murmurou ele, olhando em sequência para dois que estavam ao seu lado.

Aconteceu rápido demais. Num segundo estávamos eu e Enev de pé, um ao lado do outro, noutro o chão já não era mais firme e caímos ridiculamente de bunda no chão. Demoramos demais para percebermos que eles nos deram uma rasteira com uma rede, antes camuflada na terra. E tão lentos para levantar, nos imobilizaram com facilidade.

— Vamos lá, campeão — disse o garoto cínico próximo ao meu ouvido, enquanto que segurava meus braços para trás.

— Me solta seu... — enfiaram um pedaço de pano em minha boca.

— Você tem uma boca muito suja para alguém em sua situação — riu ele.

— E aí, Seth? — Perguntou um deles. — Os jogamos na lixeira ou só arremessamos ovos podres neles? O que manda...?

— O campo de obstáculos — respondeu o que me segurava. Então o nome dele era Seth, afinal.

— Você... Tem certeza? — meio hesitante, perguntou o garoto de antes.

— Ah, vai ser bom para esses dois. Vamos logo.

E esperneando, fui praticamente arrastado por aquele brutamonte. Foram trinta metros até chegarmos numa pista de corrida, que também cruzamos. Se já lutava como um louco para me livrar dele, passei a fazer tudo que eu podia quando vi que eles pararam na beirada de um buraco.

Inutilmente, acabei jogado como um saco de trigo no fosso. Caí de bruços, e nem doeu quando bati meu cotovelo numa pedra, porque isso não foi nada em comparação a terem jogado Enev em cima de mim.

Tirei o pano de minha boca para praguejar.

— Caralho, Enev! Sai de cima de mim! — Coluna? Quem precisa disso...

— Cara, pela deusa! Desculpa!

— Tá! Só. Sai.

— O teste de vocês é simples! Saiam do buraco e terão direito a suas camas em nossa família! — a voz de Seth ecoou dentro do buraco.

Ainda deitado, falei mais meia dúzia de palavrões. Não os gritei, porque isso só me deixaria parecendo mais idiota, porque de certo Seth e os outros nem mais na beira do fosso estavam.

 

...

— Desculpa, Natan — disse Enev. — Devia ter avisado antes.

Grunhindo, consegui levantar o corpo até me sentar. Afastei para longe sua mão quando ele tentou me ajudar.

— É, teria sido legal se tivesse falado — disse, sarcástico. — Acha que você ficou menos covarde me escondendo que fugiu?

— Eu não fugi... Eu só...

— Sim, você também pode chamar isso de "correr com o rabinho entre as pernas".

— Você é um babaca.

— Obrigado, já ouvi isso umas trinta vezes essa semana — fiquei em pé. Apertava minhas costelas, que estavam doendo como o inferno. Talvez tenha trincado alguma. — Adoraria ficar olhando para essa sua cara de tacho, mas prefiro sair daqui direto para minha cama.

Não me julguem. Não sou tão ridículo com as pessoas no meu normal, mas atire a primeira pedra aquele que trataria bem a pessoa que por frescura te fizesse ser jogado num buraco. Poxa, tudo poderia ter sido mais fácil se Enev não tivesse escondido a importante informação de que os veteranos eram potenciais psicopatas.

— Boa sorte — respondeu ele às minhas costas, pondo-me pouca fé.

Eram três da tarde, e por isso daquele lado da montanha fazia Sol e o fosso não estava assim tão escuro. Passei a examinar com cuidado a parede do buraco. Eram seis metros de altura, e como o destino nunca facilitaria demais minha vida, o barro era lavado e praticamente liso, sem nenhuma pedra para que eu pudesse me apoiar. Opa, você deve estar pensando: "você não tem uma adaga, Natan? Faça você mesmo os apoios!". Pois então, eu adoraria fazer isso, mas adivinhe? Minha faca ficou na poeira quando me derrubaram junto com o Enev.

... Tão rápido levantei, orgulhoso e confiante de que sairia dali, conclui que a não ser que eu criasse asas, não iria a lugar nenhum com um braço machucado e uma costela trincada.

— E aí, super? — Fechei os olhos tentando me agarrar ao último fio de minha paciência. Será que não podia matar aquele nanico e colocar a culpa na queda, quando encontrassem o corpo? — Decidiu se quer levitar ou só se teletransportar para fora?

— Ah, desculpa, senhor da suprema inteligência! — virei para gritar com ele. — Claro que qualquer idiota veria que não tem como sair do buraco, não é? Nossa, me desculpa por ser tão estúpido!

— Você tem sérios problemas com autoestima, não é?

— Sarcasmo, sabe?

Ele arqueou uma sobrancelha.

— Digo o mesmo: "sarcasmo, sabe?" — rebateu.

— Você é irritante. Tem um bom motivo para que eu não ceda à vontade de te apagar?

— Bem, acho que o fato de que só poderemos sair daqui se trabalharmos juntos é o suficiente — respondeu ele, mantendo a tranquilidade como se soubesse que eu estava blefando.

Frustrado, suspirei e me agachei a sua frente. Enev era mais inteligente, e me dobraria sempre que a discussão não envolvesse força física. Fato. De certo sabia como sair dali, mas eu não iria conseguir nada o culpando mais. Se eu ainda estava com raiva dele? Mas claro! Porém, não mais ao ponto de querer bater naquele garoto, como havia dito.

— Sou todo ouvidos.

— Que bom — sorriu ele. — Consigo pensar numa saída, mas o problema é que meu plano exige confiança, e nem eu confio em você, e nem você em mim.

— E não tem nada que eu possa fazer sobre isso?

— Pode começar parando de me encarar como se planejasse meu assassinato.

Respirei fundo antes de responder.

— Olha, se te deixa melhor, parei de pensar nisso há um minuto!

— Na verdade, não deixa não.

— O.K., Desisto! Vamos morrer aqui e depois Salin me ressuscitará só para me matar por ter morrido antes de tê-lo feito Guardião!

Enev finalmente me encarou com uma expressão diferente da de completo desinteresse e tédio. Pela primeira vez, parecia curioso.

— Seu alquimista também quer o cargo?

— Acho que todos eles querem... Por quê?

— Porque eu sirvo a Eliazar Stiria, e é ele quem será o novo Guardião.

Estreitei os olhos, assimilando o que ele estava me dizendo. Havia virado vidente agora?

— Hum, é mesmo? Se você acha que vai ser assim tão fácil vencer alquimistas poderosos como Salazar, vocês já perderam. Não subestimem tanto seus oponentes.

— Não os subestimamos! Por isso estamos aqui no Liceu, para dar tudo que temos e honrar ainda mais a família Stiria!

Suspendi as sobrancelhas, um pouco desacreditado.

— Não sei seu mestre, mas você está fazendo um ótimo trabalho aqui, preso em um buraco — fiquei satisfeito quando ele apertou os olhos na minha direção. Irritá-lo seria meu passatempo preferido a partir daquele momento.

Ele bufou e levantou-se, espalmando as calças para tirar um pouco da poeira.

— Tenho uma proposta, um acordo entre cavaleiros. Não fico aqui nem mais um minuto com você!

Sorri, vitorioso.

— Diga.

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